Barroco
O espírito do Barroco correspondeu a um tempo em que
homens e mulheres, movendo-se como actores, representaram a sua própria vida no palco que é o mundo.
Foi uma época de contradições em que ser e parecer, pompa e
despojamento, poder e impotência se mantiveram como constantes antagónicas. Sendo mais do que um estilo, o Barroco traduziu, num
mundo abalado por conflitos sociais e religiosos e todo o tipo de
Caravaggio, A crucificação de São Pedro,
1600-1601,
Igreja de Santa Maria Roma
A encenação levada a cabo por reis ou por papas nos seus actos públicos constituía, já por si, um programa político onde o
cerimonial e a etiqueta - teatro mundi.
Todas as formas de arte se destinavam a uma dupla função:
Charles Le Brun,
A apoteose de Luís XIV, 1677
A arte barroca dirigiu-se ao grande público, destinando-se a persuadir e a
estimular as emoções pelo movimento
curvilíneo, real ou aparente, das suas
formas, pelos jogos de luz e sombra,
pela busca do infinito, do teatral, do
Interior da Igreja de São Francisco, Salvador da Baía
O Barroco expressou o místico e o religioso, a emoção, a
afectividade, criando uma arte que aprisionasse o crente pelos sentidos: visual, auditivo e olfativo.
A crucificação de São Pedro, Caravaggio Êxtase de Santa Teresa, Bernini
O triunfo da Divina
Palácio Barberini, Roma Pietro da Cortona
A Imaculada de Soult, 1678
A sociedade barroca era festiva e as celebrações impunham pompa e circunstancia, exaltando a cidade e o homem barroco.
O barroco arquitetónico nasceu da fantástica reconstrução que os
papas da Contrarreforma
executaram em Roma, seguindo as directrizes saídas do concilio de
Trento.
A monarquia também gostava de exibir o poder, por isso mandava construir imponentes e luxuosos palácios.
Com o barroco consolidou-se a associação entre arte e poder.
O Concílio de Trento foi o concílio ecuménico mais longo da História da Igreja Católica. Foi também o concílio que "emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformas, e
produziu os resultados mais benéficos", duradouros e profundos "sobre a fé e a disciplina da Igreja"
A arquitetura barroca conjuga-se com a pintura e a escultura
criando efeitos de perspetiva e
ilusão, nas plantas, nos tetos e nas cúpulas.
A decoração segue as linhas estruturais dando a ilusão de movimento e maior amplitude do espaço.
A abundância de linhas opostas reforça o sentido cénico da
arquitetura, assim como os
jogos de claro-escuro resultantes pelas massas salientes e
reentrantes tanto sinuosas como lisas.
Nas fachadas os elementos estruturais são usados como formas
decorativas: colunas torças helicoidais duplas ou triplas e escalonadas. Os frontões centrais reforçam o movimento ascensional das fachadas.
A arquitetura barroca como: libertação espacial pelo fim da estaticidade e da
simetria, pela busca da fantasia e do movimento e pela antítese entre espaços interiores e exteriores.
Bruno Zevi
A arquitetura religiosa alterou-se pela exigência de alterar as igrejas às novas exigências liturgias.
O poder papal e o poder real mandaram construir luxuosas igrejas, pois a igreja é a imagem do céu na terra.
As plantas das igrejas barrocas
apresentam grande diversidade de formas: curvas, elípticas e ovais,
trapezoidais e estreladas, possuem uma nave única: retangular ou
As paredes ondulantes, côncavas e convexas adequam-se aos desenhos sinuosos das plantas.
Estão cobertas por estuques, pinturas e retábulos em talha dourada,
criando efeitos espaciais ilusórios.
A decoração interior das paredes, das abóbadas e das cúpulas foi feita para dilatar o espaço e aumentar a noção de movimento. Cobrem-se de pinturas a fresco, segundo linhas ondulantes e serpenteadas, com figuras decoradores de querubins e de anjos que ascendem ao infinito, rodeadas de uma luz especial na procura de Deus.
Pintadas em Trompe-l'oeil, valorizadas pela luz filtrada vinda dos janelões e das cúpulas com lanternim as composições pictóricas reescrevem a
história da religião e a ordem divina com uma exuberante alegria e formas imaginativas pondo em evidencia o virtuosismo dos pintores barrocos.
Os mármores policromados, a talha dourada, as esculturas os
retábulos, as telas pintadas e os orgãos, contribuiam para a profusão de cor e deleite dos sentidos.
A arquitetura civil restringiu-se à
construção de palácios citadinos a às villas da
nobreza e alta burguesia e foi expressão de um
poder absolutista e capitalista.
A planta em U ou de duplo U
possibilitava uma maior articulação com o meio envolvente.
A fachada era simbolicamente a parte mais importante do
palácio.
Pilastras colossais ligavam o rés-do-chão aos outros pisos. O corpo central e a porta
eram superfícies com mais decoração, copiando as
fachadas das igrejas.
As frontarias ordenavam-se geometricamente em U
como no palácio de
Barberini ou em formas
onduladas como no Palácio de Carignano.
Interiormente o piano nobile tinha,
geralmente ao centro um grande salão de festas. A ligar os diferentes andares havia galerias e escadas que possuíam sempre dois lanços simétricos com
decoração e cenografia teatrais.
Basílica de S. Pedro
Bernini,
S. João de Latrão
Francesco Borromini, 1646-1650, Roma
Igreja de Santa Inês
Borromini 1652, Roma
Igreja de Santo André do Quirinal
Bernini
Igreja de Santa Maria da Saúde
Baltazar Longhena, 1631, Veneza
Palácio Barberini
Bernini, 1628, Roma
Pavilhão de caça Stupinigi
Filipo Juvara, 129-1733, Itália
Palácio de Carignano
Guarino Guarini, 1678, Turim
Abandono dos esquemas formais da arquitetura clássica; Observação do edifício como um todo integrado;
Dinamismo planimétrico e nas fachadas conseguido através de complexos traçados geométricos;
Procura do movimento e da ilusão espacial;
Integração de diferentes disciplinas artísticas nas igrejas e nos palácios;
Frontões centrais para reforçar o movimento ascencional das fachadas;
Procura de formas para veicular a emoção; Gosto pela teatralidade e fantástico;
Contrastes de luz evocados pelas variações de volume na arquitetura;
Efeitos decorativos e visuais conseguidos com jogos de volume, linhas curvas, colunas retorcidas, etc.;
Exagero na ornamentação e ausência de espaços vazios.
O tecto elevado e elaborado com elementos de escultura dão uma dimensão do infinito;
Grandiosidade e monumentalidade e o caráter cénico da arquitetura;
Movimento curvilíneo, procurando a ilusão de movimento, contrariando a simetria renascentista;
A arquitetura é veiculo de emoção ao contrário da racionalidade renascentista;
Recurso às ordens clássicas (jónica, dórica, coríntia, compósita, toscana);
Exercício:
1. Comenta a seguinte afirmação: Todas as formas de arte se
destinavam a uma dupla função, fascinar pelos sentidos e veicular uma forte mensagem ideológica.
2. Explica de que forma se procurava o cenográfico na arquitetura barroca.
3. Que importância teve o movimento da contrarreforma para a arquitetura barroca religiosa?
4. Analisa um dos edifícios religiosos do manual e refere as suas características fundamentais.
5. Caracteriza a arquitetura barroca.
6. Comenta a afirmação: “Com o barroco consolidou-se a