Morfometria comparativa de três arroios afluentes ao Lago Guaíba no município
de Porto Alegre/RS/Brasil, com uso da tecnologia Sistema de Informações
Geográficas (SIG).
Isabel Cristina JunqueiraInstituto de Pesquisas Hidráulicas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Caixa Postal 15029 CEP 91501-970 – Porto Alegre, RS – [email protected]
RESUMO
Este estudo visa avaliar parâmetros morfométricos de três importantes arroios: Dilúvio, Salso e Lami, do município de Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Estes arroios são importantes afluentes ao Lago Guaíba, pertencente a Região Hidrográfica do Guaíba, neste estado. Para esta análise foi utilizado a técnica do geoprocessamento de imagens, integrando-se a informações geográficas através da tecnologia SIG, Sistema de Informações Geográficas. Como informações de entrada, utilizou-se os dados digitais a partir do MNT (modelo numérico de terreno) do município de Porto Alegre originado pelabase cartográfica do Rio Grande do Sul – escala 1:250.000, arquivos do sistema de referência do Idrisi com os parâmetros para o Datum Córrego Alegre e Datum SAD 69 – IBGE, no sistema de coordenadas UTM 21S Latitude/Longitude 51,3488929W; -30,502008S e -50,5329916W; -29,6428394S, com resolução de 90m, disponível no site do LABGEO-Laboratório de Geoprocessamento do Centro de Ecologia/UFRGS- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Destas imagens extraíu-se dados característicos dos atributos físicos das redes de drenagens em questão, tais como a determinação da direção do fluxo, os limites e áreas das três sub-bacias geradas em arquivos raster. Os valores obtidos mensuraram a morfometria das sub-bacias estimando as características digitais distintas entre os terrenos avaliados. Dos três arroios analisados, o arroio do Salso apresentou maior área de abrangência de sub-bacia e o Lami, a de menor área. A densidade de drenagem foi semelhantes para as três sub-bacias, porém com o índice pouco mais elevado para o arroio Lami. De certa forma a densidade apresentou-se com média baixa entre as su-bacias. Com relação a extensão do curso principal, o arroio Dilúvio apresentou o maior valor dentre os três analisados, sendo o arroio Lami, a menor. Quanto ao fator de forma das redes de drenagem, o arroio do Salso foi o que apresentou valor mais elevado. A caracterização do padrão de rede, com base na metodologia de Sthraler (1952) definiu-se que os arroios Dilúvio e Lami como de 3ª (terceira) ordem e o arroio do Salso como de 4ª (quarta) ordem. Os resultados encontrados revelaram dados importantes de atributos da rede de drenagem das sub-bacias estudadas, levando ao entendimento do funcionamento da dinâmica do fluxo das águas, a, possibilidade de eventos de enchentes na bacia e a uma avaliação preliminar da morfologia local. Porém este estudo, pode ser complementado com a análises de outros parâmetros físicos, químicos e biológicos da bacia para uma melhor compreensão do quanto estas funções influenciam na integridade ecológica de uma rede hidrográfica. Palavras-chave: morfometria de rede drenagem, densidade de drenagem, atributos físicos, parâmetros morfométricos, análise morfométrica, fator de forma de bacias.
INTRODUÇÃO
A configuração geomorfológica de uma bacia hidrográfica é a integridade de diferentes parâmetros da físicos de conformação de rede de drenagem onde refletem as diversas características naturais do terreno e a respostas de diversas ações antrópicas sobre a mesma. Ações estas, que evolui ao logo de períodos com a ocupação do solo e que, por vezes, desregradamente afetam os ecossistemas aquáticos em termos quali-quantitativos influenciando a dinâmicas da rede de drenagem na sua integridade ecológica.
Uma bacia hidrográfica, instituída com uma unidade de planejamento, é uma importante ferramenta de gestão ambiental, onde se faz necessário o manejo adequado para que todos possam usufruir dentro da eficiência suportável
deste ecossistema, respeitando a naturalidade dos recursos fornecidos ao homem e o melhor aproveitamentos em benefício da sobrevivência dos espécimes e suas associações biológicas.
No ambiente natural o sistema de drenagem esta organizado pertinentemente e esta conformação esta intimamente relacionado ao processo erosivo, integrado as interações entre os eventos hidrológicos e de geometria da bacia, o que reflete na morfometria do terreno (Pissara et.al., 1999).
Mendes et al., 1999 in: Mendes & Cirilo (2001), cita que dados os complexos fatores e a heterogenidade temporal e espacial das variáveis ambientais, tais como: o solo, vegetação, topografia, clima, geologia, bem como, as sócio-econômicas: população, tipos de atividades agrícolas, número de industrias etc., envolvidas ao
longo da bacia da bacia, surge então a necessidade de se desenvolver metodologias baseadas no pressuposto de que a vazão do rio reflete uma resposta que é uma integral de todas as ações que ocorrem a montante do ponto de análise, em termos qualitativos quanto quantitativos.
Os padrões de rede podem ser expressos numericamente pelo os atributos mensuráveis, determinando os índices quantitativos, sendo que, estes permitem a avaliação e o entendimento do funcionamento desta complexidade que são as ações de naturezas diversas e do comportamento hidrológico, diferenciado pelo uso adequado ou não do solo da bacia.
Reconhece-se desta forma, a intíma relação entre as características da rede de drenagem e a geologia em seus múltiplos aspectos litológicos e tectônicos, fornecendo sob o ponto de vista quantitativo, indicações hidrogeológicas da bacia em estudo (Almeida & Romariz, 1998).
Estudo da rede de drenagem sempre foram importantes para geomorfologia, pois os cursos d’água constituem um dos processos mais ativos na formação da paisagem terrestre (Sucupira et. al. 2001; Colombo et al, 2007).
Na análise da bacia hidrográfica, a mensuração dos atributos físicos da rede de drenagem com a utilização do Sistema de Informações Geográficas (SIG), através do geoprocessamento dos dados de imagens com o uso de interação de ferramentas tais como, o uso de softwares, fornece dados característicos importantes de uma rede de drenagem, proporcionando a obtenção de dados morfométricos, estimando-se desta forma, quantitativamente as dimensões da bacia e a forma desta, bem como, permite obtermos com isso, valores que levam a determinação da densidade de drenagem, do fator de forma e, também da obtenção do padrão de rede.
Segundo Oliveira & Maidment, 1999 (in: Buarque 2007), a partir do MNT é possível derivar diversas informações sobre a morfologia e a superfície terrestre (Jenson, 1991). As características hidrológicas da bacia (direção do escoamento, área acumulada, rede de drenagem, comprimentos de rios, áreas acumuladas, etc.) podem ser determinadas usando funções padrões incluídas em muitos softwares de SIG disponíveis comercialmente.
O objetivo deste estudo foi o de analisar alguns parâmetros morfométricos de três dos arroios: Dilúvio, Salso e Lami, principais contribuintes ao lago Guaíba, Hidrográfica do Guaíba, localizados no município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, região Sul do Brasil, através da mensuração estimada dos atributos físicos da rede de drenagem, com o uso da tecnologia Sistema de Informação Geográfica (SIG) e ferramentas dos Softwares Idrisi Kilimanjaro, CorelDraw10 e AutoCad2000, no intuito de caracterizar comparativamente as
morfometrias entre os arroios estudados, determinando assim a área e fator de forma da sub-bacia de cada um deles, o padrão das redes, obtendo-se também o comprimento total do curso principal e dos demais cursos d’água das drenagem em estudo em estudo.
METODOLOGIA As áreas de estudo:
O município de Porto Alegre situa-se nos limites das regiões continental e costeira e entre a zona tropical e temperada com a seguinte descrição (Atlas Ambiental de Porto Alegre, 1998), (Fig.1).
Figura 1. Município de Porto Alegre e seus limites.
Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
Limites:
Ao Norte: municípios de Triunfo/Santa Rita
Ao Sul: municípios de Viamão/ Lago Guaíba (Barra do Ribeiro)
Ao Leste: municípios de Alvorada/ Viamão
Ao Oeste: Lago Guaíba (municípios de Eldorado do Sul/Guaíba e Barra do Ribeiro)
Área: 476,30 Km2 - ( continentes – 431,85 Km2 e ilhas - 44,45 Km2)
Ponto mais alto: Morro Santana – 311,20Km2
Ponto mais baixo: foz do arroio do Feijó – 1,1m (cont.) e Ilha das Flores – 0,1 m (ilhas)
Altitude: 10m
A Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba:
Área: 496,827 Km2 Largura: 19 Km Comp. 50 Km Volume: 1 Km
Prof. Max.: 31 mt ( ponta do Itapuã)
O município é delimitado por 27 sub-bacias e drenado por 18 arroios, o maior sendo o arroio Dilúvio e menor arroio do Osso (Fig. 2).
Norte – os arroios drenam para o rio Gravataí (06 arroios)
Central – os arroios ao Leste drenam para o oeste no lago Guaíba (12 arroios)
Sul – os arroios drenam do Norte para o sul (09 arroios)
Figura 2. Mapa do município de POA e divisão
das Sub-bacias (Fonte: DMAE/2007).
O fluxo da águas pela sub-bacias é radial centrífuga, cujas nascentes dos principais arroios encontram-se nos limites de POA com Viamão/Lomba do Pinheiro formando um anel (Fig.3).
Figura 3. Sentido do fluxo das águas e limites das
nascentes dos arroios.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do trabalho seguiu-se em três etapas iniciando-se pela obtenção da imagem do município de Porto Alegre originado pela base cartográfica do Rio Grande do Sul – escala 1:250.000 (arquivos do sistema de referência do Idrisi com os parâmetros para o Datum Córrego Alegre e Datum SAD 69 – IBGE) dos Modelos Digitais de Elevação dos estados brasileiros, obtidos a partir do SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) disponibilizados pelo LABGEO – Lab. de Geoprocessamento do
centro de Ecologia da Universidade federal do Rio Grande do Sul.
Os passos seguiram-se com a utilização de ferramentas dos softwares Idrisi Kilimanjaro, CorelDraw10 e AutoCAD2000. A imagem do município de Porto Alegre foi digitalizada em corte inicialmente no Idrisi extraindo-se os valores do sistemas de coordenadas de Latitude/Longitude -51,3488929W; -30,502008S e -50,5329916W; -29,6428394S (Fig. 4).
No rio principal, definido pelo Lago Guaíba foi demarcado os exutórios dos afluentes em análise (arroios Dilúvio, Salso e Lami). Dados do MNT em formato Raster são determinados definindo-se as direções dos fluxos das drenagens de cada sub-bacias sendo posteriormente delimitados as áreas de cada sub-bacia em Km2.
Figura 4. Imagem do Estado do Rio Grande do Sul. Corte da
imagem dos limites de Porto Alegre.
Com base na delimitação das sub-bacias exportou-se a imagem para o software do AutoCad2000 para dimensionar-se a extensão dos cursos d’águas existentes na rede, obtendo-se a extensão do curso principal e da totalidade dos cursos desta área em Km (Fig. 5).
Figura 6. Imagem com estabelecimento da rede de
drenagem e delimitação das sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Esta mesma imagem foi exportada para o software CorelDraw10, a partir da rede de drenagem obtida pelo Idrisi, onde foi determinado o padrão de rede, com base metodologia de Sthraler (1952) in: Junior & Kolde (2007), definindo-se as ordens dos cursos d’água desta rede (Fig. 7).
Figura 7. Ilustração do método de ordenação dos canais de
STHRALER (1952) e definição do ordenamento de rede nas sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Com base nos valores definidos das áreas das sub-bacias (Km2) e extensão
(comprimento) dos cursos d’água em Km, atribui-se valores de densidade de drenagem e fator de forma da bacia.
A caracterização morfométrica das áreas estudadas ficaram assim descritas:
A: área da bacia expressa em Km2.
L: comprimento do(s) curso(s) d’água e, Lt: comprimento total dos cursos da bacia expresso em Km.
Dd: densidade de drenagem, formado pelo rio principal e seus tributários expressa pela razão do comprimento total das linhas da água existentes em uma determinada área expressa em Km/Km2 (Almeida&Romariz, 1988), sendo:
• Dd: Lt/A
F: o fator de forma relaciona-se com a forma do sistema de drenagem expressa em Km2/Km (Almeida&Romariz, 1988), sendo:
• F= A/L2
Padrão de rede de drenagem: a ordem dos cursos d’ água em determinada por Horton (1945) e modificado pela metodologia de Sthraler (1952), em que os canais sem tributários são definidos como de primeira ordem (Fig. 8). Os de segunda como os que se originam da confluência de dois canais de primeira, podendo ter afluentes também de primeira ordem e os de terceira ordem originando-se da confluência de dois canais de segunda ordem podendo também receber afluentes de segunda e primeira ordem e assim sucessivamente (Silveira, 2001).
Figura 8. Ilustração do método de ordenação dos canais de
Sthraler (1952).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na área de estudo de acordo com a metodologia proposta, foram calculados os valores dos atributos físicos da rede de drenagem, ou seja a área da bacia, comprimento dos cursos da drenagem, fator de forma da bacia, densidade de drenagem e definição do padrão de rede.
Estes arroios situam-se no sentido norte-sul do município, respectivamente nesta seqüência com suas nascentes de forma radial-centífuga nos limites dos municípios de Viamão/Porto Alegre. A drenagem do arroio Dilúvio é no sentido de fluxo central do município, sendo os arroios Salso e Lami nos sentido Sul.
Nesta avaliação obteve-se ao valores da área para cada sub-bacia, sendo o arroio do Salso com maior área (99,36 Km2) e o Lami com menor
(48,44 Km2) e extensão do curso principal de
11,53 Km. O inverso ocorre com o arroio do Dilúvio onde apresenta a maior extensão do curso principal (17,83Km) seguido dos arroios do Salso (15,12 Km) e Lami (11,53 Km). O total de comprimento dos cursos d’água se deu para o arroio Salso com 101,69 Km seguido doas arroios Dilúvio com 90,31 Km e do arroio Lami com 56,29 Km (Tab. 1).
Tabela 1. Dados de área e extensão dos cursos d’água das
sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Área da bacia (Km2) Extensão do curso principal (Km) Extensão Total (Km) Dilúvio 94,90 17,83 90,31 Salso 99,36 15,12 101,69 Lami 48,44 11,53 56,29 Na Tab. 2 mostram-se os valores do fator de forma das sub-bacias. Com as área de drenagem definidas e a obtenção das extensões dos cursos d’água submeteu-se estes valores ao Excel2003, definindo-se o que segue:
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 11 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 2 2
Tabela 2. Dados de F (Fator de Forma) obtidos para
su-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Segundo Villela e Mattos (1975) in: Cardoso et al., (2006) a forma da bacia, bem como a forma do sistema de drenagem pode ser influenciado por algumas características, principalmente a geologia, podendo atuar sobre o comportamento e em outros processos hidrológicos da bacia. Um fator de forma baixo é menos sujeito a enchentes, do que em outra de mesmo tamanho com fator maior.
A forma da rede é um produto da complexa relação entre causa e efeito, considerando-se a causa como erosão e o efeito a drenagem, refletindo a influência de inúmeras variáveis tais como o clima e constituição física e química do solo, segundo este autor.
Na presente situação comparativa podemos observar que as áreas das sub-bacias diferem-se, porém se utilizarmos as bacias dos arroios Dilúvio e Salso que parcialmente se assemelham em dimensões de área, pode-se se definir que a sub-bacia do arroio Dilúvio é menos sujeita a enchentes comparando-a com a do Salso. A sub-bacia do Lami, por apresentar área bem distinta, não permite-se avalia-la desta forma, muito embora seu coeficiente de fator encontra-se intermediário aos demais arroios (Fig. 9).
Figura 9. Forma gráfica dos dados obtidos para F (fator de
forma) para as sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Portanto, pode-se balizar que em um dado evento extremo de chuvas, transcendem as questões naturais e possibilitam a ocorrência de enchentes nestas três sub-bacias, devido ao fato de suas nascentes localizarem-se muito próximas, conforme descrição e visualização em imagens, permitindo assim a captação de semelhantes volumes de chuvas em um dado momento, no município de Porto Alegre. Ao contrário, se as nascentes não fossem próximas, não seria possível esta dedução.
Tabela 3. Dados de Dd (densidade de drenagem) obtidos para
as sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
A densidade de drenagem obtida para bacias podem variar entre 0,5 a 3,5Km/Km2 conforme Villela e Mattos (1975), acima supracitado. O valor menor reflete a pobreza da drenagem da rede, contrapondo a uma drenagem bem eficiente quanto maior índice for encontrado. A drenagem é um fator importante na indicação do grau do desenvolvimento do sistema de drenagem da bacia, indicando a maior ou menor velocidade em que a água deixa a bacia em direção seu exutório. Reflete também a propriedade de transmissibilidade do terreno e consequentemente a sucessibilidade deste a erosão. Este atributo pode auxiliar nos processos de planejamento e gestão ambiental de uma bacia hidrográfica e fornece a eficiência da drenagem da bacia. (Cardoso et. al., 2006; Sucupira et. al., 2001), (Tab. 3 e Fig. 10).
Figura 10. Forma gráfica dos dados obtidos para
Dd(Densidade de drenagem) para as sub-bacias dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
Com base nos comentários supracitados e interpretação dos valores obtidos para os arroios neste estudo, pode-se atribuir comparativamente que as bacias apresentam um valor semelhantes de densidade de drenagem, embora o Lami tenha apresentado um índice levemente elevado com relação aos demais.
De certa forma, a sub-bacias com definição de área cumulada semelhantes, devem revelar índices de drenagem semelhantes. Conforme o caso em estudo. Ao contrário, se fossem estabelecidos valores distintos de drenagem para estas sub-bacias, refletiriam valores distintos para a densidade de drenagem. O que leva a crer que a densidade de drenagem, tanto quanto ao fator de forma de uma rede de drenagem, depende do estabelecimento da área acumulada de um bacia hidrográfica.
No que tange ao padrão de rede dos arroios que determina o ordenamento de uma F= A/L2 (Km2/Km) Dilúvio 0,299 Salso 0,435 Lami 0,364 Dd = Lt/A Dilúvio 0,95 Salso 1,02 Lami 1,16 Fator de forma 0,000 0,050 0,100 0,150 0,200 0,250 0,300 0,350 0,400 0,450 0,500
Diluvio Salso Lami
arroios F a to r (K m 2 /K m ) Densidade de drenagem 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4
Diluvio Salso Lami
arroios D d ( K m /K m 2 )
rede de drenagem, este atributos foi colocado com uma característica fundamental de análise de redes hidrográficas, por Horton em 1945, pioneiro em propor esse ordenamento inspirando todos os demais estudos desta natureza. Portanto esta metodologia sofreu modificações por Sthraler em 1952, que propôs em ordenar as redes da mesma forma de Horton, definindo a ordem 1 aos ramos das nascentes, porém alterando a ordem dos ramos quando dois ramos de ordem igual se encontram em uma bifurcação (Junior &Kolde, 2007). No entanto, a ordenação sofrem desvantagem na questão de memorização da “lei do ordenamento”, ou seja, identificando um determinado trecho com uma ordem definida não se tem certeza da ordem do trecho a montante.
Segundo Strahler (1952) in: Garbossa (2003), as variações de valores da relação de bifurcação possivelmente refletem influências geológicas estruturais no processo de organização da rede hidrográfica de uma bacia. Em situação de equilíbrio dinâmico tal índice apresenta-se estavelmente, entre 3,0 e 4,0, com pequena amplitude de variação, sujeito apenas a poderosos controles geológicos. Ou seja, quando ocorrem os índices referidos a suposição inicial é que tenha ocorrido um desenvolvimento normal da rede de drenagem, livre das influências estruturais. Tabela 4. Ordem de magnitude obtidos para as sub-bacias
dos arroios Dilúvio, Salso e Lami.
CONCLUSÃO
De acordo com os resultados acima descritos, pode-se avaliar que os parâmetros morfométricos das sub-bacias estudadas apresentam-se com as seguintes características:
A sub-bacia do arroio do Salso apresentou maior rede de drenagem. A sub-bacia do Salso demonstrou um
valor maior em extensão total de seus cursos, embora apresente menor extensão em seu curso principal. O arroio Dilúvio apresenta maior
extensão de curso principal, seguido do arroio do Salso e Lami;
Na avaliação destes dois atributos (área de bacia e extensão de rede) a sub-bacia do Lami apresenta-se com menores valores com relação aos demais arroios. No fator de forma das sub-bacias o
Dilúvio e o Salso, assemelham-se parcialmente em dimensões de áreas, permitindo desta forma, uma avaliação
comparativa com relação a este atributo, sendo possível avaliar que a sub-bacia do arroio Dilúvio é menos sujeita a enchentes comparando-a com a do Salso.
A sub-bacia do Lami, por apresentar área bem distinta, aos demais arroios, não permitiu este tipo de avaliação, com base neste atributo.
Com relação ao padrão de rede, observa-se que as sub-bacias do Dilúvio e Lami apresentam o mesmo ordenamento, o de 3ª ordem sendo, a do Salso, em 4ª ordem;
A densidade de drenagem
assemelharam-se entre as sub-bacias dos três arroios estudados, apresentando-se com uma densidade baixa, porém a rede de drenagem do arroio Lami apresentou um índice levemente elevado com relação aos demais arroios.
Os resultados encontrados revelaram dados importantes de atributos da rede de drenagem das sub-bacias estudadas,
levando ao entendimento do
funcionamento da dinâmica do fluxo das águas,
Porém este estudo, deve ser
complementado com análises de outros parâmetros físicos, químicos e biológicos da bacia para uma melhor compreensão do quanto estas funções influenciam na integridade ecológica de uma rede hidrográfica.
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