• Nenhum resultado encontrado

MEIO AMBIENTE, SAÚDE E SOCIEDADE: O CASO DO AÇUDE DE BODOCONGÓ/PB

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "MEIO AMBIENTE, SAÚDE E SOCIEDADE: O CASO DO AÇUDE DE BODOCONGÓ/PB"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

MEIO AMBIENTE, SAÚDE E SOCIEDADE: O CASO DO AÇUDE DE BODOCONGÓ/PB

Hellen Regina Guimarães da Silva¹, Danielle Varella¹, André Miranda da Silva¹, Verônica Evangelista de Lima²

¹ Departamento de Química/UEPB.

² Departamento de Química, Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. (verô[email protected]).

RESUMO

Os recursos ambientais vêm sofrendo intensas transformações, em parte graças à urbanização e ao desenvolvimento industrial, fatos que podem comprometer a sustentabilidade de qualquer ecossistema. O açude de Bodocongó situado na cidade de Campina Grande-PB, é o destino imediato de diversos tipos de águas residuárias, geradas pelas empresas e população do entorno. Resíduos domésticos, de detergentes, óleos e outros derivados de petróleo, além de outras substâncias utilizadas na limpeza de caminhões são lançados cotidianamente no leito do açude. O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo diagnosticar o perfil sócio-econômico dos lavadores de caminhões que utilizam as águas do açude de Bodocongó.

Palavras-Chave: derramamento de óleo, poluição ambiental, recursos hídricos.

1 INTRODUÇÃO

Os recursos hídricos no mundo estão sob crescente pressão, pois o crescimento populacional, o aumento das atividades econômicas e a melhoria do padrão de vida conduzem a um aumento na competição e nos conflitos pela água. Uma combinação de desajuste social, de marginalização econômica e da falta de programas de redução da desigualdade social também força as pessoas que estão vivendo em pobreza extrema para a exploração desorganizada dos recursos ambientais, resultando, freqüentemente, em impactos negativos.

É comum, em áreas urbanas, a população de baixo poder aquisitivo habitar ambientes poluídos e de risco, convivendo com a ausência de infra-estrutura como: faltam habitações, transportes e serviços públicos. Além da diminuição da qualidade de vida, essa ocupação inadequada do espaço produz alterações no ciclo hidrológico, gera enchentes urbanas freqüentes e problemas na coleta e disposição do lixo, resultando em contaminação dos aqüíferos e águas superficiais, e perdas na distribuição (TUCCI; MARQUES, 2000).

Os poluentes chegam até as águas por meio de precipitações, escoamentos superficiais, infiltrações ou lançamentos diretos de efluentes e resíduos sólidos. Os ecossistemas aquáticos acabam servindo como depósitos de uma grande variedade

(2)

e quantidade de resíduos lançados no ar, no solo ou diretamente nos corpos d’água. Assim, a poluição provocada pelo homem, direta ou indiretamente, produz efeitos deletérios, tais como: prejuízo aos seres vivos, perigo à saúde humana, efeitos negativos às atividades aquáticas (pesca, lazer, etc.) e prejuízo à qualidade da água com respeito ao uso na agricultura, indústria e outras atividades econômicas (MEYBECK; HELMER, 1996).

O açude de Bodocongó situa-se na cidade de Campina Grande-PB, foi construído no período de 1915 a 1917, na confluência do rio Bodocongó com o rio Caracóis, objetivando aumentar a disponibilidade de água para abastecimento deste município, uma vez que os açudes existentes na época não conseguiam mais suprir as necessidades hídricas da população. Embora os elevados níveis de salinidade de suas águas impossibilitassem a utilização para abastecimento doméstico, a formação do açude tornou-se fator decisivo para o surgimento de um novo bairro e do complexo industrial no seu entorno. Na década de 1930, emergiram em suas margens o curtume Vilarim, a fábrica têxtil de Bodocongó, o matadouro e todo o bairro de Bodocongó. Nos anos 50, havia até um clube aquático, onde se praticava recreação de contato primário e secundário, o qual foi extinto na década seguinte. Atualmente, encontram-se instalados nas áreas circunvizinhas do açude, além dos bairros Bodocongó e Novo Bodocongó (Vila dos Teimosos), o complexo industrial com empresas que dependem do açude para abastecimento de água (CARVALHO, 2007).

Hoje, o açude de Bodocongó é o destino imediato de diversos tipos de águas residuárias, geradas pelas empresas e população do entorno. Resíduos domésticos, de detergentes, óleos e outros derivados de petróleo, além de outras substâncias utilizadas na limpeza de caminhões são lançados cotidianamente no leito do açude. Apesar da evidente falta de qualidade da água para uso doméstico, a população carente a utiliza para fins recreativos, lavagens de roupas, lavagem de animais, lavagem de veículos, entre outros.

Os impactos ambientais que as atividades no Açude de Bodocongó podem ocasionar são inegáveis: contaminação da água e do solo por diversas substâncias, risco a saúde da população, degradação dos ecossistemas das margens e possibilidade de atingir os lençóis freáticos, ocasionando a contaminação dos poços e cisternas das imediações.

Embora seja indiscutível a necessidade de implantação de alternativas tecnológicas para recuperação do corpo aquático, deve-se reconhecer a prioridade das ações em educação ambiental voltadas ao conhecimento da realidade da população que se mantém a partir das atividades desenvolvidas no Açude de Bodocongó.

Neste sentido, foram realizadas entrevistas junto aos moradores locais com a finalidade de se conhecerem as peculiaridades referentes às suas atividades. Os resultados foram direcionados aos impactos causados pelas atividades que resultam em derramamento de óleo e derivados de petróleo no Açude de Bodocongó,

(3)

abordando a problemática da contaminação no contexto social, econômico e ambiental.

2 METODOLOGIA

A área de estudo compreendeu as imediações do açude de Bodocongó, a pesquisa foi realizada com cerca de 20 lavadores de caminhões e também com famílias, cerca de 20, que residem próximo ao Açude.

Através de questionário, foi realizado um levantamento dos indicadores sociais e ambientais perpassando pela questão de renda, saúde, educação, habitação e condições de trabalho.

Traçou-se o perfil sócio-econômico dos lavadores de caminhões através de questões de como está o mercado, em que situação eles se encontram junto a legalidade do trabalho e as dificuldades de trabalha na área.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os lavadores de caminhões quando entrevistados revelaram certa desconfiança quanto às intenções da pesquisa. Quanto à população carente que mora na circunvizinhança do Açude foram obtidos alguns resultados, dentre eles destacou-se que 96,55% dessa população consomem água de abastecimento público, no entanto, o problema do acúmulo do lixo e a falta de drenagem dos esgotos agravam a qualidade de vida desta população, já que, 71% da população em questão não possuem coleta de resíduos. O lançamento de resíduos diretamente no solo, próximos às residências, forma verdadeiros lixões nas margens do açude de Bodocongó e em toda área de drenagem, como pode ser visualizado na Figura 1, o que eleva a degradação do ambiente e da qualidade de vida, que já se encontra bastante comprometido.

Figura 1- Resíduos sólidos lançados nas margens e leito do açude Bodocongó. Fonte: Carvalho, 2007.

(4)

A população carente não dispõe de coleta domiciliar regular, ao se desfazer dos resíduos produzidos, lançando-os no entorno da área em que vive, gera um meio ambiente deteriorado com a presença de fumaça advinda da queima do lixo, mau cheiro, presença de vetores, animais que se alimentam dos restos, numa convivência promíscua e deletéria para a saúde.

Cotidianamente a população carente, está sujeita aos riscos das enchentes, desabamento de residências, contaminação do solo e das águas pela disposição clandestina de resíduos, entre outros. Conforme caracterizado na Figura 2, a galeria, que seria exclusivamente para drenagem urbana, é usada clandestinamente para lançamento de efluentes domésticos e industriais. As informações obtidas junto aos moradores apontam para esse fato, que se torna evidente ao se observar o aspecto leitoso do efluente que escoa e pedaços de materiais sintéticos possivelmente provenientes de fábrica têxtil ou de calçado, bem como o carregamento de materiais sólidos.

Figura 2. Galerias pluviais com escoamento de esgoto e resíduos sólidos de diversas origens (industrial e doméstico) em vários pontos, ao longo do açude Bodocongó.

Fonte: Carvalho, 2007.

Além de toda a contaminação causada pelos resíduos liberados, outros fatores são agravantes para a poluição do Açude de Bodocongó. É que no açude são lavados, em média, 6 caminhões, diariamente. Nos finais de semana, essa média aumenta para 20 carros. Raramente lavam-se veículos de passeio no açude. Esta atividade é variável, de acordo com a flutuação da demanda. Segundo os lavadores entrevistados, o óleo provindo dos caminhões não é derramado diretamente nas águas. Pelo que foram observados os lavadores jogam o óleo no solo das margens do açude, desconhecendo a contaminação que estão provocando, portanto a comunidade dá provas de que necessitam de informações em educação ambiental. Na Figura 3 pode ser observado um caminhão sendo lavado nas margens do açude de Bodocongó.

(5)

Figura 3 – Lavagem de caminhões no Açude de Bodocongó.

Os lavadores alegaram que usam sabão em pó na lavagem dos caminhões. Os detergentes, juntamente com os sabões, representam 85% do consumo mundial de materiais de limpeza o que preocupa muitos cientistas ligados ao meio ambiente. Este fato nos leva a conscientização para a utilização de produtos totalmente biodegradáveis e não tóxicos na formulação de detergentes e sabões. Como se não bastasse a poluição do Açude com o óleo provindo dos caminhões, essa prática, também, polui as águas do açude com sabões e detergentes.

As pessoas que trabalham lavando carros no açude alegaram terem iniciado essa prática há mais de cinco anos. Esse fato nos leva a crer que o açude vem sendo poluído ao longo dos anos. Dos lavadores pesquisados, todos afirmaram que se pudessem mudariam para outra atividade, mas não tinham condições de mudar de profissão e nem opções.

Quando questionados se encontram dificuldades para trabalhar na área, os lavadores alegaram que as dificuldades existem em qualquer profissão e que necessitavam daquela atividade para o sustento de suas famílias. São atuantes na área do Açude de Bodocongó cerca de 20 trabalhadores. Quando questionados acerca de questões de poluição ambiental causados pela prática deles, a grande maioria não se sente causador de poluição. Mais um fato que comprova a necessidade de ações que reflitam a educação ambiental junto a essa população. São várias as fontes poluidoras do Açude de Bodocongó, atividades antrópicas aliadas à carência de informações por parte da população, a ausência de fiscalização e a omissão dos poderes públicos são fatores que contribuem significativamente para intensificação dos processos de degradação deste açude.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

São necessários investimentos na recuperação da área, com a implantação de obras que elevem a qualidade de vida dos moradores das áreas próximas ao açude.

(6)

Quanto a lavagem de caminhões no Açude de Bodocongó que é uma potencial fonte poluidora, uma vez que o óleo é despejado no açude diretamente. Faltam aos lavadores esclarecimentos sobre os riscos dessa atividade para o meio ambiente e também para a saúde dos que lidam com as águas.

Buscar formas que minimizem os impactos causados pelo despejo de óleo em corpos aquáticos é de extrema importância para o equilíbrio ambiental. Uma das formas para alcançar-se essa menor degradação do meio aquático é investir na educação ambiental e no trabalho social com a comunidade para garantir a sustentabilidade ambiental da área.

O óleo que cai dos veículos, misturados a outros produtos químicos usados para a limpeza descem a água ocasionando mais poluição ao açude de Bodocongó. Provocando a morte de indivíduos que estão em seu habitat, inclusive peixes, oferecendo um grande risco as comunidades carentes que utilizam a água contaminada do Açude.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, A. P. Diagnóstico da degradação ambiental do Açude de

Bodocongó em Campina Grande- PB. Campina Grande 2007. 96p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola). Centro Ciências, Tecnologia e Recurso Naturais, Universidade Federal de Campina Grande.

MEYBECK, Renato Santos & HELMER, Berenice. Cytogenetic studies on gas station attendants – Universidade de Brasília, Departamento de Ecologia, Brasília, DF, 1996.

TUCCI, C. E. M.; MARQUES, D. .M. L. (ORG.). A avaliação e controle da drenagem urbana. Porto Alegre: UFRS, 2000.

Referências

Documentos relacionados

Este ap´ os fazer a consulta ` a base de dados e carregar toda a informa¸ c˜ ao necess´ aria para o preenchimento da tabela envia-a para o Portal de Gest˜ ao onde a interface

Neste tipo de situações, os valores da propriedade cuisine da classe Restaurant deixam de ser apenas “valores” sem semântica a apresentar (possivelmente) numa caixa

Este dado diz respeito ao número total de contentores do sistema de resíduos urbanos indiferenciados, não sendo considerados os contentores de recolha

7." Uma outra doença que como já disse, pode confundir-se também com a siringomielia, é a esclerose lateral amiotró- flea; mas n'esta doença, além de ela ter uma evolução

Depois da abordagem teórica e empírica à problemática da utilização das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação em contexto de sala de aula, pelos professores do

Afastamento da sala de audiências: reflete a sensibilidade dos juízes quanto ao impacto das condições físicas, sobretudo das características austeras da sala da audiência de

O desafio apresentado para o componente de Comunicação e Percepção Pública do projeto LAC-Biosafety foi estruturar uma comunicação estratégica que fortalecesse a percep- ção

Bom, eu penso que no contexto do livro ele traz muito do que é viver essa vida no sertão, e ele traz isso com muitos detalhes, que tanto as pessoas se juntam ao grupo para