DESPACHO SEJUR nº 385/2016
(Aprovado em Reunião de Diretoria em 13/07/2016)
Assunto: CRM/AP. Afastamento de conselheiro. Renúncia ou exclusão/afastamento.
Convocação de suplentes. Inexistência de suplentes. Regras. Eleições para
o mandato restante a cargo do CFM.
I – Dos fatos
Trata-se de consulta da Diretoria do CFM sobre as consequências jurídicas
advindas de afastamento dos Conselheiros do CRM-AP. O SEJUR é consultado também
sobre a possibilidade de realização de novas eleições.
É o breve relatório.
II - Manifestação jurídica
Afastamento voluntário de conselheiro do CRM/AP.
A
lei nº 3.268/57
dispõe sobre os Conselhos de Medicina em todo o território
nacional. Em seu art. 2º estabelece que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de
Medicina são os órgãos supervisores da ética profissional em toda a República e ao mesmo
tempo, julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar por
todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho ético da medicina e pelo prestígio
e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente.
A composição dos Conselhos de Medicina se dá por meio de eleições diretas,
somente podendo ser eleitos médicos em gozo pleno de seus direitos civis e políticos e em
dia com suas obrigações regulamentares.
Portanto, trata-se de um órgão de Classe, cujos membros são votados por sua
própria categoria e uma vez eleitos tomam posse para o exercício de um mandato de 5
(cinco) anos, sem percepção de salário ou remuneração tendo em vista tratar-se de cargo
meramente honorífico (Art. 6º, Lei n. 3.268/57).
Impende ressaltar que os conselheiros titulares são eleitos com o mesmo número
de conselheiros suplentes (Art. 4º, § 1º da Lei n. 3.268/57).
Esta Lei nº 3.268/57 é regulamentada pelo
Decreto nº 44.045/58
, que em seu art.
24, § 1º também trata da composição dos Conselhos de Medicina e seus respectivos
suplentes, in verbis:
§ 1º Haverá para cada Conselho Regional tantos suplentes, de nacionalidade brasileira, quantos os membros efetivos que o compõem, como para o Conselho Federal, e que deverão ser eleitos na mesma ocasião dos efetivos, em cédula distinta, cabendo-lhes entrar em exercício em caso de impedimento de qualquer Conselheiro, por mais de trinta dias ou em caso de vaga, para concluírem o mandato em curso. (Renumerado do parágrafo único pelo Decreto nº 6.821, de 2009)
Com efeito, sendo o cargo de conselheiro do Conselho de Medicina honorífico e
com duração de 5 (cinco) anos é possível que um, alguns ou todos ao mesmo tempo ou em
datas distintas peçam a renúncia do direito de exercer o respectivo mandato. Este pedido de
renúncia, tal qual o ato de nomeação deve ser formal inexistindo a possibilidade de renúncia
tácita ou verbal.
Por outro lado, na hipótese de o conselheiro eleito, titular ou suplente, não
formalizar a sua expressa renúncia; mas simplesmente se afastar das atividades conselhais
ou mesmo abandoná-las, o sr. Presidente poderá aplicar as regras estabelecidas no seu
Regimento Interno ou se não as houver poderá aplicar o
Regimento Interno do CFM
, por
analogia, diante da omissão da Lei de regência e de seu decreto regulamentador em torno
desta matéria.
Essas regras são as seguintes:
Capítulo VII
Das Vacâncias, Licenças e Substituições
Art. 42. Os pedidos de licenças dos conselheiros do CFM deverão ser encaminhados devidamente fundamentados, por escrito, e deferidos pelo pleno, para um período de até 90 dias, que pode ser renovado.
Parágrafo único. O presidente convocará imediatamente o conselheiro suplente para assumir a vaga.
Art. 43. Em caso de vacância de cargo de Diretoria, far-se-á nova eleição pelo Conselho, na primeira reunião seguinte, para o período restante do mandato.
Art. 44. Os conselheiros que não puderem comparecer às sessões e às reuniões para as quais tenham sido convocados deverão, com a possível antecedência, comunicar esse fato à Secretaria do CFM.
Art. 45. Verificadas, sem justificativa, três faltas consecutivas a três convocações e cinco faltas intercaladas a cinco convocações intercaladas, considerar-se-á automaticamente vago o cargo do conselheiro faltoso, cabendo ao pleno do CFM tomar as medidas cabíveis para o seu preenchimento.
Art. 46. Considera-se não aceito o cargo quando o conselheiro eleito não comparecer à respectiva posse, salvo por impedimento justificado perante o Conselho, na sessão seguinte.
Art. 47. O mandato de conselheiro poderá se extinguir antes do seu término normal, em razão da prática de falta grave, após indicação da Diretoria e aprovação de, no mínimo, 2/3 dos conselheiros efetivos que compõem o corpo de conselheiros do CFM, garantindo-se ao congarantindo-selheiro a ampla defesa e o contraditório.
Parágrafo único. Entende-se por falta grave praticada por conselheiro:
I - for proprietário, controlador, sócio ou diretor de empresa que preste serviços aos Conselhos de Medicina;
II - exercer função remunerada pelos Conselhos de Medicina;
III - patrocinar causas em que seja interessada pessoa jurídica de sua propriedade ou da qual seja sócio, diretor ou controlador, ou pessoa física que seja seu cônjuge ou companheiro(a), filho(a) ou parente até o 4º grau;
IV - receber vantagens indevidas a qualquer título;
V - agir de maneira protelatória e recidivante, sem motivo justo, propiciando, inclusive, a ocorrência da prescrição de sindicâncias e processos ético-profissionais em face da demora nas providências processuais que lhe competem exclusivament
e.
Portanto, configuradas as hipóteses de desídia no exercício das atividades
conselhais, na forma do art. 45 do RICFM, p. ex., caberá ao Presidente declarar a vacância
do cargo e convocar o respectivo conselheiro suplente.
Todavia, na remota hipótese de não haver sequer conselheiro suplente para
preenchimento do cargo de conselheiro titular declarado vago a solução perece estar na
aplicação dos artigos 42 e 43 e incisos do Decreto nº. 44.045/58, que têm a seguinte
redação, verbis:
Art. 42. Sempre que houver vagas em qualquer Conselho Regional e não houver suplente a convocar em número suficiente para que o Conselho funcione, processar-se-ão eleições necessárias ao preenchimento das vagas de membros efetivos e suplentes, na forma das instruções que forem baixadas pelo Conselho Federal e sob a presidência de uma diretoria, que será, segundo as eventualidades:
I - A própria Diretoria do Conselho em questão, se ao menos os ocupantes dos cargos de Presidente, Primeiro Secretário e Terceiro coincidirem com os Conselheiros Regionais remanescentes ou com a integração de outros médicos, se o número dos diretores não fôr suficiente;
II - Diretoria provisória designada pelo Conselho Federal, entre os Conselheiros Regionais remanescentes ou com a integração de outros médicos, se o número dos primeiros não perfizer o necessário para o preenchimento dos três cargos essenciais, mencionados no item anterior, tudo no caso de não existir nenhum membro da Diretoria efetiva;
III - Diretoria provisória livremente designada pelo Conselho Federal, se não houver conselheiros regionais remanescentes.
Parágrafo único. Os membros efetivos e os suplentes eleitos nas condições do artigo 43 concluirão o mandato dos conselheiros que abriram vagas.
Art. 43. Os casos omissos do presente regulamento serão resolvidos pelo Conselho Federal de Medicina.
Assim, sempre que houver a vacância do cargo de conselheiro e inexistir
conselheiros suplentes para a regular substituição novas eleições deverão ser realizadas
para a ocupação dos cargos vagos. As regras dessas novas eleições deverão ser
estabelecidas pelo CFM.
Ressaltamos que os novos conselheiros eleitos deverão concluir o mandato dos
conselheiros, cujos cargos foram declarados vagos.
Conclusão.
Com estas considerações, à luz do princípio da legalidade, conforme o disposto
no artigo 42, incisos I a III e art. 43 do Decreto nº 44.045/58, o COJUR espera ter contribuído
para a adequada solução das indagações postas pela Diretoria deste CFM.
O SEJUR esclarece que estas orientações podem ser aplicadas para todos os
CRMs que apresentem problemas semelhantes.
É o parecer, s. m. j.
Brasília-DF, 29 de junho de 2016.
Antonio Carlos Nunes de Oliveira
Chefe do SEJUR/Consultivo/CFM
De acordo:
José Alejandro Bullón