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DIEGO ORTEGA FERNANDES

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Academic year: 2021

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CONTROLE QUÍMICO E CULTURAL DE Chamaesyce hirta EM

MILHO CONSORCIADO COM Urochloa brizantha cv. Marandu e

Crotalaria spectabilis

SINOP

MATO GROSSO – BRASIL

2019

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CONTROLE QUÍMICO E CULTURAL DE Chamaesyce hirta EM

MILHO CONSORCIADO COM Urochloa brizantha cv. Marandu e

Crotalaria spectabilis

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Mato Grosso, campus de Sinop, como parte das exigências do Curso para obtenção do título de Bacharel em Agronomia.

Prof.a Orientadora: Dra. FERNANDA SATIE IKEDA

SINOP

MATO GROSSO – BRASIL

2019

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Aos meus pais, João Roza Fernandes e Flavia Maria Ortega Fernandes, em especial a minha mãe, minha melhor amiga, pelo amor incondicional, apoio, conversas e conselhos, não medindo esforços para que alcançasse meus objetivos diante das dificuldades enfrentadas.

A minha irmã, Josiane Ortega Fernandes, por sempre estar ao meu lado nos momentos felizes e também de dificuldades, além de me presentear com uma linda sobrinha Ana Júlia Ortega Angelo, a quem também dedico minha pesquisa.

Aos meus avós, Maria da Glória Zanatta Ortega e Raciel Ortega Vieira, pelos ensinamentos e grande amor, em especial ao meu avô que, mesmo não estando mais presente, sempre me incentivou na juventude e me acompanha em pensamentos.

Aos meus tios e tias, primos e primas, em especial a minha tia Raquel Ortega Zanatta, grande mulher, parceira e que sempre esteve ao meu lado e de toda a família.

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A Deus, por me guiar e colocar as pessoas certas a minha volta, não somente na fase acadêmica, mas durante toda a minha vida.

À minha orientadora Dra. Fernanda Satie Ikeda e ao Dr. Sidnei Douglas Cavalieri, por serem responsáveis pela oportunidade de estagiar na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e poder participar desse trabalho, além de outros, por meio dos quais obtive muito conhecimento e aprendizado que levarei para a vida toda.

À Dra. Fernanda Satie Ikeda, um agradecimento especial, pela competência, dedicação, suporte, paciência, além de suas correções e sugestões na elaboração desse trabalho.

À Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Sinop, pela estrutura e ambiente que me proporcionaram ao longo desses anos.

Ao corpo docente do curso de Agronomia, do qual tive o prazer de ser aluno, em especial aos professores Dr. Artur Behling Neto e Dr. Márcio Roggia Zanuzo, pelo excelente profissionalismo e pela aceitação do convite em compor essa banca de avaliação.

Aos meus colegas de estágio Bárbara Thaís da Fonseca, Félix de Morais Lima Junior, Jackson Nogueira da Silva, Luiz Henrique Metz e Matheus Agostino Balan, que estavam sempre dispostos a ajudar, e com quem tive bom convívio e compartilhei bons momentos.

À Faculdade Centro Mato-Grossense pelo espaço cedido para implantação da área experimental.

Á EMBRAPA Agrossilvipastoril, pela bolsa de estágio e pagamento dos custos do projeto.

Por fim, agradeço aos meus amigos de longa data e aos que ganhei no decorrer da graduação, que apesar de poucos, viraram irmãos na amizade, e que levarei para sempre em meu coração.

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Os sistemas consorciados são alternativas de manejo economicamente viável e sustentável, que visa consorciar a cultura principal com forrageiras e/ou outras espécies para melhor aproveitamento do solo, além de promover outros benefícios, como o controle de plantas daninhas. O objetivo com o trabalho foi avaliar o controle cultural e químico de Chamaesyce hirta em cultivos solteiros e consorciados de milho, Urochloa brizantha cv. Marandu e Crotalaria spectabilis. O experimento foi conduzido na área experimental da Faculdade Centro Mato-grossense, Sorriso (MT). O delineamento foi de blocos casualizado, com parcelas subdivididas, e quatro repetições. As parcelas foram constituídas por seis sistemas de produção (cultivos solteiros de milho, U. brizantha cv. Marandu e C. spectabilis e os consórcios entre eles) e três formas de controles de plantas daninhas (capinado, não capinado e controle químico com atrazine). Aplicados os tratamentos, realizaram-se avaliações de fitointoxicação, controle e levantamento de plantas daninhas. Na colheita do milho, realizou-se a coleta das massas verde e quantificação das espécies de capim-marandu e crotalária, medições em 10 plantas de milho por parcela, das alturas, espiga e plantas por metro. Foram colhidas três linhas de 2,0 m de milho na área útil da parcela para determinação dos componentes de produção e rendimento. O atrazine mostrou-se eficiente no controle de C.hirta, seletivo a braquiária e não seletivo à crotalária. Houve redução da massa de matéria seca de C.hirta nos sistemas. O rendimento do milho não foi afetado nos consórcios.

Palavras-chave: Capim-marandu. Erva-de-santa-luzia. Atrazina. Leguminosas. Plantio

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The syndicated systems is an economically viable and sustainable management alternative that aims to intercropping of the main crop wih forages and/or other species for better use of the soil, with other benefits, such the weed control. The objective was to evaluate the cultural and chemical controle of Chamaesyce hirta in com single crops and intercropped with Urochloa brizantha cv. Marandu and Crotalaria spectabilis. The trial was conducted in the experimental area of the Center Mato Grosso College in Sorriso (MT). The design was a complete randomized block design, with split-plot and four replications. The plots consisted of six production system (single crops of maize, U. brizantha cv. Marandu and C. spectabilis and the intercropping among them) and three weed controls (weeded, unweayed and chemical control with atrazine). After the treatments were applied, a phytotoxification and control survey was conducted bringing up weed. At the maize harvest, the cover species green masses were collected and quantified, and measurements were made on 10 maize plants per plot for height, spike and plants per meter, and three maize lines of 2 meters in the harvested area of the plot to determine the production and yield components. The atrazine showed to be eficient in the control of C. hirta, selective to marandu palisadegrass and non selective to crotalária. There was a reduction of the dry matter mass of C. hirta. Maize yields were not affected in the intercropping.

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Tabela 1 Estande, altura de planta, altura de inserção de espiga, componentes de produção e rendimento de milho híbrido AS 1555 PRO2 solteiro ou em consórcio

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Tabela 2 Intoxicação de Crotalaria spectabilis (%) aos 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA) de 1.500 g ha-1 do herbicida atrazine

26

Tabela 3 Densidade e massa de matéria seca de Crotalaria spectabilis 28

Tabela 4 Densidade e massa de matéria seca de Urochloa brizantha cv. Marandu

29

Tabela 5 Intoxicação de Urochloa. brizantha cv. Marandu (%) aos 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA) de 1.500 g ha-1 do herbicida atrazine

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Tabela 6 Controle Chamaesyce hirta (%) aos 14, 21 e 28 DAA 31

Tabela 7 Frequência relativa (FR) (%) da comunidade infestante avaliada aos 60 dias após semeadura (DAS) do milho

32 Tabela 8 Densidade (plantas m-2) da comunidade infestante avaliada

aos 60 dias após semeadura (DAS) do milho

34 Tabela 9 Massa de matéria seca (MMS) (g m-2) da comunidade

infestante coletada aos 60 dias após semeadura do milho (DAS)

35

Tabela 10 Densidade e massa de matéria seca total da comunidade infestante avaliada e coletada aos 60 dias após semeadura (DAS) do milho

36

Tabela 11 Importância relativa (IR) (%) da comunidade infestante presente nos diferentes tipos de sistema de produção e manejo

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1 INTRODUÇÃO ...10

2 REVISÃO DE LITERATURA ...12

2.1 Milho ...12

2.1.1 Histórico e importância ...12

2.1.2 Cultivares ...12

2.1.3 Práticas e tratos culturais no cultivo de milho ...13

2.2 Urochloa brizantha cv. Marandu ...14

2.3 Crotalaria spectabilis ...15

2.4 Consórcio milho + Urochloa brizantha cv. Marandu ...15

2.5 Consórcio milho + Crotalaria spectabilis ...16

2.6 Consórcio milho + Urochloa brizantha cv. Marandu e leguminosas ...17

2.7 Plantas Daninhas ...17

2.7.1 Principais espécies de daninhas encontradas no milho solteiro e em consórcio com Urochloa brizantha cv. Marandu e Crotalaria spectabilis ...18

2.7.2 Chamaesyce hirta ...19

2.7.3 Controle de plantas daninhas ...20

2.8 Atrazine ...20

2.8.1 Classificação e modo de ação ...20

3 MATERIAL E MÉTODOS ...23

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...25

5 CONCLUSÃO ...39

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1 INTRODUÇÃO

A adoção de um sistema integrado envolvendo o consórcio, a rotação ou a sucessão de culturas em uma mesma unidade de área tem se tornado realidade nas propriedades brasileiras, já que essa prática explora melhor o solo, oferecendo vários benefícios e economias futuras. As pesquisas sobre a produção integrada vêm crescendo nos últimos anos, com bons resultados, principalmente com o avanço do sistema de plantio direto (SPD), devido à busca por maior sustentabilidade nas áreas de produção. O sistema SPD tem apresentado pouca palhada em vários locais, especialmente em áreas em que ocorre apenas o cultivo de culturas anuais que incrementam pouca palhada ao solo, como a soja, o feijão e o algodão, necessitando do cultivo de espécies que aportem ao solo maior quantidade de matéria orgânica.

O milho é uma planta do tipo C4, eficiente no acúmulo de massa de matéria seca, e que é cultivado principalmente na segunda safra, a conhecida “safrinha”, sendo que o período entre a colheita do milho de segunda safra e a semeadura da soja do ano agrícola seguinte é em torno de 3 a 4 meses. Nesse intervalo de tempo, o solo fica em pousio e a palhada oriunda da colheita do milho acaba sendo decomposta pelos microorganismos, principalmente em regiões de temperaturas elevadas. O consórcio entre milho e capins do gênero Urochloa pode ser uma alternativa entre os produtores para a melhoria do sistema de SPD. Nesse sistema, o milho é colhido normalmente, devido à sua altura mais elevada e o capim se desenvolve no período em que o solo ficaria descoberto, sendo dessecada semanas antes do cultivo da soja. De fato, a utilização da forrageira tem como principal benefício o incremento de palhada ao solo na entressafra, sendo eficiente no aproveitamento do carbono, contribuindo para o SPD, além de ser alternativa para a pecuária como fonte de alimento aos animais (CRUSCIOL & BORGHI, 2007). Uma alternativa de consórcioé o cultivo simultâneo da crotalária junto ao milho e o capim. Essa leguminosa geralmente é recomendada na rotação de culturas, como adubo verde, e em áreas que apresentam elevada incidência de nematóides, por ser eficiente na fixação biológica do nitrogênio atmosférico e ter efeito nematicida. Nesse sentido, com a adoção do sistema, o produtor poderá produzir o grão de milho simultaneamente com espécies eficientes no incremento de matéria orgânica e nitrogênio, além de poder controlar fitoparasitas. Outros benefícios oriundos do consórcio são a melhoria na qualidade estrutural do solo, a ciclagem de nutrientes, o maior aproveitamento da água, o aumento da atividade dos microorganismos e o controle de plantas daninhas.

As plantas daninhas, quando presentes nas áreas produtivas, comprometem a produtividade, por afetarem negativamente o desenvolvimento da cultura cultivada,

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interferindo de forma direta e indireta, pela competição por luz, água, nutrientes e espaço. O processo de colheita também é afetado, devido aos danos nos implementos e a geração de impurezas nos grãos. O controle de plantas daninhas é necessário para a planta expressar o seu potencial produtivo e, dentre as técnicas de manejo, o químico é o mais utilizado.

Algumas plantas daninhas são consideradas tolerantes à defensivos, uma vez que apesar de sofrerem injúrias após a aplicação de doses normais de determinada molécula, elas conseguem sobreviver e se reproduzir (FERREIRA et al., 2009). A espécie Chamaesyce hirta, popularmente conhecida como erva-de-santa-luzia, é um exemplo de planta daninha de difícil controle (GAZZIEIRO, 2006). Nesse sentido, os agricultores têm procurado soluções para o combate destas plantas daninhas que apresentam resistência ou tolerância aos principais defensivos utilizados. Algumas alternativas de controle cultural, como a escolha de cultivares que cubram o solo rapidamente, a adequação de espaçamento nas linhas e entrelinhas e a integração dos sistemas produtivos são essenciais para se obter menor infestação.

No cultivo do milho, o herbicida atrazine é o mais utilizado no controle de plantas daninhas, em especial das espécies de folha larga, apresentando alta seletividade à cultura e outras gramíneas, como a cana-de-açúcar e o sorgo. Essa molécula pertence ao grupo das triazinas, tendo como modo de ação a inibição do Fotossistema ll, podendo ser aplicada tanto em pré como em pós-emergência. Com relação à seletividade de atrazine nas espécies do gênero Urochloa e Crotalaria, as informações acerca dos efeitos fitotóxicos são escassas, além de não existirem atualmente herbicidas registrados especialmente para cultura da crotalária. Diante disso, é fundamental o estudo da seletividade dos herbicidas sobre as espécies que podem ser utilizadas em consórcio com o milho durante o ciclo produtivo. Dessa forma, objetivou-se com este trabalho avaliar o controle cultural e químico de C. hirta nos consórcios de milho com Urochloa brizantha cv. Marandu e Crotalaria spectabilis.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Milho

2.1.1 Histórico e importância

O milho tem origem a partir do teosinto, espécie mexicana com cerca de 8.000 anos, pertencente à família Poaceae, gênero Zea e espécie Zea mays L. Esse cereal é cultivado em diferentes locais entre o Ocidente e o Oriente, devido ao seu alto grau de adaptabilidade, o que favorece seu cultivo em climas variados, como tropicais, subtropicais e temperados (BARROS & CALADO, 2014). De acordo com o sexto levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2017), a produção mundial de milho totalizou 1,075 bilhão de toneladas, na safra 2016/17, Sendo os principais produtores do cereal os Estados Unidos, a China e o Brasil, com produção de 384,8; 219,6 e 98,5 milhões de toneladas, respectivamente.

Embora seja o terceiro maior produtor, o Brasil é o quarto maior consumidor de milho, com aproximadamente 60,5 milhões de toneladas e o segundo exportador, com 36 milhões de tonelada. Segundo Duarte et al. (2011), o milho é uma importante fonte de energia, caracterizado por apresentar diversas formas de utilização, sendo seu principal destino a alimentação animal, com 70% da produção mundial sendo destinados a rações, enquanto o consumo humano está relacionado às regiões de baixa renda e que têm o milho como base alimentar.

2.1.2 Cultivares

Na safra 2016/17, o total de cultivares de milho disponíveis no mercado brasileiro, foi de 315, sendo que destas, 214 são modificadas geneticamente, com alguma adição de tecnologia, seja para controle de insetos, como as lagartas, ou para resistir ao glyphosate) (PEREIRA FILHO & BORGHI, 2016), enquanto as demais são conhecidos como convencionais. Os transgênicos ganharam espaço no mercado visando a economia com insumos no sistema de produção. Dentre as tecnologias aplicadas, a introdução da bactéria do solo Bacillus thurigiensis (Bt) no genoma do milho proporcionou uma revolução no controle de pragas das espécies da ordem lepidóptera. Tal bactéria possui genes denominados de Cry, que produzem proteínas tóxicas que agem no intestino do inseto e

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provocam inchamento e desbalanço osmótico, promovendo uma infecção generalizada, o que dificulta a alimentação e leva à morte. Outras tecnologias são voltadas à resistência e à tolerância a herbicidas, como Libert Link e Roundup Ready, resistentes ao glufosinato de amônia e ao glyphosate, respectivamente (WAEUIL et al., 2011). Atualmente, há uma grande gama de tecnologias, porém todas voltadas aos eventos Bt e tolerância ou resistência a herbicidas. Entre as 214 cultivares transgênicas, o maior grupo representante apresenta a tecnologia YieldGard®, com cerca de 103 cultivares, sendo elas em três níveis: VT PRO, VT PRO2 e VT PRO3. A primeira auxilia no controle das três das principais lagartas (lagarta-do-cartucho, lagarta-da-espiga e broca-do-colmo); a segunda, além de apresentar esse controle, possui tolerância ao herbicida glyphosate; e a terceira apresenta todas essas características, além de uma proteína específica no controle da larva-alfinete (PEREIRA FILHO & BORGHI, 2016).

As 315 cultivares disponíveis na safra 2016/17 divergem em outros aspectos, como quanto ao ciclo, tipo e resistência a doenças. Do total, 214 são precoces, 82 superprecoces, 10 semiprecoces, cinco hiperprecoces e apenas quatro normais, em relação ao tipo. Dessas cultivares, 213 são híbridos simples, 53 híbridos triplos, 19 híbridos duplos, 16 variedades, 10 híbridos simples modificados e 2 híbridos triplos modificados. Quanto a doenças, 46 são resistentes a fusariose, 63 a comum, 59 a branca, 55 a ferrugem-polisora, 29 a mancha-branca, 38 ao enfezamento, 38 a helmintosporiose, 36 a dipodia-maydes, 54 cercospora e 71 à podridão do colmo.

2.1.3 Práticas e tratos culturais no cultivo de milho

Segundo Mundstock e Silva (2005), para ter um alto rendimento de grãos, é necessário fazer o manejo adequado desde a semeadura até antes da colheita, sendo que essas etapas presentes no sistema de produção do milho são denominadas de tratos culturais. Nesse caso, as aplicações de inseticidas e herbicidas são as mais comumente conhecidas.

A época de semeadura do milho primeira safra, segunda safra, e milho consorciado com capim podem diferir entre as regiões produtoras. No estado de Mato Grosso o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabeleceram os períodos de semeadura para o milho, levando em consideração os ciclos das cultivares, tipo de solo e dados climatológicos, visando à seguridade da produção, sendo que as datas foram fixadas no ano safra 2018/19 para o milho de primeira safra entre 11 de setembro até 31 de dezembro, o milho de segunda safra entre de 1º de janeiro até 10 de março e o consórcio

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entre o milho com capim entre 1º de fevereiro até 10 de março. Vale ressaltar que pode haver alteração entre as datas em relação aos tipos de solo e ciclo das cultivares. (BRASIL, 2018a,b,c).

O milho é exigente em fertilidade, extraindo grandes quantidades de nitrogênio, potássio, fósforo, entre outros macro e micronutrientes, assim, é necessário que estejam disponíveis já a partir da semeadura (MUNDSTOCK & SILVA, 2005).

Outro trato cultural de grande importância é o controle de plantas daninhas durante o ciclo do milho, as invasoras quando não controladas podem reduzir o rendimento de grãos em até 87%, o controle tem que ser realizado em até o 30º dia da semeadura do cereal (KOZLOWSKY, 2002).

2.2 Urochloa brizantha cv. Marandu

Segundo Rayman (1983 apud NUNES et al., 1984), o capim-marandu é uma cultivar da família Poaceae, gênero Urochloa, espécie brizantha (syn. Brachiaria brizantha) originária da África , de regiões caracterizadas por apresentar um longo período de seca e baixa precipitação anual, com cerca de oito meses e 700 mm, respectivamente. A introdução desse capim no Brasil ocorreu no ano de 1967. Com sua introdução, uma série de estudos foi realizada, sendo primeiramente plantada em Ibirarema, no estado de São Paulo, e depois distribuída a diversas regiões, até ser registrada na EMBRAPA e ser lançada, no ano de 1984, pela EMBRAPA Gado de Corte.

Valls e Sendulsky (1984 apud NUNES et al., 1984) descrevem que o capim-marandu apresenta um bom porte de altura, atingindo até 2,5 metros de comprimento. Os colmos no início do desenvolvimento são do tipo prostrado, com posterior produção de afilhos eretos, rizomas muito pequenos e encurvados. Na parte vegetativa, a folha é do tipo linear lanceolada com pilosidade na parte inferior ou ventral e glabra na parte superior ou dorsal, com margens lisas, e exibem bainhas longas e muito pilosas. Na parte reprodutiva, a inflorescência apresenta de quatro a seis racemos, mostrando espigas unisseriadas do tipo oblongas e elíptico-oblongas. Essa cultivar também é caracterizada por manifestar resistência quanto à principal praga das pastagens, a cigarrinha das pastagens. além de apresentar tolerância ao alumínio, que são prejudiciais principalmente ao desenvolvimento radicular (MEIRELLES & MOCHIUTTI, 1999).

O capim-marandu exige um solo de média à alta fertilidade, o que exige antes da semeadura, a correção da acidez com calcário dolomítico, não para diretamente neutralizar o alumínio e aumentar o pH, mas para fornecimento de cálcio e magnésio. Além disso, o

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capim-marandu responde bem à adubação fosfatada, sendo necessária para alta produtividade. A semeadura deve ser feita quando as chuvas estejam estabilizadas, com profundidade entre 2 a 4 cm, sendo mais comum a aplicação a lanço, com posterior passagem de grade niveladora. As recomendações de quantidades de sementes para uma boa produção de forragem estão entre 10 a 12 kg ha-1 com 30 % de valor cultural (MEIRELLES & MOCHIUTTI, 1999). O capim-marandu é destinado principalmente para pastejo, sendo também utilizado em sistema integrado de produção, como no consórcio com o milho, que resulta em diversos benefícios para o sistema, como maior exploração do solo, ciclagem de nutrientes (devido às raízes do capim-marandu explorarem camadas mais profundas do solo), controle de plantas daninhas, cobertura do solo entre outros (OLIVEIRA et al., 2015).

2.3 Crotalaria spectabilis

Segundo Lewis et al., (2005 apud GARCIA et al., 2013), o gênero Crotalaria é um dos maiores dentro da família Leguminosae, constituindo aproximadamente 690 espécies. Crotalaria spectabilis é uma das principais espécies desse gênero, com origem na Índia Tropical, que foi introduzida no Brasil para ser usada como adubo verde (PEREIRA, 2006).

A crotalária é muito utilizada nos sistemas de produção por apresentar efeitos nematicidas, ao diminuir o fator de reprodução e a população dos nematóides. Além disso, possui excelente fixação de nitrogênio, formando nódulos radiculares em associações simbióticas com bactérias do gênero Rhizobium; alta produção de biomassa, com cerca de 60 t ha-1; rápido crescimento; e tolerância à seca. A morfologia é caracterizada por apresentar limbo foliar do tipo obovada, flores amarelas e vagens no topo da planta, crescimento arbustivo de início lento, podendo atingir até 1,0 m de comprimento. A semeadura pode ocorrer em linha, a lanço e em covas, recomendando-se a profundidade de 2,0 cm e espaçamento de 50 cm entre as linhas com 50 sementes por metro linear, totalizando média de 20 kg ha-1 (PEREIRA, 2006).

2.4 Consórcio milho + Urochloa brizantha cv. Marandu

O consórcio é uma modalidade que visa o cultivo simultâneo de planta forrageira com o milho. No sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), a forrageira pode ter ser usada para produção de palhada depois da colheita do milho, e servir como alimento para animais durante o período seco do ano (CRUSCIOL & BORGHI, 2007). Na região central do Brasil, o

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uso do consórcio se intensificou devido às condições climáticas da região e a necessidade de incrementar matéria orgânica no sistema para o plantio direto, uma vez que as elevadas temperaturas aceleram o processo de decomposição da pouca palhada, oriundas da sucessão soja milho (MELOTTO et al., 2013). A adoção do capim-marandu resulta em diversos benefícios e economias com insumos nas próximas safras, como a melhoria na fertilidade do solo, o aumento dos teores de elementos essenciais como fósforo, potássio, cálcio e magnésio, além da matéria orgânica que contribuiu para a capacidade de troca catiônica do solo (CRUSCIOL & BORGHI, 2007).

Outro beneficio é o controle de plantas daninhas como relata (Ikeda, 2016), em que o capim tem efeito negativo na germinação e desenvolvimento dessas plantas, ao suprimir a luz e competir por água e nutrientes, além de seus efeitos alelopáticos. Crusciol e Borghi (2007) ao avaliar o consórcio de milho com capim, observaram que o plantio do capim-marandu pode ser realizado junto à caixa de adubo da semeadora, na linha ou na entre linhas do milho, sem afetar a produtividade do cereal. Quando o semeio ocorre na linha e entre linha, a produtividade é afetada, com a exigência de doses reduzidas de nicosulfuron para suprimir o crescimento da forrageira.

2.5 Consórcio milho + Crotalaria spectabilis

A adoção do consórcio de milho com leguminosas tem avançado nas áreas de produção agrícola devido aos benefícios promovidos, principalmente pelo aporte de nitrogênio (N) atmosférico ao solo por meio de fixação biológica. A Crotalaria Spectabilis, além de apresentar essa característica, também tem efeito no controle de nematóides, por ser má hospedeira do verme (Oliveira, 2010). Outras vantagens são que algumas leguminosas têm efeito alelopático sobre plantas daninhas, inibindo a germinação e o desenvolvimento de espécies indesejáveis (MATEUS & WUTKE, 2006). O milho não é prejudicado no sistema, por ser mais competitivo do que a leguminosa, devido ao seu metabolismo do tipo C4, sendo mais eficiente na fixação de carbono e acúmulo de matéria seca em temperaturas elevadas (HEINRICHS et al., 2005). Ramos Junior e Ramos (2017), avaliando diferentes densidades de C. spectabilis, sendo as densidades de 10, 20, 30 e 40 kg ha-1, a qual foi semeada á lanço simultaneamente em consórcio de milho segunda safra, relatam que mesmo na maior densidade, a produtividade do cereal não foi afetada.

Segundo Fontanetti (2016), as sementes de C. spectabilis podem ser semeadas de duas formas, misturadas com os fertilizantes e semeadas na mesma linha do milho,

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simultaneamente. Caso seu espaçamento seja de 0,5 m, a população da leguminosa será até o quádruplo maior que a de milho; já na entre linha, caso o espaçamento do milho seja de 0,8 a 1,0 m, ocorre simultaneamente. Outra forma é por cobertura, quando o milho estiver com quatro folhas.

O sistema Santa Brigida é muito conhecido em relação ao consorcio entre milho e leguminosa. (OLIVEIRA, 2010), relata em uma circular técnica as recomendações para instalação do sistema. Nesse sentido, o sistema segue os mesmos procedimentos do cultivo de milho solteiro, o diferencial nesse caso é a adição de leguminosas. Primeiramente ocorre a dessecação da área, cerca de duas a três semanas antes da semeadura do cereal e leguminosa. Posteriormente a semeadura da leguminosa é ajustada a do milho na mesma linha de cultivo, com recomendação de 4 a 5 plantas por metro linear ou 8 a 10 por metro quadrado para espaçamento reduzido de milho. A mesma recomendação pode ser atendida caso ocorra alteração no espaçamento do milho, porém é necessário a semeadura na entre linha da leguminosa. A semeadura pode ocorrer simultaneamente ou após emergência das plântulas de milhos, considera-se o espaçamento do milho para tomada de decisão. A adubação é realizada de acordo com as recomendações para milho, assim como os tratos culturais pós emergentes. Por conseguinte, ocorre a colheita, a qual não pode ser atrasada após senescência do milho, visto que, ocorre rápido desenvolvimento da leguminosa, podendo atrapalhar o processo de colheita.

2.6 Consórcio milho + Urochloa brizantha cv. Marandu e leguminosas

O milho em consórcio simultâneo com a gramínea e a leguminosa é novidade no sistema de produção, sendo a pesquisa escassa. O consórcio consiste principalmente em produzir grãos, contribuindo no controle nematoides em áreas infestadas, uma vez que a crotalária é eficiente no controle desses fitoparasitas; aporte de nitrogênio ao solo; além da gramínea incrementar matéria orgânica no solo; ciclar nutrientes e suprimir emergência e crescimento de plantas daninhas (EMBRAPA, 2013).

2.7 Plantas Daninhas

São consideradas plantas daninhas toda ou qualquer planta que esteja em local indesejável e que prejudique a atividade do homem. Outros termos empregados, são plantas invasoras, mato, inço, entre outros Na literatura brasileira, algumas plantas daninhas são ditas comuns e verdadeiras, no primeiro caso, encontram-se as espécies que não crescem em condições adversas, possuem como característica o melhoramento genético,

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sendo um exemplo o milho em sucessão da soja, onde as sementes que germinam durante o desenvolvimento da soja são consideradas plantas daninhas, chamadas também de plantas guaxas, tigueras ou voluntárias. As plantas daninhas verdadeiras são as que germinam em condições adversas, em locais distintos, estão presentes nos bancos de sementes dos solos e não possuem melhoramento genético (BRIGHENTI & OLIVEIRA, 2011).

Pitelli (1987) diz que interferência é um termo utilizado para relatar as ações provocadas pelas plantas daninhas nas culturas cultivadas ou em qualquer atividade humana, podendo ser essas diretas ou indiretas. As interferências diretas podem ser por competição, diminuição na qualidade do produto e toxidez aos animais, sendo a competição a principal delas. A planta invasora compete diretamente por nutrientes, luz, água e espaço com a cultura de interesse, causando prejuízos na produtividade. A toxidez é outra forma de interferência direta, relacionada às plantas tóxicas que, quando ingeridas por animais, podem ocasionar a morte. Nas interferências indiretas, as plantas daninhas podem ser hospedeiras de pragas, doenças, nematóides e plantas parasitas, que atacam a cultura cultivada, além de ser empecilho no processo de colheita.

De acordo com Vargas et al. (2006), a interferência que mais implica no desenvolvimento e posterior produtividade do milho é a eficiência no uso da água e absorção de nutrientes por parte das plantas daninhas. No caso, plantas daninhas do tipo C4, como as monocotiledôneas (capim-colchão - Digitaria horizontalis; tiririca – Cyperus spp; e capim-carrapicho - Cenchrus echinatus), são mais prejudiciais. A adubação irá beneficiar tanto a cultura quanto as daninhas, porém Van Acker et al. (1993 apud VARGAS et al., 2006) relatam que quando as invasoras são de porte pequeno, mesmo sendo mais eficiente na absorção de nutriente, a quantidade absorvida é insignificante. Na interferência por luz, o milho é mais afetado quando seu estádio é inicial e ainda não cobriu a superfície do solo, porém por ser uma planta que não produz muito material aéreo, mesmo quando em estádio final, algumas invasoras exercem grande interferência. Nesse caso, o melhor sistema de manejo para o controle é adequar o menor espaçamento que varia nos tipos de híbridos, visando a densidades de plantas maiores, levando, assim, menos tempo para cobrir a superfície do solo e inibir o desenvolvimento e a germinação de plantas daninhas (VARGAS et al., 2006).

2.7.1 Principais espécies de daninhas encontradas no milho solteiro e em consórcio com Urochloa brizantha cv. Marandu e Crotalaria spectabilis

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Em pesquisa sobre o controle de plantas daninhas na cultura do milho, Dan et al. (2010) relatam que as plantas daninhas mais encontradas no milho, na região do Cerrado, são corda-de-viola, trapoeraba (Commelina benghalensis), capim-carrapicho, leiteiro (Euphorbia heterophylla), apaga-fogo (Alternanthera tenella), capim-amargoso (Digitaria insularis), picão-preto (Bidens pilosa) e erva-de-santa-luzia (Chamaesyce hirta).

De acordo com Gama et al. (2007), dez espécies foram observadas em levantamento fitossociológico em sistema de integração lavoura-pecuária constituído pelo milho consorciado com U. brizantha, sendo as espécies, Amaranthus viridis, Bidens pilosa, Brachiaria decumbens,Cenchrus echinatus, Commelina nudiflora L., Cyperus esculentus L., Leonotis nepetaefolia (L.), Panicum maximum, P. maximum Jacq e Richardia brasiliensis, sendo a C. esculentus, a mais observada no sistema integrado. Já, Oliveita et al. (2014) realizaram levantamento fitossociológico no cultivo do milho solteiro e consorciado com espécies da família Fabaceae, a qual continha a espécie de crotalária, e observaram a ocorrência de apaga-fogo (A. tenella), falsa-serralha (E. sonchifolia), serralha (Emilia spp.), botão-de-ouro (Galinsoga parviflora), tiriricão (C. ferax), mussambê (Cleome spinosa), erva-de-santa-luzia (C. hirta), mamona (Ricinus communis L.), malva-estrela (Wissadula subpeltata), grama-seda (C. dactylon), capim-angola (P. numidianum), camalote (Rottboella exaltata) falso-massambará ( Sorghum arundinaceum) e beldroega (Portulaca oleracea L.).

2.7.2 Chamaesyce hirta

De acordo com o panorama fitossanitário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – (EMBRAPA), a espécie Chamaesyce hirta, pertencente à família Euphorbiaceae, comumente conhecida como erva-de-santa-luzia, é de origem da América tropical, desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, sendo encontrada em quase todo território brasileiro. Apresenta como característica morfológica um porte herbáceo, cotilédones pouco carnosos, folhas distribuídas aos pares opostamente, duas folhas por nó, coloração verde com manchas vermelhas, caule cilíndrico e piloso; e quando ferido, liberam substância leitosa. Uma das características das Euphorbiaceae, a inflorescência, é caracterizada pela aglomeração de pequenas flores conhecida como glomérulo, podendo medir até 50 cm de comprimento, de ciclo anual e se reproduz através de sementes.

Essa espécie é de difícil controle pelo herbicida glyphosate nas áreas de produção em que está instalada (GAZZIERO, 2006), o que exige alternativas de controle.

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2.7.3 Controle de plantas daninhas

Uma das melhores alternativas de controle das espécies de plantas daninhas presentes nos variados sistemas de produção é a adoção de práticas integradas de manejo, que proporcionam a diminuição do custo ao produtor (KARAM, 2008).

Segundo Constantin (2011), os métodos de manejo de plantas daninhas baseiam-se em três tipos, sendo eles a erradicação da invasora, a prevenção e o controle. O método de erradicação consiste na eliminação total da planta infestante na área, destruindo qualquer fonte de propágulo, por vários métodos, desde o químico ao mecânico. A prevenção baseia-se em adotar medidas de manejo que vibaseia-sem evitar a entrada de plantas daninhas em área isenta, como: a compra de sementes certificadas de produtores idôneos; a conscientização do homem; a limpeza periódica dos implementos agrícolas e maquinários, ação de extrema importância, devido aos propágulos se aderirem à superfície do maquinário, disseminando as plantas daninhas; o uso de quebra-ventos, uma vez que o vento também é um importante disseminador das sementes; adubação orgânica é outra fonte de disseminação, em que os animais ingerem as plantas daninhas quando se alimentam da forrageira e, por meio das fezes, disseminam, o isolamento do animal por no mínimo sete dias é também uma medida protetiva, quando esses são transportados a outras áreas; entre outros..

O manejo cultural é um dos métodos mais importante, eficiente e sustentável em que o controle da planta infestante ocorre devido aos mecanismos de competição, supressão, químicos e outros fatores que a cultura exerce, diminuindo ou inibindo a germinação e desenvolvimento da planta daninha (CONSTANTIN, 2011). Segundo o mesmo autor, as práticas de manejo para o controle cultural podem ocorrer em diferentes etapas, desde a escolha das cultivares, densidade de planta, rotação de cultura e acúmulo de palhada na entressafra, entre outros.

Segundo Constantin (2011), o método químico baseia-se na utilização de produtos químicos seletivos às culturas de interesse, chamados herbicidas que, quando aplicados, agem na fisiologia e bioquímica das infestantes matando ou suprimindo seu desenvolvimento e crescimento e que podem ser aplicados em pré e pós-emergência da cultura e plantas daninhas.

2.8 Atrazine

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Segundo Oliveira Jr. (2011), a classificação internacional dos herbicidas é proposta e aceita pela Herbicide Resistence Action Committee (HRAC) e a classificação numérica é realizada pela Weed Science Sociely of America (WSSA). O atrazine pertence ao grupo C1(5) que diz respeito ao grupo químico das Triazinas, com o sítio de ação sendo a inibição da fotossíntese no fotossistema II. De acordo com o mesmo autor, os herbicidas inibidores de fotossistema II inibem a evolução do oxigênio a partir da água quando em presença com cloroplastos e um aceptor de elétrons. Esses herbicidas foram descobertos na década de 50 e até os dias de hoje são muitos utilizados em variadas culturas. A introdução do atrazine ao mercado ocorreu na década de 60, podendo ser aplicado tanto em pré como em pós-emergência precoce, o que revolucionou o plantio do milho, visto que esse herbicida é o principal indicado para a cultura, além de sorgo e cana-de-açúcar.

Ò atrazine apresenta baixa fixação de carbono após a aplicação em plantas sensíveis; absorção principal via radicular, além de uma ampla maioria também poder absorver através das folhas; ocorrência da translocação do produto através do xilema; variação da movimentação no solo conforme sua composição, sendo normalmente de baixo a moderado.

De acordo com a bula do herbicida comercial Atrazina Nortox 500 SC (ano de publicação), recomenda-se o controle tanto em pré quanto em pós-emergência das seguintes plantas daninhas: beldroega (Portulaca oleracea), capim-colchão (Digitaria horizontalis), capim-carrapicho (Cenchrus echinatus), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum), caruru-roxo (Amaranthus hybridus), guanxuma (Sida rhombifolia), poaia-branca (Richardia brasiliensis) e nabo-bravo (Raphanus raphanistrum). Recomenda somente em pré-emergência, o controle de tiririca (Cyperus esquiflorus), pega-pega (Desmodium adscendens), picão-preto (Bidens pilosa), malva-branca (Sida cordifolia), flor-amarela (Melampodium perfoliatum), flor-de-ouro (Melampodium divaricatum) e caruru-de-mancha (Amaranthus viridis).

Na literatura são encontrados trabalhos sobre a aplicação de atrazine nas culturas de U. brizantha cv. Marandu e C. spectabilis. Para a leguminosa em trabalho realizado por Balan et al., (2017), onde se buscou observar a seletividade de atrazine aplicados em pré emergência, observaram-se efeito tóxico já na primeira avaliação, a qual ocorreu aos 14º dia após aplicação (DAA) com porcentagem de 99,9%. Nogueira et al., (2014) trabalhando com diferentes doses de atrazine em pré-emergência na espécie de C. spectabilis, observaram efeito tóxico de 65% na dose 1.500 g ha-1 a mesma utilizada nessa pesquisa. Também testaram a dose 500 g ha-1, porém não observaram-se intoxicação. Nesse sentido é interessante o estudo de diferentes dosagens, além da época e modo de aplicação, para se

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ter mais conhecimento sobre o comportamento da leguminosa após receber aplicação do herbicida.

A respeito do capim-marandu Martins et al. (2007) trabalharam a seletividade de herbicidas aplicados em pós emergência sobre Urochloa U. brizantha cv. Marandu, e observaram a seletividade de atrazine na dose de 3.000 g ha-1, sendo essa o dobro da dose utilizado nessa pesquisa, com 1,8% de fitointoxicação na primeira avaliação, a qual ocorreu aos 4 DAA, com os valores reduzidos a cerca de 0% nas demais avaliações.

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3 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado na área experimental da Faculdade Centro Mato-grossense (FACEM), localizada no município de Sorriso-MT. O delineamento utilizado foi de blocos ao acaso, com parcelas subdivididas, e quatro repetições. As parcelas foram constituídas por seis sistemas de produção [cultivos solteiros de milho híbrido AS 1555 PRO2 (M), Urochloa brizantha cv. Marandu (B) e Crotalaria spectabilis cv. Comum (C) e os consórcios entre os cultivos (M+C; M+B; M+B+C)]. As subparcelas consistiram de três níveis de controles de plantas daninhas [capinado (TC), não capinado (TNC) e controle químico (CT)]. As subparcelas possuíam dimensões de 3,5 m de largura e 5,0 m de comprimento, com uma área de 17,5 m². A área do milho solteiro foi de 210 m², e das outras culturas solteiras somadas aos consórcios, de 1050 m², com área total de 1260 m² para todo o experimento. A adubação foi realizada conforme a recomendação para a cultura do cereal. A semeadura do milho foi realizada no dia 15 de março de 2017, com profundidade entre 5 e 8 cm, espaçamento entre fileiras de 50 cm e 4 sementes m-1, totalizando cerca de 80.000 plantas ha-1. A semeadura de C. spectabilis e do capim-marandu foram realizadas a lanço simultaneamente à semeadura do milho, sendo utilizado 5,0 kg ha-1 de sementes puras viáveis de capim-marandu e 2,5 kg ha-1 de C. spectabilis. O CT foi realizado 21 dias após semeadura, sendo aplicados 1.500 g ha-1 de atrazine, utilizando pulverizador costal pressurizado de CO2 com ponta de pulverização tipo jato plano XR 110.02, calibrado para volume de aplicação equivalente a 200 L ha-1. As subparcelas de testemunha capinada foram manejadas semanalmente. As subparcelas não capinadas não receberam nem um tipo de controle. Após a aplicação do tratamento de controle químico, fizeram-se as avaliações aos 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA) de porcentagem de intoxicação e controle, por meio de notas de 0 a 100%, em que 0 representa ausência de injúrias e 100 a morte das plantas ou de controle. Também foi realizado o levantamento de plantas daninhas aos 60 dias após semeadura (DAS), em que foi utilizado o método do quadrado inventário que consiste em um quadrado com arestas de 0,25 m x 0,25 m, lançados duas vezes aleatoriamente em cada subparcela, totalizando oito quadros por tratamento, em que as plantas daninhas foram identificadas e quantificadas. Na colheita do milho, também foi utilizado o método do quadrado inventário, lançado duas vez em cada subparcela para quantificação da densidade e massa de matéria seca de capim-marandu e crotalária, sendo as amostras colocadas em estufas de circulação de ar forçado a 65ºC até atingir a massa constante. Na colheita do milho, fizeram-se 10 plantas de milho da área útil da parcela foram selecionadas, desconsiderando-se a bordadura, para mensuração da altura até a inserção da primeira espiga e até a base do pendão, número de espigas por planta e por parcela e

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quantificação das plantas por metro para avaliação de estande. Foram colhidas três linhas de 2,0 m de milho na área útil da parcela para determinação do rendimento da cultura (kg ha-1). A avaliação dos componentes de produção foi realizada em laboratório, quantificando-se o número de fileiras em cada espiga e o número de grãos por fileira em 10 espigas e a massa de 100 grãos, com oito repetições retiradas do rendimento total da parcela, sendo a umidade dos grãos determinada pelo método estufa, de acordo com as Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 2009) e corrigida para 13%. As plantas daninhas identificadas e quantificadas foram submetidas ao cálculo do índice de importância relativa (IR= densidade relativa + frequência relativa + dominância relativa).

Os dados levantados foram submetidos à análise de variância e as médias, quando significativas, comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Houve transformação de dados para intoxicação, densidade de plantas e massa de matéria seca.

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para as variáveis altura do milho até a base do pendão e até a inserção da primeira espiga, assim como para os componentes de produção e do rendimento do milho, não não foi observado efeito de sistemas e manejos (Tabela 1). Dessa forma, U. brizantha cv. Marandu e C. spectabilis não competiram de maneira a comprometer significativamente o rendimento de grãos.

Tabela 1 - Estande, altura de planta, altura de inserção de espiga, componentes de produção e rendimento de milho híbrido AS 1555 PRO2 solteiro ou em consórcio

Sistemas de Cultivo Planta s m-1 Altura milho (cm) Altura inserção espiga (cm) Grãos fileira-1 Fileiras espiga-1 Massa 100 grãos (g) Rendimento (kg ha-1) M 3,8 248,5 121,1 27,9 15,8 29,8 10.524,1 M+B 3,8 244,1 118,7 26,4 14,8 28,9 8.720,2 M+C 3,9 243,0 119,9 27,4 15,5 29,6 9.481,1 M+B+C 3,9 247,2 117,2 26,2 14,9 29,6 9.097,4 Fsistema 0,40 ns 0,35ns 0,19ns 1,84ns 1,05ns 0,73ns 0,85ns Fmanejo 1,04 ns 0,22ns 0,36ns 1,50ns 1,31ns 1,03ns 3,19ns Fsistemaxmanejo 0,71 ns 0,93ns 1,17ns 0,64ns 1,64ns 1,16ns 0,47ns C.V. 9,5 2,3 4,1 4,5 3,4 12,9 17,5 B: Urochloa brizantha cv. Marandu (capim-marandu); C: Crotalaria spectabilis (crotalária); M: milho; ns: não significativo a 5% de probabilidade.

Na avaliação de diferentes sistemas produtivos e manejo de adubação nitrogenada no milho solteiro e em consórcio com C. spectabilis e U. brizantha, Oliveira (2010) não observou diferença no rendimento de grãos, com rendimentos médios em kg ha-1 de [6.319 (100%); 6.271 (99,24%) e 6.337 (100,28%)] respectivamente. Diante disso, salientou-se a importância do manejo no rendimento de grãos, independentemente do sistema.

Ramos Junior e Ramos (2017) trabalhando com diferentes densidades de C. spectabilis em consórcio com o milho, observaram que, independentemente das densidades utilizadas, não ocorreu interferência no rendimento do milho, sendo as densidades e rendimento de grãos em kg ha-1 [0 - 7.562 (100%); 10 – 7.196 (95,16%); 20 – 6.819 (90,17%); 30 – 6.191 (81,86%) e 40 – 7.662 (101,32%)]. Além disso, os autores obtiveram resultados para rendimento de grãos superiores à média do estado de Mato Grosso, que foi de 5.679 kg ha-1.

Jakelaitis et al. (2004) avaliando os efeitos de doses reduzidas de nicosulfuron (0; 2; 4; 8; 16 g ha-1) associado com 1.500 g ha-1 de atrazine aplicados sobre o milho em consórcio com U. decumbens, observaram que a aplicação e a utilização da forrageira também não interferiram no rendimento do milho, os autores não relatam detalhadamente os

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rendimentos, mas reforçam rendimento médio entre os sistemas de 4.000 kg ha-1. Da mesma forma, Kluthcouski et al. (2000), em pesquisa realizada em quatro regiões de climas diferentes, observaram que não houve redução significativa do rendimento do milho quando consorciado com U. brizantha cv. Marandu, além de destacarem que, em 40% dos casos, foi observado um incremento na produção de grãos.

Esses resultados são considerados vantajosos sob o ponto de vista agronômico, promovendo benefícios para o sistema e para cultura seguinte, com a forrageira contribuindo para maior incremento de matéria orgânica ao solo, e a leguminosa para maior aporte de nitrogênio, além de causar efeito antagônico aos nematóides.

Em relação aos resultados de intoxicação de Urochloa brizantha cv. Marandu, resultante da aplicação do manejo químico (1.500 g há-1 de atrazine) (Tabela 2), observou-se que a doobservou-se aplicada foi observou-seletiva à gramínea em relação aos sistemas, o cultivo solteiro de U. brizantha cv. Marandu diferiu dos consórcios aos 14 DAA, apresentando a maior porcentagem de fitointoxicação. Esse resultado pode ser explicado devido à maior exposição da forrageira ao produto. Na avaliação realizada aos 21 e 28 DAA, houve redução da porcentagem de intoxicação, onde a forrageira demonstrou excelente recuperação, equiparando-se visivelmente com a testemunha na ultima avaliação.

Tabela 2 - Intoxicação de Urochloa. brizantha cv. Marandu (%) aos 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA) de 1.500 g ha-1 do herbicida atrazine.

Sistemas de Produção

14 DAA 21 DAA 28 DAA

CT TC TNC CT TC TNC CT TC TNC B 8,5 aA 0,0 aB 0,0 aB 4,7 aA 0,0 aB 0,0 aB 1,3 abA 0,0 aB 0,0 aB M+B 4,0 bA 0,0 aB 0,0 aB 4,8vaA 0,0 aB 0,0 aB 2,5 aA 0,0 aB 0,0 aB M+B+C 3,5 bA 0,0 aB 0,0 aB 4,0 aA 0,0 aB 0,0 aB 1,0 bA 0,0 aB 0,0 aB Média 5,3 0,0 0,0 4,5 a 0,0 b 0,0 b 1,6 0,0 0,0 Fsistema 32,5 ** 0,64ns 5,75* Fmanejo 236,3 ** 33,06** 55,6** Fsistemaxmanejo 24,7 ** 0,4ns 4,8* C.V. 9,4 20,6 16,5

B: Urochloa brizantha cv. Marandu (capim-marandu); C: Crotalaria spectabilis (crotalária); M: milho; CT: controle químico com 1500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada; TNC: testemunha não capinada. Médias seguidas da mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem estaticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo a 5% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ** significativo a 1% de probabilidade. Transformação nas três avaliações.

Outros trabalhos também demonstraram resultados semelhantes. Colleta et al. (2009) testaram diferentes herbicidas em pré-emergência do capim-marandu, e observaram

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que somente atrazine e atrazine + simazina, nas doses (3.080 e 1.250 + 1.250 g ha-1) foram seletivos, ambas com fitotoxicidade de 5%.

Martins et al. (2007) avaliaram a seletividade de herbicidas aplicados em pós emergência sobre duas espécies de Urochloa (U. brizantha cv. Marandu e U. decumbens cv. Basilisk), também observaram a seletividade de atrazine em capim-marandu na dose de 3.000 g ha-1, com 1,8% de fitointoxicação aos 4 DAA, sendo os valores reduzidos a cerca de 0% nas demais avaliações. Com isso, mesmo diferindo da testemunha na primeira avaliação, o herbicida se mostrou seletivo à gramínea com baixa intoxicação e rápida recuperação no passar dos dias.

Nesse mesmo trabalho, os autores avaliaram outras variáveis e, dentre elas, o herbicida atrazine, apesar da menor intoxicação, reduziu o número de sementes normais, anormais e aumentou a porcentagem de sementes mortas, quando comparado com a testemunha. Com isso, percebeu-se que, em relação à massa de matéria seca, o herbicida é seletivo, mas para produção de sementes pode não ser.

O herbicida atrazine (1.500 g ha-1) não foi seletivo à espécie de C. spectabilis (Tabela 3). Na primeira avaliação, foi observado com elevada porcentagem (99,9%), levando à morte de todas as plantas de crotalária nos diferentes sistemas nos quais foi cultivada.

Tabela 3 - Intoxicação de Crotalaria spectabilis (%) aos 14, 21 e 28 dias após aplicação (DAA) de 1.500 g ha-1 do herbicida atrazine

Controle 14 DAA 21 DAA 28 DAA

CT 99,9 a 100,0 a 100,0 a TC 0,0 b 0,0 b 0,0 b Fsistema 1,0 ns 1,0ns 1,0ns Fmanejo 1437601** 40000** 40000** Fsistemaxmanejo 1,0 ns 0,0ns 0,0ns C.V. 0,2 0,0 0,0

CT: controle químico com 1.500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada. Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo a 5% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. Transformação de

, nas três avaliações.

Balan et al. (2017) testaram a seletividade de herbicidas em C. spectabilis cultivadas em vasos e também obtiveram resultado semelhante de intoxicação do herbicida atrazine (1.500 g ha-1), com cerca de 99% aos 14 DAA, com aplicações em pré-emergência. Já Nogueira et al. (2014) testaram diferentes doses de atrazine em pré-emergência nas espécies de C. spectabilis e C. juncea, (500, 1.000 e 1.500 g ha-1), e observaram que C. spectabilis foi a mais suscetível, com intoxicação de 77% e 65%, respectivamente para as últimas doses. No entanto, não observaram intoxicação na menor dose.

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Dias et al. (2017) testaram diferentes herbicidas em pós-emergência na cultura da crotalária e observaram que o maior efeito fitotóxico dentre os herbicidas (bentazon, clomazone, carfentrazone, diclosulan, diuron, ethoxysulfuron, flumioxazin, atrazine, oxadiazon, tembotrione, e atrazine associado com flumioxazin e carfentrazone) foi o de atrazine nas concentrações de 500 e 1.000 g ha-1. Nesse ensaio, a porcentagem de intoxicação aumentou progressivamente entre as avaliações realizadas aos 14, 21 e 28 DAA, ocorrendo diferença entre as doses apenas na última avaliação, que foram de 99 e 95%, respectivamente.

Com isso, observou-se que o herbicida atrazine não se mostrou seletivo para a espécie de C. spectabilis, porém consideram-se necessários mais estudos em relação a diferentes doses de atrazine e modo de aplicação, considerando-se o manejo de plantas de soja voluntárias.

Para as variáveis, densidade de planta e massa de matéria seca, houve efeito de interação entre os fatores sistemas e manejo (Tabela 4).Foram observados baixos valores de densidade de C. spectabilis nos diferentes sistemas e manejo, sendo esses resultados decorrentes do total controle da crotalária pelo herbicida utilizado e a baixa densidade de semeadura (2,5 kg ha-1) na qual foram estabelecidos os sistemas. O sistema solteiro da leguminosa e o consorciado com o milho apresentaram médias maiores de densidades, quando comparadas com a adição do capim-marandu. Esses resultados podem ser explicados pela rusticidade e rápido crescimento do capim, a qual provavelmente impediu ou reduziu o desenvolvimento da crotalária, devido ao seu crescimento inicial lento (BARRETOS & FERNANDES, 2001). O maior número de plantas quando a crotalária não foi capinada e em cultivo solteiro pode ser explicado pela ocorrência de injúria na planta ocasionado pelo manuseio da capina mecânica, o que afetou algumas das poucas plantas existentes na parcela.

A massa de matéria seca de C. spectabilis foi menor nos sistemas consorciados quando comparado ao sistema solteiro. Além disso, observou-se maior quantidade de massa de matéria seca de C. spectabilis quando a área foi capinada. Esse resultado pode ser explicado devido ao efeito supressivo da forrageira por sua interceptação da radiação solar associada ao milho, além da mato competição, ocasionando redução no desenvolvimento e acúmulo de massa de matéria seca de C. spectabilis nos cultivos em consórcio.

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Tabela 4 - Densidade e massa de matéria seca de Crotalaria spectabilis Sistemas de

Produção

Densidade (plantas m-2) Massa de matéria seca (g m-2) CT TC TNC CT TC TNC C 0 aA 14 aB 22 aC 0 aC 362,2aA 64,4 aB M+C 0 aA 6 bB 12 aC 0 aA 10,7 bA 13,1bA M+B+C 0 aA 0 cA 0 bA 0 aA 0 bA 0 bA Fsistema 55,3** 47,3** Fmanejo 98,8** 15,3** Fsistemaxmanejo 32,1** 12,6** C.V. 3,8 25,7

B: Urochloa brizantha cv. Marandu (capim-marandu); C: Crotalaria spectabilis (crotalária); M: milho; CT: controle químico com 1.500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada; TNC: testemunha não capinada. Médias seguidas da mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo a 5% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade, ** significativos a 1% de probabilidade.

Ramos Junior & Ramos (2017) utilizaram densidades de semeadura de C. spectabilis superiores a 2,5 kg ha-1 no estabelecimento da leguminosa em consórcio com o milho simultaneamente, com taxas de 10, 20, 30 e 40 kg ha-1. Nesse estudo, os autores verificaram que a população de plantas aumentou progressivamente conforme o aumento das densidades de semeadura, com valores de 35, 40, 55 e 60 plantas m-2, respectivamente. Perin et al. (2010) avaliaram o acúmulo de massa de matéria seca da espécie C. juncea no cultivo solteiro e consorciado com milheto (Pennisetum americanum), com densidade de 40 plantas m-1 nos sistemas solteiros e 50% de densidade para cada espécie no consórcio em semeadura simultânea espaçadas de 0,25 m, e observaram menor acúmulo no sistema consorciado em comparação ao solteiro de crotalária (8,04 e 9,34 kg ha-1).

Diante disso, observou-se que, para obter uma boa população de plantas de crotalária, o produto químico deve ser seletivo à cultura, a densidade de semeadura deve ser maior que a utilizada e que os consórcios reduzem o acúmulo de massa de matéria seca da leguminosa.

Nos resultados de densidade de U. brizantha cv. Marandu (Tabela 5), não houve diferença nos diferentes sistemas e manejo. No entanto, foi observado efeito de interação sistema x manejo para os resultados de massa de matéria seca, sendo o cultivo solteiro de U. brizantha cv. Marandu o melhor sistema para maior incremento de palhada quando comparado aos consórcios, porém, avaliando-se apenas os sistemas consorciados, a adição da leguminosa não interferiu no rendimento de massa de matéria seca do capim-marandu.

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Tabela 5 - Densidade e massa de matéria seca de Urochloa brizantha cv. Marandu Sistemas de Produção Densidade (plantas m-2) Massa seca (kg ha-1) CT TC TNC B 50,7 19.206aA 13.126 aA 13.963, aA M+B 39,3 2.123bA 1.422 bB 2.983 bA M+B+C 42,0 1.576 bA 1.664 bA 2.847 bA Fsistema 1,75ns 114,3** Fmanejo 2,5 ns 3,6** Fsistemaxmanejo 1,2ns 3,9* C.V. 20,2 9,1

B: Urochloa brizantha cv. Marandu (capim-marandu); C: Crotalaria spectabilis (crotalária); M: milho; CT: controle químico com 1.500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada; TNC: testemunha não capinada. Médias seguidas da mesma letra, maiúscula na linha e minúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo a 5% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade, ** significativos a 1% de probabilidade.

Pariz et al. (2010) obtiveram resultados semelhantes ao presente trabalho, no qual ao avaliar a produção de massa de matéria seca de capim-marandu em cultivo solteiro e consorciado com o milho, observaram maior valor de massa de matéria seca no sistema solteiro, com cerca de 13.885 kg ha-1, enquanto no consórcio apresentou. 4.128 kg ha-1, ou seja, uma redução de aproximadamente 70%. Já Ceccon (2008), em estudo realizado em três locais distinto no Mato Grosso do Sul (Dourados, Batayporã e São Gabriel do Oeste) avaliou a massa de matéria seca de diferentes plantas alternativas em consórcio com o milho (Panicum. Maximum cv. Tanzania, U. brizantha cv. Marandu, U. ruziziensis, C. juncea e feijão-guandu), E observou que a massa de matéria seca das diversas espécies, quando somadas com a do milho, foram maniores nos três locais do que ao milho solteiro, com destaque ao capim-marandu e capim-tanzânia.

Esses resultados são importantes, visto que o incremento de palhada é fundamental para a proteção do solo, manutenção da temperatura e supressão as plantas daninhas, onde o sistema solteiro da forrageira proporcionou maior produção de massa seca, porém a utilização em consórcio é vantajosa, conciliando rendimento de grãos e maior aporte de palhada em relação ao monocultivo de milho.

Com relação ao controle de erva-de-santa-luzia, não observou-se efeito dos sistemas produtivos (Tabela 6), o que indica que até a data da ultima avaliação, os sistemas produtivos não contribuíram para o controle da planta daninha. Apesar de inferior, o tratamento químico pode ser considerado excelente, visto que em todas as avaliações (14, 21 e 28 DAA) as médias de controle foram iguais e maiores que 95%. Nesse sentido, a utilização do herbicida mostrou-se eficaz no controle da invasora.

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Tabela 6 - Controle de Chamaesyce hirta (%) aos 14, 21 e 28 DAA

Controle 14 DAA 21 DAA 28 DAA

CT 96,1 b 96,7 b 95,4 b TC 100,0 a 100,0 a 100,0 a TNC 0,0 c 0,0 c 0,0 c Fsistema 0,56 ns 0,51ns 0,50ns Fmanejo 5302,19** 8008,58** 4657,36** Fsistemaxmanejo 0,53 ns 0,51ns 0,5ns C.V. 2,93 2,37 3,13

CT: controle químico com 1500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada; TNC: testemunha não capinada. Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem estaticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo a 5% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. Transformação

Dan et al. (2010) testaram a eficácia de diferentes herbicidas na pré-emergência do milho sobre várias plantas daninhas, dentre elas a erva-de-santa-luzia, e observaram que o herbicida atrazine isolado e associado com s-metolachor e simazine apresentou excelente porcentagem de controle da invasora aos 28 dias após emergência (DAE) do milho, nas respectivas porcentagens e doses em g ha-1 (98,2% - 1.600; 97,5% - 1.665 + 1.305; e 94% - 250 + 250). Já Philippi et al. (2016) avaliaram a eficiência dos herbicidas atrazine (2.400 g ha-1) e mesotrione (240 g ha-1) no controle de plantas daninhas na cultura do milho em duas safras subsequentes, analisando as espécies Amaranthus deflexus, Galinsoga quadriradiata, Brachiaria plantaginea, Digitaria bicornis, Sida rhombifolia, C. hirta, Lolium multiflorum, Cynodon dactylon, Eleusine indica, Commelina benghalensis e Bidens pilosa, e obtiveram resultados satisfatórios no controle das invasoras, com 58,75 e 32,5% de controle na safra 2014/15 e 89,2 e 85,6% na safra seguinte, respectivamente. De acordo com o mesmo estudo, os autores observaram que o herbicida atrazine teve melhor controle quando comparado ao mesotrione.

Na Tabela 7, foi listada a frequência de 17 espécies de plantas daninhas no levantamento realizado nos diferentes sistemas produtivos e de manejo aos 60 dias após semeadura (DAS). Esses resultados foram obtidos através da razão entre a frequência das espécies pela frequência total das espécies observadas em cada subparcela. Observou-se a ocorrência de C. hirta em todos os sistemas produtivos, com porcentagem de 100% nas subparcelas não capinadas, por isso a escolha de C. hirta para avaliação de controle. Outras plantas daninhas como E. indica, Cyperus spp. e D. horizontalis também obtiveram importantes valores para frequência relativa.

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Foi observado menor porcentagem de frequência relativa no controle químico para C. hirta quando comparado aos demais manejos (Tabela 7). Esse resultado pode ser explicado devido ao efeito residual do herbicida atrazine (1.500g ha-1) o qual reduziu a germinação e o desenvolvimento da erva-de-santa-luzia. Por outro lado, observou-se comportamento oposto de D. horizontalis.

Tabela 7 - Frequência relativa (FR) (%) da comunidade infestante avaliada aos 60 dias após semeadura (DAS) do milho

FR (%) B C M M+B M+B+C M+C CT TC TNC CT TC TNC CT TC TNC CT TC TNC CT TC TNC CT TC TNC P1 - - - 12,5 - - - 12,5 P2 12,5 - 12,5 - - 12,5 12,5 - - - 12,5 - - P3 75 12,5 25 100 - 75 62,5 - 62,5 37,5 25 12,5 50 25 - 62,5 - 37,5 P4 - - - 12,5 - 12,5 P5 - - - 25 - - - - 12,5 12,5 - - 37,5 - - - P6 - - - 12,5 - - - 12,5 - - 12,5 P7 - - 12,5 - - 12,5 - - - - P8 50 50 37,5 25 - 50 100 25 75 50 75 62,5 62,5 87,5 62,5 37,5 25 75 P9 12,5 - - - 12,5 - - - 12,5 25 - - - - P10 12,5 100 100 25 87,5 100 37,5 25 100 37,5 75 100 37,5 100 87,5 25 62,5 100 P11 - - - 12,5 - - - - P12 - 12,5 12,5 - - 12,5 - - 50 - 12,5 25 - 12,5 - - - - P13 - - - 12,5 - - - - P14 - 12,5 25 - 12,5 - - 12,5 62,5 12,5 50 62,5 - - - 50 P15 - - - 12,5 - - - - P16 12,5 37,5 37,5 12,5 - 75 37,5 12,5 12,5 25 62,5 2 50 25 50 87,5 12,5 75 P17 - 12,5 25 12,5 - 50 25 12,5 37,5 12,5 12,5 37,5 12,5 37,5 50 37,5 25 62,5 T. G 175 237,5 287,5 175 100 425 300 87,5 425 187,5 337,5 362,5 212,5 287,5 300 275 125 437,5

P1: Chamaesyce hyssopifolia; P2: Cenchrus echinatus; P3: Digitaria horizontalis; P4: Pennisetum

setosum; P5: Acanthospermum australe; P6: Ipomoea spp.; P7: Croton glandulosus; P8: Cyperus

spp.; P9: Dicotiledônea; P10: Chamaesyce hirta; P11: Fabaceae; P12: Sida sp.; P13: Malvaceae; P14:

Mitracarpus hirtus; P15: Monocotiledônea; P16: Eleusine indica; P17: Spermacoce verticillata; T.G:

Total Geral; B: Urochloa brizantha cv. Marandu (capim-marandu); C: Crotalaria spectabilis (crotalária); M: milho; CT: controle químico com 1.500 g ha-1 de atrazine; TC: testemunha capinada; TNC: testemunha não capinada.

Esses resultados corroboram com estudo realizado por Victoria Filho (1990 apud ESMERINI, 2010), onde foi observado as espécies de D. horizontalis e E. indica no cultivo do milho. A espécie C. hirta também foi observada por Oliveira et al. (2014) em cultivo consorciado de milho com crotalária.

Adegas et al. (2010) observaram resultados semelhantes com maior valor de frequência relativa da espécie C. hirta na pré-colheita do girassol na região do cerrado, com 16,1%, enquanto as espécie de D. horizontalis, Cyperus spp. e E. indica também foram observadas, porém com menor frequência 3,1; 0,6 e 0,5 %, respectivamente).

Referências

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