Carotenóides em produtos
hortofrutícolas – amostragem
Maria da Graça Dias
Departamento de Alimentação e Nutrição
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP (http://www.insarj.pt)
Carotenóides
• Classe de compostos bioactivos
• Pigmentos com cores brilhantes intensas do amarelo ao vermelho
• Não sintetizados pelos animais
• Presentes nos frutos e legumes
• Conhecem-se cerca de 700 compostos (40 nos alimentos)
• Na Europa, nos frutos e legumes e no
plasma humano predominam 6 compostos
Lute Luteíínana Licopeno Licopeno Zeaxantina Zeaxantina α α--carotenocaroteno β β--criptoxantinacriptoxantina β β--carotenocaroteno
Caroten
Carotenóóidesides Acções Biológicas
Metabolismo
Metabolismo
xenobi
xenobióóticosticos ComunicaComunicaccéélulalula--ccéélulalulaçção ão
Resposta Resposta imunit
imunitááriaria AntioxidanteAntioxidante
Actividade
Actividade
pro
pro--vitamina Avitamina A
Prevenção Doenças
Degenera
Degeneraçção ão
macular macular relacionada relacionada idade idade Pele Pele Cancro Cancro Cataratas Cataratas
Importância
Krinsky, N.I., Johnson, E.J. (2005).
Molecular Aspects of Medicine26, 459-516.
Rao, A.V., Rao, L. (2007).
Pharmacological Research 55, 207-216.
Bases de dados de composição de
alimentos (BDCAs)
• Inclusão de compostos biologicamente activos em BDCAs
• Geração contínua de dados
– Novos conhecimentos sobre as acções biológicas
– Melhoria da instrumentação analítica e das metodologias
– Alteração dos mercados e dos gostos dos
Importância de BDCAs fiáveis
Uma base de dados será utilizada durante um período de tempo considerável e os valores obtidos recorrendo aos protocolos combinados (amostragem, análise) serão utilizados como se
fossem representativos, quer no espaço, quer no tempo, durante o tempo de vida da base de dados (e muitas vezes durante muito mais tempo).
Adaptado de: Greenfield & Southgate, Food Composition Data, pág. 66, FAO, 2003.
Qualidade • Amostragem (protocolos adequados) • Dados analíticos (métodos validados) Maiores determinantes da qualidade de uma base de dados
Amostragem de alimentos
Objectivos
•
Recolher amostras representativas dos
alimentos sendo a representatividade
mantida nas porções analisadas
-protocolos de amostragem e análise
– Nomenclatura e classificação dos alimentos pode apresentar dificuldades
•
Documentar a variabilidade relacionada
com a localização geográfica, estação do
ano, cultivar, estado de maturação, etc.
Amostragem de alimentos
Objectivos
•
Estimativa do valor central
– Média
– Mediana
•
Estimativa das variações
– Desvio padrão
– Coeficiente de variação
Variação na população / Unidade
1 kg cerejas
100 g cerejas
População
µ,σ (desconhecidos)
Amostras
xmédio, s
Distribuição normal, 95% das médias das amostras
estão no intervalo
Para um número de amostras reduzido a utilização de s para estimar σ introduz incerteza
Distribuição t-Student µ-1,96(σ/ ) < < µ+1,96(σ/ )
Amostragem - Estatística
x n ≥ t2 s2 / ( - µ)2 x n nAmostragem - estatística
•
Variabilidade dos resultados
– Sem variabilidade uma medição seria
suficiente para caracterizar a composição do alimento
•
Necessidade de ter alguma ideia sobre a
variabilidade
•
Incorporação da variabilidade no protocolo
Variabilidade/Incerteza
•
Variabilidade
– Variação devida a diferenças reais no
alimento provocada por causas conhecidas ou desconhecidas
• Exemplo: teor de gordura da sardinha no verão e no inverno
•
Incerteza
– Variação devido a falta de conhecimento
• Exemplo: diferentes estimativas do teor de gordura de uma amostra analítica analisada em duplicado
Parte da realidade
Caso I – localidade
Tomate
• Protocolo de amostragem (estratificada)–
considerar o campo dividido em 12 partes e
recolher em cada uma 1 kg de tomate no estado maduro firme (salada), com a precaução de
incluir unidades de diferentes dimensões (campo com a mesma variedade de tomate)
• Determinação analítica – duplicado; método
previamente validado para esta matriz, incluindo MRC – incerteza analítica
Caso I - localidade
Tomate
Mesma variedade, mesma localidade
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 T e o r d e C a ro te n ó id e s ( m g /1 0 0 g )
Carotenóides em Tomate Lido produzido em 12 áreas do mesmo local (Portugal-zona centro)
Luteína β-Caroteno Licopeno
• Variabilidade significativa
para o β-caroteno e a luteína
• Variabilidade não
significativa para o licopeno Teste F, nível de confiança 5%
β-caroteno licopeno luteína
uanalr (%) 7,2 12 8,6
svarr (n=12) (%) 9,9 9,7 23
n (5%) 19 19
Caso II – região Algarve
Laranja Lane late IGP
• Protocolo de amostragem (estratificada)– adquirir embalagens de 2 kg, devidamente
identificadas dos 4 locais da região do Algarve disponíveis na maior cadeia de hipermercados portuguesa; para um dos locais adquirir mais 6 embalagens
• Determinação analítica – duplicado, método
previamente validado para esta matriz, incluindo MRC – incerteza analítica
Caso II – região Algarve
Laranja Lane late IGP
• Laranja de Algoz igual à de Faro
• Laranja de Silves igual à de Tavira
Diferença mínima significativa,
Mesma variedade, diferentes localidades numa região
Silves Faro Algoz Tavira 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 T e o r d e C a ro te n ó id e s ( m g /1 0 0 g )
Carotenóides em Laranja Lane late (diferentes locais na região do Algarve)
α-Caroteno β-Caroteno Luteína Zeaxantina β-Criptoxantina
β-criptoxantina uanalr (%) 7,7 samtr (n=7)(%) 17 svarr (n=4)(%) 30 n (10%), região 91 n (20%), região 23 n (10%), local 20 n (20%), local 5
Caso III – país
Couve tronchuda
•
Protocolo de amostragem (estratificada)–
obter lotes de 5 kg de couve tronchuda
típica de 3 regiões do país, “penca”,
“Valhascos”, “glória de Portugal”.
•
Determinação analítica – duplicado,
método previamente validado para couve
galega, incluindo MRC – incerteza
Caso III - país
Couve tronchuda
• Couve tronchuda
“Valhascos” é similar à “penca”
• Couve tronchuda “glória de Portugal” é diferente das anteriores
Diferença mínima significativa, nível de confiança de 5%
Mesma variedade, diferentes regiões no país
β-caroteno luteína uanalr (%) 10 10 svarr (n=3)(%) 71 75 n (10%), “penca”, “Valhascos” 20 44 n (20%), “penca”, “Valhascos” 5 11 Gló ria P ortu gal Pen ca Va lhas cos 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 T e o r d e c a ro te n ó id e s (m g /1 0 0 g )
Carotenóides em couve tronchuda cultivada em 3 regiões
(Colheita-Dezembro)
Caso IV – altura da colheita
Couve galega
• Protocolo de amostragem (estratificada)– seleccionar 15 pés de couve num campo e
recolher 1 folha em cada (a inferior); marcar as plantas e repetir a recolha mais duas vezes nas mesmas plantas, em Outubro e Dezembro.
• Determinação analítica – duplicado, método
previamente validado para esta matriz, incluindo MRC – incerteza analítica
Caso IV – altura da colheita
Couve galega
• Teor em β–caroteno e luteína variou significativamente ao longo do tempoDiferença mínima significativa, nível de confiança de 5%
Mesma variedade, mesmas plantas
Junh o Ou tub ro Dez em bro 0 1 2 3 4 5 6 7 8 T e o r d e c a ro te n ó id e s (m g /1 0 0 g )
Carotenóides em Couve Galega por mês de colheita, mesmas plantas
β-Caroteno Luteína β-caroteno luteína uanalr (%) 10 13 svarr (n=3)(%) 45 32 n (10%), ano 487 176 n (20%), ano 122 44
Caso V – diferentes variedades
Maçã de Alcobaça IGP
• Protocolo de amostragem (estratificada)–
adquirir embalagens de 2 kg das 5 variedades de maçã de Alcobaça IGP disponíveis na maior cadeia de hipermercados portuguesa; para uma das variedades adquirir mais 4 embalagens
• Determinação analítica – duplicado, método
previamente validado para esta matriz, incluindo MRC – incerteza analítica
Caso V – diferentes variedades
Maçãs IGP Alcobaça
Diferentes variedades, mesma região
0 0,005 0,01 0,015 0,02 0,025 0,03 0,035 T e o r d e c a ro te n ó id e s (m g /1 0 0 g ) gol den delic ious jon agol d rei neta par da roy al g ala sta rkin g
Carotenóides in 5 variedades de Maça IGP Alcobaça
β-criptoxantina Zeaxantina Luteína β-caroteno
β-caroteno uanalr (%) 15
svarr (n=5)(%) 48
n (10%), 5 variedades 285
n (20%), 5 variedades 72
• Reineta parda, royal gala e starking não apresentam diferenças
significativas com base na incerteza analítica
• Golden delicious e jonagold não
apresentam diferenças significativas com base na incerteza analítica
• As 5 variedades não apresentam
diferenças significativas com base na combinação da incerteza analítica com a da amostragem
Componentes analítica e da amostragem na
determinação de carotenóides
Incerteza analt (U), desvios padrões combinados da amost e variab (sexp) e proporção da variância da
amost e variab (vexp) em relação à variância total
0 20 40 60 80 100 120 140 160 Toma te (lic ) Toma te (lu t) C. tr onch uda ( lut) C. ga lega ( lut) U ( % ), s e x p ( % ) (n ív e l d e c o n fi a n ç a , 5 % ) 0 20 40 60 80 100 120 R a z ã o v e x p /v to ta l
Conclusões
Teor de carotenóides nos alimentos é muito variável (espécie, variedade, local geográfico, altura da colheita)
Produção de dados Nacionais
Caracterização completa das amostras
A variabilidade e a incerteza condicionam o número de amostras a analisar para a obtenção de dados representativos
Recorrer a amostras compósitas, “pools”, (limitações económicas e temporais)
A afectação de recursos para a obtenção de dados para as BDCAs
deve ser proporcional ao seu contributo para a quantidade ingerida para diminuir erros nos estudos realizados a partir destes dados
Actualmente não é possível ter BDCAs com dados com a mesma
exactidão de uma massa mas devem ser feitos esforços para que estes dados sejam representativos, fazendo uma boa amostragem, tendo em consideração a variabilidade da composição dos alimentos