3.3 Portugal
3.3 Portugal
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Dificuldades e
Dificuldades e
Crescimento
Crescimento
Económico
Económico
País europeu de vocação atlântica, Portugal partilha osPaís europeu de vocação atlântica, Portugal partilha os
destinos da Europa e as flutuações do seu comércio. O
destinos da Europa e as flutuações do seu comércio. O
século XVII, começa sob o signo das dificuldades
século XVII, começa sob o signo das dificuldades
económicas, que procura resolver implementando
económicas, que procura resolver implementando
medidas proteccionistas. Já no século XVIII mostra-se
medidas proteccionistas. Já no século XVIII mostra-se
mais propício. A descoberta do ouro, no Brasil, traz um
mais propício. A descoberta do ouro, no Brasil, traz um
breve desafogo económico, mas intenso, que marca o
breve desafogo económico, mas intenso, que marca o
reinado de D. João V; no fim do século, é a política
reinado de D. João V; no fim do século, é a política
económica do Marquês de Pombal que dá os seus
económica do Marquês de Pombal que dá os seus
frutos. Vive-se, então, um período de acentuada
frutos. Vive-se, então, um período de acentuada
prosperidade.
3.3.1. Da crise comercial de finais
3.3.1. Da crise comercial de finais
do século XVII à apropriação do
do século XVII à apropriação do
ouro brasileiro pelo mercado
ouro brasileiro pelo mercado
britânico
britânico
No século XVII, Portugal vivia sobretudo da reexportaçãoNo século XVII, Portugal vivia sobretudo da reexportação
dos produtos coloniais, tais como o
dos produtos coloniais, tais como o
nota 1
nota 1 – – pág. 104) e as pág. 104) e as
Em meados do século XVII, os Holandeses, expulsos do
Em meados do século XVII, os Holandeses, expulsos do
Brasil, transportaram para as Pequenas Antilhas (1) as
Brasil, transportaram para as Pequenas Antilhas (1) as
técnicas de produção de açúcar e tabaco que, no litoral
técnicas de produção de açúcar e tabaco que, no litoral
brasileiro, tinham aprendido. Estes cultivos rapidamente
brasileiro, tinham aprendido. Estes cultivos rapidamente
se generalizaram também aos territórios franceses e
se generalizaram também aos territórios franceses e
ingleses
ingleses
O Prof. Alberto Telmo de Araújo
O Prof. Alberto Telmo de Araújo
açúcar
açúcar,, tabacotabaco (ver (ver
especiarias.
Pequenas Antilhas (1)
As
Caribe.
Elas são formadas por picos de 18 vulcões,
dispostos por mais de 700 km, na zona de encontro
das placas tectónicas do Caribe e da América do
Sul. Elas também são conhecidas como
(mais ao sul). Às vezes, a parte meridional das
Antilhas Holandesas (Bonaire e Curaçao), Aruba e
também Trinidad e Tobago não são classificados
como pertencentes à região (
O Prof. Alberto Telmo de Araújo
Pequenas Antilhas formam uma região do
Ilhas de
Sotavento (as mais ao norte) e Ilhas de Barlavento
Continuação …
Deste modo, a Holanda, França e Inglaterra, que
constituíam os nossos principais mercados, passam a consumir as suas próprias produções, reduzindo acentuadamente as compras feitas a Lisboa (ver doc.26-A).
Os efeitos negativos destas novas zonas produtoras,
conjugadas com a política proteccionista de Colbert e a
concorrência sofrida no comércio asiático,
desencadearam uma crise comercial grave que, se não foi exclusivamente portuguesa, assumiu aqui maiores proporções que nos restantes países da Europa.
Continuação …
Entre e
auge, os armazéns de
mercadorias sem compradores. O excesso de oferta reflectiu-se, de forma dramática, nos preços, que baixaram sem cessar (ver doc. 25). Para cúmulo, decaíram também as vendas de sal aos mercadores holandeses que aqui deixavam, em troca, boa prata
espanhola adquirida em (ver nota, pág. 105).
. 1670 1692, época em que a crise atingiu o seu
Lisboa abarrotavam de
Sevilha
Esta grave crise privou Portugal dos meios necessários ao pagamento dos produtos industriais que importava
O surto manufatureiro
(
estrangeiro pareceu aos nossos governantes a solução mais viável. Os esforços foram, pois, no sentido do
.
O panorama da nossa indústria era, nesta época, desolador. A dependência do estrangeiro no ramo dos lanifícios, o mais importante, era quase total. A lã alentejana, exportada em bruto para Espanha e Inglaterra, reentrava, depois, na forma de tecidos acabados. Nos outros sectores, a situação era idêntica.
O Prof. Alberto Telmo de Araújo
Cont.) Produzir internamente o que até aí se adquiria ao desenvolvimento das manufaturas
Continuação …
Embora a ideia de estivesse já na
forja, foi o impacto da obra Discurso sobre a Introdução
das Artes no Reyno , de Duarte Ribeiro de Macedo,
embaixador em Paris, e por isso muito em contato com o colbertismo, que deu o impulso necessário ao arranque das manufaturas portuguesas (ver doc. 26).
Nesta política distinguiram-se os de
D. Pedro II,
Fronteira e, sobretudo, , 3º Conde da
Ericeira (ver doc. 27, pág. 106).
industrializar o país
vedores da fazenda
D. João de Mascarenhas, 1º Marquês de D. Luís de Meneses
Continuação …
Desde que assumiu o cargo, em 1675, este ministro, a
quem chamaram o Colbert português, procurou
1. ,
2.
3. ,
equilibrar a balança comercial do reino substituindo as importações por artigos de fabrico nacional. Neste sentido:
Procedeu à contratação de artífices estrangeiros sobretudo ingleses, holandeses e venezianos;
Criou indústrias, às quais concedeu privilégios e subsídios;
Praticou uma política protecionista da indústria nacional através da promulgação de
proibiam o uso de diversos
( ,
leis pragmáticas, que produtos de luxo importados
) chapéus, rendas brocados, tecidos
Continuação …
4. Recorreu
à desvalorização monetária com o fim de
tornar os produtos portugueses competitivos no
mercado externo e, simultaneamente, encarecer
os artigos que, de fora, nos chegavam
.Ainda de acordo com os preceitos do mercantilismo, , ás quais
se deram privilégios fiscais: a ,
para o tráfico de escravos, a
destinada ao comércio brasileiro, e outras que, a partir
de , operavam na
criaram-se várias companhias monopolistas
Companhia do Cachéu Companhia do Maranhão,
Goa África Oriental, na China e em
A inversão da conjuntura e a
descoberta do ouro brasileiro
Cerca de 1690, a crise comercial dá sinais de se
extinguir. Uma série de conflitos político-militares transforma as relações comerciais entre os países europeus, prejudicando Holandeses e Franceses, os nossos mais directos concorrentes.
As exportações portuguesas saem, então, do marasmo
em que se encontravam: escoam-se os stocks dos armazéns, os preços das mercadorias coloniais elevam-se e, em simultâneo, reactivam-elevam-se as vendas dos tradicionais produtos do reino
sobretudo, o vinho impõem-se nos mercados: o sal, o azeite e,
Continuação …
A esta retoma do sector comercial veio-se juntar a
concretização de um velho sonho;
A esperança de que o subsolo brasileiro albergasse
riquezas semelhantes às da América espanhola levou a que muitas
a descoberta de importantes jazidas de ouro no Brasil ver nota, pág.109). expedições do século XVI ao século XVIII, partissem do litoral, embrenhando-se na floresta. Eram grupos de colonos e aventureiros, em geral armados, e organizados de forma paramilitar e empunhando um
estandarte – daí o nome de bandeiras -, afrontavam os
perigos, na esperança de encontrarem minas e aprisionarem nativos.
Continuação …
Estas expedições, na sua grande maioria de iniciativa
particular, tiveram como centro
inicialmente habitada por gente de poucos recursos que, não tendo possibilidades de adquirir escravos negros para as
apresamento e comércio de nativos.. Embora formalmente proibido pela lei, a captura destes escravos só diminuiu em meados do século XVII, quando os bandeirantes tomaram como objectivo prioritário a
procura de .
São Paulo, vila atividades domésticas e agrícolas, recorria ao
Continuação …
Inicia-se então um período de pesquisa intensa, que a
Coroa portuguesa procurou estimular. Entre e
descobrindo-se ricas jazidas de ouro nos territórios de
Uma súbita sensação de riqueza invadiu então Portugal.
Só entre 1695 e 1703 , o país recebeu mais ouro do que,
no seu conjunto, nos tinha chegado da e
todo, na
no país cerca de .
1693 1725, estes esforços foram coroados de êxito, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, entre outros.
Guiné Mina. Ao primeira metade do século XVIII, terão entrado
Mapa do Brasil (ação dos
Bandeirantes)
Continuação …
Suporte do esplendor que dourou o reinado de D. João
V, o ouro brasileiro não se revelou um incentivo ao desenvolvimento económico: pelo contrário (ler último parágrafo da página 110).
À medida que a crise social se desvanecia, Portugal
via-se novamente em situação de poder adquirir, no estrangeiro, os produtos industriais necessários ao consumo interno. Além de que a liquidez proporcionada pelo ouro brasileiro permitia redobradas facilidades de pagamento.
A apropriação do ouro brasileiro pelo mercado
britânico.
Continuação …
Neste contexto,
Em 1703. o projecto industrializador recebe mais um
rude golpe: a assinatura do (ver
o país encontra, de novo, a sua vocação mercantil e o esforço industrializador esmorece. A incapacidade de fazer cumprir as pragmáticas, bem como a fraca qualidade dos produtos fabricados, concorreu também para a decadência das nossas unidades industriais (ver nota, pág.112).
Tratado de Methuen
doc.32). Nos termos deste acordo, os tecidos de lã ingleses e outras manufacturas seriam admitidos sem restrições em Portugal, anulando assim, as leis pragmáticas que os proibiam.
Continuação …
Em troca, os vinhos portugueses entrariam em Inglaterra
pagando apenas dois terços dos direitos exigidos aos vinhos franceses. Este tratado foi durante muito tempo responsabilizado pela derrocada da nossa indústria e pela subsequente preponderância britânica.
Na realidade,
que os Portugueses pagavam em benefícios económicos o apoio da Inglaterra à causa da Restauração.
O estimulou o crescimento das
exportações dos nossos vinhos (ver doc.32) que, desde o Tratado não fez mais do que acelerar processos já em curso. Desde meados do século XVII
Continuação …
… então, ficaram para sempre no gosto dos ingleses,
mas originou uma enorme dependência neste sector: em 1777, o mercado britânico representava 94% das nossas exportações vinícolas (ver nota, pág.113).
Simultaneamente
, não parando de crescer até 1761, ano em que atingiu a cifra de 1.061,049 Libras.
Este défice, pago em numerário, foi o maior caudal por
onde se esvaiu a riqueza do Brasil. Calcula-se que, por
esta via, recebido
tenha ido parar às
o défice comercial com a Inglaterra atingia cifras alarmantes
cerca de três quartos de todo o ouro