(356C) O IMPACTO DOS ATIVOS BIOLÓGICOS NOS INDICADORES
ECONÔMICO-FINANCEIROS DAS EMPRESAS LISTADAS NA BM&F
BOVESPA S/A
ISABEL CRISTINA GOZER
Universidade Paranaense (UNIPAR) [email protected]
WILLER CARLOS DE OLIVEIRA Universidade Paranaense (UNIPAR) [email protected]
PEDRO VINICIUS SILVA CUNHA Universidade Paranaense (UNIPAR) [email protected]
RESUMO
A avaliação dos ativos biológicos apresenta como objetivo determinar o valor justo de ativos vivos, como plantas, animais e produtos agrícolas. A discrepância entre o valor contábil dos ativos e seu valor de mercado é ha muito tempo motivo de vários estudos científicos. Desta forma, nas últimas décadas, órgãos responsáveis pelas normas de contabilidade de diversos países se propuseram a discutir um padrão único a ser adotado, que incluía minimizar a distância dos valores contábeis e de mercado, chamado IFRS. Nos últimos anos órgãos responsáveis pelas normas de contabilidade adotaram as IFRS (International Financial Reporting Standards) para tornar a apuração de resultados mais semelhantes em todo o mundo. No Brasil as empresas tiveram que se adequar as novas normas contábeis, publicando suas demonstrações consolida-das conforme as novas especificações. Dentre os itens patrimoniais que foram afetados está a mensuração dos ativos biológicos, que para empresas do segmento agropecuário altera expressivamente seu patrimônio. As atividades agrícolas caracterizadas na norma contábil devem avaliar seus ativos biológicos de maneira que os ativos sejam avaliados pelo valor justo e também deve se mensurar seus ativos biológicos quando a empresa controla seus ativos como resultado de eventos passados. No entanto foi realizado um estudo das demonstrações financeiras consolidadas das empresas Klabin S/A, Duratex S/A e Fibria S/A, listadas na BM&FBovespa no exercício social de 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015. A partir dos dados extraídos, foram calculados através dos indicadores econômico-financeiros os impactos que causam no balanço patri-monial da empresa, a adoção ou não do valor justo dos ativos biológicos. A análise dos Índices Econômico--Financeiros das empresas citadas se faz necessário para que seja possível evidenciar com mais confiança o impacto do não reconhecimento dos ativos biológicos e seu valor justo. A pesquisa utilizou as análises dos índices econômico-financeiros: estrutura de capital, liquidez e rentabilidade para elaboração dos re-sultados, que mostraram que a adoção contábil desses ativos permite maior exatidão nos valores reais dos seus ativos biológicos com o reconhecimento gradativo da evolução positiva ou negativa de seus produtos agrícolas aumentando em média 20,26% no total do ativo da Klabin S/A, 15,35% na Duratex S/A e 12,75% na Fribia Celulose S/A.
1. INTRODUÇÃO
Vivencia-se um período de mudanças no ambiente contábil, econômico e político. Mudanças impor-tantes aconteceram nas demonstrações financeiras das companhias brasileiras com a nova Lei das S/A 11.638/07 e com a criação do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
O International Financial Reporting Standards (IFRS) e as novas normas contábeis brasileiras, e os CPCs (emitidos pelo comitê de pronunciamentos contábeis) são modelos contábeis ajustáveis para as insti-tuições financeiras demonstrarem sua contabilidade, na expectativa de aumentar a qualidade das informa-ções e sua adequação.
Tendo o Pronunciamento Técnico CPC 29 – Ativos Biológicos e Produtos Agrícolas que estabelece que os ativos biológicos devam ser mensurados ao valor justo, menos as despesas de venda no momento do re-conhecimento inicial, e no final de cada período que compete. Gerar valor ultrapassa o sentido da diferença positiva entre as receitas e despesas, devendo expressar um potencial ou uma expectativa mínima de ganho dos proprietários, que supere o custo de oportunidade. Segundo NETO (2008), mesmo quando há redução do lucro nos demonstrativos pode-se criar valor aos acionistas.
Apresentando como objetivo deste artigo é tornar simples as informações do processo de adequação as novas normas contábeis e a evidenciação dos ativos biológicos e produtos agrícolas nas empresas Klabin S/A, Duratex S/A e Fibria Celulose S/A, analisando suas demonstrações financeiras através dos índices eco-nômico-financeiros, avaliando o desempenho passado e atual das empresas a fim de verificar se a evidencia-ção dos ativos biológicos aumenta ou diminui a situaevidencia-ção patrimonial das empresas pesquisadas.
A pesquisa visa comparar a variação no valor das empresas listadas na BM&FBovespa nos triênios de 2010 a 2012, e 2013 a 2015, calculando antes e depois da adoção do valor justo para os ativos biológicos. Sendo possível perceber a importância da informação contábil para mensuração do valor da empresa ba-seado nos dados contábeis.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Nova Contabilidade
As IFRS (International Financial Reporting Standards) são normas internacionais de contabilidade, um conjunto de pronunciamentos emitidos pelo International Accouting Standards Board (IASB). Os pri-meiros pronunciamentos contábeis foram publicados pela IASC (International Accouting Standards Com-mite) em 1973.
Na busca por informações transparentes e comparativas das demonstrações financeiras e a multiciona-lização, foi necessário uma reestruturação do IASC e a criação do International Accouting Standards Board (IASB), para que assim, as demonstrações tornassem passiveis de análise e fácil entendimento para todos os países. O que antes atingia apenas sociedades anônimas e algumas limitadas, atualmente alcança todas as entidades com fins lucrativos, sendo conhecida internacionalmente, usando de uma linguagem única que permita a comparação das demonstrações contábeis em diferentes mercados.
Além de possui uma versão resumida das IFRS para pequenas e médias empresas e sua obrigatorieda-de, ainda são poucas as que fornecem os balanços contábeis no padrão exigido.
A aceitação ao IFRS ocorreu em 2002, quando a Comissão Européia decidiu que cerca de 7000 compa-nhias européias deveriam utilizar as normas contábeis para divulgar suas demonstrações de forma padro-nizada, e o prazo para que essa adequação ocorresse em 2005, assim todas as empresas apresentariam suas demonstrações financeiras consolidadas (ERNEST & YOUNG, 2010).
2.2 IFRS no Brasil
Para o Brasil, se adequar as normas internacionais era fundamental, e a contabilidade brasileira sofre-ria uma revolução. A grande convergência contábil deste século são as normas internacionais de contabili-dade que estão sendo aplicadas a todas as empresas de fins lucrativos do Brasil.
Segundo Ernst & Young e FIPECAFI (2010, p. XXIII)
O sistema contábil brasileiro, que sempre sofreu forte influencia do ambiente fiscal, é fortemente baseado em regras definidas, ao passo que as IFRS tem sido tradicionalmente baseados em princípios, bem menos detalhados, com grande ênfase na substancia econômica das operações e no exercício de julgamento. Os pro-fissionais brasileiros terão, como primeira tarefa, que entender essa estruturação da IFRS e como ela afeta a interpretação e aplicação de cada norma especifica.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco Central do Brasil (BACEN) são dois dos principais órgãos que normatizam o sistema financeiro do Brasil, mostrando as diretrizes à regulamentação e adequa-ção a contabilidade internacional, juntamente com as demonstrações financeiras consolidadas elaboradas de acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, também conhecidos como CPC.
A CVM em 2010 editou a instrução nº485/10 que altera a nº457/07 referente à demonstração finan-ceira consolidada em IFRS. O objetivo dessa alteração é estabelecer que as demonstrações contábeis con-solidadas a serem apresentadas a partir do exercício de 2010, em IFRS, sejam elaboradas com base nos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Após a instrução CVM nº 457 ser editada, em 2007, o CPC não havia, ainda, emitido o conjunto de pronunciamentos alinhados com as normas internacionais de contabilidade. Hoje, com a emissão dos pro-nunciamentos e a aprovação expressa da CVM, o processo está substancialmente concluído. A instrução também estabelece que a adoção de novas IFRS, com vigência antecipada permitida pelo IASB ou a adoção de alternativas previstas, está condicionada à prévia aprovação em ato normativo da CVM.
O objetivo principal do IFRS é nas demonstrações financeiras consolidadas, nos resultados econômicos de cada empresa (controladoras e controladas).
No Brasil além das normas contábeis (IFRS) também é necessário aplicar outras técnicas contábeis e incluir informações adicionais que de acordo com IFRS não são necessárias. Como exemplo no Brasil o valor agregado é uma informação adicional e a reavaliação do bem é proibida.
As mudanças nas normas brasileiras vieram com a aprovação da Lei nº 11.638/07 que alterou a Lei nº 6.404/76 Lei das S.A., convergindo às normas internacionais de contabilidade e enfatizando o CPC que é elemento fundamental para os demonstrativos contábeis e fiscais.
A Lei nº 11. 638/07 determina que as normas expedidas pela CVM devam ser elaboradas em consonân-cia com os padrões internacionais de contabilidade (IFRS), além de tornar obrigatória a elaboração e apre-sentação da demonstração dos fluxos de caixa para todas as empresas abrangidas pela lei e a demonstração do valor adicionado para as companhias abertas (IUDICIBUS, et al, 2010).
De acordo com a Lei nº 11. 638/07, as demonstrações contábeis obrigatórias são: a) Balanço patrimonial;
b) Demonstração do resultado;
c) Demonstração das mutações do patrimônio líquido; d) Demonstração dos fluxos de caixa;
e) Demonstração do valor adicionado; f) Notas explicativas.
2.3 Ativos biológicos e atividades agrícolas
Classificados como animais e plantas vivas passíveis de transformação biológica, desde o seu reconheci-mento inicial: nascireconheci-mento, crescireconheci-mento e morte, como também dependente condições climáticas que podem afetar seu valor. Quando esse ativo para de produzir ou conclui a vida, o ativo passa a ser classifico como produto agrícola. Como exemplo de ativo biológico uma plantação de eucalipto, que a partir do momento em que essa árvore é cortada ela é transformada em madeira e passa a ser um produto agrícola (MARION, 2010).
O pronunciamento técnico CPC 29 – Ativos Biológicos e Produtos Agrícolas (IAS-41) determina os pro-cedimentos contábeis a serem adotados para empresas que possuem atividades agrícolas.
CPC 29, parágrafo 44:
Ativos biológicos consumíveis são aqueles passíveis de serem colhidos como produto agrícola ou vendidos como ativos biológicos. Exemplos de ativos biológicos consumíveis são os rebanhos de animais mantidos para a produção de carne, rebanhos mantidos para a venda, produção de peixe, plantações de milho, cana-de--açúcar, café, soja, laranja e trigo e árvores para produção de madeira. Ativos biológicos para produção são os demais tipos como, por exemplo: rebanhos de animais para produção de leite, vinhas, árvores frutíferas e ár-vores das quais se produz lenha por desbaste, mas com manutenção da árvore. Ativos biológicos de produção não são produtos agrícolas, são, sim, autorrenováveis.
Podemos caracterizar os ativos biológicos em duas classes: os consumíveis que são os gados destinados a produção de carne, gado para venda, plantação de milho, trigo e árvores para obtenção de madeira e os de produção, que não são diretamente consumíveis, por exemplo, gado leiteiro, árvore de fruto e árvore para produção de lenha sendo que as matrizes permanecem vivas.
CPC 29, parágrafo 45:
Ativos biológicos podem ser classificados como maduros ou imaturos. Os maduros são aqueles que alcança-ram a condição para serem colhidos (ativos biológicos consumíveis) ou estão aptos para sustentar colheitas regulares (ativos biológicos de produção).
Já os ativos biológicos que não atingiram a colheita final ou que não sejam perceptíveis a colheitas re-gulares, são classificados como ativos biológicos imaturos.
Essas atividades envolvem basicamente o gerenciamento ao processo de transformação de ativos bio-lógicos, que são animais e plantas vivas, em produtos agrícolas para fins de comercialização. Os produtos resultantes de processamento após a colheita não são objeto do CPC 29 (CPC 29).
As atividades agrícolas caracterizadas na norma contábil devem avaliar seus ativos biológicos de ma-neira que os ativos sejam avaliados pelo valor justo e também deve se mensurar seus ativos biológicos quando a empresa controla seus ativos como resultado de eventos passados.
Antes do CPC 29, os Ativos Biológicos estavam sendo contabilizados no instante da concretização (rea-lização) da receita ou venda deste ativo. Logo, não existia a contabilidade agropecuária, por isso surge o CPC 29 para regulamentar esta ação.
Marion (2012), propõe que os ativos biológicos estão em constantes mudanças, e que merecem avalia-ções continuadas. Pois, além de aumentar o Ativo, produzem ganhos econômicos para a entidade, devendo ser reconhecido na Demonstração de Resultado como Receita enquanto o produto não for vendido.
Para a avaliação dos ativos biológicos os métodos usados são:
· Valor Justo: que pode ser obtido através de uma cotação no mercado;
· Não havendo valor de mercado de um produto, recomenta-se fazer a análise de transações ocorri-das e determinar o valor do bem;
· Não sendo possível realizar os tópicos acima, utilizar uma base de um produto simular;
· No caso de produção em andamento, utiliza-se o fluxo de caixa descontado, estabelecendo preço final, trazendo a valor presente.
Entretanto se o valor justo não puder ser mensurado de forma confiável os ativos biológicos deveram ser avaliados pelo seu valor de custo.
Segundo o CPC 46 (2012, p. 2)
O valor justo é uma mensuração baseada em mercado e não uma mensuração específica da entidade. Para alguns ativos e passivos, pode haver informações de mercado ou transações de mercado observáveis dis-poníveis e para outros pode não haver. Contudo, o objetivo de uma mensuração do valor justo em ambos os casos é o mesmo – estimar o preço pelo qual uma transação ordenada para vender o ativo ou para transferir o passivo ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração sob condições atuais de mercado (ou seja, um preço de realização na data de mensuração do ponto de vista de um participante do mercado que detenha o ativo ou passivo).
O CPC 29 afirma que: os ativos biológicos deverão ser mensurados a valor justo menos despesa de venda, utilizando para tanto o preço cotado em mercado ativo ou, na ausência de mercado ativo, transações recentes, preços de ativos similares ou padrões do setor.
Para determinar o valor, a empresa precisa avaliar o preço para o ativo biológico ou produto agrícola no mercado ativo, cotando seu valor justo e condições disponíveis. Com a ausência de mercado, o valor a ser utilizado como base deve seguir as transações efetuadas recentemente, disponíveis nas demonstrações financeiras ou fazer uso das cotações de ativos similares com a mesma precificação de mercado, caracteri-zando suas diferenças e ajustes necessários para obter uma avaliação transparente do valor justo, no qual pode ser atribuído o valor presente dos fluxos de caixa esperados do ativo futuramente (NAVARRO, 2013).
É importante ressaltar que o reconhecimento do ativo biológico ou produto agrícola deve ocorrer so-mente quando a empresa: (a) controla o ativo como resultado de eventos passados; (b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o ativo fluirão para a entidade; e (c) o valor justo ou custo do ativo puder ser mensurado confiavelmente (CPC 29).
Esta avaliação deve ser aplicada nas atividades agrícolas para contabilizar sua classificação conforme a característica de cada item, o CPC 29 apresenta alguns exemplos:
TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS ATIVOS BIOLÓGICOS
Ativos biológicos Produtos agrícolas Produtos resultantes de processamentos após colheita
Carneiros Lã Fio e Tapete
Plantação de Árvore Para Madeira Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha e presunto
Plantação de Algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa
Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhida Vinho
Árvore Frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto de borracha
Fonte: CPC 29
A empresa que esteja envolvida em exploração, avaliação ou extração de recursos minerais deve contabilizar os gastos na aquisição ou no desenvolvimento de ativos tangíveis e intangíveis para uso em atividades de ex-tração por meio do ativo imobilizado e do ativo intangível exceto ágio por expectativa de rentabilidade futura (Goodwill). Quando a empresa tiver obrigação de desmontar ou remover um item, ou recuperar o local utili-zado, deve contabilizar tais obrigações e custos pelas provisões, passivos Contingentes e ativos contingentes (NAVARRO, 2013, p. 68).
Nas atividades agrícolas as mudanças com o crescimento de palntas e animais afetam diretamente positiva ou negativamente os benefícios econômicos da empresa. Para o CPC 29, o ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo diminuindo as despesas de venda no momento do reconhecimento inicial e no fianl de cada período de competência.
2.4 Índices econômico-financeiros
Com a evolução das organizações, tornou-se necessário verificar e acompanhar a situação econômico--financeira das empresas e suas demonstrações financeiras.
Matarazzo (2007) relata que as demonstrações financeiras compreendem todas as operações efetua-das por uma empresa, traduziefetua-das em moeda e organizaefetua-das segundo as normas contábeis. Em consequência há um número enorme de informações que podem ser extraídas delas, inimagináveis não só para os leigos, mas até mesmo para muitas pessoas das áreas contábeis e financeiras.
As informações sobre a situação patrimonial da empresa auxiliam na tomada de decisões pelos seus gestores, demonstrando a realidade da empresa, sua capacidade de pagamento e aplicação de recursos fi-nanceiros disponíveis.
Dentre as ferramentas existentes para a verificação econômico-financeira das organizações destaca-se a análise dos índices econômico-financeiros que são baseados nas demonstrações contábeis que são divul-gadas pelas empresas (MARION, 2010).
Para o presente trabalho foram utilizados os índices de Liquidez (geral, corrente e seca), de Estruturas (grau de individamento, composição do individamento, imobilização do patrimônio líquido, imobilização dos recursos não correntes) e de Rentabilidade (giro do ativo, margem líquida, rentabilidade do ativo, ren-tabilidade do patrímônio líquido).
3. METODOLOGIA
Das empresas analisadas Klabin S/A, Duratex S/A e Fibria Celulose S/A, procurou-se obter a imple-mentação do CPC 29, que é especificar o reconhecimento contábil para o estoque dos ativos biológicos a valor justo, seu reconhecimento de ganhos e perdas provenientes de mudanças no valor justo dos ativos e a evidenciação dos métodos utilizados para determinar o valor justo.
Essa pesquisa caracteriza-se como descritiva, pois analisou os dados das empresas nos triênios de 2010 a 2012, e 2013 a 2015, observando os dados disponíveis na BM&FBovespa através dos balanços patri-moniais consolidados e notas explicativas. Com uma abordagem quantitativa, a pesquisa traduz em núme-ros as informações para serem classificadas e analisadas, utilizando-se de técnicas estatísticas. Assim este artigo caracteriza-se também como conceito exploratório descritivo onde os dados obtidos são analisados, e a interpretação dos resultados e a atribuição de valores são básicos no processo de pesquisa qualitativa.
As técnicas utilizadas como fonte de informação foram pesquisas bibliográficas, livros de diversos auto-res, CPC 29 e matérias de referência utilizando da metodologia do reconhecimento a valor justo.
Com base nos demonstrativos das empresas estudadas, será possível estimar os efeitos do não reco-nhecimento dos ativos biológicos ao seu valor justo, excluindo os efeitos de tal variação na demonstração do resultado de cada período em que ocorrem.
O reconhecimento de ganho ou perda na variação do valor justo ocorre em linha específica da demonstração do resultado, denominada “variação do valor justo dos ativos biológicos”, e tem reflexo direto em uma conta patri-monial de realização imediata ou de longo prazo, dependendo do período em que é feita a avaliação dos referidos produtos agrícolas durante um ciclo aproximado de 7-14 anos, tempo que engloba os processos de colheita e replantio das florestas de eucalipto e pinus, que fazem parte dos ativos biológicos das empresas em questão.
A pesquisa utilizou as análises dos índices econômico-financeiros: estrutura de capital, liquidez e ren-tabilidade para elaboração dos resultados.
4. HISTÓRICO DAS EMPRESAS
4.1 Klabin S/A
A Klabin S.A. e suas controladas atuam em segmentos da indústria de papel para atendimento aos merca-dos interno e externo: fornecimento de madeira, papéis de embalagem, sacos de papel e caixas de papelão on-dulado. Suas atividades são plenamente integradas desde o florestamento até a fabricação dos produtos finais. A Klabin é uma sociedade anônima de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo.
4.2 Duratex S/A
A Duratex S.A. é uma sociedade anônima de capital aberto com sede em São Paulo - SP, controlada pela Itaúsa – Investimentos Itaú S.A., com atuação destacada no setor financeiro e industrial e pela Companhia Ligna de Investimentos, que possui relevante atuação no mercado de varejo e distribuição de insumos para construção civil e marcenaria, atuando ainda na construção e locação de empreendimentos imobiliários. A Duratex e suas controladas têm como atividades principais a produção de painéis de madeira e louças e metais sanitários.
4.3 Fibria Celulose S/A
A Fibria tem como atividade preponderante o plantio de florestas renováveis e sustentáveis e a in-dustrialização e o comércio de celulose branqueada de eucalipto. A produção de celulose branqueada é realizada apenas a partir de árvores de eucalipto resultando em uma variedade de madeira dura de alta qualidade, com fibras curtas, geralmente melhor adequadas à fabricação de papel sanitário, papel revestido e não revestido para impressão e escrita.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
As três empresas abaixo analisadas estão sujeitas à aplicabilidade do CPC 29 no tratamento contábil de seus ativos biológicos e produtos agrícolas. As respectivas empresas têm como tipo de ativo biológico as Florestas de eucalipto e pinus, cuja suas porcentagens em relação ao total do ativo são:
Participação dos Ativos Biológicos em Relação ao Ativo Total
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 13,73% 17,32% 22,27% 24,41% 21,31% 22,53%
Duratex S/A 16,00% 15,40% 13,76% 14,21% 16,06% 16,70%
Fibria Celulose S/A 13,98% 14,49% 12,80% 11,82% 11,69% 11,73%
Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
Na Klabin S/A a participação dos ativos biológicos em relação ao seu ativo total é de 22,53% em 2010, e mantém o valor acima dos 20% até o ano de 2013. Já em 2014 e 2015 pode-se identificar uma queda des-sa relação, representando 17,32% e 13,73% respectivamente. A Duratex S/A apresenta 16,70%, 16,06% e 14,21% no primeiro trienio analisado e em seu segundo triênio, de 2013 a 2015, 13,76%, 15,40% e 16,00% respectivamente. E a Fibria Celulose S/A é a empresa que em média, desde 2010, manteve menor represen-tatividade dos ativos biológicos em relação ao seus ativos, sendo 11,73%, 11,69%, 11,82%, 12,80%, 14,49% e 13,98% respectivamente. Após esse tipo de análise pode-se observar que nas três companhias o percen-tual de participação dos ativos biológicos são significantes ao longo dos dois triênios analisados.
A análise dos Índices Econômico-Financeiros das empresas citadas se fazem necessário para que seja possível evidenciar com mais confiança o impacto do não reconhecimento dos Ativos Biológicos e seu Valor Justo. As tabelas a seguir evidenciam os números recolhidos dos balanços consolidados da Klabin S/A, Du-ratex S/A e Fibria Celulose S/A.
Com relação à Estrutura de Capital, pode-se destacar o índice de Imobilização do Patrimônio Líquido e a Imobilização dos Recursos não Correntes, índices esses, que influenciam diretamente o reconhecimento dos ativos biológicos.
No que se refere aos índices de liquidez, apenas a Liquidez Geral é influenciada pelo não reconheci-mento dos Ativos Biológicos e na análise dos índices de rentabilidade, todos os indicadores são impactados.
TABELA 5 – INDICADORES DE ESTRUTURA DE CAPITAL
Imobilização do Patrimônio Líquido Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 328,69% 188,06% 187,17% 178,31% 174,62% 162,87%
Duratex S/A 135,18% 130,22% 128,05% 134,05% 132,18% 130,19%
Imobilização do Patrimônio Líquido Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 261,31% 136,11% 125,57% 114,82% 119,85% 107,55%
Duratex S/A 103,95% 100,82% 102,26% 106,65% 102,55% 100,34%
Fibria Celulose S/A 154,96% 127,43% 120,90% 122,17% 133,21% 135,18%
Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
De acordo com a análise gerada com base nas informações extraídas das demonstrações financeiras ao longo de dois triênios, 2010 a 2015, as empresas Klabin S/A, Duratex S/A e Fibria Celulose S/A apresentam os seguintes dados de acordo com o reconhecimento dos ativos biológicos e aplicação da legislação em vigor.
A Imobilização do Patrimônio Líquido da Klabin S/A é representado por 328,69% em 2015, 187,17% em 2013 e 162,87 em 2010. O mesmo índice avaliado sem o reconhecimento dos ativos biológicos apresenta 261,31% em 2015, 125,57 em 2013 e 107,55 em 2010. Tomando como análise que quanto menor o índice melhor, esta análise permite identificar que considerando os Ativos Biológicos ou não, o valor investido na imobilização do patrimônio líquido ao longo de dois triênios aumentaram significantemente. Analisando de forma conjunta estas informações com a da representação dos ativos biológicos em seu ativo total, a parti-cipação dos ativos biológicos diminuíram ao longo dos triênios, podendo assim concluir que o investimento realizado foi realizado apenas em itens de Imobilizado.
A Duratex S/A é representada por 135,18% em 2015, 128,05% em 2013 e 130,19% em 2010 na sua composição da Imobilização do Patrimônio Liquido. O mesmo índice avaliado sem o reconhecimento dos Ativos Biológicos apresenta 103,95% em 2015, 102,26% em 2013 e 100,34% em 2010. Assim como na empresa avaliada anteriormente, embora em menor representação, a empresa Duratex S/A investe mais do que necessáriamente poderia em seu ativo permanente, fazendo com que a empresa dependa exclusiva-mente de capital de terceiro caso seja necessário buscar recursos para financiar o ativo circulante.
Já a Imobilização do Patrimônio Líquido da Fibria Celulose S/A é representada por 187,07% em 2015, 144,52% em 2013 e 158,23% em 2010. O mesmo índice avaliado sem o reconhecimento dos Ativos Biológicos apresenta 154,07% em 2015, 120,90% em 2013 e 135,18% em 2010. Da mesma forma que nas empresas anteriores o nível de investimento na imobilização do patrimônio líquido é maior que o seu capital próprio, não dando possibilidade de busca de recursos próprios caso seja necessário financiar operações operacionais.
TABELA 6 – INDICADORES DE ESTRUTURA DE CAPITAL
Imobilização de Recursos Não Correntes Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 76,14% 71,16% 76,81% 78,39% 80,10% 76,95%
Duratex S/A 80,93% 82,94% 81,32% 83,11% 86,05% 84,57%
Fibria Celulose S/A 90,54% 95,05% 93,91% 85,30% 87,16% 90,01%
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 60,53% 51,50% 51,53% 50,48% 54,98% 50,81%
Duratex S/A 62,23% 64,22% 64,95% 66,12% 66,76% 65,18%
Fibria Celulose S/A 75,00% 79,27% 78,56% 72,34% 74,59% 76,90%
A Klabin S/A mostra que a imobilização dos recursos não correntes se manteram estáveis ao longo dos dois triênios analisados, e que quando não se reconhece os Ativos Biológicos esse índice tende a melhorar. Da mesma forma que o anteior, quanto menor o índice melhor, e em regra, este índice não deve ser superior a 100%, pois sendo necessário buscar recursos para se investir na operacionalidade da empresa, a diferença para os 100% representa a sobra líquida disponível no exigível a longo prazo para se investir a longo prazo. O comportamento dos índices da empresa Duratex S/A ao longo dos triênios analisados também não oscilaram significativamente, representando em média 83,15% considerando os ativos biológicos e aproxi-madamente 65%, não considerando os ativos biológicos.
No entanto, os mesmos índices calculados para a empresa Fibria Celulose S/A apresentou-se com os maiores índices quando analisamos a imobilização dos ativos não correntes, sendo eles 90,54% em 2015, 93,91 em 2013 e 90,01% em 2015. O mesmo índice avaliado sem o reconhecimento dos Ativos Biológicos apresenta 75,00% em 2015, 78,56% em 2013 e 76,90% em 2010.
TABELA 7 – INDICADORES DE LIQUIDEZ
Liquidez Geral Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 0,66 0,87 0,90 0,95 0,92 1,00
Duratex S/A 1,07 1,08 1,06 1,01 1,05 1,08
Fibria Celulose S/A 0,92 1,07 1,00 0,94 0,84 0,83
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 0,48 0,61 0,55 0,55 0,58 0,62
Duratex S/A 0,74 0,76 0,76 0,71 0,70 0,70
Fibria Celulose S/A 0,68 0,73 0,72 0,69 0,60 0,59
Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
Analisando o grupo de Índices de Liquidez o de liquidez geral é o único afetado pelo não reconheci-mento dos ativos biológicos. Em sua interpretação, quanto maior for o índice melhor, sempre buscando resultados superiores a 1,00.
Ao longo dos triênios analisados da empresa Klabin S/A nota-se que apenas em 2010 o índice de liqui-dez geral foi superior a 1,00, atingindo ao longo dos triênios 0,90 em 2013 e 0,66 em 2015. Quando não se leva em considerção os ativos biológicos esse índice tende a piorar, representando 0,62 em 2010, 0,76 em 2013 e 0,48 em 2015, resultados bastantes expressivos.
A Duratex S/A foi a única que ao longo dos triênios analisados se manteve acima de 1,00, representando 1,07 em 2015, 1,06 em 2013 e de 1,08 em 2010. Se não considerarmos os ativos biológicos pode-se notar a variação negativa de 0,33 pontos percentuais em 2015, de 0,30 e em 2012 e de 0,38 em 2010.
O comportamento dos índices da empresa Fibria Celulose S/A apresenta resultados satisfatórios ape-nas nos anos de 2014 com 1,07 e em 2013 com 1,00. Não levando em consideração os ativo biológicos seus índices seguem comportamentos semelhantes aos das empresas anteriores, apresentando váriações nega-tivas em todos os anos, 0,24 em 2015, 0,28 em 2013 e de 0,24 em 2010.
TABELA 8 – INDICADORES DE RENTABILIDADE
Giro do Ativo Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 0,22 0,23 0,31 0,30 0,31 0,30
Duratex S/A 0,44 0,45 0,47 0,44 0,44 0,44
Fibria Celulose S/A 0,34 0,28 0,26 0,22 0,21 0,21
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A 0,25 0,28 0,40 0,39 0,39 0,39
Duratex S/A 0,52 0,54 0,55 0,51 0,52 0,53
Fibria Celulose S/A 0,40 0,32 0,30 0,25 0,24 0,24
Margem Líquida Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -22,03% 14,92% 6,31% 18,06% 4,70% 15,28%
Duratex S/A 4,84% 9,88% 13,43% 13,54% 12,62% 17,04%
Fibria Celulose S/A 3,54% 2,29% -10,08% -11,30% -14,83% 9,60%
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -31,46% -3,96% -1,00% -3,22% -2,26% 3,03%
Duratex S/A 1,70% 4,33% 8,49% 9,28% 7,44% 10,34%
Fibria Celulose S/A 3,54% 2,29% -10,08% -11,30% -14,83% 9,60%
Rentabilidade do Ativo Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -4,77% 3,45% 1,94% 5,33% 1,43% 4,57%
Duratex S/A 2,13% 4,47% 6,36% 5,93% 5,50% 7,57%
Fibria Celulose S/A 1,21% 0,64% -2,61% -2,48% -3,11% 1,99%
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -7,90% -1,11% -0,40% -1,26% -0,88% 1,17%
Duratex S/A 0,89% 2,32% 4,66% 4,73% 3,86% 5,52%
Rentabilidade do Patrimônio Líquido Com Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -23,41% 10,35% 5,38% 13,87% 3,69% 11,21%
Duratex S/A 4,15% 8,54% 11,92% 11,43% 10,15% 13,53%
Fibria Celulose S/A 2,79% 1,11% -4,81% -4,59% -5,97% 3,92%
Sem Ativos Biológicos
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Klabin S/A -33,43% -2,75% -0,86% -2,47% -1,77% 2,23%
Duratex S/A 1,46% 3,74% 7,53% 7,83% 5,98% 8,21%
Fibria Celulose S/A 2,79% 1,11% -4,81% -4,59% -5,97% 3,92%
Fonte: Dados da pesquisa, 2016.
Os indicadores de rentabilidade analisados estão diretamente relacionados à venda do período e os seus ativos. Para todos os índices a interpretação é mesma, quanto maior, melhor.
Para o índice de giro do ativo, quanto mais aproxima de 1,00 for o resultado melhor, representando o quanto a empresa vendeu para R$ 1,00 de investimento total. Tomando como base esse índice pode-se notar que nenhuma das empresas obteve resuldatos satisatórios ao longo dos dois triênios analisados, sendo seus resultados em sua maior parte menores que 0,50.
O índice de margem líquida leva em sua composição o lucro líquido e o total das vendas líquidas do período. Analisando todas as empresas seus resultados em volume de vendas foram crescentes em todos os anos, entretanto, o que pode-se observar é que margem líquida sobre as vendas sofreram maiores im-pactos devido a elevação do custo das operações da empresa. Nota-se também que este resultado sofre maior impacto caso a variação do valor justo dos ativos biológicos são apresentadas na DRE. Para a empresa Klabin S/A os índices sofreram variação negativa de -22,03% para -31,46% em 2015, 18,06% para -3,22% em 2012, e de 15,28% para 3,03% em 2010, e para empresa Duratex S/A de 4,84% para 1,70% em 2015, 13,54% para 9,28% em 2012 e de 17,04% para 10,34% para o ano de 2010. Como a empresa Fibria Celulose S/A não apresentou variação na conta de variações do valor justo dos ativos biológicos ao longo dos triênios analisados seus resultados foram semelhantes quando comparado entre si.
Para o cálculo dos índices de rentabilidade do ativo e do patrimônio líquido, além da valor do ativo total e patrimônio líquido, têm como base fundamental o lucro líquido em sua composição. Sendo assim, o mesmo comportamento dos resultados no cálculo da margem líquida sofrerão o mesmo reflexo no cálculo destes índices.
Analisando os índices de rentabilidade do ativo pode-se notar o mesmo comportamento identificado no índice de margem líquida. Ao longo dos triênio analisados a empresa Klabin S/A foi a que mais sofreu impacto ao não considerar os ativos biológicos, representando -7,90% em 2015, - 1,26% em 2015 e de 1,17 em 2010. Já a empresa Duratex S/A consegui mesmo com a variação negativa do índice conseguiu manter resultado positivo ao longo dos triênios analisados, representando 0,89% em 2015, 4,73% em 2012 e de 5,52% em 2010.
Da mesma forma, para os índices de Retabilidade do Patrimônio Líquido a empresa Klabin apresentou variação negativa de -23,41% para -33,43% em 2015, 13,87% para -2,47% em 2012 e de 11,21% para 2,23% em 2010. E a empresa Fibria Celulose S/A apresentou os mesmos resultados por não apresentar variação do valor justo dos ativos biológicos.
6. CONCLUSÃO
No presente trabalho verificou-se o impacto do ajuste a valor justo dos ativos biológicos nos indica-dores de valor das empresa do segmento florestal, segmento este que em ambos os cenários estudados apresentou impacto relevante ao longo de dois triênios avaliados (2010 à 2015), e como se comportam os índices considerando ou não em sua composição.
O estudo evidenciou que o reconhecimento das variações no valor justo dos ativos biológicos represen-tam em média 20,26% no total do ativo da Klabin S/A, 15,36% na Duratex S/A e 12,75% na Fribia Celulose S/A. Demonstrando que o total de ativo das empresas em questão com ou sem ajustes provenientes do CPC 29 podem ser agravados (ajustes negativos) ou amenisados (ajustes positivos) em seus ativos biológicos.
Dentre os índices de estrutura de capital pode-se destacar a elevação da imobilização do patrimônio líquido, que apresentaram um aumento médio de 203,25% de imobilização do patrimônio líquido da em-presa Klabin S/A, 131,65% para Duratex S/A e de 157,06 para Fibria Celulose S/A. Caso não seja conside-rado o impacto dos ativos biológicos, esse percentual apresenta redução de 59,05% no cálculo deste índice para empresa Klabin S/A, 28,88% para Duratex S/A e de 24,75% para Fibria Celulose S/A. Analisando a participação do grupo ativo não circulante ao cálculo deste índice é evidenciado que esse aumento se teve pelo aumento do imobilizado operacional, comporto por novas aquisições em máquinas, equipamentos e obras/instalações em andamento.
Analisando os resultados encontrados com base nos índices de liquidez e de rentabilidade, verificou-se que ambos se comportaram da mesma forma, sempre que foram considerados os ativos biológicos na ela-boração dos cálculos, os resultados obtidos favorecem uma análise otimista.
Contudo, pode-se afirmar que a IAS 41 e o CPC 29 melhoram a geração de informação de uma empresa, demonstrando que ao não considerar os devidos ajustes, os seus resultados podem demonstrar valores fan-tasiosos, dificultando a real interpretação de resultados para os usuários interessados.
REFERÊNCIAS
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