• Nenhum resultado encontrado

CONTROLE DE VELOCIDADE FUZZY - SENSORLESS APLICADO AO MOTOR DE

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "CONTROLE DE VELOCIDADE FUZZY - SENSORLESS APLICADO AO MOTOR DE"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

CONTROLE DE VELOCIDADE FUZZY - SENSORLESS APLICADO AO MOTOR DE INDU ¸C ˜AO TRIF´ASICO

William C´esar de Andrade Pereira, Carlos Matheus Rodrigues de Oliveira, Geyverson Teixeira de Paula, Thales Eugenio Portes de Almeida, Marcelo Patr´ıcio de Santana,

Manoel Luis de Aguiar∗

Escola de Engenharia de S˜ao Carlos - EESC

Universidade de S˜ao Paulo S˜ao Carlos, S˜ao Paulo, Brasil

Email: [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected]

Abstract— This work deals with the sensorless speed control for Three-phase Induction Motor in order to improve its operation at low speed and low frequency. We propose an approach using the Direct Torque Control (DTC) technique. The Model Adaptive Reference (MRAS) with Fuzzy Controler is chosen in order to estimate the rotor speed. This choice is based on its capability of high performance during Three-phase Induction Motor operation even if the machine’s parameters and the load change during the operation. At last, some simulations with diferent operational conditions at low speed are carried out in order to test the sensorless control. The results show a good perfomance and agreed with the results shown in recent papers.

Keywords— Direct Torque Control, Fuzzy Controler, MRAS, Three-phase Induction Motor

Resumo— Neste trabalho ´e apresentado um estudo sobre o controle de velocidade sensorless aplicado ao Motor de Indu¸c˜ao Trif´asico (MIT) visando sobretudo, melhorar o desempenho da m´aquina de indu¸c˜ao em aplica¸c˜oes na regi˜ao de baixa frequˆencia de opera¸c˜ao. Para tanto, prop˜oe-se uma abordagem utilizando a t´ecnica de controle Direct Torque Control (DTC). Para estimativa da velocidade do rotor ´e utilizado a estrat´egia baseado no Model Reference Adaptive Systems (MRAS) com mecanismo de adapta¸c˜ao fuzzy, a fim de se diminuir a sensibilidade aos parˆametros da m´aquina. O desempenho da estrat´egia de controle de velocidade sensorless proposta ´e testada em simula¸c˜oes com diferentes condi¸c˜oes de opera¸c˜ao buscando reproduzir alguns dos problemas encontrados em aplica¸c˜oes pr´aticas, utilizando o software Matlab. Os resultados obtidos foram condizentes com resultados encontrados na literatura, comprovando o bom desempenho do sistema de controle de velocidade sensorless proposto.

Palavras-chave— Sensorless, DTC, Controlador Fuzzy, MRAS, Motor de Indu¸c˜ao Trif´asico 1 Introdu¸c˜ao

As estrat´egias de controle sensorless (sem sensor de posi¸c˜ao do rotor) s˜ao importantes devido `a di-ficuldade do uso de encoders em algumas aplica-¸

c˜oes, somado ao custo elevado do equipamento, que muitas vezes pode ser maior do que o pr´ o-prio custo do motor. Segundo Martins (2006) al-gumas das vantagens da elimina¸c˜ao de sensores mecˆanicos s˜ao: o conjunto de acionamento ´e redu-zido e consequentemente a demanda por manuten-¸

c˜ao; aumento da confiabilidade, pois alguns acio-namentos est˜ao sujeitos a ambientes hostis, prin-cipalmente nas industrias.

As t´ecnicas sensorless para o acionamento do MIT, tˆem sido estudadas por mais de trˆes d´ eca-das (Holtz, 2006). Entretanto, o desempenho eca-das estrat´egias de controle sensorless ´e limitado. Al-gumas t´ecnicas apresentam bom desempenho para a estima¸c˜ao da velocidade com parˆametros nomi-nais, exceto em baixa velocidade (regi˜ao de baixa frequˆencia). O fraco desempenho na regi˜ao de baixa frequˆencia ´e devido, principalmente, a maior sensibilidade dos estimadores e observadores `as mudan¸cas nos valores dos parˆametros da m´aquina, ausˆencia de modelos das n˜ao-linearidades e ru´ıdos dos sensores (Lascu et al., 2005).

Diversos trabalhos podem ser encontrados na literatura dedicados `a melhoria dos m´etodos sen-sorless, podendo ser separados em: com inje¸c˜ao de sinal; e sem inje¸c˜ao de sinal. Durante os ´ultimos anos as t´ecnicas sensorless baseadas na inje¸c˜ao de sinal de alta frequˆencia evolu´ıram, podendo at´e mesmo garantir o controle do torque em veloci-dade zero. As t´ecnicas sensorless sem o uso de inje¸c˜ao de sinal de alta frequˆencia utilizam o mo-delo da m´aquina para extrair informa¸c˜oes sobre a for¸ca contra eletromotriz, sendo que esse m´ e-todo ´e sem d´uvida o mais utilizado, uma vez que a implementa¸c˜ao ´e simples e os resultados obti-dos apresentam precis˜ao na maioria dos pontos de opera¸c˜ao (Lascu et al., 2009).

A t´ecnica de modelo de referˆencia adaptativo (MRAS) ´e usada tanto para controle quanto na estima¸c˜ao de estados do MIT, sendo que, sua im-plementa¸c˜ao ´e relativamente simples e requer me-nos esfor¸co computacional em compara¸c˜ao a ou-tros m´etodos (Gayathri et al., 2012).

Durante as duas ´ultimas d´ecadas, os modelos de referˆencia adaptativos vˆem sendo usados para a estima¸c˜ao de estados, principalmente a veloci-dade do rotor da m´aquina de indu¸c˜ao (Tarchala et al., 2011). Um dos MRAS mais utilizados para a estima¸c˜ao da velocidade ´e baseado no fluxo do

(2)

rotor (MRAS-RF). Esse estimador foi inicialmente proposto por Schauder (1992) e tem como caracte-r´ıstica o bom desempenho na estima¸c˜ao em m´edia e alta velocidade, entretanto, ´e sens´ıvel a varia¸c˜ao das resistˆencia da m´aquina, sendo mais afetado em baixas velocidades quando um pequeno erro no valor das resistˆencias pode levar o sistema `a instabilidade (Gadoue et al., 2009).

V´arios esquemas vˆem sendo desenvolvidos para solucionar as dificuldades apresentadas pelo MRAS-RF. Em Haron and Idris (2006) ´e anali-sado o MRAS baseado na for¸ca contra eletromo-triz (BKMF-MRAS). Esse estimador utiliza como modelo de referˆencia a for¸ca contra eletromotriz, assim, evita-se o uso da integra¸c˜ao pura e, por-tanto, elimina-se os problemas de drift e offset encontrados no estimador MRAS-RF. Entretanto, o BKMF-MRAS apresenta dificuldades de imple-menta¸c˜ao por necessitar do c´alculo da derivada da corrente de magnetiza¸c˜ao, sensibilidade nos ajuste de ganhos do mecanismo de adapta¸c˜ao e tamb´em como o MRAS-RF, apresenta dependˆencia da re-sistˆencia do estator e rotor.

Para melhorar o desempenho do estimador MRAS, Maiti et al. (2007) apresentaram uma abordagem baseada na potˆencia reativa, sendo que o estimador proposto n˜ao apresenta integra-¸

c˜oes e dependˆencias das resistˆencias da m´aquina. O modelo foi utilizado para a estima¸c˜ao da cons-tante de tempo el´etrica do rotor e da velocidade. Por´em, os autores afirmam que este m´etodo n˜ao tem bom desempenho quando a m´aquina est´a em regime de regenera¸c˜ao, sendo que esse problema ´e solucionado com o aux´ılio das Redes Neurais Ar-tificiais (Maiti et al., 2012).

As constantes mudan¸cas e incertezas dos pa-rˆametros do MIT s˜ao pontos importantes para as estrat´egias de controle sensorless. Os MRAS nor-malmente utilizam como mecanismo de adapta-¸

c˜ao um controlador PI, por ter uma implemen-ta¸c˜ao simples e atender bem as necessidades do MRAS enquanto as caracter´ısticas nominais s˜ao mantidas. No entanto, esse tipo de controlador n˜ao responde bem `as altera¸c˜oes nos parˆametros do MIT e muitas vezes o processo de sintoniza¸c˜ao ´e dif´ıcil. Contudo, segundo Vas (1999) uma maior robustez frente `as altera¸c˜oes de parˆametros e `a es-tima¸c˜ao em velocidade zero com MRAS pode ser conseguida utilizando-se sistemas inteligentes.

Atualmente, em alguns trabalhos ´e proposto o uso de mecanismos de adapta¸c˜ao que sejam ca-pazes de lidar com as incertezas param´etricas do MIT. Como em Gadoue et al. (2010) onde ´e es-tudado o comportamento do MRAS-RF cl´assico com mecanismo de adapta¸c˜ao n˜ao linear, no caso, baseados em l´ogica fuzzy e modos deslizantes. O acionamento sensorless foi testado experimental-mente aplicado ao controle vetorial.

Neste trabalho ´e abordado a combina¸c˜ao en-tre o MRAS-CC (baseado na compara¸c˜ao entre

corrente medida e estimada) e o mecanismo de adapta¸c˜ao baseado na l´ogica fuzzy.

2 Modelagem e Controle da M´aquina de Indu¸c˜ao Trif´asica

O modelo matem´atico da m´aquina de indu¸c˜ao pode ser expresso na referˆencia estacion´aria, como (Bose, 2002): us= Rsis+ d dtΨs+ jωλΨs (1) ur= Rrir+ d dtΨr+ j (ωλ− ωr) Ψr (2) Ψs= Lsis+ Lrir (3) Ψr= Lsir+ Lris (4)

Sendo que us e ur s˜ao os vetores de tens˜ao

do estator e rotor, Ψse Ψr os vetores de fluxo do

estator e rotor, ise iros vetores das correntes do estator e rotor, Rse Rr as resistˆencias do estator

e rotor, Lse Lras indutˆancias do estator e rotor e

ωλe ωrs˜ao a velocidade angular gen´erica e a

velo-cidade angular el´etrica do rotor, respectivamente. A estrat´egia de controle DTC-SVM ortogonal ilustrada na Figura 1 opera sobre a orienta¸c˜ao do fluxo do estator. As componentes d − q da tens˜ao do estator, no sistema de referˆencia alinhado com o fluxo do estator , com base na equa¸c˜ao funda-mental (1) , s˜ao dadas por (Vas, 1998):

uds= Rsids+

d

dtΨs (5)

uqs = Rsiqs+ ω1Ψs (6)

Por consequˆencia, o torque eletromagn´etico (Tel) ´e calculado pela seguinte express˜ao no

sis-tema de referˆencia alinhado com o fluxo do esta-tor: Tel= 3npp 2 Ψsiqs (7) iqs= 2 3npp Tel Ψs (8) Substituindo (8) em (6), resulta-se em:

uqs = 2 3npp Rs Tel Ψs + ω1Ψs (9)

Assim, por meio do erro do fluxo do estator (Ψ∗s− ˆΨs) e do torque eletromagn´etico (Tel∗− ˆTel), ´e

poss´ıvel produzir os valores desacoplados de refe-rˆencia das componentes d − q do vetor de tens˜ao do estator, por meio dos controladores PI, para minimizar os erros do fluxo do estator e do torque eletromagn´etico, como segue:

u∗ds=  kpΨ+ Z kiΨ  Ψ∗s− ˆΨs (10)

(3)

CC MIT ias ibs Estimador Fluxo e Torque SA SB SC Cálculo da Tensão ABC SVM Tel* ^ Tel PI dq + uds* uqs* PI PI s s

Figura 1: Diagrama do esquema DTC-SVM na orienta¸c˜ao do fluxo de estator

u∗qs=  kpTel+ Z kiTel  Tel∗− ˆTel + ω1|Ψs| (11)

A velocidade s´ıncrona do fluxo do estator ω1

pode ser determinada utilizando o fluxo do estator no referencial estacion´ario, como descrito a seguir:

ω1= d dtρ1= d dtΨβsΨˆαs− d dtΨαsΨˆβs ˆ Ψ2 αs+ ˆΨ2βs (12) O controle de velocidade do MIT ´e definido pelo sinal de erro (ωmec∗ − ˆωmec) entre a

veloci-dade de referˆencia e velocidade estimada, respec-tivamente. A sa´ıda do controlador de velocidade ´e o sinal de referˆencia de torque, como descrito a seguir: Tel∗ =  kpω+ Z kiω  ωmec∗ − ˆωmec  (13)

3 Estimador de Velocidade MRAS-CC O estimador MRAS-CC ´e baseado na compara¸c˜ao entre a corrente do estator medida e a corrente es-timada. O modelo de referˆencia desse estimador ´e a corrente do estator medida nos terminais da m´aquina. Isso tem como vantagens evitar o uso da integra¸c˜ao pura e diminuir a sensibilidade do estimador aos parˆametros da m´aquina. Contudo, o MRAS-CC possuiu dois modelos adaptativos em paralelo, sendo que o primeiro ´e obtido pela esti-ma¸c˜ao do fluxo do rotor por meio do modelo de corrente, no referencial estacion´ario:

d dt ˆ Ψr= − 1 Tr ˆ Ψr+ j ˆωrΨˆr+ Lh Tr is (14)

O segundo modelo adaptativo ´e obtido com a combina¸c˜ao das express˜oes de tens˜ao do estator e fluxo do rotor na referˆencia estacion´aria, como descrito a seguir (Orlowska-Kowalska and Dyb-kowski, 2010): d dt ˆ Ψr= Lr Lh us− Rsis− σLs d dtis (15)

A express˜ao (15) pode ser reescrita isolando a derivada da corrente do estator, como segue:

σL1 d dtˆis= us− R1is− Lh L2 d dt ˆ Ψr (16)

Por fim, substituindo (14) em (16) resulta-se no segundo modelo adaptativo.

σLs d dtˆis= us−Rsˆis+ Lh LrTr ˆ Ψr−j ˆωr Lh Lr ˆ Ψr− L2 h LrTr ˆis (17) Na Figura 2 ´e ilustrado o diagrama completo do estimador MRAS-CC, destacando o modelo de referˆencia e os modelos adaptativos.

No MRAS-CC, a lei de estima¸c˜ao usada como entrada do mecanismo de adapta¸c˜ao ´e diferente da solu¸c˜ao cl´assica, sendo baseada no erro entre o valor medido e estimado da corrente do esta-tor e sua rela¸c˜ao com o fluxo do rotor estimado pelo modelo de corrente. A lei de estima¸c˜ao e o mecanismo de adapta¸c˜ao do MRAS-CC s˜ao de-senvolvidos de acordo com o observador de fluxo e velocidade proposto em Kubota et al. (1993), ba-seado na minimiza¸c˜ao da fun¸c˜ao de Lyapunov. O mecanismo de adapta¸c˜ao ´e composto por um con-trolador PI e tem como entrada a lei de estima¸c˜ao, como descrito a seguir:

eΨ= eiαsΨˆβr− eiβsΨˆαr  (18) ˆ ωmec=  Kpωmec+ Z Kiωmec  eΨ (19) sendo que: eiαs = iαs− ˆiαs (20) eiβs = iβs− ˆiβs (21)

O valor obtido da velocidade do rotor ´e uti-lizado no modelo de corrente que estima o fluxo do rotor e no modelo de estima¸c˜ao da corrente do estator, como mostrado na Figura 2.

(4)

Modelo de Corrente Estimador de Corrente MIT CC ABC αβ ias ibs Modelo de Referência Modelo Adaptativo

Figura 2: Velocidade do rotor estimada com o MRAS-CC Fuzzy

3.1 Mecanismo de Adapta¸c˜ao Fuzzy

Os controladores baseados em l´ogica fuzzy apre-sentam bons resultados em problemas cuja a planta ´e n˜ao linear. Portanto, com intuito de melhorar o desempenho do MRAS-CC, principal-mente com rela¸c˜ao `as varia¸c˜oes param´etricas do MIT, ´e proposto o uso do controlador fuzzy como mecanismo de adapta¸c˜ao. O controlador utilizado ´e do tipo PD incremental, tendo a sua estrutura ilustrada na Figura 3.

Fuzzy

Figura 3: Sistema Fuzzy com entrada PD e sa´ıda incremental

Em que kP, kD e kU s˜ao os ganhos

proporci-onal, derivativo e de sa´ıda respectivamente. Para os valores nominais dos parˆametros do MIT este controlador funciona como o controlador PI cl´assico. No entanto, a superf´ıcie n˜ao linear deste melhora o desempenho do estimador quando h´a mudan¸cas nos valores nominais dos parˆametros do MIT.

Fun¸c˜oes de Pertinˆencia O MRAS-CCF conta com duas entradas e uma sa´ıda, sendo elas o “erro de fluxo”, “varia¸c˜ao do erro de fluxo”, e “varia¸c˜ao da velocidade estimada”, respectivamente.

O universo de discurso da vari´avel lingu´ıstica “erro de fluxo” ´e ajustado para o valor m´aximo produzido pela equa¸c˜ao (18) verificado por meio de simula¸c˜oes. Na sequˆencia, a vari´avel ´e normali-zada para o conjunto de intervalo entre [1,-1], com o objetivo de facilitar o processo de sintoniza¸c˜ao do controlador.

De forma similar ´e feito com o sinal de entrada do termo lingu´ıstico “varia¸c˜ao do erro de fluxo”. Assim como para a vari´avel lingu´ıstica “erro de fluxo” s˜ao necess´arias simula¸c˜oes para verificar a m´axima varia¸c˜ao do erro e, novamente ´e feita a normaliza¸c˜ao do termo para o conjunto de inter-valo [1,-1].

A sa´ıda do controlador fuzzy ´e denominada “varia¸c˜ao da velocidade estimada” e ap´os a def-fuzifica¸c˜ao possuiu valor real no intervalo entre [1,-1], sendo que esse valor ´e um “∆”, no qual ´e respons´avel por incrementar a sa´ıda do sistema fuzzy.

Outro objetivo de se normalizar as entradas do sistema fuzzy para um intervalo entre [1,-1], est´a na possibilidade de adotar apenas um con-junto de fun¸c˜oes de pertinˆencia para as vari´aveis de entrada, isso faz com que o custo com mem´oria computacional seja reduzido, podendo diminuir o custo total do projeto, no caso de implementa¸c˜ao experimental.

Os tipos e formatos das fun¸c˜oes de pertinˆ en-cia, foram definidos por meio de sucessivas simu-la¸c˜oes utilizando o m´etodo heur´ıstico. O conjunto resultante cont´em trˆes fun¸c˜oes de pertinˆencia para cada entrada do controlador, sendo uma do tipo triangular e duas trapezoidais. As fun¸c˜oes pos-sibilitam o mapeamento das vari´aveis lingu´ısticas “erro de fluxo” e “varia¸c˜ao do erro de fluxo” do sis-tema fuzzy, a Figura 4 ilustra o conjunto. Por ou-tro lado, o conjunto de fun¸c˜oes de pertinˆencia da vari´avel lingu´ıstica “velocidade estimada” ´e defi-nido com cinco fun¸c˜oes, onde s˜ao trˆes triangulares e duas trapezoidais, como ilustrado na Figura 5.

Base de regras A base de conhecimento do controlador fuzzy ´e definido por nove regras do tipo de proposi¸c˜ao Se - ent˜ao, sendo organizadas como ilustra a Tabela 1 a seguir:

Em que os termos lingu´ısticos das fun¸c˜oes de pertinˆencia s˜ao descritos como se segue: Negativo

(5)

−1 −0.8 −0.6 −0.4 −0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 −0.5 0 0.5 1 1.5 N Z P

Figura 4: Conjunto de fun¸c˜oes de pertinˆencia das vari´aveis lingu´ısticas “erro de fluxo” e “varia¸c˜ao do erro de fluxo” −1 −0.8 −0.6 −0.4 −0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2 Saída (u) N NM Z PM P

Figura 5: Conjunto de fun¸c˜oes de pertinˆencia da vari´avel lingu´ıstica “varia¸c˜ao da velocidade esti-mada”

(N), Negativo M´edio(NM), Zero(Z), Positivo M´ e-dio(PM) e Positivo (P). A composi¸c˜ao das regras ´e realizada como descrito no exemplo a seguir:

R: se erro de velocidade ´e P e varia¸c˜ao do erro ´e Z, ent˜ao sa´ıda ´e PM

R: se erro de velocidade ´e N e varia¸c˜ao do erro ´e P, ent˜ao sa´ıda ´e Z

R: se erro de velocidade ´e Z e varia¸c˜ao do erro ´e N, ent˜ao sa´ıda ´e NM

4 Resultados das Simula¸c˜oes Os testes de simula¸c˜ao apresentados nessa se¸c˜ao s˜ao realizados no software Matlab/Simulink, a fim de verificar o desempenho do conjunto estabele-cido pela estrat´egia DTC-SVM e estimador de ve-locidade MRAS-CCF. Os ganhos do controlador fuzzy considerados nas simula¸c˜oes s˜ao KP = 0.5,

KD= 25 e KU = 49750.

A Figura 6 ilustra o perfil de varia¸c˜ao da

re-Tabela 1: re-Tabela de regras Fuzzy eF luxo ∆eF luxo

N Z P

N N NM Z

Z NM Z PM

P Z PM P

sistˆencia do estator aplicado ao MIT. Esse per-fil visa verificar a robustez do MRAS-CCF diante das mudan¸cas no valor da resistˆencia do estator, no entanto, em aplica¸c˜oes pr´aticas as altera¸c˜oes nessa resistˆencia s˜ao bem menores e a dinˆamica de varia¸c˜ao ´e lenta.

Na Figura 7 ´e mostrado o desempenho do con-trole de velocidade sensorless fuzzy. Observa-se que a velocidade estimada segue adequadamente a velocidade calculada pelo modelo Simulink, en-tretanto, quando h´a a revers˜ao da velocidade, logo ap´os a passagem por zero, surge uma pequena os-cila¸c˜ao na velocidade estimada, pois a regi˜ao de baixa frequˆencia ´e o ponto de opera¸c˜ao mais cr´ı-tico quando existe varia¸c˜oes na resistˆencia do esta-tor. Contudo, o controlador fuzzy utilizado como mecanismo de adapta¸c˜ao ´e capaz de lidar com es-sas incertezas e erros de estimativa e, portanto, pelos resultados apresentados em simula¸c˜ao ´e in-dicado para esse tipo de aplica¸c˜ao.

0 0.5 1 1.5 2 2.5 7.5 7.6 7.7 7.8 7.9 8 8.1 8.2 8.3 8.4 8.5 Tempo (s) Resistência do Estator ( Ω )

Figura 6: Perfil de varia¸c˜ao da resistˆencia do es-tator aplicado ao MIT

J´a na Figura 8 ´e ilustrado o perfil de vari-a¸c˜ao na resistˆencia do rotor imposto ao MIT. A resistˆencia do rotor sofre mais altera¸c˜oes em seu valor durante a opera¸c˜ao da m´aquina se compa-rado aos outros parˆametros el´etricos, principal-mente devido ao aumento de temperatura do rotor (Hernandez, 1999) e certamente ´e um problema encontrado em aplica¸c˜oes pr´aticas.

A Figura 9 mostra o desempenho do controle sensorless para uma referˆencia de velocidade com revers˜ao. Observa-se que o estimador MRAS-CCF apresenta boa resposta para toda faixa de

(6)

opera-0 0.5 1 1.5 2 2.5 −1000 −500 0 500 1000 1500 Tempo (s) Velocidade do Rotor (rpm) Estimado Calculado Referência

Figura 7: Resposta da velocidade calculada e es-timada com varia¸c˜ao na resistˆencia do estator

¸

c˜ao do MIT, com a velocidade estimada seguindo com precis˜ao a velocidade calculada pelo modelo do MIT, indiferentemente do valor de varia¸c˜ao da resistˆencia do rotor.

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3.8 4 4.2 4.4 4.6 4.8 5 Tempo (s) Resistência do Rotor ( Ω )

Figura 8: Perfil de varia¸c˜ao da resistˆencia do rotor aplicado ao MIT

J´a na Figura 10 ´e demonstrado o desempenho controle de velocidade sensorless com 15% ru´ıdos inseridos na obten¸c˜ao das corrente, e com aplica-¸

c˜ao de torque de carga (4 N.m) nos instantes de 0.4s e 1.4s. Nota-se que a introdu¸c˜ao de ru´ıdos, quando o MIT opera na regi˜ao de baixa frequˆ en-cia, aumenta as oscila¸c˜oes na estimativa da velo-cidade. Contudo, o erro entre a velocidade calcu-lada e a de referˆencia ´e muito pr´oximo de zero, satisfazendo o requisito do controle.

Os resultados apresentados nessa se¸c˜ao condi-zem com os encontrados na literatura e demons-tram o bom desempenho do MRAS-CCF, sendo os resultados (comparando apenas resultados simu-lados) semelhantes aos encontrados em propostas mais complexas, como os estimadores baseados no Filtro de Kalman e RNAs (MASCHIO, 2006;

Hen-0 0.5 1 1.5 2 2.5 −1000 −500 0 500 1000 1500 Tempo (s) Velocidade do Rotor (rpm) Estimado Calculado Referência

Figura 9: Resposta da velocidade calculada e es-timada com varia¸c˜ao na resistˆencia do rotor

0 0.5 1 1.5 2 −200 −100 0 100 200 300 400 500 600 700 800 Tempo (s) Velocidade do Rotor (rpm) Estimado Calculado Referência

Figura 10: Resposta da velocidade calculada e es-timada com 15% de ru´ıdo e com aplica¸c˜ao de tor-que de carga

rique and Santos, 2012).

5 Conclus˜oes

Este trabalho abordou o controle de velocidade sensorless para ampla faixa de opera¸c˜ao. Para tanto, utilizou-se a estrat´egia de controle DTC-SVM em conjunto com o conhecido estimador de velocidade do tipo MRAS. Entretanto, para me-lhorar o desempenho do controle, o mecanismo de adapta¸c˜ao do estimador foi concebido utilizando l´ogica fuzzy. Os resultados em simula¸c˜oes compro-varam o bom desempenho do sistema proposto, principalmente, quando submetido `as altera¸c˜oes de parˆametros. Dessa forma, o estimador abor-dado mostra-se como uma op¸c˜ao atrativa para o controle de velocidade sensorless.

(7)

Referˆencias

Bose, B. K. (2002). Modern Power Electronics and Ac Drives, Prentice Hall PTR.

Gadoue, S., Giaouris, D. and Finch, J. (2009). Sensorless Control of Induction Motor Drives at Very Low and Zero Speeds Using Neural Network Flux Observers, IEEE Transactions on Industrial Electronics 56(8): 3029–3039. Gadoue, S. M., Giaouris, D. and Finch, J. W.

(2010). MRAS Sensorless Vector Control of an Induction Motor Using New Sliding-Mode and Fuzzy-Logic Adaptation Mecha-nisms, IEEE Transactions on Energy Con-version 25(2): 394–402.

Gayathri, M. N., Himavathi, S. and Sankaran, R. (2012). Performance enhancement of vector controlled drive with rotor flux based MRAS rotor resistance estimator, 2012 Internatio-nal Conference on Computer Communication and Informatics, IEEE, pp. 1–6.

Haron, A. R. and Idris, N. R. N. (2006). Si-mulation of MRAS-based Speed Sensorless Estimation of Induction Motor Drives using MATLAB/SIMULINK, 2006 IEEE Interna-tional Power and Energy Conference, IEEE, pp. 411–415.

Henrique, T. and Santos, D. O. S. (2012). Es-timador neural de velocidade aplicado a um driver de controle escalar do motor de indu-¸

c˜ao trif´asico, Tese, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a.

Hernandez, J. R. (1999). Implementa¸c˜ao Digital Utilizando DSP do Controle por Orienta¸c˜ao do Fluxo do Rotor: M´etodos Direto e Indi-reto, Disserta¸c˜ao, Universidade Estadual de Campinas.

Holtz, J. (2006). Sensorless Control of Induction Machines - With or Without Signal Injec-tion?, IEEE Transactions on Industrial Elec-tronics 53(1): 7–30.

Kubota, H., Matsuse, K. and Nakano, T. (1993). DSP-based speed adaptive flux observer of induction motor, IEEE Transactions on In-dustry Applications 29(2): 344–348.

Lascu, C., Boldea, I. and Blaabjerg, F. (2005). Very-Low-Speed Variable-Structure Control of Sensorless Induction Machine Drives Without Signal Injection, IEEE Transactions on Industry Applications 41(2): 591–598. Lascu, C., Boldea, I. and Blaabjerg, F. (2009). A

Class of Speed-Sensorless Sliding-Mode Ob-servers for High-Performance Induction Mo-tor Drives, IEEE Transactions on Industrial Electronics 56(9): 3394–3403.

Maiti, S., Chakraborty, C. and Sengupta, S. (2007). Adaptive Estimation of Speed and Rotor Time Constant for the Vector Con-trolled Induction Motor Drive Using Reactive Power, IECON 2007 - 33rd Annual Confe-rence of the IEEE Industrial Electronics So-ciety, IEEE, pp. 286–291.

Maiti, S., Verma, V., Chakraborty, C. and Hori, Y. (2012). An Adaptive Speed Sensorless In-duction Motor Drive With Artificial Neural Network for, 8(4): 757–766.

Martins, O. S. (2006). Compara¸c˜ao de T´ecnicas de Controle de Velocidade Sensorless Aplicadas a Motores de Indu¸cao em Plataforma DSP, PhD thesis.

MASCHIO, K. A. F. (2006). Estudo de estimado-res de velocidade de motor de indu¸c˜ao com observadores de estado e filtro de Kalman, PhD thesis, Universidade de S˜ao Paulo. Orlowska-Kowalska, T. and Dybkowski, M.

(2010). Stator-Current-Based MRAS Esti-mator for a Wide Range Speed-Sensorless Induction-Motor Drive, IEEE Transactions on Industrial Electronics 57(4): 1296–1308. Schauder, C. (1992). Adaptive speed

iden-tification for vector control of induc-tion motors without rotainduc-tional transducers, IEEE Transactions on Industry Applications 28(5): 1054–1061.

Tarchala, G., Dybkowski, M. and Orlowska-Kowalska, T. (2011). Analysis of the cho-sen speed and flux estimators for cho-sensorless induction motor drive, 2011 IEEE Interna-tional Symposium on Industrial Electronics, IEEE, pp. 525–530.

Vas, P. (1998). Sensorless vector and direct torque control, Monographs in electrical and electro-nic engineering, Oxford University Press. Vas, P. (1999). Artificial-Intelligence-based

Elec-trical Machines and Drives: Application of Fuzzy, Neural, Fuzzy-neural, and Genetic-algorithm-based Techniques, Monographs in Electrical and Electronic Engineering, OUP Oxford.

Referências

Documentos relacionados

Os testes de desequilíbrio de resistência DC dentro de um par e de desequilíbrio de resistência DC entre pares se tornarão uma preocupação ainda maior à medida que mais

Os participantes foram orientados na reflexão teórica e investigação prática de processos digitais avançados para a resolução do projeto arquitetônico,

Visando reduzir ou eliminar o acúmulo de sedimentos nas entradas da rede de drenagem de águas pluviais, pesquisadores italianos desenvolveram as Bocas de Lobo Autolimpantes (BLA),

Nesse contexto, tomando por base a importância e os impactos que essa formação complementar tem sobre a formação profissional de universitários, cabe uma pesquisa mais

A proposta deste estudo foi analisar os impactos psicodinâmicos do trabalho de gestores de uma Instituição Federal de Ensino, por meio da descrição do contexto de trabalho,

O papel da memória, nessa crônica, é bastante peculiar: lembranças do passado se confun- dem com o presente numa mistura de tempos verbais, vivificando os acontecimentos experimentados

[r]

A evolução dos serviços financeiros digitais através das Fintechs já é evidente, tanto que o Banco Central criou um grupo de trabalho interno para avaliar através de estudos as