ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013 –dezembro/2013
A luz em ambientes hospitalares
Rafaela F.A.C Torres – [email protected] Iluminação e Design de Interiores – Instituto de pós gradução - IPOG
São Paulo, SP, 14/02/2013 Resumo
Este artigo tem como objetivo identificar as diferentes formas de como são iluminados os hospitais, visando como principal diferença entre eles o fato de serem públicos ou privados. Após o embasamento teórico, foram feitas visitas em diferentes hospitais e questionários com pessoas de diferentes idades e classe social, para assim ter uma constatação prática da diferença de iluminação dos dois tipos de hospitais. Viu-se claramente que enquanto o hospital particular busca um conforto visual e atende as normas técnicas estabelecidas pela ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas, o hospital público se preocupa somente em atender as normas e necessidades dos ambientes, sem que haja um estímulo positivo sob os pacientes e colaboradores.
Palavras-chave: Iluminação. Conforto. Influência.
1.Introdução
A iluminação influencia a vida cotidiana em nossas mais simples atividades e estados de humor. Nos espaços de saúde, tal influência é mais intensa, uma vez que as pessoas normalmente estão fragilizadas pela doença e necessitando de estímulos positivos para a sua recuperação. Assim, a luz em excesso, falta de luz, ou sua má localização são fatores que podem prejudicar os pacientes. O conforto visual também é requisito importante para a equipe médica, na execução dos procedimentos curativos e na constante observação dos doentes internados. Embora a função básica da luz seja proporcionar a visibilidade, ela também contribui na criação do caráter dos espaços, influenciando as sensações de bem-estar dos usuários (FLYNN, 1977). O intuito da pesquisa é mostrar que há diferença entre a iluminação de hospitais públicos e particulares, o presente estudo objetivou abordar que essa diferença é perceptível para os pacientes e que pode trazer sensações e comportamentos distintos.
2. Referencial Teórico 2.1 Referencial Histórico
Algumas referências sobre a importância da iluminação nas ações de saúde podem ser consideradas a partir do texto de Hipócrates, grego conhecido como o “Pai da Medicina” que viveu entre 460 e 377 a.C., sobre “Ares, águas e lugares” que diz:
Quem deseja estudar corretamente a ciência da Medicina deverá proceder da seguinte maneira. Primeiro, deverá considerar quais efeitos podem produzir cada estação do ano, posto que as estações não são todas iguais, pois diferem tanto em si mesmas como em suas mudanças... Portanto, ao chegar a um povoado, que lhe é desconhecido, o médico deverá examinar a posição do mesmo com respeito ao vento e às saídas do
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013 –dezembro/2013 sol, pois um aspecto do norte, um aspecto do sul, um do oriente e um do ocidente tem, cada um, seu próprio caráter individual. (HIPÓCRATES, 446 E 377 a.c).
Em outra importante referência, descrita pela enfermeira italiana Florence Nightingale, conhecida pelo trabalho realizado com feridos de guerra, no livro “Notes on Hospitals”, de 1859, sobre a importância do cuidado com que se interfere nas edificações hospitalares.
Pode parecer um estranho princípio enunciar como primeira e mais importante função de um hospital a de que ele não cause nenhum mal à saúde do paciente (NIGHTINGALE, Florence,1859).
2.3 A luz em ambientes hospitalares
A elaboração de um projeto de iluminação para ambientes hospitalares é um processo complexo que deve buscar, invariavelmente, satisfazer à diversidade de critérios técnicos e às compatibilidades físico-funcionais. A solução projetual deve atender prioritariamente às demandas da atividade ali desempenhada, compatibilizando a possibilidade de realização da função assistencial com outros requisitos pertinentes à arquitetura e ao conforto humano. A modificação do ce.nário que abriga os prédios com a função de prestação de serviço de saúde hospitalar com internação, hospital-dia, unidade de atenção ambulatorial ou unidades de apoio ao diagnóstico e terapia – é um conceito relativamente novo, porém que se renova ininterruptamente. As recomendações de grande significância relacionadas à harmonia arquitetônica, decorrentes das grandes inovações tecnológicas biomédicas, tiveram o seu marco histórico estabelecido a partir do princípio do século XIX, consolidando-se definitivamente com o advento da invenção da energia elétrica, na segunda metade deste século, com elemento indissociado da atividade humana.
Após esse processo evolutivo, e simultaneamente ao surgimento da necessidade de que os ambientes sejam projetados especificamente, que os consultórios atendam às características das diversas especialidades médicas, que cada clínica exija a sua adequação, que as unidades de terapia intensiva e as demais áreas críticas do ambiente hospitalar exerçam a atenção primaz do cuidado específico na sua implantação e compatibilização tecnológica, surge também a necessidade de se promover conforto ao ambiente de trabalho.
A sensação de conforto ambiental não é uma percepção facilmente mensurável. Resultado da harmonia de vários condicionantes – higrotérmicos, acústicos, visuais, de qualidade do ar, entre outros, ela pode propiciar a integração do homem a seu meio, otimizando seu desempenho, segundo a avaliação do ergonomista e pesquisador Peter R. Boyce, do Lighting Research Center, um centro de pesquisa e educação, conhecido mundialmente, voltado para iluminação: de tecnologias à aplicação e uso de energia, e de design à saúde e visão. O desenho do espaço, os elementos funcionais e estéticos, a utilização adequada da iluminação natural e artificial, o uso das cores e, naturalmente, os aspectos vinculados ao conforto ambiental, assumem um papel fundamental na aproximação entre a atividade realizada no ambiente e o resultado desta. Esta abordagem ganha relevância quando se observa a sua importância no acolhimento proposto pelos programas de humanização dos ambientes de saúde. Seja esse serviço de caráter público ou privado.
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013 –dezembro/2013 2.3.1 Humanização nos quartos
Já no final do século passado, os quartos particulares passaram a receber tratamento ambiental similar aos dos hotéis, com o objetivo de desinstitucionalizar os pacientes. O ambiente é tratado como uma residência, proporcionando bem-estar a todos. Hospitais psiquiátricos modernos também modificaram quartos para que os pacientes se adaptem melhor ao tratamento. Não é o que se verifica na maioria dos hospitais
públicos que devido à carência de recursos, revela ambientes empobrecidos e monótonos. A exceção é a Rede Sarah e alguns outros poucos. Cada vez mais, tende-se a um olhar centrado no homem e em suas necessidades biológicas e psicológicas. O hospital é um tipo de ambiente que deve acolher, cuidar, tratar, dar segurança e conforto. A cor e a luz são fundamentais e devem ser escolhidas por profissionais porque, além das características técnicas dos artefatos de iluminação, cada tipo de paciente tende a associar sua patologia às cores. Portanto, dependendo das patologias, deve-se escolher as cores mais adequadas, para que eles possam relaxar. Tudo é um conjunto que deve ser harmonizado holisticamente. São muitas as variáveis a serem analisadas para que se faça boa arquitetura, humanizada, cujo caráter não só a luz pode trazer.
2.3.2 Equilíbrio de luz natural e artificial
Assim como os organismos naturais, o ser humano se desenvolve a partir do contato e dependência da iluminação natural. Segundo pesquisas realizadas e apresentadas pela pesquisadora norte-americana Janet Carpman, publicadas no livro “Design that Cares”, de 1993, a combinação de sol e radiação solar, com suas mudanças rítmicas em diversos níveis, supre as necessidades humanas. Além de oferecer as bases para a informação visual, ela fornece intensidade de luz e modulação de luminosidade para controlar os níveis de melatonina – um importante hormônio que serve para a regulação do biorritmo –, e a quantidade balanceada de luz ultravioleta necessária à formação e manutenção da estrutura esquelética. Os ambientes hospitalares devem ser projetados com as devidas atenções sobre o controle do uso da luz e sua intensidade. De acordo com a avaliação da enfermeira norte-americana Alice Lerman apresentada em sua pesquisa de mestrado e publicada no livro “Birth Environments”, o conforto visual do ambiente pode “encorajar a ativa consciência na participação da ação terapêutica”. Por isso, o projeto do ambiente deve considerar o fato de que as demandas lumínicas são processos técnicos que devem respeitar a essencialidade das condições naturais. Assim sendo, a inserção de aberturas para a paisagem externa deve ser um componente integrado às soluções projetuais. Para isso, a utilização de materiais e elementos arquitetônicos que contemplem a privacidade dos usuários do ambiente hospitalar também deve ser considerada. Em um outro estudo apresentado por Janet Carpman, publicado no The Journal of Architectural and Planning Research (número 4), os pesquisadores encontraram uma significativa relação entre o bem-estar dos pacientes, a iluminação artificial e a contribuição proveniente do contato com a visão da paisagem externa. Os pacientes se manifestavam também, moderadamente insatisfeitos quando não possuíam pleno controle sobre a utilização dos controles da iluminação, da abertura das cortinas, persianas e das próprias janelas. O estudo foi realizado em seis hospitais de Chicago, nos Estados Unidos, pelos profissionais de Medicina Física e Reabilitação (PM & R), da Universidade de
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Michigan. No caso específico de locais destinados à internação, onde o usuário pode demandar muitas horas ou dias, as condições de iluminação artificial e a percepção do ambiente externo podem trazer mais valores e conforto, além da simples percepção ou orientação do tempo face ao ciclo circadiano (ritmo biológico). O organismo humano funciona com características específicas e compatibilizadas com um “relógio” biológico, que define as atividades internas conforme as oscilações das 24 horas do dia. Essas oscilações representam e acompanham o funcionamento fisiológico em um processo denominado ritmo circadiano, decorrente do ciclo circadiano. Os sinalizadores de horário mais importantes, conforme a avaliação, são: alternância do dia e da noite, contatos sociais, atividades profissionais e a mais elementar percepção e conhecimento da hora do dia. Conseqüentemente, as funções que caracterizam o ritmo circadiano são, além do sono e da capacidade de executar atividades, o metabolismo, a temperatura corpórea, a frequência cardíaca e a pressão sanguínea. Parâmetros técnicos Os parâmetros técnicos utilizados no Brasil para elaboração de projetos de iluminação em ambientes hospitalares ainda estão referidos às recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT através da NBR 5413 – Iluminância de Interiores, de abril de 1990, que determina no item 5.3.28 – Hospitais, “A Iluminância mínima em lux por tipos de atividades (valores médios em serviço)”. No entanto, os novos conceitos de materiais, equipamentos e lâmpadas recomendam pesquisas mais aprofundadas e específicas para cada atividade de atenção à saúde e suas respectivas demandas lumínicas. Outra importante fonte de consulta sobre o assunto está contida nas normas norte-americanas elaboradas pela IESNA - Illuminating Engineering Society of North America, e aprovadas pela ANSI - American National Standards Institute, em 27 de março de 2006. Este documento denominado Práticas Recomendadas – RP-29-06 está significativamente mais atualizado que as referências nacionais e serve como um consistente parâmetro para o desenvolvimento de projetos de iluminação em ambientes hospitalares. As legislações sobre o assunto consideram que a iluminação para o trabalho médico ou de enfermagem poderá ser complementada com focos cirúrgicos fixos ou portáteis, que deverão estar disponibilizáveis de acordo com a atividade desempenhada e a exigência lumínica necessária. Outro componente para elaboração do projeto de iluminação refere-se à necessidade de atender à NR – 15, Portaria de 08/06/78 do MTE - Ministério do Trabalho e Emprego, que trata dos níveis mínimos de iluminamento em lux por atividade e que deverá se associar às determinações estabelecidas pela referida NBR 5413.
2.3.3 Aproveitamento de luz natural
Com a necessidade atual de redução de consumo energético, a luz natural deve ser aproveitada, mas para isto, é necessário treinamento de pessoal, pois o controle nem sempre pode ser eletrônico. É o caso da Rede Sarah, onde os funcionários desligam um circuito que esteja mais próximo da luz solar. A luz natural é fundamental para a recuperação do paciente. É comprovado que existe redução no tempo de internação quando o paciente tem noções de temporalidade, quando pode observar a variação da luz durante o dia e tiver visão para o exterior. Por isso, Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) também vêm sendo projetadas com luz natural, em quartos com janelas que possibilitem o controle da iluminação solar. Para iluminar áreas com grande profundidade, é necessária iluminação artificial complementar
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permanente. Para integrar a luz natural com a luz artificial, pode-se implantar o sistema zenital ou o PSALI (permanent suplementary artificial lighting) .
3. A importância da cor na iluminação
Ambas interferem nas sensações do ser humano, que responde tanto ao ritmo dos sons, quanto às pulsações da luz, às cores e a diminutas variações de temperatura, tendo em vista que o objetivo daqueles que trabalham em tais espaços é o aumento da qualidade de vida do homem, já que os hospitais abrigam pessoas que lidam com fortes emoções: nascimento, doença, risco de morte e morte. Por essa razão, a cor passa a ter significado diferente para pacientes, acompanhantes e funcionários, devendo, portanto, ser valorizada pelos profissionais que estão envolvidos com o planejamento hospitalar.
A cor pode ser entendida como sensações visuais provenientes do reflexo da luz sobre os objetos. As superfícies dos corpos exercem uma ação seletiva em relação aos raios luminosos, absorvendo-os ou refletindo-os. Em última análise, apenas a sensação provocada pela ação da luz sobre a visão, quando se varia a qualidade, a quantidade, a forma e o posicionamento das áreas coloridas, provoca respostas com diferentes intensidades. Cada estímulo visual tem características próprias, possuindo tamanho, proximidade, luz e cor. A percepção visual, portanto, é distinta para cada pessoa.
Sobre o indivíduo que recebe a comunicação visual, a cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, ade expressar e a de construir. A cor é vista: impressiona a retina. É sentida: provoca uma emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem que comunique uma idéia. (FARINA, p.27)
3.1 A cor em hospitais
Os hospitais têm sofrido grandes transformações físicas nos últimos anos, exatamente para atender melhor o paciente, oferecer-lhe mais qualidade de vida e perspectiva de recuperação e, nesse sentido, a cor, hoje, deve ser vista como um elemento que participa dessa mudança uma vez que proporciona bem-estar e tranquilidade. A harmonia visual bem como o equilíbrio cromático dependem do tamanho e da forma da área revestida. Assim, algumas cores atraem, outras repelem – isso quando a cor utilizada não for apropriada àquele espaço – podendo, também, transmitir sensações de calor ou de frio, agitar ou inibir as pessoas.
3.2 Variações de luz
Os padrões uniformes desinteressantes e monótonos da luz branca interferem psicologicamente. Portanto, sempre que possível, variações de luz devem ser introduzidas, pois podem melhorar o ânimo das pessoas. Convém que algumas áreas sejam projetadas cuidadosamente mais claras que outras. Uma luz de destaque direcionada para objetos artísticos ou para algo interessante pode proporcionar uma atmosfera "qualitativa", modificar o caráter do ambiente e reduzir a monotonia.
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Expressa a aparência de cor da luz emitida pela fonte de luz. A sua unidade de medida é o Kelvin (K) (edição nº 08 da Revista Lume Arquitetura.). Quanto mais alta a temperatura de cor, mais clara é a tonalidade de cor da luz. Ex.: uma lâmpada de temperatura de cor de 2.700 K tem tonalidade suave (amarelada), já uma outra de 6.500 K tem tonalidade clara (branca).
Figura 1: Aparência de cor Fonte: Philips 3.4 IRC
O Índice de Reprodução de Cores é a capacidade que uma lâmpada tem de reproduzir com fidelidade as cores de um objeto, variando em uma escala qualitativa de 0 a 100. Como a cor é diretamente relacionada com a luz, estabeleceu-se a luz natural emitida pelo Sol como parâmetro, tendo ela 100% de reprodução (Vianna, 2007).
O índice de reprodução de cor foi classificado como: reprodução razoável (de 50-80); reprodução boa (de 80-90) e reprodução excelente (de 90-100), segundo Vianna (2007). Para locais que necessitam de precisão nos detalhes, como é o caso dos hospitais e lojas de roupa, é fundamental que as lâmpadas tenham um bom IRC, pois não pode haver dúvidas se um líquido é sangue ou graxa, ou se uma blusa é laranja ou vermelha por exemplo.
3.4.1 Temperatura de cor e IRC em Hospitais
O índice de reprodução das cores (IRC) da lâmpada deve ser sempre acima de 80/85 para não interferir no exame clínico. Pesquisas norte-americanas e apresentadas pela pesquisadora norte-americana Janet Carpman, publicadas no livro “Design that Cares”, de 1993, apontam a temperatura de cor (TC) preferida em hospitais entre 4000-4500K e o IRC em 90. As cores frias, situadas numa temperatura de cor na ordem de 5.000K, são relacionadas a ambientes que reforçam associações ao frio, logo, reduzem a sensação de aconchego, tornando-se inadequadas quando não se encontram associadas a outras lâmpadas cuja temperatura de cor é mais baixa.
As cores quentes, na ordem de 3.000K, são associadas a ambientes que provocam sensações relacionadas ao calor. Ambas podem favorecer ou não a sensação de conforto térmico. Da
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mesma forma, a escolha da temperatura da cor da luz implica na valorização de determinados pigmentos das superfícies que irão sobressair, modificando o seu tom para uma ou outra extremidade do espectro das cores. Em qualquer superfície, "a cor resultante sempre será em função da cor produzida pela lâmpada com a cor refletida pelo ambiente." Se os espaços possuem cores quentes em suas superfícies e a temperatura tende ao calor, pode-se minimizar a sensação dos usuários utilizando lâmpadas com temperatura de cor fria. Em hospitais, este recurso pode ser empregado, desde que não prejudique o diagnóstico, porque a cor da pele do paciente faz parte da anamnese. Para iluminação geral, as lâmpadas fluorescentes tubulares com pó trifósforo (16/18w e 32/36w), assim como compactas (26w) vêm substituindo as fluorescentes antigas que alteravam a cor da pele. A fidelidade à cor da pele é fundamental para qualquer diagnóstico ou acompanhamento do paciente quando internado. A lâmpada deve fornecer um bom IRC, o mais semelhante possível da luz solar, reprodução considerada "verdadeira" por muitos. Mas deve-se ter cuidado com a lâmpada halógena (dicróica) que possui um IRC muito bom, mas sua luminância é muito intensa. Sob o facho destas lâmpadas, as pessoas sentem-se em uma vitrina e, com freqüência, as abelhas à noite as encontram rapidamente, não são indicadas para ambientes de espera, pois além de ocasionarem ofuscamento, aumentam a carga térmica do ambiente.
4. Orientações para um projeto de iluminação hospitalar
- A visão que um paciente tem em um leito é do teto, por isso, a iluminação deve ser indireta; - Cada paciente associa sua patologia às cores, portanto, dependendo da patologia, escolhe-se a cor mais adequada para o relaxamento do paciente;
- Durante uma cirurgia, o campo visual cirúrgico é vermelho e geralmente se encontra sob altíssima luminância e iluminância que varia entre 10 e 20 mil lux. Por isso, o piso do local tende a ser verde, garantindo descanso visual, e ambientes no entorno da sala de cirurgia devem ter 50% da luminância do campo cirúrgico e redução gradativa, para adaptação do olho de quem ali trabalha;
- Baixa iluminância, próximo ao nível do piso, é ideal para deslocamentos dos pacientes pelos ambientes hospitalares;
- Luminárias nas cabeceiras dos leitos, que permitam diferentes iluminâncias, auxiliam o paciente e o trabalho da enfermagem;
o IRC indicado para ambientes hospitalares é de 80 até 90, para não interferir no exame clínico;
- A temperatura de cor mais usada em hospitais está entre 4000K e 4500K. Por volta de 5000K causa sensação emocional de frio e desconforto. Aproximadamente 3000K dá a sensação de calor;
- O uso de fluorescentes tubulares com pó trifósforo (16/18W e 32/36W) e compactas (26W) é ideal para iluminação geral;
- O uso da luz natural reduz o tempo de internação do paciente, pois auxilia a noção de temporalidade do paciente, ajudando na sua recuperação;
- A Iluminação artificial é indicada para áreas com grande profundidade;
- A variação de luz anima os usuários de ambientes hospitalares. Exemplos disso é a produção de algumas áreas mais claras que outras, e iluminação de destaque para alguns objetos;
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013 –dezembro/2013 4.1 Efeitos negativos
Deve-se evitar os seus efeitos negativos ao iluminar os ambientes para conforto dos pacientes e dos funcionários, qualificando os campos para as atividades que ali devem ocorrer, dentro de princípios fundamentais de luminotecnia. Não se pode esquecer que o campo de visão de um paciente acamado é o teto e a luz direta é fonte de desconforto ocasionando ofuscamento. A iluminação deve ser indireta e a luminária ser adequada a tal campo de visão. Lâmpadas e luminárias têm que ter um perfeito casamento. Nem todas as luminárias podem receber lâmpadas eficientes. Este é um dos erros mais comuns, depois do famoso apagão. Muitos dos efeitos da luz influenciam biológica e psicologicamente o indivíduo. Podem causar fadiga, distorção da visão, redução da produtividade, cansaço, alteração no ciclo circadiano e estresse ao sistema visual (nervo ótico). Os efeitos negativos são, entre outros:
Refletância de uma fonte de luz sobre uma superfície brilhante; Contraste excessivo entre os pontos de luz e sombra;
Tamanho e posição inadequados da fonte de luz; Tempo de exposição à alta luminância;
Iluminância baixa em áreas com superfícies com cores saturadas;
Brilho excessivo da fonte de luz (alta luminância).
O layout, tipo de ambiente e a funcionalidade devem ser considerados e não, simplesmente, atender às normas, distribuindo luminárias. O campo de trabalho deve ter luz adequada às necessidades do usuário. Durante uma cirurgia, o campo visual cirúrgico é vermelho (não é à toa que o isolamento do campo é feito com tecido verde). O vermelho tem uma intensidade de onda que estressa, além disso, tal campo se encontra sob fonte de altíssima luminância e com iluminância entre 10.000 e 20.000 lux. Os especialistas aconselham que o piso ou outras superfícies no campo de visão dos que trabalham ali, tenha cor verde, complementar, que provoca o descanso visual. Os ambientes no entorno da sala de cirurgia devem possuir 50% da luminância do campo cirúrgico e ir, gradativamente, reduzindo para que o olho se adapte aos poucos e não sofra com a luz tão intensa. A iluminância baixa não é conveniente quando as superfícies têm cores saturadas, porque pode causar desconforto, além de ser anti-econômico. ciclo circadiano deve ser preservado sempre que possível. A luz intensa pode despertar o organismo para as atividades diurnas e tirar o sono dos pacientes à noite, impedindo sua recuperação ou exigindo maior consumo de medicação. Para facilitar o deslocamento do staff, sem ocasionar desconforto aos pacientes, entretanto, deve-se usar luminárias com baixa iluminância, próximas do nível do piso, pois quando o chão está iluminado, os deslocamentos noturnos são mais seguros. O ciclo circadiano deve ser preservado sempre que possível. A luz intensa pode despertar o ciclo que se tem durante o dia, preparando o organismo para as atividades diurnas e tirar o sono dos pacientes à noite, impedindo sua recuperação ou exigindo maior consumo de medicação. Nos quartos, próximo à cabeceira dos leitos, luminárias que permitam diferentes iluminâncias e alteração no campo de iluminação podem auxiliar tanto o paciente quanto a enfermagem e permitir um exame mais acurado do médico.
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Com o intuito de demonstrar na prática que a luz de hospitais públicos são diferente de hospitais particulares, foi feito visitas de campo nos dois tipos de hospitais de diferentes regiões de São Paulo e foi elaborado um estudo com coleta de dados por meio de opnião pública. Após o embasamento teórico, que auxiliou tanto no conhecimento a respeito de iluminação, quanto nas sensações que pode causar. Foi elaborado um modelo de questionário, segue abaixo:
Questionário: A iluminação de hospitais públicos e hospitais particulares
Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Idade: ( ) Inferior a 25 anos ( ) Entre 25 e 55 anos ( ) Superior a 55 anos
Você acha que a iluminação de hospital público é diferente de um hospital particular? ( ) Sim
( ) Não
Você acha que a iluminação de um hospital público transmite a sensação de: ( ) Conforto
( ) Calma ( ) Inquietude ( ) Ansiedade
Você acha que a iluminação de um hospital particular transmite a sensação de: ( ) Conforto
( ) Calma ( ) Inquietude ( ) Ansiedade
Você acha que a iluminação influência no comportamento de um indivíduo que está esperando para ser atendido?
( ) Sim ( ) Não
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Qual dessas duas imagens transmite a sensação de bem estar e tranquilidade: ( ) Imagem 1 (Hospital Público)
( ) Imagem 2 (Hospital Particular)
Figura 2: Imagem de referência para o questionário de pesquisa Fonte: A autora (2013)
5.1 . Análise dos Resultados
Após os questionários terem sido feitos com 43 pessoas, os dados foram analisados e agrupados de acordo com a finalidade dos mesmos.
5.1.1 Em relação ao gênero, 20% dos entrevistados eram do sexo masculino e 80% do sexo
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Figura 3: Gráfico referente ao gênero entrevistado Fonte: A autora (2013)
5.1.2 Em relação à idade dos entrevistados, observou-se que:
- 20% tinham idade inferior a 25 anos; - 69% tinham idade entre 25 e 55 anos; - 11% tinham idade superior a 55 anos.
0% 20% 40% 60% 80% 100% C e nt e na s Inferior a 25 anos Entre 25 e 55 anos Superior a 55 anos
Figura 4: Gráfico referente a idade dos entrevistados Fonte: A autora (2013)
5.1.3 Quando lhe foi perguntado se acha a iluminação de hospital público diferente de um
hospital particular, observou-se: - 100% disse que sim
5.1.4 Quando lhe foi perguntado a sensação que a iluminação de um hospital público
transmite, observou-se: - 83% Ansiedade - 17% Inquietude
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Figura 5: Gráfico referente a sensação da iluminação em um hospital público Fonte: A autora (2013)
5.1.5 Quando lhe foi perguntado a sensação que a iluminação de um hospital particular
transmite, observou-se: - 94% Conforto - 6% Calma 0% 20% 40% 60% 80% 100% C e nt e nas Conforto Calma
Figura 6: Gráfico referente a sensação da iluminação em um hospital particular Fonte: A autora (2013)
5.1.6 Quando lhe foi perguntado se a iluminação influência no comportamento de um
indivíduo que está esperando para ser atendido, observou-se: - 93% disse que sim
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Figura 7: Gráfico referente se a iluminação influencia no comportamento de um indivíduo que está espeando para ser atendido
Fonte: A autora (2013)
5.1.7 Quando lhe foi perguntado qual das duas imagens transmitia a sensação de bem estar e
tranquilidade, observou-se: - 100% disse que a imagem 2
0% 20% 40% 60% 80% 100% Ce nt en as
Imagem 1 (Hospital Público) Imagem 2 (Hospital Particular)
Figura 8: Gráfico referente a imagem de comparação entre hospital público e particular Fonte: A autora (2013)
6. Conclusão
O projeto de iluminação é um processo complexo onde além de satisfazer critérios técnicos tem-se também que considerar-se elementos humanos, ou seja, deve atender as atividades ali realizadas, cirurgias, pós operatório, UTI, etc, não deixando de lado o conforto, calma e o bem estar de todos os envolvidos naquele determinado ambiente, como pacientes, colaboradores e visitantes. A análise da pesquisa nos permite afirmar que a iluminação de um hospital público é diferente de um hospital particular, que a iluminação de um hospital público tem uma iluminação funcional para as tarefas desempenhadas em cada local, porém não trás a sensação de conforto e bem estar que os pacientes e colaboradores necessitam para um atendimentos mais tranquilo, enquanto a iluminação de um hospital particular é funcional para as tarefas
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desempenhadas em cada local e é mais acolhedora, transmitindo mais conforto e calma para os pacientes e colaboradores do mesmo.
Referências
“Iluminação Hospitalar” publicado na edição n° 27 da Revista Lume Arquitetura
“A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares” publicado na
edição nº 08 da Revista Lume Arquitetura.
FLYNN, John E. A study of subjective responses to low energy and nonuniform lighting sistems. Lighting Design and Applications, New York, 1977
Qualidade da luz e sua influência sobre a saúde, estado de ânimo e comportamento do homem. Dissertação de mestrado, PROARQ, FAU, UFRJ, 2000
http://www.lighting.philips.com.br/connect/support/faq_lampadas.wpd http://www.lumearquitetura.com.br/
Iluminação – simplificando o projeto. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2009.
VIANNA, Nelson Solano & Gonçalves, Joana Carla Soares. Iluminação e arquitetura. 3ª edição. São Paulo: Geros s/c Ltda, 2007.
FARINA, Modesto. Psicodinâmica das cores em comunicação. 4.ed. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1990. 231p.
CARPMAN, Janet “Design that Cares”, de 1993.
NIGHTINGALE, Florence. Saúde e Arquitetura – Caminhos para a Humanização: referência Pag. 31: Editora Senac RJ 1/2004.