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DELTA vol.23 número1

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Academic year: 2018

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NOTAS SOBRE LIVROS/BOOKNOTES 165

CRYSTAL, David. 2006. The Fight for English. How Language Pundits Ate, Shot, and Left. Oxford University Press, xi + 239 p. ISBN

0-19-920764-X

Uma das questões mais desafiadoras e fascinantes no estudo da Lin-guagem refere-se a atitudes de usuários de línguas sobre usos. Entre nós, a Tradição de Manuais de Uso  escritos por lingüistas é ainda bem recente, pois teve início com o Guia de Uso do Português, de Maria He-lena de Moura Neves (SP: Editora UNESP, 2003). Na anglofonia, as Tradições são mais antigas, representadas por uma  literatura diversifica-da, fruto de contribuições de prescritivistas e (em menor escala) descriti-vistas. A este segundo grupo acrescente-se o livro do bem-humorado, cristalino e prolífico lingüista britânico David Crystal. O título logo atrai a atenção dos leitores, pois metaforiza a problemática sobre  usos do inglês através do verbo fight (lutar). O subtítulo, ludolinguisti-camente motivado, refere-se a usuários prescritivistas que, após degluti-rem algo, disparam suas críticas e desaparecem do local.

Na verdade, Crystal consegue uma proeza textual: ao mesmo tem-po em que apresenta uma bem documentada História de idéias/ atitudes sobre English usage, reflete sobre os desafios que professores e lingüistas aplicados (cf. educational linguistics, p.103) enfrentam ao promoverem conceitos-chave como adequação lingüística, objeto de um dos 30 capítulos.

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166 D.E.L.T.A., 23:1

Assim, alguns substantivos referem-se a papéis exercidos por usuá-rios de inglês (authors, authorities, censors, courtiers, protectors, refor-mers, rustics); outros substantivos remetem a conceitos-chave na área de Estudos de Usos Lingüísticos (appropriateness, change, clarity, grammar, incorrectness, standards, variations). Quem começar a leitura desse livro pelo  Index, irá  perceber quanta informação interessante, relevante e útil Crystal oferece. Alguns exemplos: primeiro, uso em inglês, do termo correctness (79), criatividade lexical shakespeareana (59), institui-ções que influem no uso lingüístico (187-196), pontos fortes e fracos de manuais de uso (157), humor em livros sobre usos (161). As idéias de Crystal sobre linguagem também podem interessar, principalmente  sua  instigante afirmação de que ”Life is messy. We think complex thoughts. So therefore language is messy and complex” (154). Isto me faz lembrar  a memorável  frase Sapiriana: “All grammars leak.” (Language,1921, ch.2.

Essa citação memorável está em Words on Words. Quotations about Language and Languages, de David Crystal e Hilary Crystal. Penguin, 2000, p.122,

que não citam a página, só o capítulo).

Princípios norteadores da educação lingüística de usuários permeiam esta contribuição. Exemplo: “Respect the varieties of language (or the other languages) that people use”(105). Essa crença no dever lingüístico dos usuários e a convicção do Autor de que é preciso aplaudir a variação, fazem com que este lançamento mereça um lugar de destaque na crescente bibliografia sobre usos da língua mais globalizada.

Por/by: Francisco GOMES DE MATOS

(Letras/CAC/ UFPE e Associação Brasil América, Recife)

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