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VARIEDADE DE MANIVAS E SEUS DERIVADOS

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Academic year: 2021

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Trabalho apresentado na III Feira de Ciências e Sementes dos Povos Indígenas de Roraima - A tradição da semente sustenta o povo (CIR - Conselho Indígena de Roraima; IW/INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Iniciativa Wazaka’ye; ; Diocese de Roraima; Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena/UFRR; FUNAI; Terres des Hommes;

Instituto Socioambiental)

Diagramação: Iniciativa Wazaka’ye/INPA Tiragem: 500 cópias

DEZEMBRO/2014

Autores Cledivêncio Monteiro da Silva Valtélio da Silva de Oliveira

Lecilda Silva Oliveira Adriana da Silva Tabosa

Lenilza de Oliveira Alves Ilustrações Jean Mari Trajano Maria Crucita Monteiro da Silva Renaldo Garcia da Silva Aguinaldo de Souza Galvão Auriceia de Souza Galvão Silvio de Souza Pereira

Professora responsável Juvelinda Monteiro da Silva Professores colaboradores Maria da Silva Raposo Gilliard Mafra Macuxi Juliana da Silva Trajano

Montagem

Ulisses Monteiro da Silva Apoio dos professores Cesar Joaquim Barroso Simone da Silva Tenente Cionara Brasil da Silva Edirnildo Silvino da Silva Ronaldo João Francisco Elizangela Silvino da Silva Lucinete da Silva Oliveira Gestor: Onildo Silvino da Silva Tuxauas: Walter de Oliveira/

Derivaldo da Silva Colaboradores Alunos de 1º ao 5º ano Alunos do 6º ao 9º ano

Alunos 1ª e 3ª série do Ensino Médio Pessoas da comunidade

VARIEDADE DE MANIVAS E SEUS DERIVADOS

ESCOLA ESTADUAL INDÍGENA BENTO LUÍS Comunidade São Miguel da Cachoeira

Surumu- Pacaraima/RR

TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL

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maniva branca do pé baixo, maniva língua de cachorro, maniva camarão,

maniva caneludo,

maniva de caxiri da casca roxa, maniva de caxiri do olho roxo, maniva de pobre da mandioca amarela,

maniva do talo roxo, maniva garapinha, maniva buriti, maniva urubu, maniva amajari, maniva são bento, maniva amazonas,

maniva caxiri nova vitória, maniva do pé cinzento,

maniva de farinha do pé galhudo.

macaxeira amarela da folha fina, macaxeira talo vermelho,

macaxeira regional da mandioca branca,

macaxeira branca,

maniva cotovelo de velho, maniva garapão,

maniva da mandioca casca roxa, maniva da casca fina (mandioca branca),

maniva da mandioca amarela do pé alto, maniva branca do pé alto,

maniva tucumã,

maniva de caxiri da mandioca amarela, semente de maniva tucumã,

maniva da folha fina,

maniva da mandioca amarela, maniva gema de ovos,

VARIEDADES DE MANIVAS

A coleta da maniva foi realizada com alunos, professores e membros da comunidade na roça escolar comunitária e roças de outras famílias, em que foram coletados 34 variedades de maniva, que são:

APRESENTAÇÃO

A cartilha é iniciativa dos alunos da Escola Estadual Indígena Bento Luís juntamente com a comunidade, a fim de apresentar as variedades de manivas cultivadas na comunidade São Miguel da Cachoeira, assim como os produtos provenientes dessas diversidades.

Uma iniciativa que vem sendo trabalhado na Escola para a preservação e valorização das variedades nativas das manivas, sendo cultivada de forma tradicional (cultural) tendo como base uma roça escolar plantadas com essas variedades.

O trabalho vem sendo feito com a participação dos alunos, professores e as famílias da comunidade, na construção, plantação e limpeza da roça.

A presente cartilha tem o propósito de incentivar novas pesquisas das

variedades das manivas nas comunidades indígenas de manejo cultural

e conhecer os mais diversos derivados que melhorem a auto

sustentabilidade e a economia das famílias. Esperamos que esta

cartilha sirva de oportunidade para os alunos aprofundarem seus

conhecimentos científicos e culturais.

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PROCESSO DE FAZER FARINHA

A farinha é a forma mais comum de aproveitamento da mandioca, é um dos alimentos de maior consumo na comunidade. Existe uma grande diversidade entres os tipos de farinha, ela sofre diferentes processos de produção e pode ser consumida de várias formas, seca ou mista. A farinha pode ser classificada em dois grupos:

Farinha seca, que é da mandioca descascada, lavadas, raladas, prensadas, peneiradas e secada em forno brando.

Farinha d`agua, é feito com a mandioca descascada ou não, colocadas na água, deixadas para fermentar por tempos variados de 3 a 5 dias, depois de amolecidas elas são misturadas com novas mandiocas, deixando passar 12 horas, ou seja, de um dia para outro.

Todas as espécies de mandiocas são utilizadas na fabricação de farinha, com exceção o tucumã que pode ser feito associando a outras variedades devido ser muito amarga.

As cores das farinhas dependem do tipo da cor da mandioca.

COMO FAZER O BEIJU

O beiju é feito da massa da mandioca branca e antes do preparo da massa do beiju, tem que tirar a goma da metade da massa, para que o beiju possa ficar bem crocante. Porque se não tirar a goma da massa do beiju, o beiju irá ficar duro para comer.

Para se fazer o beiju, a massa tem que estar bem seca. E depois é peneirado na peneira feito especificamente para a massa do beiju. O tempo para assar o beiju é de aproximadamente 12 minutos. Depois de passar por todo esse processo é tirado do forno e colocado em cima de um girau (mesa feita de paichubinha para secar o beiju) sendo secado com a temperatura do sol.

As mandiocas próprias para fazer o beiju são as mandiocas menos amargosas como por exemplo: todas as mandiocas brancas ou amarelas com exceção o garapão, buriti e tucumã.

Massa de mandioca Espremendo massa Fazendo a farinha Peneirando massa para beiju Fazendo beiju

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COMO FAZER O PAJUARÚ Moer (ralar) a mandioca e d e i x a p a s s a r u m d i a d e repouso, no dia seguinte espreme a massa e peneira, após a massa peneirada faz o beiju que pode ser um pouco queimado numa temperatura ideal.

Tirar folha de bananeira e de maniva: coloca embaixo da folha de bananeira inicialmente b r a s a p a r a a u m e n t a r a temperatura, depois molha o beiju colocando em cima da folha, colocando após uma camada de beiju molhado o CURUMI (kuni`paye) folha de maniva seca e moída), terminando colocar a folha verde de maniva, cobrindo todo o beiju e após cobrir com a folha de bananeira, preferencialmente a folha de banana maçã.

As espécies de maniva apropriada para fazer pajuaru são as mesmas utilizadas para fazer o beiju.

COMO FAZER O CAXIRI O caxiri cozido é feito de mandioca que não seja amarga como: macaxeira, cotovelo de velho, gema de ovo, língua de cachorro, buriti, urubu, amazonas, nova vitória e garapão, misturado com a batata quaicó ou batata roxa e batata branca.

Colocar água no panelão para fermentar, depois colocar primeiro a massa da batata para não grudar no fundo da panela e após c o l o c a r a m a s s a d e mandioca misturando com a massa da batata, mexendo ate que toda massa comece a cozinhar. Depois mexer o caxiri de 15 em 15 minutos c o n s e r v a n d o u m a temperatura estável até que f i q u e p r o n t o e m aproximadamente 1 a 5 h o r a s d e p e n d e n d o d a variedade da mandioca, mexer sempre com palheta de madeira que não libera enzima de amargura.

Pajuaru deitado

Caxiri pronto no jamaru

Processo de fazer o caxiri cozido

Coando o pajuaru

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TUCUPI COZIDO

O tucupi é retirado da massa da mandioca, podemos colocar o tucupi para cozinhar aproximadamente 12 horas para que ele esteja pronto.

Com o tucupi podemos fazer o kumaasi.

O kumaasi pode ser utilizado no cardápio como tacacá e molho de pimenta e na damurida (comida típica indigena).

Como fazer o molho de pimenta: pegar um recipiente de vidro ou de plástico adicionando o grão dentro do balde, machuca com uma varinha dentro da garrafa em seguida coloca o Kumaasi e mistura, assim o molho está pronto.

GOMA

Para retirar a goma da massa é preciso misturar com água em u m a b a c i a . C o l o c a u m pano ou tela em cima de u m a p e n e i r a p a r a separa o liquido da massa, durante 12 horas o liquido fica em repouso. Em seguida derrama a á g u a d a g o m a . Para ficar pronta é p r e c i s o l a v a r n o v a m e n t e e deixar por 5 horas e m r e p o u s o , e s t a n d o p r o n t o podemos utilizar para fazer: tapioca, tacacá, rosquinha, beijú de goma e outros...

Mulher tirando goma

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CANTO DA MANDIOCA

Vou mostrar de tudo que eu tenho pra você, as variedades você pode conhecer,

planto de tudo para sobreviver

não morro de fome tenho tudo pra comer. (2x)

Tenho a mandioca, tenho o tucupi, tenho a farinha e o caxiri.

Tenho a tapioca, tenho o carimã, tenho o pajuarú feito de beijú.

Tenho a macaxeira, tenho o tucumã, tenho buriti e o kumaasi.

Composição e música: Agnaldo de Souza Galvão e Cledivêncio Monteiro da Silva.

CONSIDERAÇÕES

Agradecemos aos professores e a comunidade por ter apoiado a

iniciativa de contribuir com as informações sobre o presente trabalho

e principalmente as pessoas mais idosas da comunidade que nos

repassaram as informações culturais. Agradecemos também aos

colegas que ajudaram no desenvolvimento do trabalho da roça e da

cartilha. Esperamos que este trabalho sirva para os leitores, de

incentivo para fortalecer os conhecimentos culturais de nossas

comunidades indígenas.

Referências

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