UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
FATORES ETIOLÓGICOS E CONSEQUÊNCIAS DA HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR- INCISIVO
MARINA MARQUETTO
Tubarão 2020
MARINA MARQUETTO
FATORES ETIOLÓGICOS E CONSEQUÊNCIAS DA HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR- INCISIVO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Odontologia da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Odontologia.
Orientador: Profª Sandra Teixeira Bittencourt, Msc.
Tubarão 2020
A Deus, meus familiares, amigos e a todos os colegas de classe dedico este trabalho, pois durante anos estiveram ao meu lado me incentivando na busca para concretizar esse sonho. E, a minha orientadora responsável por me auxiliar durante todo o desenvolvimento deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar eu agradeço а Deus, que fez com que meus objetivos fossem alcançados, durante todos os meus anos de estudos. Aos meus pais, avós e tios, que me incentivaram e me apoiaram nos momentos difíceis, e de todas as formas me ajudaram a realizar esse sonho. Aos meus amigos, que sempre estiveram ao meu lado, pela amizade incondicional e pelo apoio demonstrado ao longo de todo o período de tempo em que me dediquei a este curso. E claro, a minha professora Sandra por ter sido minha orientadora e ter desempenhado tal função com dedicação e amizade.
Aos professores, por todos os ensinamentos, pela ajuda e pela paciência com a qual guiaram o meu aprendizado .E também, aos meus colegas de curso, com quem convivi intensamente durante os últimos anos, pelo companheirismo e pela troca de experiências que me ajudaram a crescer não só como pessoa, mas também como formanda.
“Só é feliz quem sabe o que quer”
RESUMO
Como a etiologia da Hipomineralização molar-incisivo (HMI) ainda não está completamente definida, muitas hipóteses são levantadas. O que se sabe atualmente é que fatores sistêmicos estão diretamente relacionados, esses fatores podem ser:
baixo peso ao nascer, nascimento prematuro, febre alta, uso de alguns medicamentos, etc. Essas alterações são causadas nos primeiros anos de vida das crianças, e dentro dos períodos neonatais, pois a formação do esmalte se inicia nas primeiras semanas de gestação. As consequências podem variar dependendo da severidade, alguns podem aparecer como manchas amareladas ou marrons, já outros podem apresentar fraturas devido a fragilidade do esmalte e as forças mastigatórias, e consequentemente o surgimento de sensibilidade, e se não houver a higienização correta dessas cavidades atípicas, poderá haver o aparecimento de lesões cariosas.
O tratamento dessas lesões é um desafio, e para casos de hipersensibilidade é indicado o uso se substâncias remineralizadoras. O protocolo restaurador para HMI depende do grau de severidade dos tecidos dentais afetados. Ter o conhecimento dos fatores etiológicos e saber realizar um diagnóstico preciso e precoce é essencial para a orientação do paciente e núcleo familiar e para se evitar o agravamento de suas possíveis consequências.
Palavra chaves :Hipomineralização, HMI, etiologia, molar, incisivo.
ABSTRACT
With the etiology of molar incisor hypomineralization (HMI) not yet completely defined, many hypotheses are raised. What is currently known is that systemic factors are directly related, these factors can be: low birth weight, premature birth, high fever, use of some medications, etc. These changes are caused in the first years of life of the children, and within the neonatal periods, since the enamel formation begins in the first weeks of pregnancy. The consequences may vary depending on the severity, some may appear as yellowish or brown spots, while others may have fractures due to fragility of the enamel and masticatory forces, and consequently the appearance of sensitivity, and if there is no correct hygiene of these atypical cavities, there may be the appearance of carious lesions. The treatment of these lesions is a challenge, and for cases of hypersensitivity, the use of remineralizing substances is indicated. The restorative protocol for HMI depends on the severity of the affected dental tissues.
Having knowledge of the etiological factors and knowing how to make an accurate and early diagnosis is essential for the orientation of the patient and the family nucleus and to avoid worsening its possible consequences.
Key words: Hypomineralization, HMI, etiology, molar, incisor.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 10
2 OBJETIVOS ... 12
2.1 Objetivo Geral ... 12
2.2 Objetivos Específicos ... 12
3 METODOLOGIA ... 13
4 REVISÃO DE LITERATURA ... 14
4.1 Definição e características clinicas ...14
4.2 Fatores etiológicos associados HMI ...15
4.2.1 Pré-natais... 15
4.2.2 Perinatais ... 16
4.2.3 Pós-natais ... 17
4.3 Consequências da HMI... 18
4.4 Tratamento da HMI... 19
5 DISCUSSÃO ... 21
6 CONCLUSÃO ... 24
7 REFERÊNCIAS ... 25
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1INTRODUÇÃO
A Hipomineralização molar-incisivo (HMI) é uma anomalia de origem sistêmica que envolve de um até os quatro primeiros molares permanentes, frequentemente associados aos incisivos permanentes. Aparecem como defeitos no esmalte como manchas opacas de cor branco-amarelado ou amarelo-marrom, podendo ocorrer perda de esmalte logo após sua erupção ou sob forças mastigatórias (ROCHA, et al, 2018).
Em algumas revisões de literatura em estudos populacionais aborda-se uma prevalência bastante variável, de 3% a até 50% de HMI (ASSUNÇÃO, et al, 2014).
O esmalte tem o início de sua formação no período intrauterino, por volta da sexta semana, sendo um tecido que uma vez formado, não é remodelado ou substituído. Essa característica faz com que as alterações ocorridas durante sua formação fiquem permanentemente registradas ou marcadas sobre a sua superfície (PINHO, et al, 2011).
Estes defeitos estruturais podem ser causados por um distúrbio que afeta os ameloblastos durante a fase precoce da maturação amelogênica. Para que os fatores influenciem na formação de dentes permanentes, estes devem ocorrer no período entre o nascimento e os seis anos de vida, pois nessa fase a coroa dos dentes permanentes são formadas, com exceção dos terceiros molares (ROCHA, et al, 2018).
A amelogênese dos primeiros molares e incisivos permanentes ocorre durante o primeiro ano e meio de vida e acredita-se que os fatores sistêmicos que poderiam levar a defeitos do esmalte nesses dentes deveriam ocorrer nesse período (ASSUNÇÃO, et al, 2014).
A etiologia da HMI ainda não está totalmente determinada, mas vem sendo relacionada com algumas condições sistêmicas durante o período pré-natal e durante os períodos perinatal e pós-natal (ASSUNÇÃO, et al, 2014).
A HMI apresenta vários desafios, tanto para o paciente afetado como para o cirurgião dentista que irá realizar seu tratamento clínico (ROCHA, et al, 2018). Jälevick e Klingberg descobriram que, comparando com molares normais, molares com Hipomineralização levam dez vezes mais tempo de tratamento por apresentarem muita sensibilidade, além de que a higienização é dificultada, levando estes dentes a uma maior propensão à cárie (ROCHA, et al, 2018). Assim a abordagem terapêutica nesses casos precisa muitas vezes ser iniciada precocemente (ROCHA, et al, 2018).
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Com o aparecimento muito frequente da HMI nos consultórios odontológicos, é muito importante tentar conhecer suas possíveis etiologias, visando tentar prevenir sua ocorrência nos pacientes infantis. O presente trabalho buscou, portanto, fazer uma revisão de literatura sobre HMI, com o enfoque nos fatores etiológicos e possíveis consequências desta anomalia de desenvolvimento dental.
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2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Conhecer, através de uma revisão de literatura, os fatores atualmente relacionados à etiologia da Hipomineralização molar-incisivo e suas possíveis consequências e tratamentos.
2.2 Objetivos Específicos
• Determinar as características dos dentes que apresentam HMI;
• Apresentar os fatores etiológicos relacionados a esse tipo de anomalia dental;
• Especificar as possíveis consequências e tratamento da HMI.
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3 MÉTODOLOGIA
O presente estudo foi realizado por meio de um levantamento bibliográfico de artigos recentes, bem como de livros e artigos clássicos relacionados ao assunto Hipomineralização molar-incisivo e defeitos de desenvolvimento de esmalte.
Os artigos pesquisados para a presente revisão da literatura foram selecionados nas bases de dados PubMed, Medline, LILACS e SciELO, bem como em outras ferramentas de busca, como o Google Acadêmico.
Os termos utilizados em inglês foram: Hypomineralisation molar-incisor;
developmental defect of enamel; enamel hypoplasia; etiology. E em português:
Hipomineralização molar incisivo; HMI; defeito de desenvolvimento do esmalte;
hipoplasia do esmalte; etiologia; consequências. Na análise das publicações, as informações foram agrupadas de modo a organizá-las, caracterizando as características da Hipomineralização, e possíveis fatores etiológicos relacionados.
Os dados necessários para a realização da revisão da literatura foram obtidos através da leitura dos artigos na íntegra e os dados levantados foram agrupados em categorias com o objetivo de sistematizar os achados.
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4 REVISÃODELITERATURA
4.1 Definição e características clínicas
O primeiro relato da Hipomineralização acometendo molares e incisivos foi realizado na década de 70, na Suíça, em um estudo epidemiológico que mostrou que 15% das crianças nascidas nessa época apresentavam esse diagnóstico. Entretanto, somente em 2001 que o termo Hipomineralização Molar-incisivo (HMI) foi utilizado definitivamente por Weerheijm et al. (ASSUNÇÃO, et al., 2014)
Quando ocorre uma alteração no desenvolvimento do esmalte, tem-se uma perda de estrutura, o que pode se caracterizar como uma hipoplasia, mas, quando temos problemas de Hipomineralização ou opacidade, são designadas como defeitos qualitativos dos tecidos dentários. As alterações que ocorrem no momento da secreção do esmalte são consideradas hipoplasias, já no momento de maturação vai ocasionar um esmalte com mineralizações insuficientes. (ESPINOZA & CALLE, 2019) Estes defeitos de Hipomineralização já podem ser notados nas dentições decíduas, em caninos e 2º molares, o qual é chamado de Hipomineralização de dentes decíduos (KAIRALA, 2015)
Em dentições decíduas o diagnóstico precoce é fundamental para que haja uma intervenção adequada. Já que a formação do esmalte dos molares e incisivos permanentes ocorrem juntamente com os molares decíduos, e a presença desses defeitos no esmalte podem prejudicar a próxima dentição permanente (SEOW, 2014;
SEOW et al., 2011). Assim o acompanhamento desta criança com a Hipomineralização deve ser feito frequentemente (SEOW, 2014).
Tanto em dentes decíduos, como nos permanentes, há consequências dessas alterações de formação no esmalte, e tem-se o surgimento de lesões brancas, porosas com aspecto de giz, com bordas quem vão da tonalidade branca ao marrom, e que podem causar uma sensibilidade no paciente. Além disto, podem ocorrer fraturas de erupção e surgimento de lesões cariosas devido ao acúmulo de biofilme causado pela dificuldade da higienização (VILANE, et al., 2014).
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4.2 Fatores etiológicos associados a HMI
A Hipomineralização Molar-Incisivo ainda não tem a sua etiologia totalmente esclarecida. Pode-se dizer que se origina de um defeito na fase de formação do esmalte, porém, sua formação também pode ser alterada quando algumas desordens acontecem, como: alterações em genes específicos, traumas, distúrbios sistêmicos, entre outros. Estas desordens podem afetar os ameloblastos durante as fases de formação ou maturação. O processo de formação ocorre em três períodos, pré- secreção, secreção e maturação. (IZAGUIRRE, et al, 2019)
Em geral, pode-se afirmar que qualquer deficiência nutricional ou doenças sistêmicas mais sérias poderiam ser capazes de produzir esta alteração hipoplásica de esmalte, já que os ameloblastos constituem um dos grupos de células mais sensíveis do corpo no que diz respeito à função metabólica. Entretanto, a esses defeitos de formação do esmalte dental só aparecem se a injúria ocorrer na época em que os dentes estão em desenvolvimento ou, mais especificamente, durante a fase de formação do esmalte. Depois de o esmalte estar mineralizado, não existe mais o risco de ocorrer este tipo de defeitos (Neville et al, 1998).
Alterações que acontecem dentro do último trimestre de gestação, no momento do parto e até os 3 anos de vida pode causar a HMI. A etiologia desses distúrbios pode estar associada a vários fatores, tanto na fase pré-natal, perinatal e pós-natal, sendo eles: baixo peso ao nascimento, hipóxia, doenças respiratórias, desordens metabólicas do cálcio e fosfato e doenças da infância associadas à febre alta. Alguns autores associam a HMI a exposição à dioxina, um subproduto gerado pela poluição de industrias de herbicidas, desinfetantes e inseticidas clorados. A dioxina é um produto altamente cancerígeno, podendo se acumular no tecido adiposo do ser humano e causar muitos problemas (KAIRALA, 2015).
4.2.1. Pré-natais
Autores também relatam que gestantes que tiveram diabetes gestacional, hipertensão arterial, asma, infecção urinária ou uso frequente de antibióticos e problemas durante o parto do bebê como: sofrimento fetal, parto prolongado, cesária, parto prematuro e asfixia, podem causar alterações no esmalte. Quadros febris também estão associados, assim como doenças exantemáticas, especialmente a
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varicela, enfermidades respiratórias como bronquite, otite e broncopneumonia.
(Muñoz et al, 2011).
O consumo do álcool no período gestacional pode apresentar grande relevância de alterações no esmalte nos períodos de deposição e maturação da matriz, tamanho dentário, diferenciação celular, mineralização do esmalte e erupção tardia. (JIMÉNEZ, et al., 2005)
Autores tem citado a possibilidade de um fator causal ser o uso de ultrassom, entretanto, esta opção ainda não é muito concreta, pois há variantes a ser determinada como: a frequência de exposição, intensidade e duração. Mas geralmente gestações que necessitam de frequentes ultrassonografias são porque o feto necessita de uma atenção especial por portar algum tipo de doença. (ESPINOZA
& CALLE, 2019) Discute-se atualmente se a HMI aparece por causa da doença ou pela exposição as ondas do ultrassom. (JIMÉNEZ, et al., 2005)
4.2.2. Perinatais
Problemas de ordem geral em recém-nascido e prematuros também podem ocasionar esse tipo de hipoplasia, devido as intervenções que são necessárias para a sobrevivência do bebê, sendo elas: drogas, assistência ventilatória e intubação orotraqueal. As dificuldades mais frequentes são: anóxia ou hipóxia, hipoglicemia, hipocalcemia, vários graus de anemia, distúrbios renais, cardiorrespiratórios e metabólicos. (KAIRALA, 2015)
Tanto o parto prematuro, quanto o baixo peso ao nascer, pode estar associado a HMI. Ela acontece porque o bebê quando nasce ainda não está com os pulmões bem preparados e isso pode causar um hipóxia, causando assim uma falta de oxigênio para o ameloblasto, ocasionando uma má formação do esmalte. (OLIVEIRA, 2015).
Bebês com baixo peso ao nascer ou que apresentem doenças cardíacas congênitas também poderiam apresentar posteriormente HMI, por deficiência de atuação dos ameloblastos neste período (ASSUNÇÃO, et al, 2014).
Períodos prolongados de falta de ar podem causar danos celulares irreversíveis. Quando o corpo está sofrendo essa hipóxia, o organismo entra com um
“sistema” compensatório, quando isso acontece, aparece uma grande quantidade de HIF-1α nas células de ameloblasto após a hipóxia. (ESPINOZA & CALLE, 2019)
4.2.3. Pós-natais
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Períodos Febris, com picos de febre alta nos primeiros anos de vida causam uma desorientação e alterações morfológicas nos prismas dos esmaltes no seu período de formação. (ESPINOZA & CALLE, 2019)
Condições comuns nos primeiros três anos, como doenças das vias respiratórias superiores, asma, otite, amigdalite, doenças gastrointestinais, desnutrição, varicela, sarampo e rubéola, parecem estar associadas à ocorrência dessa anomalia (ASSUNÇÃO, et al, 2014).
Machado e colaboradores realizaram uma pesquisa onde foi constatado que, em 50% das crianças estudadas com HMI, o fator mais presente no período da dentição decídua foi a febre alta e uso de amoxicilina nos primeiros anos de vida.
(ESPINOZA & CALLE, 2019)
Doenças como otite média, pneumonia, asma e amigdalite, que são doenças que diminuem os níveis normais de oxigênio na criança, poderiam acarretar uma má formação da hidroxiapatita e consequentemente trará uma hipomineralização do esmalte. (ESPINOZA & CALLE, 2019). Entretanto, essas alterações dependeriam do momento, tamanho da lesão e a idade, para que ocorra algum tipo de alteração no dente sucessor. (SOARES, et al., 2014)
O uso em doses altas de antibióticos nos três primeiros anos de vida poderia ajudar a desenvolver a Hipomineralização molar-incisivo, pois o medicamento poderia alterar a formação dos ameloblastos, ou a infecção que levou a criança a usar esse tipo de medicamento (KAIRALA, 2015). Em um estudo com camundongos, notou-se que os dentes expostos na concentração de 4mg/ml de amoxicilina já causava alterações na mineralização dos dentes, já os expostos em baixas quantidades, os ameloblastos não tiveram alterações (LAISI, S. et al., 2009).
Além disso, o uso de amoxicilina com o ácido clavulâmico, ingerido por mais de 60 dias, afetaria os ameloblastos em sua qualidade e quantidade, principalmente na fase de maturação (ESPINOZA & CALLE, 2019).
Para a formação do esmalte são necessários mediadores de inflamação para ajudar na formação dos cristais, um dos mediadores presentes nesse momento é a COX 2, ela ajuda no processo de maturação do esmalte. O uso de antibióticos, acetaminofeno e ibuprofeno poderiam causar uma diminuição da COX 2, ajudando na formação de defeitos de esmalte (ESPINOZA & CALLE, 2019).
4.3 Consequências da HMI
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A HMI pode apresentar níveis de severidade, indo do leve ao mais grave, sendo que o leve é caracterizado por apresentar manchas opacas da cor branca, amarelo ou marrom, e as graves contendo perda de estrutura dental (WEERHEIJM, et al., 2003). Quando se tem um esmalte com aspecto amarelado ele possu menos resistência que um esmalte coma coloração mais branca (COSTA-SILVA, et al., 2010).
Geralmente são lesões bem demarcadas, extensas e com a superfície lisa.
Nos incisivos, o aparecimento de fraturas é raro, todavia, as manchas da HMI podem comprometer a estética do paciente, já que os dentes anteriores são os que aparecem no sorriso, enquanto que em molares a presença de fraturas é mais comum, já que sofrem diretamente com as forças mastigatórias. Presença de sensibilidade extrema pode ocorrer em casos onde encontra-se grande destruição coronária, podendo ser indicado para exodontia, entretanto, essa indicação é pouco provável (AHMADI, 2012; JEREMIAS et al., 2013).
Uma das consequências que aparecem no momento do tratamento é a dificuldade de anestesiar, e esta situação pode causar alguns transtornos para o cirurgião e a criança, dificultando o tratamento. (COSTA-SILVA, et al., 2010)
Essas cavidades incomuns que surgem, facilitam o acúmulo de biofilme, aumentando a suscetibilidade de dentes com HMI a apresentarem cáries (AHMADI;
RAMAZANI; NOURINASAB, 2012).
Estas lesões de cárie podem acabar camuflando as manchas da Hipomineralização e acelerando o processo de destruição coronária, se tornando necessário as intervenções restauradoras atípicas (WEERHEIJM et al., 2003).
4.4 Tratamento da HMI
As crianças com HMI são constantemente levadas ao dentista por terem essa fragilidade nos dentes e necessitarem de tratamento, mas o cirurgião dentista pode enfrentar algumas dificuldades, como: adesão deficiente do material restaurador ao esmalte dentário e necessidade de retratamento com frequência. Aspectos psicológicos também podem afetar as crianças e até mesmo adultos, já que essa hipoplasia atinge incisivos e causa manchas com tonalidades amareladas e brancas.
(FARIAS, et al., 2018)
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Este pode ser um dos maiores desafios para o cirurgião dentista, começando pela realização do diagnóstico. O dentista deve reconhecer as características da Hipomineralização e saber os diagnósticos diferenciais, que podem ser: fluorose dentária, amelogênese imperfeita, hipoplasia do esmalte e cárie dentária. Na fluorose, as opacidades são difusas e estão presentes em dentes homólogos (DANTAS-NETA et al., 2016; TEIXEIRA et al., 2017). Já a amelogênese imperfeita é uma alteração genética que pode envolver todos os dentes (GHANIM et al., 2015). Fraturas de esmalte pós-eruptivas devido à HMI apresentam bordas irregulares, ao contrário de quebras relacionadas à hipoplasia, que têm arestas lisas e arredondadas (GHANIM et al., 2015; TEIXEIRA et al., 2017). As lesões de cárie dentária se localizam em áreas comuns de acúmulos de biofilme, e contam com manchas brancas, opacas e irregulares (GHANIM et al., 2015; TEIXEIRA et al., 2017).
Uma outra dificuldade pode ser encontrada diante de o esmalte dental ser altamente poroso e o módulo de elasticidade e dureza reduzidas, tornando as cavidades difíceis de reconstruir (FARAH et al 2010; MAHONEY et al, 2004). Além dos outros desafios clínicos há também a colaboração do paciente, sensibilidade e o medo. Os tratamentos variam dependendo do grau de severidade. No protocolo restaurador para HMI em casos moderados e graves, são indicadas as restaurações adesivas com resina composta, Cimento de Ionômero de Vidro (CIV) de alta viscosidade, coroas metálicas e extração e posteriormente o tratamento ortodôntico (WEERHEIJM et al., 2004; WILLIAM et al, 2006). Já para tratamentos mais invasivos, onde há a necessidade de fazer a remoção total da parte afetada, esta deve ser adiada até que a criança tenha idade para entender a situação e colaborar com o tratamento, porém a aplicação de selantes pode contribuir para o não aparecimento das lesões cariosas. (FRAGELLI et al 2015).
Quando há a presença da hipersensibilidade, o uso da substância fosfopeptídeo de caseína-fosfato de cálcio amorfo obteve um resultado positivo na pesquisa realizada por (PASINI et all. 2018), quando comparado ao creme dental com flúor. Em outro estudo feito por ÖzgüL et al. (2013), onde foram avaliadas todas as substâncias remineralizantes, todos apresentaram resultados significativos na hipersensibilidade após 3 meses de acompanhamento. E ainda, realizar a aplicação do verniz fluoretado, juntamente com a restauração de CIV, auxilia no fortalecimento da estrutura dental (OLIVEIRA,2015).
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O tratamento para opacidades demarcadas, apresentadas geralmente nos incisivos, pode ser realizado o clareamento dentário (HARIKA et al., 2016) e a técnica mais recente de infiltração profunda, com o objetivo de melhorar a estética dos dentes anteriores (GIANNETTI et al., 2018).
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5 DISCUSSÃO
O mecanismo de desenvolvimento da HMI permanece relativamente desconhecido e a sua etiologia ainda não foi totalmente definida. Vilane et al (2014), Rocha et al (2018), Assunção et al (2014) citam as características da HMI, as quais são importantes para ter-se um diagnóstico preciso, como o aspecto de giz, a coloração amarelada ou marrom, a opacidade demarcada, porosidade, fraturas pós eruptivas e cavidades atípicas.
Atualmente sabe-se que a HMI ocorre predominantemente em crianças com histórico de complicações sistêmicas nos primeiros anos de vida. Os autores, Pinho et al (2011), Assunção et al (2014) e Rocha et al (2018) também relatam algumas condições que podem alterar o esmalte dentário, a etiologia pode estar relacionada a fatores como baixo peso ao nascer, hipóxia, doenças respiratórias, desordens metabólicas do cálcio e fosfato, febre alta, etc. Além disto, pode-se dizer que deficiência nutricional e doenças sistêmicas mais severas podem causar HMI.
Espinoza e Calle (2019), Kairala (2015), Izaguirre et al. (2019) Neville et al.
(1998) e Muñoz et al.(2011) relatam que essa má formação pode ocorrer dentro do último trimestre de gestação, no momento do parto e até os 3 anos de vida da criança.
Gestantes que tiveram diabetes gestacional, hipertensão arterial, asma, infecção do trato urinário, uso frequente de antibióticos e problemas durante o parto são possíveis causas de alterações no esmalte dentário do bebê. Jiménez et al (2005) afirma ainda que o consumo de álcool no pré-natal pode apresentar grande relevância para o surgimento de alterações no esmalte. Espinoza e Calle (2019) e Jiménez et al (2005) relatam que o uso frequente de ultrassom também pode causar alguma alteração, mas essa ideia ainda não é concreta, pois gestações que necessitam de visitas constantes a ultrassonografia geralmente apresentam algum tipo de comorbidade ao feto, e discute-se se não seria essa doença que apresentaria relação com a HMI.
Já alterações no período perinatal, como hipóxia, hipoglicemia, graus de anemia, hipocalcemia e distúrbios renais, cardiorrespiratórios e metabólicos podem levar a desordem nos ameloblastos, ocasionando HMI, como relata Kairala, (2015). O nascimento prematuro também é um fator, já que os pulmões do neonato ainda não estão totalmente formados, causando uma falta de oxigênio para os ameloblastos, relatado por Oliveira (2015) em seu trabalho.
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Alterações causadas no pós-natal também podem causar alguns prejuízos para o esmalte dentário. Estas alterações podem ser decorrentes de picos de febre alta nos primeiros anos de vida, causando uma modificação nos prismas do esmalte.
Doenças do trato respiratório, como pneumonia, asma, amigdalite e otite média, que causam uma diminuição no oxigênio, consequentemente geram uma alteração na formação da hidroxiapatita conforme Espinoza e Calle, (2019) relatam. Entretanto, Soares et al (2014) afirmam que essas alterações dependem do momento, tamanho da lesão e a idade, para que ocasionem uma modificação no dente sucessor.
Espinoza e Calle (2019) alertam que o uso de medicamentos que inibem o processo de inflamação, como ibuprofeno e acetaminofeno, podem contribuir para o aparecimento da Hipomineralização, visto que para a formação do esmalte é necessário que haja mediadores inflamatórios. Laisi, et al (2009) em estudo recente, mostraram que dentes de camundongos expostos à baixa concentração de amoxicilina não obtiveram alterações, mas os que foram expostos a concentrações de 4mg/ml mostraram mudanças estruturais.
Weerheijm et al (2003) relatam que as consequências da HMI apresentam graus, podendo ir do leve ao grave, sendo que o leve conta com o aparecimento de manchas brancas, e os casos mais graves contêm fraturas pós-eruptivas. Costa-Silva et al (2010) revelam que esmaltes com o aspecto mais amarelado possuem uma menor resistência comparado com os de cor mais branca, já Ahmadi (2012) e Jeremias et al (2013) relatam que essas lesões são bem demarcadas, com superfície mais lisa, e manchas amareladas ou amarronzadas, e apresentam grande sensibilidade, e relatam que os molares apresentam possibilidade de fraturas, pois sofrem diretamente com as forças mastigatórias, enquanto que nos incisivos isso não acontece.
Para Seow et al. (2011) e Seow (2014), quanto antes for realizado o diagnóstico, melhor para o paciente, principalmente se forem observados defeitos estruturais na dentição decídua, pelo fato da formação dos molares permanentes acontecer juntamente com os molares decíduos.
Dantas- Neta et al (2016) e Teixeira et al (2017) contribuem com o fato de que para poder aplicar um tratamento correto, deve-se contar com uma identificação precisa, visto os diagnósticos diferenciais da doença, podendo ser citados a fluorose dentária, amelogênese imperfeita, hipoplasia do esmalte e cárie dentária. Porém, Ghanim et al (2015) afirma que para ser confirmada a amelogênese imperfeita são
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necessários a presença de alteração genética, o envolvimento de todos os dentes, enquanto as fraturas relacionadas com a hipoplasia têm arestas lisas e arredondadas, diferente das fraturas pós-eruptivas da HMI.
As cavidades incomuns formadas em dentes com HMI podem contribuir para o acúmulo de biofilme, facilitando o aparecimento de cárie. Weerheijm et al. ( 2003) afirmam que essas lesões de cáries podem camuflar as manchas da Hipomineralização, acelerando o processo de destruição coronária. Outra consequência relatada por Costa-Silva et al (2010) foi a dificuldade de anestesiar esses dentes no momento do tratamento, podendo essa situação trazer alguns transtornos para a criança. Farah et al., 2010, relatam que outra dificuldade para realizar um tratamento pode se dar pelo esmalte de apresentação muito porosa e a dureza muito reduzida, tornando difíceis as reconstruções. Weerheijim et al (2004), William et al (2006) e Fragelli et al. (2015), referem a colaboração do paciente, que geralmente são crianças, em que a presença da sensibilidade e medo são constantes no ambiente clínico.
O trabalho por Pasini et al (2018) revela que o uso de substância fosfopeptídeo de caseína-fosfato de cálcio amorfo teve um ótimo resultado para hipersensibilidade quando comparado aos cremes dentais com flúor, visto que no estudo de Özgül et al (2013) foram verificadas todas as substâncias remineralizantes, e todas apresentaram resultados significativos na sensibilidade dentária. Já o tratamento para as opacidades em incisivos, a opção que o Giannetti et al (2018) indicam é o clareamento dentário e a técnica mais recente de infiltração profunda, para melhorar a estética nesses dentes anteriores.
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6 CONCLUSÃO
A Hipomineralização molar- incisivo ainda não tem sua etiologia definida, mas apresenta alguns fatores sistêmicos que podem influenciar para o surgimento desses defeitos. Para que essas alterações causem uma Hipomineralização, elas devem acontecer no momento da formação do esmalte, que ocorre nas primeiras semanas intrauterinas, por tanto fatores que ocorrem no período pré-natal, perinatal e pós-natal tem relação direta com o surgimento da HMI.
As consequências podem variar dependendo da severidade, alguns podem aparecer como manchas amareladas ou marrons, já outros podem apresentar fraturas devido a fragilidade do esmalte e as forças mastigatórias, e, consequentemente, o surgimento de sensibilidade, e se não houver a higienização correta dessas cavidades atípicas, poderá haver o aparecimento de lesões cariosas.
O tratamento dessas lesões é um desafio, e para casos de hipersensibilidade é indicado o uso se substâncias remineralizadoras. O protocolo restaurador para HMI depende do grau de severidade dos tecidos dentais afetados.
Ter o conhecimento dos fatores etiológicos e das possíveis consequências da Hipomineralização molar-incisivo é fundamental para se ter um correto diagnóstico, possibilitando um tratamento adequado a cada tipo de situação, promovendo saúde e bem-estar de cada paciente e prevenindo o agravamento de suas possíveis consequências.
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7 REFERÊNCIAS
1. AHMADI, R.; RAMAZANI, N.; NOURINASAB, R. Molar incisor hypomineralization: a study of prevalence and etiology in a group of Iranian children. Iran. J. Pediatr., Tehran, v. 22, n. 2, p. 245-251, Junho 2012.
2. Alaluusua S.; Jalevik B.; Weerheijm KL. Molar incisor hypomineralization.
Caries Res 2001.
3. ASSUNÇÃO, M. Cristiane. GIRELLI, Veridiane. SARTI, S. Caroline.
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