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A QUESTÃO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE

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Academic year: 2021

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A Q U E S T Ã O D O ADICIONAL D E PERICULOSIDADE

S A M U E L C O R R Ê A LEITE<‘>

A Lei n. 7.369, d e 20.9.85, instituiu e m favor d o s e m p r e g a d o s q u e e x e r c e m atividade n o setor d e energia elétrica, e m condições d e periculosidade, u m adicio­

nal d e 3 0 % sobre o salário.

O Decreto n. 92.212, d e 20.12.85, estabelecia o quadro d e atividades e res­

pectivas áreas d e risco, tendo sido r ev ogado pelo Decreto n. 93.412, d e 14.10.86, q u e a l é m d e conter a especificação d a s atividades e respectivas áreas d e risco, li­

mitou, e m seu artigo 2 a, item II, o direito a o aludido adicional nas hipóteses e m q u e o empregado, para e xe cução d e sua atividade, ingressa, d e m o d o intermitente, nas áreas d e risco, ensejando mais u m a controvérsia q u a n d o se trata d e pedido d e p a ­ g a m e n t o d o adicional d e periculosidade, além daquelas q u e habitualmente s ã o c o ­ locadas e m juízo, c on forme p r e te nd em os demonstrar a seguir:

1) O parágrafo 2 a, d o artigo 193, d o diploma consolidado, v ed a o p a g a m e n ­ to cumulativo dos adicionais d e insalubridade e d e periculosidade, a o facultar a o e m ­ pregado, q u e t e m direito a o adicional d e periculosidade, a o p ç ã o pelo adicional d e insalubridade q u e porventura lhe seja devido. E m tese, tal o pç ão som en te seria van­

tajosa a o trabalhador q u e percebe o salário m í n i m o e faz jus a o adicional d e insa­

lubridade e m grau máximo, conforme artigo 192, d o texto consolidado, o que, n a prá­

tica, dificilmente ocorre. Por isso m e s m o , incabível o pedido cumulativo d e tais adi­

cionais c o m o intuito único d e onerar a e m p r e s a c o m perícia desnecessária, s o b o pretexto d e exercer referida o pç ão quando, e m razão d o salário percebido, já se sa­

b e d e a n t e m ã o q u e a escolha fatalmente irá recair sobre o adicional mais vantajo­

so, n o caso, d e periculosidade.

2) Q u a n d o é pedido o adicional d e insalubridade o u d e periculosidade e o e m ­ pregador é revel, incide a confissão decorrente d a revelia? E n t e n d e m o s q u e não.

isto porque o parágrafo 2 a, d o artigo 195, d a CLT, determina a obrigatoriedade le­

gal d a prova pericial e, portanto, estando o juiz adstrito à prova e m questão, p o d e n ­ d o o revel posteriormente intervir n o processo, inclusive oferecendo quesitos e in­

dicando assistente técnico, por força d o disposto n o artigo 322, d o C ód ig o d e Pro­

c es so Civil, aplicado subsidiariamente, conforme artigo 769, d o diploma consolida­

do. E se, a lé m d o pedido d e adicional d e insalubridade o u d e periculosidade, t a m ­ b é m forem pleiteadas outras verbas, tal c o m o , por exemplo, horas extras? O e m ­ pregador será revel e confesso quanto à s d em a i s verbas, m a s n ã o será confesso quanto a o pedido e m questão.

(*) Samuel Corrêa Leite é Juiz Presidente da JCJ de Marilia.

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3) A p e n a s o s e m p r e g a d o s das concessionárias d e energia elétrica t ê m direi­

to a o adicional d e periculosidade d a Lei n. 7.369/85? A lei e m tela s o m e n t e estabe­

lece q u e aquele q u e trabalha n o setor d e energia elétrica, independentemente d o r a m o d a e m p r e s a , d e s d e q u e e x e r c e n d o atividade especificada n o Decreto n.

93.412/86, t e m direito a o adicional, a partir d a regulamentação d a Lei n. 7.369/85.

Basta q u e seja reconhecida qualquer das condições descritas n o a n e x o d o Dec re ­ to n. 93.412/86.

4) O adicional e m pauta integra a remuneração? O adicional d e periculosida­

d e p a g o e m caráter perma ne nt e integra a r e m un er aç ão d o empre ga do , excluindo- s e a p e n a s as gratificações, prêmios o u participações nos lucros (artigo 193, pará­

grafo 1a, d a CLT), inclusive a base d e cálculo das horas extras, sob p e n a d e r e m u ­ neração e m valor inferior a o d a hora normal.

5) O e m p r e g a d o q u e ingressa, d e m o d o intermitente, nas áreas d e risco s o ­ m e n t e t e m direito a o adicional proporcional, n a forma d o Decreto n. 93.412/86? O decreto, c o m o ato administrativo q u e é, t e m por finalidade regulamentar a lei. R e ­ gulamentar n ã o é alterar, modificar, restringir. A Lei n. 7.369/85 n ã o fez qualquer restrição para efeito d e q u e fosse devido o adicional d e periculosidade proporcio­

nal para aqueles q u e realizavam atividades perigosas d e forma intermitente. Logo, o Decreto n. 93.412/86, nesse aspecto, estrapolou sua competência, deturpando a finalidade social d a lei q u e visou regulamentar. Por isso m e s m o , c o m p r o v a d o o tra­

balho e m área d e risco, nas condições previstas pelo Decreto n. 93.412/86, é d e ­ vido o adicional d e periculosidade, independentemente d o t e m p o d e exposição na

referida área. i

Marilia, 2 2 d e outubro d e 1992.

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