CALCULANDO COM OS DADOS
Categoria: Educação Especial Modalidade: Materiais e/ou jogos didáticos
PILATTI, Bryan Ferreira; LUIZ, Roseli Maria Berkenbrock; ZICK, Janaina Gesser
Instituições participantes: Escola de Ensino Fundamental Vereador Alfredo Scottini – Rio do Oeste)
INTRODUÇÃO
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) requer práticas pedagógicas que possam atender às necessidades de um público diversificado, dentre eles, os sujeitos que apresentam alguma deficiência. Nesse contexto, as práticas fomentadas nesse espaço, para longe de uma segregação, visam fomentar o processo de inclusão desse público tanto na escola regular como na sociedade de um modo geral, contribuindo em muitos aspectos como os cognitivos, sociais, afetivos e sensoriais. Assim, seu objetivo não deve ser um reforço escolar, mas deve propor condições e liberdade para que o aluno possa participar do processo de construção de seu conhecimento.
Dentre as atividades propostas na sala de atendimento educacional especializado as atividades lúdicas podem e devem estar presentes, pois são uma possibilidade de se trabalhar de forma mais dinâmica e criativa, contribuindo para uma formação integral dos alunos que são atendidos nesse espaço.
Rau (2011, p. 36)”destaca que entender que” a utilização do lúdico como recurso pedagógico na sala de aula pode constituir-se em um caminho possível que vá ao encontro da formação integral das crianças e do atendimento às suas necessidades. Ao pensar em atividades significativas que respondam às necessidades das crianças de forma integrada, articula-se a realidade sociocultural do educando ao processo de construção de conhecimento, valorizando-se o acesso aos conhecimentos do mundo físico e social.
Diante dos diversos desafios vivenciados nas salas de aula regular, em relação à educação inclusiva, nasce a necessidade de novas ferramentas e estratégias capazes de transformar a realidade escolar. Neste sentido, utilizando-se da ludicidade, por intermédio
dos jogos didáticos desenvolvidos na sala do AEE, podemos contribuir de forma significativa para o desenvolvimento intelectual, motor e cognitivo desses alunos, pois propiciam o desenvolvimento de habilidades, bem como auxiliam no processo de aprendizagem de conceitos, permitindo um caminho de construção do conhecimento que vai da imaginação à abstração de ideias, mediadas pela resolução de problemas.
O trabalho foi realizado na sala do AEE que frequento (atendimento educacional especializado) da Escola de Ensino Fundamental Vereador Alfredo Scottini, situada na Estrada Geral Toca Grande no município de Rio do Oeste. Escola esta que sou aluno do sétimo ano do Ensino Fundamental, portador de TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Também frequento a sala de ensino regular, sou acompanhado por uma professora auxiliar, e atendido semanalmente na sala do AEE da própria escola. O trabalho que vou apresentar iniciou no mês de abril do decorrente ano e se estenderá até o final desse mesmo ano, ou até atingir os objetivos propostos para o mesmo.
A minha professora do AEE em conversa com o professor da disciplina de matemática da turma e a professora auxiliar, percebeu que apresento muita dificuldade em realizar cálculos, inclusive envolvendo operações simples de adição e subtração e cálculo mental. Nesse sentido o trabalho justifica-se pela necessidade de encontrar uma maneira de contribuir no meu aprendizado, não como um reforço das aulas de matemática, mas sim como uma forma de desenvolver o raciocínio lógico matemático através de atividades lúdicas e de meu interesse, e assim contribuir com minha aprendizagem na sala de aula no ensino regular.
Quanto maior for o repertório lúdico da criança, maior será a capacidade dela em representar seus papéis em suas brincadeiras e jogos, ampliando suas possibilidades e competências. Com o brincar ela constrói os conhecimentos através dos papéis que representa, amplia sua linguagem, sua habilidade motriz, além de organizar e fortalecer suas emoções, sentimentos e afetividades (ALMEIDA, 2014, p. 68-69).
Com o trabalho elencamos como objetivo geral desenvolver habilidades de atenção e concentração para a resolução de cálculos mentais, contribuindo para o raciocínio dedutivo. E os objetivos específicos de construir e ampliar um repertório de cálculo memorizado, compreender que as operações de adição e subtração são inversas e que envolvem um significado a partir da utilização do dado, e utilizar o jogo com dados para desenvolver a habilidade do cálculo mental e a capacidade de organizar informações diante de situações que envolvem reflexão.
CAMINHOS METODOLÓGICOS, RESULTADOS E DISCUSSÃO
Muitas crianças com autismo apresentam dificuldade para compreender termos abstratos e conceitos matemáticos, porém, sabemos que ele tem mais facilidade para aprender determinado conceito quando começa com passos básicos e vai aumentando a complexidade gradualmente, em uma ordem lógica, principalmente quando envolve um objeto de seu interesse.
Sendo assim o trabalho deu início quando perceberam meu interesse por dados.
No desenvolvimento do trabalho envolvemos somente a disciplina de matemática.
Iniciamos com o reconhecimento da figura geométrica espacial que um dado representa.
Para tornar o trabalho mais atrativo iniciamos com a atividade de prática de construção de um cubo com massinha e palitos, conforme Figura 01. Nesta atividade trabalhamos além do conteúdo de geometria, também o sistema de medidas padrão usado em uma receita e frações. Começamos analisando os ingredientes da receita de massinha de modelar, o que representa a parte inteira e a parte fracionária. Organizamos os ingredientes e os objetos que usaríamos para medir. Fizemos a massinha e com ela começamos a construir um cubo com palitos. Após a construção do cubo, contamos e nomeamos as partes dele fazendo a relação com o que foi usada na sua construção, assim, a massinha representa os vértices, os palitos representam as arestas e os lados vazados representam as faces.
Figura1 – Ilustração da receita da massinha e da construção do cubo
Fonte: O autor (2022)
Após a construção do cubo partimos para a construção dos dados usando o miolo de rolo de papel higiênico, aproveitamos para conhecer outra figura geométrica espacial que é o cilindro. Começamos a construção do dado dobrando o cilindro duas vezes ao
meio tendo assim uma base quadrada, sabendo que um dado tem os lados iguais medimos a base cortamos o cilindro em duas partes com a mesma medida da base, trabalhando assim o conceito de medida de comprimento. Com as duas partes cortadas, encaixamos uma na outra e formamos um dado. Após isso partimos para a marcação dos números no dado construído.
Figura 2 – Ilustração da atividade de construção do dado
Fonte: O autor (2022)
Um dado tem seis faces, sendo assim cada face recebe um número sendo eles de um a seis. Observamos um dado para descobrir a lógica correta de numeração do mesmo, descobrimos que os números de um a seis são colocados em um dado de modo que a soma das faces opostas seja igual a sete. Com essa informação fizemos os cálculos de adição encontrando todas as possibilidades de soma sete e assim numeramos o dado.
Logo após numerar o dado iniciamos a atividade de cálculo envolvendo adição e subtração. Lançando o dado contavam-se os pontos que estavam do lado de cima, e sabendo que a soma dos dois lados é sete, através de uma subtração conseguíamos descobrir o número que estava escondido no lado de baixo do dado. No início foi necessário o uso de palitos para o aluno fazer os cálculos, porém com o tempo ele foi desenvolvendo o cálculo mental.
Demos continuidade ao trabalho construindo um jogo envolvendo adição e subtração, para construir o jogo iniciamos fazendo uma planilha das adições e subtrações possíveis lançando dois dados.
Planilha 1- Diferentes possibilidades de adições dos valores da face, quando lançados dois dados
OPERAÇÕES SOMA
1+1 2
1+2 2+1 3
1+3 3+1 2+2 4
1+4 4+1 2+3 3+2 5
1+5 5+1 2+4 4+2 3+3 6
1+6 6+1 3+4 4+3 5+2 2+5 7
6+2 2+6 4+4 5+3 3+5 8
6+3 3+6 5+4 4+5 9
6+4 4+6 5+5 10
6+5 5+6 11
6+6 12
Fonte: O autor (2022)
Planilha 1- Diferentes possibilidades de subtrações dos valores da face, quando lançados dois dados
OPERAÇÕES RESTO
6-6 5-5 4-4 3-3 2-2 1-1 0
6-5 5-4 4-3 3-2 2-1 1
6-4 5-3 4-2 3-1 2
6-3 5-2 4-1 3
6-2 5-1 4
6-1 5
Fonte: O autor (2022)
Após descobrirmos os possíveis resultados da soma e da subtração entre dois dados, distribuímos os resultados em um tabuleiro de forma que nenhum número se repetisse nas linhas e colunas. Para jogar o jogo intitulado “Trilha da adição e subtração”
foram necessários dois dados e dois peões, que ficam posicionados na parte de baixo do tabuleiro, na saída. Cada jogador lança dois dados de uma vez só, faz o cálculo dos pontos usando adição e/ou subtração. O jogador deve fazer todos os cálculos possíveis usando os dois lados do dado, até encontrar um resultado que esteja na linha de saída e inicia o jogo, dando continuidade a ele com o próximo jogador. Se não tiver na primeira linha nenhum dos resultados encontrado, ele passa a vez. Ganha o jogo quem chegar primeiro na última linha. Esse jogo tem como objetivo desenvolver a habilidade do cálculo mental nas operações de adição e subtração.
Figura 3 – Ilustração do jogo Trilha
Fonte: O autor (2022)
CONCLUSÕES
O presente trabalho possibilitou-me analisar como os jogos educativos contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem e como eles nos trazem benefícios nos aspectos cognitivo, social e afetivo. Foi possível visualizar a importância e as vantagens de desenvolver práticas pedagógicas pautadas na ludicidade, pois ao utilizar o dado e o jogo com o mesmo, conseguiu-se desenvolver a habilidade do cálculo mental e de organização de informações nos cálculos das operações de adição e subtração.
O uso de jogos adequados às nossas necessidades educacionais poderá favorecer um Atendimento Educacional Especializado de qualidade, contribuindo em nosso processo de inclusão escolar, permitindo-se uma maior compreensão dos conteúdos trabalhados na sala de aula regular. Nesse sentido será dada continuidade ao trabalho no decorrer do ano letivo e nos próximos anos, elencando novos objetivos e envolvendo as demais operações matemáticas, a fim de tornar a matemática mais atrativa, envolvendo também atividades com jogos que possam desenvolver a expressão corporal buscando a efetivação do verdadeiro sentido da inclusão.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. T. P. O brincar como intervenção no transtorno do espectro do autismo, Extensão em Ação, Fortaleza, v. 2, n. 11, p. 78-91, Disponível em:
https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/62706/1/2016_art_mscipriano.pdf. Acessado em:
18 jun. 2022.
RAU, M. C. A Ludicidade na educação: uma atitude pedagógica. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2011.
MATEMÁTICA DESCOMPLICADA. Explicando a lógica da numeração de um dado. YouTube,16 de setembro de 2017. Disponível
em? https://www.youtube.com/watch?v=JWnt82wGScsAcessado em 20 de abril de 2022.
Dados para contato: Trabalho desenvolvido na sala do AEE (Atendimento Educacional Especializado), da Escola de Ensino Fundamental Vereador Alfredo Scottini, do município de Rio do Oeste, Santa Catarina, pelo aluno Bryan Ferreira Pilatti.
Expositor: Bryan Ferreira Pilatti; e-mail: [email protected];
Professor Orientador: Roseli Maria Berkenbrock Luiz;e-mail: [email protected];
Professor Co-orientador: Janaina Gesser Zick; e-mail: [email protected].