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Prof. Doutor Augusto Silva Dias : in memoriam

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Excetuam-se as transcrições de curtas passagens para efeitos de apresentação, crítica ou discussão das ideias e opiniões contidas no livro. Esta exceção não pode, no entanto, ser interpretada como permitindo a transcrição de textos em recolhas antológicas ou similares, da qual possa resultar prejuízo para o interesse pela obra.

Os infratores são passíveis de procedimento judicial, nos termos da lei.

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Lisboa / 2021

AUGUSTO SILVA DIAS IN MEMORIAM

Volume I

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Prof. Doutor Augusto Silva Dias – In Memoriam Volume I

AAFDL – 2021 Comissão Organizadora:

Catarina Abegão Alves Helena Morão Inês Ferreira Leite João Gouveia de Caires José Neves da Costa Maria Fernanda Palma Paulo de Sousa Mendes Rui Soares Pereira Teresa Quintela de Brito Vânia Costa Ramos Edição:

AAFDL

Alameda da Universidade – 1649-014 Lisboa Impressão:

AAFDL ISBN:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX Depósito Legal:

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX xxxxxxxxx / 2021

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VOLUME I

Prefácio ... 15

Comissão Organizadora ... 19

Agradecimento ... 21

Bibliografia do Professor Augusto Silva Dias ... 23

TEORIA E SISTEMA DO DIREITO PENAL, DIREITO ESTRANGEIRO E INTERNACIONAL, DIREITO PENAL (PARTE GERAL E PARTE ESPECIAL) DIREITO PENAL, TEORIA E SISTEMA DO DIREITO Bernardo Feijoo Sánchez – La función del derecho penal en un sistema de libertades ... 35

Claus Roxin – Prevenção, censura e responsabilidade: acerca da mais recente discussão sobre os fins das penas” ... 59

Francisco Muñoz Conde – A relação conflituosa entre a política criminal e o direito penal. Sobre a reforma do código penal espanhol... 79

José de Sousa e Brito – O inimigo no Direito Penal e a guerra total contra o terrorismo... 89

José Luis Díez Ripollés – Realidad, principios, utilidad y sistema en Roxin ... 103

Luís Greco – O que podem os penalistas aprender dos neurocientistas? ... 123

Miguel Reale Júnior – Inconstitucionalidade da lei de segurança nacional ... 133

Paulo César Busato – Direito penal: ciência ou linguagem? ... 143

Paulo de Sousa Mendes – Um novo paradigma moralista na definição material de crime ... 157

Rui Soares Pereira – Sobre a persistente relevância da ideia de bem jurídico penal ... 183

Wagner Marteleto Filho – Nenhum adeus a Kant e Hegel: Sobre as teorias expressivas e o renascimento das teorias retributivas ... 205

DIREITO ESTRANGEIRO E INTERNACIONAL

Ana Teresa Corzanego Khatounian – Makuchyan e Minasyan V. Azerbaijão e Hungria: Reflexões sobre a opinião parcialmente dissidente do Juiz Paulo Pinto

de Albuquerque e argumentos para uma aplicação mais realista do Direito ... 227 7

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Kai Ambos– Transitional Justicena Colômbia:

Direito (Penal) Internacional e Amnistia(s)... 243 Paulo Pinto de Albuquerque / Soraya Nour Sckell – A recepção

da Convenção Europeia dos Direitos Humanos no sistema interamericano

dos direitos humanos ... 263

DIREITO PENAL – PARTE GERAL

Alaor Leite – Imputação objetiva, diminuição do risco e decisões

empresariais arriscadas: A capacidade de rendimento da teoria da diminuição de risco no Direito Penal econômico- patrimonial ... 303 Bruno de Oliveira Moura – A instigação por omissão... 321 Catarina Abegão Alves – Um contributo da psicologia e da sociologia

financeira para a compreensão do erro nas decisões de risco... 351 Cristina Líbano Monteiro – O erro sobre o tipo justificador ... 369 Diego- M. Luzón Peña – Mención legal o no del miedo insuperable como

emoción asténica: su exculpación en diversos Códigos por inexigibilidad

penal individual frente a las emociones esténicas o violentas ... 377 Fernando Torrão – A ação (suscetível de ser) típica (ou a relevância

normativo- social na síntese entre finalismo e funcionalismo) ... 393 Jorge de Figueiredo Dias / Susana Aires de Sousa – Autoria e cumplicidade da empresa no século XXI: algumas reflexões... 405 José de Faria Costa – Causalidade e racionalidade ... 425 José L. González Cussac – La capacidad de infringir la ley penal

de las personas jurídicas ... 435 José M. Damião da Cunha – Da denúncia obrigatória para os funcionários

e das consequências jurídico- penais da sua omissão ... 443 Marcelo Almeida Ruivo – O método de verificação da causalidade

na omissão imprópria... 463 Ricardo Tavares da Silva – Alguns argumentos contra o recurso à figura

do comportamento lícito alternativo como critério de imputação objetiva ... 479 Sónia Fidalgo – A abertura do tipo de ilícito negligente e o princípio

da legalidade da intervenção penal ... 499

DIREITO PENAL – PARTE ESPECIAL

Anabela Miranda Rodrigues – O crime de branqueamento sob o signo da expansão (as modalidades de ação típica e as alterações resultantes

da Lei nº 58/2020, de 31/8)... 515 8

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André Teixeira dos Santos – A reposição da verdade fiscal no crime

de fraude fiscal... 537 Fabio Roberto D’Avila / Rodrigo Moraes de Oliveira – Delicta Mere

Prohibita. Reflexões a partir o artigo 273 §1º- b do Código Penal brasileiro ... 565 Jorge António Nunes Lopes – Crítica à tese da “intencionalidade”

na manipulação cambial ilícita (Artigo IV dos Estatutos do Fundo

Monetário Internacional) ... 587 Margarida Santos – O lugar da criança exposta à violência interparental:

dúvidas e perspetivas em torno do preenchimento do tipo legal de crime

de violência doméstica... 621 Maria do Céu Rueff – Escritos hipocráticos e fundamento do segredo

médico... 641 Maria Elisabete Ferreira – Da natureza jurídica da inibição do exercício

das responsabilidades parentais prevista nos artigos 69.º- c e 152.º do Código Penal: breves reflexões ... 661 Maria Paula Ribeiro de Faria – O artigo 150º, nº 1, do Código Penal,

e a qualificação da atuação do médico como intervenção médico- cirúrgica:

o reconhecimento de um significado social específico?

(a repercussão da resposta a esta questão sobre a interpretação

dos artigos 137º e 148º, do artigo 150º, nº 2, e do artigo 156º, nº 1, e nº 3) ... 677 Miguel da Câmara Machado – Notas sobre idosos como agentes e vítimas

de crimes –O Direito Penal ante a ‘avançada idade’ das sociedades

contemporâneas (e envelhecidas) ... 701 Nuno Brandão – Recebimento indevido de vantagem: o pacto ilícito

e a adequação social... 735 Octavio García Pérez – Administración desleal y principio de legalidad:

la experiencia alemana ... 755

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VOLUME II

MULTICULTURALISMO, CRIMES CONTRA A RELIGIÃO, CRIMES DE ÓDIO, ESTUDOS DE GÉNERO, DIREITO PROCESSUAL

PENAL, DIREITO CONTRAORDENACIONAL E VÁRIA

MULTICULTURALISMO, CRIMES CULTURALMENTE MOTIVADOS, CRIMES CONTRA A RELIGIÃO, CRIMES DE ÓDIO

E ESTUDOS DE GÉNERO

António Brito Neves – Mutilação genital feminina e masculina: confronto

e perspectivas ... 19 Inês Ferreira Leite – Violência doméstica e concurso de crimes: delimitação à luz do conceito de unidade normativo- social ... 35 José Neves da Costa – Diálogos com Augusto Silva Dias: culpa penal,

exculpação e formas de vida... 59 Maria Fernanda Palma – Crimes against religion and the rule of law... 81 Miguel Prata Roque – (Des)obediência convicta e totalitarismo sanitário... 89 Orlando Faccini Neto – Dois dedos de prosa acadêmica com o Professor

Silva Dias: reflexões esparsas sobre o bem jurídico e o multiculturalismo ... 125 Pedro Garcia Marques – Os sem... ou o que deles resta entre a atimia e a

afantasia ... 137 Teresa Quintela de Brito – Mutilação genital feminina: autoria e participação, crime culturalmente motivado, questões de consentimento ... 173 Thiago Pierobom de Ávila – Dogmática penal com perspectiva de gênero ... 237

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Ana María Prieto del Pino– Crime does not pay anywhere.

Una visión sistematizada y global de la recuperación de activos ... 275 Duarte Rodrigues Nunes – O problema da confiscabilidade do património

da organização criminosa ... 297 Frederico Machado Simões – O assistente enquanto cotitular da ação penal ... 325 Germano Marques da Silva – Ética e estética. A estética do processo penal

democrático... 347 11

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Helena Morão – Pela renovação da renovação da prova... 369 Joana Reis Barata – O desassossego do Tribunal da Relação de Lisboa quanto à aplicação do regime de apreensão de mensagens de correio eletrónico ... 383 Manuel Monteiro Guedes Valente – A dignidade da pessoa humana

na persecução criminal: os princípios democrático e da lealdade processual ... 405 Maria João Antunes – Atos da competência reservada do Ministério

Público: Abertura do inquérito e busca nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Penal ... 427 Mário Ferreira Monte – “Buracos negros” no processo penal? O exemplo

da regulação processual da perda de bens de terceiro e em caso de não

condenação penal... 437 Mauro Fonseca Andrade / Rodrigo da Silva Brandalise – A estrutura

acusatória como garantia no direito processual penal português... 457 Nuno Igreja Matos – Um punhado de pó: o acórdão do Tribunal

Constitucional n.º 387/2019 e a intervenção do juiz na apreensão de bens

durante o inquérito ... 477 Paulo Marques – A utilização no processo penal da prova obtida no

procedimento de inspecção tributária e dos métodos indirectos em especial... 499 Pedro Caeiro – Cenas da Vida Conjugal: confiança, desconfiança e garantias na execução de um mandado de detenção europeu ... 531 Sandra Oliveira e Silva – A regularização tributária como causa de exclusão da pena: benefícios punitivos legítimos ou hipocrisia fiscal? ... 543 Teresa Pizarro Beleza / Frederico de Lacerda da Costa Pinto – Alteração

de factos e vinculação temática em processo penal... 573 CONTRAORDENAÇÕES

Alexandra Vilela – Questões em torno das sanções do direito de mera

ordenação social... 593 Paulo de Sá e Cunha / Margarida Rodrigues Caldeira – As contra- ordenações do direito da concorrência: breve análise crítica das tendências evolutivas

e sua compatibilização com os princípios constitucionais ... 607 Raul Soares da Veiga – As grandes contraordenações: em vésperas

de uma reforma ... 627 VÁRIA

HOMENAGENS PESSOAIS

Fausto de Quadros – A minha homenagem póstuma a Silva Dias ... 647 12

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DIREITO ADMINISTRATIVO

José Manuel Sérvulo Correia –Inobservância de impedimento e perda

de mandato autárquico... 651 DIREITO CONSTITUCIONAL

Jorge Miranda – As conceções político- constitucionais e ideológicas

de povo... 687 Jorge Reis Novais – O impeachment do presidente em sistema de governo

presidencial: dois modelos distintos ... 701 DIREITO DA FAMÍLIA

Jorge Duarte Pinheiro – A criança no século dos profissionais da infância:

Do poder paternal ao poder da opinião técnica?... 729 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

Carmen Sánchez Hernández – El devenir de la cláusula rebus sic stantibus (La actualidad de un principio que demanda su regulación en el ordenamiento jurídico español) ... 745

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Isabel Alexandre – Sentenças estrangeiras e imunidades de jurisdição:

a relevância das imunidades de jurisdição no reconhecimento e execução

de sentenças estrangeiras ... 769 DIREITOS REAIS

José Alberto Vieira – Os baldios como coisas (corpóreas) e o direito real

de baldio ... 793 DIREITO DO TRABALHO

José João Abrantes – Sobre o sentido da autonomia do direito do trabalho.

O exemplo da excepção de não cumprimento do contrato ... 813 13

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HISTÓRIA

João Espírito Santo – Afonso II de Portugal e a construçãodo Estado:

tensões de poder entre um núcleo central e núcleos gravitacionais... 827

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PREFÁCIO

Augusto Silva Dias foi um Cientista e Professor notável na área das Ciências Jurídico- Criminais. A sua morte prematura foi uma perda insuperável para o grupo de penalistas da Faculdade de Direito de Lisboa e, em geral, para a Faculdade de Direito de Lisboa, para a Universidade de Lisboa e para o pensamento jurídico con- temporâneo. As razões desta tão firme afirmação fundamentam- se em factos absolutamente incontestáveis:

1. A sua obra escrita, revelada em múltiplos artigos e monografias, sempre orientados para temas complexos e atuais (desde a relevância jurídico- penal das decisões de consciência, passando pela distinção entre delicta in se e delicta mere prohibita, até à imputação objetiva de negócios de risco à ação de infidelidade), revela uma intensa cultura jurídica e de outras ciências comportamentais, é profundamente construtiva e inovadora e constitui, através da sua derradeira monografia, o último grande contributo para o estudo dos crimes culturalmente motivados;

2. A sua obra académica envolve a orientação e a arguição de múltiplas dissertações e teses, bem como a orientação de muitos alunos, portugueses e estrangeiros, a planos de trabalho por si motivados e orientados com inegável êxito;

3. A sua dedicação à Faculdade de Direito de Lisboa traduziu- se não só na atenção às cadeiras que regeu, desde jovem, preparando todas as aulas minuciosamente, publicando materiais de apoio e assegurando tempo para os seus Alunos, mas também no desempenho de cargos exigentes, que não procurou, mas nunca enjeitou, desde ser Vice- Presidente do Instituto de Cooperação Jurídica até ser Vice- Diretor da Faculdade;

4. O seu trabalho decisivo, em representação da Faculdade de Direito de Lisboa, na cooperação com vários países africanos de língua oficial portuguesa, permitiu a formação de um escol de pensamento jurídico, sobretudo na Guiné- Bissau;

5. A sua investigação científica sobre os costumes africanos com relevância em matéria penal propiciou um conhecimento profundo do Direito Penal dos Estados africanos, em especial da Guiné- Bissau;

6. A sua participação em projetos legislativos, combinando a ciência e a política legislativa, traduziu- se num contributo muito relevante no domínio da Política Criminal;

7. O seu empenho como Vice- Presidente do Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais e do respetivo Centro de Investigação foi determinante para o desenvolvimento

dos respetivos projetos; 15

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8. A sua projeção no Brasil, através de aulas, de cursos ministrados por convite e da promoção de protocolos entre o Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais e diversas instituições brasileiras, prestigiou o trabalho das Ciências Jurídico- Criminais na Faculdade de Direito de Lisboa;

9. O fomento das relações do Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais com Espanha, nomeadamente através da Universidade de Málaga, correspondeu a um contributo muito importante no sentido da internacionalização da atividade do Instituto.

Mas, mais do que resulta de todos estes factos, Augusto Silva Dias mostrou, em termos humanos e académicos, qualidades exemplares de seriedade e abertura científicas, compromisso e generosidade com os Colegas e Discípulos e as virtudes máximas da lealdade e do despreendimento pessoal, que o levaram a criar laços indestrutíveis com os pares e a granjear o respeito, a admiração e a estima de todos quantos o rodearam. Sublinha- se o grande compromisso com a Faculdade de Direito de Lisboa, o Centro de Investigação em Direito Penal e Ciências Criminais e os respetivos projetos. Já em situação de saúde precária e com enorme estoicismo compareceu na reunião de avaliação internacional do Centro, fazendo uma intervenção concisa e muito relevante. Também participou em júris académicos e e realizou exames escritos e orais até ao fim.

Augusto Silva Dias deixou- nos a meio do seu caminho que o levava para o tratamento dos crimes de ódio e da relevância penal do discurso do ódio, deixando interrompidas leituras novas e interpelantes, sempre curioso, profunda e genuinamente curioso e interessado na obra dos Colegas portugueses e estrangeiros, e cuidando sempre dos seus Alunos.

Se não fosse absurda a afirmação, diríamos que a sua morte foi uma injustiça, uma interrupção de algo que não tinha terminado ainda. Essa sua esperança em continuar a procurar saber e a transmiti- lo impõe- nos uma profunda responsabilidade de prosseguirmos. A sua obra, pela riqueza e variedade, pertence agora a todos os cultores das Ciências Jurídico- Criminais, constituindo um enorme desafio para os investigadores do Centro de Investigação de Ciências Jurídico- Criminais da FDL, de que foi um dos fundadores e dedicado dinamizador.

Este livro é já um começo, ao congregar manifestações do pensamento penal sobre muitos dos temas da sua eleição, alguns incluídos em projetos de investigação em curso ou concluídos, apoiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a par das contribuições muito valiosas sobre temas de outros ramos do Direito com que es- pontaneamente tantos prestigiados Colegas prestaram a sua homenagem.

É de notar, igualmente, que esta obra em dois volumes tem contribuições de muitos Autores estrangeiros reconhecidos internacionalmente e entrará no acervo de bibliotecas portuguesas e de outros países como um monumento escrito à Memória de Augusto Silva Dias.

Tendo sido uma edição cientificamente preparada, por incumbência do IDPCC, por Docentes da FDL e Investigadores do CIDPCC, no âmbito dos seus projetos 16

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pessoais e coletivos, é uma edição da AAFDL, que partilhou os encargos com o IDPCC e dedicadamente editou os dois volumes da obra.

Termina- se assim, esta apresentação do livro in memoriamcom o sentimento de que terá sido o texto que não se gostaria de ter escrito, pois a memória de Augusto Silva Dias é sempre ofuscada por uma Saudade imensa.

Repitam- se as palavras que ele escolheu para o seu livro Crimes Culturalmente Motivados:

“Sabemos hoje que não há verdades; apenas há explosões. Metamorfoses dúvidas.

Bem entendido, queremos abalar. Mas para onde? Todos os caminhos são parecidos, todos são um regresso ao próprio indivíduo” (Le Clèzio, Índio Branco).

Esse regresso à pessoa concreta esteve sempre na passagem pela vida de Augusto Silva Dias, grande cientista do Direito e Homem de afetos fraternos.

A Comissão Organizadora

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COMISSÃO ORGANIZADORA

O Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais e o Centro de Investigação em Direito Penal e Ciências Criminais expressam os seus agradecimentos à Comissão Organizadora da presente obra “Professor Doutor Augusto Silva Dias – In Memoriam”

que foi constituída pelos seguintes membros:

Mestra Catarina Abegão Alves Professora Doutora Helena Morão Professora Doutora Inês Ferreira Leite Mestre João Gouveia de Caires Mestre José Neves da Costa

Professora Doutora Maria Fernanda Palma Professor Doutor Paulo de Sousa Mendes Professor Doutor Rui Soares Pereira Professora Doutora Teresa Quintela de Brito Mestra Vânia Costa Ramos

O Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais agradece, ainda, o dedicado trabalho do Dr. André Hölzer na edição desta obra.

Pelo Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais Maria Fernanda Palma

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AGRADECIMENTO

O Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais e o seu Centro de Investigação agradecem muito particularmente à Professora Doutora Ana Paula Dourado, viúva do Homenageado e Colega na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, pelo dedicado apoio e colaboração dados na elaboração do presente livro, especialmente no que se refere à nota curricular e introdutória à bibliografia.

Finalmente, com ela, o Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais partilha a Saudade de Augusto Silva Dias.

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BIBLIOGRAFIA DO PROFESSOR AUGUSTO SILVA DIAS

O Professor Doutor Augusto Manuel Gomes da Silva Dias foi um eminente académico, penalista e filósofo do Direito. Augusto Silva Dias nasceu em Santarém, em 1 de Outubro de 1954, e desde que entrou para a Faculdade de Direito de Lisboa, onde se licenciou, fez o mestrado, o doutoramento, o concurso para Professor associado e a agregação, dedicou quase toda a sua vida profissional à investigação e docência.

Augusto Silva Dias era exigente e perfecionista em todas as facetas do seu labor, sendo visto pelos seus pares e alunos como um Homem íntegro, ponderado, de grande generosidade e disponibilidade incondicional.

Doutor em Direito (Ciências Jurídicas) pela Universidade de Lisboa, em 26 de abril de 2004, foi aprovado com distinção e louvor por unanimidade com a tese intitulada «Delicta in se» e «delicta mere prohibita»: uma análise das descontinuidades do ilícito penal moderno à luz da reconstrução de uma distinção clássica, e publicada pela Coimbra Editora, 2008.

A discussão do currículo nas provas de agregação que decorreram em 20 e 21 de novembro de 2017, centrou- se na monografia Crimes culturalmente motivados:

o Direito Penal ante a “estranha multiplicidade” das sociedades contemporâneas, publicada pela Almedina em 2016.

Augusto Silva Dias publicou múltiplos estudos nas áreas do Direito Penal e Processual Penal, na interseção com a Filosofia, Psicologia, Sociologia, Antropologia, e sobre temas tão dispares como delicta in see delicta mere prohibita, Direito das Contraordenações, Direito Penal e sociedade do risco, crimes culturalmente motivados, Direito Penal Económico e Financeiro, Direito Penal e crise económico- financeira de 2007/2008, Direito Penal e Medicina, direito à não auto- inculpação, pré- inquéritos crime, terrorismo e Direito Penal do “inimigo”, infanticídio ritual, mutilação genital feminina, relevância jurídico- penal das decisões de consciência.

No seu percurso de docência, Augusto Silva Dias foi assistente estagiário da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa entre 1981 e 1986; Assistente da mesma Faculdade entre 1986 e 1996; Professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada desde 1986; Assessor científico da Faculdade de Direito de Bissau nos anos letivos de 1993/94 e 1994/95; Professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa entre 27 de abril de 2004 e novembro de 2008; Professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa desde novembro de 2008, e Professor associado com agregação desde 21 de novembro de 2017 até à data do seu falecimento, em 10 de outubro de 2019.

Augusto Silva Dias foi ainda Membro da Comissão para a Elaboração de um Anteprojecto de Código do Consumidor, constituída em 1997 no âmbito do Ministério da Presidência do Conselho de Ministros e presidida pelo Professor Doutor António Pinto Monteiro, desde junho de 1998 a junho de 2008; Vice- Presidente do Instituto da Cooperação Jurídica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, responsável 23

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pela cooperação com a Faculdade de Direito de Bissau e com o Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais de Cabo Verde, entre junho de 2004 e julho de 2007;

Vice- Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito de Lisboa desde 26 de julho de 2007 até 30 de abril de 2009; Vice- Diretor e Membro do Conselho Académico da Faculdade de Direito de Lisboa entre maio e julho de 2009; Vice- Presidente do Instituto de Direito Penal e Ciências Criminais da Faculdade de Direito de Lisboa (IDPCC); e Vice- Diretor do Centro de Investigação de Direito Penal e Ciências Criminais (CIDPCC).

Em todo o seu percurso intelectual e de vida, Augusto Silva Dias buscou, inces- santemente, a forma de chegar às decisões corretas e à compreensão da natureza humana, em todas as suas manifestações, individuais, sociais e culturais. Era de uma bondade extrema.

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LISTA BIBLIOGRÁFICA

A relevância jurídico- penal das decisões de consciência, Coimbra: Almedina, 1986 Alguns aspectos do regime jurídico dos crimes de difamação e injúrias, Lisboa:

AAFDL Editora, 1989

Introdução à parte especial do Direito Penal (tradução de um excerto da obra em língua alemã de Wolfgang Naucke com igual título), Lisboa: AAFDL Editora, 1989 O novo Direito Penal Fiscal não- aduaneiro (DL n°20- A/90 de 15 de Janeiro):

considerações dogmáticas e político- criminais, in Fisco, n.º 22 (1990) (publicado também em Direito Penal Económico e Europeu (textos doutrinários), vol. II, Coimbra:

Coimbra Editora, 1999)

A responsabilidade civil e criminal por abuso de liberdade de imprensa, in Jornadas de Reflexão sobre a Liberdade e o Pluralismo na Comunicação Social, Bissau, 1994 A determinação da medida da pena no novo Código Penal, in Boletim da Faculdade de Direito de Bissau, n.º 3 (1995)

A estrutura dos direitos ao ambiente e à qualidade dos bens de consumo e sua repercussão na teoria do bem jurídico e na das causas de justificação, in Jornadas de Homenagem ao Prof. Doutor Cavaleiro de Ferreira(Revista da Faculdade de Direito), Lisboa, 1995

A distinção entre crimes e contravenções no Direito Penal Guineense, in Boletim da Faculdade de Direito de Bissau, n.º 4 (1996)

Problemas do Direito Penal numa sociedade multicultural: o chamado infanticídio ritual na Guiné- Bissau, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, ano 6, n.º 2 (1996) Entre «comes e bebes»: debate de algumas questões polémicas no âmbito da protecção jurídico- penal do consumidor, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, anos 8, n.º 4 (1998), e 9, n.º 1 (1999)

Os crimes de fraude fiscal e de abuso de confiança fiscal: alguns aspectos dogmáticos e político- criminais, in Ciência e Técnica Fiscal, n.º 394 (1999)

Crimes e contra- ordenações fiscais, in Direito Penal Económico e Europeu (textos

doutrinários), vol. II, Coimbra: Coimbra Editora, 1999 25

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Einige Betrachtungen über den Besonderen Teil des Corpus Juris aus der Sicht des portugiesischen Strafrechts, in Barbara Huber (Hrsg.), Das Corpus Juris als Grundlage eines Europäischen Strafrechts (Europäisches Kolloquium Trier, 4.- 6. März 1999), Freiburg im Breisgau: Max- Planck- Institutfür Ausländisches und Internationales Strafrecht, 2000

O retorno ao sincretismo dogmático: uma recensão a Heiko Lesch, ‘Der Verbrechensbegriff – Grundlinien einer funktionalen Revision’, ed. Carl Heymanns, Köln/München, 1999, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, ano 11, n.º 2 (2001)

«What if everybody did it?»: sobre a «(in)capacidade de ressonância» do Direito Penal à figura da acumulação, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, ano 13, n.º 3 (2003) (versão em língua castelhana publicada no Anuario de Derecho Penal y Ciencías Penales, tomo LVI, 2003)

Direito Penal, entrada no Dicionário de Filosofia Moral e Política, Universidade Nova de Lisboa: Instituto de Filosofia da Linguagem, 2004 (disponível no sítio https://www.

dicionariofmp- ifilnova.pt/wp- content/uploads/2019/07/Direito- Penal.pdf)

A tutela do ofendido e a posição processual do assistente, in Maria Fernanda Palma (coord.), Jornadas de Direito Processual Penal e Direitos Fundamentais, Coimbra:

Almedina, 2004

De que Direito Penal precisamos nós europeus? Um olhar sobre algumas propostas recentes de constituição de um Direito Penal Comunitário, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, ano 14, n.º 3 (2004) (publicado também em Faria Costa/Marques da Silva (coords.), Direito Penal especial, processo penal e direitos fundamentais:

visão luso- brasileira, São Paulo: Quartier Latin, 2006 e na Revista Lusíada – Direito, n.º 4/5, 2007)

Responsabilidade criminal por transmissão irresponsável do vírus da Sida: um olhar sobre o Código Penal Português e o novo Código Penal de Cabo Verde (colecção

«Elementos para o estudo do Código Penal de Cabo Verde», caderno: 3), Praia: ed.

Fundação Direito e Justiça, 2005 (publicado também na Revista «Direito e Cidadania», ano VI, n.os20/21 (2004))

Faz sentido punir o ritual do ‘fanado’? Reflexões sobre a punibilidade da excisão clitoridiana, in Revista Portuguesa de Ciência Criminal, ano 16, n.° 2 (2006) Linhas gerais do regime jurídico dos crimes contra interesses dos consumidores no Anteprojecto de Código do Consumidor, in Menezes Leitão (coord.), Estudos do Instituto de Direito do Consumo, vol. III, Coimbra: Instituto de Direito do Consumo/ Almedina, 2006 (publicado também em Estudos de Direito do Consumidor, n.º 7 (2005) e em Direito Penal Económico e Europeu: textos doutrinários, vol. III, Coimbra Editora, 2009) 26

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Prefácio à Colectânea de legislação fundamental de Direito Penal da Guiné- Bissau, Lisboa: AAFDL Editora, 2007

Crimes contra a vida e a integridade física (colecção «Materiais para o Estudo da Parte Especial do Direito Penal», n.º 5), 2.ª ed. (revista e actualizada), Lisboa: AAFDL Editora, 2007

Criminal tax law in Portugal (em co- autoria com Bárbara Sousa Brito), in Dannecker/Jansen (Hrsg.), Steuerstrafrecht in Europa und in den Vereinigten Staaten, Viena: Linde, 2007 O Provedor de Justiça e o processo penal (em co- autoria com Francisco Aguilar), in O Provedor de Justiça: novos estudos, Lisboa: Provedoria de Justiça, 2008

«Delicta in se» e «delicta mere prohibita»: uma análise das descontinuidades do ilícito penal moderno à luz da reconstrução de uma distinção clássica (dissertação de doutoramento), Coimbra: Coimbra Editora, 2008

Ramos emergentes do Direito Penal relacionados com a protecção do futuro, Coimbra:

Coimbra Editora, 2008

A prisão preventiva após a revisão de 2007 do Código de Processo Penal: foi superada a crise?, in Estudos em Honra do Prof. Doutor José de Oliveira Ascensão, vol. II, Coimbra: Almedina, 2008

As modernas tendências da politica criminal em matéria de desjudiciarização e de descarcerização: a experiência portuguesa, in Cabinda Universitária, n.os3/4, Junho- Agosto (2008)

Os criminosos são pessoas? Eficácia e garantia no combate ao crime organizado, in Que futuro para o Direito Processual Penal? Simpósio em homenagem a Jorge de Figueiredo Dias por ocasião dos 20 anos do Código de Processo Penal português, Coimbra: Coimbra Editora, 2009 (publicado também na Revista Direito e Cidadania, ano IX, n.º 27 (2007/2008); em Jorge Miranda/Marques da Silva (coords.), Tratado Luso- Brasileiro da dignidade humana, São Paulo: Quartier Latin, 2008; na Revista do Ministério Público do Rio Grande do Sul, n.° 72 (2012) p. 201 e ss.)

O Direito à não auto- inculpação (nemo tenetur se ipsum accusare) no processo penal e contra- ordenacional português (em co- autoria com Vânia Costa Ramos), Coimbra:

Coimbra Editora, 2009

Direito Processual Penal de Cabo Verde: sumários do curso de pós- graduação sobre o novo processo penal de Cabo Verde (Praia, Fevereiro/Abril de 2007), (co organizado com o Mestre Jorge Carlos Fonseca), Colecção Estudos de Direito Africano, Coimbra:

Almedina, 2009 27

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Reconhecimento e coisificação nas sociedades contemporâneas: uma reflexão sobre os limites da intervenção penal do Estado, in Liber Amicorum de José de Sousa e Brito, Coimbra: Almedina, 2009

Coordenação e Prefácio das várias edições do Código de Processo Penal e Legislação Complementar, Lisboa: AAFDL Editora, e do Código Penal e Legislação Complementar, Lisboa: AAFDL Editora, desde 2009

Torturando o inimigo ou libertando da garrafa o génio do mal? Sobre a tortura em tempos de terror, in Estudos em homenagem ao Prof. Doutor Jorge de Figueiredo Dias, vol. I, Coimbra Editora, 2009 (publicado também na Revista do Ministério Público do Rio Grande do Sul, n.º 71 (2012))

O direito à não auto- inculpação no âmbito das contra- ordenações do Código dos Valores Mobiliários, in Revista de Concorrência e Regulação, ano I, n.° 1 (2010) (publicado também nos Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Sérvulo Correia, Coimbra: Coimbra Editora, 2010)

Relatório da visita aos tribunais de Bambadinga, Quebo e Buba, tendo em vista a reforma da legislação penal e processual penal da Guiné- Bissau, in Estudos comemorativos dos vinte anos da Faculdade de Direito de Bissau, vol. I, Lisboa- Bissau, 2010 Criminalidade organizada e combate ao lucro ilícito, in Palma/Silva Dias/Sousa Mendes (coord.), 2.° Congresso de Investigação Criminal, Coimbra: Almedina, 2010 Information duties, agressive tax planning and nemo tenetur se ipsum accusare in the light of art.6 (1) of ECHR (em co- autoria com Ana Paula Dourado), in Kopler/Maduro/Pistone, Human rights and taxation in Europe and the world, Amsterdão:

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Têm os deveres de cooperação do art.7° e ss., do DL n.° 29/2008, de 25 de Fevereiro, implicações processuais penais ou contra- ordenacionais?, in Palma/Silva Dias/Sousa Mendes (org.), Direito Penal Económico e Financeiro, Coimbra: Coimbra Editora, 2012

Responsabilidade penal negligente em organizações complexas de cuidados de saúde, in Revista da Ordem dos Médicos, n.° 132, Julho/Agosto (2012)

The Milgram experiment and criminal liability: an essay on the banality of evil, in Ambos/ Coutinho/Palma/Mendes (ed.), Eichmann in Jerusalem – 50 years after, Berlim: Duncker & Humblot, 2012

A experiência Milgram e a responsabilidade jurídico- penal: um ensaio sobre a banalidade do mal, in Andrade/Costa/Rodrigues/Moniz/Fidalgo (org.), Direito Penal:

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fitndamentos dogmáticos e político- criminais – homenagem ao Prof. Peter Hünerfeld, Coimbra: Coimbra Editora, 2013 (publicado também em Ambos/Pereira Coutinho/Palma/

Sousa Mendes (coord.), Eichmann em Jerusalém: 50 anos depois, São Paulo: Marcial Pons, 2017)

Acidentalmente dementes? Emoções e culpa nas sociedades multiculturais, in Palma/Silva Dias/Sousa Mendes (coord.), Emoções e crime: filosofia, ciência, arte e Direito Penal, Coimbra: Almedina, 2013

O multiculturalismo como ponto de encontro entre Direito, Filosofia e Ciências, in Costa Pinto/Caeiro/Pizarro Beleza (org.), Multiculturalismo e Direito Penal, Coimbra:

Almedina, 2014

O Direito Penal como instrumento de superação da crise económico- financeira:

estado da discussão e novas perspectivas, in Anatomia do Crime, n.° 0 (2014) La paradoja de la vulnerabilidad multicultural: un callejón sin salida (también) para el Derecho Penal?, in Revista General de Derecho Penal (Iustel), n.º 23 (2015) La responsabilidad penal del ‘otro’: los delitos culturalmente motivados y la necesidad de una hermenéutica intercultural, in Jueces para la Democracia, n.º 82 (2015) (Publicado também na Revista Julgar n.° 25 (2015) com o título A responsabilidade criminal do ‘outro’: os crimes culturalmente motivados e a necessidade de uma hermenêutica intercultural)

A saúde humana como bem jurídico- penal e os crimes contra a saúde no Direito português, in Anatomia do Crime, n.º 1 (2015)

“Cérebro social”, diversidade cultural e responsabilidade penal, in Anatomia do Crime, n.º 3 (2016)

Crimes culturalmente motivados: o Direito Penal ante a “estranha multiplicidade”

das sociedades contemporâneas, Coimbra: Almedina, 2016

Imputação objectiva de negócios de risco à acção de infidelidade (art. 224.º, n.º 1 do Código Penal), Coimbra: Almedina, 2018 (Lição de Agregação)

Direito das Contra- Ordenações, Coimbra: Almedina, 2018

Sobre a validade de procedimentos administrativos prévios ao inquérito e de fases administrativas preliminares no processo penal (em co- autoria com Rui Soares Pereira), Coimbra: Almedina, 2018

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PENAL, DIREITO ESTRANGEIRO E INTERNACIONAL, DIREITO PENAL

(PARTE GERAL E PARTE ESPECIAL)

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E SISTEMA DO DIREITO

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LA FUNCION DEL DERECHO PENAL EN UN SISTEMA DE LIBERTADES

Bernardo Feijoo Sánchez*

SUMÁRIO:Introducción; I. La estabilización de normas como función esencial del Derecho Penal; II. ¿Y la función de protección de bienes jurídicos?; III. Hacia una concepción comunicativa y no instrumental del Derecho Penal; IV. Diferencias con otras teorías comunicativas. Defensa de una teoría preventiva; V. La dimensión comunicativa del delito; VI. La dimensión comunicativa de la pena; Conclusión.

Introducción

Como dice Antonio Muñoz Molina en su novela Tus pasos en la escalera, Lisboa es una ciudad ideal para instalarse a esperar el fin del mundo. Con permiso de Amália Rodrigues, para mí Lisboa va unida al nombre de Augusto Silva Dias. Fueron muchas las horas charlando en el comedor de profesores de la Universidad o en alguna terraza a las orillas del río Tejo sobre cuestiones que nos ocupaban y preocupaban del Derecho Penal. Y entre charla y charla también me enseñó una Lisboa diferente a la que había conocido previamente como turista.

El objetivo de esta contribución al merecido libro homenaje a Augusto Silva es dar cobertura a algunas ideas básicas para la elaboración de una teoría del Derecho Penal, entendiendo la función como piedra angular de un sistema que responde a la eterna pregunta: ¿Por qué el Derecho Penal? Escribo este trabajo imaginándome que, mientras compartimos una botella de vino o unas cervezas, estoy contando a mi añorado amigo mis provisionales posiciones esenciales con respecto a una obsesión común.

I. La estabilización de normas como función esencial del Derecho Penal Como praxis social institucionalizada el ordenamiento penal desempeña una función específica dentro del sistema jurídico que tiene su norma fundamental en la Constitución.

En mi opinión, el papel que tiene asignado el ordenamiento penal dentro del sistema jurídico consiste primariamente en estabilización (subsidiaria) de normas esenciales de convivencia. La norma estructura la vida social y sin estabilización normativa no hay sociedad u orden social que sobreviva o se pueda mantener en el tiempo.

*Catedrático de Derecho Penal. 35

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Sin duda el Derecho Penal puede desempeñar otras funciones adicionales (por ejemplo, cuando se imponen medidas de seguridad a inimputables peligrosos), pero esta es su función esencial o primordial. Los ordenamientos penales vigentes encierran diversos subsistemas: además de la pena los Códigos Penales contemplan medidas de seguridad y corrección y otro tipo de consecuencias jurídicas del delito; existe un subsistema para inimputables peligrosos; existe otro subsistema para menores de edad; incluso se puede hablar de un subsistema con consecuencias jurídico-penales para personas jurídicas y otras organizaciones o entidades. Para algunos autores esos subsistemas no se merecen el calificativo de Derecho Penal (por ejemplo, entienden que alguno de estos subsistemas no son más que Derecho policial).

Con independencia de que se comparta tal criterio, lo cierto es que los elementos centrales siguen siendo el delitoy la pena(terminológicamente en algunos idiomas se pone más énfasis en el primer elemento y en otros en el segundo). Por ello una visión sistemática de estos dos elementos es lo que nos debe llevar a determinar la función esencial del Derecho Penal. En mi opinión, la estabilización de normas esenciales o irrenunciables representa la clave de bóveda o el puente de unión entre estos dos elementos básicos del Derecho Penal.

II. ¿Y la función de protección de bienes jurídicos?

Una de las discusiones esenciales de la disciplina en la actualidad es si el punto de unión entre la teoría del delito y de la pena es la definición de la función esencial del Derecho Penal como protección -subsidiaria- de bienes jurídicos o bien como estabilización -subsidiaria- de normas esenciales, siendo la primera posición dominante hoy en día1. Si bien me estoy manifestando partidario de la segunda, creo que es un error apreciar ambas funciones como concepciones antagónicas del Derecho Penal.

Es a través de la estabilización de normas cómo el Derecho Penal protege bienes jurídicos. Se podría hablar de la protección de bienes jurídicos como una función indirecta o derivada de la estabilización de normas esenciales2. La estabilización de la prohibición de agredir sexualmente protege la libertad sexual o la de utilizar o difundir información privilegiada la integridad de los mercados de valores y productos financieros. Por esa razón por regla general la destrucción de bienes con consentimiento o imputables a la propia víctima no supone un injusto mientras que, en los casos excepcionales en los que puede serlo, tiene importantes efectos atenuatorios. Ello nos permite constatar como lo esencial no es la lesión o puesta en peligro de un bien, sino la perturbación de posiciones jurídicamente reconocidas. Es decir, lo decisivo no es

1Básico por la doctrina dominante ROXIN, Claus, Strafrecht, AT I, 4ª ed., Múnich: C. H. Beck, 2006, 2/1 ss.

2FEIJOO SANCHEZ, Bernardo, Retribución y prevención general, Montevideo y Buenos Aires: BdeF, 2007, pp. 701 ss.; EL MISMO, Derecho Penal de la empresa e imputación objetiva, Madrid: Reus, 2007, pp. 31 ss.; FREUND, Georg, Münchener Kommentar zum StGB, 4ª ed., Múnich: C. H. Beck, 2020, antes de 13/59 ss.; KINDHÄUSER, Urs, Gefährdung als Straftat, Francfort: Vittorio Klostermann, 1989, pp.

30, nota 6, 132 ss.; EL MISMO, “Strafe, Strafrechtsgut und Rechtsgüterschutz”, in: AA.VV., Modernes Strafrecht und ultima-ratio-Prinzip (org. Lüderssen/Nestler-Tremel/Weigend), Francfort: Peter Lang, 1990, pp. 29 ss.

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si se afectan bienes, sino cómo y la relevancia de ese cómo viene determinada por las normas.

Son precisamente las normas penales las que en el marco de un procedimiento democrático deliberativo crean los valores que denominamos bienes jurídicos3. Aquéllas son reacciones a necesidades sociales que se deben resolver mediante la intervención del Derecho Penal y su introducción en el sistema jurídico configura los valores subyacentes como consecuencia de esa respuesta democrática a una necesidad político- criminal. Si la pena estabiliza la norma, protege también dichos valores subyacentes.

Pero esos valores sólo están protegidos en la forma o de la manera establecida por la norma. Por esa razón entiendo que la función esencial de la pena es la estabilización de normas y no la protección de bienes, pasando sólo a ser esta la función esencial cuando no se trata de estabilizar normas. Por ejemplo, en el caso de medidas para inimputables peligrosos. La concepción defendida aquí sólo sería incompatible con una determinada concepción menos normativa de los bienes jurídicos protegidos que, en la línea iniciada por V. LISZTy recuperada en la segunda mitad del siglo XX por algunos autores4, entiende que los bienes jurídicos no son creados, sino reconocidos por el Derecho en la medida en la que lo que hacen los tipos penales es simplemente proteger intereses -individuales o de un grupo- ampliamente compartidos que se han impuesto en el procedimiento legislativo o en la lucha por el poder. Esta visión como bienes vitales de la realidad socio-empírica conduce a una -a mi entender errónea- visión fáctica del delito en la que el injusto se equipara a la lesión empírica del interés concreto protegido por la norma.

La contraposición entre estabilización de normas y protección de bienes como función esencial encierra unas dimensiones dogmáticas más profundas. En primer lugar, la función de estabilización permite que el hecho o el injusto penal quede mejor identificado como lesión o puesta en peligro de la libertad general que como lesión o puesta en peligro de bienes jurídicos5. Mediante la estabilización de normas se garantiza en primer plano la libertad general como fundamento de la libertad individual y del libre desarrollo individual de la personalidad. De esta manera una afectación o lesión particular de personas o bienes no es un injusto en la medida en la que no se trate de una perturbación de la libertad general garantizada por la norma. La idea de protección de bienes jurídicos enfatiza en exceso la lesión de bienes u objetos valiosos, mientras la idea de estabilización normativa pone en el centro la lesión de la juridicidad6.

3Sobre el bien jurídico como valor, KUBICIEL, Michael, Die Wissenschaft vom Besonderen Teil des Strafrechts, Francfort: Vittorio Klostermann, 2013, pp. 72 ss.

4Básico en una visión crítica contra las concepciones de V. LISZT, JÄGER YROXINdel bien jurídico como algo previo al Derecho AMELUNG, Knut, Rechtsgüterschutz und Schutz der Gesellschaft, Francfort:

Athenäum, 1972, pp. 330 ss., 350.

5Ciertos autores de influencia más kantiana y hegeliana suelen hacer referencia a las relaciones personales de reconocimiento. A pesar de lo atractivo de esta expresión, supone una concepción muy reducida del injusto en el contexto del Derecho Penal actual. Para una visión crítica de la teoría del bien jurídico desde esta concepción, KÖHLER, Michael, Strafrecht. Allgemeiner Teil, Berlín: Springer, 1997, pp. 24 s.

6Por diversos lugares son de destacar las contribuciones de FRISCH, Wolfgang, “Unrecht und Schuld im Verbrechengsbegriff und in der Strafzumessung”, in: AA.VV., Grundfragen staatlichen Strafens. Festschrift 37

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Si el Derecho en el marco de un sistema de libertades, más que un maximizador de bienes, debe ser un optimizador de libertad, lo decisivo a efectos de determinar la lesión de la juridicidad no es lesionar o poner en peligro un bien, sino un uso ilegítimo de la libertad incompatible con una norma que por su importancia debe ser garantizada mediante una pena. La juridicidad ocupa, por el contrario, en la función de protección de bienes jurídicos una posición puramente adjetiva, dejando lo sustantivo para la protección de bienes.

Considero que el principal inconveniente de centrar la función del Derecho Penal en la protección de bienes reconocidos como valiosos por el ordenamiento reside en que pone demasiado énfasis en la afectación de bienes dejando de lado la necesaria referencia a la protección de la juridicidad. Pone un excesivo énfasis en la seguridad cognitiva en detrimento de la seguridad normativa que es la única que puede proporcionar la pena. La seguridad, si se entiende como normativa y no de bienes, no es un elemento antagónico de la libertad, sino un presupuesto imprescindible para ésta.

Si centrarse en la lesión o puesta en peligro fáctica de bienes suele conducir a una visión más instrumental o empirista (protección de bienes jurídicos a través de la disuasión o prevención intimidatoria y la prevención especial), poner el foco en la lesión de la juridicidad conduce a una visión más comunicativa de los dos conceptos esenciales del Derecho Penal: el delito como presupuesto de la pena y la pena como consecuencia del delito7.

De esta manera se abre un camino distinto frente a posiciones que mantienen una línea teleológica y político-criminal como la que representan ROXINy SCHüNEMANN. Frente a la posición de V. LISZT, que dividió el Derecho Penal en dos mundos estancos, con una dogmática ajena a los fines de la pena y, una vez constatada la culpabilidad, una política criminal orientada a las necesidades sociales (en su caso la prevención de delitos mediante la prevención especial), ROXIN8planteó una alternativa superando esta dualidad mediante un sistema teleológico (o político-criminalmente teleológico en expresión del propio autor) completo en torno a la función de protección de bienes jurídicos como piedra angular del sistema. Este grandioso modelo para explicar el

für Heinz Müller-Dietz(org. Britz, G.), Múnich: C. H. Beck, 2001, pp. 253 s., y “Strafkonzept, Strafzumessungstatsachen und Masstäbe der Strafzumessung in der Rechtsprechung des Bundesgerichtshofs”, in: AA.VV., 50 Jahre Bundesgerichtshof – Festgabe aus der Wissenschaft (org. Roxin/Widmaier), tomo IV, Múnich: C. H. Beck, 2000, p. 278; JAKOBS, Günther, “Kommentar”, in: AA.VV., Die Deutsche Strafrechtswissenschaft vor der Jahrtausendwende(org. Eser/Hassemer/Burkhardt), Múnich: C. H. Beck, 2000, p. 49; PAWLIK, Michael, Person, Subjekt, Bürger. Zur Legitimation von Strafe, Berlín: Duncker &

Humblot, 2004, p. 87.

7FRISCH, Wolfgang, “Strafe, Straftat und Strafsystem im Wandel”, GA 2 (2015), pp. 65 ss. (=InDret 3/2014, 21 ss.); EL MISMO, “Straftheorie, Verbrechensbegriff und Straftatsystem im Werk von Günther Jakobs”, en AA.VV., Strafrecht und Gesellschaft (org. Kindhäuser, U.), Tubinga: Mohr Siebeck, 2019, pp.

657 ss.; KINDHÄUSER, Urs, Bien jurídico, seguridad y hecho punible desde una perspectiva comunicativa del Derecho Penal, San Justo: UnLaM, 2017, pp. 107 ss.; ROSTALSKI, Frauke, Der Tatbegriff im Strafrecht, Tubinga: Mohr Siebeck, 2019, pp. 20 ss., 97 ss.

8Política criminal y sistema del Derecho Penal, Barcelona: Bosch, 1972, pp. 15, 19; Problemas básicos del Derecho Penal, Madrid: Reus, 1976, p. 61; “Normativismus, Kriminalpolitik und Empirie in der Strafrechtsdogmatik”, Ius humanum. Grundlagen des Rechts und Strafrecht – Festschrift für Ernst-Joachim Lampe zum 70. Geburtstag (org. Dölling, D.), Berlín: Duncker & Humblot, 2003, pp. 431 s.

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Derecho Penal de un Estado de Derecho se caracteriza por una orientación instrumental a la prevención de lesiones o puestas en peligro de bienes jurídicos, si bien dicha orientación se encuentra sometida a límites valorativos. El método teleológico- valorativo es el paraguas bajo el que se aúnan una racionalidad de acuerdo a fines o instrumental con una racionalidad valorativa para contener los excesos inherentes a la racionalidad teleológica. En tal sistema el delito es lesión o puesta en peligro de bienes jurídicos, mientras la pena, al prevenir delitos, previene nuevas lesiones o puestas en peligro de bienes jurídicos, operando la culpabilidad como límite – y ya no como fundamento-. Es de sobra conocido que ROXINdefiende una teoría mixta o unitaria de la pena en la que los fines de la pena no se yuxtaponen generando antinomias, sino que van cambiando en función de cuál es el papel más idóneo de la pena en cada momento (conminación legal abstracta, condena, ejecución) para proteger bienes jurídicos y prevenir su lesión o puesta en peligro. En el ámbito interno de cada una de las partes del sistema se reproduce la tensión entre una racionalidad instrumental como fundamento y una racionalidad valorativa como límite. Por ejemplo, dentro de la teoría del delito, la imputación objetiva sólo opera como un límite normativo o valorativo para la imputación de resultados o el juicio de culpabilidad queda dividido en dos ámbitos: la capacidad de culpabilidad o imputabilidad como límite y la responsabilidad orientada a los fines de la pena9.

En este sistema la normativización frente a la tesis ontológicas y naturalistas queda a medio camino, ya que los criterios normativos operan sólo como límite, como sucede paradigmáticamente con el concepto de culpabilidad. Sin embargo la culpabilidad tiene su fundamento último en la concepción de un ciudadano en un sistema de libertades y, por tanto, no puede ser relegada a operar como un mero límite de la prevención. Basten estas breves pinceladas para dejar de manifiesto que la función de protección de bienes jurídicos y la idea de seguridad de bienes no acaban de proporcionar un modelo que integre sistemáticamente delito y pena o, lo que es lo mismo, culpabilidad (delito como acción culpable) y prevención.

Por esta razón se opta como alternativa por una dimensión comunicativa del delito y de la pena que pretenda ir más allá de la comprensión del fenómeno punitivo como la de un nudo mal (desprovisto de otras dimensiones más allá del sufrimiento) que se impone al que ha puesto en peligro o lesionado bienes jurídicos con el fin de que en el futuro haya menos lesiones o puestas en peligro de bienes jurídicos (prevención instrumental de delitos).

9La culpabilidad es entendida por ROXIN-seguido en este punto por algunos discípulos como SCHüNEMANN

o WOLTER- como condición necesaria pero insuficiente de la pena en la medida en la que político- -criminalmente, es decir, desde el punto de vista de la prevención especial o de la prevención general, además debe ser necesaria la pena (ROXIN, Strafrecht AT I, cit., 3/51 ss.). De esta segunda cuestión se ocupa la categoría dogmática más amplia de la responsabilidad (19/3 ss.). Esta categoría sistemática permite un doble límite para la imposición de la pena por un injusto: a través de la culpabilidad como poder actuar de otro modo y a través de las necesidades preventivas. La responsabilidad queda así integrada por elementos heterogéneos, culpabilidad y necesidades preventivas, que se limitan recíprocamente. En dicha tensión entre ambos elementos se confía para no salirse de los límites de un Derecho Penal propio de un Estado

de Derecho. 39

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III. Hacia una concepción comunicativa y no instrumental del Derecho Penal En este contexto el delito es una comunicación que contradice lo que comunica en general el ordenamiento a los ciudadanos y la pena sirve para contradecir la perturbación comunicativa que supone el delito. Como ya señaló HEGELde forma pionera10, la pena no es sólo un mal que sigue a otro mal, ni el delito queda bien descrito como mera lesión o puesta en peligro fáctica de bienes. En una concepción normativa y comunicativa acción y re-acción deben ser entendidos en un trasfondo simbólico- comunicativo que genera el sistema jurídico en su conjunto y el Derecho Penal como fenómenos emergentes y es el que otorga su sentido al fenómeno punitivo.

El ser humano ha triunfado evolutivamente gracias a su enorme capacidad de crear redes de cooperación (que a lo largo de la historia no siempre han sido de participación voluntaria o inspiradas en la libertad y la igualdad, sino más bien basadas en la opresión, la explotación, la tiranía y la desigualdad). El orden social es un constructo –contingente y, por tanto, inestable- evolutivamente necesario. Sin duda, como señaló DURKHEIM, en un origen “lo social” se creó gracias a la religión o una idea de lo sagrado. Si bien es a las ciencias sociales a las que corresponde explicar ese milagro que es la creación de grandes redes cooperativas y sobre lo que los filósofos llevan siglos especulando, las redes de cooperación como estrategias de coordinación de acciones sólo existen más allá del parentesco mientras se compartan ciertas cosas que se convierten en públicas (relatos, valores, principios, creencias, sentimientos patrióticos, etc.)11.

Desde ese punto de partida se generan ciertos códigos, convenciones y redes compartidas de significados o, si se quiere formular en términos más morales, un contexto moral o una comunidad moral. Ese mundo de lo social trasciende los instintos heredados y en ese marco se crean los sistemas o redes de responsabilidad, tanto informales como formales. Cuando nadie responde ante nadie, lo social, lo compartido o lo público se derrumba. La “lesividad social” o “de lo común” que define un hecho como punible depende básicamente de las características básicas del orden social.

Cuando el orden ya no se basa en la confianza personal, pero tampoco en la creencia compartida en mitos y religiones o en un orden ético común como sucede con las actuales sociedades postmetafísicas, sólo puede basarse en normas creadas de acuerdo a determinados procedimientos públicos. La pena ha venido siendo una estrategia evolutivamente constante para proteger ciertas normas indispensables, que no siempre

10§ 99 A, que señala como es irracional querer un mal simplemente porque ya se ha producido otro mal.

El segundo mal tiene que aportar algo positivo a la sociedad. Sobre la teoría de la pena de HEGEL, FEIJOO SANCHEZ, Bernardo, La pena como institución jurídica, Buenos Aires y Montevideo: BdeF, 2014, pp.

31 ss.

Esta es una idea básica para JAKOBS: por diversos lugares, Sociedad, norma y persona en una teoría de un Derecho Penal funcional, Madrid: Civitas, 1996, pp. 11, 17 s., “Zur gegenwärtigen Straftheorie”, en Kodalle, Klaus-M., Strafe muss sein! Muss Strafe Sein?, Würzburg: Königshausen & Neumann, 1998, p.

37; Norm, Person, Gesellschaft, 2.ª ed., Berlín: Duncker & Humblot, 1999, p. 108.

11HAIDT, Jonathan, La mente de los justos, 2ª ed., Barcelona: Deusto, 2019, pp. 218, 302 s., 355 ss.;

HARARI, Yuval, Sapiens – Uma breve história da humanidade.

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son las mismas, sino que dependen del tipo de sociedad. El castigo se ha consolidado evolutiva y competitivamente como una estrategia mejor que otras alternativas para garantizar normas que siempre son inestables12. Ello no significa que la estabilización se tenga que conseguir con miedo y temor, sino que en una república democrática la confianza institucional es la esencia que engrasa estas redes sociales.

Si se asume que no se puede fundamentar una ciencia jurídica desde pre-com- prensiones -tan legítimas como discutibles-, la visión sistemática del delito como desestabilización y puesta en entredicho de la norma y de la pena como re-estabilización de la norma puesta en entredicho con el delito permite reconstruir las bases de un sistema jurídico funcionalmente diferenciado como el Derecho Penal. La interrelación entre delito y pena da lugar a que la teoría jurídica del delito deba estar orientada a determinar qué hechos ponen en entredicho o desestabilizan la norma, haciendo surgir así la necesidad de estabilización mediante un mal. Por su parte, la teoría de la pena tiene que legitimar por qué es preciso un mal como consecuencia de la declaración de culpabilidad.

IV. Diferencias con otras teorías comunicativas. Defensa de una teoría preventiva En el ámbito de las ciencias del comportamiento se suele hacer referencia a la cooperación intragrupal (no necesariamente intergrupal como demuestran diversos estudios) en la medida en la que este altruismo pueda ser entendido como racional a largo plazo. Es una forma de dejar en evidencia que el modelo del egoísta racional que está en el centro de la construcción liberal y preventivo-general del Derecho Penal en el siglo XIX (FEUERBACH) dificulta crear un orden social estable.

En el marco de la teoría jurídica del delito y de la pena ello no debe llevar a la idea contraria de entender que la esencia del delito es una cooperación al sistema, por lo que el castigo tendría su fundamento en una falta de colaboración suficiente.

En el actual sistema constitucional de libertades el castigo no puede tener su fundamento en el reproche o censura por tal falta de cooperación, sino exclusivamente en la lesividad de lo común construido mediante la cooperación institucional.

Tal punto de partida me ha llevado a no compartir una de las grandes construcciones teóricas de la actualidad como la de PAWLIK13. Si bien coincidiríamos en que el mantenimiento de la juridicidad es una labor central del Estado y la pena tiene que ver con el mantenimiento de una situación conforme a Derecho, disentiríamos en cómo

12ANDRISSEK, Tobias R., Vergeltung als Strafzweck, Tubinga: Mohr Siebeck, 2017, pp. 20 ss.; GüRERK, Özgür/IRLENBUSCH, Bernd/ROCKENBACH, Bettina, “The Competitive Advantage of Sanctioning Institutions”, Science312, 5770 (2006), pp. 108 ss.; HAUERT, Christoph/TRAULSEN,Arne/BRANDT, Hannelore/NOWAK, Martin A./SIGMUND, Karl, “Via freedom to coercion: the emergence of costly punishment”, Science316, 5833 (2007), pp. 1095 ss.; SEYMOUR, Ben/SINGER, Tania/DOLAN, Ray,

“The Neurobiology of Punishment”, Nature Reviews Neuroscience8, nº 4 (2007), pp. 300 ss.; TOBEÑA, Adolf, Neurología de la maldad, Barcelona: Plataforma, 2017, pp. 161 ss.

13FEIJOO SANCHEZ, La pena como institución jurídica, cit., pp. 60 ss. PAWLIK, Michael, Normbestätigung und Identitätsbalance. Über die Legitimation staatlichen Strafens, Baden-Baden: Nomos, 2017, p. 39, nota 176, recoge referencias de la doctrina alemana que sigue su posición. 41

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cumple esa función. El catedrático de la Universidad de Friburgo vincula la pena al mantenimiento de la juridicidad (“Erhaltung des Rechtszustandes”) abriendo con ello una vía a la legitimación funcional de la retribución, de tal manera que ésta no es sólo una teoría de la pena, sino que mediante el referente del mantenimiento de la juridicidad pasa a ser la función del Derecho Penal14. Los parentescos con la idea de estabilización son evidentes. De esta manera profundiza en el proyecto de revisión funcional del pensamiento hegeliano iniciado por su maestro JAKOBS, otorgando a la retribución una función social15. La retribución no sólo implica una justificación de la imposición de la pena al delincuente, sino que ofrece la justificación social de la pena.

Su posición no coincide exactamente con la de aquellos autores que buscan el fundamento de la culpabilidad en una auto-contradicción (Selbstwiderspruch, Selbstkorrumpierung), aunque su posición tenga algunos puntos de contacto con las mismas. Ni con la de aquellos que hacen referencia a una auto-contradicción subjetiva con las propias máximas morales -al optar por máximas morales que se consideran injustas- al estilo de ciertos autores de fundamentación kantiana que basan la culpabilidad en un concepto pre-jurídico y trascendental de libertad que vincule al ordenamiento y que tenga su origen y fundamento en el individuo y su autoconciencia (KÖHLER, ZACZYK)16; ni con aquellos que la definen como una auto-contradicción del ciudadano entre su dimensión como (potencial) participante en la elaboración de la norma y como destinatario de la misma17y que mediante la posibilidad de participación democrática queda

14Ya señalaba PAWLIK en Person, Subjekt, Bürger, cit., pp. 54 ss., 97, que la restitución de la juridicidad no es un fin social menos positivo o digno de valorar que la mejora del nivel de seguridad que propugnan las teorías preventivas clásicas. Bajo la clara influencia de JAKOBS, en los últimos tiempos han aumentado los partidarios de una fundamentación funcional de la retribución, dejando los efectos de psicología social como efectos latentes. Es decir, que la retribución no tendría una justificación trascendente a la sociedad, sino que desempeña una función positiva para la misma (LESCH, KALOUS, etc.). Vid. también el discípulo de FRISCHMüLLER, Matthias, Vergeltungsstrafe und Gerechtigkeitsforschung, Tubinga: Mohr Siebeck, 2019, pp. 3, 191 y passim, buscando una fundamentación empírica de la retribución y entendiendo que el fin de la pena retributiva sería el “Aufrechterhaltung des Rechtszustandes” (pp. 149 ss.).

15Sin embargo, como señala PAWLIK, Michael, “Das Strafrecht der Gesellschaft. Sozialphilosophische und sozialtheoretische Grundlagen von Günther Jakobs’ Strafrechtsdenken”, AA.VV., Strafrecht und Gesellschaft (org. Kindhäuser et al.), Tubinga: Mohr Siebeck, 2019, p. 248, JAKOBSutiliza el término funcionalidad en un sentido más abstracto o sociologicista como “idoneidad para el estímulo de la integración social y con ello, finalmente, de la paz social”, destacando su discípulo como este concepto tan amplio de función desarrollado en sociología (funcionalismo sociológico), por ejemplo por LUHMANN, es más propia de una teoría social del Derecho Penal y poco útil para el trabajo dogmático o jurídico. Sobre cómo el proyecto científico de JAKOBSno sólo tiene como objeto la dogmática, sino también una teoría de la sociedad como un sistema vinculante de comunicaciones, vid. los trabajos de KINDHÄUSER, PAWLIKy ZABEL, en la misma obra pp. 99 ss., 122 s., 156 ss., 192, 224 ss., 242 ss.

16Críticas en FEIJOO SANCHEZ, Bernardo, Derecho Penal, neurociencias y bien jurídico, Santiago de Chile. Ed. Jurídicas Olejnik, 2017, pp. 222 s. (=Frisch-FS), con ulteriores referencias a críticos con esta posición (KLAUSGüNTHER, KINDHAUSER, JAKOBS, etc.)

17GüNTHER, Klaus, Schuld und kommunikative Freiheit, Francfort: Vittorio Klostermann, 2005, pp. 71 ss., 245 ss. a partir de la ética del discurso. A efectos de legitimación del sistema penal este autor considera que existe un paralelismo entre el ciudadano como autor de las normas jurídicas y la persona jurídica como destinatario de dichas normas (pp. 248 ss.). Esta idea queda englobada bajo el concepto de persona deliberativa. La fundamentación discursiva de la culpabilidad se centra en la definición de persona en su

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Referências

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