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Instrumentos de planejamento em espécies: PPA, LDO e LOA.

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Instrumentos de planejamento em espécies: PPA, LDO e LOA.

1. INTRODUÇÃO

Para realizar a gestão governamental, o Governo tem à disposição vários instrumentos para o planejamento de suas políticas. De iniciativa privativa e indelegável do chefe do Poder Executivo, os instrumentos orçamentários são as ferramentas que materializam as atividades de planejamento e execução orçamentária. Cada um desses possui suas especificidades e funções, formando um todo harmônico que tem por objetivo maximizar a eficiência do gasto público na busca pelo máximo possível de bem-estar social para toda sociedade.

2. PLANO PLURIANUAL – PPA 2.1. Definição de PPA

Inovação da Constituição Federal de 1988, o Plano Plurianual é o plano estratégico de médio prazo da Administração Pública. É um instrumento de programação governamental idealizado como guia plurianual para as autorizações orçamentárias (anuais). Dentro do sistema de planejamento e orçamento da União, estados, Distrito Federal e municípios, esse é o principal instrumento de planejamento. Concebido para ter vigência quadrienal (quatro anos), esse plano representa o mais alto nível de planejamento do setor público em cada esfera governamental que o utiliza como referência para as realizações executadas, ano a ano, pelos entes federativos, por meio de seus orçamentos anuais (LOA).

Com o PPA se pretende:

• Gestão orientada para resultados;

• Integração do planejamento e do orçamento;

• Organização das ações de Governo em Programas;

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2.2. Função do PPA

O PPA é o instrumento constitucional de planejamento governamental que reflete as diretrizes do governo. Nos termos do § 1º do art. 165 da Constituição Federal, o PPA “estabelecerá, de forma regionalizada, as Diretrizes, Objetivos e Metas (DOM) da Administração Pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada”.

No § 4º do art. 165, a Constituição também define que “os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o Plano Plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional”.

Vejamos o que descreve o mandamento constitucional:

1) Forma regionalizada:

Dois pontos a serem esclarecidos:

– No âmbito da União, essa regionalização não necessariamente deverá obedecer à divisão tradicionalmente estabelecida no mapa político brasileiro (norte, nordeste, centro-oeste, sul e sudeste), deve levar em consideração a lógica da necessidade a ser atendida; o problema a ser resolvido; o objetivo a ser alcançado, sendo estabelecida de forma racional para cada programa implementado, se for o caso. Por exemplo, o norte de Minas Gerais sofre com a seca, consequentemente, o estabelecimento de uma política para o Nordeste em razão do combate aos efeitos da seca poderá incluir a região norte de Minas Gerais, assim como excluir municípios do Nordeste que não passem por este problema.

– A regionalização deve ser observada por todos os entes federativos, na elaboração do PPA de cada um, ou seja, Estados e Municípios deverão propor seu PPA levando em consideração as peculiaridades de suas regiões.

2) Diretrizes: são direcionamentos gerais que orientarão todas as atividades relacionadas para um determinado período, sendo a vigência do PPA fixada em quatro anos. Diretrizes são balizadores

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para a destinação dos recursos financeiros, sua gestão e dispêndio, visando alcançar determinados objetivos.

3) Os objetivos: partindo-se de um problema a ser resolvido, os objetivos consistem em especificação do resultado que a ação governamental pretende alcançar.

4) Metas: tradução quantitativa e qualitativa dos objetivos, ou seja, os números relacionados ao dispêndio público (valores a serem empregados ou quantidade de bens públicos a serem disponibilizados) e as mudanças reais que devem ser atingidas e que representarão a resolução dos problemas ou as minimizações desejadas.

5) Despesas de capital:

Como expresso no texto constitucional, o PPA estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas para despesas de capital e outras delas decorrentes, e para as relativas aos programas de duração continuada. Assim, pode-se identificar as despesas sobre as quais o PPA deve versar, sendo estas:

1) Despesas de capital;

2) Outras delas decorrentes, ou seja, despesas correntes que decorram das despesas de capital, por exemplo, despesas correntes necessárias a investimentos a serem realizados durante mais de um exercício financeiro;

3) Despesas correntes relativas aos programas de duração continuada.

Cumprindo seu papel constitucional, o PPA tem por função servir de guia plurianual para as proposições anuais, estabelecendo, para a elaboração do orçamento geral da União, as metas e prioridades do governo para um período de quatro anos. As metas e prioridades para o exercício orçamentário subsequente são definidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

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Objetivos do PPA:

1) Definir com clareza as metas e prioridades do governo, bem como os resultados esperados. Organizar, em programas, as ações que resultem em incremento de bens ou serviços que atendam demandas da sociedade.

2) Estabelecer a necessária relação entre as ações a serem desenvolvidas e a orientação estratégica de governo.

3) Possibilitar que a alocação de recursos nos orçamentos anuais seja coerente com as diretrizes e metas do Plano.

4) Explicitar a distribuição regional das metas e gastos do governo. Dar transparência à aplicação dos recursos e aos resultados obtidos.

2.3. Prazos para o PPA

De acordo com o mandamento constitucional, art. 35, §2º, I, ADCT, este esclarece que:

“[...]o projeto do plano plurianual[...]será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa;”

Dois pontos devem ser observados:

1) Segundo o § 2º do art. 35 do ADCT, até a entrada em vigor, da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º, I e II, serão obedecidos os prazos nesse mandamento. Porém, estes prazos poderão ser alterados na edição dessa nova lei complementar.

2) Os prazos aqui previstos se referem à União, não sendo a regra para outros entes federativos, desde que haja previsão de prazos diversos nas constituições estaduais ou leis orgânicas.

Tais prazos são:

1) Elaboração e encaminhamento do projeto de lei do PPA ao Poder Legislativo

O Poder Executivo tem prazo de até quatro meses, antes do encerramento do primeiro exercício financeiro, ou seja, 31 de agosto, para

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encaminhar o projeto de lei do PPA ao Poder Legislativo para apreciação, sendo essa data o prazo máximo para envio. Fique atento, porque em relação ao PPA, este encaminhamento só ocorre no primeiro ano de mandato, diferente da LDO e da LOA, em que o encaminhamento é anual.

Portanto, sob as regras atuais, o chefe do Poder Executivo tem até oito meses, a partir da posse, para elaborar seu PPA.

2) Prazo para apreciação pelo Poder Legislativo e devolução para sanção ou veto

Segundo o mandamento constitucional, o projeto de lei do PPA deverá ser devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa.

Mas o que vem a ser sessão legislativa?

O mandato do parlamentar é denominado legislatura e tem duração de quatro anos.

a) Legislatura: composta de quatro sessões legislativas e compreende o período de quatro anos.

Constituição Federal

Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

b) Sessão Legislativa: composta de dois períodos legislativos e compreende de 2 de fevereiro a 22 de dezembro (CF, art. 57 – EC nº 50).

Constituição Federal

Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro.

c) Período da Sessão Legislativa:

1º período: de 2 de fevereiro a 17 de julho (CF, art. 57 - EC nº 50).

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2º período: de 1º de agosto a 22 de dezembro (CF, art. 57 - EC nº 50).

Diante do exposto, compreende-se que o Poder Legislativo tem até 22 de dezembro, do primeiro ano de mandato, para apreciar o PPA e devolvê- lo ao chefe do Poder Executivo para sanção ou veto. Porém, apesar da determinação, não há nenhuma consequência prevista na Constituição caso este prazo não seja cumprido.

Estados, Distrito Federal e municípios poderão ter prazos distintos, desde que assinalados em suas constituições e leis orgânicas.

2.4. Vigência do PPA

Segundo o inciso I do § 2º do art. 35 do ADCT, o projeto do Plano Plurianual, para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial subsequente, será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e, devolvido para sanção, até o encerramento da sessão legislativa.

A vigência do PPA não coincide com a do Chefe do Poder Executivo, isso se dá porque ele será elaborado no primeiro ano de mandato para viger no segundo, estendendo-se até o término do primeiro ano de mandato subsequente. Ou seja, sabendo que o mandato presidencial é de quatro anos, o PPA vigorara por três anos do mandato em que é elaborado, e por mais um ano no subsequente.

A não coincidência com o mandato propicia ao chefe do Poder Executivo ter o primeiro ano de seu mandato livre para elaborar todo seu planejamento, inclusive o PPA. Preserva-se, ainda, a continuidade dos serviços públicos, ao não deixar à mercê das conveniências políticas a interrupção de um programa importante para a população, que poderia se dar em função da troca das facções que se encontram no poder, sem que houvesse, ao menos, um exame por parte do Poder Legislativo para alteração da lei do Plano Plurianual. Assim, o Plano Plurianual (PPA) garante minimamente a continuidade de ações de um governo para o governo seguinte.

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2.5. Elaboração do projeto de lei do PPA

Sendo algo personalíssimo de cada governante, para que haja um direcionamento único, a cada nova gestão, a área de planejamento do ente federativo deve elaborar regras orientadoras para aqueles que, de alguma forma, desejam ou têm obrigação de contribuir para elaboração do plano.

No âmbito federal, cada governo vem estabelecendo suas regras. Para elaboração do PPA 2016 a 2019, o governo federal publicou uma cartilha contendo orientações para participação social. Já o Decreto Federal nº 2.829/98 disciplinou a elaboração do PPA 2000-2003 e dos Orçamentos da União daquele período.

2.6. Conteúdo do PPA

O Plano Plurianual (PPA) estabelece os projetos e os programas do governo, definindo objetivos e metas da ação pública para um período de quatro anos. Fique atento à expressão “longa duração”, pois o PPA é um plano de médio prazo composto, basicamente, por programas de trabalho do governo.

Mas o que vem a ser programa neste contexto?

Programa é o plano de ação governamental, instrumento de organização da atuação do governo que articula um conjunto de ações que concorrem para a concretização de um objetivo comum preestabelecido, mensurado por indicadores instituídos no plano, visando à solução de um problema ou o atendimento de determinada necessidade ou demanda da

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sociedade1, por exemplo: Programa Sustentável Abastecimento e Comercialização, Agricultura Familiar, etc.

O programa deve conter basicamente:

1) Objetivos: resultado pretendido pela ação governamental;

2) Indicadores: instrumento que permite identificar e aferir aspectos relacionados ao programa, auxiliando o monitoramento da evolução de uma determinada realidade e gerando subsídios para a sua avaliação;

3) Metas: tradução quantitativa e qualitativa dos objetivos, ou seja, os números que se pretende atingir;

4) Responsável: órgão cujas atribuições mais contribuem para a implementação do Objetivo ou da Meta;

5) Estimativa de custo, quando necessário;

6) Ações: desenvolvimento governamental do qual resultam produtos (bens ou serviços) que contribuem para atender ao objetivo de um programa.

3. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 3.1. Definição da LDO

A Lei de Diretrizes Orçamentária é o plano tático de curto prazo da Administração Pública, sendo assim, como o PPA, esta também é uma grande inovação em matéria orçamentária criada pela Constituição Federal, cujas atribuições foram reforçadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Este instrumento de planejamento vem desempenhando relevante papel na normatização da atividade financeira do Estado e, por vezes, até preenchendo lacunas na legislação permanente acerca da matéria. É a interface entre o PPA e a LOA que é o instrumento que viabiliza a execução dos programas governamentais.

1. BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Orçamento. Disponível em:

<http://www.orcamentofederal.gov.br/glossario-1/programa>. Acesso em: 10. jul. 2018.

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3.2. Função da LDO

Segundo o § 2º do art. 165 da Constituição Federal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias compreenderá as metas e prioridades (MP) da Administração Pública Federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente. Orientará a elaboração da Lei Orçamentária Anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

Vejamos, ponto a ponto, as determinações contidas na Constituição Federal:

1) Compreender as Metas e prioridade da Administração Pública federal Para melhor compreensão deste ponto, é importante entender que objetivo e meta são expressões diferentes. Objetivo é a descrição daquilo que se pretende alcançar, enquanto que meta é a definição em termos quantitativos, em um prazo determinado. Faz-se necessário, também, entender o que é prioridade. Priorizar significa eleger o que deve ser feito, o que vem em primeiro lugar, ou seja, o que mais importa.

2) Incluindo as Despesas de Capital

São despesas que, normalmente, concorrem para a formação de um bem de capital, assim como para a expansão das atividades do órgão. Estas despesas estão relacionadas com aquisição de máquinas, equipamentos, realização de obras, aquisição de participações acionárias de empresas, aquisição de imóveis, concessão de empréstimos para investimento, pagamento do principal de um empréstimo, etc. Segundo o art. 12, da Lei nº 4.320/64, são despesas de capital os Investimentos, as Inversões Financeiras e as Transferências de Capital.

3) Orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual

Veja alguns dos pontos mais importantes que hoje são regulamentados pela LDO:

Estabelecimento de limites de gastos para aqueles que detêm autonomia administrativa e financeira (outros poderes) e

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autonomia funcional e administrativa (Defensoria Pública e MPU)

Como instrumento de independência em relação ao Poder Executivo, a Constituição Federal deferiu autonomia aos Poderes Legislativo e Judiciário, Defensoria Pública e Ministério Público, o que lhes permitiu a elaboração das suas partes do orçamento. Se não houvesse limitações, ficaria impossível para o Poder Executivo preservar o equilíbrio orçamentário entre receitas e despesas, pois estes estariam liberados para gastarem o quanto quisessem. Esta atribuição é dada pela Constituição Federal à LDO.

Constituição Federal

Art. 99 - Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.

§ 1º - Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

Assim, a título de ajuste de valores, o Poder Executivo estaria autorizado a fazer cortes nos orçamentos dos outros poderes e órgãos com autonomia, sem que isso implicasse em interferência insuportável pelo desrespeito à independência destes?

A resposta é: sim, desde que dentro dos limites estabelecidos pela LDO.

Mas como os outros poderes e órgãos com autonomia administrativa e financeira saberão quais valores poderão estabelecer em suas propostas orçamentárias?

Segundo o § 3º do art. 12 da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Poder Executivo de cada ente colocará à disposição dos demais Poderes e do Ministério Público, no mínimo trinta dias antes do prazo final para encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os estudos e as estimativas das receitas para o exercício subsequente, inclusive da receita corrente líquida, e as respectivas memórias de cálculo.

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Estabelecimento de Prazos para que os outros poderes e órgãos com autonomia elaborem e encaminhem suas propostas orçamentárias parciais ao Poder Executivo

Sendo a iniciativa da LOA privativa e indelegável ao chefe do Poder Executivo, sobre ele recai a responsabilidade de cumprir os prazos previstos na Constituição, obrigação que ficaria comprometida se aqueles que detêm autonomia (outros poderes, Defensoria Pública, MPU) não enviassem suas propostas parciais a tempo, provocando atrasos na consolidação do projeto de Lei Orçamentária Anual e consequente prejuízo à execução orçamentária do exercício financeiro subsequente que, por sua vez, poderia causar a descontinuidade dos serviços públicos.

Visando resolver essa situação, a Constituição Federal determina que cabe à LDO estabelecer prazo aos poderes para que estes encaminhem suas propostas parciais, permitindo a elaboração do projeto de Lei Orçamentária Anual a tempo.

Mas e se os poderes e órgãos não cumprirem os prazos previstos na LDO?

Prevê, então, a Constituição Federal que, em caso de atraso no encaminhamento das propostas parciais por parte dos que têm autonomia, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação, a proposta vigente como se fosse nova, atualizando-a com base nos limites estabelecidos na LDO. Dessa forma, aquele que “atrasar” o envio de sua proposta parcial, acaba por perder a oportunidade de elaborar, especificamente para aquele exercício, a sua proposta parcial do orçamento.

Art. 98 da CF (...)

§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

(...)

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§ 3º Se os órgãos referidos no § 2º não encaminharem as respectivas propostas orçamentárias dentro do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 1º deste artigo.

Veja que, por conta do atraso, o Poder Executivo não fica autorizado a arbitrariamente elaborar uma proposta parcial para o poder ou órgão que porventura tenha atrasado o envio. Segundo a Constituição, os parâmetros para essa elaboração, para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, são:

A proposta feita, no exercício anterior, pelo poder ou órgão que agora se atrasa e que foi apreciada pelo Poder Legislativo

A base são os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ou seja, são os valores que, no exercício anterior, foram apresentados como proposta parcial pelo mesmo órgão ou poder que agora se encontra atrasado. Esses valores compuseram o projeto de lei que foi consolidado pelo Poder Executivo no exercício anterior e apreciado pelo Poder Legislativo, na aprovação da LOA, que é vigente no momento da elaboração da próxima LOA;

Ajustes desses valores com base nos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias

4) Orientar a execução da LOA

A título de exemplo, segue o dispositivo constitucional abaixo.

CF: Art. 127. (...) (...)

§ 3º - O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.

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(...)

§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).

5) Dispor sobre as alterações na legislação tributária

Serve de exemplo a Lei nº 13.707/18 (LDO 2019), em que na seção II do Capítulo IX, mais precisamente no art. 117, caput, está estabelecido que na estimativa das receitas e na fixação das despesas do Projeto de Lei Orçamentária de 2019 e da respectiva Lei, poderão ser considerados os efeitos de propostas de alterações na legislação que sejam objeto de proposta de emenda constitucional, de projeto de lei ou medida provisória que esteja em tramitação no Congresso Nacional.

Lei nº 12.919/13 (LDO 2014) CAPÍTULO VIII

DAS ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO E SUA ADEQUAÇÃO ORÇAMENTÁRIA

(...) Seção II

Alterações na Legislação Tributária e das Demais Receitas

Art. 118. Somente será aprovado o projeto de lei ou editada a medida provisória que institua ou altere receita pública quando acompanhado da correspondente demonstração da estimativa do impacto na arrecadação, devidamente justificada.

§ 1º A criação ou alteração de tributos de natureza vinculada

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justificada, de sua necessidade para oferecimento dos serviços públicos ao contribuinte ou para exercício de poder de polícia sobre a atividade do sujeito passivo.

§ 2º A concessão ou ampliação de incentivos ou benefícios de natureza tributária, financeira, creditícia ou patrimonial, destinados à região do semiárido incluirão a região norte de Minas Gerais.

§ 3º As proposições que tratem de renúncia de receita, ainda que sujeitas a limites globais, devem ser acompanhadas de estimativa do impacto orçamentário-financeiro e correspondente compensação, consignar objetivo, bem como atender às condições do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

§ 4º Os projetos de lei aprovados ou medidas provisórias que resultem em renúncia de receita em razão de concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária, financeira, creditícia ou patrimonial, ou que vinculem receitas a despesas, órgãos ou fundos, deverão conter cláusula de vigência de, no máximo, cinco anos.

§ 5º O Poder Executivo adotará providências com vistas a:

I - elaborar metodologia de acompanhamento e avaliação dos benefícios tributários, incluindo o cronograma e a periodicidade das avaliações, com base em indicadores de eficiência, eficácia e efetividade; e

II - definir os órgãos responsáveis pela supervisão, acompanhamento e avaliação dos resultados alcançados pelos benefícios tributários.

6) Estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento

São exemplos dessas agências no âmbito da União:

• Banco da Amazônia;

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• Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES);

• Banco do Brasil;

• Caixa Econômica Federal;

• Banco do Nordeste.

7) Disposições relativas às despesas da União com pessoal e encargos sociais

O art. 169 da Constituição Federal estabelece que a despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. Despesa com pessoal, com relação aos servidores ativos, representa a parcela destinada aos servidores públicos em razão da contraprestação dada ao Estado com mão de obra. Esses gastos envolvem todas as verbas remuneratórias, como vencimentos, adicionais noturnos, horas extras, etc. Com relação aos inativos, estas despesas representam o gasto com as aposentadorias e pensões.

Art. 169 - A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.

§ 1º A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, só poderão ser feitas: (Renumerado do parágrafo único, pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - Se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes; (Incluído pela Emenda

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II - Se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

3.3. Prazos para LDO

Assim diz o Mandamento Constitucional em seu art. 35, §2º, II:

Art. 35 (...)

§ 2º (...)

II - o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa;

1) Segundo o § 2º do art. 35 do ADCT, até a entrada em vigor da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º, I e II, da CF, serão obedecidas as normas que foram explicadas, sendo assim, esses prazos, para União poderão ser alterados na edição dessa nova lei complementar.

2) Os prazos aqui previstos se referem somente à União, não sendo a regra para outros entes federativos, desde que haja previsão de prazos diversos nas constituições estaduais ou leis orgânicas.

Vamos por partes para entender o que diz o mandamento constitucional:

1) Elaboração e encaminhamento do projeto de lei da LDO ao Poder Legislativo

Apesar de ser elaborado com a possível participação de todos os poderes, cada um se refere à parte que lhe é cabível, contribuindo para uma devida adequação a toda Administração Pública. Por ter iniciativa privativa e indelegável, a responsabilidade pela elaboração e encaminhamento do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias é do Chefe do Poder Executivo, que tem prazo determinado para encaminhamento desta ao Poder Legislativo. Segundo o mandamento constitucional, o

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projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias será encaminhado em até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro, que coincide com 15 de abril em todos os exercícios financeiros. O Presidente tem, então, os primeiros três meses e meio de todos os anos de seu mandato para elaborar seu projeto de lei de diretrizes orçamentárias, uma a cada mandato.

2) Prazo para apreciação pelo Poder Legislativo e devolução para sanção ou veto:

Uma vez aprovado, o Poder Legislativo deverá devolver projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias ao Poder Executivo para sanção ou veto até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa, ou seja, 17 de julho.

Importante estar atento ao fato de que, segundo o art. 57, § 2º da CF, a sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, o que impedirá os parlamentares de entrarem em recesso (férias) até que tal lei seja aprovada.

3.4. Vigência da LDO

A vigência da LDO não é objetivamente definida como a do PPA e a da LOA, o que faz provocar certa confusão, isso porque a cada ano será elaborada uma nova LDO, o que leva alguns autores a afirmar que a LDO tem vigência anual, dando a falsa impressão de que a vigência é de 12 meses. Porém, para que possa cumprir com suas finalidades constitucionalmente estabelecidas, necessariamente, a LDO deve viger por mais de um ano. A expressão “anual” se remete, então, à frequência de elaboração - uma a cada ano - pois é certo que ela vigerá por mais de 12 meses, pelos motivos que se seguem:

1) Uma das funções da LDO, se não sua principal, é orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual. Como a LOA é elaborada no exercício anterior à sua execução, consequentemente, a LDO inicia a sua vigência no ano anterior também. Ao observar art. 156 da Lei nº 13.408/16 (LDO 2017), por exemplo, observa-se que ela passa a

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elaborada como sendo do exercício seguinte, ela vigora no mesmo exercício em que é elaborada.

Lei nº 13.408/16 (LDO 2017)

“Art. 156. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”

2) A LDO também tem por função orientar a execução orçamentária durante todo exercício financeiro subsequente ao que é elaborada. A título de exemplo, seguem os §§ 3º e 6º do art. 127 da Constituição que versam sobre a execução orçamentária do Ministério Público:

Art. 127. (...) (...)

§ 3º - O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.

(...)

§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Chega-se à conclusão, então, que a LDO vigora desde o momento da sua publicação, a fim de auxiliar a elaboração da próxima LOA, e por todo o exercício financeiro subsequente, durante a execução orçamentária.

Assim, certamente, a LDO vigora por mais de um ano.

3.5. Elaboração do projeto de lei da LDO

A elaboração da LDO, em cada ente federativo, segue as normas estabelecidas na Constituição e nas leis, LRF, por exemplo, e tem por base o PPA respectivo. No âmbito Federal, o órgão responsável pela elaboração

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da LDO é o Ministério da Economia. A secretaria responsável dentro deste ministério é a SOF (Secretaria de Orçamento Federal).

3.6. Conteúdo da LDO A título de exemplo:

LDO 2020 - LEI Nº 13.898, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2019 Art. 1º São estabelecidas, em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e na Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal, as diretrizes orçamentárias da União para 2020, compreendendo:

I - as metas e as prioridades da administração pública federal;

II - a estrutura e a organização dos orçamentos;

III - as diretrizes para a elaboração e a execução dos orçamentos da União;

IV - as disposições para as transferências;

V - as disposições relativas à dívida pública federal;

VI - as disposições relativas às despesas com pessoal e encargos sociais e aos benefícios aos servidores, empregados e seus dependentes;

VII - a política de aplicação dos recursos das agências financeiras oficiais de fomento;

VIII - as disposições sobre adequação orçamentária das alterações na legislação;

IX - as disposições sobre a fiscalização pelo Poder Legislativo e sobre as obras e os serviços com indícios de irregularidades graves;

X - as disposições sobre transparência; e XI - as disposições finais.

A Lei de Responsabilidade Fiscal ampliou as atribuições da LDO, fazendo com que esta ganhasse mais relevância, atribuindo a ela, funções de

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destaque no processo orçamentário. A LRF estabeleceu que a LDO deverá dispor sobre:

1) Equilíbrio entre receitas e despesas;

2) Critérios e forma de limitação de empenho, a ser verificado no final de cada bimestre, quando se observar que a realização da receita poderá comprometer os resultados nominal e primário estabelecidos no anexo de metas fiscais e para reduzir a dívida ao limite estabelecido pelo Senado Federal;

3) Normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos;

4) Demais condições e exigências para as transferências de recursos a entidades públicas e privadas;

4. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA) 4.1. Definição da LOA

A Lei Orçamentária Anual é o orçamento propriamente dito. É o instrumento de efetiva execução orçamentária, voltado para a previsão de receitas e fixação de despesas. É o planejamento operacional de curto prazo da Administração Pública, executando aquilo que foi planejado no PPA e estabelecido como meta e prioridade na LDO. Isso não quer dizer que não haja planejamento na LOA, ao contrário; porém, este planejamento é de curto prazo e de cunho operacional, devendo obedecer a uma dupla subordinação: ao PPA e à LDO.

4.2. Função da LOA

A LOA tem por função prever receita e fixar despesas públicas. É a materialização da atividade financeira do Estado, concretizando aquilo que foi precipuamente planejado no PPA e estabelecido como meta e prioridade na LDO. Discrimina os recursos orçamentários e financeiros para a realização das metas e prioridades estabelecidas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias.

(21)

4.3. Prazos para a LOA

1) Elaboração e encaminhamento do projeto de lei da LOA ao Poder Legislativo

Como determina o texto constitucional, o prazo para encaminhamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual do chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo é de até quatro meses antes do encerramento de todos os exercícios financeiros, ou seja, 31 de agosto. Insta observar, que, diferente do PPA, cujo encaminhamento ocorre de quatro em quatro anos, o Projeto da LOA é encaminhado anualmente.

2) Prazo para apreciação pelo Poder Legislativo e devolução para sanção ou veto

Mais uma vez, segundo o texto constitucional, o Projeto da Lei Orçamentária Anual deverá ser devolvido ao Poder Executivo até o encerramento da sessão legislativa, ou seja, 22 de dezembro, não havendo qualquer consequência prevista na Constituição para o Congresso Nacional se tal prazo não for respeitado.

4.4. Vigência da LOA

A LOA tem vigência de um ano, ou seja, é efetivamente anual, coincidindo com o ano civil, de 01 de janeiro a 31 de dezembro.

Constituição Federal

Art. 165 - Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...)

III. Os orçamentos anuais.

Lei nº 4.320/64

Art. 2° - A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade e anualidade.

(...)

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Art. 34 - O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Mais uma vez, vale lembrar que, na prática, o orçamento só é aprovado após o início do exercício financeiro.

4.5. Organização da LOA

O § 5º do art. 165 da Constituição Federal estabelece que a Lei Orçamentária Anual compreenderá:

1) O orçamento fiscal

Referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;

2) O orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto

As empresas estatais são pessoas jurídicas de direito privado e estão organizadas, em sua maioria, sob a forma de sociedades de capital por ações. Encontram-se, ainda, entre as subsidiárias e controladas dessas empresas, sociedades civis ou por cotas de responsabilidade limitada.

Esse orçamento contempla somente os investimentos, ou seja, não entrará aqui despesa com profissionais ou de custeio.

3) O orçamento da seguridade social

Abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público, desde que relacionadas à seguridade social.

Art. 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (...)

III. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

Art. 165 (...)

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§ 7º - Os orçamentos previstos no § 5º, I e II, deste artigo, compatibilizados com o Plano Plurianual, terão entre suas funções a de reduzir desigualdades inter-regionais, segundo critério populacional.

4.6. Elaboração do projeto de lei da LOA

No âmbito Federal a elaboração do PLOA – Projeto de Lei Orçamentária Anual, que será bem esmiuçado no capítulo sobre o ciclo orçamentário, ocorre de forma conjunta, com a participação das unidades orçamentárias (subsetoriais), das setoriais de planejamento e orçamento (nível ministerial), dos órgãos orçamentários dos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público e da SOF – Secretaria de Orçamento Federal, do Ministério da Economia, que coordenam todo o processo.

Com o fim de orientar a elaboração do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), a SOF elabora anualmente o MTO (Manual Técnico de Orçamento). Como esclarece esse documento, o processo de elaboração do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) se desenvolve no âmbito do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal e envolve um conjunto articulado de tarefas complexas e um cronograma gerencial e operacional com especificação de etapas, de produtos e da participação dos agentes. Assim, o PLOA é elaborado “de baixo para cima”, com cada interessado atuando em sua área de responsabilidade.

4.7. Composição da LOA

A LOA é composta por créditos orçamentários ordinários e suas respectivas dotações.

• Créditos orçamentários ordinários: autorizações para a realização de despesas;

• Dotação: limite de gasto para cada crédito orçamentário, ou seja, o valor que poderá ser gasto com cada tipo de despesa;

A LOA também é composta pela previsão de receita para suprir os créditos.

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4.8. Conteúdo da LOA

Segundo a Lei nº 4.320/64, a LOA conterá a discriminação da receita e da despesa de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de governo, obedecidos os princípios de unidade, universalidade e anualidade.

É na lei orçamentária que o governo prevê a arrecadação de receitas e fixa a realização de despesas para o período de um ano. Para que seja obedecido o princípio da legalidade, o Poder Legislativo deve autorizar a Atividade Financeira do Estado, notadamente a execução da despesa, por intermédio de uma lei.

Constituição Federal Art. 165

(...)

§ 6º - O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.

Com relação à estrutura do Projeto de Lei Orçamentária Anual, o § 1° do art. 2° da Lei nº 4.320/64 estabelece que integrarão a Lei de Orçamento:

I - Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Governo;

II - Quadro demonstrativo da Receita e Despesa segundo as Categorias Econômicas, na forma do Anexo nº. 1;

III - Quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação;

IV - Quadro das dotações por órgãos do Governo e da Administração.

(25)

4.8.1. Abrangência 1) Todas as receitas

Segundo o art. 3º da mesma lei, a Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei.

A despeito do mandamento legal, nem todas as receitas estarão contidas na Lei Orçamentária Anual. Segue a baixo algumas exceções:

Exceções:

• Receitas orçamentária não previsíveis; e

• Receitas extraorçamentárias;

• Operações de crédito por antecipação da receita;

• Emissões de papel-moeda; e

• Outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiros.

Este assunto será adequadamente abordado no capítulo sobre Princípio e Receita, mais especificamente sobre o princípio da Universalidade com discriminação das espécies de despesa.

2) Todas as despesas

Segundo art. 4º da mesma lei, a Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo e da administração centralizada, ou que, por intermédio deles se devam realizar, observado o disposto no artigo 2°.

A despeito do mandamento legal, nem todas as despesas estarão contidas na Lei Orçamentária Anual, as quais se denominam despesas extraorçamentárias.

Esse assunto será detalhadamente abordado no capítulo sobre Princípio e sobre Despesa, mais especificamente sobre o princípio da Universalidade com discriminação das espécies de despesa.

Atenção!

Segundo o § 14. do art. 165 da Constituição Federal, a lei orçamentária anual poderá conter previsões de despesas para exercícios seguintes, com

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4.8.2. Discriminação na LOA

Segundo o art. 15 da Lei nº 4.320/54, na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos. Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, material, serviços, obras e outros meios de que se serve a Administração Pública para consecução dos seus fins. Para efeito de classificação da despesa, considera-se material permanente o de duração superior a dois anos.

Aqui tratamos somente do texto legal, mas no capítulo sobre princípios, especificamente em relação ao princípio da discriminação, este assunto será mais detalhadamente abordado.

4.8.3. Vedações relacionadas à LOA

1) Matérias estranhas à atividade orçamentária (Princípio da Exclusividade)

Segundo o § 8º do art. 165 da Constituição Federal, a Lei Orçamentária Anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.

Créditos adicionais são ajustes realizados durante a execução da LOA para realização de despesas que não foram previstas ou que foram insuficientemente dotadas.

Existem três tipos de créditos adicionais, suplementares, especiais e extraordinários. A Constituição somente permite a inserção na LOA de autorização para abertura de créditos adicionais suplementares.

Nos capítulos sobre ajustes orçamentários e princípios orçamentários esmiuçaremos esse dispositivo constitucional.

2) Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no Plano Plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade (§ 1º do art. 167 da Constituição Federal)

(27)

Isso quer dizer que um investimento pode estar inserido somente na LOA, sem prévia inclusão no PPA, desde que cumpra os requisitos constitucionais desse dispositivo.

3) Dotações globais (Lei nº 4.320/64)

O art. 5º da Lei nº 4.320/64 determina que a Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras, ressalvado o disposto no artigo 20 e seu parágrafo único.

Art. 20. Os investimentos serão discriminados na Lei de Orçamento segundo os projetos de obras e de outras aplicações.

Parágrafo único. Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por dotações globais, classificadas entre as Despesas de Capital.

O Decreto nº 200/67 também estabelece a reserva de contingência como exceção.

Art. 91. Sob a denominação de Reserva de Contingência, o orçamento anual poderá conter dotação global não especificamente destinada a determinado órgão, unidade orçamentária, programa ou categoria econômica, cujos recursos serão utilizados para abertura de créditos adicionais. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.763, de 1980).

Exceções

• Programas Especiais de Trabalho; e

• Reserva de contingência.

4) Consignar ajuda financeira, a qualquer título, a empresa de fins lucrativos (Lei nº 4.320/64, art. 19)

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Art. 19. A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer título, a empresa de fins lucrativos, salvo quando se tratar de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial.

Exceção:

• Subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial.

5) Crédito com finalidade imprecisa (Lei Complementar nº 101/00 – LRF) 6) Crédito com dotação ilimitada (Lei Complementar nº 101/00 – LRF) 4.8.4. Forma da previsão de receita e fixação de despesa

Segundo o art. 6º da Lei nº 4.320/64, todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como despesa, no orçamento da entidade obrigada a transferência e, como receita, no orçamento daquela que as deva receber.

4.8.5. Acompanham a LOA

Algumas informações específicas deverão acompanhar o projeto de Lei orçamentária anual.

1) Constituição Federal (Art. 165, § 6º)

O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.

2) Lei nº 4.320/64 (Art. 2°, § 2º) Acompanharão a Lei de Orçamento:

I - Quadros demonstrativos da receita e planos de aplicação dos fundos especiais;

II - Quadros demonstrativos da despesa, na forma dos Anexos ns.

6 a 9;

(29)

III - Quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do Governo, em termos de realização de obras e de prestação de serviços.

OBSERVAÇÃO:

Fique atento, pois, esses quadros eram exigidos à época da elaboração da lei até a informatização do sistema. Agora, os órgãos responsáveis pela elaboração do orçamento utilizam ferramentas mais modernas para registrar essas informações.

3) Lei Complementar nº 101/00 (LRF) LRF

Art. 4º

§ 1º Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes.

4.9. Estrutura da proposta orçamentária

O art. 22 da Lei nº 4.320/64 estabelece que a proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder Legislativo nos prazos estabelecidos nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios, compor-se-á de:

I. Mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-financeira, documentada com demonstração da dívida fundada e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a pagar e outros compromissos financeiros exigíveis; exposição e justificação da política econômico-financeira do Governo; justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento de capital;

II. Projeto de Lei de Orçamento;

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III. Tabelas explicativas, das quais, além das estimativas de receita e despesa, constarão, em colunas distintas e para fins de comparação:

a) A receita arrecadada nos três últimos exercícios anteriores àquele em que se elaborou a proposta;

b) A receita prevista para o exercício em que se elabora a proposta;

c) A receita prevista para o exercício a que se refere a proposta;

d) A despesa realizada no exercício imediatamente anterior;

e) A despesa fixada para o exercício em que se elabora a proposta;

e

f) A despesa prevista para o exercício a que se refere a proposta.

IV. Especificação dos programas especiais de trabalho custeados por dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas em estimativa do custo das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e administrativa.

Constará, ainda, da proposta orçamentária, para cada unidade administrativa, descrição sucinta de suas principais finalidades, com indicação da respectiva legislação.

Quadros comparativos entre os instrumentos orçamentários

INSTRUME NTO

PRAZOS PARA ELABORAÇÃO E ENCAMINHAMENTO AO PODER

LEGISLATIVO

PRAZO PARA

DEVOLUÇÃO PARA SANÇÃO OU VETO

PPA

Até quatro meses

antes do encerramento do

primeiro exercício

Até o encerramento da sessão legislativa do primeiro exercício

(31)

financeiro do mandato – 31 de

agosto.

financeiro – 22 de dezembro.

LDO

Até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro - 15 de abril.

Até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa – 17 de julho.

LOA

Até quatro meses

antes do encerramento do

exercício financeiro – 31 de agosto.

Até o encerramento da sessão legislativa – 22 de dezembro.

INSTRUME

NTO VIGÊNCIA

PPA 4 (quatro) anos não coincidente com o mandato do Chefe do Poder Executivo.

LDO Até 17 (dezessete) meses, se os prazos constitucionais forem respeitados.

LOA 1 (um) ano.

INSTRUME

NTO FUNÇÃO CONSTITUCIONAL - ART. 165

PPA § 1º A lei que instituir o Plano Plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as

(32)

focusconcuros.com.br 32

diretrizes, objetivos e metas (DOM) da Administração Pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.

LDO

§ 2º A Lei de Diretrizes Orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da Administração Pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da Lei Orçamentária Anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

LOA

§ 5º A Lei Orçamentária Anual compreenderá:

I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;

II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.

(33)

5. PLANOS E PROGRAMAS NACIONAIS REGIONAIS E SETORIAIS

Os planos regionais de desenvolvimento também devem ser elaborados em consonância com o Plano Plurianual, devendo, ainda, integrar os planos nacionais e ser com eles aprovados.

Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre:

I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;

II - Plano Plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de curso forçado;

III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;

IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento.

Assim como os instrumentos orçamentários (PPA, LDO e LOA), caberá à comissão mista permanente de Senadores e Deputados examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos na Constituição, bem como exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.

Por fim, visando, mais uma vez, atender à parte final do inciso III de seu art. 3º, a Constituição determina em seu art. 43 que, para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando seu desenvolvimento e redução das desigualdades regionais.

Constituição Federal Art. 165...

(...)

(34)

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§ 4º Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o Plano Plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional.

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao Plano Plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum.

§ 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:

(...)

II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.

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