Resultados do Projeto Arenito Integração lavoura/pecuária Santo Inácio-PR

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Resultados do Projeto Arenito Integração lavoura/Pecuária

Santo Inácio-PR

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Projeto Arenito do Vale

PASTO APÓS SOJA NO NOROESTE DO PARANÁ 9 ANOS DE VALIDAÇÃO DA ILP – 2005/13

“Quando você pode medir aquilo sobre o que você está tratando e expressá-lo com números, você mostra que sabe algo sobre o assunto; mas quando você não pode medir, quando você não é capaz de descrever com números, seu conhecimento é de um tipo escasso e insatisfatório”.

(Lorde Kelvin -Ingl. 1824/1907).

Vamos relatar o caso da Estância JAE em Santo Inácio/PR, onde se realizam pesquisas, validações e demonstrações realizadas pela Universidade Estadual de Maringá e apoiadas pela Fundação Agrisus e empresas parceiras. Aonde por 9 anos consecutivos vem se produzindo forragem para gado de leite no intervalo de duas culturas de soja de verão. As observações e demonstrações abrangem uma área de 12

ha, subdivididas em duas parcelas iguais. É o que se chama de integração lavoura pecuária -ILP em pequena propriedade familiar, onde as “plantação e criação se alternam na mesma área”.

O SOLO

O solo, da série Arenito Caiuá, com 70% a 80% de areia, recoberto originalmente por mata alta de perobal denso não muito grosso, porém sem os padrões de alta fertilidade como figueira branca p.ex.

Plantado com café na década de 1950 que durou poucos anos, no limite da fertilidade inicial e em conseqüência das geadas intensas. Seguiu-se algodão substituído por pastagem devido à erosão. A braquiária cede hoje lugar aos cereais depois de adotado o plantio direto.

A fertilidade original é média, com teores de bases (2/3 cmol/ dm3) e MO (1/2%) baixos, compatíveis com a textura arenosa com menos de 30% de argila e silte. O P extraído por resina é baixo, seguindo a regra da maioria dos solos tropicais. A acides é média (pH 5/6-H2O), sem toxidez por Al ou muito baixa.

A CTC (4/5 cmol/ dm3) e a saturação (50/60%) são médias, a primeira dentro da faixa das terras com

mais de 70% de areia como o solo em questão.

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O CLIMA

Na seqüência dos 9 anos em revista as chuvas de abril a outubro somaram de 388 a 698 mm, a temperatura média das máximas ficou entre 24,7 e 32º C, a média das mínimas foi de 10 a 18º C; e a mínima absoluta de -2 a 13º C (Q.1).

Q.1 - CLIMA AMENO DE 2005 a 2013 (Abril/Set.)

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 media Temp. Média das máx. 32,0 27,0 29,0 26,0 25,3 25,1 24,7 27,2 26,4 27,0 Temp. Média das min. 10,0 15,0 18,0 15,0 15,4 14,5 13,6 16,5 14,2 14,7

Temp. Mínima absoluta 6,0 13,0 13,0 G 13,9 5,0 -1,0 5 -2,0 5,3

Precipit. mm (abr/set) 520,0 406,0 496,0 388,0 497,0 137,0 451,0 698,0 543,0 459,6

O clima ameno foi favorável às gramíneas tropicais sendo que as geadas em afetaram mais o Tanzânia que a Ruziziensis, ainda que muito de leve.

A PASTAGEM

Após diversos experimentos, a produção comercial adotou o melhor resultado que é o de capins

Tanzânia consorciado com Brachiaria ruziziensis, utilizando sempre sementes revestidas (ditas

peletizadas) na proporção de 1.200 pontos de valor cultural por ha, sendo metade de cada espécie. As

variedades da soja de ciclo mais curto, de colheita antecipada, possibilitaram substituir -, desde 2008,-o

sobre-semeio pelo plantio direto, com melhor germinação e maior densidade de touceiras.

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O pasto formado que recebeu 30 kg/ha de N por ano, mostrou na seqüência dos 9 anos de 6,7 a 17,1 touceiras por m2, com proteína bruta -PB de 10,6 a 12,8% e nutrientes digestíveis totais -NDT de 62,2 a 69,4% (Q.2).

Calculando uma ingestão diária de 3% de matéria seca -MS sobre o peso vivo, somada à matéria seca aferida no final do pastoreio, pode-se estimar a produção de forragem em 3,6 a 7,4 t/ha durante 150 dias, a partir da colheita da soja até o fim do pastoreio.

A redução verificada em 2007 explica-se pelas variações climáticas com maiores intervalos sem chuva, quando a persistência da cobertura residual na soja reduziu a germinação pelo menor contato da semente com o solo, reduzindo o número de touceiras p/m2.

Q.2 - PRODUÇÃO E QUALIDADE DA PASTAGEM

MATÉRIA SECA-KG/HA 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 media No. de diárias de

pastoreio 234 220 125 208 192 120 187 223 178 187

Consumo (12 kg

MS/UA/dia) 2.808 2640 1.500 2.496 2.304 1.440 2.524 3.010 2.136 2318

Estoque no fim do

pastoreio 4.630 3.186 1.886 2.184 2.440 1.870 1.770 2.230 1.930 2458

Soma 7.438 5.826 3.386 4.68 4,744 3.310 4.294 5.240 4.066 3729

Proteína bruta-PB % 12,8 11,78 10,6 11,4 12,6 11,3 11,4 12,5 12 12

Nutr. Dig. Tot-NDT % 64,2 69,42 64,8 65,1 65,5 65,2 64,2 62,2 63 65

Touceiras por m

2

No. 8,7 9,4 6,7 12,9 14,8 14,7 17,1 15,1 14 13

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A PRODUÇÃO DE LEITE

O pastoreio de vacas cruzadas girolanda em regime exclusivo de pasto perdurou por 35 a 61 dias nos meses de agosto/setembro, com 125 a 234 diárias e uma pressão de pastoreio de 2,5 a 6,3 cabeças/ha, proporcional à duração do pastoreio.

A produção diária de leite durante o período de pastoreio variou entre 8,2 e 12,3 litros/cabeça/dia, correspondentes a 1.927 a 2.356 litros/ha, exclusivamente a pasto. A menor produção em 2007 resultou da menor oferta de forragem devido a pouca chuva (Q.3).

Q.3 - PRODUÇÃO DE LEITE

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 media Dias de pastoreio

(Ago/Set) 41 35 50 52 48 40 55 61 58 48,9

Pressão de pastoreio-

cab/ha 5,7 6,3 2,5 4 4 3 3,4 3,6 3,2 4,0

Número de diárias 234 220 125 208 192 120 187 223 186 188,3

Prod. Diária- litros/vaca 8,2 9,1 10,5 11,2 12,3 11,8 10,1 11,2 10,2 10,5 Prod. p/ área- litros/ha 1.927 2.019 1.325 2.319 2.356 1.416 1.888 2.250 1.908 1934,2

A FITOMASSA

Findo o pastoreio, a área teve um período médio de 30 dias para regeneração do capim, o qual após

dessecação mostrou uma fitomassa de 4,1 a 6,9 t/ha (Q.5), sobre a qual foi semeada nova cultura de

soja em Novembro e início de Dezembro.

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A aferição da cobertura morta aos 90 dias indicou uma persistência de 35 a 47% da quantidade inicial. O volume de resíduos remanescentes por ocasião do sobre-semeio da gramínea dificultou em 2007 a germinação reduzindo a densidade de touceiras por m2, como mencionado anteriormente.

Q.4 - PRODUÇÃO DE FITOMASSA APÓS PASTOREIO

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kg MS /ha 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 media Final do pastoreio

(medido) 4.630 3.186 1.886 2.184 2.440 1.870 1.770 2.230 1.930 2458

Recuperação na rebrota

de 30 dias 1.462 3.724 2.214 2.616 2.746 2.304 2310 2.620 2.350 2483

No Plantio (medido) 6.092 6.910 4.100 4.800 5.186 4.174 4080 4.850 4.280 4941 Persistência após 100 dias

% 44 35 47 44 42 38 42 43 - 37

Produtiv. da soja pós

pasto sc/ha 48,9 51,2 52,5 53,5 62 63 48,2 53,4 - 48

A produção de soja após a produção indicada de leite e de fitomassa foi de 48,9 a 62,0 sc/ha durante o período em revista, sendo que em 2008 alcançou o dobro das lavouras da região sem cobertura morta no solo, devido aos 40 dias sem chuva após a germinação.

Pesquisa conduzida anteriormente (2005), cotejando a produtividade da soja sobre fitomassa de diferentes origens, mostrou certa vantagem em favor da B.ruziziensis, admitindo-se um efeito sinérgico favorável dessa espécie.

Pesquisas complementares virão definir o significado desse sinal promissor.

A ECONOMIA

Os custos dos procedimentos são cuidadosamente anotados a partir do plantio das gramíneas antes da colheita da soja até o momento da dessecação para plantio da cultura de verão (Q.5). A alternativa oferecida seria de baixa disponibilidade de volume e qualidade de pastagem mais cana e ração no cocho, cujo custo, na opinião dos proprietários, seria mais elevado se calculado por diária, para uma produção de leite inferior à alcançada no sistema de ILP.

No ano de 2007 usou-se sulfato de amônio em vez de uréia por falta deste produto. Houve acréscimo no custo do produto bem como da aplicação em maior quantidade para manter a norma de 30 kg N por ha.

O menor número de touceira por m2 a as condições climáticas menos favoráveis reduziram o número de diárias de pastoreio com correspondente acréscimo do respectivo custo.

Q.5 - DESEMPENHO ECONÔMICO NO INVERNO

p/ha 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 media

Receita bruta R$ 1.060 1.060 1391 1.649 1.132 1604 2.012 1908 1313

Desp. Sementes R$ 160 140 150 150 150 160 165 165 138

Fertilizantes R$ 80 117 70 70 120 133 286 320 133

Defensivos R$ 25 18 - - - - - - 5

Serviços R$ 55 70 50 85 165 130 155 170 98

Soma Desp. R$ 320 345 270 305 445 423 606 655 374

Lucro bruto* R$ 740 715 1.121 1.344 687 1181 1.201 1253 916

Custo por diária R$ 1,45 2,76 1,3 1,59 3,71 2,26 2,72 3,5 2,15

Custo forragem

consumida R$/k g 0,12 0,2 0,1 0,12 0,27 0,17 0,2 0,25 0,16

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* Exclusive amortização e seguro dos animais, bem como supervisão.

Os custos obtidos sejam pelas diárias (R$ 1,30 a R$ 3,5/dia) ou por kg de matéria seca – MS (R$ 0,10 a R$ 0,27/kg/MS) se comparam favoravelmente com os preços vigentes no mercado para confinamento ou para feno.

O acompanhamento cuidadoso dos procedimentos possibilitou um controle técnico e econômico satisfatório capaz de consolidar a conclusão da viabilidade da produção de forragem pastoril de baixo custo e alta qualidade no intervalo entre dois plantios sucessivos de soja.

A elevada produtividade da soja comprova que está sendo mantida a alta fertilidade do solo e, conseqüentemente, a sustentabilidade da produção e do sistema.

A ILP descrita está comprovada tanto na dimensão da pequena propriedade familiar, na qual vem sendo realizada, como em estabelecimentos de qualquer escala, pois os princípios técnico-administrativos envolvidos são universais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo da educação coletiva vem sendo alcançado através de 20 Dias de Campo no período em revista, com comparecimento de mais de 4.000 participantes que, após presenciarem as demonstrações ao vivo, têm oportunidade de debaterem a matéria com os responsáveis pelo projeto.

A Fundação Agrisus sente-se gratificada em poder oferecer os resultados acima à agropecuária do país, esperando que assim venha a contribuir para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e lucrativa, como é seu objetivo.

O Projeto Arenito em nome de toda sua equipe agradece a todos os Professores, alunos e colaboradores da Universidade Estadual de Maringá, assim como todas as empresas parceiras pelo planejamento, acompanhamento e incontáveis aferições do projeto.

E em especial a Fundação Agrisus e a seu Fundador Dr. Fernando Penteado Cardoso, pelo imenso incentivo e estusiasmo ao Projeto Arenito durante este primeira década de muito trabalho, resultados e amor a Agropecuária.

A todos nossas felicitações pelo êxito de um trabalho bem feito.

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29 deNovembro de 2013

Equipe Projeto Arenito do Vale

Eng. Agr. Fernando Ribeiro Sichieri

Eng. Agr. Ricardo Padulla

Prof. Dr. Ullysses Cecato

Prof. Dr. Jamil Constantin

Pesq. Dr. Julio Franchini

Produtor José Americo Sichieri

Antônio Romanin ( Toni )

José Geraldo dos Reis ( Seu Zé )

Equipe Fartura Consultoria

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Referências

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