ANÁLISE DOS FATORES COMUNS ENTRE MULHERES COM FIBRO EDEMA GELÓIDE ATENDIDAS EM UM CENTRO ESTÉTICO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ ENTRE 2006 E 2008.

Texto

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CAMBORIÚ ENTRE 2006 E 2008.

¹Carine Gotardo - Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Cosmetologia e Estética da Universidade do vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina.

²Lucimara da Cunha - Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Cosmetologia e Estética da Universidade do vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina. ³Elaine Watanabe – Tecnóloga em Cosmetologia e Estética; Professora do Curso Superior de Tecnologia em Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina.

Contatos:

¹carine_gotardo@hotmail.com ²lulu.lucci@hotmail.com

³ewatanabe@univali.br

Resumo

O Fibro Edema Gelóide (FEG) é um problema estético enfrentado por cerca de 95% das mulheres e que pode trazer conseqüências à auto-estima e comprometimento em sua vida social. Suas causas são variadas com etiologia multifatorial, ocorrendo também sob influência de condições genéticas favoráveis que, somados a vários outros fatores endógenos e exógenos provocam seu surgimento e agravamento. Até o presente momento não foi encontrada a sua cura e, como descrevem diversos autores, pode ser progressiva e atingir quatro graus de evolução. Sendo assim este trabalho tem por objetivo verificar os aspectos ou causas comuns do FEG em mulheres atendidas no Laboratório de Cosmetologia e Estética da Univali de Balneário Camboriú no período de setembro de 2006 a março de 2008, através da análise de quarenta fichas de anamnese das mesmas. Os dados foram tabulados e analisados a partir de gráficos e tabelas. A análise do estudo mostrou relação positiva entre idade e graus mais avançados, assim como fatores agravantes da FEG, entre eles estão os estresses, consumo de álcool e baixa ingestão de água, porém fatores como o uso de contraceptivos e o tabagismo não se mostraram significativo. Diante do exposto percebe-se a necessidade de uma investigação mais plausível sobre as reais causas desse problema estético presente na maioria das mulheres.

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INTRODUÇÃO

A preocupação com a beleza do corpo sempre fez parte do universo feminino. Presente na maioria das mulheres e rara a ocorrência em homens, o que é confirmado por Peña e Hernandez-Perez (2005, p. 132) ao afirmarem que fibro edema gelóide, tratado no texto como FEG, “Afeta principalmente as pernas das mulheres”, Chorilli et al. (2004) acrescentam ainda cintura pélvica, membros inferiores e abdômen. O FEG, conhecido popularmente como celulite pode causar muitos incômodos, tanto estéticos como na auto-estima desse público, podendo ser causado por diversos fatores como a alimentação, hormônios, alterações circulatórias e hereditariedade.

De acordo com Guirro e Guirro (2002) o fibro edema gelóide tem se demonstrado mais adequado para descrever o quadro que é indevidamente chamada de celulite, pois o termo define um processo patológico do tecido sobre uma base inflamatória, quando na realidade este fenômeno se apresenta somente em uma segunda instância e não sempre, não podendo ser considerada uma patologia grave. A literatura traz outras denominações para o FEG, como lipodistrofia ginóide e hidro lipodistrofia ginóide. O mesmo representa a mais freqüente e uma das mais indesejadas disfunções estéticas na mulher. Segundo Macedo (1998, p. 67): “O problema atinge 95% das mulheres, sendo uma patologia crônica e que não tem cura”. É, portanto, um grande problema estético enfrentado pelas mulheres atualmente, afetando muitas vezes a sua auto-estima e comprometendo a sua vida social.

Desta forma, este estudo objetiva verificar os aspectos ou causas comuns do fibro edema gelóide em mulheres atendidas no Laboratório de Cosmetologia e Estética da Univali de Balneário Camboriú no período de setembro de 2006 a março de 2008, através da análise de 40 fichas de avaliação corporal das mesmas.

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REFERENCIAIS TEÓRICOS DA PESQUISA

A literatura descreve o FEG como um processo dinâmico, podendo estar em diversos estágios. Saggioro (1999) descreve quatro graus de acordo com a gravidade do problema, sendo que uma mesma pessoa pode ter diferentes graus em áreas diferentes do corpo e se nenhuma medida for tomada para conter sua evolução tende a piorar.

Para Gomes e Gabriel, (2006, p. 57) “na fase inicial o FEG apresenta-se com alterações metabólicas e edema intersticial reversível, invisível a olho nu e com ausência de dor”. Já Rona, Carrera e Berardesca (2006) são mais precisos e descrevem que nesta fase, as paredes dos vasos tornam-se tão permeáveis que induzem a perda de •uídos para os espaços entre os adipócitos, a circulação linfática tem dificuldade para remover os fluidos que acumulam promovendo um edema, as camadas de gordura incham e os adipócitos tornam-se atrofiados, e segundo Chorilli et al. (2004), essas alterações são determinadas pelo estrógeno.

Na segunda fase conhecida como edematosa, Kede e Sabatovich (2004) classificam como tendo irregularidades no relevo cutâneo visível pela compressão e contração muscular, diminuição de temperatura e elasticidade da pele apresentando ainda palidez. Guirro e Guirro (2002) complementam que os líquidos residuais lançado ao tecido conjuntivo das células vizinhas desempenham papel de um corpo estranho no organismo que provocam reações de defesa no tecido, ocasionando o espessamento dos septos interlobulares e proliferação das fibras colágenas, isso faz com que o tecido adquira uma consistência gelatinosa, cada vez mais densa, formando assim um processo de floculação e de precipitação de substância amorfa do tecido conjuntivo.

A terceira fase segundo Kede e Sabatovich (2004, p. 341) “apresenta o aspecto conhecido como casca de laranja, nódulos frios, dor a palpação, palidez, redução da temperatura e da elasticidade”. Para Guirro e Guirro (2002) é a fase considerada nodular, há formação de micronódulos, o tecido adiposo é formado por uma malha muito cerrada e muito densa que comprimem as artérias, veias e nervos, fato esse que provoca dor no tecido afetado e que pode ser irreversível.

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O FEG é muitas vezes relacionado com a obesidade, porém pode estar presente tanto nas mulheres com peso normal como naquelas que se apresentam com baixo peso. De acordo com Kede e Sabatovich (2004), “isso ocorre porque o FEG é uma patologia multifatorial”. O que é confirmado por Campos, Bontempo e Leonardi (1999, p. 99) quando afirmam que: “em geral, uma combinação de fatores tais como estresse, má circulação, vida sedentária, alimentação inadequada e desequilíbrio hormonal, atua como predisponente e condicionante deste problema estético”. Devido ao fato do FEG ser uma disfunção causada, influenciada e agravada por múltiplos fatores, não tendo possível cura, este se torna progressivo piorando com a idade. Ciporkin e Paschoal (1992 apud GRAVENA, 2004) explicam que:

[...] a lipodistrofia ginóide possui uma etiologia multifatorial, porém interligada, onde os fatores atuam em cima de condições genéticas favoráveis, que somados a vários outros fatores endógenos e exógenos, tanto gerais quanto locais, desencadeiam uma reação, em cascata lenta e progressiva que recai sobre a região do tecido dermo-subdérmico.

Neste contexto, Guirro e Guirro (2002) classificam as causas do FEG em três fatores: fatores predisponentes: causas genéticas, desequilíbrio hormonal, sexo e idade; fatores determinantes: estresse, fumo, sedentarismo, desequilíbrios glandulares, perturbações metabólicas, maus hábitos alimentares e disfunção hepática; fatores condicionantes: aumento da pressão capilar, dificuldade na reabsorção linfática e favorecimento da transudação linfática nos espaços intersticiais.

Quanto aos fatores predisponentes, Kede e Sabatovich (2004), descrevem que a predisposição genética determina o número, a disposição e a sensibilidade dos receptores para hormônios nos adipócitos, assim como a susceptibilidade desta patologia na raça branca, quase não ocorrendo nas negras e orientais. O que é confirmado por Peña e Hernandez-Perez (2005) ao apontarem algumas características genéticas para a obesidade e a lipodistrofia sendo elas: o biótipo constitucional, o aumento da massa adiposa localizada, distribuição do tecido adiposo, a hiperplasia e hipertrofia dos adipócitos, a resistência à lipólise regional, o hiperinsulinismo e hiperestrogenismo receptorial, a suscetibilidade de insuficiência circulatória de retorno e ainda por defeito no sistema linfático.

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catecolaminas podem estimular ou inibir a lipólise dependendo dos receptores ativados (beta ou alfa). Sendo que em baixas concentrações, os beta-receptores são mais sensíveis do que receptores alfa, desta forma estimula a lipólise, o contrário ocorre com concentrações elevadas, onde os receptores alfa são ativados, estimulando assim a lipogênese.

Terranova, Berardesca e Maibach (2006) complementam ao afirmarem que a presença do estrógeno e receptores deste nas células endoteliais e na musculatura lisa, explicaria a diferença e maior ocorrência em mulheres do que homens, principalmente em relação a permeabilidade vascular. Guirro e Guirro (2002) expõem ainda, que as mulheres apresentam duas vezes mais adipócitos que os homens, e o aumento excessivo do peso devido a uma alimentação hipercalórica na mulher se “dirige” às regiões chamadas de ginóides, regiões estas preferenciais no desenvolvimento do FEG, isso aliado à idade, pois, com o passar dos anos a gordura na mulher tende a se depositar nas zonas dos estrógenos, sobretudo nos braços, quadris, glúteo e coxas. Peña e Hernandez-Perez (2005) acrescentam a esses fatores a anatomia do tecido adiposo feminino contribuindo em grande parte no surgimento de FEG nas mulheres. O que é confirmado por Chorilli et al. (2004) ao se referir que o limite derme-hipoderme nas mulheres é irregular e os septos de tecido conjuntivo formam vigas verticais. Desta forma, se houver hipertrofia da hipoderme formará herniações para a derme reticular, formando o aspecto “casca de laranja”, já nos homens o limite derme-hipoderme é liso e os septos espessos e oblíquos, pressionando as células para a musculatura subjacente em direção à derme quando hipertrofiados, não formando assim herniações.

Outros fatores agravantes no FEG são os fatores coadjuvantes endógenos e exógenos, os quais Peña e Hernandez-Perez (2005) identificam como sendo todos aqueles que de forma direta ou indireta participam no processo tanto para provocar como para agravar a celulite, classificando esses fatores em: endógenos aqueles de origem biológica; e exógenos os de origem ambientais ou agregados como o sedentarismo e o tabagismo, entre outros.

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substâncias lipolíticas, ou seja, tem ação contra o acúmulo excessivo de lipídeos. Os autores descrevem que a cafeína age sinergicamente e potencializa a ação das catecolaminas presentes no tecido adiposo, estas por sua vez em baixas concentrações, estimulam a lipólise periférica por ação sobre a lipase adrenalinosensível.

ASPECTOS METODOLÓGICOS

Foi realizado um estudo qualitativo e quantitativo com dados subjetivos, onde foram analisadas 40 fichas de anamnese de mulheres que apresentavam fibro edema gelóide, em suas avaliações estéticas corporais, atendidas no período entre setembro de 2006 a março de 2008 (modelo das fichas no ANEXO I). Os critérios de inclusão das fichas de anamnese analisadas foram clientes do sexo feminino, que apresentavam fibro edema gelóide independente do grau evolutivo, que continham o maior número das informações como: idade, ciclo menstrual, graus e classificação do FEG, estresse, consumo de álcool, regularidade intestinal, consumo de açúcar, ingestão de água, índice de massa corporal (IMC), alterações circulatórias (presença de edema, sensação de peso nos membros inferiores e varizes), contraceptivos hormonais, fumo e atividade física. Houve, porém, limitações ao estudo devido à falta de informações nas fichas e também a ausência de detalhes importantes da avaliação deste problema estético. Foram, portanto, desconsideradas as fichas de anamnese onde as clientes não apresentavam fibro edema gelóide, fora do período escolhido para a análise das fichas, e as que não continham os dados relevantes ao estudo, citados acima, e também clientes do sexo masculino.

A coleta de dados possibilitou viabilizar o estudo das fichas de anamnese de mulheres que apresentavam fibro edema gelóide em diversos graus, atendidas no Laboratório de Cosmetologia e Estética da Univali em Balneário Camboriú, Santa Catarina. A pesquisa envolveu indiretamente os clientes do laboratório, sendo que as pesquisadoras não tiveram contato com os clientes apenas com as fichas de anamnese das mesmas. Este estudo possibilita uma melhor avaliação dos fatores desencadeantes e determinantes do fibro edema gelóide.

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mulheres que apresentavam determinadas características, foi utilizado apenas as mulheres onde nas fichas continham essas informações.

Visando não incorrer nenhum procedimento antiético, esse trabalho foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade do Vale do Itajaí, para a realização da análise das fichas, bem como da posterior divulgação dos resultados da pesquisa à banca.

RESULTADOS

Observou-se nas fichas selecionadas a média de idade de 35,5 anos com maior incidência de mulheres de 15 a 45 anos.

Na amostragem, 13 delas (32,5%; média de 26,5) tinham ciclo menstrual regular, seguido das que não menstruavam e em fase de menopausa (17%; n=7), enquanto duas (5%) apresentavam irregularidade no ciclo, as restantes (48%, n=18) não apresentavam está informação. No gráfico 1 estão expostos os graus de FEG diagnosticados nas 40 participantes do estudo, nas fichas que continham grau misto (com mais de um grau de FEG) foi considerado o grau mais elevado. Observou-se com maior prevalência o grau III da FEG, uma média de 28 (40%; n=16), seguidos pelo grau II (35%; n=14).

GRAU DA FEG 20% 35% 40% 5% Grau I Grau II Grau III Grau IV FEG TIPO 15% 60% 7,5% 17,5% flácida compacta edematosa não consta

No gráfico 2 está exposta a classificação, quanto aos tipos de FEG das fichas analisadas com maior prevalência do tipo compacta que apresentou 60% (média de 32; n=24).

Na tabela 1 está exposto à presença de estresse nas mulheres avaliadas, onde 50% (n=20) tinham este sintoma.

Gráfico 1 – Graus de FEG relatadas nas fichas no

período de 2006 a 2008. Fonte: Autoras 2008

Gráfico 2 – Classificação dos tipos de FEG relatados

nas fichas analisadas no período de 2006 a 2008. Fonte: Autoras 2008

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Tabela 1- Refere-se aos sintomas de estresse identificados nas fichas analisadas.

ESTRESSE SIM NÃO NÃO CONSTA

Número e porcentagem n=20 (50%) n=9 (22,5%) n=11 (27,5%)

Fonte: autoras 2008

Ao se referir ao álcool 57,5% (n=23) não consumiam bebida alcoólica, seguido do consumo de álcool moderadamente (32,5%; n=13) e em 10% (n=4) das fichas não continham a informação. Quanto à função intestinal, a regularidade estava presente na maioria (55%; n=22), seguido de 40% (n=16) com irregularidade e 5% (n=2) onde não constava esta informação.

O gráfico 4 mostra o consumo de açúcar, onde se verificou no estudo que a maioria consumiam muito açúcar (50%; n=20). No gráfico 5, está exposto o consumo de água, observando-se que a maioria 67,5% (média de 33,5; n=27) das mulheres, consumiam menos que 2 litros de água por dia.

CONSUMO DE AÇÚCAR 15% 12,5% 50% 22,5% sim muito pouco não consta CONSUMO DE ÁGUA 25% 67,5% 7,5 < de 2 Litros > de 2 Litros não consta

Foi efetuado o cálculo do índice da massa corporal, das fichas em que ainda não continham o IMC calculado, sendo feito da seguinte forma: dividiu-se o peso pela altura ao quadrado, encontrando se assim o valor do IMC de cada mulher avaliada. Classificando de acordo com a Organização Mundial da Saúde (1998), constatou-se que a maioria em média 28,5 (42,5%; n=17) tinham peso normal, seguido dos 20% (n=8) com sobrepeso, abaixo do peso normal contabilizou-se 15% (n=6), obesidade grau um 5% (n=2) e obesidade grau três 2,5% (n=1), nos 15% (n=6) restante não havia está informação.

No gráfico 3 está exposta a presença de edema, onde verificou-se que 72,5% (média de 37,5; n=29) apresentavam edema, contra 7,5% (n=3) que não apresentavam.

Gráfico 4 – Consumo de açúcar relatado nas fichas

analisadas no período de 2006 a 2008. Fonte: Autoras, 2008

Gráfico 5 – Consumo de água nas fichas analisadas

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PRESENÇA DE EDEMA 72,5% 7,5% 20% s im não não consta

Gráfico 3 – Presença de edema relatada nas fichas

analisadas no período de 2006 a 2008. Fonte: autoras 2008

Na tabela 2 está exposto a porcentagem e o número de fichas das mulheres com alterações circulatórias como sensação de peso nos membros inferiores (MMII), varizes e varicoses, uso de contraceptivos, fumo e atividade física.

Tabela 2- Refere-se a alterações circulatórias, uso de contracepctivos, fumo e atividade física.

DADOS AVALIADOS SIM NÃO NÃO CONSTA

Sensação de peso nos (MMII) n=12; (30%) n=9; (22,5%) n=19; (47,5%) Varizes e varicoses n=24; (60%) n=9; (22,5%) n=7 (17,5%) Uso de contraceptivos n=12 (30%) n=16; (40%) n=12; (30%) Fumo n=1; (2,5%) n=34; (87,5%) n=4(10%) Atividade física n=16; (40 %) n=22; (55%) n=2; (5%) Fonte: Autoras, 2008.

Desta forma pode-se perceber que são vários os fatores determinantes e agravantes da FEG, e não um fator isolado que leva ao seu aparecimento.

DISCUSSÃO E ANÁLISE

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(2005) ao desenvolverem um protocolo de avaliação do FEG, segundo a pesquisa destes autores, a faixa etária com maior prevalência (70%) foi entre 20 a 40 anos. Ao se relacionar a idade com os graus mais avançados de FEG (Grau III e IV), apresentados na tabela 3, observou-se a presença de FEG grau III em todas as faixas etárias, inclusive nas mais jovens, porém, foi mais marcante a partir dos 30 anos, apresentando também grau IV somente nesta faixa etária. Encontrando-se, portanto, uma correlação positiva entre os estágios mais avançados e a idade. Quanto ao uso de contraceptivos, das 40 fichas analisadas 30% (n=12) delas usavam.

Tabela 3 - Correlação entre as 17 mulheres que apresentavam grau III e IV da FEG com a idade.

Idade 20-30 anos 30-40 anos 40-60 anos

Grau III 5 4 6

Grau IV 0 1 1

Fonte: Autoras 2008

Ao se referir à obesidade e o FEG, Cunha et al. (2007) descrevem que aparece após a puberdade, tanto em mulheres magras, gordas, altas ou baixas. O que pode ser verificado nas fichas de anamnese avaliadas, onde esses dados foram confirmados. Houve ainda, uma correlação entre o IMC e os graus de FEG, 42,5% (n=17) apresentavam peso normal, destas 10 mulheres tinham o grau III, (58,8%) de FEG, 17,6% (n=3) apresentavam grau II e 23,5% (n=4) grau I. Quando relacionadas à obesidade 7,5% (n=3) das 40 das mulheres analisadas se encaixam neste perfil, sendo que estás apresentavam grau I, II e III respectivamente, portanto o grau mais grave de FEG encontrados nestas foi o grau III (33,3%; n=1), assim como nas que tinham peso normal onde também o grau mais grave foi o grau III, porém ao associar as com abaixo peso e o grau, percebeu-se que 50% (n=3) delas apresentavam os graus III e 16,6% (n=1) apresentavam respectivamente os graus I, II e IV. Predominando ainda tipo compacta entre todas as mulheres avaliadas. Desta forma o FEG e seu grau de evolução parece ter correlação negativa com a obesidade.

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quanto ao tipo flácido e falta de exercícios físicos (Tabela 4), sendo que das mulheres que apresentavam esse tipo, 60% (n=3) não praticavam atividade física, porém não houve relação destas com a terceira idade. Para Guirro e Guirro (2002) esta é a forma mais importante em número e na aparência da pele, no entanto os dados deste estudo confrontam aos dos autores descritos acima e ao estudo de Meyer et al. (2005) quanto ao número de ocorrência da forma flácida, Meyer e colaboradores avaliaram 30 mulheres com FEG constatando em 73,34% a forma flácida, já das 40 fichas analisadas esta forma estava presente em 15% (n=6) do total da amostragem, tendo maior prevalência para a forma compacta (60%; n=24). Diante deste dado que foi contraditório aos dos autores mencionados, sugere-se novos estudos para verificar se realmente a forma compacta estava presente nestas mulheres ou se ocorreu algum erro na avaliação ou ainda se foram analisadas um numero maior de mulheres com FEG compacta, já que o critério de inclusão principal não foi o tipo, e sim a presença de FEG.

Tabela 4 - Relação do FEG flácido com idade e prática de atividade física

PACIENTE IDADE ATIVIDADE FÍSICA

A 28 Não B 34 Não C 46 Sim D 25 Não E 21 Sim Fonte: Autoras, 2008.

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quando afirmam que a forma edematosa pode ser encontrada em qualquer idade e de qualquer peso.

Tabela 5 - Correlação do tipo de FEG edematosa com idade, contraceptivos e o IMC

PACIENTE IDADE CONTRACEPTIVOS CLASSIFIÇÃO DO

IMC

A 47 Não Sobrepeso

B 27 Não Não consta

C 47 Não Obesidade grau 1

Fonte: Autoras 2008

Quanto aos fatores determinantes do FEG, Guirro e Guirro (2002, p. 207) descrevem que “uma pessoa do sexo feminino, fumante, com maus hábitos alimentares e ainda com desequilíbrio hormonal, será alvo de fácil acesso para infiltração celulítica”. Kede e Sabatovich (2004) acrescentam que o tabagismo diminui o fluxo da microcirculação, favorecendo a lipogênese, além de aumentar a produção de radicais livres diminuindo o sistema de defesa do organismo, no entanto, o presente estudo não traz relação significativa entre o tabagismo e o FEG, pois a maioria na média 37,5 (85%; n=34), e apenas 2,5% (n=1) era fumante e outra ex-fumante.

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Kede e Sabatovich (2004) apontam ainda que o consumo de álcool também estimula a lipogênese e a baixa ingestão de água e fibras dificulta o funcionamento intestinal, levando a estase venosa. Desta forma ao se relacionar o consumo de álcool e IMC, observou-se que entre as classificadas em sobrepeso, 50% (n=4) delas consumiam álcool moderadamente. O mesmo foi verificado entre as obesas onde 66,6%, ou seja, de 3 mulheres com obesidade 2 consumiam álcool também moderadamente, já entre as com peso normal (n=17) 29,4% (n=5) consumiam álcool, quanto as de abaixo peso (n=6) 33% destas (n=2) consumiam álcool moderadamente, desta forma pode-se constatar correlação positiva entre o consumo de álcool e o aumento de peso.

Em relação a água, por ser uma importante forma de eliminação de toxinas do corpo, o que é confirmado por Saggioro (1999, p. 112) ao descrever que “beber mais de dois litros de água por dia, é importante para manter o bom funcionamento dos rins e eliminar toxinas”. O achado deste estudo constatou que das 40 mulheres analisadas, uma média de 33,5 (67,5% n=27) consumiam menos de dois litros de água ao dia. E ainda observou-se que 72,5% (n=29) apresentavam edema e 40% (n=16) apresentavam irregularidades intestinais. Desta forma, observou-se a necessidades de se correlacionar a ingestão de água, presença de edema e o mau funcionamento intestinal encontrou-se uma correlação positiva entre estes fatores, pois das 29 mulheres que apresentaram edema 73,3% (n=22) bebem menos de dois litros de água diariamente, e destas 29 mulheres, 46,6% (n=14) tinham irregularidade intestinal, a partir desta análise pôde-se observar que tais fatores parecem estar intimamente ligados ao surgimento ou agravamento do FEG. Kede e Sabatovich (2004) completam afirmando que as disfunções intestinais podem levar a compressão das veias ilíacas e obstrução do fluxo venoso, isto aliado ao desequilíbrio hormonal pode levar prejuízo a circulação sanguínea. Saggioro (1999, p.108), confirma ao explicar que “a variação hormonal sofrida pelas mulheres, principalmente das variações do estrógeno e progesterona implicam na retenção de água, na congestão sanguínea e na má circulação.” Kede e Sabatovich (2004, p.339) relatam ainda que:

O estrogênio é o hormônio responsável pela disfunção inicial nos adipócitos e sistema neurovegetativo, aumentando a resposta aos receptores alfa-adrenérgeticos, antilipolítico e estimula a lipase lipoprotéica, principal enzima responsável pela lipogênese (...) na microcirculação esse hormônio é responsável pelo aumento da permeabilidade, facilitando o edema e também diminui o tônus vascular, com redução no fluxo sanguíneo.

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apresentam sintomas como: fadiga, sensação de peso nas pernas tensão e ate cãibras noturnas, relação parecida foi encontrada nas 40 mulheres avaliadas, pois dos 52,5% das fichas que continham a informação sobre sensação de peso nos membros inferiores, 57,3% sofrem de peso nos membros inferiores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, os resultados obtidos na análise das fichas e a conseqüente correlação dos dados demonstraram que o FEG é devido a vários fatores que correlacionados podem agravar o grau de evolução.

Os dados deste estudo mostraram que o FEG não está associado à obesidade, pois estiveram presentes, principalmente os graus mais avançados em mulheres abaixo peso e peso normal. Outra informação relevante foi a correlação negativa entre o tabagismo com o FEG, porém fatores como estresse, má alimentação, baixo consumo de água e a falta de atividade física estão intimamente relacionados ao surgimento ou agravamento do mesmo.

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Referências

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