DIREITOS DO CONSUMIDOR
Prof. Danilo Vieira Vilela
Sumário
Origens e evolução histórica... 2
Fundamento Constitucional ... 2
O Código de Defesa do Consumidor (lei 8.078/90) ... 2
A relação jurídica de consumo ... 3
Consumidor ... 3
Fornecedor ... 4
Produto ou serviço ... 4
Princípios gerais do Código de Defesa do Consumidor ... 5
Direitos básicos do consumidor ... 6
Responsabilidade Civil no Código de Defesa do Consumidor ... 7
I. Responsabilidade pelo fato do produto ... 7
II. Responsabilidade pelo fato do serviço ... 7
III. Responsabilidade pelo vício do produto ... 8
IV. Responsabilidade pelo vício do serviço ... 8
Desconsideração da personalidade jurídica no CDC ... 9
Oferta no CDC ... 9
Peças de reposição ... 9
Publicidade ... 9
Práticas abusivas ... 10
Cobrança de dívidas... 11
Principais súmulas do STJ sobre Direitos do Consumidor ... 11
Instituições bancárias ... 11
Planos de saúde ... 11
Serviço de proteção ao crédito... 11
Serviços públicos ... 12
Origens e evolução histórica
Revolução Industrial - standardização da produção
Revolução tecnológica - pós II Guerra
Revolução da informática/globalização - séc. XXI
Direito do consumidor = contrapartida aos riscos do progresso
Direito humano de nova geração
Direito social e econômico
Direito de igualdade (material)
Fundamento Constitucional
Direito do consumidor como direito fundamental (art. 5º, XXXII)
Princípio da ordem econômica (art. 170, V) - relação com a livre concorrência
Necessidade da sistematização do CDC (art. 48, ADCT)
Art. 1º, III - dignidade da pessoa humana
Art. 5º, caput - direito à vida
Art. 5º, X - intimidade, honra, vida privada e imagem
Art. 5º, XXXIII - direito à informação
Art. 37, caput - princípio da eficiência no serviço público
Direito do consumidor = direito privado de natureza social (crise na noção tradicional de
autonomia da vontade).
Intervenção no Estado em favor do mais fraco
Ideia da eficácia horizontal dos direitos fundamentais
O Código de Defesa do Consumidor (lei 8.078/90)
Art. 1º ao 54 - Direito Material
Art. 61 ao 80 - Infrações penais
Art. 81 a 104 - Tutela coletiva (microssistema)
Características do CDC:
Microssistema multidisciplinar
Lei principiológica
Normas de ordem pública e de interesse social
Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem
pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da
Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.
Interesse social: as relações de consumo repercutem não apenas entre as partes, mas
geram efeitos perante toda a sociedade.
Ordem Pública: o juiz deve aplicar de ofício
A relação jurídica de consumo
Sujeitos: Consumidor
Fornecedor
Objeto: Produto
Serviço
Consumidor
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
“Destinatário final” - duas teorias:
II. Teoria finalista/minimalista: consumidor é o destinatário fático e que dá uma destinação
econômica para a coisa, a qual não pode ser utilizada para adquirir riqueza. A análise deve ser
subjetiva. (teoria adotada pelo STJ de forma mitigada)
Para se reconhecer a existência de um consumidor deve-se reconhecer a vulnerabilidade, que
pode ser: Técnica
Jurídica
Econômica
Informacional (Cláudia Lima Marques)
OBS: Pessoa jurídica pode ser considerada consumidora desde que comprovada a
vulnerabilidade.
Consumidores por equiparação:
a) Art. 2º, p. único (coletividade)
b) Art. 17 - bystander (acidente de consumo)
c) Art. 29 (oferta e publicidade)
Fornecedor
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.
Fornecedor - habitualidade na atividade fim, inclusive entes despersonalizados.
Obs: Banco também é fornecedor (Súmula 297, STJ), assim como empresas de previdência
privada, planos de saúde e seguradoras.
Produto ou serviço
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração,
inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.
Produto = bem novo ou usado, fungível ou infungível, principal ou acessório.
Obs: “Amostra grátis” - incide o CDC
Serviço puramente gratuito ≠ serviço aparentemente gratuito (ganho indireto para o
fornecedor).
Serviços decorrentes de impostos - não incide o CDC
Princípios gerais do Código de Defesa do Consumidor
I. Princípio da vulnerabilidade (art. 4º, I do CDC)
Sem vulnerabilidade não há relação de consumo.
Vulnerabilidade:
Fática ou econômica (desproporcionalidade patrimonial)
Técnica (conhecimento técnico)
Jurídica
Informacional (ausência, excesso ou carência de informação e informação mal
prestada)
Vulnerabilidade (direito material/presumida) ≠ hipossuficiência (direito processual/caso
concreto).
II. Princípio da transparência ou informação (art. 4º, caput e 6º, III)
Busca-se o consentimento informado do consumidor.
Art. 52 do CDC: dever de informar no fornecimento de produtos que envolva outorga de
crédito ou concessão de financiamento.
III. Princípio da boa-fé objetiva (art. 4º, III)
Desse princípio decorre a responsabilidade pré e pós-contratual (carga dinâmica das
obrigações).
Exemplo de aplicação desse princípio: art. 10 do CDC.
IV. Princípio da confiança
Teoria da aparência: aquele que se apresenta como fornecedor, responderá como fornecedor.
Ex. responsabilidade do líder do conglomerado econômico.
V. Princípio do equilíbrio contratual
Ex. art. 47 o CDC
VI. Princípio do acesso à justiça (arts. 4º, 5º, 6º e 81 do CDC)
Visa garantir a efetividade do CDC e promover a defesa do consumidor pelo Estado
VII. Combate ao abuso
VIII. Responsabilidade solidária
Direitos básicos do consumidor
Art. 6º - rol exemplificativo
I. Direito à vida, à saúde e à segurança
Obs: produtos nocivos e perigosos podem ser colocados no mercado de consumo desde que
dentro dos limites do razoável e com informação adequada.
II. Direito à liberdade de escolha e igualdade nas contratações
Vedação à “venda casada”
III. Direito à informação
Adequada e ostensiva - liberdade de escolha
IV. Proteção contra as práticas contratuais e comerciais abusivas
V. Direito de revisar/modificar os contratos
Direito à manutenção do contrato
Impede a indenização tarifada
Efetiva reparação = reparação integral
Súmula 388, STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.
VII- Direito ao acesso à justiça e à inversão do ônus da prova
Inversão do ônus da prova mediante a hipossuficiência (dificuldade financeira, econômica ou
técnica) ou a verossimilhança das alegações.
Em regra a inversão é determinada pelo juiz, mas excepcionalmente pode ser determinada
pela própria lei.
Responsabilidade Civil no Código de Defesa do Consumidor
Vício - inadequação
Defeito/feto - insegurança (acidente de consumo)
I. Responsabilidade pelo fato do produto
Caracterização do defeito: desconformidade com a expectativa legítima
capacidade para provocar acidente
Art. 12, § 2º - inovações não tornam o produto anterior defeituoso
Responsabilidade do comerciante: má conservação
(subsidiária) impossibilidade de identificação do fornecedor
Excludentes da responsabilidade:
Não colocação do produto no mercado
Inexistência do defeito
Culpa exclusiva da vítima ou de terceiro
Obs: caso fortuito/força maior - apenas exclui a responsabilidades se ocorridos após a
colocação do produto no mercado.
RECALL - não exclui a responsabilidade (objetiva) do fornecedor
II. Responsabilidade pelo fato do serviço
CDC, art. 14
Resultado e riscos que razoavelmente se espera
Época em que foi prestado
Excludentes: inexistência do serviço
culpa exclusiva da vítima ou de terceiro
Obs: § 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada
mediante a
verificação de culpa.
III. Responsabilidade pelo vício do produto
CDC, art. 18
Vício de qualidade - responsabilidade solidária dos fornecedores (inclusiva o comerciante).
Art. 18, § 6º - produtos impróprios
Alternativas para o consumidor se o problema não for sanado em 30 dias (7 a 180 dependendo
de convenção expressa):
Substituição do produto
Restituição da quantia paga
Abatimento proporcional do preço
Obs: art. 18, § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste
artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder
comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de
produto essencial.
Vício de quantidade - art. 19, CDC
Não há prazo para o fornecedor.
Alternativas:
Abatimento proporcional
Complementação
Substituição
Restituição da quantia paga
IV. Responsabilidade pelo vício do serviço
CDC art. 20
Alternativas:
Restituição do que foi pago mais perdas e danos
Abatimento proporcional
Desconsideração da personalidade jurídica no CDC
De ofício
Requisito - insolvência (art. 28, CDC)
OBS: grupos societários/sociedades controladas - responsabilidade subsidiária
entidades consorciadas - responsabilidade solidária
Oferta no CDC
Marketing: métodos e técnicas que aproximam o consumidor dos produtos e serviços
colocados no mercado de consumo.
Art. 30 Características:
Suficientemente precisa
Vinculação (princípio da vinculação da oferta) – não há vinculação em caso de erro
grosseiro
Integra o contrato
Informação deve ser: clara, correta/verdadeira, precisa (exata), ostensiva e em língua
portuguesa.
Lei 10.962/04 - admite a identificação dos preços por código de barras
Peças de reposição
Enquanto o produto for importado ou produzido devem ser disponibilizadas no mercado.
Após esse período devem continuar disponíveis conforme a duração do produto.
Publicidade
≠ propaganda (conotação não comercial)
Princípios:
Identificação imediata (art. 36, caput)
Vinculação contratual
Veracidade
Não abusividade
Transparência
Contrapropaganda
a) Enganosa - capaz de induzir o consumidor a erro
Pode ser por omissão ou por comissão
Obs: Puffing (exagero publicitário) é permitido
b) Abusiva
Antiética (valores coletivos)
Obs: Spam - viola a liberdade de escolha (posição doutrinária)
Práticas abusivas
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;
II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes;
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço;
IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes;
VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos;
VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro);
IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais; X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços.
XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente estabelecido.
Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor, na hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras grátis, inexistindo obrigação de pagamento.
Cobrança de dívidas
Não exposição a ridículo ou constrangimento
Repetição de indébito
Principais súmulas do STJ sobre Direitos do Consumidor
Instituições bancárias
Súmula 381 - Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da
abusividade das cláusulas.
Súmula 321 - O Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a
entidade de previdência privada e seus participantes.
Súmula 297 - O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.
Súmula 285 - Nos contratos bancários posteriores ao Código de Defesa do Consumidor incide
a multa moratória nele prevista.
Planos de saúde
Súmula 469 - Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde.
Súmula 302 - É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a
internação hospitalar do segurado.
Serviço de proteção ao crédito
Súmula 404 - É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de comunicação ao
consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros.
Súmula 359 - Cabe ao órgão mantenedor do Cadastro de Proteção ao Crédito a notificação do
devedor antes de proceder à inscrição.
Súmula 323 - A inscrição de inadimplente pode ser mantida nos serviços de proteção ao
crédito por, no máximo, cinco anos.
Serviços públicos
Súmula 412 - A ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo
prescricional estabelecido no Código Civil.
Súmula 407 - É legítima a cobrança da tarifa de água fixada de acordo com as categorias de
usuários e as faixas de consumo.
Súmula 356 - É legítima a cobrança da tarifa básica pelo uso dos serviços de telefonia fixa.
Exercícios de revisão
Analise as situações abaixo e explique detalhadamente se representam ou não relações de consumo. Fundamente todas as respostas e mencione os artigos do CDC utilizados para se chegar à resposta.
1. José, pequeno agricultor e feirante, adquiriu fertilizante para o plantio de milho em sua pequena propriedade rural, o qual seria, após a colheita, vendido na feira. Nesse sentido, estando o fertilizante estragado, terá ele o direito de reclamar perante a vendedora, utilizando-se do Código de Defesa do Consumidor?
2. João, morador do edifício Vitória está totalmente em dia com suas obrigações perante o condomínio. Todavia, constantemente percebe que o portão eletrônico do prédio não funciona corretamente. Assim, após várias reclamações perante o síndico, afirma que procurará o PROCON para reclamar. Você, como responsável pelo PROCON, reconheceria nessa situação uma relação de consumo?
3. Antônio, aos sessenta e oito anos de idade procura uma agência do INSS para requerer sua aposentadoria e constata que os dados lançados no sistema da Previdência Social, a respeito de suas contribuições estão incorretos, impedindo sua aposentadoria. Assim, procura o Ministério Público Federal e afirma que, enquanto consumidor, foi lesado. Você, como Procurador da República se utilizaria do CDC para defender o Sr. Antônio?
5. Joana procurou um advogado para que a defendesse em um processo judicial, o qual cobrou a quantia de R$ 500,00 para acompanhá-la em uma audiência. Todavia, no dia da audiência o advogado não compareceu e não deu nenhuma satisfação, causando sérios danos processuais à cliente. Nesse caso, diante de ação de indenização proposta por Joana contra o causídico, é possível a utilização do CDC?
01. (OAB unificado 2010.3) Em sua primeira viagem com seu carro zero quilômetro, Joaquim, fechado por outro veículo, precisa dar uma freada brusca para evitar um acidente. O freio não funciona, o que leva Joaquim, transtornado, a jogar o carro para o acostamento e, em seguida, abandonar a estrada. Felizmente, nenhum dano material ou físico acontece ao carro nem ao motorista, que, muito abalado, mal consegue acessar seu celular para pedir auxílio. Com a ajuda de moradores locais, se recupera do imenso susto e entra em contato com seus familiares.
Na qualidade de advogado de Joaquim, qual seria a orientação CORRETA a ser dada em relação às providências cabíveis?
a) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo fato do produto em face do fabricante do veículo.
b) Não há ação a ser proposta porque não houve dano.
c) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo fato do produto em face da concessionária que vendeu o veículo a Joaquim.
d) Propositura de ação de responsabilidade civil pelo vício do produto em face do fabricante e da concessionária, uma vez que a responsabilidade é solidária.
02. (MP/SP 2006) Assinalar a alternativa INCORRETA:
Em matéria de relações de consumo, a inversão do ônus da prova em favor do consumidor: a) visa à facilitação dos direitos do consumidor
b) cabe quando, a critério do juiz da causa, a alegação do consumidor for verossímil c) quando a ação se refere à publicidade enganosa, é automática
d) não pode ser aplicada quando o prestador de serviço é o Poder Público 03. Analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA:
I. Nos contratos de consumo o direito do consumidor à revisão de cláusulas contratuais é autorizada quando a prestação se tornar excessivamente onerosa para o consumidor em razão de fato superveniente, embora previsível.
II. Em relação às ações que versam sobre direito do consumidor, a inversão do ônus da prova não é automática, mas depende de análise pelo juiz das circunstâncias concretas da lide.
III. Em relação à responsabilidade civil no CDC, a responsabilidade do fornecedor de serviços independe de culpa em relação à reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos na prestação de serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
a) Apenas I e II estão corretas b) Apenas I e III estão corretas c) Apenas II e III estão corretas d) Todas as afirmativas estão corretas e) Todas as afirmativas estão incorretas
04. (TJ/GO 2009) Maria, portadora de deficiência física, adquiriu um automóvel especial para uso pessoal, considerando residir em área não coberta pelo transporte público, e ter que levar sua filha, de um ano e meio, também portadora de deficiência, à fisioterapia diariamente. Laudo médico atesta que o procedimento nessa fase de crescimento da cainça é fundamental ao sucesso do tratamento. Ao dar início à utilização do bem, percebeu que a roda do veículo travava ao fazer curvas. Após vistoria técnica, e constatação de vício do produto:
b) O fornecedor tem o prazo de 30 dias para trocar o automóvel.
c) Em se tratando de vício oculto, o fornecedor tem 90 dias para solucionar o problema do veículo e Maria deverá aguardar o decurso desse prazo legal para exigir a troca do bem.
d) Maria tem direito, tão somente, à devolução da quantia paga pelo produto, acrescida de juros e correção monetária.
e) Maria não tem direito à troca do produto, mas o fornecedor é obrigado a repará-lo no prazo de 5 dias, considerada a essencialidade do bem.
05. (TJ/MG 2012 - adaptada) Assinale a alternativa CORRETA:
a) os riscos à saúde ou segurança não precisam ser necessariamente informados ao consumidor. b) em virtude da teoria da responsabilidade objetiva nas relações de consumo, o fabricante será
responsabilizado por danos causados aos consumidores pelos seus produtos, mesmo se provar culpa exclusiva de terceiro.
c) um produto jamais será considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ser colocado no mercado.
d) A responsabilização pessoal dos profissionais liberais, na prestação de serviços aos consumidores , será sempre objetiva.
06. (TJ/PR 2010) A Lei 8.078/1990 define os elementos que compõem a relação jurídica de consumo, em seus artigos 2º e 3º: elementos subjetivos, consumidor e fornecedor; elementos objetivos, produtos e serviços, respectivamente Segundo estas definições, podemos afirmar que:
I. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
II. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária e as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
III. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
IV. Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. Marque a alternativa CORRETA:
a) Apenas as assertivas II e III estão corretas. b) Apenas as assertivas II e III estão incorretas. c) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas. d) Apenas a assertiva I está correta.
07- Assinale a alternativa incorreta sobre as normas do Código de Defesa do Consumidor:
a) O CDC estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social.
b) A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo.
c) A educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo não é um dos princípios da Política Nacional das Relações de Consumo.
d) Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder público com a criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo.
a) O comerciante será responsabilizado quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados.
b) Responde o comerciante quando ele não conservar adequadamente os produtos perecíveis. c) A responsabilidade do comerciante é como regra subsidiária.
d) A responsabilidade do comerciante possui natureza subjetiva. 09. (TJ/SP 2011) A garantia contratual dada pelo fornecedor do produto:
a) é obrigatória
b) substitui a garantia legal c) é complementar à garantia legal d) pode ser verbal
e) será interpretada em favor do fornecedor
10. (TJ/MT 2006) Nos termos do CDC, o ônus da prova no caso de discussão a respeito de publicidade enganosa compete:
a) Ao anunciante da publicidade
b) A que alega a enganosidade da publicidade c) Ao consumidor enganado
d) A quem o juiz designar como responsável, uma vez que é cabível a inversão do ônus da prova nesses casos.
11. (V OAB unificado) Ao instalar um novo aparelho de televisão no quarto de seu filho, o consumidor verifica que a tecla de volume do controle remoto não está funcionando bem. Em contato com a loja onde adquiriu o produto, é encaminhado à autorizada.
O que esse consumidor pode exigir com base na lei, nesse momento, do comerciante? a) A imediata substituição do produto por outro novo.
b) O dinheiro de volta.
c) O conserto do produto no prazo máximo de 30 dias.
d) Um produto idêntico emprestado enquanto durar o conserto.
12. (V OAB unificado) Quando a contratação ocorre por site da internet, o consumidor pode desistir da compra?
a) Sim. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor pode desistir da compra em até 30 dias depois que recebe o produto.
b) Não. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor é obrigado a ficar com o produto, a menos que ele apresente vício. Só nessa hipótese o consumidor pode desistir.
c) Não. O direito de arrependimento só existe para as compras feitas na própria loja, e não pela internet.
d) Sim. Quando a compra é feita fora do estabelecimento comercial, o consumidor pode desistir do contrato no prazo de sete dias, mesmo sem apresentar seus motivos para a desistência.
13. (VI OAB unificado) Franco adquiriu um veículo zero quilômetro em novembro de 2010. Ao sair com o automóvel da concessionária, percebeu um ruído todas as vezes em que acionava a embreagem para a troca de marcha. Retornou à loja, e os funcionários disseram que tal barulho era natural ao veículo, cujo motor era novo. Oito meses depois, ao retornar para fazer a revisão de dez mil quilômetros, o consumidor se queixou que o ruído persistia, mas foi novamente informado de que se tratava de característica do modelo. Cerca de uma semana depois, o veículo parou de funcionar e foi rebocado até a concessionária, lá permanecendo por mais de sessenta dias. Franco acionou o Poder Judiciário alegando vício oculto e pleiteando ressarcimento pelos danos materiais e indenização por danos morais. Considerando o que dispõe o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, a respeito do narrado acima, é correto afirmar que, por se tratar de vício oculto,
b) o direito de reclamar judicialmente se iniciou no momento em que ficou evidenciado o defeito, e o prazo decadencial é de noventa dias.
c) o prazo decadencial é de trinta dias contados do momento em que o veículo parou de funcionar, tornando-se imprestável para o uso.
d) o consumidor Franco tinha o prazo de sete dias para desistir do contrato e, tendo deixado de exercê-lo, operou-se a decadência.
14. (MP/TO 2004) Na defesa dos consumidores, um aspecto primordial é a definição do que é consumidor e fornecedor. Em conformidade com as normas aplicáveis, assinale a opção INCORRETA com relação a esses conceitos:
a) O estado de Tocantins, por ser pessoa jurídica de direito público, não pode ser enquadrado no conceito de consumidor.
b) Um mesmo estabelecimento comercial pode ser fornecedor e consumidor em operações distintas. c) A coletividade também pode ser equiparada a consumidor, quando intervier nas relações de
consumo.
d) Quando uma concessionária de energia elétrica fornece um produto aos cidadãos, submete-se ao CDC.
e) Uma indústria asiática que exporta produtos para o Brasil enquadra-se no conceito de fornecedor. 15. (OAB unificado 2010.2) Sobre o tratamento da publicidade no Código de Defesa do Consumidor, é correto afirmar que:
a) a publicidade somente vincula o fornecedor se contiver informações falsas.
b) a publicidade que não informa sobre a origem do produto é considerada enganosa, mesmo quando não essencial para o produto.
c) o ônus da prova da veracidade da mensagem publicitária cabe ao veículo de comunicação. d) é abusiva a publicidade que desrespeita valores ambientais.
16. (MP/SP 2008) Levando-se em conta as disposições do CDC quanto à responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço, considere as assertivas seguintes:
I. Ainda que o fabricante comprove que não colocou o produto no mercado, será ele responsabilizado objetivamente pelos danos que causar aos consumidores.
II. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. III. O fornecedor de serviços se exime de responsabilidade objetiva quando provar que o defeito inexiste ou que a culpa é exclusiva do consumidor ou de terceiro.
IV. É irrelevante saber a época em que um produto foi colocado em circulação para se avaliar se é defeituoso ou não.
São CORRETAS somente as assertivas: a) I e III
b) I e IV c) II e III d) II e IV
17. (OAB MT 2005) O Código de Defesa do Consumidor é um conjunto de normas: a) De ordem pública e interesse social e, portanto, de natureza relativa
b) De ordem pública e interesse social e, portanto, de natureza cogente c) Cuja aplicação pode ser excluída por cláusula contratual
d) Cuja aplicação pode ser excluída por vontade do consumidor 18. (Proc./PR 2007) Assinale a alternativa CORRETA:
a) Consumidor é a pessoa física ou jurídica destinatária de produto necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa.
c) Consumidor é tão somente a pessoa física destinatária de produto ou serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa.
d) Consumidor é tão somente a pessoa física que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatária final.
e) Consumidor é a pessoa física ou jurídica, ou ainda a coletividade indeterminada de pessoas que adquire um produto ou contrata um serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa ou simplesmente como seu destinatário final.
19. Analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA:
I. As matérias tratadas no Código de Defesa do Consumidor são de ordem pública, de sorte que ao magistrado, em regra, é dado reconhecer esta incidência de ofício.
II. O CDC expressamente prevê a boa-fé e o equilíbrio das relações de consumo como princípios básicos das relações de consumo.
III. Os serviços públicos, face ao princípio da prevalência do interesse público sobre o particular, não estão sujeitos ao CDC, sendo a prestação dos mesmos regulada por normas específicas de Direito Administrativo.
a) Apenas I e II estão corretas b) Apenas I e III estão corretas c) Apenas II e III estão corretas d) Todas as afirmativas estão corretas e) Todas as afirmativas estão incorretas
20. Analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA:
I. A responsabilidade objetiva estabelecida no CDC não incide, no fornecimento de serviços aos consumidores, em relação aos profissionais liberais, cuja responsabilidade deve ser apurada mediante a verificação de culpa.
II. Amauri, por estar mudando para outro estado da Federação, vendeu alguns móveis de sua residência para Emerson. Nesta situação, o negócio jurídico celebrado entre Amauri e Emerson consubstancia-se em relação de consumo, sendo aplicável, portanto, o CDC.
III. Nos contratos de consumo o direito do consumidor à revisão de cláusulas contratuais é autorizada quando a prestação se tornar excessivamente onerosa para o consumidor em razão de fato superveniente, embora previsível.
a) Apenas I e II estão corretas b) Apenas I e III estão corretas c) Apenas II e III estão corretas d) Todas as afirmativas estão corretas e) Todas as afirmativas estão incorretas
GABARITO
1.A 6.C 11.C 16.C
2.D 7.C 12.D 17.B
3.D 8.D 13.B 18.B
4.A 9.C 14.A 19.A