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Cad. Saúde Pública vol.6 número2

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Academic year: 2018

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CARTA DO LEITOR

Rio de Janeiro, 5 de abril de 1990. Sr. Editor dos Cadernos de Saúde Pública:

Confesso que fiquei surpreso ao ler o editorial do No 5 (4), 1989, dos Cadernos de Saúde Pública.

O Prof. Jaime A. Oliveira começa dizendo que a Escola foi fundada em 1954 e teve funcionamento precário até a instalação na atual sede, em 1966.

Conheci diversos sanitaristas formados no Institu-to Oswaldo Cruz, em um curso organizado pelo grande Arthur Neiva. No tempo em que a Escola estava no Morro da Viúva, estive lá várias vezes para conversar com o Prof. Mario Magalhães. No meu entender, essa foi a época áurea da Escola. Lá ensinaram Mario Maga-lhães, Samuel Pessoa, Achilles Scorzelli e outros pro-fessores destacados. É claro que, em 1964, o seu corpo docente teria de ser atingido. Não sei como ficou porque, nessa época, estava fora do Brasil.

A instalação da Escola na atual sede teve um vício de origem. Como já estávamos no período ditato-rial, a indicação de diversos professores foi feita na base do famoso QI (quem indica), dos governos milita-res. Não resta dúvida que, na administração Vinícius Fonseca, a Escola recebeu um bom reforço de professo-res admitidos por concurso. De qualquer forma, ainda ficou com um corpo docente heterogêneo.

Em outro trecho, lemos: "Proliferaram, em conse-qüência, os Núcleos, Centros, Projetos e Cursos." Das outras coisas não posso dizer nada, mas dos Proje-tos posso garantir que alguns não vão passar de pro-jetos.

Quanto a "gargalos, nós e bloqueios", nos parece que a melhor solução é colocar os pés no chão, reco-nhecer que eles estão é aqui dentro e, dessa maneira, cortar o que está errado e fazer tudo para tirar o máximo do que existe de bom.

Atenciosamente Mario B. Aragão

Rio de Janeiro, 10 de abril de 1990. Ilmo. Sr.

Prof. Mario B. Aragão

Depto. de Ciências Biológicas/Ensp Professor,

(2)

O que me move, em especial, a escrever-lhe em resposta é o desejo de esclarecer aquilo que me parece apenas um pequeno problema de interpretação do senti-do que pretendi dar, efetivamente, ao trecho daquele editorial citado no início de sua carta.

Assim, quando digo, ali, que no período anterior à "sua instalação na atual sede" a Ensp teve um "fun-cionamento precário", quero me referir apenas, e sim-plesmente, ao fato da inexistência, até então, de condi-ções físicas adequadas ao bom funcionamento da Esco-la. Situação que é revertida em 1966, mas num contex-to marcado pelos acontecimencontex-tos que o edicontex-torial segue descrevendo.

Portanto, longe de mim a intenção de desmerecer a memória e o papel das notáveis figuras da Saúde Pública Brasileira que, como o Sr. bem assinala em sua carta, exerciam à época atividades docentes na Escola (tendo sido algumas delas vítimas posteriores do processo de "caça às bruxas" a que me refiro na seqüência do editorial).

Imagino que o motivo desta pequena incompreen-são de meu real objetivo no texto citado tenha sido a forma sintética que ele, necessariamente, tinha de assumir (e que me impedia, por exemplo, de relacionar as dificuldades vividas, então, pela Ensp com o pro-cesso mais geral de fragmentação do recém-criado Mi-nistério da Saúde, praticamente expulso, como se sabe, da antiga sede do Ministério da Educação e Saúde).

Utilizo-me, portanto, dessa ocasião para apresen-tar meu pedido de desculpas pelas incompreensões que possa, porventura, ter suscitado — como sugere a sua oportuna carta —, esperando que as justificativas apre-sentadas acima sejam suficientes para retificá-las.

Quanto aos demais comentários, compartilho de suas preocupações quanto aos "Núcleos, Centros, Pro-jetos e Cursos" hoje existentes na Escola, mas espero (e imagino que também o Sr.) que suas previsões não venham a cumprir-se, de fato.

Quanto aos "gargalos, nós e bloqueios", o senti-do senti-do editorial era exatamente o de assinalar que pelo menos boa parte deles são internos à instituição, e que, portanto, sua solução depende centralmente de nós mesmos.

Permito-me concluir parabenizando-o pela zelosa atenção que sua carta evidencia, quanto a assuntos tão importantes para todos nós como o são a história da Saúde Publica Brasileira, desta Escola, e seus pro-blemas atuais.

Sendo o que me movia no momento, despeço-me, Respeitosamente,

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