• Nenhum resultado encontrado

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.32 suppl.2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.32 suppl.2"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

1

REVISTA BRASILEIRA D E H E M ATO L O G I A E H E M O T E R A P I A

Editoriais e Comentários / Editorials and Comments

Guia Multidisciplinar para a

Condução da Deficiência de Ferro e

Anemia Ferropriva

Multidisciplinary Guide to Treat Iron

Deficiency and Iron Deficiency Anemia

Rodolfo D. Cançado Carlos S. Chiattone

Apesar do conhecimento da biologia do ferro ter evo-luído de forma avultante na última década1,2 e não obstante

as facilidades de acesso à informação de maneira simples e rápida pelos meios de comunicação, em particular a Internet, o que possibilitou a democratização do conhecimento e opor-tunidade de aperfeiçoamento, a deficiência de ferro continua sendo, há décadas, a alteração hematológica mais comum acometendo 20% a 30% da população mundial, sobretudo crianças, mulheres em idade fértil e gestantes.3

As consequências da deficiência de ferro são inúmeras, podendo ser reversíveis ou não, e compreendem: atraso do crescimento, do desenvolvimento psicomotor e neurocog-nitivo, principalmente nos lactentes, podendo ocasionar menor rendimento intelectual e escolar na criança e ado-lescência, e maiores taxas de reprovação e abandono escolar; aumento da mortalidade materna, aumento de crianças pre-maturas e de baixo peso ao nascimento; e, nos adultos, redu-ção da produtividade e da capacidade de concentraredu-ção, além de várias outras alterações da condição de saúde da pessoa com impacto negativo na sua qualidade de vida.3,4

Ratificando as afirmações mencionadas anteriormente, a publicação de 2002 da Organização Mundial da Saúde relata que a deficiência de ferro encontra-se entre os dez principais fatores de risco para adoecer e relacionados à menor expec-tativa de vida.(The World Health Report 2002 - Reducing Risks, Promoting Healthy Life. Disponível em: http://www. who.int/whr/2002/en/).

De acordo com o relatório do Banco Mundial, cerca de 5% do produto interno bruto (PIB) dos países em desenvolvimento são desperdiçados com os gastos em saúde decorrentes da anemia ferropriva.5 Transpondo esses cálculos para o ano

de 2008, pode-se dizer que o Brasil, com um PIB estimado em R$ 2,3 trilhões, gastou, neste ano, R$ 116 bilhões para tratar problemas de saúde decorrentes da deficiência de ferro. Diante da importância da deficiência de ferro como problema de saúde pública em nosso país e da escassez de material científico qualificado e de amplo acesso aos profis-sionais médicos hematologistas e de outras especialidades, bem como de outras áreas disciplinares, como enfermagem, nutrição, ciências farmacêuticas, além de estudantes em geral, idealizamos, com o apoio da Associação Brasileira de

Hematologia e Hemoterapia e de seu Comitê de Glóbulos Vermelhos e do Ferro, o presente fascículo, o qual se trata de um número temático sobre deficiência de ferro, mais especificamente – "Guia Multidisciplinar para a Condução da Deficiência de Ferro e Anemia Ferropriva".

É evidente que este trabalho só foi possível com a parti-cipação de médicos, professores, pesquisadores nacionais do mais alto nível. De fato, este fascículo contou com a parti-cipação de mais de 30 profissionais de diversas especialidades médicas (hematologia e hemoterapia, gastroenterologia, pediatria, neonatologia, cardiologia, nefrologia, oncologia, geriatria, patologia clínica, obstetrícia e ginecologia), além da enfermagem e nutrição, oriundos de cerca de 15 diferentes universidades ou instituições médicas brasileiras.

Este fascículo da RBHH apresenta um conteúdo extenso e atualizado sobre o estado da arte da deficiência de ferro, e inclui artigos que descrevem a prevalência desta alteração hematológica e suas implicações e repercussões para o gênero humano; auxiliam na correta abordagem e adequada inves-tigação etiológica da deficiência de ferro, na orientação para o diagnóstico laboratorial, principalmente da interpretação dos resultados, tendo em mente as limitações e interferentes de cada teste; enfatizam o tratamento da anemia ferropriva, colocando em relevo as principais características, vantagens e desvantagens dos compostos com ferro disponíveis e comercializados para uso por via oral e parenteral.

Temos a certeza de que este fascículo trará enorme contribuição para a literatura médica nacional e que as atua-lizações obrigatórias o tornarão parte integrante do acervo bibliográfico de todos aqueles que lidam com esta alteração hematológica tão frequente e tão importante.

Referências Bibliográficas

1. Andrews NC. Forging a field: the golden age of iron biology. Blood. 2008;112:219-30.

2. Grotto HZW. Metabolismo do ferro: uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase. Rev Bras Hematol Hemoter. 2008;30:390-7.

3. Looker AC, Dallman PR, Carroll MD, et al. Prevalence of iron deficiency in the United States. JAMA. 1997;277:973.

4. Horton S, Ross J. The economics of iron deficiency. Food Policy. 2003;28(1):51-75.

5. Enriching L Overcoming vitamin and mineral malnutrition in developing countries. Washington DC World Bank, 1994.

Recebido: 23/03/2010 Aceito: 23/03/2010

1Hematologia. Professor Adjunto da Disciplina de Hematologia e

Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – São Paulo-SP.

2Hematologia e Hemoterapia. Diretor do Hemocentro de

Santa Casa de São Paulo – São Paulo-SP.

Correspondência: Rodolfo Delfini Cançado Hemocentro da Santa Casa de São Paulo Rua Marquês de Itú, 579 – 3º andar 01223-001 – São Paulo-SP – Brasil

Referências

Documentos relacionados

ATRA treatment induces increase in the expression of adhesion molecules such as CD11b, CD18 and ICAM-1, which increase the adhesion of myeloid to endothelial cells, thus

Autologous stem cell transplantation after complete remission and first consolidation in acute myeloid leukemia patients aged 61-70 years: results of the prospective EORTC-GIMEMA

Minimal residual disease (MRD) was monitored in 80 patients with acute lymphoid (ALL, n=44) or myeloid (AML, n=36) leukemia, undergoing allogeneic haemopoietic stem

Adult T-lymphoblastic lymphoma is rare and has a poor prognosis. In the 80s, following the introduction of sequential, intensified chemotherapy, complete remissions in the order

A GITIL prospective randomized multicenter phase III study of high dose sequential chemotherapy with rituximab (R- HDS and autologous transplantation (ASCT) of peripheral blood

In this review, we present 1) scientific basis for the use of high dose immunosuppression followed by autologous peripheral blood hematopoietic stem cell transplantation for

As is now customary, AIBE once again offered to the Brazilian hematological community and the participants of the SBTMO Congress an education supplement update, the third in

In conclusion allogeneic HSCT is feasible in patients with HD and may prolong survival in patients relapsing after an autograft. Results of HLA identical sibling transplants