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Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.38 número1

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Academic year: 2018

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RevBrasCiêncEsporte.2016;38(1):101---103

www.rbceonline.org.br

Revista

Brasileira

de

CIÊNCIAS

DO

ESPORTE

RESENHA

Entre

a

adesão

e

a

resistência:

notas

sobre

Educac

¸ão

Física

escolar

e

Ditadura

Militar

no

Brasil

Between

adherence

and

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notes

on

Physical

Education

and

Military

Dictatorship

in

Brazil

Entre

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adhesión

y

la

resistencia:

notas

sobre

la

Educación

Física

escolar

y

la

Dictadura

Militar

en

Brasil

Taborda

de

Oliveira

MA.

Educac

¸ão

física

escolar

e

ditadura

militar

no

Brasil

(1968-1984):

entre

a

adesão

e

a

resistência.

Braganc

¸a

Paulista:

Edusf,

2003.

Nesta resenha, abordaremos o livroEducac¸ão física esco-lareditaduramilitarnoBrasil(1968-1984):entreaadesão e a resistência, publicado por Marcus Aurélio Taborda de Oliveira (2003). Essa obra é produto deuma pesquisa de doutoramento desenvolvida, entre 1997 e 2001, no Pro-grama de Estudos Pós-Graduados em Educac¸ão: História, PolíticaeSociedadedaPontifíciaUniversidadeCatólicade São Paulo. O objetivo do estudo foi investigar a relac¸ão entreas orientac¸ões oficiais paraa educac¸ão física esco-larbrasileira(1968-1984)esuaspossíveisapropriac¸õespor professoresqueatuaramnoperíodoemtela.Paratanto,o autor usou comofontes asérie totalda RevistaBrasileira deEducac¸ãoFísicaeDesportos1(1968-1984),osprogramas

deeducac¸ãofísicadaredemunicipaldeensinodeCuritiba

1Publicac¸ãooficialdoMinistériodaEducac¸ãoeCultura.Deacordo

comTaborda deOliveira(2003):‘‘atéo seunúmerooito(1969),

a Revista [...]denominava-se Boletim Técnicoe Informativo de

Educac¸ãoFísica.Depois,seunomefoialteradoparaRevista

Brasi-leiradeEducac¸ãoFísicaeDesportiva(1970),RevistaBrasileirade

Educac¸ãoFísica(1971)e,finalmente,RevistaBrasileiradeEducac¸ão

FísicaeDesportos(1975)’’(p.77,grifadonooriginal).

(1972-1983)eosdepoimentosdeprofessores queatuaram nessamesmarededeensino(1970-1980).

Circunscritoaoscamposdahistóriadaeducac¸ão/história daeducac¸ãofísicaetendocomoprincipalreferênciateórica opensamentodeEdwardPalmerThompson,olivrodivide-se emduaspartes.

A primeira apresenta uma análise da série total da RevistaBrasileira deEducac¸ão Física e Desportos. Inicial-mente,TabordadeOliveirapartedaproposic¸ãodequeesse periódico representaria, exclusivamente, uma concepc¸ão oficialdeeducac¸ão físicaescolar---notadamente atrelada ainteresses do regimemilitar.No entanto, como desen-volvimentodapesquisa,oautorpercebequeesseimpresso nãocaracterizava-secomo umafontemonolítica,ouseja, nãoeramapenasasconcepc¸õesoficiaisdeeducac¸ãofísica escolarqueestavamsendodifundidaspeloperiódico;mais doque isso, materializava-seem suas páginas umdebate internacional,quechegavaao Brasilcompelomenosuma décadadeatraso.

As discussões sobre educac¸ão física escolar contidas na revista expressam uma querela entreduas tendências mundiais: opragmatismo, queconcebiaa educac¸ãofísica escolar como um espac¸o de formac¸ão de atletas de alto rendimento; e o dogmatismo, que entendia a educac¸ão física escolar como um espac¸o de formac¸ão integral dos educandos.Todavia,emborahouvessedisputasporespac¸oe legitimidadenointeriordoperiódico,issonãosignificadizer que não houve predomínio de uma tendência. Conforme TabordadeOliveira,ociclo devida doimpressopodeser divididoemtrêsfases:

A primeira refere-se a umdebate bastante polarizado entre os defensores da orientac¸ão dogmática e os defensoresdaorientac¸ãopragmática.[...]Pode-sedizer que essa primeira fase da Revista vai até meados dos anos1970.Poresseperíodo,queidentifiqueicomosendo oiníciodeumasegundafase,oquesenotanaspáginas daRevistaéaconsolidac¸ãodaperspectivapragmática, sendo bastante reduzidos os debates e até mesmo as críticas emtorno daesportivizac¸ão daeducac¸ãofísica. Essa segunda fase vai até o fim da década de 1970 e cede lugar à terceira e última fase, caracterizada pela emergência da psicomotricidade e dos primeiros discursos denunciando a submissão da educac¸ão física escolaraoscódigosesportivos(2003,p.95).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2015.12.001

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102 RESENHA

Osprogramasde educac¸ão físicadarede municipalde ensinodeCuritiba---analisadosnasegundapartedolivro ---tambémexpressamumapreponderânciadaconcepc¸ão prag-mática.Em sintonia com essa perspectiva,asorientac¸ões contidas nesses documentos reduzem a educac¸ão física escolaraoensinodealgumasmodalidadesesportivas, pau-tadopeloscódigosdoesportedealtorendimento.Segundo Taborda de Oliveira, esses programas eram, simultanea-mente, uma tentativa de sistematizac¸ão e de controle das aulasde educac¸ão física, já que em tese não permi-tiam intervenc¸ões autônomas dos agentes escolares. Em vista disso, cabeindagarmos: diante desse quadro, como sedesenvolveramaspráticascotidianas dos docentesque atuaramnaredemunicipaldeensinodeCuritiba?

Essas,dizTabordadeOliveira---aindanasegundapartedo livro---,desenvolveram-sedeummodoplural.Oautor obser-vouque,adespeitodastentativasoficiaisdeconformac¸ão daeducac¸ãofísicaescolar,osprofessoresdessecomponente curricularlidavam de ummodo bastante peculiar com os seusproblemascotidianos.Aolermososdepoimentos con-tidosno decorrerdaobra,percebemosque esses agentes nãoerammeramentemanipuladosouinduzidos.Muitopelo contrário, como destaca Tabordade Oliveira, eles faziam opc¸ões;sabiamqueerampossuidoresdeumarelativa auto-nomiadiante das determinac¸ões estruturais e, em alguns casos,eramcapazesatémesmo dedesafiá-las.Deacordo comoautor:

As entrevistas com os professores indicam a experi-ência, a história de vida falando mais alto. Cada um dos professores entrevistados assimilava, incorporava deumamaneira completamentedistinta asinfluências maisvariadas.Emdecorrênciadisso,oresultadodoseu trabalhoerafundamentalmentediverso. As entrevistas permitem-mereafirmar aimportância daquilo quetem sidoreiteradamenteperguntado:oqueossujeitosfazem com aquilo que asestruturas fazem dos sujeitos? Cer-tamenteelesreinventam,dentrodoslimitespermitidos pelasmaisdiversasdeterminac¸ões,oseuvivercotidiano (2003,p.454,grifadonooriginal).

Aoreconhecera escolacomoumespac¸ocontraditório, capazde produzir práticas heterogêneas a partir das dis-tintas experiências dos seusagentes, Taborda deOliveira percebeu,emummesmorecortetemporaleemumamesma cidade, intervenc¸ões pedagógicas diversas. Intervenc¸ões essasque nãoestavamnecessariamente alinhadascom os interessesdoregimemilitar.Emalgunscasos,como demons-traoautor,independentementedavontadedosprofessores, a própria precariedade material das escolas as tornavam incapazes de garantir as condic¸ões objetivas necessárias paraaimplantac¸ãodasdeterminac¸õesoficiais.Munido des-sesdados,TabordadeOliveirapõeemevidênciaumaspecto atéentão esquecidonosdebatessobreotemaem realce: anecessidadedenosatentarmosparaadistânciaentreas prescric¸õesoficiaiseaspráticascotidianasdosprofessores deeducac¸ãofísica.

O problema é que o livro atribui pouca importância à apreciac¸ão das prescric¸ões oficiais formuladas para a educac¸ão físicaescolar. Ao levar em contao objetivo da obra, entendemos que o desenvolvimento dessa análise deveriaser tratadocomo umde seuspontos centrais.No

entanto, essa tarefa não foi cumprida de um modo con-sistente. No que tange a esse aspecto, faz-se relevante perguntar:seráquesomenteoexamedaRevistaBrasileira deEducac¸ãoFísicaeDesportosedosprogramasdeeducac¸ão físicadarede municipaldeensinodeCuritibaésuficiente paraacompreensãodasorientac¸õesoficiaisparaaeducac¸ão físicaescolarestabelecidasaolongodos17anos(1968-1984) queabrangem orecortetemporaldefinidoporTabordade Oliveira?

Acreditamosque essa escolha metodológica é insufici-ente.Talvezsejaemfunc¸ãodissoqueTabordadeOliveira, nodecorrerdeseulivro,serefereconstantementeà exis-tênciadeumúnicomodelopedagógicooficialdeeducac¸ão física escolar. Ora, isso não pode ser verificado quando nos debruc¸amos,por exemplo,sobre determinadasfontes já bastantes conhecidas em nossa área.Estamos falando, mais especificamente, da documentac¸ão oficial referente aoensinodessecomponentecurricular:oDecreton58.130 (1966-1971), o Decreto n 69.450 (1971-1996), o Plano de Educac¸ão Física e Desportos (1972-1974), o Plano Nacio-naldeEducac¸ãoFísicaeDesportos(1976-1979),oIIIPlano Setorial de Educac¸ão, Cultura e Desportos (1980-1985), entre outros. Ao analisar esses documentos, percebemos que, entre 1968 e 1984, diversas concepc¸ões oficiais de educac¸ãofísicaescolarcircularamnoBrasil,e nãoapenas uma.

Essesnosparecemserospontosfracosdolivro:a esco-lha de fontes que não sustentam uma análise sólida das prescric¸õesoficiaisformuladasparaaeducac¸ãofísica esco-lar brasileira (1968-1984) e, consequentemente,a análise propriamenteditadessasorientac¸ões,quedesconsideraas distintas concepc¸õesque circularamnoBrasil aolongodo recortetemporalemdestaque.Detodomodo,apesardessas inconsistências,acreditamosque aobrapodeser conside-radaapublicac¸ãomaisimportantesobreo temadebatido nestaresenha.Acarênciadeestudosespecíficoseoslimites das versõeshistoriográficas quese cristalizaramem nossa área iluminama necessidade de melhor compreendermos aconfigurac¸ãodaeducac¸ãofísicaescolardurante osanos daditaduramilitar.Talnecessidadesepotencializaquando observamosque,emborapassadosmaisdedezanos,ainda nosdeparamoscomumcenáriomuitoparecidocomo des-critoporTabordadeOliveira:

(3)

RESENHA 103

Financiamento

Este trabalho contou com o apoio da Coordenac¸ão de Aperfeic¸oamentodePessoaldeNívelSuperior(Capes),que concedeu uma bolsa de estudo relativa ao Programa de DemandaSocial.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

BrunoDuarteReia,b,∗e SílviaMariaAgattiLüdorfC

aProgramadePós-Graduac¸ãoemHistória,Universidade

FederalFluminense,Niterói,RJ,Brasil bProgramadePós-Graduac¸ãoemEducac¸ão,Universidade

doEstadodoRiodeJaneiro,RiodeJaneiro,RJ,Brasil CProgramadePós-Graduac¸ãoemEducac¸ãoFísica,

UniversidadeFederaldoRiodeJaneiro,RiodeJaneiro, RJ,Brasil

Autorparacorrespondência.

Referências

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