UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE CENTRO ACADÊMICO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO - CAV
NÚCLEO DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE BACHARELADO EM SAÚDE COLETIVA
RILVAN MARCELINO DE FREITAS
PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS E SEUS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO EM UMA POPULAÇÃO COBERTA E NÃO COBERTA PELA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM VITÓRIA DE SANTO
ANTÃO-PE
VITÓRIA DE SANTO ANTÃO 2017
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE CENTRO ACADÊMICO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO - CAV
NÚCLEO DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE BACHARELADO EM SAÚDE COLETIVA
PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: FATORES DE RISCO EM UMA POPULAÇÃO COBERTA E NÃO COBERTA PELA ESTRATÉGIA
DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Bacharelado em Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Centro Acadêmico de Vitória - CAV, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Saúde Coletiva.
Orientador (a): Prof. Dra. Simone do Nascimento Fraga
VITÓRIA DE SANTO ANTÃO 2017
Catalogação na fonte
Sistema de Bibliotecas da UFPE – Biblioteca Setorial do CAV.
Bibliotecária Ana Ligia F. dos Santos, CRB4-2005
F862p Freitas, Rilvan Marcelino de
Prevalência de doenças crônicas não transmissíveis: fatores de risco em uma população coberta e não coberta pela estratégia de saúde da família em Vitória de Santo Antão-PE. / Rilvan Marcelino de Freitas. Vitória de Santo Antão, 2017.
47 folhas: fig.; tab.
Orientadora:Simone do Nascimento Fraga
TCC (Graduação) – Universidade Federal de Pernambuco. CAV, Bacharelado em Saúde Coletiva, 2017.
1. Doença Crônica. 2. Fatores de risco. 3. Estratégia Saúde da Família. I. Fraga, Simone do Nascimento (Orientadora). II.Título.
616.044 CDD (23.ed.) BIBCAV/UFPE-174/2017
RILVAN MARCELINO DE FREITAS
PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: FATORES DE RISCO EM UMA POPULAÇÃO COBERTA E NÃO COBERTA PELA ESTRATÉGIA
DE SAÚDE DA FAMÍLIA EM VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE
Aprovado em: 12/09/2017.
BANCA EXAMINADORA
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Prof.º Ms. Carlos Renato dos Santos
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Prof.º Ms. Antonio Flaudiano Bem Leite
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Prof.ª Dr.ª Simone do Nascimento Fraga (Orientadora) CAV/UFPE
Aos meus pais, Lucia e Manoel.
AGRADECIMENTOS
Ao meu Deus, por ter me concedido o privilégio da vida, bem como pelo sustento diário e pela graça de alcançar minhas projeções.
A minha mãe e ao meu pai Manoel, por todas as distintas formas de contribuição, em prol da minha formação. Nunca conseguirei retribuir todo amor, afeto e carinho, bem como dedicação e empenho concedidos a mim. Obrigado, por tudo!
Aos meus irmãos, Rosimar, Ricardo e Rosilene, pelas distintas formas de apoio durante esta importante etapa da minha vida.
A minha orientadora e amiga, Professora Dra. Simone do Nascimento Fraga, por todas sua dedicação e sugestões rumo à efetivação deste estudo. Obrigado, por todo seu empenho, o que tornou possível a realização deste trabalho. Meu sincero obrigado e admiração para sempre!
Ao grupo de iniciação científica, Roberta, Anália e Barbara, pela dedicação e critério no auxílio nas coletas de dados.
Aos professores, Carlos Renato, Ronald Pereira e Antônio Leite, pelas suas contribuições.
E a todos que direta ou indiretamente trouxeram contribuições, em prol da concretização deste trabalho. Obrigado!
RESUMO
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são doenças de longa duração, sendo as principais as doenças cardiovasculares, o câncer, a diabetes e as doenças respiratórias crônicas. Este trabalho teve como objetivo analisar a prevalência de DCNT e seus fatores de risco em uma população coberta e não coberta pela Estratégia Saúde da Família (ESF), no município de Vitória de Santo Antão – PE.
Trata-se de um estudo transversal-epidemiológico, desenvolvido na comunidade Caiçara, em Vitória de Santo Antão-PE. Foi realizado o reconhecimento e o levantamento do território, junto com a ESF, sobre a delimitação das áreas coberta e não coberta da comunidade, pela ESF. Como instrumento de coleta de dados, foi elaborado um formulário semiestruturado, construído com base do e-SUS. Os formulários foram digitados por meio do Programa Epidata (versão 3.1). Em seguida, as variáveis foram analisadas com frequências absolutas e relativas. Além disso, foram utilizados os testes para avaliar a independência entre variáveis categóricas, tais como, Qui-Quadrado, Teste G e Exato de Fisher. A utilização desses testes teve como objetivo verificar a associação entre as variáveis. Os resultados demonstram que as DCNT mais incidentes que os entrevistados relataram no momento da entrevista foram hipertensão e diabetes. A área coberta apresentou uma prevalência de 34,4% de hipertensão e diabetes, enquanto que na área não coberta, a prevalência foi de 65,6%. Apesar do câncer e das doenças respiratórias crônicas estarem na lista das principais DCNT, nenhum entrevistado relatou tê-las no momento. Contatou-se ainda que 82,2% não faziam uso de bebidas alcoólicas, 91,6% não fumavam e apenas 7,8% afirmou praticar atividades físicas. Nesse sentido, o estudo fomentou uma análise mais aprofundada da utilização do serviço de saúde pelos usuários, bem como o seu alcance no atendimento à população. Entretanto, mais estudos são necessários para conhecer a capacidade real da cobertura e fatores de risco, contribuindo para a melhoria dos atendimentos e da promoção à saúde na comunidade.
PALAVRAS-CHAVE: Doenças crônicas. Fatores de risco. Estratégia saúde da família.
ABSTRACT
Non-communicable chronic diseases (DCNT) are long-term diseases, the main ones being cardiovascular diseases, cancer, diabetes and chronic respiratory diseases. This study aimed to analyze the prevalence of DCNT and their risk factors in a population covered and not covered by the Family Health Strategy (ESF), in the city of Vitória de Santo Antão - PE. This is a cross-epidemiological study, developed in the Caiçara community, in Vitória de Santo Antão-PE. The recognition and survey of the territory, together with the ESF, was carried out on the delimitation of the covered and uncovered areas of the community by the ESF. As a data collection instrument, a semi-structured form was developed, based on e-SUS.The Forms were entered using the EPIDATA version 3.1 f. Then, variables were analyzed wilh absolute and relative frequencies. In addition, the tests were userd to evoluate the Independence between categorical veriables, such as chiSquare, G-Test and Fisher's Exact. The purpose of these tests was to verify the association between the variables. The results show that the most incident DCNT that the interviewees reported at the time of the interview were hypertension and diabetes. The covered area presented a prevalence of 34.4% of hypertension and diabetes, while in the uncovered area, the prevalence was 65.6%.
Although cancer and chronic respiratory diseases were on the list of major DCNT, no respondents reported having them at the time. It was also reported that 82.2% did not use alcoholic beverages, 91.6% did not smoke and only 7.8% said they practiced physical activities. In this sense, the study fostered a more in-depth analysis of the use of the health service by the users, as well as their reach in serving the population.
However, more studies are needed to know the actual capacity of the coverage and risk factors, contributing to the improvement of care and health promotion in the community.
KEY WORDS: Chronic diseases. Risk factors. Family health strategy
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO... 9
2 REVISÃO DE LITERATURA ... 11
2.1 EPIDEMIOLOGIA ... 11
2.2 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS DCNT ... 12
2.3 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CUIDADOS NA ATENÇÃO BÁSICA ... 15
3 OBJETIVOS ... 18
4 HIPÓTESE ... 19
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 20
5.1. DESENHO DO ESTUDO ... 20
5.2 ÁREA DO ESTUDO ... 20
5.3 POPULAÇÃO DO ESTUDO E PERÍODO DE REFERÊNCIA ... 21
5.4 FONTE DE DADOS ... 22
5.5 DEFINIÇÃO DE VARIÁVEIS ... 22
5.6 ANÁLISE DOS DADOS ... 22
5.7 LIMITAÇÕES DO ESTUDO ... 23
5.8 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS ... 23
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 24
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 35
REFERÊNCIAS ... 36
ANEXO ... 42
Anexo A – Parecer da Comissão de Ética em Pesquisa ... 42
APÊNDICES ... 47
Apêndice A – Formulário de pesquisa ... 477
Apêndice B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido -TCLE ... 478
1 INTRODUÇÃO
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são doenças de longa duração, sendo as principais as doenças cardiovasculares, o câncer, o diabetes e as doenças respiratórias crônicas. O relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que das 38 milhões de mortes causadas pelas DCNT em 2012, 42% podiam ser evitadas (OMS, 2015).
O diagnóstico para as DCNT é específico para cada caso. Geralmente, ele é realizado pelo clínico geral. Quando identificados os fatores de risco, os médicos pedem uma maior atenção para que o exame preventivo aconteça com mais frequência.
É importante que o diagnóstico seja precoce para um tratamento mais eficaz e com maior probabilidade de sucesso. Neste sentido, os indivíduos que apresentarem fatores de risco correlatos a alguma DCNT devem procurar fazer os exames de rotina, dentro da frequência indicada pelo médico, contribuindo assim, para um maior controle da doença.
O tratamento voltado às DCNT pode acontecer mediante a utilização de medicamentos, bem como mediante o acompanhamento médico. Entretanto, em alguns casos, os indivíduos podem apresentar melhora, quando passam a adotar hábitos saudáveis, como dieta equilibrada e atividade física regular. Nesse caso, os portadores de diabetes mellitus (quando praticantes de atividades físicas) apresentam melhora significativa nos resultados. Isso acontece em função da capacidade do exercício de atuar no organismo com efeito semelhante ao da insulina (PANVELOSKI- COSTA et al., 2011).
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do ano de 2013 mostra alguns dados sobre a prevalência, por regiões, do uso de tratamentos farmacológico voltados aos indivíduos com DCNT. De acordo com essa pesquisa, um maior percentual está na região sudeste. Esta detém o maior índice de utilização de medicamentos voltados à hipertensão arterial, à asma, ao diabetes e à depressão. Por outro lado, a região norte detém os menores percentuais de uso de fármacos voltados à DCNT. A região nordeste, por sua vez, detém o menor percentual de utilização de medicamentos voltados à asma (IBGE, 2014). A pesquisa supracitada realizou a prevalência do
tratamento farmacológico por grupos etários, identificando que o uso é majoritariamente direcionado à população idosa, no que se refere às DCNT hipertensão, diabetes, asma e depressão.
Acredita-se que a realização deste estudo contribuirá no conhecimento da situação epidemiológica quanto à prevalência de DCNT e seus fatores de risco na comunidade pesquisada. Além disso, este estudo trará informações que poderão subsidiar a atuação da gestão municipal de saúde na efetivação de melhorias das condições de acesso à saúde. Com isso, as informações deflagradas por este estudo podem contribuir para a formulação de políticas públicas, bem como para a promoção de estratégias, projetos e propostas rumo à melhoria do acesso da população à saúde pública.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 EPIDEMIOLOGIA
Nas últimas décadas, as DCNT têm sido apontadas como a maior causadora de mortes em nível mundial, sendo responsáveis por 68% dos óbitos em 2012. Desses dados, a maior prevalência acontece em países de baixa renda, nos quais cerca de 82% são de mortes precoce. Esse número cai para 18% em países de alta renda, considerando o acesso aos serviços de saúde (OMS, 2015).
No Brasil, há dois fenômenos que podem explicar o perfil das doenças nas últimas décadas. O primeiro diz respeito à Transição Demográfica. Esse fenômeno está ligado ao aumento da expectativa de vida, bem como às respectivas diminuições das taxas de fecundidade e natalidade. O segundo refere-se à Transição Epidemiológica, fenômeno que diz respeito às mudanças advindas do perfil sócio econômico e do acesso ao serviço de saúde de qualidade, demarcando determinadas regiões (BRASIL, 2005). Além disso, o Ministério da Saúde aponta a transição das doenças infecciosas para as DCNT como elemento que lidera a causa de mortalidade no país. Por muito tempo, as doenças infecciosas detiveram o posto de elemento líder na causa de mortalidade. Hoje, porém, esse posto é ocupado pelas DCNT.
Em 2014, a Pesquisa Nacional em Saúde (PNS), que é realizada com o intuito de servir como um guia do planejamento para as políticas públicas dos anos subsequentes, revelou que as DCNT ocasionam 72% dos óbitos no país. Esse percentual engloba, principalmente a diabetes, a hipertensão e a hipercolesterolemia.
A referida pesquisa apontou também que 40% dos brasileiros tem alguma DCNT (IBGE, 2014).
A PNS também revelou as regiões de maior prevalência no país. No topo do ranking, está a região sul (47,7%) e a sudeste (39,8%). A região nordeste aparece com a 4ª posição, detendo o percentual de 36,3%, o que equivale a cerca de 14 milhões de nordestinos. No estado de Pernambuco, em 2011, as doenças crônicas que acarretaram o maior índice de óbitos foram as doenças relacionadas ao aparelho circulatório. Estas detêm o percentual de 30,2%, o que representava cerca de 17.275
pessoas. Se comparado à pesquisa realizada em 2002, foram 158,9 óbitos por 100 mil habitantes (PERNAMBUCO, 2016).
O ranking mencionado acima indica que, de cada 100 mil habitantes, 194,1 morreram por doenças cardiovasculares, 83,5 por neoplasias malignas, 42,2 por diabetes mellitus, 48,0 morreram por doenças respiratórias e 80,0 tiveram outras DCNT como causa de morte.
A taxa de mortalidade por DCNT teve um acréscimo entre os anos de 2002 e 2011. Das cidades pesquisadas, Recife, a capital pernambucana, esteve entre a cidade mais estabilizada, apresentando aumento de 10% de óbitos. Em contrapartida, a cidade de Ouricuri, localizada no interior do estado, apresentou um aumento de 133% entre os anos apresentados. Em 2011, as cidades com maior índice de morte por doenças cardiovasculares foram Afogados da Ingazeira e Limoeiro, ambas no interior do estado (PERNAMBUCO, 2016).
2.2 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS DCNT
Schmidt et al. (2011) apresenta uma relação entre o crescimento da expectativa de vida e o aumento de DCNT no Brasil, assim como a questão da industrialização e da rápida transição nutricional, quando a população passa a ingerir de forma mais regular alimentos industrializados e processados, bem como a adquirir hábitos não saudáveis ao decorrer dos anos.
Os fatores de risco associados às DCNT estão sendo classificados por alguns autores em duas categorias, as modificáveis e não modificáveis. São exemplos de autores que focam nessa temática Alves & Marques (2009), Casado, Vianna & Thuler (2009), Ducan (2012), Lopes (2012).
De acordo com Alves & Marques (2009), os estudos relacionados aos fatores de risco – modificáveis e não modificáveis – alavancaram modificações na maneira de lidar com distintas doenças, entre elas, as DCNT. Os fatores de risco modificáveis podem ser definidos como aqueles que podem receber ações de intervenção preventiva. Em outras palavras, os fatores de risco modificáveis estão associados às doenças ou condições que podem ser prevenidas e/ou revertidas, como o alcoolismo, o tabagismo, a inatividade física e a má alimentação.
Na ótica de Ducan (2012), apenas o tabagismo é responsável por 71% dos casos de câncer de pulmão. Além disso, ele é responsável por 42% dos casos de doenças respiratórias crônicas e 10% das doenças cardiovasculares. A inatividade física pode aumentar de 20% a 30% os riscos de morte.
Fatores como o álcool, a obesidade e o tabagismo são apontados como causa de pelo menos 80% das doenças cardiovasculares e do diabetes tipo 2, bem como de mais de 40% dos casos de câncer. Segundo Moreira et al. (2013), apenas as doenças cardiovasculares irão ocasionar 31,5% das mortes em 2020.
A prevalência desses fatores, em nível nacional, foi publicada em 2012, através da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VITIGEL). A partir de amostra coletada com 53.210 pessoas maiores de 18 anos, nas principais capitas do Brasil, provêm dados que demonstram o aumento de 60% do número de pessoas obesas entre 2006 e 2016, atingindo 18,9%
dos brasileiros. Além disso, a pesquisa aponta o aumento no percentual de diabetes mellitus, que subiu de 5,5% para 8,9%, bem como da hipertensão arterial, que foi de 22,5% para 25,7% da população (BRASIL, 2016).
Em contrapartida, os dados da referida pesquisa demonstram estabilidade no percentual de indivíduos que consomem bebida alcoólica abusiva (considerada abusiva, quando ocorre o consumo de 4 a 5 doses em um dia, no período de 30 dias).
Em 2006, o número era de 15,7%. Em 2016, os dados apontam 19,1% da população.
Por outro lado, a supracitada pesquisa evidencia dados positivos, tais como o aumento de pessoas praticantes de atividade física no tempo de lazer e o aumento no consumo de frutas e hortaliças, bem como a redução de pessoas ingerindo refrigerantes e sucos artificiais. A pesquisa também mostra uma queda de 2,6% por ano, entre 2010 e 2015, nos óbitos precoces por DCNT (BRASIL, 2016).
Em 2016, o Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, publicado pela Secretaria de Saúde, apresenta dados da VITIGEL relativos à cidade do Recife, no período de 2006 a 2010. Essa pesquisa revela alguns dados sobre os fatores de risco atrelados às DCNT. No estado, houve uma diminuição de indivíduos fumantes em 8%, assim como um aumento de 16,7% de pessoas ingerindo bebida alcoólica de forma abusiva. Entre esses dados, apenas 2%
dos indivíduos que praticavam atividade física, chegando à 14,9% de inatividade física entre os indivíduos entrevistados (PERNAMBUCO, 2016).
Os fatores de risco chamados de não modificáveis são variáveis que expressam relação de prevalência para as DCNT, tais como sexo, idade, hereditariedade e raça.
Na visão de Casado, Vianna & Thuler (2009), os fatores não modificáveis abrangem a idade, a hereditariedade, a raça e o sexo. Alguns desses fatores detêm uma maior possibilidade de materializar as DCNT, como, por exemplo, a idade. No que tange ao fator idade, há uma ampla possibilidade de desenvolvimento de DCNT em virtude do envelhecimento.
Lopes (2012) aprofunda o debate acerca das particularidades e das especificidades dos fatores não modificáveis, no que diz respeito à materialização das DCNT. Os pressupostos teóricos alavancados pela autora demonstram que os sujeitos do sexo masculino apresentam maior possibilidade de desenvolvimento das DCNT, uma vez que praticam ações correlatas a estilos de vida não saudáveis, a saber, a má alimentação, o pouco consumo de frutas e verduras, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o fumo. Isso, por conseguinte, influi de maneira considerável na materialização das DCNT. No que tange ao fato da etnia ou da raça, Lopes (2012) pontua que a raça negra e indígena detém a maiores possibilidades de desenvolvimento de DCNT.
Além das variáveis apresentadas, a OMS (2015) apresenta dados referentes às DCNT atingirem, majoritariamente, países de baixa renda. Os dados estimam que, até o ano de 2030, o número de mortes ocasionadas por DCNT pode crescer cinco vezes mais em países de baixa renda.
Na ótica de Malta, Morais Neto & Silva Júnior (2011), o acesso das pessoas de baixa renda aos serviços de saúde acontece em menor quantidade. Com isso, elas estão mais expostas aos fatores de risco, principalmente pelo fato de terem menos recursos para distribuir entres as necessidades básicas do mesmo e, portanto, não terem escolha entre investir em saúde, alimentação e moradia. Para os autores, embora o Serviço Único de Saúde (SUS) seja gratuito no Brasil, são necessários custos adicionais.
Em relação a isso, a VITIGEL (2016) chamou a atenção para a desigualdade entre os estados, no que concerne ao acesso aos serviços de saúde. Referente à atenção para a obesidade, as capitais menos favorecidas foram Palmas e Florianópolis.
Referente à Diabetes, destacaram-se Palmas, Boa Vista e Rio Branco. Enquanto que referente à hipertensão, destacam-se Palmas e São Luís.
2.3 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CUIDADOS NA ATENÇÃO BÁSICA
Os fatores e as variáveis que influenciam o surgimento, bem como o agravo das DCNT poderiam ser evitados mediante a promoção de hábitos mais saudáveis. Moreira et al. (2013) abordam os reflexos do alcoolismo, do tabagismo, da hipercolesterolemia e da obesidade não apenas na materialização das DCNT, como também no seu agravamento. Para os autores, sem esses fatores, a possibilidade de materialização das doenças cardiovasculares, do diabetes tipo 2 e do acidente vascular encefálico (AVE) seria reduzida em até 80%. No tocante aos casos de câncer, 40% poderiam ser prevenidos.
Para isso, foram estabelecidas metas nacionais e, consequentemente, empenho em prol do desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao auxílio no combate a essas doenças, bem como à promoção da qualidade de vida da população. Essas metas estão relacionadas ao índice de mortalidade por DCNT, bem como ao controle e à prevenção de seus fatores de risco. Com o objetivo de concretizar estas metas, o Ministério da Saúde desenvolveu o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT no Brasil. O principal objetivo deste documento é:
Promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco e fortalecer os serviços de saúde voltados para a atenção aos portadores de doenças crônicas (BRASIL, 2011, p.14).
A partir disso, o governo passou a empenhar mais investimentos em políticas de promoção à saúde, lançando o Programa Academia da Saúde em 2011. Esse programa foi lançado em articulação com outros programas de atenção básica à saúde, tais como o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, o Programa Academia da Saúde foi lançado em articulação com campanhas de incentivo à prática de atividade física e esportes, articulando aos megaeventos da Copa do Mundo de Futebol em 2014, bem como as Olimpíadas de 2016 (BRASIL, 2011).
Para os indivíduos que necessitavam do uso de medicamentos no tratamento do diabetes e da hipertensão, houve o investimento no Programa Farmácia Popular, estimando cerca de 2,8 bilhões de reais destinados ao auxílio farmacêutico (BRASIL, 2016).
No ano de 2012, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE) apontou dados alarmantes sobre a presença de fatores de riscos das DCNT no Ensino Fundamental II. Os resultados da pesquisa evidenciaram que 18,9% dos alunos do 9º ano já experimentaram cigarro, bem como que 26,2% deles tem pelo menos um dos pais ou responsáveis fumantes. No tocante ao consumo de bebidas alcóolicas, os dados da pesquisa demonstraram que 55,5% já as experimentaram. Desse percentual, 9,4% dos participantes conseguiram a bebida com alguém da família (IBGE, 2016).
Diante dos dados acima, é possível observar a necessidade de investimentos em práticas educativas com foco na promoção da saúde, em prol da conscientização sobre os danos acarretados pelo consumo do álcool e do fumo, bem como pela ausência de uma alimentação saudável e pela falta de atividade física. Tudo isso pode causar diversos malefícios à saúde humana, como é o caso da efervescência das DCNT, isto é, as doenças cardiovasculares, o câncer, o diabetes e as doenças respiratórias crônicas. Desse modo, é necessária a realização de campanhas educativas de prevenção, assim como no combate das DCNT.
Além desse trabalho de conscientização dos jovens com a finalidade de aderirem hábitos mais saudáveis, há o direcionamento de investimentos voltados às academias da saúde, um programa vinculado ao Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Este compreende uma equipe multidisciplinar, que atua de forma interligada e trata da atenção básica da saúde.
Outro programa que o ministério da saúde aponta como estratégia de controle das DCNT é o Programa Mais Médicos, que aumentou o atendimento à população em Unidade Básica de Saúde (UBS). O referido atendimento foi ampliado em cerca de 35%, entre janeiro de 2013 e janeiro de 2014 (BRASIL, 2014).
Nesse sentido, os investimentos voltados à prevenção, assim como ao combate das DCNT não abrangem apenas a conscientização dos sujeitos rumo à adoção de hábitos mais saudáveis. Pelo contrário, a prevenção e o combate às DCNT requerem a efetivação de investimentos financeiros em programas que ampliem o acesso dos sujeitos aos serviços básicos de saúde. Diante dessa tendência, a prevenção e o
combate às DCNT exigem ações e atitudes não apenas da sociedade civil, mas principalmente da esfera governamental.
3 OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Analisar a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e seus fatores de risco em uma população coberta e não coberta pela Estratégia Saúde da família (ESF), no município de Vitória de Santo Antão – PE.
Objetivos Específicos:
Identificar as famílias que são cobertas e não cobertas pela ESF na comunidade Caiçara, em Vitória de Santo Antão - PE;
Descrever a análise de situação das DCNT, identificando os fatores de riscos para o seu desenvolvimento;
Relacionar a análise de situação das DCNT com a capacidade de cobertura da ESF nesta comunidade.
4 HIPÓTESE
A área coberta pela ESF apresenta prevalência de DCNT menor que na área não coberta.
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5.1. DESENHO DO ESTUDO
O presente estudo se trata de uma pesquisa transversal de base populacional.
De acordo com Sitta et al. (2010), os estudos transversais, também denominados como seccionais ou de corte transversal, viabilizam a promoção da representação de uma determinada situação do âmbito da saúde de uma população ou comunidade. Para realizar essa faceta, os estudos individuais fomentam a avaliação individual relativa ao estado de saúde dos sujeitos investigados, ou então, a descrição de dados globais referentes à saúde da comunidade ou do grupo investigado.
Na ótica de Hochman et al. (2005), os estudos transversais têm como foco traçar a descrição de uma dada situação ou fenômeno, concentrando-se, para tal, na representação da presença de uma doença ou transtorno. Essa abordagem viabiliza a promoção de uma fotografia de cunho instantâneo da comunidade ou grupo investigado, deflagrando uma amostragem relativa à presença ou ausência da doença.
Nesse sentido, esse tipo de estudo tem como marca o cunho descritivo, o que corrobora com a promoção da representação de contextos situacionais pertinente à saúde.
5.2 ÁREA DE ESTUDO
O estudo foi realizado no bairro de Caiçara, localizado no município de Vitória de Santo Antão, no estado de Pernambuco (Figura 1). Segundo o último censo do IBGE (2010), esse bairro dispõe de aproximadamente 546 domicílios, que abrigam uma população com cerca de 1621 pessoas. Na distribuição por sexo, há uma pequena diferença na frequência relativa com 49,5% e 50,5%, em se tratando do sexo feminino e masculino (respectivamente).
O bairro de Caiçara fica localizado às margens da antiga Rodovia BR 232 e é cortado pelo Rio Tapacurá. Esse bairro tem como limites os bairros de Jardim São Pedro e Maués, e possui uma parte rural em seu território.
Figura 1 – Mapa de Localização do Bairro de Caiçara, Vitória de Santo Antão (PE).
Fonte: Sistema de Coordenadas Geográficas, SIRGAS 2000, Base de Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
5.3 POPULAÇÃO DO ESTUDO E PERÍODO DE REFERÊNCIA
Através de uma amostra aleatória simples, foram selecionados 200 domicílios, nos quais continham 691 pessoas que compuseram a amostra deste estudo. Destes 200 domicílios, 100 referem-se à área coberta, o que corresponde a 359 pessoas. O demais 100 referem-se à área não coberta pela ESF, o que corresponde 332 pessoas.
Para este estudo, foram adotados os seguintes critérios:
a) Critério de inclusão: os domicílios que apresentaram ao menos uma pessoa maior que 18 anos de idade.
b) Critério de exclusão: Os domicílios que tinham moradores há menos de 3 meses na comunidade.
O dados foram coletados entre junho de 2015 a junho de 2016.
5.4 FONTE DE DADOS
Os dados foram coletados mediante aplicação de um formulário semiestruturado (Apêndice A) aplicados aos residentes dos domicílios. Esse instrumento foi construído com base na ficha do e-SUS.
5.5 DEFINIÇÃO DE VARIÁVEIS
Utilizou-se dois tipos de variáveis, a dependente e a independente (Quadro 1).
Quadro 1- Variáveis dependentes e independentes.
Variável dependente Caso referido de DCNT
Variáveis independentes Cobertura pela ESF
Fatores de Risco (uso de álcool, tabaco e prática de atividade física) Gênero (feminino e masculino)
Faixa etária Ocupação
Fonte: Autor, 2017.
5.6 ANÁLISE DOS DADOS
Os formulários foram digitados por meio do Programa Epidata (versão 3.1). Em seguida, as variáveis foram analisadas com frequências absolutas e relativas. Além disso, foram utilizados os testes para avaliar a independência entre variáveis categóricas, tais como o Qui-Quadrado, Teste G e Exato de Fisher. A utilização desses testes teve como objetivo verificar a associação entre as variáveis.
5.7 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
As possíveis limitações do estudo foram relacionadas à coleta de dados e dependem de declarações proferidas pelos sujeitos.
5.8 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, por intermédio da Plataforma Brasil (CAAE nº 43384615.0.0000.5208, Anexo A). Ele está de acordo com a Resolução n. º 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, contando com a anuência da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória de Santo Antão - PE.
As coletas das informações foram realizadas por meio de entrevista domiciliar.
Essa entrevista foi realizada com cada usuário que aceitou participar do referido estudo. Todos os entrevistados foram informados sobre o objetivo da pesquisa, bem como a respeito da garantia do sigilo e da liberdade da desistência da participação em qualquer fase do referido estudo.
Os indivíduos que concordaram em participar do estudo assinaram, bem como receberam informações, por meio da leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) - Apêndice B, em duas vias. O TCLE constam informações cuja finalidade era retomar as dúvidas que, por ventura, pudessem surgir ou não estivessem esclarecidas.
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com o reconhecimento e com o levantamento do território realizado junto à equipe da saúde da família, foi constatado que a ESF da comunidade Caiçara é Inter-profissional, sendo composta por 01 (um) Médico da Família, 01 (uma) Enfermeira, 01 (uma) Técnica de Enfermagem e 06 (seis) Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Além disso, essa unidade possui 01 (uma) equipe de saúde bucal que é composta por 01 (um) Odontologista e 01 (um) Auxiliar em Saúde Bucal.
As famílias estão divididas em 08 (oito) micro áreas, sendo 06 (seis) áreas cobertas (Micro área 1 com 92 famílias, Micro área 2 com 150 famílias, Micro área 4 com 155 com famílias, Micro área 5 com 147 famílias, Micro área 6 com 164 famílias e a Micro área 7 com 152 famílias) e 2 (duas) não cobertas (Micro área 3 com 107 famílias e a Micro área 8 com 67 famílias) pela ESF, cuja responsabilidade é pela atenção integral e contínua à saúde de cerca de 1.034 famílias cadastradas, residentes nos territórios rural e urbano da comunidade.
Após os diálogos realizados entre a equipe de saúde local, foi possível subdividir a comunidade em Caiçara 1, 2 e 3, bem como a área conhecida como Gonzaga, sendo esta última localizada no Bairro vizinho de Jardim São Pedro, Vitória de Santo Antão-PE. Apesar da região do Gonzaga pertencer a outro bairro, seu serviço de saúde está vinculado à ESF Caiçara, fator que determinou que esta região fosse incluída nesta pesquisa.
Foi constatado, ainda, o fato de algumas ruas não serem cobertas pela ESF no bairro Caiçara. São elas:
Rua Alexandre Quintas
Rua Alamanda,
Rua Adolfo Xavier
Rua Gissele Larre
Rua Maria de Lourdes Maranhão
Rua Sítio Boa Vista
Rua Sítio Vida Boa
Além dessas ruas, há outras que não são cobertas na região do Gonzaga, a saber:
Rua João Paulo II
Rua Luiz Gonzaga
Rua José de Arimatéia
Rua Alto do Gogotá
Rua Profeta Eliseu
Rua Luiz Gonzaga Filho
A partir da tabela abaixo, é possível perceber que cerca de 52% são de áreas cobertas e 48% de áreas não coberta, pelo Programa Saúde da Família (PSF). Do total de entrevistados, percebeu-se que a maioria possui menos de 30 anos (54,8%) e apenas 9,6% estão situados na faixa etária acima de 60 anos. Além disso, 82,2%
não fazem uso de bebidas alcoólicas, 91,6% não fumam e apenas 7,8% praticam atividade física. Desses sujeitos, 69,1% são alfabetizados, 52,7% são do sexo feminino e 47,3% do sexo masculino. No que concerne à ocupação, 28,5% são estudantes, destacando-se, também, “do lar” (22,7%) e aposentados (8,7%).
Tabela 1 - Distribuição percentual para as variáveis qualitativas
Tabela – Distribuição percentual para as variáveis qualitativas.
Variável n de
pessoas % Cobertura
Área não coberta 332 48,0
Área Coberta 359 52,0
Bebe
Não 315 82,2
Sim 68 17,8
Faixa Etária
< 30 anos 379 54,8
30 a 60 anos 246 35,6
> 60 anos 66 9,6
Fuma
Não 351 91,6
Sim 32 8,4
Pratica Atividade Física
Não 353 92,2
Sim 30 7,8
Sexo
Masculino 327 47,3
Feminino 364 52,7
Alfabetizado
Não 205 30,9
Sim 459 69,1
Ocupação
Estudante (41) 171 28,5
Do lar (34) 136 22,7
Aposentado (12) 52 8,7
Desempregado (32) 32 5,3
Autônomo (14) 26 4,3
Pedreiro 22 3,7
Agricultor 19 3,2
Doméstica 19 3,2
Vendedor 6 1,0
Outros 116 19,4
Fonte: Autor, 2017.
No tocante às DCNT relatadas pelos entrevistados, a área coberta apresentou uma prevalência de 34,4% de hipertensão e diabetes, enquanto que na área não coberta, a prevalência foi de 65,6%. Apesar do câncer e das doenças respiratórias crônicas estarem na lista das principais DCNT, nenhum entrevistado relatou tê-las no momento da entrevista.
Para investigar a relação existente entre a prevalência DCNT (hipertensão e diabetes) no que tange à cobertura, foram utilizados os fatores de risco beber, fumar e atividade física, bem como aspectos referentes ao gênero, à faixa etária e à ocupação.
Aplicou-se o teste Qui-quadrado de associação almejando avaliar as tabelas cruzadas relativas às DCNT mais frequentes (hipertensão e diabetes). Em relação aos fatores de riscos beber, fumar e a inatividade física, bem como aspectos referentes ao gênero, à faixa etária, e a ocupação, executou-se os cruzamentos de dados para o estudo das frequências absolutas e percentuais. Testou-se a hipótese nula de que a prevalência da doença em questão é independente da outra variável testada, contra a hipótese alternativa de que estas variáveis estão associadas.
Relação com a Cobertura
Tabela 02 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e cobertura de Estratégia Saúde da Família (ESF).
Doenças crônicas
Área
Total p-valor Não
Coberta Coberta
Ausência 67 98 165
0,000 40,60% 59,40% 100,00%
Presença 63 33 96
65,60% 34,40% 100,00%
Total 130 131 261
49,80% 50,20% 100,00%
* Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor, 2017.
Verificou-se que, do total de pessoas com as DCNT hipertensão e diabetes, 65,6% dos indivíduos são da área não coberta e 34,4% da área coberta pela ESF.
Além disso, pelo teste exato de Fischer, é possível verificar que a cobertura influenciou na prevalência das DCNT hipertensão e diabetes (p-valor<0,05).
Duncan et al. (2012) ressaltam o papel das políticas públicas em prol do combate às DCNT. Nesse ponto, os autores mencionam o aumento do acesso aos cuidados de cunho da Atenção Primária à Saúde (APS). Na ótica dos autores, desde meados dos anos de 1990, o quantitativo de APS vem, continuamente, sendo ampliado no Brasil. Atrelado a essa questão, os dados quantitativos referente às internações hospitalares contribuem de maneira significativa em prol da atuação das equipes de APS, rumo ao combate das DCNT. Diante disso, a atuação da APS - alicerçada na perspectiva do acesso, da longitudinalidade, da integralidade e da coordenação – é um elemento imprescindível no combate e na erradicação das DCNT.
Malta, Morais Neto & Silva Junior (2011) também colocam em notoriedade os reflexos da propagação da Atenção Primária à Saúde – APS rumo ao tratamento das DCNT. Para os autores, nos dias atuais, a atuação das equipes de saúde abrange
cerca de 60% da população brasileira, englobando território definido e população adstrita. A atuação dessas equipes comporta práticas de promoção, de vigilância relativa à saúde, de prevenção e de assistência, bem como práticas de acompanhamento longitudinal.
Tais ações são de extrema relevância no melhoramento das respostas no tratamento de portadores das DCNT. Atrelado a tal questão, Malta, Morais Neto &
Silva Junior (2011), colocam em foco o papel da ampliação da atenção farmacêutica, bem como do acesso gratuito a medicamentos voltados ao diabetes e à hipertensão.
O acesso a esses medicamentos é viabilizado pelas farmácias componentes das Unidades Básicas do SUS. Esse quadro tem alavancado uma redução dos números de mortes ocasionada pelas DCNT. Essa redução do número de óbitos acarretados pelas DCNT está vinculada à disseminação da Atenção Primária à Saúde – APS.
Relação com o uso de álcool
Tabela 03 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e o uso de álcool.
Doenças Crônicas Bebe
Total p-valor Não Sim
Ausência n 68 18 86
0,153
% 79,1% 20,9% 100,0%
Presença n 45 5 50
% 90,0% 10,0% 100,0%
Total n 113 23 136
% 83,1% 16,9% 100,0%
* Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor, 2017.
Relação com o tabagismo
Tabela 04 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e o tabagismo.
* Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor, 2017.
Relação com a Atividade Física
Tabela 05 – Relação entre as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a atividade física.
Doenças Crônicas
Prática Atividade
Física Total p-valor Não Sim
Ausência n 81 5 86
0,725
% 94,20% 5,80% 100,00%
Presença n 46 4 50
% 92,00% 8,00% 100,00%
Total n 127 9 136
% 93,40% 6,60% 100,00%
* Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor, 2017.
Doenças Crônicas Fuma
Total p-valor Não Sim
Ausência n 79 7 86
0,381
% 91,9% 8,1% 100,0%
Presença n 43 7 50
% 86,0% 14,0% 100,0%
Total n 122 14 136
% 89,7% 10,3% 100,0%
Verificou-se, ainda, que a presença ou ausência de DCNT (hipertensão e diabetes) independe dos fatores de risco, como é o caso do hábito do uso do álcool, do tabaco e da prática de atividade física (p-valor>0,05).
Apesar da literatura evidenciar que os fatores de risco como o uso de bebida alcoólica, do tabagismo e da inatividade física estão associados ao aparecimento das doenças crônicas, os resultados deste estudo não evidenciaram essa associação.
Este fato pode estar associado ao tamanho da amostra utilizada para a realização do cálculo estatístico.
Os postulados de Rego et al. (1990) colocam em notoriedade a noção de fator de risco e seus reflexos no desenvolvimento das DCNT. No referido estudo, um vasto contingente de postulados de cunho epidemiológico tem deflagrado a vinculação entre os fatores de risco e a efervescência de diversas doenças. Diante desse entendimento, o não contato dos sujeitos com os fatores de risco acarreta a promoção da diminuição dos índices de mortalidade, bem como da prevalência. Nessa perspectiva, os fatores de risco influem diretamente na eclosão de doenças crônicas.
Assim, é necessário a efetivação da promoção de estudos canalizados no aprofundamento da compreensão das particularidades e das especificidades dos fatores de risco, o que angaria a viabilização de condições concretas de tratamento, bem como de erradicação das DCNT.
Desse modo, há relevância na promoção de estudos acerca dos fatores de risco e sua relação com a materialização de doenças crônicas. Duncan et al. (2012), por exemplo, efetua uma bem-sucedida categorização dos fatores de riscos e de seus efeitos na eclosão de doenças crônicas, mencionando, inclusive, dados quantitativos.
Em tal estudo, são predominantes os efeitos do fumo na materialização do câncer de pulmão (71%), bem como na materialização de doenças crônicas respiratórias (42%) e de doenças de cunho cardiovascular (10%). Outros elementos de risco são enfocados no referido estudo, como é o caso da ausência de atividade física cujos efeitos ampliam a possibilidade de óbitos (entre 20% e 30%).
Dentre os fatores de risco pontuados, aparecem, ainda, a questão alimentar, mais especificamente, a má alimentação e seus reflexos na promoção de doenças crônicas. No que tange à questão alimentar, o consumo exagerado de sal aparece como elemento propulsor da eclosão de doenças cardiovasculares, como a hipertensão. Outro elemento enfocado no referido estudo, diz respeito à carne
vermelha que alavanca a possibilidade de doenças de cunho cardiovascular e diabetes. Contudo, a adoção de uma alimentação saudável, composta por frutas, legumes e verduras, contribui de maneira substancial na redução da possibilidade de eclosão de doenças de cunho cardiovascular, bem como do câncer de estômago. O estudo menciona, também, os reflexos do álcool na materialização de doenças crônicas. Sobre tal questão, o estudo em questão preconiza que, em média, 50% dos falecimentos provenientes das doenças crônicas foram alavancados pelo consumo exacerbado de álcool. Nessa situação, podem ser mencionados alguns tipos de câncer e cirrose hepática (DUNCAN et al., 2012).
Relação com o Gênero
Tabela 06 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e o gênero.
Doenças Crônicas Sexo
Total p-valor Masculino Feminino
Ausência n 83 82 165
0,002
% 50,3% 49,7% 100,0%
Presença n 29 67 96
% 30,2% 69,8% 100,0%
Total n 112 149 261
% 42,9% 57,1% 100,0%
* Teste Exato de Fisher
Fonte: Autor, 2017.
A presença ou ausência de doenças crônicas depende (está associada) ao gênero (p-valor<0,05), visto que observou-se que a maioria dos entrevistados com DCNT (hipertensão e diabetes) são do gênero feminino.
Os resultados do estudo realizado por Theme Filha et al. (2015) evidencia que a prevalência das DCNT acontece, em sua grande maioria, no sexo feminino. Dentre as doenças investigadas, a prevalência da hipertensão arterial não apresentou diferenças significativas entre o sexo masculino e feminino. Em outras palavras, essa
doença está presente em ambos os sexos. Por outro lado, a prevalência das demais doenças investigadas refletiu-se de maneira considerável no sexo feminino.
Relação com a Faixa Etária
Tabela 07 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a faixa etária.
Doenças Crônicas
Faixa Etária
Total p-valor
<30 anos 30 a 60
anos > 60 anos
Ausência
n 77 72 16 165
0,000
% 46,7% 43,6% 9,7% 100,0%
Presença
n 6 51 39 96
% 6,2% 53,1% 40,6% 100,0%
Total
n 83 123 55 261
% 31,8% 47,1% 21,1% 100,0%
* Teste Qui-Quadrado de independência
Fonte: Autor, 2017.
A presença ou a ausência de DCNT está associada à faixa etária. Nesse aspecto, observamos que a maioria dos pacientes com hipertensão e diabetes está situada na faixa etária acima de 30 anos. Após verificada da existência de associação, foram realizadas múltiplas comparações dois a dois entre as categorias de ocupação ajustados pelo critério False Discovery Rate (FDR) (BENJAMINI; HOCHBERG, 2005).
Tais comparações evidenciam que as três categorias de faixas etárias diferem entre si nas proporções de presença e ausência das doenças aqui estudadas.
Tabela 08 – Categoria de faixa etária Categoria Grupo
< 30 anos a De 30 a 60 anos b
>60 anos c
* Multiplas comparações ajustadas por FDR
Relação com a Ocupação
Tabela 09 – Relação entre doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a ocupação
Ausência de doenças crônicas
Presença de doenças crônicas
Total p-valor
Ocupação
Aposentado
n 14 31 45
% 14,6% 43,1% 26,8%
0,000
Autônomo n 6 4 10
% 6,2% 5,6% 6,0%
Desempregado n 12 3 15
% 12,5% 4,2% 8,9%
Do lar n 29 33 62
% 30,2% 45,8% 36,9%
Estudante n 35 1 36
% 36,5% 1,4% 21,4%
Total
n 96 72 168
% 100,0% 100,0% 100,0%
* Teste G para amostras independentes
Fonte: Autor, 2017.
A presença ou a ausência de DCNT depende (está associada) a algumas ocupações. Nesse aspecto, observou-se que a maioria dos pacientes com hipertensão e diabetes está situada nas ocupações aposentado e do lar, o que revela uma associação significante (p-valor<0,05). Após verificada da existência de associação, foram realizadas múltiplas comparações dois a dois entre as categorias de ocupação ajustados pelo critério FDR (BENJAMINI; HOCHBERG, 2005). Tais comparações evidenciam similaridades nas proporções de aposentados e desempregados e uma diferença da categoria estudantes com as demais ocupações.
Tabela 10 – Ocupação dos usuários Categoria Grupo Aposentado a
Autônomo ab Desempregado bc
Do lar a
Estudante c
* Multiplas comparações ajustadas por FDR
Os resultados do estudo realizado por Soares, Silva Pardo & Costa (2017) demonstram que a prevalência da hipertensão arterial está diretamente vinculada aos aspectos idade e âmbito profissional. O referido estudo evidencia que a prevalência dessa doença acontece, na maior parte dos casos, nos idosos, bem como nas pessoas expostas a condições de trabalho estressantes.
Em se tratando do âmbito profissional, Soares, Silva Pardo & Costa (2017) mostram os distintos elementos que contribuem para a prevalência da hipertensão arterial. A extensão da quantidade de horas trabalhadas, assim como o horário do trabalho noturno contribuem de maneira considerável para o aparecimento/agravamento de doenças cardiovasculares e hipertensivas. Outro elemento que pode influir na materialização de doenças cardiovasculares e hipertensivas é a questão do barulho ao qual os sujeitos estão expostas no âmbito profissional. Dessa maneira, o estresse psicossocial procedente das atividades laborais acarreta o aparecimento/agravamento de patologias cardiovasculares e hipertensivas.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A consolidação do estudo permitiu realizar uma análise mais aprofundada da utilização do serviço de saúde pelos usuários, bem como o seu alcance no atendimento à população. Em algumas das variáveis analisadas, a cobertura da ESF modificou a prevalência das DCNT na área coberta, bem como influenciou a assistência à saúde daquela comunidade. Entretanto, mais estudos são necessários com a finalidade de conhecer a capacidade real de cobertura e os fatores de risco presentes na comunidade para que, assim, seja possível as políticas municipais melhorarem os serviços de atendimento e de promoção da saúde.
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Anexo A – Parecer da Comissão de Ética em Pesquisa
Apêndice A – Formulário de pesquisa
Apêndice B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido -TCLE