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Fatores que Contribuem no Processo da Fisioterapia

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Academic year: 2022

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Fatores que Contribuem

no Processo da Fisioterapia Secção 1

1.1 A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DO BRINCAR NA FISIOTERAPIA

Elcinete Wentz de Moura

Priscilla do Amaral Campos e Silva Lina Silva Borges Santos

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Elcinete Wentz de Moura Priscilla do amaral Campos e Silva Lina Silva Borges Santos

“Você verá que emoção começa agora.

Agora é brincar de viver. Não esquecer, ninguém é o centro do universo, assim é maior o prazer...”

Guilherme Arantes

A FAMILIA PARTICIPANDO NA FISIOTERAPIA

O

processo de reabilitação ganha verdadeiro signifi cado através da presen- ça efetiva da família, pois é através dela que a criança estabelece suas primeiras e mais importantes relações, obtendo experiências que serão a base para suas relações do dia a dia e de seu futuro. A família é de fundamental importância neste processo, pois é ela que possui o conhecimento da rotina da criança, de suas necessidades, difi culdades e vontades. É a família o membro mais importante da equipe, e para tal, ela deve estar envolvida já no início do processo, sendo a ela disponibilizado tempo e espaço para, colocar ao fi siotera- peuta suas expectativas frente a reabilitação de sua criança. Agindo assim, com certeza, haverá um bom desenvolvimento da criança, tornando-a uma pessoa ativa, participativa, e com autonomia.

A interação fi sioterapeuta/família deve estar baseada sobre o tripé: respeito mutuo/confi ança/responsabilidade, para que assim ocorra a troca de informa- ções que contribuem para a defi nição dos objetivos funcionais possíveis na reali- dade motora, cognitiva, sensorial e social em que esta criança se encontra. Agindo assim as difi culdades do dia a dia dessa família e criança serão transformadas de acordo com as possibilidades e expectativas mutuas.

A importância da família e do brincar na fi sioterapia

1.1

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fisioterapia • aspectos clínicos e práticos da reabilitação

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O planejamento e os objetivos do tratamento devem ser traçados em conjunto com a família, pois as expectativas frente ao diagnóstico, prognóstico e a potencialidade de reabilitação desta criança, nem sem- pre estão condizentes com a possibilidade do trabalho da fisioterapia. Com o intuito de equalizar os objetivos, nos baseamos na Classificação Internacional de Fun- cionalidade – CIF (aprovada em 2001 na 54ª Assem- bleia Mundial de Saúde da OMS e traduzida para o português do Brasil em 2003 pelo Centro de Classifi- cações de Doenças da Faculdade de Saúde Pública da USP) que tem se mostrado uma poderosa ferramenta para a reabilitação e reintegração, no momento em que se avalia ou reavalia um paciente e leva-se em conta o conjunto de fatores composto por: funções e estruturas do corpo, atividades e participação, fatores ambientais. Ou seja, quando pensamos em reabilitar ou habilitar e reintegrar ou integrar o indivíduo em seu contexto social, pensa-se em trabalhar estruturas do corpo para que elas executem determinadas funções visando a realização e participação em atividades, em determinados ambientes e condições ambientais.

O fisioterapeuta deve fazer uso de testes espe- cíficos para definir metas funcionais que norteie seu trabalho nas dificuldades e habilidades existentes, podendo orientar os familiares frente ao trabalho que será desenvolvido e ainda se necessário, sugerir a intervenção de outros profissionais de reabilitação.

Como é o caso das expectativas e demandas que trazem as famílias que apresentam dificuldades de aceitação da deficiência, a psicologia pode promover com seu trabalho o fortalecimento desta família, para que o processo de reabilitação possa existir e transcorrer dentro de expectativas e demandas condizentes ao contexto proposto pela equipe de reabilitação. A família não deve assumir o papel do terapeuta e sim se tornar um colaborador neste processo, usando das orientações e/ou informações adquiridas através desta relação com o fisioterapeu- ta, para proporcionar a funcionalidade objetivada por este profissional, um exemplo desta é o uso dos manuseios demonstrados em terapia e vivenciados em casa, com o objetivo de transpor estes movimen- tos para as atividades diárias das crianças. Agindo assim, a família favorece que o processo se torne mais eficaz, devido a frequência de repetição destes movimentos, pois o segredo da boa estimulação é aproveitar as situações do cotidiano, para incorpo- ração dos mesmos.

Como exemplo é o uso destas orientações sendo utilizadas: na troca de roupas/fraldas, no banho, ali- mentação e transporte no colo ou carrinho.

O foco da família que possui uma criança com necessidade especial, não deve ser somente no pro- cesso de reabilitação, mas se faz necessário que esta consiga oferecer também vivências com participação reabilitação

comunicação/confiança/trabalho em conjunto família

CRIANÇA

COMPORTAMENTO MOTOR

TAREFA AMBIENTE

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A importânciA dA fAmíliA e do brincAr nA fisioterApiA

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ativa nos contextos social, educacional, religioso e de lazer aumentando a sua performance global e não somente motora.

O aprendizado necessário para a atuação frente aos contextos acima citados para uma criança com ne- cessidade especial, se fortalece em um ambiente aco- lhedor, afetivo, estimulador e com capacidade de lidar

com as ansiedades que todo o processo de reabilitação desencadeia. Cabe a equipe que atende esta criança e sua família, juntamente com o fisioterapeuta, a busca de estratégias/meios, para que este ambiente se man- tenha ou se transforme em um ambiente saudável, dando a criança a real possibilidade de demonstrar todas as suas capacidades (Figuras 1.1.1 a 1.1.5).

figuras 1.1.1 a 1.1.5. Fotos de crianças com suas famílias.

Família participando na fisioterapia.

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o brincAr nA fisioterApiA

“O brincar é a forma infantil de aprender e uma válvula de escape para a necessidade inata de atividade.

É o negócio ou a carreira profissional da criança. Nela a criança envolve-se com a mesma atitude e energia que nos engajamos em nosso trabalho. Para a criança a recreação é uma incumbência séria que não deve ser confundida com diversão ou uso ocioso do tempo. Recreação não é leviandade. É uma atividade intencional”

Alessandrini, 1949, p.9

figuras 1.1.6 a 1.1.9. Nestas fotos vemos o brincar livre.

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a importância da família e do brincar na fisioterapia

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O fisioterapeuta que é um profissional engajado em um processo de reabilitação, trabalhando em equipe, promove juntamente com esta o respeito ao espaço da criança, familiarizando-se e aprenden- do sobre o desenvolvimento percepto, cognitivo e motor da criança, utilizando assim das atividades do brincar de acordo com sua faixa etária, buscan- do despertar e/ou manter seu interesse. A criança necessita de envolvimento na atividade proposta, e este acontece através do uso de brinquedos e brin-

cadeiras, que vão promover uma resposta motora mais ativa, condição essencial dentro do trabalho fisioterapêutico.

O brincar é uma ocupação infantil significati- va e fundamental para a criança e deve ser usada de forma estimulante durante as terapias, contudo devemos estar alerta quanto a escolha do brinque- do, tamanho, forma e função do mesmo dentro da atividade proposta, para que a resposta seja eficaz (Figuras 1.1.10 a 1.1.12).

figuras 1.1.10 a 1.1.12. Crianças na fisioterapia realizando a atividade de brincar de acordo com sua idade e motivação.

Podemos usar da atividade do brincar para trabalharmos a estabilidade, onde para tal necessi- tamos que a criança fique relativamente imóvel, as- sim devemos envolvê-la o suficiente na brincadeira com objetos e tarefas que estimulam a permanên-

cia da criança na postura exigida Os terapeutas precisam oferecer uma variedade de atividades de brincar onde possa ser conseguido os objetivos relacionados ao ganho e/ou manutenção desta estabilidade (Figuras 1.1.13 a 1.1.15).

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Na intenção do deslocamento o brinquedo pode ser usado como um meio motivador para ganhar a atividade motora proposta, dando sentido a este des- locamento e despertando maior interesse da criança para adquiri-lo, agindo assim o processo terapêutico não torna-se puramente motor, pois o trabalho do fi- sioterapeuta não deve se restringir a atos motores, mas sim conter significado funcional porque, o processo de reabilitação deve ser estruturado visando a funcio- nalidade e independência da criança para que possa ser conseguido a integração junto a família, escola, e comunidade. Cabe então ressaltar uma verdade da fi- sioterapia: as atividades motoras devem ser integradas na vida diária das crianças (Figuras 1.1.16 a 1.1.20).

Ser funcional é ser prático, ou seja, realizar ativi- dades, mover-se. A prática ocorre através da repetição dos atos, por isso é importante integrar os movimen- tos realizados em terapia nas atividades do dia a dia.

As terapias devem ser prazerosas para as crian- ças, para que tenhamos respostas eficazes e produtivas dos objetivos propostos. Geralmente o fisioterapeuta se depara com o choro nas terapias; as atividades do brincar podem servir como mediadores, para que este

comportamento não se torne uma situação impeditiva de alcance de objetivos, pois com o choro a criança deixa de vivenciar as atividades e isto restringe sua capacidade de ação sobre o ambiente. Com isto o fisioterapeuta precisa ter suficientemente estratégias de ações, que possam propiciar que a criança retome a satisfação de se mover, de brincar, de agir.

As crianças com necessidades especiais gastam mais tempo em algumas atividades do brincar de- vido a algumas limitações físicas que interferem no tempo de resposta motora; no entanto, isto pode não interferir no comportamento lúdico. São pelas brincadeiras e jogos que as crianças com necessidades especiais vivenciam situações prazerosas advindas do brincar e da exploração dos objetos e meio. O desafio da descoberta de suas possibilidades de ação, da inte- ração e exploração do espaço, dos objetos e pessoas que a cercam são os elementos que contribuem para a manutenção do interesse frente ao processo de reabilitação que ela está sendo submetida “O brincar torna-se, uma oportunidade para verificar como a criança se relaciona com a sua disfunção, o que envol- ve a questão do ajustamento às suas reais condições

figuras 1.1.13 a 1.1.15. Atividades que visam estabilidade das postu- ras com uso de brinquedo para manter a motivação e interesse.

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9 figuras 1.1.16 a 1.1.20. Uso de atividades que proporcionam disso- ciação, rotações e deslocamento.

de desempenho, da sua motivação para melhorar ou superar as dificuldades” (Kato, 1986).

O fisioterapeuta deve observar atentamente a crian- ça durante a avaliação e nas terapias, valorizando o que ela já consegue realizar de acordo com suas dificuldades e estimular as novas aquisições motoras e cognitivas sempre em busca de maior funcionalidade. A criança mostrará seus interesses e o quanto necessita de auxílio para o desenvolvimento das atividades propostas.

A condução do tratamento é um processo tera- pêutico, mas o interesse da criança é intrínseco, por isso é tão importante saber despertar este interesse.

Dar funcionalidade através da brincadeira, para crianças motoramente mais comprometidas, acaba nos parecendo paradoxo, porém na Instituição nos valemos dos atendimentos conjuntos com o setor de Terapia Ocupacional, com o objetivo de facilitar pos- turas e promover o controle muscular, para propiciar

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a aquisição das atividades da vida diária e o brincar, possibilitando a seleção de estímulos motores, sen- soriais, cognitivos, e ainda o uso de adaptações, de acordo com a idade da criança, queixas familiares, dando oportunidade de execução, das mesmas em todos os ambientes que ela está inserida (Figuras 1.1.21 e 1.1.22).

Crianças com necessidades especiais já tem seus padrões de desenvolvimento descritos na literatura, porem o que torna a reabilitação um trabalho dife-

rencial é a busca e compreensão das particularidades do desenvolvimento de cada criança como um ser singular a fim de estimular suas potencialidades com motivação, mostrando o quanto é gratificante este processo de aprendizagem.

“... a brincadeira permite resgatar o elemento cultural que envolve os aspectos motor, sensorial, cognitivo, social e afetivo,

assim como, possibilita a interação mãe e filho, ao mesmo tempo em que torna a criança sujeito de sua história”.

Lorenzine MV.

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Referências

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