ARTIGO DE REVISÃO
FONOAUDIOLOGIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE: REVISÃO INTEGRATIVA
Maria Fernanda Beirão Cabreraa Elisabeth da Silva Eliassenb Aline Megumi Arakawa-Belaundec
Resumo
O objetivo deste artigo é verificar as ações de promoção da saúde realizadas pelos fonoaudiólogos em âmbito nacional, assim como as temáticas abordadas em suas ações. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, por meio da busca nas bases de dados Bireme e SciELO, contemplando o período entre 2006 e 2015. Foram utilizados os descritores
“promoção da saúde” e “fonoaudiologia”, sendo considerados artigos nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram excluídos as revisões de literatura e os estudos que não contemplavam a temática. Os resultados encontrados nos 34 artigos incluídos no estudo mostraram que, em sua maioria, foram utilizados questionários/entrevistas para alcançar os objetivos propostos, entretanto muitas pesquisas não citaram ou descreveram ações de promoção da saúde. Entre aqueles que realizaram ações de promoção da saúde, observou-se que a estratégia mais utilizada foi a abordagem em grupo. O enfoque no empoderamento ressaltou a importância do autocuidado em saúde para a população. Todavia foram observados empecilhos no planejamento das ações diante de questões administrativas e lacunas no conhecimento dos profissionais acerca da atuação fonoaudiológica. Concluiu-se que é relevante a ampliação da atuação do fonoaudiólogo com outros profissionais da saúde no desenvolvimento de ações e práticas de promoção da saúde, além do (re)conhecimento dos gestores sobre a importância do trabalho fonoaudiológico.
Palavras-chave: Promoção da saúde. Fonoaudiologia. Saúde pública. Atenção primária à saúde. Prática profissional.
a Fonoaudióloga. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. [email protected]
b Fonoaudióloga. Doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: [email protected]
c Fonoaudióloga. Docente do Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: [email protected]
Endereço para correspondência: Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Fonoaudiologia. Rua Engenheiro Agronômico Andrei Cristian Ferreira, s/n, Trindade. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. CEP: 88040-900.
E-mail: [email protected]
DOI: 10.22278/2318-2660.2018.v42.n1.a2616
Revista Baiana
de Saúde Pública SPEECH, LANGUAGE AND HEARING SCIENCES AND HEALTH PROMOTION:
INTEGRATIVE REVIEW
Abstract
The objective of this article is to verify the health promotion actions carried out nationally by speech, language and hearing therapists, as well as the themes addressed in the actions. This is an integrative review of literature, by means of the search in Bireme and Scielo databases, covering the period between 2006 and 2015. The keywords “health promotion”
and “speech, language and hearing sciences” were used, articles in Portuguese, English or Spanish languages were included and literature reviews and studies that did not include the issue were excluded. The results found in the 34 articles included in this study showed that, in most cases, questionnaires / interviews were used to reach the proposed goals, however many others have not mentioned or described the development of health promotion actions.
Among those that made health promotion actions, it was observed that the most used strategy was the group approach. The focus on empowerment highlighted the importance of self care for the population. Nevertheless, obstacles were observed in the planning of actions facing administrative matters and lacunas in professionals’ knowledge about speech, language and hearing therapist performance. It was possible to conclude that it is relevant to expanding the speech, language and hearing therapists´ role with other health professionals in the development of health promotion actions, in addition to the (re)cognition by managers of the importance of the work developed by speech, language and hearing therapists.
Keywords: Health promotion. Speech-Language pathology. Public health. Primary health care.
Professional practice.
FONOAUDIOLOGÍA Y PROMOCIÓN DE LA SALUD: REVISIÓN INTEGRADORA
Resumen
El objetivo de este artículo es verificar las acciones de promoción de la salud realizadas por fonoaudiólogos, así como los temas tratados en sus acciones. Tratase de una revisión integradora de la literatura mediante la búsqueda en las bases de datos Bireme y Scielo, en el período entre 2006 y 2015 fueron utilizados los descriptores “promoción de la salud”
y “fonoaudiología” con considerándose los artículos en portugués, inglés y español. Fueron excluidas las revisiones de literatura y los estudios que no cubren el tema. Los resultados
encontrados em los 34 artículos incluidos en ese estudio mostraron que, em su mayoría, fueron utilizados cuestionarios / entrevistas para lograr los objetivos propuestos, sin embargo, muchas investigaciones no citaron o se describieron las acciones de promoción de la salud. Entre los que hicieron acciones de promoción de la salud, observóse que la estrategia principal fue el abordaje en grupo. El enfoque en el empoderamento destacó la importancia de autocuidado para la población. Todavía, fueron observados obstáculos en la planificación de acciones ante los problemas administrativos y lagunas en el conocimiento de los profesionales sobre la actuación fonoaudiológica. Concluyóse que es importante la expansión del papel del fonoaudiólogo con otros profesionales de la salud en las actividades de desarrollo de acciones y prácticas de promoción de la salud, además del (re)conocimiento de los administradores sobre la importancia del trabajo fonoaudiológico.
Palabras clave: Promoción de la salud. Fonoaudiología. Salud pública. Atención Primaria de salud. Práctica profesional.
INTRODUÇÃO
A fonoaudiologia é uma área da saúde que se dedica ao estudo da comunicação e seus distúrbios, realizando ações de promoção e proteção da saúde, bem como a recuperação desta no que tange aos aspectos fonoaudiológicos. Com a promulgação da Constituição de 1988, o fonoaudiólogo passou a compor a esfera de profissionais que desenvolvem atividades de cunho coletivo, mudando o paradigma de atuação centrada no atendimento individual, com enfoque na reabilitação do paciente e olhar na doença como um fator causal. Desta forma, após a reforma na saúde pública ocorrida no Brasil, esse profissional passou a exercer, na atenção básica, atendimento com foco na promoção da saúde da população1.
A promoção da saúde é entendida na Carta de Ottawa como “[...] o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”2:1. Tal processo foi a base constituinte da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado depois da publicação das Leis n.
8.080/90 e n. 8.142/90. Ao longo dos anos, as práticas baseadas nas suas diretrizes norteadoras têm sido reavaliadas, a fim de que o sistema de saúde possa oferecer serviços que visem atender aos seus preceitos teóricos3.
A inserção e atuação do fonoaudiólogo no âmbito do SUS foi favorecida pelas políticas nacionais vigentes, especialmente na atenção básica. Com a necessidade de fortalecer esse nível de atenção, foram criados os Núcleos de Apoio a Saúde da Família (NASF), que orientam
Revista Baiana
de Saúde Pública os profissionais a desenvolverem práticas intersetoriais e interdisciplinares, considerando o âmbito individual e coletivo contemplado no olhar para a família e a comunidade3. Desse modo, a atuação do fonoaudiólogo deve permear a promoção da saúde no contexto social e coletivo, além de contribuir para a difusão do conhecimento da população acerca das questões da saúde em geral, podendo lançar mão de ferramentas tecnológicas, como o apoio matricial, a clínica ampliada e o projeto terapêutico singular, junto aos demais profissionais que compõem a equipe4.
Para discutir e repensar as práticas em saúde, o Ministério da Saúde definiu a Agenda de Compromisso pela Saúde por meio do Pacto pela Saúde, que agrega três eixos: o Pacto em Defesa do SUS, o Pacto em Defesa da Vida e o Pacto de Gestão. No Pacto em defesa da Vida destaca-se a necessidade da implementação da Política de Promoção da Saúde, que preconiza a promoção da qualidade de vida do indivíduo voltada à diminuição de riscos à saúde5. Os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) mostram a influência, tanto positiva quanto negativa, dos fatores relacionados às condições e vida, como econômicos, sociais e psicológicos, na situação de saúde da população. As ações de promoção da saúde, por meio da transmissão de informações para a população, seriam propícias para alterações dos DSS6. Todas as ações de promoção da saúde devem ser amplamente difundidas e direcionadas aos indivíduos com enfoque no seu convívio social e nas condições de vida da comunidade7, pois toda a estratégia que norteia essas ações constitui-se em uma base promissora para a população enfrentar os diversos problemas que a afetam2.
Diante da necessidade de promoção da saúde, a mudança de formação dos profissionais da área da saúde altera-se de um modelo focado no atendimento individual e biológico para um modelo de atendimento na esfera coletiva. Desse modo, a fonoaudiologia, outrora voltada à reabilitação, passou a aprimorar seu papel, ao acompanhar as mudanças, ampliando sua atuação de maneira reflexiva e atuante nos diferentes níveis de atenção à saúde8. Esta pesquisa tem por objetivo verificar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as ações de promoção da saúde realizadas pelos fonoaudiólogos, em âmbito nacional, bem como as temáticas abordadas em suas ações.
MATERIAL E MÉTODOS
O desenvolvimento da revisão proposta ocorreu em seis fases assim estabelecidas:
identificação do tema e elaboração da hipótese ou pergunta norteadora, busca na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão e interpretação dos resultados e apresentação da revisão integrativa9.
A pesquisa foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br) e SciELO (www.scielo.org), contemplando o período de 2006 a 2015. Foram utilizados os descritores ciências da saúde (DeCS): “promoção da saúde” e “fonoaudiologia” e o operador booleano “and”. A pesquisa dos artigos foi realizada em setembro de 2015, mantendo- -se a ordem de busca Bireme-SciELO. Assim, em caso de duplicidade de manuscritos, utilizou-se apenas aquele localizado na primeira base de dados.
O critério de seleção dos estudos incluídos nesta revisão foi ser artigo que abordasse os temas de acordo com os descritores estabelecidos como critério de elegibilidade. Quanto aos idiomas, foram contemplados os artigos em português, inglês e espanhol. Foram excluídos os artigos que não contemplaram os critérios de inclusão, além de revisões bibliográficas e trabalhos cujas palavras-chave e/ou resumo não continham os descritores citados.
A análise de dados seguiu alguns critérios. Inicialmente foi realizada a leitura dos resumos encontrados na busca. Foram analisados os artigos de ambas as bases de dados, contemplados nos critérios de elegibilidade. Na segunda etapa, os artigos eleitos foram lidos na íntegra e os dados foram organizados em um instrumento previamente elaborado, o qual contemplava os dados metodológicos, objetivos e resultados de cada artigo. Desta forma, por meio da análise descritiva das publicações selecionadas foi possível verificar, na literatura, as informações que se buscava a respeito das ações com enfoque na promoção da saúde vinculadas à fonoaudiologia.
RESULTADOS
O questionamento do estudo foi buscar, na literatura, evidência científica sobre as ações fonoaudiológicas realizadas com enfoque na promoção da saúde. Desta forma, foram analisados os estudos selecionados sobre o tema e relacionados os dados provenientes das ações neles apresentadas.
Inicialmente foram encontrados 66 artigos. Destes, 45 estavam na base de dados Bireme, sendo 4 de revisão bibliográfica, 6 não continham os descritores no resumo e/ou palavras-chave e 4 estavam duplicados, perfazendo um total de 31 artigos selecionados. Na base de dados SciELO, foram encontrados 21 artigos. Destes, 16 artigos já haviam sido citados na base de dados anterior, 1 artigo não continha os descritores no resumo e/ou palavras-chave e 1 artigo era de revisão de literatura. Dessa forma, foram incluídos 3 artigos da base SciELO para compor o presente trabalho, resultando num total de 34 artigos como mostra a Figura 1.
Todos esses artigos estão listados no Apêndice A em ordem alfabética de autor, com informação de ano de publicação, metodologia, objetivo e principais achados.
Revista Baiana
de Saúde Pública Figura 1 – Critérios de seleção dos artigos para a revisão bibliográfica
Bireme
45 artigos 14 excluídos
4 repetidos
N= 31 artigos
SciELO
21 artigos 18 excluídos
16 repetidos
N = 3 artigos 6 sem descritores
e/ou palavras-chave 4 revisão de literatura
1 sem descritores
e/ou palavras-chave 1 revisão de literatura
Fonte: Elaboração própria.
A maioria dos estudos encontrados (N=19, 55,8%)10-28 utilizou como metodologia a aplicação de questionários ou realização de entrevistas para chegar ao objetivo proposto.
Desses estudos, 6 (31,5%) realizaram ações de promoção da saúde10-15 e 13 (68,4%) fizeram levantamento de dados16-28.
Dentre os seis artigos que realizaram as ações de promoção da saúde, cinco (41,6%), utilizaram como estratégia para o desenvolvimento das ações a metodologia de grupos educativos. Os grupos tiveram como objetivo verificar e transmitir o conhecimento acerca de temas relacionados à fonoaudiologia e promoção da saúde. O público alvo foi constituído de professores, educadores10-12 e Agentes Comunitários de Saúde (ACS)13-14. No outro artigo, o enfoque estava relacionado a cuidados vocais durante o Dia Mundial da Voz, e os dados foram coletados por meio da aplicação de questionários, triagens e orientações15.
DISCUSSÃO
As estratégias em grupos educativos e/ou terapêuticos foram citadas em 20 (64,5%)8-9,11-14,16-19,23,27,29-36 artigos. Frente à necessidade de compartilhar informações, as ações em grupos educativos e/ou terapêuticos tornam-se uma estratégia efetiva de intervenção com enfoque na promoção da saúde. Os grupos podem ser realizados por meio de workshops, reuniões com profissionais de interesse, como professores e ACS, além de palestras16.
Contrário à utilização da palestra como estratégia para promover saúde, estudo17 advertiu que essas, por si só, não permitem que o sujeito tenha uma participação efetiva na
discussão, mantendo-o limitado à troca de informações. Por esse motivo, as abordagens dialógicas em grupo devem ser priorizadas, pois contribuem mais efetivamente para a qualidade de vida da população. As estratégias desenvolvidas com o enfoque citado fornecem ao sujeito maior proximidade com o profissional de saúde, em prol de uma relação horizontalizada11-12,14,29.
Visando ainda a abordagem dialógica, alguns artigos13,30-33 sugerem que as estratégias utilizadas devem difundir a problematização de situações. Independentemente do tema, elas permitiram que os participantes explicitassem dúvidas e trouxessem aos coordenadores dos grupos situações vividas na comunidade. Dessa forma, a problematização é gerada com base no convívio real dos sujeitos, para que possam empoderar-se e promover o autocuidado em saúde11-12,14,29.
Ao focar no empoderamento dos sujeitos, intenta-se que esses possam manter a autonomia diante do cuidado de sua saúde e da comunidade por meio das informações socializadas. As estratégias devem mostrar significado àquele que compartilha, recebe e troca o conhecimento, demonstrando a sua real necessidade de saber no cotidiano33.
Visando a proposta de ações voltadas ao empoderamento, foi formado um grupo com prática dialógica em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). As ações proporcionaram o fortalecimento de laços entre os idosos e a sensação de pertencimento ao grupo (instituição), trazendo um olhar voltado à saúde, mantendo os participantes ativos e motivados durante o intercâmbio das informações32.
Do total de artigos analisados neste trabalho 18 (52,9%) tiveram como objetivo o levantamento de dados, não realizando especificadamente uma ação de promoção da saúde8-9,16-25, 27-28,34,36-38. Estes buscaram discutir e refletir sobre a necessidade do aumento de ações da fonoaudiologia em diversas áreas de atuação, tais como: a voz, a saúde coletiva, a linguagem e a formação profissional16,18-19,37.
ATIVIDADES PROMOTORAS DE SAÚDE RELACIONADAS À VOZ
Parte dos artigos encontrados, no tocante à saúde vocal, referiu-se ao conhecimento insuficiente dos profissionais, como professores37,cantores20, preparadores físicos de futebol21 e acadêmicos22, acerca da fonoaudiologia, bem como de sua atuação. Enfatizou-se a necessidade de ampliação das ações e dos programas de promoção da saúde vocal. Entretanto, a despeito do conhecimento sobre a temática, os profissionais reconheceram a importância da saúde vocal, apesar de não possuírem hábitos de cuidados com a voz, seja por falta de incentivo e motivação, seja pela falta de informações, denotando uma lacuna de conhecimento e da atuação do fonoaudiólogo.
Revista Baiana
de Saúde Pública Observou-se, ainda, a utilização de desenhos para o processo de avaliação terapêutica e percepção vocal. Os desenhos feitos por adultos, em um grupo, permitiram analisar a percepção e a importância da utilização vocal para os sujeitos. Essa estratégia mostrou- -se positiva e complementar para o planejamento de ações educativas. Com base nos desenhos, pôde-se planejar ações de promoção da saúde vocal adequadas à população. A realização dos desenhos fez com que os sujeitos refletissem acerca da sua percepção vocal e dos fatores que poderiam interferir na voz29,36.
ATIVIDADES PROMOTORAS DE SAÚDE RELACIONADAS À SAÚDE COLETIVA Quanto à área da saúde coletiva, um dos temas fortemente discutidos nos artigos referiu-se à importância dos sistemas de informações digitais presentes no Sistema Único de Saúde (SUS), cuja relevância foi pontuada para direcionar ações que envolvessem a promoção da saúde19,23,34,38.
Estudo34 salientou a importância do Sistema de Informação Básica (SIAB) para a fonoaudiologia e as falhas quanto à sua utilização. O SIAB é um programa de computador (software) que mantém informações do território, referentes às famílias, condições de moradia, saneamento, situação de saúde, dentre outras. Seu objetivo é acompanhar os resultados de atividades realizadas pelas Equipes de Saúde da Família (ESF) e pelos NASF. Assim, apresenta informações que enriquecem não só o trabalho do fonoaudiólogo como também de toda a equipe da atenção básica. Cabe salientar o fato de que tanto as informações digitalizadas como os prontuários, relatórios e o próprio SIAB possuem divergências quanto à realidade e às informações no sistema digital. Isso se deve principalmente à falta de preenchimento de dados, em especial dos enfermeiros, e pelo desconhecimento dos profissionais sobre a relevância desses dados para utilizações futuras38.
As incongruências nos sistemas digitais dificultam a percepção real do território, interferindo no planejamento das ações34, aspecto pontuado em estudo19 que frisou a importância do uso das tecnologias no planejamento das ações de promoção da saúde em fonoaudiologia.
Tal conhecimento tem reflexos no diagnóstico situacional e também no planejamento de ações, auxiliando na resolução de casos na atenção básica23.
As ações de fonoaudiologia realizadas no âmbito do NASF foram discutidas amplamente nos artigos9,17,23-24,33-34. Estudo23 utilizou o modelo lógico para avaliar as estruturas no NASF e verificou uma realidade de atendimento e atuação diferente do idealizado, além de falta de estrutura no SUS. Corrobora essa pesquisa, estudo9 que identificou superlotação dos serviços de saúde pública e o nível de insatisfação gerado tanto para os usuários quanto
para os profissionais. Outros estudos também discutiram a fragilidade do sistema de saúde e a influência desse aspecto no atendimento e na funcionalidade da saúde pública25,35. Há carência de profissionais e, em contrapartida, elevada demanda de atendimento terapêutico25.
A insatisfação dos fonoaudiólogos pertencentes ao NASF diante da estrutura ineficiente e crescente demanda para o atendimento, além da escassez de tempo para conversas e orientações com a equipe de saúde, em especial os ACS, foi observada em estudo que destacou a importância da aproximação do fonoaudiólogo com esses agentes, pois se trata do profissional que proporciona melhor conhecimento sobre a comunidade, ao intermediar as necessidades da população local14,24. Desse modo, o trabalho fonoaudiológico desempenhado junto à equipe de saúde da família é de suma importância e se dá por meio da participação em ações relacionadas ao matriciamento, prática relevante para o suporte técnico-pedagógico na gestão do trabalho em saúde17,23.
Outro ponto muito abordado nos artigos foi a escassez de conhecimento sobre a atuação fonoaudiológica por parte dos profissionais da saúde, como, por exemplo, os gestores dos diversos setores de atenção17,24,35,38. O gestor, como ator social, foi objeto de discussão em estudo35 que, após analisar as políticas e os projetos da fonoaudiologia na saúde pública e realizar uma análise situacional de um estágio com acadêmicos em saúde coletiva no SUS, verificou que a maior parte das dificuldades encontradas relacionava-se à falta de conhecimento dos gestores e dos profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), acarretando insuficientes, quiçá equivocados, encaminhamentos para atendimento fonoaudiológico. A carência desse conhecimento gera, por consequência, a baixa inserção e atuação do fonoaudiólogo em alguns NASF. Para que as equipes sejam compostas, os gestores selecionam os profissionais de acordo com as necessidades da população e, nesse contexto, observam-se lacunas relacionadas à falta de fonoaudiólogos compondo o quadro de profissionais na atenção básica24.
O déficit do conhecimento das equipes das Estratégias de Saúde da Família (ESF) sobre as ações da fonoaudiologia também foi apontado em estudo38 especificamente relacionado à temática da saúde auditiva. Tal aspecto incidia no baixo índice de acompanhamentos da Triagem Auditiva Neonatal (TANU), devido ao não preenchimento de dados e ao desconhecimento da necessidade de retestagem.
A fragilidade da atuação do fonoaudiólogo na atenção básica é salientada em estudo34, ao identificar que alguns desses profissionais trabalhavam de forma individual, havendo um conflito com os demais profissionais e com a ideologia do NASF. Além disso, observou-se a presença da relação hierárquica mantida por alguns profissionais, fragilizando o trabalho em equipe. Dessa forma, a atuação fonoaudiológica torna-se limitada ao atendimento individual,
Revista Baiana
de Saúde Pública não envolvendo a esfera coletiva na realização da promoção da saúde. Assim, evidencia-se a necessidade da inserção do fonoaudiólogo na atenção básica9, para proporcionar informações à população e aos profissionais da saúde sobre a abrangência de sua atuação38,26-27. Tal aspecto auxiliaria em uma resolubilidade maior de casos, demonstrando a importância da atuação desse profissional nesse contexto de atenção24.
Ainda no contexto de ações voltadas à comunidade, foram encontrados estudos que voltaram sua atenção ao ambiente educacional, local em que as ações de promoção podem ser amplamente difundidas. Dentre os artigos pesquisados, 17,6% citaram a importância da transmissão de informações dentro do ambiente escolar, para os profissionais da área da educação10-11,27. Nesses, foram utilizados questionários, com o intuito de verificar o conhecimento de professores e gestores educacionais no que tange à atuação da fonoaudiologia16,18. Tal necessidade também foi pontuada frente à necessidade da atuação do fonoaudiólogo no acompanhamento de escolas regulares e de educação especial16.
ATIVIDADES PROMOTORAS DE SAÚDE RELACIONADAS À LINGUAGEM A promoção da saúde relacionada à área da linguagem foi abordada em estudo11 que evidenciou a dificuldade dos profissionais em reconhecer as alterações na área de linguagem, além de não terem conhecimento sobre o Processamento Auditivo Central (PAC) e sua relação com a aquisição da linguagem. Soma-se a essa dificuldade, a visão equivocada de que o fonoaudiólogo realiza apenas ações individualizadas e terapêuticas.
Em contrapartida, estudo10 verificou melhor conhecimento dos profissionais da escola quanto ao desenvolvimento da linguagem e sobre a atuação fonoaudiológica. Esses dados foram obtidos mediante entrevista realizada com as crianças, para avaliar a assertividade das indicações de acompanhamento fonoaudiológico por seus educadores. Todas as crianças encaminhadas pelos profissionais para a fonoaudiologia apresentaram dificuldades de fala ou leitura e escrita isoladas, aspectos que embasaram a ação de promoção da saúde proposta pelos autores, que trabalhava o desenvolvimento de atividades em grupo que desenvolvessem a consciência fonológica.
Outros dois artigos abordaram a necessidade da utilização de indicadores de risco para as alterações na linguagem39-40. Nesses, foram elaborados protocolos para avaliar a linguagem escrita e oral em crianças. A proposta baseou-se na utilização de protocolos pelos profissionais da área da saúde, incluindo os ACS, para prevenir possíveis alterações e realizar os encaminhamentos assim que fossem verificadas dificuldades.
OLHAR VOLTADO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Autores enfatizaram a relevância da ampliação do ensino relacionado à saúde coletiva na formação do fonoaudiólogo, voltando a atenção ao processo de ensino-aprendizagem dos estudantes de fonoaudiologia e sua percepção dos conceitos de “prevenção” e “promoção”
da saúde28.
Os acadêmicos apresentaram poucas práticas no âmbito da saúde coletiva, com maior ênfase na teoria. Isto se relaciona à escassez de profissionais fonoaudiólogos na área da saúde pública e no modelo pedagógico pautado na dicotomia entre professores e alunos.
Dessa forma, deve-se inserir o futuro profissional desde o início da graduação nas aulas práticas dentro do contexto da saúde coletiva concomitante ao aprofundamento teórico. Essa inserção promoveria o desenvolvimento do raciocínio para atuação da fonoaudiologia no âmbito coletivo, ampliando o número de profissionais capacitados para a atuação com o coletivo em consonância com as políticas públicas vigentes8.
CONCLUSÕES
A atuação do fonoaudiólogo transita entre a concepção de atuação clínica e a atuação em âmbito coletivo no que se refere à promoção da saúde. Tal cenário pode estar relacionado ao déficit de profissionais na área da saúde, que (re)conhecem as possibilidades de atuação do fonoaudiólogo, refletindo uma lacuna relevante na difusão do conhecimento quanto à atuação profissional.
Sugere-se a divulgação das práticas realizadas após os levantamentos de dados, bem como das atuações voltadas ao público infanto-juvenil e idoso (com os descritores promoção de saúde e fonoaudiologia), ao retratar a necessidade da atuação fonoaudiológica para a promoção da saúde. Além disso, evidencia-se a necessidade de ampliação do quadro de profissionais nas equipes de atenção básica para a realização das ações tocantes à promoção da saúde. A superação do modelo técnico assistencialista para um modelo coletivo de atuação ainda é um desafio. A falta de conhecimento de gestores e profissionais da saúde acarreta a ineficiente atuação do fonoaudiólogo no âmbito primário do SUS e limita sua prática profissional.
Os autores que realizaram ações de promoção da saúde remeteram-se a estratégias em grupos educativos ou terapêuticos, demonstrando os aspectos positivos desses métodos.
A abordagem focada no empoderamento da população voltada às áreas da fonoaudiologia e da saúde em geral mostrou-se relevante no que se refere ao autocuidado em saúde.
Dessa forma, o profissional deve ser preparado desde o início da sua formação para atuar em saúde coletiva, promovendo o autocuidado em saúde, de forma horizontal,
Revista Baiana
de Saúde Pública com a realização de ações que superem os modelos biomédico e patológico junto às equipes multidisciplinares, articulado ao diálogo com os gestores.
Concluiu-se que é relevante a ampliação da atuação do fonoaudiólogo com outros profissionais da saúde no desenvolvimento de ações e práticas de promoção da saúde, além do (re)conhecimento dos gestores sobre a importância do trabalho fonoaudiológico.
COLABORADORES
1. Concepção do projeto, análise e interpretação dos dados: Maria Fernanda Beirão Cabrera e Aline Megumi Arakawa-Belaunde.
2. Redação do artigo e revisão crítica relevante do conteúdo intelectual: Maria Fernanda Beirão Cabrera, Elisabeth da Silva Eliassen e Aline Megumi Arakawa-Belaunde.
3. Revisão e/ou aprovação final da versão a ser publicada: Elisabeth da Silva Eliassen e Aline Megumi Arakawa-Belaunde.
4. Ser responsável por todos os aspectos do trabalho na garantia da exatidão e integridade de qualquer parte da obra: Maria Fernanda Beirão Cabrera, Elisabeth da Silva Eliassen e Aline Megumi Arakawa-Belaunde.
REFERÊNCIAS
1. Lima TFP, Acioli RML. A inserção da fonoaudiologia na Atenção Primária do Sistema Único de Saúde. In: Silva VL, Lima MLLT, Lima TFP, Advíncula KP.
A prática fonoaudiológica na atenção primária à saúde. São José dos Campos (SP): Pulso Editorial; 2013. p. 25-42.
2. Buss PM. Promoção e educação em saúde no âmbito da escola de governo em saúde da Escola Nacional de Saúde Pública. Cad Saúde Pública.
1999;15(Sup. 2):177-85.
3. Santos JN, Maciel FJ, Martins VO, Rodrigues ALV, Gonzaga AF, Silva LF.
Inserção dos fonoaudiólogos no SUS/MG e sua distribuição no território do estado de Minas Gerais. Rev CEFAC. 2012;14(2):196-205.
4. Soleman C, Martins CL. O trabalho do fonoaudiólogo no núcleo de apoio à saúde da família (NASF) especificidades do trabalho em equipe na atenção básica. Rev CEFAC. 2015;17(4)1241-53.
5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília; 2006.
6. Buss PM, Pellegrini Filho A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis.
2007;17(1):77-93.
7. Casanova IA, Moraes AAA, Ruiz-Moreno L. O ensino da promoção da saúde na graduação de fonoaudiologia na cidade de São Paulo. Rev Pro-Posições.
2010;21(3)(63):219-34.
8. Silva MEML, Brasil CCP, Regis ACF. Desafio do Núcleo de Atenção Médica Integrada diante da necessidade de inserção de fonoaudiólogo na rede municipal de saúde de Fortaleza. Rev Saúde Soc. 2010;19(4):838-51.
9. Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008;17(4):758-64.
10. Goulart BNG, Chiari BM. Comunicação humana e saúde da criança:
reflexão sobre promoção da saúde na infância e prevenção de distúrbios fonoaudiológicos. Rev CEFAC. 2012;14(4):691-6.
11. Mendonça JE, Lemos SMA. Promoção da saúde e ações fonoaudiológicas em educação infantil. Rev CEFAC. 2011;13(6):1017-30.
12. Ferreira LP, Alves IAV, Esteves AAO, Biserra MP. Voz do professor:
fatores predisponentes para o bem-estar vocal. Rev Distúrb Comum.
2012;24(3):379-87.
13. Arakawa AM, Sitta EI, Maia Junior AF, Carleto NG, Santo CE, Bastos RS, et al. Avaliação de um programa de capacitação em fonoaudiologia para agentes comunitários de saúde na amazônia brasileira. Rev Dist Comum.
2013;25(2):203-10.
14. Brites LS, Souza APR, Lessa AH. Fonoaudiólogo e agente comunitário de saúde: uma experiência educativa. Rev Soc Bras Fonoaudiol.
2008;13(3):258-66.
15. Guimarães VC, Viana MADESR, Barbosa MA, Paiva MLF, Tavares JAG, Camargo LA. Cuidados vocais: questão de prevenção e saúde. Rev Ciênc Saúde Coletiva. 2010;15(6):2799-803.
16. Ramos AS, Alves LM. A fonoaudiologia na relação entre escolas regulares de ensino fundamental e escolas de educação especial no processo de inclusão.
Rev bras educ espec. 2008;14(2):235-50.
17. Costa LS, Alcântara LM, Alves RS, Lopes AMC, Silva AO, Sá LD. A prática do fonoaudiólogo nos núcleos de apoio à saúde da família em municípios paraibanos. CoDAS. 2013;25(4):381-7.
18. Oliveira JP, Natal RMP. A linguagem escrita na perspectiva de educadores:
subsídios para propostas de assessoria fonoaudiológica escolar. Rev CEFAC.
2012;14(6):1036-46.
Revista Baiana de Saúde Pública
19. Antunes DK. Perfil fonoaudiológico da comunidade do Dendê: perspectiva para ações futuras. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(2):264-9.
20. Zambão VR, Penteado RZ, Calçada MLM. Condições de trabalho e uso profissional da voz de cantores de bandas de baile. Rev CEFAC.
2014;16(6):1909-18.
21. Penteado RZ, Silva NB. Voz e condições de trabalho de técnicos e preparadores físicos de futebol. Rev Dist Comun. 2014;26(4):790-9.
22. Andrade BMR, Nascimento LS, Passos CRS, Nascimento UN, Souza GGA, Santos TC, et al. Caracterização vocal dos discentes do departamento de comunicação social da Universidade Federal de Sergipe. Rev Dist Comun.
2014;26(4):752-68.
23. Andrade FA, Lima MM, Monteiro NP, Silva VL. Avaliação das ações da fonoaudiologia no NASF da cidade do Recife. Audiol Commun Res.
2014;19(1):52-60.
24. Molini-Avejonas DR, Aboboreira MS, Couto MIV, Samelli AG. Insertion and performance of speech-language pathology and audiology in family health support centers. CoDAS. 2014;26(2):148-54.
25. Frota MA, Amaral LCG, Nobre CS, Barbosa PME. Promoção da saúde de famílias de crianças surdas. Rev Bras Promoç Saúde. 2012;25(2 Supl):70-5.
26. Goulart BNG, Henckel C, Klering CE, Martini M. Fonoaudiologia e promoção da saúde: relato de experiência baseado em visitas domiciliares. Rev CEFAC.
2010;12(5):842-9.
27. Botasso KC, Cavalheiro MTP, Lima MCMP. Avaliação de um programa de acompanhamento e lactentes sob a óptica da família. Rev CEFAC.
2013;15(2):374-81.
28. Santos LG, Lemos SMA. Construção do conceito de promoção da saúde:
comparação entre ingressantes e concluintes de fonoaudiologia. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(3):245-51.
29. Penteado RZ, Stenico E, Ferrador FA, Anselmo NC, Silva PC, Pereira PFA, et al.
Vivência de voz com profissionais de um hospital: relato de experiência. Rev CEFAC. 2009;11(3):449-56.
30. Mandrá PP, Silveira FDF. Satisfação de usuários com um programa de roda de conversa em sala de espera. Audiol Commun Res. 2013;18(3):186-93.
31. Valente P, Ninno CQMSD, Avellar RD, Carvente VM. Atuação fonoaudiológica em creche de Belo Horizonte: relato de experiência. Rev CEFAC.
2006;8(2):240-3.
32. Souza IAL, Massi G, Berberian AP, Guarinello AC, Carnevale L. O impacto de atividades linguístico-discursivas na promoção da saúde de idosos de uma instituição de longa permanência. Audiol Commun Res. 2015;20(2):175-81.
33. Reis FV, Brito JR, Santos JN, Oliveira MG. Educação em saúde na sala de espera: relato de experiência. Rev Med Minas Gerais. 2014;24(1):S32-S6.
34. Cáceres JV, Pacheco AB, Fedosse E, Mello JG. A potencialidade do Sistema de Informação de atenção básica para ações em fonoaudiologia. Rev CEFAC.
2014;16(5):1723-9.
35. Lemos M. A integração ensino-serviço no contexto da formação do
fonoaudiólogo: um relato de experiência da prática de ensino-aprendizagem no estágio de saúde coletiva. Rev baiana saúde pública. 2012;36(4):1068-76.
36. Pereira PFA, Penteado RZ. Desenhos e depoimentos: recursos para investigação da percepção e do conhecimento vocal. Rev CEFAC.
2007;9(3):375-82.
37. Rossi-Barbosa LA, Gama ACC, Caldeira AP. Associação entre prontidão para mudanças de comportamento e queixa de disfonia em professores. CoDAS.
2015;27(2):170-7.
38. Maia RM, Silva MAM, Tavares PMB. Saúde auditiva dos recém-nascidos:
atuação da fonoaudiologia na estratégia saúde da família. Rev CEFAC.
2012;14(2):206-14.
39. Reis BP, Freire RMAC. Indicadores preliminares para a constituição do sujeito leitor/escritor. Rev Saúde Soc. 2014;23(2):592-603.
40. Verly FRE, Freire RMAC. Indicadores clínicos de risco para a constituição do sujeito falante. Rev CEFAC. 2015;17(3):766-74.
Recebido: 24.4.2017. Aprovado: 10.7.2018. Publicado: 12.10.2018.
Revista Baiana de Saúde Pública
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (continua) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Andrade BMR, Nascimento LS, Passos CRS, Nascimento UN, Souza GGA, Santos TC, et al., 201422
Instrumento de coleta: modelo lógico e entrevista Casuística: fonoaudiólogas do NASF (N=10) Local: Recife (PE) Verificar as ações da Fonoaudiologia nos NASF no Recife
Faltam investimentos na estrutura para melhorar as atividades fonoaudiológicas Andrade FA, Lima MM, Monteiro NP, Silva VL, 201423Instrumento de coleta: questionário - Qualidade de Vida em Voz, Consensus Auditory Perceptual Evaluation Voice Casuística: estudantes (N=46) Local: São Cristóvão (SE)
Verificar a qualidade da saúde vocal de estudantes do Departamento de Comunicação Social em uma Universidade Federal
Há necessidade de intervenção fonoaudiológica, assim como inclusão de disciplinas que ministrem aspectos de saúde vocal para os discentes Antunes DK, 201019Instrumento de coleta: prontuários com informações acerca dos aspectos socioeconômicos e fonoaudiológicos Casuística: famílias assistidas pela fonoaudiologia (N=1.074) Local: Fortaleza (CE)
Descrever o perfil fonoaudiológico em uma comunidade
A caracterização do perfil de um território é necessária para o planejamento de ações fonoaudiológicas e melhores resultados na prevenção de saúde Arakawa AM, Sitta EI, Maia Junior AF, Carleto NG, Santo CE, Bastos RS, et al., 201313
Instrumento de coleta: questionário socioeconômico e outro pré e pós-capacitação Casuística: Agentes Comunitários de Saúde (N=29) Local: Monte Negro (RO) Ponderar um programa de capacitação para ACS em um município quanto ao processo da senescência
O programa é necessário para aumentar o conhecimento dos ACS que irão atuar na comunidade, promovendo qualidade de vida Botasso KC, Cavalheiro MTP, Lima MCMP, 201327Instrumento de coleta: debates em um grupo focal Casuística: participantes de um programa de acompanhamento de desenvolvimento infantil (N=8) Local: Mogi Mirim (SP)
Avaliar, sob a ótica da família, um programa de acompanhamento de desenvolvimento infantil na área da fonoaudiologia
Há conhecimento da família na atuação do fonoaudiólogo na prevenção e promoção de saúde. Reforça, porém, a necessidade do trabalho interdisciplinar entre as equipes de saúde Brites LS, Souza APR, Lessa AH, 200814Instrumento de coleta: entrevista semiestruturada e grupo focal Casuística: Agentes Comunitários de Saúde (N=5) Local: Santa Maria (RS)
Verificar a efetividade de um processo de formação de ACSA abordagem mostrou-se eficiente, promovendo o conhecimento e permitindo o empoderamento dos ACS
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (continuação) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Cáceres JV, Pacheco AB, Fedosse E, Mello JG, 201434Instrumento de coleta: fichas e relatórios do SIAB de uma ESF, e de uma Secretária Municipal de Saúde Casuística: documentos com informações para o planejamento de ações fonoaudiológicas na atenção básica/primária (N=--) Local: --(RS) Analisar os dados do SIAB e pontuar sua relevância no planejamento de ações fonoaudiológicas
Os dados do SIAB apresentam incoerências com a realidade local devido a interferências externas, prejudicando o fonoaudiólogo a levantar dados, para que possam ser planejadas ações de promoção da saúde Casanova IA, Moraes AAA, Ruiz-Moreno L, 20107Instrumento de coleta: entrevistas com as coordenadoras de curso e dos planos de ensino Casuística: participantes de um programa de acompanhamento de desenvolvimento infantil (N=6) Local: São Paulo (SP)
Caracterizar, em cursos de fonoaudiologia, como é o ensino da promoção da saúde
Os coordenadores reconhecem a importância da promoção da saúde, sendo abordada por práticas tradicionais e na atuação em diversos cenários, além da falta de profissionais na área Costa LS, Alcântara LM, Alves RS, Lopes AMC, Silva AO, Sá LD, 201317
Instrumento de coleta: entrevistas semidirigidas Casuística: fonoaudiólogos do NASF (N=12) Local: municípios paraibanos Analisar a prática nos NASF acerca do conceito de campo e núcleo pelo discurso do fonoaudiólogo
Prevalece a atuação individual e curativa, mas também são realizados palestras e grupos. Abordaram a dificuldade de interação entre os profissionais da ESF, além de incompreensão dos gestores acerca do trabalho fonoaudiológico, ações intersetoriais e empoderamento Ferreira LP, Alves IAV, Esteves AAO, Biserra MP, 201212Instrumento de coleta: grupo educativo Casuística: professores da rede pública de ensino (N=242) Local: Jataí (GO)
Verificar quais os fatores necessários para o bem-estar vocal e suas práticas entre os professores e seu tempo de docência
Os professores conhecem os fatores prejudiciais na saúde vocal, porém os realizam. Fica evidente a necessidade de atuação fonoaudiológica junto ao professor Frota MA, Amaral LCG, Nobre CS, Barbosa PME, 201225Instrumento de coleta: entrevistas Casuística: mães de crianças com deficiência auditiva (N=6) Local: Fortaleza (CE)
Analisar o conhecimento e o impacto da perda auditiva na família com crianças surdas Necessária a realização de ações de promoção da saúde com base na opinião dos sujeitos e cuidadores, que enfatizem sua participação e expressão
Revista Baiana de Saúde Pública
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (continuação) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Goulart BNG, Chiari BM, 201210Instrumento de coleta: entrevista Casuística: crianças de uma escola pública (N=53) Local: Porto Alegre (RS) Pontuar as possibilidades de atuação da fonoaudiologia na promoção da saúde, assim como parâmetros na identificação precoce de alterações fonoaudiológicas na infância
Foram confirmadas as alterações em todas as crianças encaminhadas para o fonoaudiólogo pelo educador. Pontuou-se a necessidade da troca de experiências entre os profissionais, para proporcionar o desenvolvimento adequado infantil Goulart BNG, Henckel C, Klering CE, Martini M, 201026Instrumento de coleta: questionário aplicado em visitas domiciliares Casuística: moradores de alguns domicílios (N=30) Local: Novo Hamburgo (RS)
Descrever a experiência de atuação fonoaudiológica na promoção da saúde com base em visita domiciliar
O maior número de relatos envolveu alterações de linguagem e hábitos de chupeta e/ou mamadeira. Verificou-se a falta de informações acerca do desenvolvimento sensório-motor-oral Guimarães VC, Viana MADESR, Barbosa MA, Paiva MLF, Tavares JAG, Camargo LA, 201015
Instrumento de coleta: questionário para triagem e avaliação otorrinolaringológica Casuística: adolescentes e adultos (N=125) Local: Goiânia (GO) Descrever os resultados obtidos durante a 9ª semana Nacional da Voz
Importância da atuação fonoaudiológica com o médico, assim como atuação em campanhas para a prevenção de distúrbios vocais e câncer de laringe Lemos M, 201235Instrumento de coleta: políticas, projetos e programas da fonoaudiologia na saúde coletiva e análise situacional da UBS Casuística: acadêmicos de fonoaudiologia (N=--) Local: -- (SE)
Relatar a experiência de um estágio em Saúde ColetivaO estágio com vistas às práticas melhorou o ensino, contribuindo para a realização de ações coletivas na prevenção, promoção e reabilitação da saúde Maia RM, Silva MAM, Tavares PMB, 201238Instrumento de coleta: prontuários de um Serviço de Atenção à Saúde Auditiva Casuística: recém-nascidos (N=88) Local: Sobral (CE) Analisar o acompanhamento de recém-nascidos, após a inserção da fonoaudiologia na ESF, quanto à saúde auditiva
No teste da orelhinha, aumentou o número de crianças encaminhadas e os retestes. Verificaram-se divergências entre os dados do SASA e os prontuários do Centro de Saúde da Família. É importante a inserção da fonoaudiologia na atenção primária para a promoção da saúde auditiva Mandrá PP, Silveira FDP, 201330Instrumento de coleta: roda de conversa Casuística: participantes de um programa educativo em saúde (N=34) Local: Ribeirão Preto (SP)
Verificar a satisfação de participantes de um programa de educação em saúde As rodas de conversa mostraram-se satisfatórias para os participantes, foram eficazes para impulsionar a participação dos sujeitos e promoveu uma reflexão quanto a sua saúde
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (continuação) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Mendonça JE, Lemos SMA, 201111Instrumento de coleta: entrevista, aplicação de questionário e oficinas Casuística: educadores de uma unidade pública de educação infantil (N=12) Local: Belo Horizonte (MG) Verificar o conhecimento de educadores sobre atuação fonoaudiológica no ambiente escolar
Foram realizadas oficinas com os temas de Processamento Auditivo e saúde vocal diante do desconhecimento dos professores acerca dos assuntos. Levantou-se a importância da atuação do fonoaudiólogo na prevenção e promoção da saúde Molini-Avejonas DR, Aboboreira MS, Couto MIV, Samelli AG, 201424
Instrumento de coleta: questionário Casuística: fonoaudiólogos do NASF (N=40) Local: nacional Verificar a satisfação de fonoaudiólogos atuantes dos NASF e comparar o modelo proposto e atuante pelo Ministério da Saúde
Grande parte dos profissionais considerou a atuação no NASF abaixo do esperado, além de demonstrarem insatisfação com a infraestrutura e a concepção da sua atuação na atenção básica. Mesmo com as dificuldades, atuam na promoção da saúde, no matriciamento e no suporte aos ACS Oliveira JP, Natal RMP, 201218Instrumento de coleta: questionário Casuística: professores do ensino fundamental (N=19) Local: -- (PR)
Descrever uma proposta de planejamento de ações na fonoaudiologia educacional
Há pouco conhecimento dos professores sobre o processo da alfabetização e desenvolvimento da linguagem escrita. Dessa forma, frisa-se a importância da atuação fonoaudiológica em conjunto com educadores Penteado RZ, Silva NB, 201421Instrumento de coleta: observação in loco e entrevista Casuística: preparadores físicos e técnicos de futebol (N=26) Local: -- (SP)
Verificar saúde vocal e condições de trabalho de preparadores físicos e técnicos de futebol
A presença de hábitos inadequados e desconhecimento referentes à saúde vocal ressaltam a importância de atuação fonoaudiológica junto a esses profissionais Penteado RZ, Stenico E, Ferrador FA, Anselmo NC, Silva PC, Pereira PFA, 200929
Instrumento de coleta: relatórios das atividades do grupo e observações in loco Casuística: profissionais e trabalhadores de um hospital (N=20) Local: Piracicaba (SP) Descrever a experiência de fonoaudiólogos em um grupo de Vivência de Voz em um hospital
A estratégia de grupo mostrou-se efetiva, proporcionando participação, diálogo e expressão dos participantes, além da transmissão das informações e reflexões desses referentes à saúde vocal Pereira PFA, Penteado RZ, 200736Instrumento de coleta: relatórios de grupos de Vivências de Voz Casuística: adolescentes e adultos (N=53) Local: Piracicaba (SP)
Verificar a percepção e o conhecimento vocal em um grupo de Vivência de voz A utilização do desenho é um fator a ser considerado para possibilitar a expressão, devendo ser mais explorado nas atuações fonoaudiológicas na promoção da saúde
Revista Baiana de Saúde Pública
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (continuação) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Ramos AS, Alves LM, 200816Instrumento de coleta: questionário Casuística: coordenadores e professores de escola de ensino regular e especial (N=48) Local: Belo Horizonte (MG) Conhecer o processo de inclusão de crianças especiais, a comunicação entre as escolas, assim como os profissionais envolvidos
Observou-se grande demanda de atuação fonoaudiológica no ambiente educacional, porém foi relatado pouco conhecimento acerca da atuação fonoaudiológica. Há falta de investimento em aperfeiçoamento dos educadores e orientações aos pais nesse processo Reis FV, Brito JR, Santos JN, Oliveira MG, 201433Instrumento de coleta: visita de campo e entrevista semiestruturada Casuística: profissionais, gestores e usuários (N=91) Local: nacional
Analisar uma ação de promoção da saúde realizada em sala de espera
A forma problematizadora e participativa permitiu o empoderamento dos sujeitos acerca das questões de saúde. Ressalta-se a eficácia de uma abordagem fonoaudiológica em sala de espera, que deve ser mais repetida Reis BP, Freire RMAC, 201439Instrumento de coleta: relatórios de acadêmicos de fonoaudiologia Casuística: relatórios da população atendida em UBS (N=623) Local: São Paulo (SP)
Elaborar indicadores clínicos para a constituição do sujeito da escrita
É possível utilizar indicadores de forma subjetiva para uso fonoaudiológico. Estes podem auxiliar nas ações de promoção da saúde Rossi-Barbosa LA, Gama ACC, Caldeira AP, 201537Instrumento de coleta: questionário (escala URICA-VOZ) Casuística: professores da rede municipal de ensino (N=138) Local: Montes Claros (MG)
Verificar a partir da queixa vocal referida por professores a prontidão para alterações comportamentais
A pouca prontidão para mudanças sugere a necessidade da conscientização desses profissionais quanto à saúde vocal. Devem-se realizar estratégias de ações de promoção Santos LG, Lemos SMA, 201128Instrumento de coleta: questionários aplicados nos ingressantes e concluintes de um curso de graduação Casuística: estudantes de fonoaudiologia (N=92) Local: --/--
Verificar o conceito de “promoção da saúde” em acadêmicos de um curso de fonoaudiologia
Existe confusão entre os termos “prevenção e promoção da saúde”. Há necessidade da discussão entre os conceitos desde o início da graduação Silva MEML, Brasil CCP, Regis ACF, 20108Instrumento de coleta: documentos de atendimento fonoaudiológicos Casuística: documentos (N=1144) Local: Fortaleza (CE)
Demonstrar a necessidade de inserção do fonoaudiólogo em uma rede municipal Necessita-se de contratação de mais profissionais para a atenção primária de saúde. Dentre esses o fonoaudiólogo, para que o acesso da população com distúrbios da comunicação humana seja mais acessível, trazendo melhor qualidade de vida
Apêndice A – Artigos selecionados para revisão de literatura nas bases de dados Bireme e SciELO por autor, ano, metodologia, objetivo e principais achados – 2006-2015 (conclusão) Autores e anoMetodologiaObjetivoPrincipais Achados Souza IAL, Massi G, Berberian AP, Guarinello AC, Carnevale L, 201532
Instrumento de coleta: grupo focal e entrevista semiestruturada Casuística: idosos moradores de Instituição de Longa Permanência para Idosos (N=10) Local: região Centro-Sul (PR) Verificar qual o impacto de atividades linguístico-discursivas na promoção da saúde em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI)
O grupo promoveu experiências positivas entre os idosos. Ressalta-se a importância no planejamento de ações da fonoaudiologia nas ILPI com foco em bases dialógicas e empoderamento Valente P, Ninno CQMSD, Avellar RD, Carvente VM, 200631
Instrumento de coleta: avaliação da estrutura escolar e elaboração de um planejamento de ações Casuística: funcionários de uma creche e estagiários do curso de Fonoaudiologia (N=32) Local: Belo Horizonte (MG)
Caracterizar a atuação de Fonoaudiólogos em crechesÉ importante a promoção da saúde em creches e escolas e seu planejamento deve ser realizado com base na necessidade dos educadores e da comunidade Verly FRE, Freire RMAC, 201540Instrumento de coleta: análise de relatórios fonoaudiológicos Casuística: relatórios fonoaudiológicos de crianças com idade entre 2 e 6 anos (N=422) Local: -- (SP)
Elaborar indicadores de risco para os sujeitos falantesVerifica-se a necessidade da inserção do fonoaudiólogo na atenção primária, atuando nas ações de promoção da saúde. Zambão VR, Penteado RZ, Calçada MLM, 201420Instrumento de coleta: observação in loco, questionário e entrevista Casuística: cantores de Banda de Baile (N= 24) Local: Monte Piracicaba (SP) Analisar a saúde vocal e condições de trabalho de cantores de bandas de baile Os hábitos vocais são inadequados e ineficientes. Dessa forma, há necessidade de assessoria e atuação fonoaudiológica junto a esses profissionais, com o intuito de promover a saúde vocal Fonte: Elaboração própria.