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An. mus. paul. vol.19 número2

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Academic year: 2018

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Os artigos reunidos neste nú-mero espelham a vocação dos

Anais do Museu Paulista para

aco-lher contribuições multidisciplinares em torno de temas e problemas de interesse para os estudos em história social, história política, cultura mate-rial, cultura visual e história dos mu-seus. Além disso, são trabalhos que se originaram de pesquisas em cur-so em várias regiões do Brasil, e fo-ra dele, destacando a aproximação com colegas do México, da Argen-tina e da Espanha.

Predominam questionamentos relacionados às formas e significa-dos de representações e imagens em diferentes períodos históricos. Assim, o trabalho de Elaine Dias dedica-se a investigar retratos de princesas, filhas de Carlota Joaqui-na e D. João VI, confeccioJoaqui-nados por Nicolau-Antoine Taunay, na Rio de Janeiro do início do século XIX. Em que medida poder-se-ia com-preender a arte de Taunay como

expressão singular de traços e re-pertório que circulavam nas socie-dades coloniais americanas e nas sociedades europeias? O que te-riam representado esses retratos do ponto de vista da consolidação de enlaces matrimoniais e relações di-plomáticas entre a casa real portu-guesa e a casa real espanhola, no momento em que novos arranjos po-líticos e de poder se projetavam após um longo tempo de guerras na Europa?

Por outro lado, Jefferson Que-ler também se deteve nos retratos, mas para problematizar a imagem pública de Jânio Quadros durante a construção de sua polêmica trajetó-ria política até tornar-se presidente da República, em 1960. Não se trata aqui, porém, da pintura do re-trato, mas, sobretudo, do retrato fo-tográfico, capturado e estampado em inúmeras edições de duas das mais importantes e influentes revistas da época: O Cruzeiro e Manchete.

Apresentação

Cecilia Helena de Salles Oliveira

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8 Anais do Museu Paulista. v. 16. n.1. jan.-jun. 2008.

O que podem evidenciar essas ima-gens quando se indaga sobre os fundamentos políticos e imagéticos da memória com a qual a figura de Jânio Quadros chegou até nós?

Distanciando-se do retrato, sem deixar de prender-se à fotogra-fia, o artigo de Lourdes Roca debru-ça-se sobre as peculiaridades e im-plicações para a história urbana da utilização de registros aéreos, cons-tantemente identificados a instantâ-neos capazes de flagrar os espaços citadinos em todos os seus detalhes. O foco central está na análise e con-frontação de imagens aéreas que, entre os anos de 1930 e 1970, acompanharam os debates e inter-venções envolvendo o lugar que de-veria ser ocupado pela estátua equestre de Carlos IV e pela encruzi-lhada de El Caballito, no centro his-tórico da capital mexicana.

Já o estudo de Jussara Derenji privilegia desenhos recentemente encontrados na Catedral de Belém, erguida no século XVIII e restaurada há pouco mais de dois anos. Bus-cando compreendê-los em suas rela-ções com a obra do arquiteto italia-no Antonio José Landi nessa igreja do Pará, a autora revela, também, a possibilidade de reconstituir o es-forço anônimo de artífices locais, especialmente descendentes de ín-dios e africanos, nem sempre reco-nhecidos e admirados.

Ao lado desses, dois outros artigos compõem o volume. O texto de Tiago Kramer de Oliveira discute a impossibilidade de dissolver as re-lações entre mineração e organiza-ção de produorganiza-ção agrícola durante a ocupação da região do atual Ma-to Grosso no século XVIII, articulan-do essas questões com o debate historiográfico acerca do peso da administração metropolitana em áreas limítrofes do império portu-guês. Finalmente, o artigo elabora-do por Marisa González de Olea-ga e Ernesto Bohoslavsky apresenta reflexões sobre o papel político e cultural de museus históricos comuni-tários, tomando como parâmetro dois museus pouco conhecidos no Brasil: o museu fundado pelos gale-ses que imigraram para a Patagô-nia Argentina, em fins do século XIX; e o museu criado pela colônia me-nonita, em meados do século XX, no Chaco paraguaio.

Referências

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