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Aplicação do Modelo Triple Bottom Line em um Hospital Público

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GeAS – Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade E-ISSN: 2316-9834

Organização: Comitê Científico Interinstitucional/ Editora Científica: Profa. Dra. Cláudia Terezinha Kniess Revisão: Gramatical, normativa e de formatação.

DOI: 10.5585/geas.v3i1.148

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014

Aplicação Do Modelo TBL em um Hospital Público

1Fernanda Julio Barbosa Campos 2Heidy Rodriguez Ramos

RESUMO

A sustentabilidade é um tema que está em crescente discussão e tem sido foco de trabalhos em muitas instituições. Dada a sua importância, atualmente vem sendo proposta para discussão na área da saúde. Este trabalho analisou as ações de um hospital público voltadas à aplicação da sustentabilidade na saúde, através do modelo triple bottom line (TBL) ou tripé da sustentabilidade, que engloba aspectos econômicos, ambientais e sociais. A questão de pesquisa foi avaliar o resultado da aplicação do modelo TBL nesse hospital. Foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa participante, considerando-se como estudo de caso uma instituição de saúde, para verificar os resultados das ações. Com o planejamento e execução de ações para valorização, conscientização e educação dos funcionários e usuários e ações para economia de recursos naturais e financeiros, a instituição alcançou resultados positivos na maioria dos aspectos do modelo TBL, pode investir em equipamentos médico-hospitalares e despertar o desenvolvimento sustentável, além de garantir ações duradouras para a instituição.

Palavras-chave: Sustentabilidade, Modelo TBL, Saúde.

1

Mestranda do Profissional em Gestão Ambiental e Sustentabilidade da UNINOVE – GeAS, Brasil Auditoria nos Serviços de Saúde do Instituto de Pesquisa e Educação em Saúde de São Paulo - IPESSP. E-mail: [email protected]

2

Doutora em Administração (FEA-USP), Brasil

Professora do Mestrado Profissional em Gestão Ambiental e Sustentabilidade da UNINOVE - GeAS. E-mail: [email protected]

Recebido: 25/01/2014 Aprovado: 16/03/2014

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014

Application of the Triple Bottom Line Model in a Public Hospital

ABSTRACT

Sustainability is a topic that is being ever more discussed and has been the focus of work and inclusion in many institutions. Given its importance, it has been being proposed for discussion in the Health field This study examined the actions of a Public Hospital focused on applying sustainability to health, through the Triple Bottom Line (TBL) or Tripod Sustainability (Economic, Environmental and Social aspects) models. The purpose of the research was to evaluate the result of the application of TBL model to this hospital. A participatory qualitative research was carried

out, considering a Health Institution as a Case Study, where the results of their actions there were verified. With the planning and execution of actions for valorization of staff, awareness and education of staff and users; actions for financial and natural and material resources, the institution has achieved positive results in most aspects of the TBL model, managed to make investments in health care equipment, arose sustainable development and ensured lasting actions for the institution.

Keywords: Sustainability, Model TBL, Health

APLICACIÓN DEL MODELO TRIPLE BOTTOM LINE EN UN HOSPITAL PÚBLICO

RESUMEN

La sostenibilidad es un tema de discusión que está creciendo y ha sido el centro de trabajo e inclusión en muchas instituciones. Dada su importancia, es que ahora se propone para discusión en el área de la Salud. Este estudio analizó las acciones de un Hospital Público, centrándose en la aplicación de la sostenibilidad en la salud, a través del modelo Triple Bottom Line (TBL) o Trípode de la Sostenibilidad (Aspectos Económicos, Ambientales y Sociales). La pregunta de la investigación fue evaluar el resultado de la aplicación del modelo TBL en este hospital. Fue desarrollada una investigación cualitativa participante, considerándose como Estudio de Caso una

Institución de Salud, donde se verificaron los resultados de las acciones efectuadas. Con la planificación y ejecución de acciones para la valorización del personal, la concientización y educación de los funcionarios y usuarios; acciones para la economía de los recursos naturales y financieros, la Institución logró resultados positivos en la mayoría de los aspectos del modelo TBL, consiguió efectuar inversiones en equipos médicos - hospitalarios, despertar el desarrollo sostenible y garantizar acciones duraderas para la Institución.

Palabras clave: Sostenibilidad, Modelo TBL,

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1 INTRODUÇÃO

A sustentabilidade é um tema que está em crescente discussão e tem sido foco de trabalho em muitas instituições. Dada a sua importância, atualmente vem sendo discutida na área da saúde. Apesar da maior disponibilidade de oferta de serviços de saúde, particularmente os de média e alta complexidade nos grandes centros urbanos, há limitações quanto à qualidade e capacidade de resposta dos serviços, tornando complexa a organização da atenção básica nesses espaços (Viana, Yazle, Elias, Ibanez & Novaes, 2006).

Dentre as peculiaridades do setor, existe importante mix público-privado, com destaque para um setor privado lucrativo, que atende parcela considerável da população e mobiliza grandes volumes financeiros, e a disponibilidade de tecnologia material moderna nos procedimentos médicos, resultando em pressão no acesso aos exames e na estrutura de financiamento do setor de saúde. (Viana et al., 2006)

Conforme observa Araújo, Bueno, Souza e Mendonça (2006), o objetivo fundamental das organizações privadas é obter o maior retorno possível sobre o capital investido. Para isso, são utilizadas as ferramentas disponíveis para estar à frente dos concorrentes, obtendo maiores margens e fatias de mercado. Já no caso das instituições públicas, com orçamento limitado, a preocupação, longe de obter maior retorno financeiro possível, é atender aos usuários com a maior qualidade possível e menos recursos.

A ausência prolongada de políticas de saúde específicas para áreas metropolitanas, tanto de nível federal quanto estadual, possivelmente agrava esse quadro. O último grande projeto para a região metropolitana de São Paulo, por exemplo, foi o Programa Metropolitano de Saúde, nos anos 1980, voltado para a expansão da capacidade física e a adoção de um novo modelo de saúde. Porém, a complexidade das áreas metropolitanas requer intervenções intersetoriais que criem ações sinérgicas e acumuladas sobre as populações mais vulneráveis, combatendo de forma mais eficaz a grande exposição aos diferentes tipos de riscos aos quais estão sujeitas (Viana et al., 2006).

Diante da falta de investimento no setor público, o hospital público em estudo buscou aplicar o modelo triple bottom line (TBL) como ferramentas de qualidade para promover melhorias no atendimento aos usuários e na gestão dos recursos públicos, além de conseguir uma economia de recursos não-renováveis.

O hospital em questão é uma instituição pública, certificada pelo Compromisso com a Qualidade Hospitalar (CQH) da Associação Paulista de Medicina (APM) desde 2005. Esse modelo de gestão foi adotado em 2001 como parte da reorganização da instituição. A cultura da gestão pela qualidade foi assimilada pelos funcionários desde a implantação, para não haver descontinuidade nas atividades, por ser órgão público sujeito à troca de dirigentes.

A administração do hospital se deparou com um grande desafio em 2005: executar ações em prol do meio ambiente e, com o mesmo orçamento, manter o funcionamento da instituição, efetuando investimentos prioritários e necessários para o atendimento ao paciente. A implantação do modelo de gestão pela qualidade trouxe à instituição: a aplicação do modelo TBL o planejamento estratégico; a criação de um núcleo da qualidade; um novo organograma funcional orientado por processos; a introdução de ferramentas de qualidade; a revisão de processos empregando o modelo do

plan-do-check-act (PDCA).

O objetivo da pesquisa foi aplicar o TBL em um hospital público para: planejar e executar ações que trouxessem resultados financeiros positivos, a serem revertidos em equipamentos médico-hospitalares, que garantiriam a sustentabilidade da instituição; atender com qualidade às necessidades dos clientes internos e externos e, ao mesmo tempo, atender à necessidade de reduzir a utilização de recursos naturais, buscando atingir a meta inicial de 10% de redução.

Por se tratar de um hospital público, onde há troca de dirigentes no mínimo a cada quatro anos devido a mudanças políticas, é importante também constatar se houve continuidade nas ações planejadas e se foram assimiladas pelos funcionários e instituição.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Para melhor elucidação do conceito de sustentabilidade aplicado na instituição, esta seção foi estruturada efetuando a revisão bibliográfica de sustentabilidade socioambiental, TBL e sustentabilidade na área da Saúde.

2.1 SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

Segundo Philippi (2001), a sustentabilidade é a capacidade de se

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 autossustentar e de se automanter. Uma

atividade sustentável então é aquela que pode ser mantida por um longo período sem esgotamento, apesar de imprevistos que possam vir a ocorrer.

Conforme o documento Nosso Futuro Comum (Relatório de Brundtland), desenvolvido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1991, o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem também às suas necessidades (Araújo et al., 2006). O Relatório não só reforça as necessárias relações entre economia, tecnologia, sociedade e política, como chama a atenção para a necessidade do reforço de uma nova postura ética em relação à preservação do meio ambiente, caracterizada pelo desafio de haver responsabilidade tanto entre gerações quanto entre os integrantes da sociedade dos nossos tempos (Jacobi, 1999).

Para Carvalho e Viana (1998), o desenvolvimento sustentável apresenta três grandes dimensões principais: crescimento econômico, equidade social e equilíbrio ecológico. Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável equilibra as dimensões econômica, social e ambiental (TBL). Segundo Jacobi (1999a), a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – a Rio 92 – representou um primeiro passo de um longo processo de entendimento entre as nações sobre as medidas concretas visando reconciliar as atividades econômicas com a necessidade de proteger o planeta e assegurar um futuro sustentável para todos os povos.

De acordo com Ziglio, Hagard, McMahon, Harvey e Levin (2000), a sustentabilidade tem um duplo significado: por um lado indica o desejo de criar um processo a favor da saúde, duradouro e forte e, por outro, indica que as iniciativas e os recursos sejam administrados de forma a não comprometer a saúde e o bem-estar das gerações futuras, de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.

Para Sato e Carvalho (2005), o desenvolvimento sustentável supõe que o desenvolvimento econômico, considerado como a base do desenvolvimento humano, é indissociável da conservação dos recursos naturais e de um compartilhar equitativo dos recursos. Trata-se de aprender a utilizar racionalmente os recursos de hoje para que haja o suficiente para todos e se possa assegurar as necessidades do amanhã. A educação ambiental torna-se, entre outras, uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável.

Segundo Barbieri Vasconcelos, Andreassi e Vasconcelos (2010), ao se comprometer com o desenvolvimento sustentável, a empresa deve necessariamente mudar sua forma de atuação para, no mínimo, reduzir os impactos sociais e ambientais adversos.

2.2 TRIPLE BOTTOM LINE (TBL)

Para Pope, Annandale e Saunders (2004), o TBL, ou tripé da sustentabilidade, pode ser considerado uma interpretação da sustentabilidade, que coloca o meio ambiente, considerações sociais e econômicas em condições de igual importância na tomada de decisões.

Segundo Cirelli e Kassai (2010), o conceito de sustentabilidade organizacional surge da conceituação do TBL. Nesse sentido, o que se tem são perspectivas organizacionais em três esferas: econômica, social e ambiental. O TBL deve interagir de maneira que haja uma sinergia estrutural que resulte em uma capacidade ótima nas decisões estratégicas para uma eficácia nas suas ações e operações. Essa abordagem nada mais é, para a compreensão do tema sustentabilidade corporativa, do que o conceito do TBL, proposto por John Elkington em 1998 (apud Lins & Wajnberg, 2007), em seu livro “Canibais com garfo e faca”. É possível perceber nessas definições de desenvolvimento sustentável, a esperança de aliar as três perspectivas: desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental.

Segundo Elkington (2001), guiar as empresas na direção da sustentabilidade exigirá mudanças drásticas no desempenho dos três pilares, pois alguns dos desafios mais interessantes são encontrados entre as áreas envolvidas com os pilares econômico, social e ambiental. Durante os últimos 20 anos, segundo Kleindorfer, Singhal e Wassenhove (2005), tem havido crescente pressão para que as empresas prestem mais atenção nas consequências ambientais provocadas pelos produtos e serviços que oferecem e nos processos que implantam. Um sintoma dessa pressão é o movimento em direção ao modelo TBL sobre a relação de lucro, pessoas e planeta.

2.3 SUSTENTABILIDADE NA ÁREA DE SAÚDE

A promoção da saúde supõe uma concepção que não restrinja a saúde à ausência de doença, mas que seja capaz de atuar sobre seus determinantes, definição intimamente

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 relacionada à vigilância e a críticas à

medicalização do setor. Por incidir sobre as condições de vida da população e extrapolar a prestação de serviços clínico-assistenciais, supõe ações intersetoriais que envolvem educação, saneamento básico, habitação, renda, trabalho, alimentação, meio ambiente, acesso a bens e serviços essenciais e lazer, entre outros determinantes sociais (Sícoli & Nascimento, 2003).

A “nova promoção da saúde” se propõe a enfocar os determinantes gerais, isto é, socioambientais e econômicos, atuando sobre as condições cotidianas e sendo direcionada ao coletivo e à defesa de direitos sociais. Trata-se, portanto, de um processo de fomento ao compromisso político (dos gestores e da sociedade civil) e de impulsão às mudanças sociais (Sícoli & Nascimento, 2003).

Para Porto e Martinez (2007), processos de desenvolvimento marcados por desigualdades econômicas e sociais encontram-se por trás de diversos problemas de saúde pública. Entretanto, para que a saúde coletiva possa melhor conhecer esses processos e as alternativas de intervenção para sua promoção, é necessário um trabalho colaborativo com os campos de conhecimento que abordam a questão ambiental a partir dos processos econômicos e sociais de desenvolvimento.

A sustentabilidade está desenvolvendo o conceito dos três pilares do desenvolvimento sustentável. A sociedade depende da economia e a economia depende do ecossistema global, cuja saúde representa o pilar derradeiro (Elkington, 2001).

3 MÉTODO DE PESQUISA

Foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa participante, considerando-se como estudo de caso uma instituição de saúde. Yin (2005, p. 32) afirma que “o estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”.

Segundo Soares e Ferreira (2006), a pesquisa participante, como o próprio nome sugere, implica necessariamente a participação tanto do pesquisador no contexto, grupo ou cultura que está a estudar, quanto dos sujeitos que estão envolvidos no processo da pesquisa. No que diz respeito aos instrumentos adotados para coleta de dados, são citados entre os mais recorrentes as entrevistas semiestruturadas (coletivas e individuais), a análise documental e a observação participante.

Neste estudo de caso, os dados primários foram coletados por meio de análise documental e observação participante. Para aplicação do modelo TBL foram seguidas as seguintes etapas:

 realização de reuniões com os parceiros: concessionárias de água, energia e gás, a fim de estabelecer parcerias com foco na economia de recursos não-renováveis e diminuição de custos;

 celebração de contrato com a concessionária de água para adesão ao Programa de Uso Racional da Água (Pura);

 celebração de contrato com a concessionária de energia para adesão ao programa de eficiência energética, visando a economia de energia elétrica;  celebração de contrato com a

concessionária de gás, para unificação das contas de gás e redução de tarifa;  realização de ações de valorização dos

funcionários;

 realização de campanhas de educação e conscientização para uso racional dos recursos naturais.

3.1 DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE

SAÚDE E DOS PROGRAMAS

IMPLEMENTADOS

Compete ao hospital público em questão prestar assistência médica, hospitalar, domiciliar, odontológica e farmacêutica, além de propiciar meios para a pesquisa técnica e científica. A instituição de saúde pesquisada é um hospital terciário e de grande porte, vinculado à Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de São Paulo. Em 1957 seu complexo hospitalar foi inaugurado e, em 1972, graças à Lei Municipal nº7736 de 26 de maio de 1972, transformou-se em entidade autárquica. Possui uma área construída de 33.000 m2 e mais cinco ambulatórios descentralizados em regiões populosas da cidade. Abrange principalmente as regiões da Liberdade e da Sé, que contam com 81.957 habitantes, porém com abrangência potencial de atendimento a uma população de 450.000 pessoas.

É um hospital de urgência, internação e atendimento ambulatorial com 54 especialidades. Possui 281 leitos, realiza 40.000 consultas e 112.000 exames laboratoriais por mês. São aproximadamente 600 cirurgias por mês e atende mensalmente em seu pronto-socorro adulto 16.000 pacientes, 2.500 no infantil e 900 no obstétrico. Conta com aproximadamente 2.731 profissionais.

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 Na instituição pesquisada, foi aplicado

o conceito de sustentabilidade entendido como a capacidade da instituição arcar com investimentos em equipamentos médico-hospitalares, para oferta dos serviços de qualidade a seus usuários, atuando na economia de recursos financeiros e de recursos naturais e valorizando seus funcionários, de tal forma que tais ações possam ser assimiladas por eles e garantam um processo duradouro.

Implantação do programa de uso racional da água (Pura)

O hospital apresentou à concessionária de água um relatório explicitando as ações a serem desenvolvidas para reduzir o consumo, abordando os pontos:

 campanhas de conscientização de economia de água;

 implantação da leitura diária de hidrômetro.

Então, assinou contrato em 27 de março de 2006 se comprometendo a se manter adimplente no pagamento de contas e a reduzir o consumo de água. Em julho de 2006 foi instituída uma comissão – com um encanador, uma administradora e uma supervisora de limpeza – para fazer busca ativa de vazamentos e equipamentos danificados diariamente, intervindo imediatamente para correção dos problemas, além de efetuar o levantamentos das condições da rede interna, externa, reservatórios e equipamentos (torneiras, sanitários, chuveiros,

tubulações) e desenvolver ações educativas quando detectasse mau uso dos acessórios.

Coordenadores, funcionários do setor de hidráulica e até a supervisora do contrato de limpeza foram enviados a um curso denominado pela concessionária de “caça-vazamentos”. Ainda comprou, por meio de pregão, peças e acessórios economizadores de água (instalação de torneiras com sensor de presença, dispersadores, misturadores, reguladores de vazão de água para chuveiros), de acordo com a especificação técnica da concessionária, no valor total de R$ 94.000,00. Esses materiais foram instalados gradualmente pela equipe de manutenção do hospital.

Com a motivação e a valorização dos funcionários, descrita abaixo, a equipe de manutenção fez inovações, identificando pontos na instituição que tinham alta demanda de água e propondo novos projetos para evitar o desperdício, tais como reuso de água na bomba de vácuo e captação, utilização e reutilização de água no sistema de gases medicinais.

No sistema de reuso na bomba de vácuo, a água que refrigera o motor do equipamento de vácuo que supre o centro cirúrgico era jogada diretamente no esgoto. Essa água foi redirecionada para uma caixa d’água de 50 litros colocada na saída e dali bombeada para uma caixa d’água de 1.000 litros, instalada acima do equipamento à vácuo, voltando para circulação e refrigeração do motor, conforme a Figura 1.

Figura 1 – Sistema de reuso de água da bomba de vácuo

Fonte: Hospital Público (2013).

Foram utilizados materiais e equipamentos existentes no hospital – como bombas obsoletas anteriormente usadas em máquinas de hemodiálise e tubulação retirada da

caldeira – na reforma do equipamento, além de peças e materiais de estoque como caixa d’água de 1.000 litros, relê, registros, canos, etc.

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 No sistema de gases medicinais, os

fluidos armazenados nos tanques de oxigênio e nitrogênio, ao percorrerem as serpentinas dos evaporadores para serem transformados em estado gasoso, acumulam uma grande

quantidade de gelo. Essa camada de gelo é removida diariamente utilizando-se a pressão da água de uma mangueira, conforme a Figura 2. Toda a água utilizada, mais a provinda do derretimento do gelo, se perdia nos ralos e solo.

Figura 2 – Sistema de gases medicinais

Fonte: Hospital Público (2013).

No projeto de captação, utilização e reutilização de água executado, foi feito um caimento de piso em uma área de 30 m2 para captar a água por grelhas, que também captam água das chuvas, e a direciona a um reservatório

subterrâneo intermediário. Com uma bomba, essa água é enviada a outras duas caixas d’água superiores e reutilizada na mangueira de degelo, reiniciando, assim, o ciclo do sistema, conforme a Figura 3.

Figura 3 – Sistema de captação, utilização e reutilização de água

Fonte: Hospital Público (2013).

Com o tempo, pelo processo de decantação, criam-se no fundo dessas caixas camadas de sujidades, sendo necessário realizar limpeza periódica. Desenvolveu-se junto à supervisão de limpeza do hospital, conforme a periodicidade necessária detectada nos primeiros meses de utilização do sistema, um

cronograma de limpeza realizada pela empresa contratada e responsável por esse serviço. A seção de manutenção passou a executar os serviços preventivos para a conservação dos equipamentos e de apoio à equipe de limpeza, como manobras com registros.

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 Foram utilizados recursos disponíveis:

material no valor de R$ 1.107,00 e mão-de-obra no valor de R$ 3.840,00 (cinco homens, realizando serviço por 8 horas em 8 dias), totalizando R$ 4.947,00.

Foi inserido no contrato com a empresa prestadora de serviços de limpeza um formulário para acompanhar e apontar vazamentos para agilização do processo de manutenção. Essa planilha foi distribuída a funcionários da limpadora para preenchimento rápido, através de marcação de X, quando detectado o problema, o que agilizou a intervenção da manutenção.

Implantação do projeto de eficiência energética Foram efetuadas campanhas de economia de energia que possibilitaram a renegociação da demanda contratada de 700 KWh para 600 KWh, reduzindo o custo mensal de energia. Em 11 de dezembro de 2006, a instituição celebrou contrato com a concessionária de energia para implantação do projeto de eficiência energética. Pelo contrato firmado, a concessionária realizou os seguintes serviços: 1) na primeira fase do projeto efetuou um diagnóstico de consumo de energia do complexo hospitalar; 2) na segunda fase, adquiriu luminárias e lâmpadas economizadoras de energia, com posterior instalação dos equipamentos e teste do projeto – o valor investido foi de R$ 260.862,63, conforme contrato; 3) em uma terceira fase, a concessionária realizou a troca e instalação de mais 1.464 lâmpadas fluorescentes e incandescentes, com o valor investido de R$ 203.118,55 pela Eletropaulo.

Implantação de ações para redução do consumo de gás

Em parceria com a concessionária de gás, foram executadas reformas nas tubulações que abastecem as caldeiras, com um investimento de R$ 14.500,00 pela concessionária e adicionais R$ 22.500,00 para revisão e readequação da entrada de gás das caldeiras. Foi assinado contrato para unificação das entradas de gás, o que levaria a uma redução de tarifa média anual de R$ 12.990,34. A equipe de manutenção identificou vazamentos na rede interna de gás, eliminando focos potenciais. Ações de valorização dos funcionários

De reuniões efetuadas com diversos setores para elaboração de estratégias para a economia financeira e de recursos não-renováveis, foi sugerido que os funcionários fossem valorizados para motivá-los e conscientizá-los de atos necessários para que a economia de recursos renováveis ocorresse de forma mais célere e eficiente, atuando no modelo TBL, no aspecto social. Como ação, foi desenvolvida uma campanha denominada

Reconhecendo Valores, que apresentou funcionários e suas funções na instituição aos demais colaboradores do hospital em murais colocados na fila do refeitório. Os colaboradores mais antigos foram valorizados pela contribuição dada ao hospital.

Em um dos programas conhecidos como Mural do Reconhecimento, profissionais que recebiam menção favorável de usuários tiveram suas fotos e elogios recebidos divulgados em mural colocado em área de grande circulação do hospital. No mural foram afixados elogios às equipes que elaboraram e executaram os projetos inovadores de reuso de água.

Campanhas de educação e conscientização para uso racional dos recursos naturais para clientes internos e externos

Foi elaborado um informe mensal de baixo custo, confeccionado pela gráfica própria do hospital em preto-e-branco. Por meio desse veículo, foram realizadas as campanhas de conscientização da importância de se cuidar do meio ambiente, tanto para a vida pessoal de cada um como de seus filhos.

As frases de campanha foram publicadas em holerites. A Assessoria de Relações Institucionais afixou cartazes em murais internos do hospital público, com as campanhas. A comissão de economia de água afixou em cada porta de sanitário um lembrete para economizar água.

Depois de realizadas as ações acima, foi criado um grupo de planejamento estratégico. Contou-se com a participação de mais de 131 colaboradores e, obtida a aprovação do Conselho Gestor do hospital em dezembro de 2008, foi feita a inserção de duas diretrizes inovadoras para a instituição para garantir a continuidade e ampliação do projeto descrito. Foram incluídos o Sétimo Objetivo Estratégico, relacionado à responsabilidade socioambiental, e o Oitavo, ligado à sustentabilidade econômico-financeira.

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4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS

RESULTADOS

Com o projeto de reuso da água da bomba de vácuo, o hospital passou a economizar aproximadamente 6.000 litros de água por dia, o que representou economia de R$ 12.960,00 por ano.

Com o projeto de captação, utilização e reutilização de água no sistema de gases

medicinais, a economia estimada foi de R$ 1.612,80 por mês, totalizando R$ 19.353,60 por ano.

Com o programa Pura, de 2006 a 2007, foi obtida uma redução financeira (Gráfico 1) que, quando somada aos projetos de reuso, totalizou R$ 46.586,12 por mês, ou aproximadamente R$ 595.000,00 por ano.

Gráfico 1 – Custo médio mensal de consumo de água, excluindo-se o aumento de tarifa

Fonte: Hospital Público (2013).

O resultado do Pura para a sustentabilidade do planeta foi uma redução no consumo, de 2006 para 2008, de 1.886 m3 por mês, ou seja, 22.632 m3 por ano, que transformados em litros correspondem a

2.263.200 litros por ano, conforme o Gráfico 2. A concessionária instalou para a instituição medidores eletrônicos nos hidrômetros, permitindo o monitoramento do consumo de água pela internet.

Gráfico 2 – Média mensal de consumo de água (m3)

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 Com a redução do consumo de energia

e a redução da demanda contratada, foi alcançada uma redução média mensal de R$

10.000,00, aproximadamente R$ 120.000,00 por ano, conforme o Gráfico 3.

Gráfico 3 – Custo médio mensal de consumo de energia

Fonte: Hospital Público (2013).

Com relação às ações efetuadas para a redução do consumo de gás, de 2007 a 2009 a redução do custo médio mensal foi de

aproximadamente R$ 30.000,00, totalizando R$ 360.000,00 por ano, conforme o Gráfico 4.

Gráfico 4 – Custo médio mensal de consumo de gás (em R$)

Fonte: Hospital Público (2013).

Considerando-se o consumo, a redução mensal foi de aproximadamente 40.000 m3 por

mês, totalizando 480.000 m3 por ano, conforme o Gráfico 5. 0 20000 40000 60000 80000 100000 2007 2008 2009

CUSTO MÉDIO MENSAL DE CONSUMO DE GÁS (R$)

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014

Gráfico 5 – Média mensal de consumo de gás (em m3)

Fonte: Hospital Público (2013).

Com o projeto executado e as ações para implantação do TBL realizadas, foi alcançado um bom resultado financeiro direcionado à aquisição de dois aparelhos de raios X fixos, sendo um para o pronto-socorro e outro para a seção de radiodiagnóstico. Também

foram adquiridos dois equipamentos de ultrassonografia e um tomógrafo de R$ 400.000,00. O investimento em equipamentos médico-hospitalares totalizou R$ 1.228.000,00, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Investimentos efetuados com a aplicação do modelo TBL

Fonte: Hospital Público (2013). 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 2007 2008 2009

MÉDIA MENSAL DE CONSUMO DE GÁS (M3)

Processo Valor (R$) Peças adquiridas Quantidade

Implantação do Programa PURA

Aquisição de material hidráulico para uso racional da água

13.356,00 Válvulas de descarga 70 7.200,00

Regulador de vazão

para torneira de mesa 600 31.500,00 Torneira de mesa 300

Implantação de Ações para Redução do Consumo

de Gás

Substituição da rede interna de gás que abastece as

caldeiras 14.500,00*

* Investimento feito pela Comgás.

Adequação do sistema de combustão das caldeiras 22.500,00

Total Investido para a redução de consumo de

recursos naturais 89.056,00

Aquisição de Equipamentos Médico-Hospitalares

Aquisição de um aparelho de raios X transportável 70.000,00 1

Aquisição de um tomógrafo helicoidal 462.000,00 1

Aquisição de um aparelho de ultrassonografia digital

com doppler 70.000,00

Ultrassom Ultra

Vision Elite 500 1

Aquisição de arco cirúrgico 246.000,00 1

Aquisição de 2 aparelhos de raios X fixos 158.000,00 2

Aquisição de 3 aparelhos de ultrassom

70.000,00 Ultrassom transportável 1 53.000,00 Ultrassom obstétrico e ginecológico 1 99.000,00 Ultrassom com doppler cardiovascular 1

Total Investido para aquisição dos Equipamentos médico-hospitalares, com a redução financeira

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 Silva, Tamaki e Gonçalves (2008)

propõem que, se o programa for dotado de caráter permanente, estruturado e inserido na estrutura da instituição; contemplar planejamento, pré-implantação, implantação, pós-implantação e, durante todo seu desenvolvimento, gestão da demanda da água, serão obtidos outros resultados além da redução do consumo, chamados de efeitos, como: alterações nos sistemas de suprimento de água fria e de equipamento sanitário; em rotinas de manutenção predial e administrativas, e em parâmetros de projeto; desenvolvimento

tecnológico de equipamentos; despertar para a conservação da água; e mudanças comportamentais dos usuários. Se esses efeitos forem gerenciados, aliando-se à gestão da demanda da água e do próprio programa, os patamares de consumo serão mantidos em seus níveis inferiores ou até mesmo reduzidos.

Quanto ao consumo de água, pode ser notado que os patamares de consumo foram mantidos e reduzidos, tanto no aspecto ambiental de economia de água, quanto no aspecto financeiro, conforme apresentado nos Gráficos 6 e 7, respectivamente.

Gráfico 6 – Média mensal de consumo de água (m3), 2006 a maio de 2013

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Gráfico 7 – Média mensal de consumo de água (R$), 2006 a maio de 2013

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Quanto ao consumo de gás, pode ser notado que os patamares de consumo foram

mantidos e reduzidos, tanto em volume como em valor, conforme apresentado no Gráfico 8. 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013-até Maio M3 0 50000 100000 150000 200000 250000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013-até Maio R$

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Gráfico 8 – Média mensal de consumo de gás (m3 e R$), 2006 a maio de 2013

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Quanto ao consumo de energia, pode ser notado que os patamares de consumo aumentaram em virtude da instalação dos novos equipamentos que foram instalados e após este

aumento, foram mantidos e reduzidos, tanto em volume como em valor, conforme apresentado no Gráfico 9.

Gráfico 9 – Média mensal de consumo de energia (KWH e R$), 2006 a fevereiro de 2013

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Em novembro de 2008, o hospital público foi vencedor do “Prêmio São Paulo Cidade – Inovação em Gestão Pública”, com o trabalho: “Gestão pela qualidade no HSPM”, que envolveu o trabalho de todas as diretorias (médica, administrativa, técnica e de recursos humanos) e do Núcleo de Qualidade do HSPM.

Foi finalista neste mesmo evento com o trabalho: “Captação, utilização e reutilização de água no sistema de gases medicinais”, sendo que o trabalho foi 1º lugar entre os trabalhos científicos apresentados em pôsteres no II Congresso Peruano de Administração Hospitalar, organizado pela Federação Peruana

de Administração Hospitalar (FEPAS) nos dias 27 a 29 de maio de 2009. Em 2009, o hospital público recebeu o Prêmio da Federação Brasileira dos Administradores Hospitalares (FBAH), em 2º lugar, com a aplicação e resultado de todo o projeto.

5 CONCLUSÕES

Os resultados da aplicação do modelo TBL em um hospital público foram considerados em sua maioria satisfatórios. As ações que foram planejadas e executadas trouxeram resultados financeiros positivos, que

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CAMPOS / RAMOS Journal of Environmental Management and Sustainability – JEMS Revista de Gestão Ambiental e Sustentabilidade - GeAS Vol. 3, N. 1. Jan./ Abr. 2014 reverteram para investimentos em equipamentos

médico-hospitalares. Os resultados para o meio ambiente também foram positivos e duradouros, exceto na questão do consumo de energia elétrica, que apresentou um ligeiro aumento após a primeira queda, por consequência de novos equipamentos médicos que foram instalados, porém o consumo foi mantido e reduzido nos anos seguintes, apresentando ainda um patamar de consumo aceitável. A meta de redução de 10% foi alcançada em todos os recursos naturais – água, energia e gás – e somente não persistiu na energia elétrica, por razões já esclarecidas.

Segundo Jacobi (1999), a noção de sustentabilidade implica uma necessária interpelação entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a necessidade de desenvolvimento com capacidade de suporte. Mas também se associa a uma premissa da garantia de sustentação econômico-financeira e institucional.

Lamberts, Triana, Fossati e Batista (2008) confirmam que a sustentabilidade nas edificações, além de contribuir para a redução do impacto ao meio ambiente, apresenta-se como uma das perspectivas para a promoção do bem-estar social e aumento da produtividade dos usuários. Mas, apesar das incontestáveis melhorias que as alternativas tecnológicas podem resultar, é imprescindível que haja uma reeducação da população, atentando sobre as mudanças climáticas que vêm ocorrendo e o futuro do planeta, para que cada um contribua fazendo a sua parte com consciência ecológica.

Para Elkington (2001), nossa capacidade de responder aos efeitos adversos econômicos, sociais e ambientais serão, em breve, um fator-chave para o sucesso na administração da transição da sustentabilidade.

Conforme citado anteriormente, desde 2013 a instituição conta com um planejamento estratégico, estruturado em oito diretrizes:

 Gestão participativa da autarquia;  Humanização nas relações com as partes

interessadas;

 Ampliação e melhoria na prestação de serviços;

 Gestão da informação;

 Recuperação e incorporação de novas tecnologias e infraestrutura;

 Gestão, valorização, capacitação e desenvolvimento de recursos humanos;  Responsabilidade socioambiental;  Sustentabilidade econômico-financeira.

As inovadoras diretrizes “responsabilidade socioambiental” e “sustentabilidade econômico-financeira” são voltadas aos recursos não-renováveis e visam à continuidade do projeto aqui descrito.

Conclui-se que mais do que a economia de recursos financeiros e recursos naturais, que foram essenciais aos clientes internos e externos e à instituição, e a valorização do ser humano, a instituição pública em questão associou a premissa da garantia de sustentação econômico-financeira e institucional com a aplicação do modelo do TBL.

Como futuras pesquisas, sugere-se comparar a aplicação do modelo TBL em um hospital privado, efetuando uma análise das afinidades e diferenças com relação à aplicação desse mesmo modelo em um hospital público.

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Imagem

Figura 1 – Sistema de reuso de água da bomba de vácuo
Figura 2 – Sistema de gases medicinais
Gráfico 1 – Custo médio mensal de consumo de água, excluindo-se o aumento de tarifa
Gráfico 3 – Custo médio mensal de consumo de energia
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