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Nitrogênio influencia o acúmulo de biomassa e o rendimento de óleo essencial de manjericão / Nitrogen influences biomass accumulation and basil essential oil yield

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761

Nitrogênio influencia o acúmulo de biomassa e o rendimento de óleo

essencial de manjericão

Nitrogen influences biomass accumulation and basil essential oil yield

DOI:10.34117/bjdv6n5-070

Recebimento dos originais: 25/04/2020 Aceitação para publicação: 06/05/2020

Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra

Doutora em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa

Instituição: Universidade Federal do Oeste da Bahia, Centro Multidisciplinar de Barra Endereço: Av. 23 de Agosto, s/nº - Bairro Assunção, Barra – BA, Brasil

E-mail: [email protected]

Régila Santos Evangelista

Estudante do curso de Agronomia da Universidade Federal do Oeste da Bahia Instituição: Universidade Federal do Oeste da Bahia, Centro Multidisciplinar de Barra

Endereço: Av. 23 de Agosto, s/nº - Bairro Assunção, Barra – BA, Brasil E-mail: [email protected]

Maria Gabriela Magalhães Silva

Engenheira Agrônoma pela Universidade Federal do Oeste da Bahia

Instituição: Universidade Federal do Oeste da Bahia, Centro Multidisciplinar de Barra Endereço: Av. 23 de Agosto, s/nº - Bairro Assunção, Barra – BA, Brasil

E-mail: [email protected]

Deyse Silva dos Santos

Estudante do curso de Agronomia da Universidade Federal do Oeste da Bahia Instituição: Universidade Federal do Oeste da Bahia, Centro Multidisciplinar de Barra

Endereço: Av. 23 de Agosto, s/nº - Bairro Assunção, Barra – BA, Brasil E-mail: [email protected]

RESUMO

O manjericão (Ocimum basilicum) é uma planta muito apreciada na culinária, mas também com fins medicinais, e vem ganhando muita visibilidade pela indústria cosmética, farmacêutica e aromática em virtude da riqueza em óleo essencial contido em suas folhas. O manejo da nutrição mineral é um fator relevante para uma maior produção de biomassa pelas plantas. O nitrogênio é o elemento que é demandado em maior quantidade pelas plantas por participar da produção e acúmulo de biomassa. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência de doses de nitrogênio sobre a produção de biomassa e rendimento de óleo essencial de manjericão submetidos a dois cortes consecutivos. O delineamento experimental adotado foi blocos ao acaso em esquema fatorial 6x2, com seis doses de N (0, 50, 100, 150, 200 e 250

200 kg ha-1) e dois cortes. Foram utilizadas plantas de manjericão cultivar folha fina (Topseed

sementes®). As doses de N influenciam a produção de biomassa e de óleo essencial de

manjericão quando realizados os dois cortes. No primeiro corte houve maior acúmulo de

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 o maior acúmulo de massa fresca e seca da parte aérea no primeiro corte. No segundo corte, a

dose de 200 kg ha-1 proporcionou a máxima produção de massa fresca e seca da parte aérea.

A dose de 150 kg ha-1 proporcionou maior teor óleo essencial no primeiro corte, e a de 250 kg

ha-1 no segundo corte. A doses de 200 kg ha-1 tanto assegurou uma adequada produção de biomassa quanto de óleo essencial de manjericão com a realização de cortes. Assim, infere-se que as condições que favoreçam a expansão foliar afetarão diretamente a produção de biomassa, de tamanho de área foliar, e por conseguinte, o teor de óleo essencial de manjericão.

Palavras-chave: área foliar, metabólitos secundários, Ocimum basilicum, rendimento. ABSTRACT

Basil (Ocimum basilicum) is a plant that is very popular in cooking, but also for medicinal purposes, and has gained a lot of visibility in the cosmetic, pharmaceutical and aromatic industry due to the richness in essential oil contained in its leaves. The management of mineral nutrition is a relevant factor for greater biomass production by plants. Nitrogen is the element that is most demanded by plants for participating in the production and accumulation of biomass. The objective of this work was to evaluate the influence of nitrogen doses on the biomass production and yield of basil essential oil submitted to two consecutive cuts. The experimental design adopted was randomized blocks in a 6x2 factorial scheme, with six doses

of N (0, 50, 100, 150, 200 and 250 200 kg ha-1) and two cuts. Basil plants were used to cultivate

thin leaf (Topseed seeds®). The doses of N influence the production of biomass and essential

oil of basil when the two cuts are made. In the first cut there was a greater accumulation of

fresh and dry mass of the aerial part and its constituents. The dose of 100 kg ha-1 provided the

largest accumulation of fresh and dry mass of the aerial part in the first cut. In the second cut,

the 200 kg ha-1 dose provided the maximum production of fresh and dry mass of the aerial

part. The dose of 150 kg ha-1 provided the highest essential oil content in the first cut, and the

dose of 250 kg ha-1 in the second cut. At doses of 200 kg ha-1, it ensured an adequate production

of biomass and essential oil of basil with cuts. Thus, it is inferred that the conditions that favor leaf expansion will directly affect the production of biomass, the size of the leaf area, and therefore, the essential oil content of basil.

Keywords: leaf area, secondary metabolites, Ocimum basilicum, yield. 1 INTRODUÇÃO

Planta nativa da Ásia Tropical pertencente à família Lamiaceae, o manjericão (Ocimum

basilicum), é uma planta anual ou perene, de acordo com o manejo, é muito apreciada na

culinária, sendo suas folhas a parte explorada, seja na extração de óleo essencial, como desidratadas ou in natura, para fins medicinais, culinários e aromáticos (LUZ et al., 2014).

O manjericão é de grande relevância na economia mundial, pois seu óleo essencial é atualmente a principal fonte natural para a obtenção do linalol, além de ser uma importante matéria-prima no ramo farmacêutico, cosmético e culinário (SOUZA et al., 2013). O óleo essencial do manjericão é composto por aproximadamente, 40,2 a 48,5% de linalol, que é responsável pela fixação de perfumes (ERENO, 2006). Por se tratar de uma planta de ciclo

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 curto e com elevado teor de óleo, o manjericão tem grande potencial agronômico para extração do linalol (BLANK et al., 2007).

Os fatores do ambiente como a época de cultivo, o regime hídrico, a radiação, sobretudo, a disponibilidade de nutrientes no solo, influenciam o crescimento, desenvolvimento e produção de biomassa das plantas medicinais e aromáticas, e ao mesmo tempo, no rendimento e na composição química de seu óleo essencial (SALES et al., 2009). Nesse contexto, o nitrogênio, o fósforo e o potássio, macronutrientes que atuam nos diversos processos bioquímicos dos metabolismos primário e secundário das plantas (TAIZ; ZEIGER, 2015).

No Brasil, é notória a expansão das áreas que cultivam manjericão para o abastecimento das indústrias farmacêuticas (REIS et al., 2007), precisando desta forma de pesquisas voltadas à nutrição desta Lamiacea. Das diversas adições de micronutrientes e macronutrientes utilizados na agricultura, destaca-se o nitrogênio que é o nutriente demandado em maior quantidade pelas plantas, e sua função está diretamente relacionada com a produção e acúmulo de biomassa, o qual interage não apenas com metabolismo primário, mas também está interligado, influenciando na produção de metabólicos secundários distintos (GOBBO-NETO; LOPES, 2007) e por participar como componente indispensável do protoplasma e das enzimas vitais presentes na planta (MAPELI et al., 2005).

Conforme Dustin e Cooper-Driver (1992) relatam que em situação de deficiências de nitrogênio, potássio, fósforo e enxofre ocorreram aumentos nas concentrações de derivados do ácido chiquímico, todavia, os teores dos metabólitos derivados do mevalonato, como os terpenóides, foram reduzidos quando em menor disponibilidade de nitrogênio, fósforo e potássio. Martins et al. (2000) mencionam que o aumento na produção de terpenóides sob baixa disponibilidade de nutrientes é uma resposta atribuída a ativação de rotas do metabolismo secundário, quando a planta se encontra em condições ambientais impróprias ao seu crescimento. No entanto, os efeitos dos nutrientes sobre a produção de metabólitos não são totalmente previsíveis (GOBBO-NETTO; LOPES, 2007), pois a planta está em contínua interação com outros fatores que afetam o seu metabolismo.

Em plantas aromáticas e medicinais o nitrogênio tem atuação controversa, já que sua ausência causa acréscimo da concentração de alcaloides em papoula (Papaver somniferum) e beladona (Atropa beladona), enquanto em lobélia (Lobelia inflata) incentiva o decréscimo (MARTINS et al., 2000). O nitrogênio aumentou a produção de massa fresca em Capuchinha (Tropaeolum majus L.), entretanto, não relatou sua relação com a produção de metabólicos secundários (SANGALLI et al., 2004). Na camomila (Chamomilla recutita), a interação de

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 potássio e nitrogênio ocasionaram acréscimo no rendimento de óleo essencial por unidade de área (MOREIRA et al., 2005). O rendimento de massa seca e a produtividade de Melissa

officinalis L. seguiram uma resposta linear a aplicação de doses de N (MAY et al., 2008).

Níveis de N e K contribuíram com a melhoria da produção de óleo essencial de manjericão (Ocimum basilicum L.) (RAMEZANI et al., 2009). O P afetou o rendimento e composição química de óleo essencial de erva doce (Foeniculum vulgare), sendo atribuído ao efeito do P incrementando as reações de fosforilação do ATP, o que levou ao incremento na produção de monoterpenos, constituintes do óleo essencial (KAPOOR et al., 2004).

É importante salientar que, uma correta adubação mineral é um fator relevante para uma maior produção de biomassa pela planta. A literatura, no momento, dispõe de poucas informações no que se refere a nutrição mineral e exigências nutricionais de espécies medicinais, principalmente no Brasil (BLANK et al., 2006; BLANK et al., 2005; AZIZI et al., 2009). Sendo assim, é imprescindível o desenvolvimento de pesquisas envolvendo todas essas variáveis, de modo a elucidar o seu papel produção e constituição dos óleos essenciais. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar a influência de doses de nitrogênio sobre a produção de biomassa e rendimento de óleo essencial de manjericão submetidos a dois cortes consecutivos.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Foi conduzido um experimento no período de janeiro a junho de 2018 em área experimental da Universidade Federal do Oeste da Bahia, Centro Multidisciplinar de Barra, município de Barra – BA (11° 5′ 23″ S, 43° 8′ 30″ W, 398 metros de altitude). Durante o período do experimento a temperatura média, mínima e máxima foi de 26,2, 19,6 e 32,8 ºC, respectivamente.

Foi adotado um delineamento em blocos inteiramente casualizados, disposto em esquema fatorial 6x2, com dez repetições. Os fatores foram constituídos por doses de nitrogênio e o número de cortes nas plantas. As doses de nitrogênio foram de 0, 50, 100, 150,

200 e 250 kg ha-1. Foram realizados primeiro corte aos 70 dias após o transplantio (DAT) das

mudas e segundo corte que ocorreu 50 dias após o primeiro (aos 120 DAT).

Foram utilizadas plantas de manjericão cultivar folha fina (Topseed®). As mudas foram

produzidas por meio de semeadura em bandejas de poliestireno expandido de 128 células, preenchidas com substrato a base de composto orgânico, utilizando 4 sementes por célula e o

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 desbaste foi realizado 15 dias após a emergência. As mudas foram transplantadas para os vasos aos 30 dias após a emergência, quando estavam com 6 folhas verdadeiras.

As plantas foram conduzidas em casa de vegetação coberta com filme PEBD (polietileno de baixa densidade) 150µm. No interior do ambiente os vasos foram dispostos aleatoriamente em fileiras com o espaçamento de 0,60 x 0,40 m (perfazendo uma população de 41.666 plantas

ha-1). Foram utilizados vasos com volume de 3,5L que foi preenchido com solo.

O solo utilizado para cultivo das plantas tinha as características físicas e químicas conforme Tabela 1.

Tabela 1. Características físicas e químicas do solo utilizado para cultivo das plantas de manjericão (Ocimum basilicum L.). pH em H2O P K+ Ca2+ Mg2+ H+Al t T SB V m M.O --- mg dm-3 --- --- cmolc dm-3 --- ---%--- 5,5 0,9 46 0,9 0,20 1,16 1,24 4,19 1,24 57 0 1,24

Areia Silte Argila

---%---

81 10 9

H+Al: acidez potencial ou total; t: CTC efetiva; T: CTC do solo a pH 7,0; SB: soma de bases; V: percentagem de saturação de base; m: percentagem de saturação de alumínio; M.O: matéria orgânica.

A adubação de plantio do solo dos vasos foi por meio 120 kg ha-1 de P2O5, 80 kg ha-1 de

K2O e as doses de N conforme os tratamentos adotados, utilizando-se das fontes super simples,

cloreto de potássio e uréia, respectivamente. Toda a dose de P2O5 foi aplicada no plantio,

enquanto as doses de N e de K2O foram aplicadas parceladamente, com 30% no plantio e 70%

distribuídas em 3 vezes (30%, 30% e 40% aos 20, 35 e 50 DAT, respectivamente).

Sempre que surgiram plantas daninhas nos vasos, estas foram controladas por arranquio manual e o monitoramento de pragas e doenças foi realizado diariamente, não sendo constatada a presença de nenhuma praga e doença ao longo do experimento.

As colheitas ocorreram aos 75 e 120 DAT, momento em que as plantas apontando o início do florescimento, na ocasião as plantas se apresentavam turgidas, com metabolismo ativo e sem estresses abióticos e bióticos. A colheita ocorreu entre as 7 e 8 h da manhã. Foi realizado o corte e as plantas foram acondicionadas em sacos de papel e destinadas ao laboratório para o processamento da parte aérea e extração de óleo essencial.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 Antes do corte foram avaliadas a altura de planta e o diâmetro da copa. Após o segundo corte, o sistema radicular foi retirado dos vasos e separadas através da lavagem para retirado do solo, após isso, foi medido o comprimento e volume do sistema radicular. O volume do sistema radicular foi obtido pelo método de deslocamento de água em proveta.

A parte aérea das plantas foram separadas em folhas e hastes. A área foliar foi obtida com o equipamento medidor de área foliar (LiCor 3100). Todas as partes da planta foram secas em estufa com ventilação forçada de ar a 60 °C até atingir massa constante. Em seguida, foram pesadas utilizando uma balança analítica e quantificada: massa seca das folhas, das hastes e da raiz (em g), massa seca total (somatório da massa seca de todas as partes da planta, em g), massa seca da parte aérea (somatório da massa seca das folhas e hastes das plantas, em g). Com essas informações foram calculadas a razão raiz/parte aérea (R/PA = massa seca da raiz/massa seca da parte aérea), Área Foliar Específica (AFE = área da folha/massa seca da

folha, em cm2 g-1) e Razão de Área Foliar (RAF = área da folha/massa seca total da planta, em

cm2 g-1), conforme Hunt (1990). A produtividade correspondeu ao peso total das folhas

colhidas nas plantas de cada parcela.

Para a extração do óleo essencial das folhas utilizou-se o método de hidrodestilação (SAITO; SCRAMIN, 2000). Foram utilizadas amostras de 100 g de folhas frescas para cada unidade experimental, que foram colocadas no aparelho de extração tipo Clevenger

(Vidrolabor®), onde as folhas ficaram em contato direto com 1,0 L de água fervente a 105 ºC.

O óleo essencial foi volatizado juntamente com vapores de água e condensado em um sistema fechado, onde posteriormente, a camada do óleo foi separada da fase aquosa. Cada extração do óleo foi realizada por um período de 90 minutos, período previamente estabelecido para a extração do óleo da espécie em questão. Ao final, foi feita a leitura do volume e, em seguida,

calculado o rendimento de óleo essencial em L ha-1.

Os dados foram submetidos às análises de variância e análise de regressão, sendo selecionado para expressar o comportamento das doses de N sobre as características avaliadas,

o modelo significativo que apresentou maior coeficiente de determinação (R2). Nas

significâncias das análises de regressão foi considerado o nível de probabilidade de até 5%, pelo teste F, todas as análises foram realizadas utilizando-se o software Sisvar versão 5.6 (FERREIRA, 2019).

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observou-se interação entre as doses de N e os cortes (p<0,01) para a altura de planta, diâmetro de copa, área foliar, AFE e teor de óleo essencial. No primeiro corte a altura de planta (Figura 1A), o diâmetro de copa (Figura 1B), área foliar (Figura 1C) e teor de óleo (Figura 1E) apresentaram-se superiores em relação ao segundo corte. Não houve efeito das doses de N sobre o rendimento de óleo essencial em nenhum dos cortes (Figura 1F). No primeiro corte as

plantas alcançaram maior altura com a dose de 50 kg ha-1, e no segundo corte com a dose de

200 kg ha-1 (Figura 1A). Para o diâmetro de copa, o maior tamanho foi obtido com a dose de

100 e 200 kg ha-1 no primeiro e segundo corte, respectivamente (Figura 1B). A produção

máxima de área foliar das plantas de manjericão foi obtida com o uso de 150 kg ha-1 no

primeiro e 200 kg ha-1 no segundo corte (Figura 1C). Para a AFE, observou-se um efeito

decrescente com o aumento da dose de N no primeiro corte, com a maior AFE na dose de 100

kg ha-1, já no segundo corte, ocorreu uma aumento da AFE com a adoção de doses crescentes

de N, obteve-se valor máximo com 250 kg ha-1 (Figura 1D). O maior teor de óleo essencial foi

obtido com a dose de 150 kg ha-1 no primeiro corte, e 250 kg ha-1 no segundo corte (Figura

1E).

O nitrogênio é o responsável por promover o crescimento das folhas (DECHEN; NACHTIGALL, 2007), e seu suprimento adequado permitiu incrementos na altura das plantas e na área foliar. Observações realizadas por Maia et al. (2008), apontaram que a adubação orgânica e mineral proporcionou acréscimos na altura das plantas de bamburral.

Conforme Benincasa (2003) relata, a área foliar é uma variável bastante usada na avaliação da adaptação da planta com a radiação luminosa, e este é um indicador de produtividade, visto que se conecta com a taxa fotossintética e transpiratória, aumentando a capacidade da planta absorver água e nutriente.

Conforme aponta Nalepa e Carvalho (2007), ocorre um controle genético sobre o teor de óleo essencial. Entretanto, acréscimos no seu rendimento tem relação com os valores de nutrientes disponíveis às plantas (SILVA et al., 2006). A aplicação de fertilizantes

nitrogenados na dose de 300 kg ha-1 proporcionou aumento no rendimento de óleo essencial

de manjericão (SIFOLA; BARBIERI, 2006). A adubação nitrogenada proporcionou maior rendimento de flores e óleo essencial de camomila no primeiro corte (DALLA COSTA, 2002). Também, Ramezani et al. (2009) e Azizi et al. (2009) observaram que os teores de N favoreceram maior produção de óleo essencial de Ocimum basilicum L.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 Desse modo, neste estudo, as condições de fornecimento de N que favoreceram o incremento da área foliar, possivelmente, têm relação com o aumento no teor de óleo essencial de manjericão. Acredita-se nessa relação pois, conforme aponta Malavolta (2006) e Taiz e Zeiger (2015), o N é um dos nutrientes mais relevantes às plantas, sendo participante de funções relativas ao crescimento das plantas, constituindo estruturas moleculares de aminoácidos, enzimas e pigmentos. Ademais, Dustin e Cooper-Driver (1992) reforçam que em situação de deficiências de nitrogênio pode ocorrer reduções nos teores de terpenóides, constituintes dos óleos essenciais.

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Figura 1. Altura de planta (A), diâmetro de copa (B), área foliar (C), área foliar específica (D), teor (E) e

rendimento de óleo (F) de plantas de manjericão submetidas ao primeiro (C1) e segundo corte (C2) cultivadas sob diferentes doses de nitrogênio.

A Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Altura de pl anta (cm) 20 25 30 35 40 45 50 C1 = 42,24 +0,034x -0,0003x2 R2 = 95,01 C2 = 33,61-0,28x+0,003x2-0,000007x3 R2 = 89,09 B Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Diâme tro de copa ( cm ) 10 20 30 40 50 C1 = 482,36-79,89x-0,54x2+0,001x3 R2 = 98,58 C2 = 1224,66-9,41x+0,11x2--0,0003x3 R2 = 82,47 C Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Àrea Foliar (cm 2 ) -1000 0 1000 2000 3000 4000 5000 C1 = 482,36-79,89x-0,54x2+0,001x3 R2 = 98,58 C2 = 1224,66-9,41x+0,11x2--0,0003x3 R2 = 82,47 D Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 AFE (cm 2 g -1 ) 100 200 300 400 500 600 700 C1 =302,43-1,23x -0,013x2 +0,000045x3 R2=91,52 C2 =503,43-0,34x +0,0036x2 +0,000023x3 R2=88,80 E Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Te or de ól eo (m L/ 10 0 g Fol has Fre scas) 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 C1 = 0,1057+0,003x -0,00001x2 R2 = 92,90 C2 =0,098-0,0001x +0,0000001x2 +0,0000000037x3 R2=81,81 F Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Rend ime nto de ó le o (L ha -1 ) 5 10 15 20 25 30 35 40 45 C1 = 24,49 C2 = 24,49

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 Também houve interação entre as doses de N e os cortes (p<0,01) para massa fresca da parte área, tanto de folhas quanto das hastes, bem como na massa seca destas mesmas estruturas. Notou-se no primeiro corte maior acúmulo de massa fresca (Figura 2A, 2B e 2C) e seca da parte aérea e dos seus constituintes (2D, 2E e 2F) em relação ao segundo corte. No

primeiro corte as plantas alcançaram com a dose de 100 kg ha-1 o maior acúmulo de massa

fresca das folhas (Figura 2A), hastes (Figura 2B) e parte aérea (Figura 2C), e ao mesmo tempo também, de massa seca destas mesmas estruturas (Figuras 2D, 2E e 2F). Já quando realizado

o segundo corte, a dose de 200 kg ha-1 proporcionou a máxima produção de massa fresca e

seca da parte aérea (Figuras 2A, 2B, 2C, 2D, 2E e 2F).

Após o segundo corte, as plantas foram eliminadas e analisado o sistema radicular. Observou-se que não houve efeito significativo das doses de N sobre a razão raiz/parte aérea

(Figura 3C), o comprimento (Figura 3D) e volume de raízes (Figura 3E). A dose de 150 kg ha

-1 de N proporcionou a máxima produção de massa fresca e seca das raízes, bem como, massa

fresca e seca total das plantas (Figuras 3A e 3B). Maior razão de área foliar foi observada na

dose de 0 kg ha-1 de N (Figura 3F).

É provável que doses de N superiores a 200 kg ha-1 possam proporcionar efeitos

negativos ao crescimento e produção de óleo essencial em manjericão. Mota et al. (2001),

observaram que doses de N maiores que 200 kg ha-1 restringiram a produção de alface

americana, e atribuem essa resposta a prováveis efeitos fitotóxicos, paralisando o metabolismo e o crescimento das plantas, causando uma queda na produtividade.

Resultados obtidos por Matsumoto et al. (2013), apresentaram que as doses entre 50 e

100 kg ha-1 de N e K ocasionaram aumento na produtividade de biomassa fresca do O.

basilicum. De modo modo semelhante, Arabacy e Bayram (2004) constataram que diferentes

densidades da fertilização nitrogenada elevou o acúmulo de massa seca foliar em manjericão.

Também Singh (2002), observou que a dose de 200 kg ha-1 de N promoveu maior rendimento

de biomassa em manjericão. Já Furlan (2000) observou que, somente as doses de 60 e 120 kg

ha-1 de N proporcionaram um acréscimo na biomassa fresca e seca, respectivamente, em O.

basilicum cv. Genovese, e que não houve efeito das doses de K e P. Segundo Magalhães et al.

(2007), à produção final de massa seca está diretamente relacionada com a área foliar, pois durante o ciclo de desenvolvimento, a planta depende das folhas como órgãos fotossintetizantes, e a taxa de crescimento depende tanto de expansão da área foliar como da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 Observou-se nesse estudo que no segundo corte todas as variáveis de crescimento e de acúmulo de biomassa fresca, seca e de teor de óleo essencial foi inferior ao primeiro corte. Pode-se inferir isto ao fato de não ter sido realizada nenhuma adubação nitrogenada após o corte, estando a rebrota da planta de ocorrer às custas da adubação previamente ofertada até o primeiro corte. De modo oposto ao observado neste estudo, Yakota et al. (2015) constataram que as maiores altura de planta, área foliar, produção de massa seca de folhas e do rendimento de óleo essencial de plantas de manjericão ocorreram no segundo corte quando acompanhado da aplicação de adubos foliares organomineral.

Quando o manjericão é submetido a cortes intensos e sucessivos passa a apresentar comportamento anual, embora seja considerada uma planta perene (CORRÊA JÚNIOR et al., 1994). Dessa forma, se o objetivo da exploração for a máxima produção de biomassa e óleo essencial, será necessária a renovação da cultura através dos cortes (MAY et al., 2008). Portanto, com esse estudo, acredita-se que, para se alcançar maiores rendimentos, além da adubação dose adequado de nitrogênio em plantio e cobertura, deve-se adotar uma suplementação após primeiro corte, pois, mesmo havendo remanescente da dose adotada, com uma complementação é possível maximizar a produtividade no corte subsequente.

De acordo com Bonato et al. (2009) a maior absorção de nitrogênio pela planta pode gerar um acúmulo de biomassa, mas não um incremento na produção de óleo essencial. E Costa et al. (2006) observaram que, a área foliar específica está relacionada com os períodos de expansão da lâmina foliar, e quando as folhas aumentaram em espessura, ocorre decréscimo na área foliar específica, com diminuição na fixação de carbono.

Aponta-se que a aplicação de N deve ser equilibrada, pois doses elevadas podem detrimentar os teores de óleo essencial, devido ao incremento luxurioso no acúmulo de biomassa na forma de componentes estruturais por unidade de área, pois nessas situações, pode-se ter plantas com maiores área foliar específica e razões de área foliar, que implicam em folhas mais espessas, no entanto, não esses componentes não contribuem necessariamente com incrementos nos teores de óleo essencial.

Assim, infere-se que as condições que favoreçam a expansão foliar afetarão diretamente a produção de biomassa, de tamanho de área foliar, e por conseguinte, o teor de óleo essencial de manjericão.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761

Figura 2. Massa fresca de folhas (A), de hastes (B), da parte área (C), massa seca de folhas (D), de hastes (E) e

da parte aérea (F) de plantas de manjericão submetidas ao primeiro (C1) e segundo corte (C2) cultivadas sob diferentes doses de nitrogênio.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 A Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M a ss a F res ca de F o lha (g p lan ta -1 ) 0 20 40 60 80 100 C1 = 11,68+1,55x-0,01x2 +0,000019x3 R2 = 96,25 C2 = 18,6 -0,19x+0,0023x2 --0,000006x3 R2 = 90,58 B Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M a ss a F res ca de Ha ste (g pla n ta -1 ) 0 10 20 30 40 50 60 C Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M ass a F res ca da P aret A ére a (g p lan ta -1 ) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 C1 = 20,46 +2,76x -0,021x 2 +0,000038x3 R2 = 98,37 C2 = 27,94 -0,19x +0,0031x2 -0,000009x3 R2 = 79,41 C1 = 8,73+1,21x -0,0097x2 +0,000002x3 R2 = 99,32 C2 = 9,34 -0,005x +0,0008x2--0,000003x3 R2 = 74,67 D Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M a ss a Sec a de F o lha s (g pla n ta -1 ) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 C1 = 0,99+0,21x -0,0013x2 +0,0000019x3 R2 = 86,63 C2 = 2,6 -0,0023x +0,0003x2 -0,00000067x3 R2 = 95,17 E Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M a ss a Sec a de Ha ste (g pla n ta -1 ) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 C1 = 2,11+0,3x -0,0024x2 +0,0000049x3 R2 = 98,65 C2 = 3,67+0,011x +0,0002x2 -0,000001x3 R2 = 70,61 F Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 M ass a Sec a da P arte A ére a (g p lan ta -1 ) 0 5 10 15 20 25 30 35 C1 = 3,13+0,49x -0,0036x2 +0,00000064x3 R2 = 96,62 C2 = 6,28 -0,01x +0,0004x2 -0,0000016x3 R2 = 70,58

Figura 3. Massa fresca de raízes, da parte aérea e total (A), massa seca de raízes, da parte aérea e total de

hastes (B), razão raiz/parte aérea (C), comprimento das raízes (D), volume de raízes (E) e razão de área foliar (F) de plantas de manjericão submetidas ao segundo corte (C2) cultivadas sob diferentes doses de nitrogênio.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 A Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Ma ssa F resc a (g plan ta -1 ) 0 20 40 60 80 100 120 140 MFR=37,64+0,69x -0,0045x2 +0,000006x3 R2 =93,58 MFPA=27,95-0,2x +0,003x2 -0,000009x3 R2 =79,62 MFT=65,7+0,47x -0,001x2 -0,0000045x3 R2 =89,42 B Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Ma ssa Se ca (g p lanta -1 ) 0 5 10 15 20 25 30 MSR=9,33+0,11x -0,0007x2 +0,0000009x3 R2 =76,32 MSPA=6,31-0,04x +0,0004x2 -0,0000014x3 R2 =69,39 MST=15,67+0,09x -0,0001x2 -0,000001x3 R2=74,95 C Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 R/P A 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2 2,4 Y = 1,61 D Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Co mpri me nto de raiz (cm) 14 16 18 20 22 24 26 28 Y = 21,67 E Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 Vo lum e de raíz es (mL ) 60 80 100 120 140 160 180 200 220 Y = 137,50 F Doses de N (kg ha-1) 0 50 100 150 200 250 RA F (cm 2 g -1 ) 30 40 50 60 70 80 90 RAF = 80,32 -0,899x +0,0072x2 -0,0000153x3 R2 = 99,40 4 CONCLUSÕES

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.5, p.24739-24756 may. 2020. ISSN 2525-8761 As doses de N influenciam a produção de biomassa e de óleo essencial de manjericão quando realizados os dois cortes.

No primeiro corte houve maior acúmulo de massa fresca e seca da parte aérea e dos seus constituintes.

A dose de 100 kg ha-1 proporcionou o maior acúmulo de massa fresca e seca da parte

aérea no primeiro corte.

No segundo corte, a dose de 200 kg ha-1 proporcionou a máxima produção de massa

fresca e seca da parte aérea.

A dose de 150 kg ha-1 proporcionou maior teor óleo essencial no primeiro corte, e a de

250 kg ha-1 no segundo corte.

A doses de 200 kg ha-1 tanto assegurou uma adequada produção de biomassa quanto de

óleo essencial de manjericão com a realização de cortes.

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Tabela 1. Características físicas e químicas do solo utilizado para cultivo das plantas de manjericão (Ocimum  basilicum L.)
Figura 1. Altura de planta (A), diâmetro de copa (B), área foliar (C), área foliar específica (D), teor (E) e  rendimento de óleo (F) de plantas de manjericão submetidas ao  primeiro (C1) e segundo corte (C2) cultivadas
Figura 3. Massa fresca de raízes, da parte aérea e total (A), massa seca de raízes, da parte aérea e total de  hastes (B), razão raiz/parte aérea (C), comprimento das raízes (D), volume de  raízes (E) e razão de área foliar  (F) de plantas de manjericão su

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