FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
INSTITUTO SUPERIOR DE ESTIJIDS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS CENTRO DE PóS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
ArRIBUIÇÃO DE C4USALrDADE A EVENTOS ACIDENTAIS
E A 'fOMADA DE RISCO
r'lÁ.vio Lemos de SOUZA.
!'Gv/rsoP/C?GP
Pr'lia de Bot'lfogo. 199 - Srll'l 1108
INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS CENTRO DE P05-GRADUAÇAO EM PSICOLOGIA
ATRIiUIÇXO DE CAUSALIDADE A EVmlTOS ACIDENTAIS E A TOI~ADA DE RI SCO
por
Flnv10 Lemos de Souza
Tese submeti da coma requi sito parci~ para obtenç~o do grn,u de
MESTRE EM BSICOLOGIA
Ao professor Cilio Ziviane por sua orient~çno e estímulo.
Ao Conselho N~cionA.l. de Desenvolvimento Cientí fi co e Tecno16gico pelA. bolsa concedida.
Aos professores ArDIdo Rodrigues, Del~ Coleta, E -VA Nick, José Henrique Valentim, Francisco Pnlharine e Ange lin~ KR.lil pelns vnl1osp.s contribuições recebidas.
Ao Gilda Silveir~ por ter conseguido n libernçno dos sujei tO!) f)::l.rp. R.pli Cf.\çnCI dos instruoentos.
~ Clnrn, Florípedes e Lai a pelA constp.nte preste-za com que me atenderAm.
Aos colegA.s do mestrndo e a todos os sujeitos
(a-mostra) desta pesqui sa, corn quem mui to pude A.prender.
À minhn mne (Nina) e minha n~ornãa (Chris) por iodn ? forçn que me.àernrn.
Esta pesquisA. teve por objetivo avA.lÜ\r possíveis relações existentes entre Atribuição de CA.US'fÜidarle e Toma-dA. de Risco co-m relaçno A. eventos aCidentR.is, tlssim como a influência de ~gumA.S vAriáveis sobre o processo de Tomada de Decisão em situações de risco de acidentes.
PAra isto foram construidos 4 instrumentos e Apl! carlos A. 59 sujeitos operRrios nÃo especiA.lizados de uma in-dústriA. de conserVAS de pescado no Rio de JAneiro. Dentre A. IllnOstrA., 30 suj eitos são do sexo feminino e 29 do sexo mas-culino.
As vAriÁ.ve1s considernd.lls forp.fC: sexo dos suj ei tos, vitimnçno, consequência da Tomada de Risco, situaç~o sob jul gl'unento e 10c.I'\1 de trR.b:Uho dos EU jei."tos.
Os instrumentos - aplicados A. cadn sujeito
em número de 4, sendo que dois deles vers~ sobre situA.ções no trânsito e dois sobre situ~çõe8 no trnbRlho.
Os result~d08 revelRram .uma influência significA. tivA. de fRtores socio-culturais e psico16gicos no processo de To~da . de Decisão mnnte de eventos RCidentA.is, bA.se~do nA. vivên'ciA. de grupos de trnbnlho com relnç~ A. acidentes. Os resultados mostrA.rnrn que os grupos se estruturam cogniti vamente no sentido de tender P. pndronizA.r A. formA. explicRti va dos acidentes com bRse nA. renlidade vividA. pelo grupo.
The m.qin ob;jeti ve o~ this work 18 ta study the pO.ssi bI e relntions between A tt ri bution rold Ri sk-tfiking a c-cording to ~ccident~ events ~s well the influence af some vA.rü\bles ::=tbout t ll.king deci sion process in risk si tUf\tion pf -'I\cci dents.
For this purpose, faur tests were made Rnd Rppli -cd to 59 subjects, blue workers, from a canned industry af Rio de Jnneiro. The Sl::mple included: 30 fem:ties Md 29 ma -l es.
The control:Led VAri nbles were sex, victri.m the resul ts of Risk- tA.king. situation under judgement :md the plSlce where the subjeets warked.
The faur teBts - applied to eRch subj eet - were di vided in two kinds: two A.bout trFlffic'· si tURtions nnd t\.!o ::tbout work' si tuntions.
The resulta showed that soc1~ culturnl and psy -chologic.ql f.qctors hA.\f€ fi significf\nt influence in the ta -king decision process in the p-ccidentRl events situntion b::tsed in the experience in workshop group's rel::tted to p.c cl-dents.
The results showed that the gr~ups Rre orgnnised Rccording t o ::t pndronized kind of response, or elset the '~ay to expl ain the nccidents is bf\sed on their re:üi ty.
S U M Á R I O Agradecimentos .. .. . . . .. ... . Resumo . . . • . . . . ..... .. . . . • . . • • Sumrnary • • • • • • . • • • . . . • . . . • • . . • . . . • • • . • • . • • INTRODUÇÃO
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. ,~ '..
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IIIIV
V 01 ATRIBUIÇÃO DE CAUSALIDADE o • • • • • o o • • • • o . o o o o o o o o o o o o o o 03 Contrl bu1ções de ?ri tz Heider . . . . ..... . 05C::tus~id::tde Pesso~l e Impesso~ •...•... 06
Níveis de Atribui(;RO
...
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...
13
~
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Dinfunica do Processo de Atribulçaa de Cf!.uSRl
i-d.qde . . . . . . . . . ... . . . 17 Teorias de Atribuiç~o de C~us~id3de fi. Eventos
Acd.dentll!s
...
..
-... ..... ... . 20 Explicação cnlClldl'\ na BuscA. de Controle ... . 21 Hi pótese do f1undo Justo o o o o o o o o o o o o o o o o o o o 30AtribuiçRO Defensiva 40
RISCO .(Tomada de Risco)
IntroduçÃo o o o o o o o o o o o o o o o o o o . o o o o 0' 0 o o o o o . o o o o 43 Os Acidentes Conceitu"I.çno de TrA.b.<llho . . . . . . . . ..
...
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....
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46 48 TomA.d~ de Risco . . . . . .. . ... •.. . .. .. 49Estudos sobre Tomndl\ de Risco . . . . . ... . .. . . . 52 Tomnd~ de Risco e Acidentes de TrA.b~ho ...•.. 55
METODOLOGIA
Construção dos instrumentos TestAgem Amostra
,
. emp~rlCA . . . . ... .... .. ... ... ....
Instrumentos...
...
...
...
...
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Coleta de dados...
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VRriÁ.veis....
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Questões de trRbalho..
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RESULTADOS...
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ANALISE E DISCUSSAO DOS RESULTADOSCONCLUSAO
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BIBLIOGRAFIA ANEXOS.
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"...
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70 72 919
9
101 106•
Tôda vez que se pr ocure enfatizar a signif:;cação dos estudos científicos são necessariamente citados seus walôres sociais. A cada ano que passa, cada vez mais, bu~ Ca-se atingir o homem enquanto ser social. O ser humano
I
passa e ser "expl orado 11 e beneficiado enquanto membrÇl de um grupo. O homem permanece a meta, e o g~upo o meio.Embora não o seja, mas ainda que pareça contradi -t6ria à existência de um sentimento de liberdade, indivi -dualidade e independência, as leis que regem os grupôe / permanecem s6lidas, e talvez ainda mais nos dias de hoje. Cada vez mais, em números cada vez maiores e de formas m~ i 9 eficientes, os conhecimentos em psicologia social se multiplicam mediante o desenvolvimento de técnicas basta~ te aperfeiçoadas.
Sem dúvida alguma_ o evento do século XVIII de -terminou um novo perfil ambicionado pela totalidade do pIa neta. A palavra chave passa a ser "desenvolvimento" e a Revolução Industrial permanece ~omo . o marco principal que norteia a economia dos país~s embora assumindo caracterí~ ticas pr6prias dentro de cada ideologia. Os homens se or-ganizam para produ.zir em massa, para produzir em sárie. A participação em grupos torna-se a tônica, a unidade mole -cular que at(fa, define e responsabiliza-se pelo destino de cada nação.
Com a crescente complexificação das estruturas so ciais e a intensa necessidade de mudanças para o acompa -nhamento dos avanços tecneo16gicos, as Ciências Humanas são acionadas de forma a promover o aparato científico para o auxílio no tratamento das novas Situações.
Tambám elas sofrem nas SUas estruturas os efei -tos do des~nvolvimento , su.r gindo então novas especialida-des, novos ramos dentro das ciências.
Dentro desta nOVa paisagem que apresente como mo -tivo central e indústria, configura-se a problemática do
2
,
mudex- e Bssumir novas formas de e~l:!brio adaptativo. dentro desta p:r-0blem{iticEI que enfoca a r elação do :.: homem
consigo mesmo e do homem com o seu meio, que muitos estu-dos em pSicologia vêm apresentar grandes contribuições /
nestes dI timos anos, !p.ormente a psicologia socieL
Concomitantemente', ~ão desenvolvidns e aperfeiçoa
das novaS formas de estudos. A ciência se incumbe em se aparelhar, não s6 de subsidias te6ricos mas també,m reava -lia todo o seu pr6prio instrumental. Assim sende,de
acôr-do com as exigências prementes e com as ceracteristicas
dos problemas, a pesquisa assume um valor primordial na
aquisição de informações e solução de problemas. Surgem,
então, ainda que de forma específica,:alteràções na ordem
dos ãritérios, nos meios de obtenção, avaliação e análise dos dados.
Note-se que e ciência dos fatos, isto é, o conhe
-o ot o ti o
c1mento da rea11dade que cerCa o homem I sempre f 01 um pro
-blema que o preocupou. De uma forma ou outra êle sempre
procurou compreender e explicar os eventos que ocorrem ao
seu redor, de modo a obter um determinado controle sobre
a sua vida. Uma das formas principais de se explicar os
fenômenos e- ao mesmo tempo tornar possível s sua previsão
é através da explicação causal. Ao se detectar 89 causas
de um fenômeno da natureza, tem-se a sensação de poder s~
bre ela, de domínio e de segurança. E'necessariemente dea
tro deste enfoque que se procur~rá estudar a ocorr~nciade acidentes dent ro e fora do trabalho.
Este estudo se utj_liza dos suportes te6ricos das
teorias de Atribuição de Causalidade e Tornada de R-isca, d~ senvolvidas sobremaneira nos últimos anos e de imenso va
-lor pragmático. Busca-se, ainda, como pesquisa aplicada ,
abordar problemas de acidentes do trabalho, e promover
sobre estes, conhecimentos. básicos que possam vir a auxi
-liar no seu tratamento.
Na literatura brasileira existem menos de um~ de
-zena de t rabalhos sobre atribuição de causalidade (Dela C.2,
causar perplexida6e, Bomemte foi encontrado na literatura um dnico trabalho que .relaciona tomada de risco e aciden -tes - Tomada de Risco: um estudo sobre acidentes de trab~ lho (Valentim, 1981).
Assinala-se ainda que nenhum trabalho que relBci~ na atribuição de causalidade e tomada de risco foi encon -trado n8!'li teretura.
O levantamento bibliográfico que hora se apresen -ta, tomará como principais fontes os levantamentos exe
cu-- " , teclos recentemente por Dela Coleta (1981) e V';1entim~980), respectivamente em atribuição de causalidade e tomada de risco, posto que ambos se propuseram a detectar de forma ' ampla os estudos já levados
à
cabo.Devido
à
existência das referências acima citadas não Se' pretende nesta revisão, esgotar os trabalhos exis -tentes dentro do assunto. Ter-se-á como objetivo, a revi -são dos pro blemes que mai:3 se aproximem do cerne de ques -tão aqui tratada, at~ o presente momento.ATRIBUIÇ~O DE CAUSALIDADE
E" fato not6rio a definição do Homem como um ser r!!, cional. E' tamb~m verdade que em sua busca afoita pela V8l1-dade, não se utiliza somente da razão - esta ~ão bastá' p!!,
ra explicar 09 ;renômenos do mundo. Al~m de um animal raci
onal, é também um ser emocional.
Acredi t e-se que um fator de ordem psicol6gica, su1l.. jaz ao ato do conhecimento, e este, unido ao poder da rs-~ão buscam fornecer
afetam·o ""Homem- em da situação.
informações diferentes
sôbre os fenômenos que formas de condutas para cs Note-se que não s6 da razão se utiliza o Homem
p,ª-ra compreender o mundo que o cerca. Além disto, várias são as formas de explicação eX-istentes para a abordagem dos fenômenos. Entretanto, a explicação causal assume um vaDr preponderante dentro deste processo, principalmente quan
" comum.
Foi com a publicação de um singelo mas importa~s
aime artigo em 1944, inti tuledo "Social Perception and phe nomenal causelit.v", por Pritz Heider , que foram lançadas as bases de um valioso campo de estudos posteriormente d!:. nominado 11 Atri buição de Causalidade ". Estes estudos vie
-ram a compor um conjunto de teorias, postulados e result~
dos de pesquisas que se r eferem ao processo de explicação
da ocorrência dos fatos na vida de cada um.
Em 1958, O mesmo autor desenvolve e publica um li vro intitulado "The psichology of interpersonal relations" baseando-se no artigo de 19~4. A partir de então, obser -vou-se um grande incremen.to no desenvolvimento destas no -vas áreas que se abriram dentro dos estudos de pSicologia social .
Em 1972, um grupo de pesquisadores tendo
à
frenteEdward-E. Jones, efetuou uma importante publicação denemi
nada "Atribution: perceiving the Causes of behavior", fru te de uma valiosa dedicação que se baseou em uma série de
pesquisas científicas. A partir de então, observa-se,pri~
cipalmente nos
EU
A
uma eno~e produção de artigos que pa~sam a ser publicados nas principais revistas de psicolo -gia social. Com o aumento de produçeo destes trabalhos são acumuladas um razoável número de informações que pas -sam então a ser compilaõ~s em livros como os de Harvey , Ickes e Kiàà (1976, 1978) e pouco mais taràe registra - se o aparecimento das revisões bibliográfica~ como a recent~ mente elaborada por Dela Coleta (1981), contando com cente nas de referências.
Os mais variados temas tradicionalmente estudados pela pSicologia Social passam a ser abordados sob este n~ vo enfoque . Várias são as áreas envolvidas, que, segundo
Dela Coleta (1981) atinge a Eàucação, Psicologia SOCial dos Esportes, Psicologia Clínica e Aconselhamento, Rela -lões Interpessoais, PSicologia Ambiental , Psicologia ~oci "aI do Trabalho e inclusive metodologia de pesquisa.
,.
CONTRIBUIÇOE
S
DE FRITZ
HEI DER
In~meras foram aS contribuições de Heider
à
Psi -cologia Social. Entretanto, de fQrma particular, interes -sa-nos mais de perto o trabalho que se chamou "Social Per ception and Phenomenal Causality" apresentado, como já oi t ecla acima, em1944
,
cujo conteúdo reflete os princípios do que viria a se constituir mais tarde no campo de teo -ria da Atribuição de Caus;slidede."Para Heider, o paradigma da PSicologia Social de -veria incluir o estudo das relações interpessoais, não n~
-cessariamente através da experimentação controlada, de d~
"
-dução e teste de hip6teses, .a partir de cujos resultados I seriam geradas as teorias explicadoras dos fenômenos, mas sim, principalmente, utilizando-se do que ele definiu co -mo "naive analysis of Bction", compreendida em uma psico -logia ingênua, do senso ' comum, onde 88 explicações seriam
obtiêas a partir do conhecimento não muito formulado, de -finido, abandonando um pouco os rigores do pensamento Car tesiano, e buscando-o, tal como se expressa na vida diária na experiência de cada um, valendo-se até da linguagempe~ soal para tratar os fatos "IDela Coleta, 1981) • .
O autor chama a atenção para o fato de que, na
construção dos instrumentos para o levantamento de dados relativos a este trabalho, voltou-se sobremaneira, a ate~
ção pera este aspecto. Procurou-se adaptar ao máximo, a linguagem do instrumento
e
linguagem cotidiana da popula -ção alvo. Segundo Heider, os próprios homens conhecem- se o bastante para compreender, e mesmo explicar suas rela-ções com outras pessoas.A melhor forma que se encontrã para explicar o ob
jetivo estratégico desta medida é dizer que, o que se pr~ tende é, não de trazer o Homem para dentro da ciência, e sim, introduzir os critérios científicos no di a a dia.
O livro de 1958 merece de Heider a malor dedica -ção sobre o tema Atri buição de Causalidade, onde a cada capitulo as implicações ou explicações dos processos de ~
..
tribuição são con~iderados.
Segundo Heider li • • • o homem deseja conhecer as
fontes de SUas exper iências, saber de onde vêm, saber co
-mo surgem, não apenas por curiosidade intelectual, mas tem bém porque esse atribuição lhe permite compreender o seu mundo e predizer e controlar acontecimentos referentes a ele e aos outros" (Hei der, 1970 pg. 169). O alcance das invariâncias entre Causa e afeito no comportamento das pe..e. soas seria um elemento poderoso para o ser l'lllmano pre que pudesse compreender e controlar o seu comportamento, o com pottamento de seu semelhante e o seu pr6prio mundo. Assim e Atribuição de Causalidade busca as explicações acerca ' dos porqués destas ocorrê'ncias.
Heider apresenta uma ~~stinção entre os têrmos cognição e percepção, que é importante ressaltar. A Atri buição de r.ausalidade pode ser considerada como um impor:.:.'" tante elemento mediador, moderador, das relações interpe~
soais, na medida que o comportamento de cada um será em boa parte determinado pelas configurações cognitivas que fez a respeito do mundo e da ação de seus semelhantes. Por tanto, assinala-se que "0 têrmo 'percepção' refere-se mais propriamente aos casos onde existe certa estruturação de seus componentes, e 'cogn,ição ," diz respei to mais de perto aos eventos pouco estruturados nos quais os elementos br~ tos e o percepto destes elementos estão mais distantes sendo portanto mais inconclusiva que a percepção. Pode-se supor também que a cogni Çi30, ou perce pção, do s e vento s 60
ciais que a (Dela
seguem leis menos rígidas, estruturadas e estáveis percepção de objeto ou eventos meramente físicos Coleta, 1981).
CAUSALIDADE PESSOAL E IMPESSOAL
"
Para efeito deste trabalho, deve-se relevar pa r-ticular interesse às características de pessoalidade ou iwpessoaliàade r.a atribuição. Haja vigta o valor pa
rtic~-:
-lar que este enfoque oferece sobre os estudos dos eventos acident ais, assim como sua r~lBção com os aspectos das teorias de Tomada de R:isco.
'.
O processo de Atri bUi Çãõ' de 'Causalidade estiL cal cado na busca de propriedades dispo si clon ai s que venham a
explicar a ocorrência dos f atos. Para Heider as propri eda
des disposicioosi s êeriam " ••• as partes ou caracterís ti-cas do ambiente (pessoa) dadas direta ou fenomenalmente t e para as quais se dirige a percepção (ou ação), são aqu~ las que em si mesmas mostram não variação (isto é, não , mu
-dam muito em SUaS propriedades) ou que, quando mudam, mu -dam sobretudo de maneiras que seguem leis macrosc6picame~
te visívei s " (Heider, 1970, pg. 43) . Desta forma, estas prQ.
priedad~s são as invariâncias que permit em a percepção m~
is ou menos estável do mundo e se referem tanto a caract~ rísticas dos objetos como das pessoas~
Assim sendo, Heider defendeu a existência de dois
f atores básicos aos quais os sujeitos dirigiriam a Atrib~ ção de Causalidade aos fenômenos que observassem e chamou
a estes: causalidade pessoal e causalidade impessoal. O
primeiro diz respeito ~ atribuição interna eo sujeito e n-volvido na ação, fariam n~ferência às características das pessoas; o segundo diz re:spei to às atribuições externas I
ao sujeito envolvido na ação - fariam referências a cara~
terí sticas das~itun~;eB.
Somou-se ainda a Hste fator, um outro que se preQ.
cupa com o graci de estabi lidade das causas, dividindo em
duas categorias: causas estáveis e CauSas instáveis. As -sim sendo, as CaUsas atribui das ao ambiente poderiam refe ri r-se ao grau de dificulàade da tarafa (task dificult )
sendo esta considerada estável, ou ao acaso (luck) cons
i-derada instável .
As Causas relativas ao sujeito seri9m oriundas de
duas fontes distintas: as características estáveis do su -jeito, capaCidade (ability), suas habilidades, potenciali
dades; ou às Suas necessidades do momento, suas motivaçõe
,
.
A preocup~ção maior de Heider, centrou-S8 inici~ mente ao aspecto de pessoalidade ou impessoalidade dasca~
saa;
à
diferendiação entre o poder e o tentar; de haver ou não intenção na ação do Elujeito. Dentro deste ângulo, Heider faz uma distinção hoje i mportantíssima para a teoria da atribuição, que se refere ao esn (poder) e ao Try (ten ter) por parte do sujeito envolvido na ação.
A causalidade pessoal, conforme Dela Coleta(1981)
caracteriza-se pela equifinalidade, pela invariabilidade dos fins, das metas, e pela variabilidade dos meios utili zados para alcançá-las, onde a intenção do sujeito ~ o fator cent"ral e o esfôrço do indiví duo pertence ao núcleo
de causalidade pessoal recebendo a capacidade uma impor
-tância secundária.
A causalidade impessoal, ainda segundo o mesmo aU tor, ao contrário da causalidade pessoal, os efeitos pro -duzidos são diferentes dependendo das condições que os a~ tecedem. Não há equifinalidade na causalidade impessoal .
Vê-se que desta forma, a Atribuição de Causalida
-de e Responsabilidade • .: variam de acôrdo com o pa -peI do ambiente, dificuldàd.e da tarefa, acaso,. capaCidade do sujeito, intenção, esfôrço. No Caso de um comportamen
-to ser atribuido ~ capaCidade de uma pessoa, ela n~o é considerada tão responsável por ele quanto no caso em que
este é atribuido ~ sua motivação.
Estas demarcações feitas por Heider, referentes à causalidade pessoal e impessoal e a diferenciação entre o ean e o Try, encontram estudos correlatos na literatura . Um deles é o de que tratou Angyal (1941) ao eBtuàar 08 f!!.
nômenos a que chamou heterônimos (aqueles que tem origem fora da pessoa) e os autônomos (aqueles que tem . na pr6 -pria pessoa a SUa causaç~o) . Outro estudo que também se
aproxima do de Heidar foi executado por Rozenzweig, apon -tando duas categorias de pessoas que reagiriam de forma
diferente diante dos fatos. O primeiro tipo foi cataloga -do como pessoas intro- punitivas e se referem a aquelas que
que lhes acontecem, e o segundo como pessoas extra-puniti
vas, sendo aquelas que procuram indicar outras pessoas ou
o ambiente como responsáveis pelas ocorrências. jnfe11zes.
Sob influência dos t rabalhos de Heider, origina
-r am uma sárie de estudos que vieram em mu:t:tn contribuir nas
di versas áreas da Psicologia Social, introduzindo este n~
VQ enfoque, esta nova e f:e"'r ti l fonte de informações. A
l-guns trabalhos de enorme importância foram aqueles
produ-zidos por Weiner e seu col abor adores, que estudaram a a -tri buição de sucesso e f racasso, e uma proposta de expli
-cação ao processo motivecional com base na teoria da atri
buição, que segundo o pr6prio Heider (Harvey et a11i,1976)
consti tui-se numa das linhas de pesquisa ligadas à teoria
de atribuição que mais se desenvolveram nos últimos anos.
Segundo este novo moõêlo atribucional de motiva -ção de realização fundamentada em Heider (1958) e nos r
e-sultados de estudos de "locus de controle" (Rotter, 1966), os indivíduos utilizariam quatro elementos causais disti~ tos para julgar , anteCipar, predizer, interpret ar um even
to qualquer de realização: capaCidade, eSfôrço, dificu1d~
de da tarefa e acaso.
Weiner e seus colaboradores (1972) propõem que estes quatro fetôres sejam distribuidos em duas dimensões
distintas: locus de controle da causa do evento (interno ou externo) e grau de estabilidade da causa em questão (e~
tável ou instável ).
Apresenta-se a seguir uma tabela composta pelo prQ. prio Weiner com a configuração dos dados acima esti pulados
Tabela 1 : Esque~a das causas determinantes dos comportamentos (Weiner et alli 1972) IJocus de Controle da Causa
I
Inte!rno Externo I w
'"
""I Dificuldade da'"
'O +> .-+ Capaci.dade'"
.,
"
'"
tarefa (task'"
'O"
'"'
> 'O -.-I"
(ability) àiffj,H'
.-+.,
:s -.-I o'"
.c ~'"
..
'"
.,
c >"
+' 'O H..,
Esfôrço Acaso +'10
,
.
Em seguid,ê será apresentada uma tabela demonstran do os dados através dos quais, segundo a pesquisa cientí
-fica, podem ser utilizados pare inferir sôbre as causas:
Tabela 2: Dados utilizados para inf erências re
ferentes ~s Causas do sucesso e
fre-casso (retirado de Vleiner, 1972)
Elementos Causais Capacidade Dificuldade da tarefa Acaso Esforço
Dados utilizados
Ndmero de sucessos, perem t agem de sucessos, desem
-penho máximo, dificuldade
da tarefa, padr ão de su -cessos
Características objetivas da tarefa, normas sociais Características objetives da tarefa, indepenàência
dos resultados, aleatori~ dade dos resultados (pa -drao de desempenho) , rari dade do evento
Resultado, padrão de desan penha, tensão muscular per
cebida, transpiraçeo, pe~
sistencia na tarefa, co
-variação do ãesempenho can o valor incentivo do obj~
tivo, dificuldade da tar~ fa
,
Frize e We.1ner (1971) . como nos aponta Dela Coleta (1981),"encontraram que a inconsist~ncia noe resultados ob
.
-tidos por outros aumenta a atribuição causel
à
capacidade, esforço, e acaso, enquan"to a consistência está mais assoei-ª. na à atribuição à dificuldade da tarefa; a consistênciatemporal dos resultados dos outros faz crescer a atribui
-ção
à
capacidade e dificuldade da tarefa e diminui a at ri-buição ao acaso. No caso do pr6prio sujeito fazendo atri -buição causal às suas reHlizações, a consistência com asrealizações no passado tende a estar associada à maior a
-tribuição
à
capacidade e dificuldade da tarefa, e esforço.a 1noon
-sistência liga-se mais Mais importante 1970) de que o sucesso
ao aCBSO e ao
entretanto é a constatação (Fitch ,
tende a ser atribuído mais ~s cau
-sas internas, ficando o f racasso como sendo causado pela I dificuldade da t arefa e pelo acaso, ambos fatores externo~ o que é um indicador i mportante da tendência de defesa e ~ levação de seu pr6prio ego no processo de Atribuição I'~" de Causalidade a eventos envolvendo a realizaç~o.
Feather e Sirnon (1971) demonstraram que os sujeitos tendem a atribuir os resultados esperados a fatores inter
-nos estáveis (capaCidade ou não) e os inesperados a fato
-res externos instáveis (acaso, boa ou má sorte) , resulta -dos que são explicados baseando-se no princípi o do qquili -brio de Heiàer (1958). Ao mesmo tempo se ume pessoa experi menta sucesso em uma tarefa, este é mais atribuído
à
capa -cidade pelos sujeitos com alta expectativa, do que aqueles sujeitos com baixA, expectativa, enquanto que se um sujeito encontra o f rQcasso em uma t arefa, este é mais atribuídoà
falta de capacidade pelos sujeitos com baixo expectativadb
que por aqueles com alta expectativa.
Weiner e Kukla (1970) em seus experimentos sobre a
atribuição de recompensas e punições por observadores,qua~ do se variavam a capacidade, o esforço dispendido, e os re sultados alcançados pelos indivíduos envolviôos na tarefa,
observaram que os sujeitos atribuiem maiores recompensas ao sucesso e menores punições pelo fracasso nos casos õe pes
-,
soas esforçadas mas sem capacidade; ao passo que atribuiam menores recompensas pelo sucesso e maiores punições pelo I
fracasso àquelas pessoas que possuiam capacidade para aque la tarefa, ~8S não se esforçavam em sUa execução. Esses m~ mos resultados foram obtidos por Heckhausen (1967), repli -cando este estudo na Alemanha Ocident al".
Em replicação feit a no Brasil, dos trabalhos de V/ei ner e Kukla (1970) , por Hodrigues (1979; 1980) o autor che gou a resultados que difE~rem tanto dos obtiàos pela pesqui se original quanto da aU"l replicação na Alemanha Ocidental por Heckhausen (1967) .
Rodrigues (1979, 1980), trabalhando com diferentes amostras, demonstrou que:
lia) os mais recompensados por bons resultados f orem os esforçados e competentes na tarefe, os quais foram tDmbém os menos punidos por meus resulta -dos.
b) os menos recompensados por bons resultados e ma
-is punidos tpor maus resultados foram os não es -forçados e incompetentes na tarefa11
• Rodrigues , 1979).
Com base nestes resultados o autor chegou à conclu
-são àe que existe" uma diferença clara entre os processos I
de atribuição utilizados pelas emostl'~<:; americanas e ale
-mãs por um lado e a brasileira por outro. As primeiras ~
tendem a valorizar mais o esforço pelo sucesso e punir me -nos o não esforço pelofrn~ssb" enquanto que no Brasil os s~
jeitos tendem a valorizar mais e capacidade pelo sucessosl cançado e punir mais a incapacidade pelo fracasso.
Entretanto, Dela Coleta (1980) chama a etenção pelE
o fato de que apesar destes princípios se apresentarem tão
bem àesenvolvic3os por Weiner e colaboradores, muito há ai!:!. da por se fazer , para que se tenha um maior respaldo obje -tivamente definido mediante a execução de várias pesquisas levando, inclusive, em consideração o aspecto social , raci
-,
tinência do item ~sfôrço
à
categoria instável, quando se ~ nalisa o comportamento de outros, já que é comum se ouvir"fulano é esforçado", sendo que desta forma poderá signif!
Car uma capacidade positiva das pessoas.
NlVEIS DE ATRlBUIÇ~O
Variando em função do grau de engajamento do sujei t o na ação e as forças externas, Heider (1944, 1958) esti
-pulou diferentes níveis dn atribuição em que a causalidade
pode ser atribuída ao sujedto da ação, indo dos níveis mais i nferiores, onde ao sujeito seria atribuido menor grau de
responsabilidade pelo ato, até níveis onde ela seria maxi
-mizada. Esta proposta envolvia a variação progressiva do
ní vel de engajamento pessoal do autor da ação, bem como a
indicação de que estes níveis correriam paralelos aos está
gios de desenvolvimento humano, isto é, os critérios decau salidade e intencionalidade seriam progreSSivamente defini-dos pelo homem ao longo de suas etapas de desenvolvimento.
Pela ordem os cinco níveis propostos por Heider 980:
1 - associação ( association);
2 - causalidade-engajamento (comission, causelity,
extenàed comis~ion) ;
) - previsibiliàaàe (foreseability, careless comi~ s10n);
4 - intencionalià2de (intention, intentionality
purposi ve comi s910n);
5 - justificabiliôade (justifiability, free comis~
ion, justified comission).
A seguir s:rão definidos ceda um dos cinco níveis:
Nível 1 - Associação
Este é o nível mais baixo e foi definido por Heid~
Foi realizada uma série de estudos de forma e tes
-tar e/ou ampliar e teoria ~volutiva da ~trib~ição de Caus~
l~dade proposta por Heider. Dentre Bstes estudos, dois aS-sumem particular importância. Um deles pelo fato de ser um
dos precursores sendo então o mais citado na lit~rature·
refere-se à contribuição de Shaw e Sulzer (1964), e o ou -t ro, Fincham e Jaspars (1979) , por SUa recenticidade.
Shàw e Sulzer (1964) chegaram aos seguintes resul
-tados ao estudar como sãç atribuidos responsabilidades e como variam em função dos grupos de crianças e adultos e
ainda ao candidarar o resultado da ação como positivo ou negativo:
1 existem diferenças entre as duas populações Dca cinco níveis considerados;
2 - nos dois primeiros as crianças atribuem mai~
re s ponsa bili d::lde 9;
3
-
nos três últimos niveis os adultos atribuem mai ores responsabilidades;4 - ambas as popUlações tendem a atribuir ffieior res l ~ ponsabilidade aos sujeitos nos casos àe final
negat ivo.
Os resultados conduzem à idéia de que: as crianças são mais in diferenciadas que os adultos no que di z respei -to
à
importância das variáveis pessoai s e ambientais ~ no processo de atribuição de causalidade; os fatores ambien-tais na produção .dos afeitos é o determinante mais impo
r-A
t ante; a consequencia de uma tomada de decisão, se positi -va ou negativa, influencia o processo de atribuição.
Os estQdos realizado3 por Finchan e Jaspars (1979),
além de complementar e suplementar as idéias de Heiêer , no geral, parecem oferecer grandes e const antes apoios à exis tência dos diferentes niveis de etribução e consequente B~
saci ação às etapas de desenvolvimento do ser humano. Estes
autores apresentaram várias inovações sendo 8S mais impo
.
B - inverpão dos ní~eis 4 e 5 propostos por Heider
(1958);
b - definição de um sexto nível de atribuição de causalidade denominado Super-intencionalidade
(Supererogation) , onde o sujei to apesar de so
-licitação e não cometer o ato, o faz, numa in -dicação de super causalidade pessoal;
c - o estudo da variação de atribuição de culpa e causalidade aos atores das est6rias, como sen -do outra pessoa ou pedindo ao sujeito que su
-pusesse ser ele próprio envolvido no caso.
Os resultados vem mais uma vez confirmar uma cre~ cente atribuição de causalidade ao ator conforme variação dos níveis de envolvimento, e associação significativa en~ tre 08 nívei s de atribuição e as idades dos sujeitos, apre s~ntando ainda grandes diferenças nos primeiros níveis de causalidade pessoel e pequenas diferenças entre os grupos de sujei tos nos níveis mais elevados. Outros resultados qoo vem t ambém a confirmar os pressupostos de Heider é a demom
tração de que os sujeitos de idade mais baixa diferenciam
menos niti damente os cinco níveis, do que os sujeitos de i da de mai s alta, e os adultos.
Em relação
à
segunda inovação assinalada (b) i sto éo estabelecimento de um S(~xto nível, passa a ser desecons~
lhado pelos próprios autores, após a constatação de que cs
resultados não demonstraram ser tão diferenciados do ní vel 5 a ponto de permitir delimitações.
S
6
os sujeitos mais novos são afetados nela varia-ção do envolvimento na situação, com veriação óe diferen -ças opostas à direção espE?reàa: níveis maiore3 àe CUlpa sã:>
atribui dos aos casos onde o sujeito está mai~ diretamente envolvido do que no caso àe outros serem envolvidos.
"
DINAMICA DO PROCESSO DE ATRIBUIÇ]O DE CAUSALIDADE Diante do que acabou de ser exposto, isto
é,
os di ferentes níveis de atribu.i ção de causalidade! Heider preo,. cupou-se em estudar os métodos através dos q:lt3is poder-se-ia alcançar estas informações para o caso
aé
que elgumacm se desagradável tenha acontecido a uma pessoa (p), definindo este sequência da seguinte forma:
"1 - Qual a origem de
:x:
? Terá acontecido por acasd?Será que o pr6prio P a causou ? Suponha que 8 fonte percebida é outra pessoa Y.
2 - Nesse caso, pode-se perguntar se os maus-tra
-tos foram intencionais ou não. Talvez o acon, te
-cimento desagradável não fosse dirigido para P. Tal ve z Y t:i ve 9se feito i asa para agradar ou
tra pessoa e, assim, não t i nha qualquer desejo pessoal de ferir P. Talvez o objetivo real de
Y f6sse beneficiar P, mas os seus meios foram errados. Ou talvez os maus-tratos fossem ape --nas um meio necessári o para ajudar P. Quando~ pai castiga um filho ou quando um médico mach!:!,ca
um paciente geralmente os maus-tratos não são o objetivo. No entanto, vamos supor que Y dese
jasse maltratar P.
3 - Pode-se procurar um nível ainda mai s profundo
de atribuição, ao perguntar por que Y desejava
maltrat ar P. Por que não gosta de P? Por que
é uma pessoa agresai va? Por que procurava vi
n-gar-se de uma ofensa real ou imaginária? Por
que P merecia ser cast igado? Se P julga que Y não gosta dele, pode, depois, procurar a CaUsa dessa relação negativa. Talvez o fato ce não
gostar decorra âo que Q di sse a Y, a respeito de P. Ou pode haver uma i nterpretaçãõ intropu -ni tiva, i sto ~, P sente que Y não gosta dele
-18
,
t ar d~' P". (Hei der, 1970, pg. 287;ln: Del" Coletll) Entretanto não é de interesse di reto deste trab~ sondar a ~tribuição de Causalidade em função do seu nivel de profundidade. Interessa, mai s de perto, quando Heider ' (1970) , segundo Del a Coleta (1981) "menciona o fsto de que há uma tendênci a a ver o sucesso ou o f recasso das pessoas como decorrentes de suas pr6prias ceracterí sticas ou ações e para isto oferece o argumento de que as pessoas como el~
mentos ceusai s absolutos transformariam eventos irreversí
-veis em r ever síveis. Pode- se acrescent ar a est a indicação o
fato de que o homem apresent a uma característica de plast i cidade de aç'ão não encontrada em outros el ementos quer da natureza, quer de organização social , e seria precisamente em nosso entender, a consciência que todos os homens possu em de que são capazes de agir de um modo ou de outro, a
qual quer momento, que explicaria esta preferência por atri buir a origem dos eventos às pessoas, uma vez que sabedor~
de SUa plasticidade, seria mais plausível , em igualdade de condi ções, que a pessoa fosse r esponsável ou pudesse ser responsável pelos eventos onde está envolvida".
Em função desta s:ituação, gerou-se, uma série de informações por parte de Heider (1970) e cerCa de dinâmica do processo de atribuiçeo e de variáveis a êle conectadas, que findaram por influenciar importantes pesquisas neste
ramo.
Uma das afirmativas de enorme importância foi a
que assinala ume tendência a perceber e si mesmo e aos ou
-tros de meneiras diferentes, vindo desta forma afetar ' o processo de atribuição no mesmo mundo que n6s e percebendo
as coisas como n6s o fazemos, que um estranho que vê a si -tuação de outro modo, justifica a SUa opinião através de atribuição à pessoa, enquanto este faz atribuição ao objeta
Deve-se frizar que estas afirmações até então ba-seevam- se na intuição de Heider, vindo a receber somente un pouco mais tarde, uma boa dose de confirmação, através dos trabalhos de Jones e Nisbett (1972) a respeito das stribui
-
.
19
ções efetuadas por atores e observadores - uma das áreas mais desenvolvidas da atribuição de causalidade.
Ainda um outro ponto de real importância, e que.~
o mais t ar de se consti tui.r num campo praficuo de pesquisas
foi a sua afirmação sobrE~ a tendªncia a manter o aI to nível do ego, de auto-estima, ao se efetuar as atribuições de cm
salidade, quando se procura atribuir os bons ato s a si me~
mo e os atos ruins aos ou.tros, ou ao meio ambiente. Deten
-dO,-se nesta postura, Snyõler e seguidores (Snyder, Stephan e Rosenfield. Stephan, 1976) desenvolveram pesquisas, funda -mentando esta posição e dando origem ao que recebeu então,
o nome de Egotismo (Egotism) .
Out ro ponto indicado por Heiàer (1970) menciona a relação existente entre as emoções e necessidades por um
, C
lado e a Atribuição de Causalidade por outro. Segundo êle, aS emoçõee e necessidades são afet adas pela atribuição sen do esta ocorrência se dá pela exi stência de relação com os
significados dos efeitos, sendo estes determinaàos direta
-mente pela atribuição a uma origem.
Estas colocações t ambém foram comprovadas ap6s se
-rem l evadas a estudos por Schachter e col aboradores (Scha~ hter e Singer, 1982j Schachter e Wheeler , 1962; Schachter,
1964; Nisbett e Schachter , 1966).
Estes estudos demonstraram serem os fatores fisio -16gicos imediatos, as percepções de pessoas, e os proces
-sos àe atribuição de causalidade, importantes determinan -tes na ocorrência dos estados emocionais de natureza diver sa.
Em um artigo, Heider (1946) já f ocali za o envolvi
-mento entre o princípio do equilíbrio e a atribuição que '
já em 1944 sugeria esta possível relação, e dois anos de -pois t ornou-se cl ara. Nesta data êle afirmava que as pessQ as são conectadas ao ato pelo efeito de similaridade, o que explicari a a dificuldade na recuperação de presos e do
entes mentais.
Acredi t a-se na posai bilic1ade àe que estes princípi os governem mesmo os achados relati vos aos principias do
20
.
egotismo,
à
difer"enoiação ator. X observador, à dificuldadeem atribuir a n6s ou a nossos amigos as falhas de cada um e ao mesmo t empo
à
facilidade em imputar a nossos inimigos as ocorrências negativas.Ai nda sobre este mesmo enf;oque, a aproximação entre
o principio ào Equilíbri() e teoria de At ribuição, trabBlh~
-ram Rodrigues e Newcomb em recente monografia (1980) , e Re gan, Strauss e Fazia (1974) , encontrando resultados com tm
dência~a conf irmar estes princípios:
"Quando se ouve que um ami go t eve uma ação pr6-soei
aI, atribui-se a ação às caracteristicas do amigo e julga-se a ação relativamente louv' vel . Ao se ou
vi r que a mesma ação f oi executada por alguém de quem não se gosta., a ação é mai s f aci lmente atri bui.
da externamente, a fatores sit uacionais, e menos
facilmente vista como digna de louvores" (Regan, 3;
rouss e Fazio, 1974, p.396) .
Outros trabalhos importantes, inspirados ainda em
Hei der (1958) foram realizados por Kelley (1967), abordan -do o aspecto da variabili dade de julgamento diante de uma mesma situaçãot o que remete como fator '«5.eterminante"um a~
pecto da pessoa, não da situação.
TEORIAS DE ATRIBUIÇOES DE CAUSALIDADE A EVENTOS ACIDENTAIS
Confor~e os dados já apresentados o individuo e
-fetue a atribuição como uma forme subjetiva, entre outra~
de percepção e exercício de controle sobre os eventos com
os quais está envolvido em sua vida diária.
Um dos fatores que nos interessam no momento abor
-dar são os eventos acidentais.
Sabe-se que este fato é de ocorrência completamen
-te acidental e que não existe nenhuma forma de contrôle r~
"
as atribuições de'causalidade acontedem mesmo nestes casos
de forma a promover o controle sobre ~é fenômenos.
"As técnicas de prevenção, nem sempre são conhecida:; e eficazes, pelas múltiplas causas que interferem no processo e tornam impraticável qualquer tentati va de manter sob controle a ocorrência destes fa
-tos", (Dela Coleta, 1980)
Pela constatação desta postura explicativa que as
pessoas tomam diante destes fenômenos de forma a detect ar
uma causa, ou um "culpado", muitos estudiosos em Psicologi a Social tem se preocupado em dedicar-se ao problema da
atribuição de causalidade a~eventos acidentais, e mais pre -cisamente ao problema da vitimação, com o surgimento de cO]. cepções teóricas muito importantes, gerando então novas li nhas de pesquisa entre as quais, tr&s são codsideradaspri~
introdu.zidlj por Elaine '!Ialster (;1966)
cipais. e trata
A primeira foi
da manutençio na crença e na ~lsca de Controle s S-bre os evantos e o ambiente; a se€~nda teve como precursor Lerner (1965) e trata da crença no Mundo J~sto e a tercei -r a, mai s atual, tem como Butor Shaves (1970), e explica-se
como At ribuição .~fensiva ..
A EXPLICAÇ~O CALCADA NA BUSCA DE CONTROLE
Walster (1966) foj, a primeira pessoa a si~tematizér os princípios explicativos do [lrocesso de Atribuição de Cf!! salidade utilizados nas ocorr&ncias de eventos acidentais.
Suas premissas, "baseiam-3e no tato observado fre -quentemente de que nos ev~ntos acidentais com consequênci -as leves as pessoas tendem a creditar estas ocorrências ao
acaso, a qualquer causa, demonstrando mesmo às vezes certa simpatia para com o sujeito env~lvido, em afirmações deste tipo: 'i sto aC::lntece com todo mundo', 'não liga não, sBo
-tro' ". (DELA COLETA, 13, p, )
Observe-ae que nos casos àe eventos acidentais que tem como consequ~ncias fatos mais graves a situação se mo
-difica.
Quando a consequência á grave, torna-se desconfor~
tável saber e admitir que estes fatos são causados por Va
-riáveis que n6s não podemos nem controlar nem conhecer, s~
ja da forma que f or. Ver:ifica-::;e então, deste forma, o fa
-to de que ~ medida que as consequ&nciae dos eventos se tor
nem mai s graves há um CTE?Scimento na tendência de enconirar responsáveis pela ocorr&ncia destes fatos, em um esquema descrito por Welster, da seguinte maneira:
~ ge um acidente grave é visto como consequência de um conjunto de circunst~ncias imprevisíveis, além
do controle e da antecipação de todos, a pessoa ~ forçada a conceber que a catástrofe pode acontecer
Com ela. Se entretanto, ela acredita que o evento
~ prev~sivel, controlável , e se deciae que algu6m '
foi responsável por este evento infeliz, ela pode
sentir-se como alguém capaz de evitar este desas -tre. Ela pode proteger-se colocando outra pessoa C2. mo responsável pelo fato. Nós si mplesmente temos
que assegurar que somos um tipo diferente de soa daquela da vítima (do aCidente) , ou que
pes
-poàe -mos nos comportar diferentemente em circunstâncias similares, e nos sentiremos protegidos da catástr~
fe " (14, ·p,74)
Em 1966 ','/alster realiza uma importante pesquisa com
sujeitos universitários de aw.bos os sexos, partjndo àa hi
-pótese de que quanto mais grave a consequência de um even
-to imprevisível maior a tendência manifestada pelaa pesso
-as em atribuir responsabilidade à pessoa potencialmente ca:!,
sadora deste fenômeno . Os sujeitos deveriam atribuir res
-ponsabilidade a um jovem, pela ocorrência de um acidente , numa situa~~o em que parou o c~rro e, com ele fora deste ,
o cerro rolou Ieda·ira abaixo por caUSa de um problema de
freio.
A situação era dividida em quatro condições experi mentais distintas onde na primeira s6 ocorrem danos leves
ao carro; na segunda s6 ocorrem danos graves ao carro; na teroeira, outras pessoas estão envolvidas e as consequênci as são l eves; e na última" outras pessoas estão envolvidas
e a9 consequ&ncias são graves.
As condições experimentais eram gravadas em fitas que depois de serem ouvidas eram respondidas pelos sujei -tos em relação a algumas questões referentes à's vari~veis dependentes, mormente a atribuição de responsabilidade.
De acordo com o quadro abaixo, os resultados indi -cam que maior responsabiU.dade é atribuida
à
pessoa poten -cialmente respons~vel no caso de acidentes graves do que leve s.Tal. 3 - Média de responsabilidade atribui da ao ator (Adap -tado de Wa1ster, 1966, p. 77
=
DELA COL;<;'rA, 1980)• Somente o carro Outras pessoas
está envolvido estão envolvidas Consequên- Consequên- Consequên- Consequên -eias leves eias graves ei83 leves cias ,graves
-Quantidade média de res 2,5§ 3,0 2, 6 3,2 ponsabilidaà atri buída(§) maior média, maior a responsabilidade atribuída ao mo -tori st a.
AO atribuir a algu~m a respon~abilidaâe pela ocor -rência deste evento negativo, não deixando a explicação ~ conta do acaso, da imprevisibilidade, a pessoa, de certa forma busca manter controle sobre um evento que não pode controler. Este busca de controle ao nivel da percepção , for~ece ao sujeito a indicaç~o da pOSSibilidade de que o
,
Estes aut6res trabalharam com sujeitos homens e mu
lheres apresentando situações onde um aluno de quí mica ia a um laborat6rio, efetuar um trabalho escolar e ocorria u
-ma das seguintes consequências:
1 - uma exp~â~ão {nego e grave) ;
2 - forte odor desagradável (neg. e leve); 3 uma grande de:3coberta (poso e grave);
4 - um odor agrad:lvel (pos. e leve).
A previsão do~ autores, para resultados desta pes -quisa, foi a da existência de uma correlação positiva en -tre o aumento da gravidade das consequências e atribuição ao ator no caso da ocorrência negativa e uma correlação ne
gativa no caso da ocorrência de consequência positiva.
Apresenta-se a seguir os resultados obtidos, exprE§.
sos através de duas tabelas, sendo que a pri meira refere-~ a atribuição de responsabilidade ao estudante e a segundA, a população masculine:
Tab. 4 - Atribuição de responsabilidade (pofulaçãp total) (Retirado de ShaVl e Skolnick, 1971, p. 382)
Consequência Tipo de Acidente leve grave
positivo 9.57 5. 53
negati vo 8.10 8.27
Obs. Maiores valores indicam maior atribuição de
.'
Tab. 5 - Atribuição de responsabilidade (somente homens)
(Retirado de Shaw e Skolnick, 1971, p. 382)
-Tipo de Acidente Conseguência leve grave
posi ti vo 8.77 5. 64
negati vo 7. 69 8. 73
Obs. Maiores valores indicam maior atribui ção de responsabilidade.
De acôrdo com estes dados, uma das previsões é con firmada quando estes indicam que meior causalidade é atri
-buida ao sujeito na condição leve do que grave no Caso po
-si tivo. Porém, um outro resultado contraria tanto os acha -dos de Walster (1966) quanto as previsões de Shaw e Skoln
-ick, quando na condição negativa a atribuição de cau9alida de aO autor se mostra independente das consequincias. "Ao
mesmo tempo a hipótese do mundo justo (Lerner, 1965) deixa àe 31r varificada, e parece serem os crgumentos de Shaver (1970) os necessários ~ explicação, dado que para este dl
-timo precisa hever o minimo de relevância, de similarida -de, de possibiliàaàe de que o sujejto venha a estar na si
-tuação, para que sejqm observados os fenômenos preconiza -dos por Lemer (1965) e Walster (1966)," (DELA COLETA,1980)
Ainda sobre estes mesmos õãdos foi feito um outro tipo de análise, o que inàicou ume nova posture a ser ob
-servaàa diante de tais fatos. Tratou-se do isolereento ôos sujeitos masculinos e femininos, quando então notifico~e a exi:=:têncie das relações previstas anteriormente, t anto para casos positivos quanto negativos em relação aos su
t e tipo de relação dado que estes "apresentam baixo auto -ooncei to e menor sentimento àe auto-estima em relação ' aos homens, e acredit am mesmo que merecem as más consequêncies preconi zadas nas estóri as do experimento". (Shawe Skolni
-ck, 1971) .
Outro estudo que apresenta diferenças siBnificati -vas entre os sexos dos sujeit os foi realizado por Dela Co
-leta (1980). Este trabalho foi executado com sujeitos uni
-versitários de ambos os sexos, utili zando-se como instru
-mentos, estórias de atropelamento onde se variavam as oon -sequências para o motoril3ta (responsével em potencial) e o
pedestre (vítima em potencial). Os sujei tos deveriam i ndi"B
car o grau àe r esponsabilidade etribuida eo motorista, ao pede. .!'!tre
.
, a pOSSibilidade de virem a se encontrar na situ-
a çijo do motorista e da vít ima, bem como a porcentagem ;. de causali dade atri bUida por este evento a cada 'um dos quatro fatores preconizados por Weiner et alli (1972).Os resulteõos desta pesquisa mostram que homens e mulheres assumem posições opostas quanto ao autor (motori~
ta) . Haja vista que os horr.ens responsabilizem mai s os auto -res quando estes sofrem consequ~ncias leves no acidente, , responsabilizando menos qVI!!~do estes sofrem consequêncies graves, enquanto que o oposto, isto é, atribuir menos res -ponsabilidade quando o ator sofre consequências leves e mai s responsabilidade quando aquelas são graves, é assumi -da pelos sujeito~ do sexo feminino . Desta forma, os homens contrariam os re~ul tedos anteriormente encontredo por \';al~
ter (1966) e Shaw e Skolnick (1971) enquanto qúe as mulhe -res comportam-se mais de acordo com estes achados.
Em relação à vítima, ambos os sexos se comportam de maneira. semelhante, isto é, para a situação onde a víti ma sofre consequências mais graves o autor é mais respons~
bilizado, enquanto que se as consequências são mais ~eves, o autor é então menos responsabiliza~o. Estes resultªdos
28
•
(1966) que afirma :sobre B necessi dade de atri buir maior re:!. ponsabilidade ao autor quando as consequ~ncias do. evento
são greves, do que no Caso de consequªncias leves.
liDe maneir a gereI, e complementarmer.te, este estudo demonstrou que:
- os sujeitos do sexo masculino comportam-se fren
-te às situações estimuladorss e frente ao proce~
so de atribuição de causali dade de forma total
-mente diferente dos sujeitos do sexo feminino, e
esta diferença deve ser levada em consideração rn montagem de novos estudos;
- as mulheres em geral, e em comparação com os h
o-mens, indicam maiores níveis de atribuição de~~
salidade e responsabilidade tanto 80 autor como
à
vítima, maiore's possi bilidacJes de.
virem a seencontrar na situação de ator ou de vítima, e preferem 9Ptar pelos fatores estáveis (dificulda de da tBrefa e pequena capaCidade do autor) para explicar a ocorrência dos eventos;
- a atribuição àe responsabilidade pelo evento nos
casos onde há mais de ume pessoa envolvias, é d~
pendente não s6 da gravidade das con8equ~ncias a
cada um dos elementos envolvidos no caso, mas t ambém deve ser considerada a interação entre e~ tas ocorrências, fato que ôeve merecer novos es -tudos pois os ~odelos de Walster (1966), Lerner
(1965) e Shever (1970) não previram estas possi
-bilidades;
- o sexo dos personagens influencia o processo de atribuiçio de responsabilidade, com os persona
-gen8 femininos sendo mais responsabili~ados pela
ocorrência dos eventos do que os 'f.Bsculinos to femininos. ti (:nele Coleta, 198,O)
-29
,
Ao final deste trabalho este autor chamou a aten
-ção para alguns aspectos de grande importância para o estu
do destas situações acidentais, relevando a complexidade
que estas situações podem envolver ao reunir uma série de
variáveis concomitantes, nóão s6 por parte do ator , nem so
-mente da vitima, mas também ca situação como um todo. Desta
forma surge uma série de proble~a~ metodol6gicos quanto
à
formulação da questão em pesquisa. Acredita ainda que o
processo de Atribuição de Responsabilidade em situação de
acidente parece ser mai~ complexo do que se supunha, e que
as teorias a este respeito simplificam demais as relações entre as variáveis, quando se observa uma interação impo r-t ante entre elas.
Este mesmo autor termina o trabalho com uma indag~
ção de grande importância, que inclusive foi de enorme va
-lia para a confecção e estruturação desta pesquisa que ho
-ra se processa. Reproduz-se em segUida 8 5 questães:
"será que os eventos são dependentes de cada uma dcs
variáveis i soladamente, ou nossos moeelos de expl~
ração das interações mai s complexas entre as veri~
veis não estão sendo convenientemente empregados ou
desenvolvidos?
/J. resposta a estsE; questões á de vi t al importância para o avanç'o da 'Psicologia Social, e à pesquisa pSicológica co~o um t odo, e sua busca deveria mer~
cer atenção priori tária dos pesqui sadores"(Dela Co
1eta, 1980, p.126-·127) .
Apesar dos result e dos conflitantes encontraôos na literatura, os principias de \'.'alster (1966) permanecem com
grande valor, haja vista o i~enso n~mero de pesquisas Que
confirmam. Entretanto,elgumas observações vêm sendo fei tas no sentido de levantar algumas suposi ções a respeito da e
Desta forma alinham-se as hipóteses levantadas por Cheikin e Dar1ey (1973) , que buscam detectar dois fatos que poderi em estar contribuindo para e não verificação uniforme dos resultados: um destes fatores f az refer~ncia ~ rlificuldade
encontrada pelos sujeitos de diferenciar os atores das ví
-timas, isto é, de delimitar exatamente os elementos CaUsa
-dores, dos personagens que sofrem consequênciasj o outro , conforme a definição dada por Shaver (1970) diz respeito
à
relação exi stente entre e constituição das situeções, t an -to com relação ao tema como aOS personagens,e os sujeitos participantes dos experimentos.Estes mesmos autores, Chaikin e Derley (1973) , rea lizaram um trabalho experimental , controlando as duas fon
-tes de mascaramento dos resultados acima citados, e encon
-traram respostas condizentes com os pressupostos de Walst~ (1966) . Os sujeitos culpam mais os causadores do evento
quando aS consequências S2:0 graves, estando os pr6prios su jeitos na condição de vítima.
HlPOTESE DO MUNDO JUSTO
A idéia básica desta teoria está calcada na busca
de uma releçeo equilibrada entre os atos das pessoas e as
consequ~ncias destes. A cognição busca processar-se de ma
-neira agradável - visualiza dest a forma tais relações. Pa
-ra Larner 1966, 1970, 1971, Lerner, Miller e Holmes, Ler -ner e Simons, 1966, as pessoas são motivadas a crer que vi_
vem em um mundo justo, onde cada pessoa, não s6 tem o que
merece, como tambám, merece o que tem.
A concepção oe um mundo onde não houvesse nenhuma
regra quanto à distribuição de reforçamentos ou punições ,
traria grandes transtornos cognitivos, afetando de maneira
greve a forma de conduta do homem. Assim sendo, tende-se B
Bcredi tar que se vive em um mundo onde há união entre o qUe
.
do, a conseguênciaonetural da análise causal de uma ocor
-rência é a atribuiçeo a algum comportamento que a pessoa ~ miti~ e mais genericamente, 80 fato de ela possuir caracte rístioaa que f azem com que ela mereça tal consequênci a.
Sob este prisma, não se pode crer que uma pessoa 00 fra consequências prejudiciais por acqso, senão que tenha merecido tal consequência por causa de um 'ato ' seu. Acre
-ditar no ',ilidade
aCaso nestas situações, seria reconhecer a possi
-de ··0 mesmo vir a acontecer consigo mesmo de uma
hora para outra, mais cêdo ou mais tarde.
Por i sto, quando diante de um evento acidental ,não cle encontra causas objetivas, tende-se a responsabilizar a vítima pelo ocorrido, atribuindo como causa, seus defeitos mais estáveis.
O suporte para estes sentimentos são encontrados no princípio de equilíbrio de Heider (1970) : " ..• 1. relação
entre bondade e felicidade, ent re maldade e castigo, é tão forte, que,_ qunndo se dá urna dessBs condições, a outra é frequent emente suposta. Frequentemente, .'81.~nfelicidade, a doença e o acident e são considerados como sinais àe malda -de e culpa. Se O é infeliz" cometeu um pecado ".
Heider
(197
0)
ainda menaiona o fato de que se pen-sa que a r elação entre bondade e felicidade se apresenta com proximidade por rezões intrínsecas e não como consequên cia uma da outra. Outro fetor i~teressante é o fato de que a coexist~ncia de ambas, incita um sentimento de justiça.
Este f ato refl ete harmonia, o que não transmite na coexis -t~ncia ent re f elici dade e maldade.
Esta hip6tese baseia-se ainda sobre outros fatôres
dentre os quais, o co~diciona' ento cultural t~mbém assume
um importante papel. Co~o se s3be, na cultura ocidental a
prética ào bem é prem:ada e a prática do mal , punida. Ist~ como se sabe, é evidente àesde a primeira infêncie com as hi st6rias infantis.
Um outro dedo i mportante a sedimentar ainda mai s a •
crença em um ~~nào J~8tO é o si3tema empregado pelas reli
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C'
balho duro, a uma'vida santa e ameaçam com pu~ições sever~ a préti cà do mal e as irregularidades quento 80 respeito às
autoridades e normas vigentes.
Ainda um outro aspecto importante é o psico16gico, que tornarn possível um planejamento de vida por parte daq~
las que acreditam na existência destas regras que fazem do
modo em que vivem, um lugar justo, e que os reforçamentos e punições não são distribuidos aleat6riamente.
A pessoa não se julga somente com base no que ela conseguiu ou mereceu, mas baseia uma parte importante da sua auto-imagem como um cidadão e pessoa boa, na percepção de si pr6prio como alguém que n~o causa aos outros mal, e
age para corrigir injustiças q'uando elas ocorrem. Este ci -dadão tem a esperança de que seja jUlgado pelo outro, na
medida em que aceita as normas de merecimento e manutenção
de controle.
Medida da Crença no lundo Justo: relação desta teoria com outras variáveis
A crença em um Mwmdo J.lsto pode ser considerado c.Q.
mo uma caracterí stica mai s ou menos estável
are
pessoas; co mo um construto pSico16gi.co. Propondo-se a construir um 1nstrumento para sua mediôa, Rubin e PepIau (1975) confeccio -naram uma escala àe vinte itens, sendo que e cada um corr~
pondia seis opções de respostas, as quais variariam de "a -cor~o" a "desacordo". Esta escala foi aplicada a sujeitos universitários e os resultados encontrados nestes estudos '
preliminares apontaram uma certa rejeição a esta crença Este foi traduzido e Bda~tado no Brasil por Dela Coleta
(197 ) e aplicado a sujeitos com instrução a nível de pri
-meiro Breu ( trabalhadores operáriOS semi especip.lizados ~ inddstrias do Rio de Janeiro) .nesta adapt ação, os seis ní -veis de respostas ferem reduzidos à dicotomia co~ordo ou
discorão.