Ano 4 - Nº 17 Abril /Junho – 2011
www.interscienceplace.org páginas 173-185 OS DESAFIOS DO PROFESSOR E DA ESCOLA BRASILEIRA NO SÉCULO XXI
Ms José Carlos de MELO1 Ms Márcia Regina C.A.ROSSETO2
Ms Maria Marcia M. GUIRARDI3 Ms Maria Odete V.TENREIRO4
Ms Marta Maria G. BALBÉ5
Resumo:
O estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, tem como objetivo refletir o que é ser professor no mundo contemporâneo e na escola brasileira. Foram realizadas entrevistas com professores da Educação Básica do estado do Paraná - Brasil. O estudo do referencial teórico buscou definir o que é sociedade do conhecimento e como essa nova sociedade afeta as instituições de ensino, a política educacional, a família, o trabalho e a cidadania. A pesquisa relata que as perspectivas epistemológicas adotadas pelos professores referem-se a suas concepções globais e as preferências pessoais. Essas concepções podem estar ligadas a outras perspectivas sobre a educação em geral e a outras concepções mais amplas relacionadas a uma ideologia pessoal sobre educação e implicações com a prática.
Palavras- chave: sociedade do conhecimento, formação de professores, processo
ensino/aprendizagem, escola brasileira.
Abstract
The study is characterized as a qualitative research aims to reflect what is being a teacher in the contemporary world and in brazilian school. Interviews were done with teachers of basic education in the state of Paraná - Brazil. The theoretical study sought to define what is knowledge society and how this new society affects educational institutions, educational policy, family, work and citizenship. The survey reports that the epistemological perspective adopted by the teachers relate to their global concepts and personal preferences. These concepts can be linked to other perspectives on education in general and other broader concepts related to a personal ideology on education and implications with practice.
1Professor da Fundação Universidade do Tocantins – UNITINS - Doutorando do Programa de Pós graduação –
Educação e Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista do CNPQ,
Professora da Pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas – FACISA – Xaxim – SC. Doutoranda do Programa de Pós graduação – Educação e Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista do CNPQ, [email protected]
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Professora da Universidade Metropolitana de Santos – UNIMES/ Santos/SP- Doutoranda do Programa de Pós graduação – Educação e Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, [email protected] 4
Professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Doutoranda do Programa de Pós graduação – Educação e Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista do CNPQ,
Diretora da Rede de Escolas Adventistas da região norte do Paraná, Doutoranda do Programa de Pós graduação – Educação e Currículo da Pontifícia Universidade Católica de
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Key words: learning society, teacher training, teaching / learning process, brazilian
school.
INTRODUÇÃO
“Gostaria que meus professores tivessem mais luz [...] Orivisto Guimarães
“São os professores de sala de aula que dão luz ao dia a dia da escola e é, por intermédio dessa preciosa mediação, que o processo de aprender e ensinar acontece”.
Isabel Cristina Hierro Parolin (2010)
O mundo contemporâneo atravessa enormes modificações econômicas, sociais, políticas e culturais. Vivemos um momento histórico intensamente marcado pela internacionalização da globalização e da tecnologia. Ocorre um processo de universalização da cultura, dos produtos, das trocas, dos custos e do capital.
DRUCKER afirma que
A cada poucas centenas de anos ocorre na história ocidental uma transformação significativa. Atravessamos o que eu chamo de “limite”. Em poucas décadas, a sociedade se reorganiza – muda sua visão de mundo, seus valores básicos, sua estrutura social e política, suas artes, suas instituições fundamentais. Cinquenta anos depois, há um novo mundo. E as pessoas jovens, então nascidas não conseguem nem imaginar o mundo em que seus avós viveram e no qual seus próprios pais nasceram (2001, p. 23).
Neste cenário mundial marcado pela incerteza, ruptura, globalização, neoliberalismo, sociedade pós-capitalista, sociedade do conhecimento e da informação, entra em cena pesquisadores como BURBULES e TORRES (2004), FELDMANN (2004), HARGREAVES (2004), SACRISTÁN, (2000, 2007).
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A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
Para HARGREAVES (2004), a sociedade do conhecimento é considerada
Uma sociedade em mudança, na qual a informação se amplia com rapidez e circula permanentemente pelo globo; o dinheiro e o capital fluem numa busca incansável e incessante de novas oportunidades de investimento; as organizações se reestruturam o tempo todo; políticas governamentais passam por mudanças voláteis à medida que os eleitorados se tornam mais e mais caprichosos e a migração multicultural reconstrói permanentemente as comunidades nas quais vivemos. As escolas não são imunes a tudo isso (p.43/44).
Nesta “sociedade em mudança, na qual a informação se amplia com rapidez e circula permanentemente pelo globo”, BURBULES e TORRES (2004) destacam a globalização “como um dos fatores que está afetando a política educacional em vários Estados ao redor do mundo” (p. 11). Os referidos autores apresentam alguns impactos, que afetam a educação, e discutem mais especificamente em termos econômicos, políticos e culturais.
Em relação ao campo econômico, a discussão centra-se na influência da globalização sobre o emprego, que está diretamente vinculado à educação, pois é ela que prepara o indivíduo para o trabalho. Neste sentido os autores recomendam que as escolas considerem nessa preparação, que elas desenvolvem: a instabilidade dos mercados de trabalho, a adaptação dos alunos a novas demandas do trabalho, a convivência destes com uma mão de obra competitiva internacional, e não só a preparação dos estudantes como produtores, mas também como consumidores.
Em nível político, as instituições educativas podem desempenhar papel relevante ao abordarem problemas relativos à limitação sobre a formação de políticas nacionais e estatais imposta por demandas externas de instituições transnacionais. Na opinião dos autores, ao mesmo tempo em que a atividade econômica global está sendo regulada por fortes instituições políticas, em consequência da globalização, surge uma crescente onda de conflitos, terrorismo,
4 crimes e questões ambientais globais que não estão sendo adequadamente trabalhadas por essas instituições. Nesse ponto, a escola pode abordar, questionar, instigar e procurar desenvolver trabalhos que contribuam com a sensibilização dos envolvidos, perante os problemas advindos com a globalização, no sentido de ajudar a desenvolver uma concepção crítica de educação exigida pela “cidadania mundial”. Em termos culturais, as mudanças globais alteram as políticas, práticas e instituições educacionais. Há a necessidade de desenvolver o indivíduo para além da família, da região, da nação, ou seja, a educação para viver em um mundo global amplia os limites da “comunidade”. A família, o trabalho, a cidadania, na visão dos autores, permanecem importantes, porém estão tornando-se transitórias, quer pela mobilidade, quer pela competição com outras fontes de afiliação. As escolas de hoje trabalham com a imprevisibilidade, utilizando caminhos alternativos de desenvolvimento e pontos de referência em constante alteração. Desta forma, é necessário que os objetivos educacionais sejam trabalhados com os alunos de modo a desenvolver neles a flexibilidade, a adaptabilidade, a apreensão de como coexistir em espaços públicos diversos e como ajudar a formar um senso de identidade que possa se manter dentro de contextos múltiplos de afiliação.
Na sequência da discussão sobre a globalização, SACRISTÁN (2007) apresenta o conceito como “o termo da atualidade para expressar as inter-relações econômicas, políticas, de segurança, culturais e pessoais entre os indivíduos, os países e os povos, dos mais próximos aos mais distantes lugares do planeta” (p.17). O autor também afirma que ela “aparece como se fosse uma onda expansiva que inunda, coloniza, transforma e unifica o mundo, partindo de um ponto de origem do qual se coloniza a quem se alcança” (p. 24).
Nesta sociedade, independente do termo utilizado para defini-la, percebe-se que a escola enfrenta desafios essenciais que a induzem a transformação. Nenhuma outra instituição enfrenta desafios tão radicais quanto à educação.
A escola depara-se com questionamentos fundamentais nesta sociedade como: o que será ensinado e aprendido? Como será ensinado e aprendido? Quem fará uso do ensino? Qual o papel da escola na sociedade contemporânea?
Outra questão a ser analisada é a de que vivemos em um mundo, transformamos este mundo e somos transformados por ele, este mundo globalizado,
5 e isto é de fundamental importância para compreendermos o real sentido do que é ser professor na escola brasileira.
Entende-se que as diferentes culturas permeiam o mundo globalizado, espaço este, que é transitado tanto pelas minorias, quanto pelas elites das sociedades, inserindo-se também, deste modo, na economia e nas formas de distribuição de renda.
No espaço que atuamos, estamos rodeados por culturas diversas. Analisando as questões que envolvem a formação de professores, poderíamos dizer que para atuar neste espaço de diferentes culturas e neste mundo globalizado, o professor deveria partir de uma prática transformadora. Para FELDMANN (2004), tal prática desencadeia “nos professores a reflexividade crítica sobre as suas práticas e teorias (p.75) [...]. Pensar a relação teoria e prática é ter como perspectiva a abrangência da dimensão de amplitude, complexidade e incompletude do tema” (p.76).
Para SACRISTÁN (2007, p. 25), “a educação pode ser um instrumento para dar consciência desta realidade e ajudar a esmiuçá-la. Este seria o novo horizonte para o moderno princípio de “educar para a vida”. Ainda referenciando o autor, o grande desafio para os cursos de formação de professores e para a educação em geral situa-se na compreensão da profunda revolução do universo do conhecimento, o qual potencializado pela explosão tecnológica, tem alterado de forma significativa o contexto das situações de trabalho e da vida das pessoas.
Neste contexto, pergunta-se: será que nós, professores, formadores de professores estamos de fato contribuindo nas discussões que envolvem as dificuldades da escola brasileira? Ou será que estamos reproduzindo uma aprendizagem vivenciada por nós, onde o aluno obediente, menos questionador é o valorizado? Atuamos partindo de uma prática transformadora? Estamos percebendo os conflitos e contradições que se fazem presentes na escola através das diferentes culturas? E as concepções epistemológicas dos professores? Quando pensamos nestas concepções, é importante ressaltar que são aquelas que desempenharão um papel decisivo, pois são responsáveis por atribuir aos currículos significados concretos na aula.
Ao interagir com o aluno no momento da aula, o professor necessita compreender e tomar decisões sobre o contexto que está apresentado. São
6 inúmeras as questões que se apresentam e interferem no contexto da sala de aula. Dentre elas, o currículo, a cultura, o meio social, a autonomia, o conhecimento, a formação do professor, a instituição, a gestão escolar, as políticas públicas.
Neste processo dialógico, o professor não pode aplicar teorias ou técnicas padrão para todos, mas sim, partir de um processo de reflexão e de escolhas para a situação presente.
As perspectivas epistemológicas adotadas pelo professor referem-se a suas concepções globais e as preferências pessoais. Essas concepções podem estar ligadas a outras perspectivas sobre a educação em geral e a outras concepções mais amplas relacionadas a uma ideologia pessoal sobre educação e implicações com a prática.
YOUNG, citado por SACRISTÁN, destaca que existe uma especial conexão entre as crenças epistemológicas dos professores e os estilos pedagógicos que adotam, especialmente em dois aspectos: nos processos de avaliação e no papel do professor frente ao controle dos alunos. Este autor considera que, “como fruto da pressão de uma sociedade muito marcada pelo conhecimento científico e suas derivações na tecnologia, a perspectiva global dominante dos professores é a cientificista, em detrimento de posturas hermenêuticas ou críticas” (2000, p. 181). Assim, a perspectiva epistemológica adotada pelo professor será coerente com sua atitude metodológica para com os alunos, ou seja, estratégias de ensino, caminhos alternativos, tolerância em relação aos erros dos alunos, dentre outros procedimentos.
As posições ou perspectivas adotadas pelos professores não são simples atitudes frente aos fatos, ao conhecimento. Elas relacionam-se com posições políticas e com a especialidade universitária cursada pelo professor e não são independentes de mentalidade cultural, global e atitudes de cada um.
A análise da profissionalização dos professores no sentido de considerar o conhecimento que serve de base fundamental para a atividade pedagógica é levantada por SACRISTÁN, que cita SHULMAN. Com base nesse autor, SACRISTÁN (2000, p. 184) observa que o ensino inicia-se “por uma certa compreensão por parte dos professores do que vai ser aprendido pelos alunos e
7 componentes básicos: a formação pedagógica que o profissionaliza como docente e a formação básica que o torna capaz de transmitir ou aprender os diversos conteúdos curriculares.
No entender de SHULMAN, apud SACRISTÁN (2000) o professor precisa ter múltiplas categorias de conhecimento que o tornam possuidor de um saber profissional específico. São elas:
Conhecimento do conteúdo do currículo.
Conhecimento pedagógico geral que se refere a princípios amplos e estratégias para governar a classe.
Conhecimento do currículo como tal, especialmente dos materiais e programas.
Conteúdo pedagógico que presta ao professor sua peculiar forma de entender os problemas de sua atividade profissional.
Conhecimento dos alunos e de suas características.
Conhecimento do contexto educativo.
Conhecimento dos fins educativos, valores e seu significado filosófico e histórico ( p. 184).
Assim, é importante ressaltar a responsabilidade que a formação dos professores tem no sentido de desenvolver tais conhecimentos apontados anteriormente por Shulman. Vale afirmar que cabe ao professor, com base nestes conhecimentos, promover a mediação da aprendizagem com os alunos.
Para reforçar a reflexão sobre o papel do professor no mundo contemporâneo e na escola brasileira, FELDMANN (2004), afirma que, faz-se necessário estabelecer políticas públicas que garantam a participação ativa dos professores nas várias instâncias de decisões do processo educativo, considerando-se a necessidade e o direito à formação continuada, incluindo o desenvolvimento de melhores condições de vida e de trabalho.
É fundamental destacar questões que envolvam o resgate de valores e saberes, a instabilidade e provisoriedade do saber, termos utilizados por Feldmann (2004), o resgate do trabalho coletivo, o compromisso político, de valores, a identidade e a construção da autonomia, as várias leituras do mundo, a dialogicidade, a mediação pedagógica, a organização e a elaboração do Projeto Político Pedagógico relacionado com os princípios comuns da instituição e, principalmente, com o sentido de pertencimento, ou seja, com o compromisso de todos por uma educação de qualidade.
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ALGUNS ELEMENTOS DO PERCURSO METODOLÓGICO
No presente trabalho destaca-se a utilização de pesquisa do tipo exploratória. Segundo ANDRADE (2006), a pesquisa exploratória é o primeiro passo de todo trabalho científico. Neste caso, a utilização de bibliografias será essencial bem como dos dados coletados emcampo.
A pesquisa de campo é aquela utilizada com objetivo maior de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um determinado problema o qual já está enfatizado no contexto.
De acordo com GIL (1996) este tipo de pesquisa tem como principal objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito e construir hipóteses. A pesquisa de campo tem como principal objetivo o aprimoramento de ideias e o descobrimento de intuições por parte de quem o realiza e de quem o lê posteriormente.
Para dar conta da pesquisa, este estudo repousa suas bases em informações obtidas por alguns docentes de instituições públicas e privadas que trabalham com a Educação Básica.
Esta pesquisa aconteceu em um encontro de formação de professores no ano de 2008. Em determinado momento do encontro foram convidados os docentes que quisessem se posicionar sobre “O que é ser professor no mundo
contemporâneo e na escola brasileira”.
Mesmo sendo professores que agregam em seu currículo uma grande caminhada profissional, nem todos se sentiram a vontade para expressar a sua opinião de forma mais formal.
Assim, optamos por destacar a fala de dois professores. É válido destacar que muitas informações contidas neste trabalho também são fruto de observações, conversas e discussões diárias sobre o tema o que é ser professor na atualidade.
9 No diálogo com diferentes profissionais da área educacional sobre o que é ser professor no mundo contemporâneo e na escola brasileira, destacamos o depoimento de dois professores que atuam na rede pública e privada no estado do Paraná e se prontificaram a responder o questionamento.
Para a Professora. Rosa Maria é Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental II no Colégio Adventista de Londrina – Paraná, para ela ser professor no mundo contemporâneo e na escola brasileira é:
“um desafio constante, porque nós vivemos em uma sociedade diferente, uma sociedade dinâmica, então (excluir então). Aquele modelo de educação tradicional não serve mais para a educação atual, até porque em termos de globalização tudo mudou, (excluir vírgula): nós estamos em uma sociedade em formação, nós estamos (excluir nós estamos) na sociedade da diversidade, diversidade cultural, diversidade étnica, diversidade de pensamentos, (excluir vírgula) então (excluir então). Ser professor na educação brasileira nesse contexto requer quebra de paradigmas. Outro aspecto interessante, que vale a pena ressaltar é relacionado com a revolução que a informática causou não só na educação, mas também em outros setores do comércio, da indústria e até mesmo no modo de vida das pessoas.”
A partir deste testemunho, fica evidente a importância do papel do professor. Entendemos que o professor é um elemento transformador de ideias e tem grande influência no seu meio. O relato da professora pode também ser complementado por MARTINS (2003) quando nos coloca que a educação deve ter por pressuposto básico que os indivíduos e os grupos humanos são diferentes. É necessário respeitar as diferenças individuais e suas especificidades para um processo de coesão e não de exclusão. Assim, deve-se considerar como ponto de partida a dimensão político-social do educando, ou seja, que este é um projeto político da sociedade.
Tal situação fez com que o profissional da educação, o professor, tivesse que obrigatoriamente mudar sua forma de pensar e agir em sala de aula considerando que as informações estão disponíveis em todos os espaços e acessíveis aos alunos, mas o papel principal do professor, como orientador do processo ensino/aprendizagem.
Sendo assim, ser professor nesse contexto requer uma ampla visão de mundo, de sociedade, de homem que se quer formar. É necessário que alunos e
10 professores possam participar ativamente na busca de melhores resultados na educação.
Para o Professor Marcos Galdino que é Professor de Filosofia no Colégio Adventista de Cascavel – Paraná, para ele ser professor no mundo contemporâneo e na escola brasileira,
“significa compreender que vivemos em um mundo de exclusão e o Brasil, digamos que pode ser considerado como a reprodução perfeita de uma sociedade de classes. Hoje existem essas classes infelizmente muito bem divididas a ponto dos excluídos aumentarem dia após dia, e o professor é convidado a minimizar essa exclusão, ser aquele que faz com que o aluno se sinta inserido em uma real sociedade e não somente em uma sociedade paralela, uma pseudo sociedade, mas fazer com que ele entenda que ele faz parte de uma sociedade brasileira que é sim fruto de muitos anos de escravidão, muitos anos de corrupção. Ele é fruto também de uma miscigenação biológica, cultural e se bem canalizado pode transformar-se em um ótimo objeto para ser trabalhado em sala de aula.”
Em linhas gerais, o depoimento anterior nos faz refletir que o professor precisa ser um professor e não apenas estar sendo um professor: ele precisa perceber que não existe divisão entre classes sociais, ele precisa perceber que existe um potencial diverso, seja o individuo de uma classe menos favorecida ou uma comunidade menos favorecida, seja aquele indivíduo que tenha necessidades especiais comparado com aquele que não as tem, todos são seres humanos, todos são pessoas, todos são também construtores de uma sociedade.
Como nos dizia Antonio NOVOA (2007), por ocasião da abertura no IV Congresso Luso- Brasileiro de Política e Administração da Educação, podem inventar tecnologias, serviços, programas, máquinas diversas, umas à distância, outras menos, mas nada substitui um bom professor. Nada substitui o bom senso, a capacidade de incentivo e de motivação que só os bons professores conseguem despertar. Nada substitui o encontro humano, a importância do diálogo, a vontade de aprender que só os bons professores conseguem promover. É necessário que tenhamos professores reconhecidos e prestigiados; competentes, e que sejam apoiados pela sociedade. São esses professores que fazem a diferença. É necessário que eles sejam profissionais de corpo inteiro, capazes de se mobilizarem e mobilizarem seus colegas, a sociedade, apesar de todas as dificuldades.
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mediante o estudo, pode-se afirmar que a educação é uma prática transformadora. Por meio do processo educacional pode-se transformar o mundo em que vivemos num mundo mais justo, solidário, fraterno e menos excludente.
Desta forma, espera-se que os professores sejam os principais protagonistas da diversificação das formas de saber e conhecer, da inclusão das novas tecnologias no espaço escolar e agentes da formação continuada.
Esta é a “arte do educador”: proporcionar ao educando a possibilidade de desenvolver sua capacidade crítica-reflexiva perante o mundo que o circunda, sensibilizando-o para transformá-lo em um mundo melhor. Afinal, consideramos que o professor é o elemento principal para desencadear o processo de mudança no cenário educacional.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho
Científico. 4ª Edição. São Paulo – SP. Editora Atlas, 2006.
BURBULES, Nicholas; TORRES, Carlos Alberto. Globalização e educação: perspectivas críticas. Tradução Ronaldo Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004.
DRUCKER, Peter. O melhor de Peter Drucker: o homem; tradução de Maria Lúcia L. Rosa. São Paulo: Nobel, 2001.
FELDMANN, Marina Graziela. Formação de professores e o ensino de arte na
escola brasileira. São Paulo, Revista PUCVIVA, ano 6, nº 22, out/nov/dez/2004.
GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3ª Edição. São Paulo – SP. Editora Atlas, 1996.
HARGREAVES, Andy. O ensino na sociedade de conhecimento: a educação na
era da insegurança; tradução Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2004.
MARTINS, José do Prado. Educação cidadã e pós-modernidade. In: MARTINS, José do Prado; CASTELLANO, Elisabete Gabriela (Orgs.) Educação para a cidadania. São Carlos- SP: EDUFSCar, 2003.253p.
NOVOA, Antonio. Palavras de abertura no IV Congresso Luso- Brasileiro de Política e Administração da Educação: O governo das escolas: Os novos referenciais, as práticas e a formação. Lisboa, 12/04/2007.
PAROLIN, Isabel.(org.) Professor ! A formação do professor formador. Editora Positivo, Curitiba-PR, 2009.
SACRISTAN, J. Gimeno. A educação que ainda é possível: ensaios sobre uma cultura para a educação; tradução Valério Campos. Porto Alegre: Artmed, 2007.
___________O currículo: uma reflexão sobre a prática; tradução Ernani F. da F. Rosa, 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.