ANÁLISE DA SERAPILHIERA DE UMA ÁREA DE CERRADO SENSU STRICTO (S.S.) GURUPI, TO
Yuri Fontes Alves1;Maurilio Antônio Varavallo2; Priscila Bezerra de Souza3
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Aluno do Curso de Engenharia Florestal; Campus de Gurupi- TO; e-mail:[email protected] “PIBIC/CNPq”
2Orientador(a) do Curso de Engenharia Florestal; Campus de Gurupi- TO; e-mail:[email protected] 3
Co-orientador(a) do Curso de Engenharia Florestal; Campus de Gurupi- TO ; e-mail: [email protected]
RESUMO:
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro com 2 milhões de km2 de domínio nas terras altas do
Brasil Central e apresenta vegetação com fitofisionomias bastante variadas em toda a sua extensão. Assim, a contrastante exuberância da cobertura florestal do cerrado está associada às estratégias de conservação e de reciclagem de nutrientes dentro do próprio sistema. Grande parte dos nutrientes dentro do ecossistema está presente na parte aérea da vegetação ocorrendo forte interação entre a vegetação e o solo, por meio da ciclagem de nutrientes, em que o acúmulo de serapilheira exerce importante função, por ser a mais significativa forma de transferência de nutrientes. Portanto, o presente trabalho teve como o objetivo visa verificar a variação da produção de serapilheira de duas fisionomias distintas, ambos em clima tropical: Cerrado (Cerrado sensu stricto e Mata Ciliar), com a finalidade de compreender a produção de serapilheira. O trabalho foi realizado na fazenda experimental da Universidade Federal do Tocantins, município de Gurupi – TO. Foram utilizados 20 coletores, sendo dez coletores em área de Cerrado sensu stricto (s.s) e 10 em área de Mata ciliar, foram feitas coletas mensalmente durante 10 meses, foi calculada a média mensal dos dados obtidos, para analisar as relações foi aplicada análise de correlação. A maior deposição de serapilheira total foi encontrada no cerrado sensu stricto no período da estação seca (julho de 2015 a abril de 2016), enquanto que a fisionomia mata ciliar mostrou-se variável durante o período de estudo.
Introdução:
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro com 2 milhões de km2 de domínio nas terras altas do
Brasil Central (Ratter et al., 1997) e apresenta vegetação com fitofisionomias bastante variadas em toda a sua extensão. A distribuição e a manutenção das diferentes fisionomias do Cerrado estão relacionadas a fatores edáficos, topográficos e ocorrência do fogo (Eiten, 1972). Geralmente, o Cerrado ocorre sobre Latossolos profundos e bem drenados, distróficos, ácidos e álicos, raramente sobre solos mesotróficos (Haridasan, 1992).
Grande parte dos nutrientes dentro do ecossistema está presente na parte aérea da vegetação ocorrendo forte interação entre a vegetação e o solo, por meio da ciclagem de nutrientes, em que o acúmulo de serapilheira exerce importante função, por ser a mais significativa forma de transferência de nutrientes (Martins & Rodrigues, 1999).
A produtividade de um ecossistema depende da quantidade de nutrientes armazenados em seus vários compartimentos, como: a vegetação, a serapilheira, o solo e a biomassa animal e, também, a taxa de transferência (Wetzel, 1997). A serapilheira é um importante componente de um ecossistema florestal compreendendo o material precipitado ao solo pela biota, o que inclui principalmente folhas, galhos, frutos, flores, raízes e resíduos animais (Dias e Oliveira Filho, 1997). Por meio do processo de decomposição, a serapilheira libera para o solo elementos minerais que as plantas utilizam, desempenhando assim, um papel fundamental na circulação de nutrientes e nas transferências de energia entre os níveis tróficos (Ribeiro, 1998; Sioli, 1991).
MATERIAIS E METÓDOS:
Este estudo foi desenvolvido em duas áreas, sendo uma de Cerrado sensu stricto (s.s.) e uma de Mata Ciliar. As áreas de Cerrado s.s. e Mata Ciliar estão localizadas na fazenda experimental da Universidade Federal do Tocantins, município de Gurupi sob as coordenadas 11’’ 46’ 25 S e 49’’ 02’ 54 W.
As coletas foram realizadas mensalmente de julho 2015 a abril de 2016. Para a determinação da produção de serapilheira foram utilizados coletores confeccionados com tela de nylon de 2 mm de
abertura de malha e com 1 m2 de área. Os coletores foram colocados a 0,5 m acima do solo para evitar
Para essas áreas de estudo Cerrado sensu stricto e Mata Ciliar foram coletados mensalmente, junto à estação meteorológica situada na área da Universidade Federal do Tocantins, Campus Gurupi, dados de temperatura do ar e precipitação.
Dessa forma o material coletado foi acondicionado em sacos plásticos, etiquetados e conduzidos ao laboratório de Ecologia da UFT, onde foi seco à sombra e triado nas seguintes frações folha, flor, propágulo e material lenhoso. Após a triagem, o material foi acondicionado em sacos de papel, etiquetados e levados à estufa com circulação de ar a 65°C, por 48 horas, para secagem em estufa até a obtenção de peso constante em balança analítica de precisão.
Foi calculada a média mensal dos dados obtidos nos coletores de cada área e a correspondente produção de serapilheira em cada tipo de fisionomia. Para analisar as relações entre a umidade relativa, precipitação, temperatura e a produção de serapilheira foi aplicada análise de correlação. A produção de serapilheira das duas áreas nos períodos de seca e chuvoso foi comparada pelo Teste t.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Os dados de precipitação e temperatura do período de julho de 2015 a abril de 2016 das duas fisionomias estudadas cerrado sensu stricto e mata ciliar estão representados na (Figura 1). Foi possível observar que os maiores valores de precipitações foram registrados no período de novembro de 2015 a abril de 2016 apresentando um pico em janeiro de 2016 com 349,2 mm e as menores precipitações entre o período de maio a outubro de 2015 já a temperatura máxima foi registrada no mês de outubro de 2015 (28,6 °C) e a mínima no mês de julho de 2015 (24,2 °C) figura 1. De junho a agosto de 2015 ocorreu um período mais seco, coincidente com as temperaturas mais baixas, típico das regiões do domínio Cerrado (SANTOS JÚNIOR, 1992; SASSAKI et al.,1999; CESARINO, 2002; CARREIRA, 2004; RONDON, 2006).
Figura 1 – Temperatura e precipitação registrada no período de maio de 2015 a abril de 2016 das duas fisionomias estudadas cerrado sensu stricto e mata ciliar, Fazenda Experimental da Universidade Federal do Tocantins, campus de Gurupi – TO.
A produção média anual de serapilheira na fisionomia mata ciliar variou de 51,6 a 267,3 kg ha-1,
resultando numa produção média anual de 1829,31 kg ha-1. Na área de cerrado s.s. a produção média
de serapilheira variou de 20,9 a 308,2 kg ha-1, com uma produção média anual de 1349,01 kg ha-1.
Dados estes que corroboram com ALHO (1992) que atribui essa diferença ao cerrado sensu stricto ser uma vegetação semi-aberta, ou seja, com árvores espaçadas e pequenas além de ter pouca biomassa por unidade área em relação às fisionomias florestais (SILVA et. al, 2007).
jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 dez/15 jan/16 fev/16 mar/16 abr/16
Figura 2 - Produção mensal de serapilheira total, registrada nas duas fisionomias estudadas cerrado sensu stricto e mata ciliar, Fazenda Experimental da Universidade Federal do Tocantins, campus de Gurupi - TO, no período de maio de 2015 a abril de 2016. Letras iguais nas barras indicam igualdade significativa (p<0,05).
Tabela 1 - Produção de serapilheira total separado por frações folha, flor, propágulo e material lenhoso, registrada no período de julho de 2015 a abril de 2016, nas duas fisionomias
estudadas cerrado sensu stricto e mata ciliar, Fazenda Experimental da Universidade Federal do Tocantins, campus de Gurupi - TO.
Frações da serapilheira (kg ha-1)
MESES Folha Flor Propágulo Mat. Lenhoso
Julho/15 596,09 Ba 59,28 Ac 74 Ac 239 Ab Agosto/15 927,32 Aa 5,23 Ac 19,35 Ac 198,94 Ab Setembro/15 585,45 Ba 9,9 Ac 18,01 Ac 129,5 Ab Outubro/15 497,15 Ba 37,61 Ac 24,18 Ac 147,73 Ab Novembro/15 181,84 Da 23,79 Ab 18,7Ab 83,6 Bb Dezembro/16 83,5 Da 2,93 Aa 20,45 Aa 59,51 Ba Janeiro/16 113,59 Da 1,5 Aa 80,17 Aa 86,09 Ba Fevereiro/16 184,41 Da 14,89 Ab 150,04 Aa 209,71 Aa Março/16 184,15 Da 4,84 Ab 24,97 Ab 167,28 Aa Abril/16 127,62 Da 0 Ab 6,53 Ab 61,47 Ba
Letras iguais minúsculas nas linhas indicam igualdade significativa das frações e letras iguais maiúsculas nas colunas indicam igualdade dos meses (p<0,05)
A maior deposição de folha foi registrada no período de julho a outubro de 2015 estações seca (Tabela 1 e Figura 1). A deposição de flor e propágulo ao longo do ano não diferiu significativamente (Tabela 1). Enquanto que a fração material lenhoso teve uma maior produção de serapilheira no período de julho a outubro de 2015 e nos meses de fevereiro e março de 2016, o restante dos meses houve uma variação pequena entre os valores de deposição dados.
A deposição mais representativa da serapilheira em ambas as fisionomias é a fração folha, onde somaram 63,7% do total de material depositado nos coletores no período de julho de 2015 a abril de 2016. Já a fração material lenhoso representou 26,8% da serapilheira total depositada durante o período de julho de 2015 a abril de 2016. As frações flor e propágulo apresentaram-se iguais estatisticamente em ambas às fisionomias durante o período estudado, somando 9,5% da serapilheira total depositada nos coletores.
A maior deposição de serapilheira total encontrada no cerrado sensu stricto foi no período da estação seca (julho de 2015 a abril de 2016), enquanto que a fisionomia mata ciliar mostrou-se variável durante o período de estudo. A deposição de mostrou-serapilheira total na área de cerrado
sensu stricto mostrou-se semelhante estatisticamente aos valores da fisionomia mata ciliar,
LITERATURA CITADA:
ALHO, C.J.R. A teia da vida: uma introdução a ecologia brasileira. Editora Objetiva, Rio de Janeiro,1992, 160p.
CARREIRA, R.C. Germinação em sementes de Miconia albicans (Sw.) Triana e Miconia rubiginosa (Bonpl.) DC., Melastomataceae, do cerrado de Mogi Guaçu, SP. Dissertação de Mestrado, Instituto de Botânica, São Paulo, 2004, 143p.
Dias, H.C.T.; Oliveira Filho, A.T. 1997. Variação temporal e espacial da produção de serrapilheira em uma área de floresta estacional semidecídua montana em Larvras-MG. Revista Árvore, 21: 11-26. Eiten, G. 1972. The cerrado vegetation of Brazil. Botanical Review 38: 201-341.
Haridasan, M. 1992. Observations on soils, foliar nutrient concentration and floristic composition of cerrado sensu stricto and cerradão communities in central Brazil. Pp.171-184. In: P.A. Furley; J. Proctor & J.A. Ratter (eds.). Nature and Dynamics of Forest-Savanna Boundaries. London, Chapman & Hall Publishing.
Martins, S.V.; Rodrigues, R.R. 1999. Produção de serrapilheira em clareiras de uma floresta estacional semidecidual no Município de Campusnas, SP. Revista Brasileira de Botânica, 22 (3): 405-412.
Ratter, J. A. Ribeiro, J. F. & Bridgewalter, S. 1997. The Brazilian Cerrado vegetation and threats to its biodiversity. Annals of Botany 80: 223-230.
SILVA, F. L; ESCRIBANO, M. T; ALONSO, J. J. P; RIVAS-GONZALO, J. C; SANTOS-BUELGA, C. Anthocyanins pigments in strawberry. LWT, v. 40, n. 2, p. 374-382, 2007.
"O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – Brasil"