LEI Nº 13.429, DE 31 DE MARÇO DE 2017
Altera dispositivos da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Comentário: a lei é oriunda do Projeto de Lei nº 4.302-E de 1998
Art. 1º Os arts. 1º, 2º, 4º, 5º, 6º, 9º, 10, o parágrafo único do art. 11 e o art. 12 da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, passam a vigorar com a seguinte redação:
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 1º As relações de trabalho na empresa de trabalho temporário, na empresa de prestação de serviços e nas respectivas tomadoras de serviço e contratante regem-se por esta Lei.”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 1º - É instituído o regime de trabalho temporário, nas condições estabelecidas na presente Lei.
ALTERAÇÃO: A alteração é apenas de adaptação de redação, para indicar que a lei, além do trabalho temporário, agora regulamenta as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços e nas respectivas tomadoras de serviço e contratante.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 2º Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. § 1º É proibida a contratação de trabalho temporário para a substituição de trabalhadores em greve, salvo nos casos previstos em lei.
§ 2º Considera-se complementar a demanda de serviços que seja oriunda de fatores imprevisíveis ou, quando decorrente de fatores previsíveis, tenha natureza intermitente, periódica ou sazonal.”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 2º - Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo extraordinário de serviços.
ALTERAÇÃO: O trabalho temporário continua sendo prestado por intermediação de uma empresa de trabalho temporário.
A contratação de trabalhador temporário continua sendo possível para atender a uma necessidade de substituição transitória de pessoal permanente, que a legislação atual chama de “regular”, o que não implica em mudança.
A outra hipótese de contratação é para atender à demanda complementar de serviços. A meu ver, essa situação equivale ao acréscimo extraordinário de serviços mencionado na lei atual. Porém, a redação, ao mencionar demanda complementar, e não acréscimo de serviços como anteriormente, trará polêmica, pois permite a ilação de que as hipóteses de trabalho temporário foram reduzidas. Demanda complementar dá a noção de uma tarefa que a empresa até então não possuía, aproximando-se do “serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo”, previsto no art. 443, § 2º, ‘a’, da CLT. Porém, como o § 2º dá a interpretação autêntica de que demanda complementar é oriunda de fatores imprevisíveis ou previsíveis, desde que de natureza intermitente, periódica ou sazonal, os picos de produção podem ser interpretados como mantidos na autorização dessa modalidade contratual. TEXTO MANTIDO NA LEI 6.019: Art. 3º - É reconhecida a atividade da empresa de trabalho temporário que passa a integrar o plano básico do enquadramento sindical a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 4º Empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, devidamente registrada no Ministério do Trabalho, responsável pela colocação de trabalhadores à disposição de outras empresas temporariamente.”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 4º - Compreende-se como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos.
ALTERAÇÃO: Com a mudança, a empresa de trabalho temporário não pode mais ser uma pessoa física. Por outro lado, deixa de ser proibido o trabalho temporário no meio rural, tendo em vista que o conceito legal da empresa não mais requer seja atividade urbana.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 5º Empresa tomadora de serviços é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada que celebra contrato de prestação de trabalho temporário com a empresa definida no art. 4º desta Lei.”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 5º - O funcionamento da empresa de trabalho temporário dependerá de registro no Departamento Nacional de Mão-de-Obra do Ministério do Trabalho e Previdência Social.
ALTERAÇÃO: Será necessário um esforço para interpretar o que é uma entidade equiparada à pessoa jurídica. A nosso ver, seria qualquer arrumação societária, associativa, cooperativa ou mesmo empresa individual reconhecida na lei civil. REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 6° São requisitos para funcionamento e registro da empresa de trabalho temporário no Ministério do Trabalho:
a) (revogada); b) (revogada); c) (revogada);
d) (revogada); e) (revogada); f) (revogada);
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), do Ministério da Fazenda;
II - prova do competente registro na Junta Comercial da localidade em que tenha sede; III - prova de possuir capital social de, no mínimo, R$ 100.000,00 (cem mil reais). Parágrafo único. (Revogado).”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 6º - O pedido de registro para funcionar deverá ser instruído com os seguintes documentos:
a) prova de constituição da firma e de nacionalidade brasileira de seus sócios, com o competente registro na Junta Comercial da localidade em que tenha sede;
b) prova de possuir capital social de no mínimo quinhentas vezes o valor do maior salário mínimo vigente no País;
c) prova de entrega da relação de trabalhadores a que se refere o art. 360, da Consolidação as Leis do Trabalho, bem como apresentação do Certificado de Regularidade de Situação, fornecido pelo Instituto Nacional de Previdência Social; d) prova de recolhimento da Contribuição Sindical;
e) prova da propriedade do imóvel-sede ou recibo referente ao último mês, relativo ao contrato de locação;
f) prova de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Parágrafo único. No caso de mudança de sede ou de abertura de filiais, agências ou escritórios é dispensada a apresentação dos documentos de que trata este artigo, exigindo-se, no entanto, o encaminhamento prévio ao Departamento Nacional de Mão-de-Obra de comunicação por escrito, com justificativa e endereço da nova sede ou das unidades operacionais da empresa.
ALTERAÇÃO: Com a nova lei, a empresa de trabalho temporário deve ter capital mínimo de R$ 100.000,00, enquanto na legislação revogada o capital deveria ser equivalente a 500 salários mínimos. Não se exige mais que os sócios da empresa sejam brasileiros.
A nova lei corrige a distorção que era exigir para o registro a relação de empregados, bem como a prova do recolhimento da contribuição sindical. Tal exigência
não era lógica, pois os contratos de trabalho ainda não tinham iniciado. Deixa de exigir para o registro a prova de propriedade do imóvel ou recibo de aluguel.
TEXTO MANTIDO: Art. 7º - A empresa de trabalho temporário que estiver funcionando na data da vigência desta Lei terá o prazo de noventa dias para o atendimento das exigências contidas no artigo anterior.
Parágrafo único. A empresa infratora do presente artigo poderá ter o seu funcionamento suspenso, por ato do Diretor Geral do Departamento Nacional de Mão-de-Obra, cabendo recurso ao Ministro de Estado, no prazo de dez dias, a contar da publicação do ato no Diário Oficial da União.
Art. 8º - A empresa de trabalho temporário é obrigada a fornecer ao Departamento Nacional de Mão-de-Obra, quando solicitada, os elementos de informação julgados necessários ao estudo do mercado de trabalho.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 9º O contrato celebrado pela empresa de trabalho temporário e a tomadora de serviços será por escrito, ficará à disposição da autoridade fiscalizadora no estabelecimento da tomadora de serviços e conterá:
I - qualificação das partes;
II - motivo justificador da demanda de trabalho temporário; III - prazo da prestação de serviços;
IV - valor da prestação de serviços;
V - disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, independentemente do local de realização do trabalho.
§ 1º É responsabilidade da empresa contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou em local por ela designado.
§ 2º A contratante estenderá ao trabalhador da empresa de trabalho temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado.
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 9º - O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora de serviço ou cliente deverá ser obrigatoriamente escrito e dele deverá constar expressamente o motivo justificador da demanda de trabalho temporário, assim como as modalidades de remuneração da prestação de serviço.
ALTERAÇÃO: A nova lei mantém a tradição de que o contrato de trabalho temporário seja escrito e com o registro expresso do motivo justificador da contratação e o valor ajustado. Como novidade, prevê que o contrato deverá conter as disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, independentemente do local da realização do trabalho.
A nova fixa expressamente a responsabilidade do contratante em garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou em local por ela designado. Além disso, a contratante deve estender ao trabalhador temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado.
A nova lei explicita, ainda, que o contrato temporário pode versar sobre o desenvolvimento de atividades-meio ou fim a serem executadas na empresa tomadora de serviços, em nada alterando a legislação vigente. O contrato de trabalho temporário sempre foi a modalidade de terceirização em que logicamente seria autorizada a atividade-fim, porque substitui eventualmente a mão de obra permanente da empresa tomadora de serviços.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 10. Qualquer que seja o ramo da empresa tomadora de serviços, não existe vínculo de emprego entre ela e os trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho temporário.
§ 1º O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo empregador, não poderá exceder ao prazo de cento e oitenta dias, consecutivos ou não.
§ 2º O contrato poderá ser prorrogado por até noventa dias, consecutivos ou não, além do prazo estabelecido no § 1º deste artigo, quando comprovada a manutenção das condições que o ensejaram.
REDAÇÃO APROVADA PELO CONGRESSO NACIONAL E VETADA PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: § 3º O prazo previsto neste artigo poderá ser alterado mediante acordo ou convenção coletiva.
Razões do veto: "Não se configura adequada a possibilidade de alteração do prazo máximo do contrato de trabalho temporário, de modo a evitar-se conflito entre esse regime contratual e o contrato por tempo indeterminado, preservando-se assim a segurança jurídica de ambas modalidades de contratação."
§ 4º Não se aplica ao trabalhador temporário, contratado pela tomadora de serviços, o contrato de experiência previsto no parágrafo único do art. 445 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. § 5º O trabalhador temporário que cumprir o período estipulado nos §§ 1º e 2º deste artigo somente poderá ser colocado à disposição da mesma tomadora de serviços em novo contrato temporário, após noventa dias do término do contrato anterior.
§ 6º A contratação anterior ao prazo previsto no § 5º deste artigo caracteriza vínculo empregatício com a tomadora.
§ 7º A contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer o trabalho temporário, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.”(NR)
REDAÇÃO REVOGADA: Art. 10 - O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora ou cliente, com relação a um mesmo empregado, não poderá exceder de três meses, salvo autorização conferida pelo órgão local do Ministério do Trabalho e Previdência Social, segundo instruções a serem baixadas pelo Departamento Nacional de Mão-de-Obra.
ALTERAÇÃO: A nova lei muda o prazo máximo do contrato temporário de três meses, com uma prorrogação, para 180 dias, consecutivos ou não, podendo ser prorrogado por mais 90 dias, consecutivos ou não, desde que comprovada a manutenção da condição que o justificou. O prazo de 180 dias poderá ser alterado mediante acordo ou convenção coletiva, não havendo menção de limite para a negociação coletiva.
Com a previsão de que o prazo contratual possa ser consecutivo ou não, fica instituído o contrato de trabalho intermitente. Essa questão demandará regulamentação pelo Ministério do Trabalho, para que se reduza o desconforto e incerteza para o trabalhador. A menção a trabalho descontínuo implica dizer que poderá ser ajustada a prestação de serviço com intervalos previamente definidos, ou seja, o temporário poderá trabalhar um mês seguido, ajustar que não trabalhará no mês seguinte, e retornar em seguida.
Outra novidade foi explicitar que o contrato de experiência não se aplica ao trabalhador temporário, embora já fosse possível tal ilação do silêncio da legislação atual.
A nova lei passa a prever uma quarentena, pela qual o trabalhador temporário não pode ser colocado à disposição da mesma tomadora de serviços em novo contrato temporário, após 90 dias do término do contrato anterior. Não se menciona que essa limitação envolva apenas a empresa de trabalho temporário do primeiro contrato, daí porque não será possível o trabalhador migrar para outra ETT como forma de driblar esse limite. Desrespeitado tal prazo, será caracterizado o vínculo empregatício com a tomadora.
Por fim, a nova lei avança ao mencionar explicitamente a responsabilidade subsidiária pelas obrigações trabalhistas. No regramento atual, a responsabilidade prevista na lei é solidária, mas relacionada à empresa de trabalho temporário que falir e em consideração aos recolhimentos previdenciários.
REDAÇÃO VETADA: “Art. 11. ... Parágrafo único. Registrar-se-á na Carteira de Trabalho e Previdência Social do trabalhador sua condição de temporário.”(NR)
Houve veto por arrasto. Foi vetada a alteração do art. 12 da lei 6.019/74. Como o § 1º do art. 12 já prevê a anotação da condição de temporário na CTPS, tornou-se redundante o dispositivo vetado.
REDAÇÃO MANTIDA: Art. 11 - O contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será, obrigatoriamente, escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por esta Lei.
Parágrafo único. Será nula de pleno direito qualquer cláusula de reserva, proibindo a contratação do trabalhador pela empresa tomadora ou cliente ao fim do prazo em que tenha sido colocado à sua disposição pela empresa de trabalho temporário.
Embora as razões do veto não envolvam a cláusula de reserva foi importante a manutenção do parágrafo único do art. 11, para que não houvesse margem à dúvida quanto à vedação da cláusula de reserva, destinada a proibir que o temporário seja contratado diretamente pela tomadora de serviços ao final do contrato. Mesmo que houvesse a revogação do parágrafo único do art. 11, seria ilegal a possibilidade de cláusula de reserva, proibindo a contratação do trabalhador temporário pela empresa tomadora ao fim do período em que tenha sido colocado à disposição, mesmo porque tal cláusula feriria as regras constitucionais de liberdade do trabalho e livre iniciativa empresarial.
REDAÇÃO APROVADA PELO CONGRESSO NACIONAL E VETADA PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: “Art. 12. São assegurados ao trabalhador temporário, durante o período em que estiver à disposição da empresa tomadora de serviços, os seguintes direitos, a serem cumpridos pela empresa de trabalho temporário:
a) (revogada); b) (revogada); c) (revogada); d) (revogada); e) (revogada); f) (revogada); g) (revogada); h) (revogada);
I - salário equivalente ao percebido pelos empregados que trabalham na mesma função ou cargo da tomadora;
II - jornada de trabalho equivalente à dos empregados que trabalham na mesma função ou cargo da tomadora;
III - proteção previdenciária e contra acidentes do trabalho a cargo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
§ 1º (Revogado). § 2º (Revogado).
§ 3º O contrato de trabalho poderá prever, para os empregados temporários contratados por até trinta dias, sistema de pagamento direto das parcelas relativas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), das férias proporcionais e do décimo terceiro salário proporcional.”(NR)
Razões dos vetos "Não há razão lógica ou jurídica para o dispositivo, já que os direitos elencados nas alíneas 'a' a 'h' estão assegurados na Constituição, em seu artigo 7º, não se configurando adequada a proposta que admita limitação a esses direitos, recomendando-se sua manutenção e, por conrecomendando-seguinte, o veto ao dispositivo sob sanção. Por arrasto, impõe-se veto ao artigo 11 do projeto de lei."
REDAÇÃO MANTIDA: Art. 12 - Ficam assegurados ao trabalhador temporário os seguintes direitos:
a) remuneração equivalente à percebida pelos empregados de mesma categoria da empresa tomadora ou cliente calculados à base horária, garantida, em qualquer hipótese, a percepção do salário mínimo regional;
b) jornada de oito horas, remuneradas as horas extraordinárias não excedentes de duas, com acréscimo de 20% (vinte por cento);
c) férias proporcionais, nos termos do artigo 25 da Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966;
d) repouso semanal remunerado; e) adicional por trabalho noturno;
f) indenização por dispensa sem justa causa ou término normal do contrato, correspondente a 1/12 (um doze avos) do pagamento recebido;
g) seguro contra acidente do trabalho;
h) proteção previdenciária nos termos do disposto na Lei Orgânica da Previdência Social, com as alterações introduzidas pela Lei nº 5.890, de 8 de junho de 1973 (art. 5º, item III, letra "c" do Decreto nº 72.771, de 6 de setembro de 1973).
§ 1º - Registrar-se-á na Carteira de Trabalho e Previdência Social do trabalhador sua condição de temporário.
§ 2º - A empresa tomadora ou cliente é obrigada a comunicar à empresa de trabalho temporário a ocorrência de todo acidente cuja vítima seja um assalariado posto à sua disposição, considerando-se local de trabalho, para efeito da legislação específica, tanto aquele onde se efetua a prestação do trabalho, quanto a sede da empresa de trabalho temporário.
COMENTÁRIO SOBRE O VETO: a nova lei explicitava o óbvio, de que os direitos assegurados estão vinculados ao período à disposição da empresa tomadora de serviços. Independente do veto, a isonomia de direitos continua observando o tomador de serviços ao qual esteja vinculado o trabalhador temporário num determinado momento.
A isonomia de remuneração era substituída no dispositivo vetado por isonomia de salário, o que na prática, seria a mesma coisa. Salário é a importância percebida do empregador (art. 457 da CLT), razão pela qual a percepção de gorjetas, se possível devida, não deixaria de ser estendida ao temporário. Deste modo, o veto em nada impacta em possíveis mudanças na legislação.
Em relação à jornada, o texto vetado era mais adequado que a legislação atual, pois estipulava a jornada equivalente à dos empregados que trabalham na mesma função ou cargo da tomadora, ao passo que a lei atual menciona jornada de 8 horas. De todo modo, o veto em nada muda a situação, já que, com esforço hermenêutico, a doutrina e a jurisprudência já fixam a equiparação do temporário com empregados contratados diretamente pelo tomador de serviços em relação a jornadas inferiores a 8 horas. Por outro lado, a nova lei não mencionava a remuneração de horas extras, o que poderia levar à dúvida se o trabalhador temporário pode prestá-las, dúvida essa eliminada pela manutenção da regra atual, com a ressalva de que o adicional de horas extras é considerado em 50%, conforme consta na Constituição, e não 20% como está na lei.
O dispositivo vetado não contemplava previsão explícita de férias proporcionais. Isso era desnecessário, porém, porque a regra constitucional vale para todos os trabalhadores urbanos e rurais.
Entendi que era positiva a revogação da previsão de repouso semanal remunerado e adicional noturno, haja vista induzir a ideia de que outros direitos constitucionais, não previstos na lei, não eram devidos ao temporário. Vetado a alteração, porém, continua prevalecendo o entendimento de que todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição são aplicados aos trabalhadores temporários. O dispositivo vetado deixava claro que o FGTS e o 13º salário seriam devidos, tendo em vista a previsão de pagamento diretamente ao trabalhador nos contratos inferiores a 30 dias. De todo modo, a interpretação atual já é essa, por se tratar de direitos estabelecidos na Constituição.
TEXTO MANTIDO: Art. 13 - Constituem justa causa para rescisão do contrato do trabalhador temporário os atos e circunstâncias mencionados nos artigos 482 e 483, da Consolidação das Leis do Trabalho, ocorrentes entre o trabalhador e a empresa de trabalho temporário ou entre aquele e a empresa cliente onde estiver prestando serviço. Art. 14 - As empresas de trabalho temporário são obrigadas a fornecer às empresas tomadoras ou clientes, a seu pedido, comprovante da regularidade de sua situação com o Instituto Nacional de Previdência Social.
Art. 15 - A Fiscalização do Trabalho poderá exigir da empresa tomadora ou cliente a apresentação do contrato firmado com a empresa de trabalho temporário, e, desta última o contrato firmado com o trabalhador, bem como a comprovação do respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias.
Art. 16 - No caso de falência da empresa de trabalho temporário, a empresa tomadora ou cliente é solidariamente responsável pelo recolhimento das contribuições
previdenciárias, no tocante ao tempo em que o trabalhador esteve sob suas ordens, assim como em referência ao mesmo período, pela remuneração e indenização previstas nesta Lei.
Observação: O Art. 16 colide com a previsão de responsabilidade subsidiária e deverá ser considerado revogado.
Art. 17 - É defeso às empresas de prestação de serviço temporário a contratação de estrangeiros com visto provisório de permanência no País.
Art. 18 - É vedado à empresa do trabalho temporário cobrar do trabalhador qualquer importância, mesmo a título de mediação, podendo apenas efetuar os descontos previstos em Lei.
Parágrafo único. A infração deste artigo importa no cancelamento do registro para funcionamento da empresa de trabalho temporário, sem prejuízo das sanções administrativas e penais cabíveis.
Art. 19 - Competirá à Justiça do Trabalho dirimir os litígios entre as empresas de serviço temporário e seus trabalhadores.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 4º-A Empresa prestadora de serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado destinada a prestar à contratante serviços determinados e específicos.
§ 1º A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços. § 2º Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.”
ALTERAÇÃO: O cerne da lei será interpretar o que vem a ser “serviços determinados e específicos” e se tal englobaria a atividade-fim do tomador de serviços na situação de terceirização. Penso que os serviços específicos constitui a especialidade da empresa prestadora de serviços. No entanto, não equivale à autorização para terceirização na atividade-fim. Primeiro, porque terceirizar é exceção que deve encontrar-se explícita na lei. segundo, porque deve ser analisado o contexto histórico da aprovação da lei, ou seja, se a mesma lei explicitou a atividade-fim para o trabalho temporário, fosse essa a intenção do legislador, deveria ter explicitado também na regulamentação genérica de terceirização. Esse ponto é polêmico, porém.
A nova lei permite expressamente a subcontratação para atender ao contrato de fornecimento de mão-de-obra.
Em que pese a regra expressa, em caso de fraude, em virtude do princípio da primazia da realidade, será possível reconhecer o vínculo entre o trabalhador e a empresa contratante, em caso de fraude.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 4º-B São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros:
I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); II - registro na Junta Comercial;
III - capital social compatível com o número de empregados, observando-se os seguintes parâmetros:
a) empresas com até dez empregados — capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais);
b) empresas com mais de dez e até vinte empregados — capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais);
c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados — capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais);
d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados — capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais); e
e) empresas com mais de cem empregados — capital mínimo de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais).”
ALTERAÇÃO: Este dispositivo não tem correspondente na legislação atual. Assim, estipulou-se capital social mínima para atuar como empresa de prestação de serviços a terceiros. Os valores estão muito defasados, em razão da longa tramitação do projeto.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 5º-A Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços determinados e específicos. § 1º É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com a empresa prestadora de serviços.
§ 2º Os serviços contratados poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em outro local, de comum acordo entre as partes.
§ 3º É responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato.
§ 4º A contratante poderá estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado.
§ 5º A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das
contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.”
ALTERAÇÃO: A terceirização só pode envolver serviços determinados e específicos, a serem executados nas instalações físicas do contratante ou em outro local, de comum acordo entre as partes. Se não menciona a proibição de terceirização em atividade-fim, não autoriza expressamente, o que demandará interpretação da lei pelos tribunais.
A nova lei proíbe a utilização dos trabalhadores em atividades distintas da contratada, o que denota que a terceirização não é irrestrita.
Pela lei, o contratante é obrigado a garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou no local convencionado no contrato. Haverá a dúvida acerca da responsabilidade do tomador de serviços quando o trabalho for executado nas instalações da empresa prestadora de serviços.
A lei faculta ao contratante a extensão para os terceirizados do atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, nas dependências da contratante, ou local por ela designado. Fica claro que o terceirizado não terá direito a isonomia em relação a tais direitos.
A lei replica a jurisprudência pela responsabilidade subsidiária do contratante, referente ao período de aproveitamento da mão de obra, o que engloba as obrigações trabalhistas e o recolhimento das contribuições previdenciárias.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 5º-B O contrato de prestação de serviços conterá: I - qualificação das partes;
II - especificação do serviço a ser prestado;
III - prazo para realização do serviço, quando for o caso; IV - valor.”
ALTERAÇÃO: Essa regra será importante nos processos judiciais para fins de demonstração da regularidade da terceirização, permitindo que o juiz confirme se os serviços prestados pelo trabalhador correspondem à previsão contratual entre as empresas.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 19-A. O descumprimento do disposto nesta Lei sujeita a empresa infratora ao pagamento de multa.
Parágrafo único. A fiscalização, a autuação e o processo de imposição das multas reger-se-ão pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.”
ALTERAÇÃO: Nenhuma novidade, apenas explicitando inexistir processo especial de fiscalização do trabalho temporário ou do trabalho terceirizado.
REDAÇÃO SANCIONADA: “Art. 19-B. O disposto nesta Lei não se aplica às empresas de vigilância e transporte de valores, permanecendo as respectivas relações de trabalho reguladas por legislação especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.” ALTERAÇÃO: Nenhuma e, pelo contrário, mantém os serviços de vigilância e de transporte de valores na lei específica (7.102) e com aplicação subsidiária da CLT. REDAÇÃO SANCIONADA:“Art. 19-C. Os contratos em vigência, se as partes assim acordarem, poderão ser adequados aos termos desta Lei.”
ALTERAÇÃO: permite a adaptação dos contratos já existentes.
REDAÇÃO SANCIONADA: Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. OBS: os comentários das alterações foram disponibilizados pelo Juiz do Trabalho da 18º Região Dr. Fabiano Coelho. A ele os meus agradecimentos