DIREITO
COLETIVO
ASPECTOS HISTÓRICOS DO DIREITO
COLETIVO DO TRABALHO
EVOLUÇÃO HISTÓRICA INTERNACIONAL
Ascenção da Burguesia – troca do monarca pelo burguês Revolução Industrial
Relação conflituosa entre economia e direito, na forma como observa o fator trabalho
Economia – apenas um custo de produção (precisa ser minimizado) Direito – cunho social (precisa ser maximizado)
Condições sociais vivenciadas – aspectos gerais
Trabalho de mulher/criança/idoso – “meias forças dóceis” de trabalho
Conclusão: O sindicato nasce de uma contradição
elementar do sistema capitalista de produção, dado que
ao congregar vários trabalhadores no mesmo espaço para
fins de otimizar resultados, acaba por coletivizar estes, via
sindicatos
• Podemos segmentar a evolução da aceitabilidade do movimento sindical em:
1ª Fase: não era reconhecido pela ordem jurídica, acoplada a idéia de criminalização da prática (considerada uma forma de conspiração)
2ª Fase: tolerância jurídica e discriminalização
3ª Fase: reconhecimento do direito de coalização e livre organização sindical, coincidindo com a própria sistematização e consolidação do D do Trabalho nos planos individual e coletivo
4ª Fase: com o Tratado de Versalhes (OIT), e também a constitucionalização do D do
Trabalho, os direitos de associação e sindicalização tornam-se sedimentados na cultura
jurídica ocidental
Conclusão: Ultrapassada fase autoritária (nazi-fascismo), tal direito torna-se um verdadeiro
princípio democrático
• Lembrar que vivenciamos uma industrialização tardia;
• Século XIX e início do século XX é marcado por um grande fluxo migratório, principalmente dos países europeus;
• Com a migração, conceitos oriundos do Iluminismo (liberdade), passam a
contaminar nosso seio social, culminando inclusive com o fim da Monarquia, e início do Regime Republicano, bem como o fim do regime escravocrata
• Início da transição do campo para a cidade, através de um movimento inicial de industrialização;
• Atuação neste sistema industrializado de trabalhadores nacionais, e também de trabalhadores imigrantes...qual foi a consequência?
• Resumindo a evolução da questão no cenário nacional:
• Primeiras manifestações no final do séc. XIX, fortemente influenciada pela imigração
europeia
• Em 1890, derrogada a tipificação do ilícito penal da greve
• A partir de 1930, início da fase de construção institucional, através da forte intervenção estatal, com a criação de uma estrutura sindical baseada em sindicato único (submetido ao reconhecimento pelo Estado); teve ainda a inicial redução da participação imigrante no segmento obreiro; por fim, repressão aos movimentos autonomistas;
• A organização sindical nasceu não como fruto da luta operaria, mas como um meio assistencial, e de
cunho interventivo por parte do Estado
• Tal fase segue até 1988, onde deixa de haver intervenção estatal, passando a haver
PRINCÍPIOS AFETOS AO DIREITO
COLETIVO DO TRABALHO
Podem ser segmentados em 3 esferas distintas: 1) Assecuratórios da existência do ente coletivo 2) Regentes das relações entre os seres coletivos 3) Quanto à criação de normas negociadas
1) Assecuratórios da existência do ente coletivo
A - liberdade associativa e sindical (liberdade associativa é mais ampla que a sindical)
- Liberdade de Associação (art. 5°, XVI, CF): assegura a reunião pacífica, pautada na ideia de união de pessoas com o mesmo objetivo
- Liberdade Sindical: faculdade que empregadores e obreiros possuem para reunirem-se, segundo seu livre interesse, sem que sofram qualquer interferência ou intervenção do Estado, objetivando a defesa dos interesses e direitos coletivos ou individuais da categoria, seja ela econômica (patronal), seja profissional (dos trabalhadores), inclusive em questões judiciais ou administrativas
materializa-se em dois polos de atuação:
- Liberdade Sindical Individual (art. 8°, V, CF; art. 5°, XX, CF): faculdade que o empregador e o trabalhador, individual e livremente, possuem de filiar-se, manter-se filiado ou mesmo desfilar-se do sindicato representativo da categoria
- Liberdade Sindical Coletivo (art. 8°, caput, CF; art. 5°, XVIII, CF): possibilidade, que possuem os empresários e trabalhadores agrupados, unidos por uma atividade comum, similar ou conexa, de constituir livremente o sindicato representante de seus interesses
OBS: a CF não garantiu a possibilidade de liberdade sindical plena, uma vez que ainda manteve resquícios da antiga estrutura (ex.: Unicidade Sindical; Contribuição Sindical Obrigatória e Poder Normativo da Justiça do Trabalho):
• veda sindicalização forçada;
• veda práticas antissindicais;
• estabelece um conjunto de garantias sindicais;
B - autonomia sindical (autogestão)
- faculdade que empregadores e trabalhadores possuem para organizar seus sindicatos,
sem qualquer interferência por parte do Estado
- antes da CF/88, havia necessidade de autorização do Estado para registro sindical
- vale ressaltar que devem os sindicatos atuar segundo a legalidade e o próprio estatuto, onde não realizando, poderá haver efetiva intervenção (não na condução da instituição, mas somente se houver efetivo desvio de finalidade)
- possibilidade de encerrarem livremente suas atividades (auto-extinção); no caso
de ato externo ou dissolução compulsória, demanda decisão judicial, com transito em julgado da mesma
- tal princípio ganha força com a CF/88, que amplia a prerrogativa de atuação destes em defesa de seus associados, com participação obrigatória nas negociações coletivas
➢lembrar que a Con. 87, OIT, não ratificada pelo Brasil, prevê ampla liberdade, estando em confronto com a CF, que determina a unicidade
C - Preponderância do Interesse Coletivo sobre o Interesse Individual
- vale lembrar que, por conta de tal princípio, é possível flexibilizar direitos
trabalhistas para viabilizar a manutenção da saúde financeira da empresa, com a conseqüente manutenção de empregos (ou seja, prepondera o interesse coletivo
sobre o interesse individual)
- temos como referência a possibilidade de redução salarial temporária, via acordo/convenção coletiva
- destacar a distinção entre normas de indisponibilidade relativa e normas de indisponibilidade absoluta (ex.:OJ 342, SDI-1, TST)
2) Regentes das relações entre os seres coletivos – regem as relações grupais, ou
seja, as tratativas entre os agentes coletivos
intervenção obrigatória em negociação coletiva;
- em negociação coletiva, é obrigatória a participação do ente coletivo (ex.:
dispensa coletiva)
equivalência entre os contratantes;
- sindicatos da categoria econômica e patronal possuem similitude de forças na
negociação
- quando o caso concreto leva a crer não haver tal princípio, ocorre em regra a participação da federação (principalmente no meio rural)
OBS: Há posição que defende a inexistência de equivalência, dado que a unicidade sindical não insere o empregado na dinâmica do sindicato, inexistindo assim efetiva representatividade
Podemos ver a materialização deste princípio na decisão do STF, no interior do RE590415 com Repercussão Geral, onde se pacificou a possibilidade de ampla quitação através do PDV, se houver prévia participação do ente sindical
“No âmbito do direito coletivo, não se verifica, portanto, a mesma
assimetria de poder presente nas relações individuais de trabalho. Por
consequência, a autonomia coletiva da vontade não se encontra sujeita aos mesmos limites que a autonomia individual.”
lealdade e transparência na negociação
- deve haver transparência nas negociações, retratando a situação real da empresa, bem como o real pleito dos trabalhadores
Ex.: deliberação de determinada cláusula para posterior pleito judicial de declaração de nulidade incidental da cláusula
3) Quanto à criação de normas negociadas – rege a relação entre o conjunto de normas produzidas no seio do direito coletivo e as normas heterônomas
criatividade jurídica;
- poder de auto-regulamentação
- negociação que objetiva a criação, modificação ou supressão de direitos
trabalhistas (de caráter privado), que vincularão as partes atingidas, resultante da negociação coletiva
- quanto mais desenvolvido o Estado, mais desenvolvido será este princípio
Adequação Setorial Negociada
admite elevar padrão setorial inicial frente à legislação heterônoma, ou
transacionar direito de indisponibilidade relativa quanto às normas
autônomas
não prevalece se importar ato de renúncia ou transação de direito de
absoluta indisponibilidade
• PERGUNTA: EXISTE LIMITE À ADEQUAÇÃO SETORIAL, PODENDO MITIGAR DETERMINADO DIREITO LEGALMENTE CONSTITUÍDO, EM DECORRENCIA DA PRÓPRIA DINÂMICA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA?
• DEBATE LEGISLADO X NEGOCIADO
REPRESENTATIVIDADE SINDICAL
Será que os Sindicatos efetivamente representam uma categoria, ou apenas se “auto-representam”?
Existe legitimidade representativa, ou seja, as pessoas se sentem representadas? Como vem sendo o grau de filiação sindical?
O que geraria tal situação?
Como mudar a atual situação?
OBS: a maior parte das demandas sindicais visam: cobrança de contribuições e debates sobre a possibilidade de cobrança, litigando sobre área de atuação ou categoria “dissociada”
CONSEQUENCIAS DESTA “REPRESENTATIVIDADE”
Crise de Representatividade – advém da insatisfação da classe trabalhadora não apenas com seu empregador, mas também com o ente coletivo que deveria lhe representar; é chamada de dissidência sindical; acaba por ir contra ao descrito pela lei de greve, que exige a participação do sindicato, o que culmina na sua ilegalidade, e consequente abusividade
Duplo canal de comunicação – apesar de a tutela coletiva ter como pano de fundo a obrigatória participação do ente sindical, vemos que o direito ampara também a comunicação direta realizada entre empregador e empregados no interior de suas relações, objetivando assim alcançar interesses focais, restritos a este ambiente (ou seja, pauta-se na ideia de representação não sindical)
EX.: novo art. 510-A, CLT
Representação dos Trabalhadores - Regulamentação do art. 11, CF/88
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um
representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os
empregadores. Parâmetros:
- Mais de 200 empregados
- Comissão de Empregados, variando de acordo com número de empregados - Atribuições prevista em lei, com atuação organizada de forma independente - Escolha através de eleição, VEDADA a interferência da empresa e do sindicato
- Veda a participação de empregados em contrato por prazo determinado, suspenso, ou em aviso prévio - Mandato de 1 ano, vedada a reeleição, bem como participação nas duas eleições subsequentes
- Não afasta do empregado de suas atividades
- Nova forma de estabilidade, limitada a 1 ano após o término do mandato, salvo ocorrência de motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro
QUESTÃO:
APLICAÇÃO PLENA DA CONVENÇÃO 87, OIT SERIA UMA
SOLUÇÃO?
Em resumo, é possível observar os seguintes aspectos trazidos pela convenção 87, OIT:
Garantia de Fundar Sindicatos – sem haver necessidade de prévia autorização do Estado; direito positivo (filiar) e negativo (desfiliar) de filiação
Garantia de Administrar Sindicatos – direito de redigir os próprios Estatutos, de eleger seus membros, liberdade de gestão e amplitude de atuação/função
Garantia de Atuação dos Sindicatos – vinculada a garantia contra suspensão ou extinção decorrentes de vontade do Estado pela via Administrativa
Garantia de livre filiação/desfiliação dos Sindicatos – alcança, inclusive, possibilidade de filiações com organizações internacionais
Outras Convenções que tratam deste escopo de análise:
Convenção 98 (Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva) – tutela contra atos de discriminação decorrentes da liberdade sindical
Convenção 135 (Proteção de Representantes de Trabalhadores) – tutela contra atos de contrários nas empresas ao exercício de representação
Convenção 141 (Organizações de Trabalhadores Rurais)
Convenção 144 (Consultas Tripartites sobre Normas Internacionais do Trabalho)
Convenção 151 (Direito de Sindicalização e Relações de Trabalho na Administração Pública) Convenção 154 (Fomento à Negociação Coletiva)
Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Promulgação (DECRETO No 592, DE 6 DE JULHO DE 1992.)
ARTIGO 22
1. Toda pessoa terá o direito de associar-se livremente a outras, inclusive o direito de construir sindicatos e de a eles filiar-se, para a proteção de seus interesses.
2. O exercício desse direito estará sujeito apenas ás restrições previstas em lei e que se façam
necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse da segurança nacional, da segurança e da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas. O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o exercício desse direito por membros das forças armadas e da polícia.
3. Nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que Estados Partes da Convenção de 1948 da Organização Internacional do Trabalho, relativa à liberdade sindical e à proteção do direito sindical, venham a adotar medidas legislativas que restrinjam ou aplicar a lei de maneira a restringir as garantias previstas na referida Convenção.
CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS (Pacto de San José da Costa Rica) Artigo 16. Liberdade de associação
1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza.
2. O exercício de tal direito só pode estar sujeito às restrições previstas pela lei que sejam necessárias, numa sociedade democrática, no interesse da segurança nacional, da segurança ou da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e liberdades das demais pessoas.
3. O disposto neste artigo não impede a imposição de restrições legais, e mesmo a privação do exercício do direito de associação, aos membros das forças armadas e da polícia.
ASPECTOS DA ESTRUTURA
SINDICAL BRASILEIRA
Conceito:
são
entidades
associativas
que
representam
trabalhadores e empregadores, visando a defesa de seus
correspondentes interesses coletivos; art. 511, CLT
• Natureza Jurídica Prevalecente no atual modelo:
• até a CF/88, tinha natureza jurídica de direito público; hoje, é uma associação de natureza privada, autônoma e coletiva, sem possibilidade de intervenção e interferência sobre este
• A representação sindical é ampla, alcançando aspecto judicial e extrajudicial
(dispensada a apresentação de listagem de representados – vide cancelamento Súm. 310, TST) – Pergunta: e se apresenta?
Critérios de agregação para fins sindicais:
em virtude de ofício/profissão (categorias diferenciadas/sindicatos horizontais); em virtude de sua categoria (é a regra/sindicato vertical);
sindicatos por empresas (crítica: acentua o “individualismo”);
em função de ramo/segmento (viabiliza a criação de grandes sindicatos (máxima solidariedade)
Pergunta: será que a L. 13.467/17 estabelece um racional que visa a formação de “sindicatos por empresas”?
Modelo Brasileiro
Regra: paralelismo simétrico, ou seja, por categoria; leva em conta a atividade principal do empregador; (ex.: Sindicato dos Metalúrgicos)
Exceção: paralelismo assimétrico, ou seja, por profissão (também denominada Categoria Diferenciada); art. 511, §2º, CLT; até a CF/88, deveria estar enquadrada em lista pré-existente (anexa ao art. 577, CLT); com a CF/88, via liberdade sindical, tal listagem passa a
ser exemplificativa, onde qualquer trabalhador com regras específicas pode constituir seu
Estrutura Sindical
a) Sindicato – por limitação constitucional, caberá apenas 1 sindicato por área de atuação, sendo esta, no mínimo, a área de um município; Pergunta: pode haver Sindicato englobando mais de um Município? Pode haver sindicato estadual?
b) Federação (art. 534, CLT) - pelo menos 5 sindicatos (representem a maioria absoluta de um grupo); se forma no interior de cada Estado
c) Confederação (art. 535, CLT) - pelo menos 3 federações; sede na capital da república
Questão: Centrais Sindicais (regulamentada pela L. 11.648/08 ) pertencem à estrutura sindical?
• não admite ocorrência de paralelismo, por não existir para a categoria econômica
• não podem negociar coletivamente, subscrever convenções coletivas, homologar rescisões deflagrar greves, etc.
• são entidades de representação geral dos trabalhadores, objetivando
participar de discussões que envolvam assuntos de interesse geral dos
trabalhadores
Paradoxo: uma parte da receita oriunda da contribuição sindical passou a ser revertido para estas; Crítica: centrais sindicais não possuem natureza de representatividade sindical, mas são beneficiadas por verba oriunda da
• A limitação imposta às centrais sindicais quanto ao exercício de representação também é vista como uma prática antissindical;
• Da mesma forma, a atuação do MTE como ente que mede a representatividade daquele, interferindo na plena liberdade sindical;
• Outra limitação seria a não estabilidade para todos os dirigentes (ex.: conselho fiscal), numa crítica à interpretação restritiva (Conv. 98, 135 e 154, OIT);
• Ainda, a impossibilidade de cobrança de contribuição frente a empregados não sindicalizados
Registro e Funcionamento dos Sindicatos
art. 8°, I, CLT – não há necessidade de autorização, mas se exige o registro no
órgão competente (principalmente, pelo fato da unicidade sindical)
A atividade do MTE quanto à necessidade de registro é meramente declaratória (para fins de publicidade), e não constitutiva; assim, tal ato será de cunho vinculado, e não discricionário
Na prática, há duplicidade de registro sindical:
❖ Um para conferir a personalidade jurídica de cunho privado, realizado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas (art. 45, CC)
❖ Um para conferir personalidade sindical, realizado no MTE (tal atuação não será discricionária, mas
vinculada, bastando o respeito aos pressupostos de constituição do mesmo); contra tal registro, poderá
haver impugnação de outro sindicato no prazo de 30 dias (ocorrendo, aguardará uma negociação entre estes, ou mesmo uma decisão de cunho judicial)
OBS: para alguns, somente com a segunda que haverá a constituição da representatividade sindical; tal debate é relevante quando diante da disputa entre sindicatos para representação de determinada classe (conclusão: demanda
duplicidade de registros)
No que tange à própria formação do ente sindical, apesar de haver doutrina que entende ocorrer apenas após o registro em cartório, há posição que defende
que a vontade de associação já o configura (registro teria cunho meramente
administrativo)
Exemplo prático: realizada possível eleição em sindicato ainda não formalmente constituído, já haveria o instituto da estabilidade provisória (dado que a formação de um sindicato é ato complexo, onde a demora poderia expor seus idealizadores a políticas antissindicais)
GARANTIA NO EMPREGO DO DIRIGENTE SINDICAL. REGISTRO DO SINDICATO NO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. DESNECESSIDADE.
Discute-se, in casu, se a ausência do prévio registro do sindicado no Ministério do Trabalho e Emprego, bem como do depósito de seus atos constitutivos em Cartório de Títulos e Documentos, obsta o reconhecimento da estabilidade provisória do dirigente sindical. Esta Corte, entretanto, já pacificou o entendimento de que o
reconhecimento da garantia de emprego ao empregado eleito para cargo de direção ou representação sindical independe da efetivação do registro do respectivo sindicato no Ministério do Trabalho e Emprego ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. No caso, é incontroverso que o reclamante, no momento da
fundação da entidade sindical, foi eleito para o cargo de tesoureiro e que a reclamada tomou ciência desse fato no dia seguinte à realização da respectiva assembleia. Incontroverso também que a dispensa do reclamante ocorreu quando o sindicato ainda não estava regularmente constituído, uma vez que o pedido de registro no Ministério do Trabalho e Emprego somente foi protocolado posteriormente à dispensa. No entanto, na linha da jurisprudência sedimentada nesta Corte, a ratio essendi que anima as liberdades constitucionais das associações sindicais não é o seu registro, mas o momento de sua efetiva fundação. Embargos conhecidos
e desprovidos.
PROCESSO Nº TST-E-ED-RR-261600-83.2007.5.12.0050
INFORMATIVO 192, TST
SDI 2 – MOMENTO INICIAL DA ESTABILIDADE X DIRIGENTE SINDICAL Mandado de segurança. Ausência de comprovação do pedido de registro da entidade sindical perante o Ministério do Trabalho. Reconhecimento da garantia provisória de emprego. Impossibilidade.
A ausência de comprovação do pedido de registro de entidade sindical perante o Ministério do Trabalho impede o reconhecimento da garantia provisória de emprego assegurada aos dirigentes sindicais, não sendo suficiente o depósito dos atos constitutivos do sindicato no cartório apropriado. Embora a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admita a concessão da estabilidade sindical durante o trâmite do processo de registro, no caso não houve sequer prova da formalização da postulação de aquisição da personalidade jurídica sindical junto à autoridade competente, circunstância que impede o reconhecimento do direito à reintegração. Sob esse entendimento, a SBDI-II, por unanimidade, conheceu do recurso ordinário e, no mérito, por maioria, negou-lhes provimento para manter a decisão que concedeu a segurança para cassar a tutela antecipatória que determinara a reintegração dos dirigentes sindicais dispensados sem prévio inquérito judicial. Vencidos os Ministros Maria Helena Mallmann, relatora, Delaíde Miranda Arantes e Lelio Bentes Corrêa. TST-RO-293-31.2016.5.20.0000, SBDI-II, rel. Min. Maria Helena Mallmann, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar Rodrigues, 19.3.2019
Desmembramento Sindical – previsto no art. 571, CLT; constituição de
sindicato mais específico e de menor abrangência; o que legitima é a
necessidade de tratamento específico
Questionamento: o que deve prevalecer, a vontade sindical de
“especializar” a categoria, ou a manutenção de sua força “agregada”?
Princípio da Agregação Sindical – viabiliza a resolução de conflitos quando da existência de debate acerca do sindicato a representar determinada categoria, baseado na idéia de maior e mais larga abrangência de representatividade
Princípio da Especificidade – ideia de que a especificidade da categoria viabiliza maximizar os interesses e a defesa dos direitos
Conclusão: deve prevalecer a interpretação que confira efetiva representatividade da classe representada, a variar de acordo com o caso concreto
Sistema de Custeio
a) Mensalidade Sindical (art. 548, “b”, CLT)
- deve ser cobrada exclusivamente dos associados b) Contribuição Sindical (art. 580, CLT)
- ocorre sempre em março
- era de cunho obrigatório (atinge o trabalhador sindicalizado ou não); com a reforma trazida pela L. 13.467/2017, passa a ser facultativa
OBS1: a ADI 5794 julgou constitucional a alteração
OBS2: no direito comparado, temos o caso julgado pela Suprema Corte Americana,
Janus v. AFSCME, que decidiu pela impossibilidade de cobrar a contribuição
(Agency Fees) de não associados ao Sindicato (Unions); tal situação reverteu uma decisão de 1977 (Abood v. Detroit Board of Education), que indicava em sentido contrário
c) Contribuição Confederativa (art. 8°, IV, CF/88)
- PN 119, TST: é limitada aos trabalhadores associados
- SV 40, STF - A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da
Constituição Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.
d) Contribuição / Taxa Assistencial
- é uma reparação ao custo suportado pelo sindicato quanto ao curso da
negociação coletiva
- o TST restringe aos associados (para o MPT, via CONALIS, deve se permitir o
desconto quanto aos trabalhadores não associados, desde que seja em
valores razoáveis, e que seja possível a oposição por parte do trabalhador)
Funções do Sindicato
a) Representação da Categoria (art. 8°, III, CF/88) – ocorre administrativa e judicialmente
b) Negocial (art. 8°, VI, CF/88) – participação obrigatória em negociações coletivas
Elementos de Validade: subjetivo (sindicato profissional de determinada base territorial); formal (atendimento do devido processo de instituição das normas); material (conteúdo das normas)
c) Assistência (art. 514, CLT) – via prestação de serviços aos associados, ou mesmo a todos os membros de determinada categoria (ex.: serviços médicos, jurídicos, etc.)
* Até que ponto o exercício da função assistencial ganha uma nova relevância com a L. 13.467/17?
OBS: As funções política e econômica, apesar de vedadas na CLT (art. 521, CLT), devem ser entendidas como possíveis, dada a impossibilidade de restrição de suas atividades; ainda, é de se destacar a ampla liberdade sindical, não cabendo, entretanto, desvio de sua finalidade
Garantias Sindicais
a) Garantia Provisória do Emprego (art. 8°, VIII, CF/88 c/c art. 543, §3°, CLT) - atinge titulares e suplentes; - mínimo de 3 e máximo de 7 membros
- desde o registro da candidatura até 1 ano após o término do mandato
- só podem ser dispensados após apuração de Falta Grave via Ação Judicial de Inquérito de Apuração
- é uma garantia não apenas individual (via garantia do emprego do trabalhador), mas
também coletiva (dado que viabilizará que o trabalhador exerça seu múnus de força
plena, para fins de sua respectiva categoria)
- caso haja dispensa deste, há legitimidade do MPT (por ser de interesse de toda a categoria)
- Súm. 369, TST
OBS: Empregado eleito diretor de Sindicato de Categoria Econômica:
1ª Corrente – pela interpretação ampliativa do art. 543, §3º, CLT, art. 8º, CF/88 e Conv. 98, OIT, teremos estabilidade, pois a CF não faz distinção, bem como pensar diferente traria risco a este empregado, pois a estabilidade trás consigo independência funcional e autonomia sindical (posição do STF);
2ª Corrente – via interpretação literal do art. 543, CLT, não caberá estabilidade, pois somente caberá para os representantes dos empregados, bem como precisa o trabalhador ser sindicalizado, além de dever atuar na empresa na atividade da categoria
Garantias Sindicais
b) Inamovibilidade do dirigente Sindical (art. 543, CLT)
- não poderá ser impedido do exercício de suas funções, nem transferido para localidade que impeça sua atuação sindical
Prerrogativas dos sindicatos :
representar (administrativa e judiciariamente); celebrar contratos coletivos de trabalho;
eleger seus representantes;
impor contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas.
colaborar com o Estado, como orgãos técnicos e consultivos, na estudo e solução dos problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal;
OBS: os sindicatos de empregados terão ainda a prerrogativa de fundar e manter agências de colocação.
Lei 13.467/2017 (reflexões sobre o Direito Coletivo)
Enfraquecimento financeiro do sindicato com a faculdade contributiva? Pluralismo antecedendo à facultatividade contributiva?
Negociação coletiva prevalecendo sobre o legislado sobre este ambiente de “incertezas”...será que vai caminhar para a efetiva tutela dos empregados?
Porque em algumas ocasiões temos a manutenção da participação sindical (PDV; Quitação Anual), e em outras temos a exclusão da atuação do Sindicato (Homologação de Extinção; Dispensa e Massa)
ACT prevalecendo sobre CCT – relativização do “todo”, com preponderância para a “parte”?
Será que com a faculdade contributiva, a extensão das negociações coletivas passarão a vincular apenas filiados?
Como resolver a questão da representação sindical dos Terceirizados?
Controle da OIT sobre a atuação sindical (Comitê de Liberdade Sindical):
Visa salvaguardar a liberdade sindical (de empregador e empregado), quanto ao cumprimento dos princípios da liberdade sindical;
Possui composição tripartida (membros e suplentes);
Tem como função o exame de reclamações/queixas por violação de direito sindical (somente de organização nacional diretamente interessada, não admitido de Pessoas Físicas);
A queixa deve ser enviada previamente ao querelado (para possível justificativa prévia); Mesmo não ratificando determinada convenção, o país membro se sujeita a exame, tendo
como parâmetro a constituição da OIT;
Das suas conclusões, é admitida sanção moral, inclusive via publicidade; A convenção 87, OIT, mesmo não ratificada, serve de paradigma;
Deve ser realizado um prévio diálogo com o governo local, visando apurar a ocorrência da infração
ASPECTOS GERAIS SOBRE AS
NEGOCIAÇÕES COLETIVAS
Negociação Coletiva
é o conjunto de técnicas que leva as partes a uma solução pacífica, normalmente transacionada
a plena existência deste culmina pela menor presença do Estado
possui um efeito que prima pela adequação de interesses, levando em
consideração a proteção dos trabalhadores, sem deixar de lado a proteção à saúde financeira da empresa (Princípio da Adequação Setorial Negociada)
é o exercício de auto composição de conflitos, através de um processo dialético; como efeitos, cria regras (art. 619, CLT) com limitação espacial à área de
abrangência do sindicato;
• NATUREZA JURÍDICA
• muitos defenderam natureza contratualista, por ser oriundo da vontade das partes; • outros defenderam sua natureza normativa (por ser uma fonte formal de direito); • prevalece a ideia de natureza híbrida/dúplice, possuindo ambos os elementos
• Conceito de convenção coletiva (art. 611, CLT)
Art. 611, caput, CLT - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho
• Conceito de acordo coletivo (art. 611, §1°, CLT)
Art. 611, §1º, CLT - É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho
Requisitos de Validade e Formalidades
ato formal, celebrado por escrito, não podendo conter rasuras, devendo
possuir tantas vias quantos forem os sindicatos ou empresas envolvidos, bem como uma destinada a registro (art. 613, §único, CLT)
demanda a convocação de Assembléia Geral Específica, com quórum de 2/3 em
primeira convocação e 1/3 em segunda;
no caso de entidade sindicais com mais de 5.000 associados, quorum de comparecimento e votação será de 1/8 em segunda convocação (art. 612, CLT)
art. 613, CLT – requisitos necessários:
• Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e empresas acordantes • Prazo de vigência
• Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos
• Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência • Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos
da aplicação de seus dispositivos
• Disposições sobre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos
• Direitos e deveres dos empregados e empresas
• Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de violação de seus dispositivos
Requisitos de Validade e Formalidades
depósito do acordo/convenção no MTE para efeitos de registro e arquivo, no
prazo de 8 dias (art. 614, CLT):
• Envolvendo 1 Estado – SRT
• Envolvendo mais de um Estado – MTE, em Brasília
entrará em vigor 3 dias após o depósito
para efeitos de publicidade, cópias autênticas deverão estar disponíveis nos
sindicatos e empresas, no prazo de 5 dias após o depósito (em local visível)
Prorrogação / Revisão de Acordo e Convenção
• art. 615, CLT – é subordinado à aprovação em assembléia específica para tal finalidade (adota a mesma sistemática da feitura do acordo)
• caso haja acordo/convenção em vigor, e sejam frustradas as tratativas, o dissídio deverá ser instaurado no prazo limite de 60 dias anteriores ao termo final do instrumento em vigor, visando assim que eventual decisão tenha efeito a partir do
primeiro dia seguinte ao termino deste, ou seja, haverá eficácia retroativa da sentença normativa
• Questão: e quando a intensão da celebração do ACT parte diretamente dos próprios trabalhadores?
• ocorrência de interesse em Acordo Coletivo por parte de trabalhadores de determinada empresa levará a necessidade de notificação do respectivo sindicato, para que o mesmo passe a presidir as negociações num prazo de 8 dias;
• ultrapassado este prazo, notificará a Federação para que a mesma passe a presidir as negociações num prazo de 8 dias;
• não se manifestando, notificará a Confederação para que a mesma passe a presidir as negociações num prazo de 8 dias;
• persistindo a omissão, poderá haver a formação de uma comissão de trabalhadores para dar andamento na negociação (art. 617, CLT)
CONFLITO ENTRE NORMAS (art. 620, CLT)
Na redação anterior da CLT, tratava-se de uma discussão prática do Princípio da Norma mais Favorável ao Trabalhador; a principal discussão encontrava-se
quando um instrumento atribui normas mais favoráveis para determinado instituto e normas menos favoráveis para outro instituto
pirâmide hierárquica não era estática, mas dinâmica (plástica e flexível), em função da norma mais benéfica;
Na atual redação, não mais existe tal racional, passando a prevalecer a especificidade da norma:
Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho.
Teorias (que fundamentavam o debate sobre a norma mais favorável):
A. Teoria da Acumulação/Atomista (minoritária) – extrai de cada instrumento normativo as normas mais favoráveis; crítica: haveria na prática a criação de uma terceira norma, fato este inviabilizado
B. Teoria do Conglobamento – aplica-se o conjunto normativo mais favorável ao trabalhador, sem fracionar os institutos jurídicos
C. Teoria do Conglobamento Mitigado – aplica-se o conjunto normativo mais favorável ao trabalhador de acordo com o instituto jurídico analisado; assim, será analisado um conjunto de normas, segundo o instituto; a L. 7.064/82 (art. 3°, II) adota este instituto
PERGUNTA: QUAL SERÁ A NORMA QUE IRÁ PREVALECER NO CASO CONCRETO? 1 – lembrar que o ACT prevalece sobre a CCT;
2 – lembrar que o contrato celebrado pelo hipersuficiente prevalece sobre as normas coletivas;
3 – lembrar que o hipossuficiente pode assinar contrato relativizando alguns direitos, de forma bilateral, como celebrar banco e horas
Reflexo do Acordo/Convenção sobre o Contrato de Trabalho
Debate-se o grau de aderência de uma norma negociada ao contrato de trabalho em curso
Modelos adotados:
1º Modelo: Ultra-atividade plena ou aderência contratual irrestrita – esse desajuste resulta por eliminar a característica de fonte de norma jurídica que é inerente aos
dispositivos dos diplomas coletivos negociados, tornando-os permanentes, imutáveis – o
que, sem dúvida, desatende ao objetivo constitucional brasileiro de incentivar e prestigiar a negociação coletiva trabalhista; posiçăo TST (gera petrificação das normas pactuadas)
• Modelos adotados (continuação):
• 2º Modelo: Sem ultra-atividade (aderência contratual é limitada pelo prazo fixado no
instrumento), tal desajuste contribui para desprestigiar a própria negociação coletiva,
criando anomias jurídicas que enfraquecem e desequilibram as partes coletivas
trabalhistas, também em desatenção aos objetivos constitucionais nessa área; enseja
inclusive abuso de direito, através da negativa de início das tratativas negociais
• Modelos adotados (continuação):
• 3º Modelo: Ultra-atividade limitada pela revogação – caso não haja negociação coletiva,
as normas pactuadas persistitarm em nosso ordenamento jurídico tutelando
determinada relação, até que outra norma seja negociada para aquele caso concreto (atual redação da Súm. 277, C.TST)
➢ Lembrar que houve influencia por parte do Comitê de Liberdade Sindical, que recomendou ao governo brasileiro que modificasse sua legislação, visando estimular a negociação coletiva; ➢ Diferença entre integração (que ocorre no caso) e incorporação (que não admitiria mais
alteração lesiva)
➢ Antes, a inércia do empregador lhe beneficiava (era uma efetiva antinomia jurídica); hoje, temos mais um estimulo à negociação
Argumentos Favoráveis
Confere maior status à negociação coletiva, via interpretação teleológica do art. 114, §2°, CF (consequentemente, confere efetividade a tal dispositivo constitucional), pautado na ideia de equilíbrio entre os contratantes coletivos (ou seja, materializa o princípio da
autodeterminação coletiva);
lembrar que a mesma não prega incorporação ao contrato (pois tal situação ensejaria a concretização da teoria da aderência irrestrita);
materializa o princípio da boa-fé objetiva, dado que as partes passaram a assumir uma postura efetivamente negocial, com objetivo de alcançar um acordo
Argumentos Contrários
disposição do art. 614, §3°, CLT, que delimita prazo para vigência das disposições coletivas;
indicam também inexistir precedentes jurisprudenciais que viabilizem a mudança de entendimento sumulado (crítica: tal situação não constitui óbice, dado que é possível revisão preventiva, mediante amplo debate sobre o tema, visando exatamente a adequação de entendimento que minore ocorrência de demandas);
indicam que desestimula a negociação coletiva pois o empregador ficará mais receoso em conceder novos benefícios;
entendem que trabalhadores mais antigos, beneficiados por inúmeros instrumentos coletivos, tendem a ser dispensados
Por fim...
A ADPF 323 questiona o conteúdo da súmula, indicando haver violação à independência dos poderes, bem como ao princípio da legalidade; questiona ainda a ausência de precedentes para a pacificação sumular
Notícias STF
Sexta-feira, 14 de outubro de 2016 Ministro suspende efeitos de decisões da Justiça do Trabalho sobre
ultratividade de acordos
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta sexta-feira (14) medida cautelar para suspender todos os processos e efeitos de decisões no âmbito da Justiça do Trabalho que discutam a aplicação da ultratividade de normas de acordos e de convenções coletivas. A decisão, a ser referendada pelo Plenário do STF, foi proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 323, ajuizada pela Confederação
Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), questionando a Súmula 277 do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Segundo a entidade, ao estabelecer que as cláusulas previstas em convenções ou acordos coletivos integram os contratos individuais de trabalho, mesmo depois de expirada sua validade, a súmula contraria os
preceitos constitucionais da separação dos Poderes (artigo 2º da Constituição Federal) e da legalidade (artigo 5º). A Confenen relata que a alteração jurisprudencial na justiça trabalhista “despreza que o debate relativo aos efeitos jurídicos das cláusulas coletivas no tempo sempre esteve localizado no plano infraconstitucional, fato evidenciado pela edição da Lei 8.542/1992, que tratou do tema, mas foi revogada”. Argumenta que a teoria da ultratividade das normas coletivas sempre esteve condicionada à existência de lei, não podendo ser extraída diretamente do texto constitucional.
Ao conceder a liminar o ministro justificou que “da análise do caso extrai-se indubitavelmente que se tem como insustentável o entendimento jurisdicional conferido pelos tribunais trabalhistas ao interpretar arbitrariamente a norma constitucional”. Ele ressaltou que a suspensão do andamento de processos "é medida extrema que deve ser adotada apenas em circunstâncias especiais", mas considerou que as razões apontadas pela Confederação, bem como a reiterada aplicação do entendimento judicial consolidado na atual redação da Súmula 277 do TST, "são questões que aparentam possuir relevância jurídica suficiente a ensejar o acolhimento do pedido".
Trechos da decisão:
“Trata-se de autêntica jurisprudência sentimental, seguida em moldes semelhantes à adotada pelo bom juiz Magnaud. Magistrado do Tribunal de primeira instância de Château-Thierry, na França, no qual atuou de 1889 a 1904, passou a ser conhecido como o bom juiz por amparar mulheres e menores, por atacar privilégios, por proteger plebeus, ao interpretar a lei de acordo com classe, mentalidade religiosa ou política das partes”... “Também a Justiça do Trabalho não pode perder de vista a realidade e, a partir de visões próprias de mundo, focada a atingir determinado fim que entende nobre, atuar como o bom juiz Magnaud. Há limites que precisam ser observados no Estado democrático de direito e dos quais não se pode deliberadamente afastar para favorecer grupo específico”.
...
“Não cabe ao Tribunal Superior do Trabalho agir excepcionalmente e, para chegar a determinado objetivo, interpretar norma constitucional de forma arbitrária. Ademais, a existência de norma legal – já revogada – sobre o tema é aspecto que não pode ser igualmente ignorado. O §1º do art. 1º da Lei 8.542/1992 expressamente estabelecia que “as cláusulas dos acordos, convenções ou contratos coletivos de trabalho integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser reduzidas ou suprimidas por posterior acordo, convenção ou contrato coletivo de trabalho”.
...
“É no mínimo exótico, portanto, que um tema que tenha sido mais de uma vez objeto de análise pelo Poder Legislativo – em amplo processo democrático de elaboração de leis – retorne ao cenário jurídico por meio de simples reunião interna de membros do Tribunal Superior do Trabalho. A Corte trabalhista, em sessão para definir quais súmulas e orientações suas deveriam ser alteradas ou atualizadas, conseguiu a façanha de não
Não era o fim...
Art. 614, § 3
o, CLT Não será permitido estipular duração de convenção
coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a
ultratividade.
Novas Perspectivas trazidas pela Reforma Trabalhista
Vemos uma mudança de paradigma, com prevalência do negociado sobre o legislado (pergunta: deveria haver alguma novidade neste aspecto?)
Algumas ponderações sobre a relevância do negociado:
Art. 8º, § 3o , CLT No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho
analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da
intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.”
Art. 461, § 2o, CLT Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal
organizado em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação
coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação ou registro em órgão público
Art. 477-B, CLT Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada, para dispensa individual, plúrima ou coletiva, previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição em contrário estipulada entre as partes.
Contradição do novo sistema normativo trabalhista:
Art. 477-A, CLT As dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação.” Art. 611-A, § 2o , CLT A inexistência de expressa indicação de contrapartidas recíprocas em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho não ensejará sua nulidade por não caracterizar um vício do negócio jurídico. Art. 611-A, § 2o § 5o , CLT Os sindicatos subscritores de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho deverão participar, como litisconsortes necessários, em ação individual ou coletiva, que tenha como objeto a anulação de cláusulas desses instrumentos
ASPECTOS RELEVANTES SOBRE O
DIREITO DE GREVE
O direito coletivo encontra-se amparado num tripé:
organização sindical;
negociação coletiva;
greve
Conceito (art. 2º, L. 7783/89): suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador.
Art. 9º, CF/88 – é um direito fundamental garantido (incorporado em nosso ordenamento jurídico em 1890, como delito penal)
Natureza jurídica: direito fundamental de caráter coletivo; e um direito instrumental, via mecanismo de pressão (um meio de autotutela legítimo) – SV 23, STF
Nosso ordenamento veda a ocorrência de Lock-Out (lembrar caso dos caminhoneiros)
Aquilo teria sido movimento de greve? Teve empregados e trabalhadores avulsos... Teria ocorrido Lock-Out?
Qual deveria ser a competência?
Logo, seus elementos são:
➢ Suspensão coletiva da prestação de serviços ➢ Temporária
➢ Pacífica
➢ Total ou parcial
Questão: a palavra greve encontra-se taxativamente descrita em algum documento internacional?
Elementos Essenciais:
▪ frustração da negociação (art. 3°) – a cessação da atividade demanda
comprovação de tal situação (do contrário, será considerada abusiva)
▪ assembléia prévia (art. 4°) – deve respeitar o quorum previsto para tal
deliberação; não havendo, e ocorrendo a greve, a mesma será considerada abusiva
▪ notificação prévia (art. 3°, §único; art. 13) – demanda aviso com antecedência de 48 horas para atividades comuns, sendo atividade essencial, demanda aviso com antecedência de 72 horas; apesar de poder ser verbal, recomenda-se a
• Atividades essenciais (art.10) – rol taxativo
• tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis • assistência médica e hospitalar
• distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos • funerários
• transporte coletivo
• captação e tratamento de esgoto e lixo • telecomunicações
• guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais nucleares • processamento de dados ligados a serviços essenciais
• controle de tráfego aéreo e navegação aérea* • compensação bancária
• atividades médico-periciais relacionadas com o regime geral de previdência social e a assistência social*
• atividades médico-periciais relacionadas com a caracterização do impedimento físico, mental, intelectual ou sensorial da pessoa com deficiência, por meio da integração de equipes multiprofissionais e interdisciplinares, para fins de reconhecimento de direitos previstos em lei, em especial na Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência);*
• outras prestações médico-periciais da carreira de Perito Médico Federal indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade*
*L. 13.846/19
OBS: nos termos do art. 11, para os serviços indispensáveis e inadiáveis (aqueles que colocam em risco a segurança, a saúde e a sobrevivência da população), há necessidade da garantia da manutenção do serviço durante a greve, de comum acordo entre as partes; caso não cumprido, deve o Poder Público viabilizar a
Direitos garantidos aos grevistas (art. 6°):
• Uso de meios pacíficos de persuasão dos trabalhadores ao movimento (ex.: uso de carro de som)
• Arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento
• Vedação às empresas de adotarem meios para constranger o trabalhador a participar
OBS: é garantido também o direito de não participar do movimento, ou seja, de efetivamente continuar trabalhando
Veda-se durante a greve:
• rescisão do contrato de trabalho (se imotivada, dado que o contrato está suspenso)
• contratação de trabalhadores substitutos, salvo:
➢ abuso de direito
➢ hipótese de prejuízo irreparável, caso não haja acordo no sentido de manutenção de equipe de manutenção
Limites ao Direito de Greve:
• 1ª Corrente – interesses devem ser reais e juridicamente defensáveis, atrelados a
interesses dos trabalhadores (não se admitindo, por exemplo, greve de solidariedade ou
movida por motivos políticos ou religiosos); assim, não é um direito de cunho absoluto • 2ª Corrente – possibilidade de ocorrência de greve de interesse político (protestando
contra atos do governo e políticas públicas) ou de solidariedade, amparada na ampla
possibilidade conferida, cabendo aos empregados o reconhecimento da oportunidade
para tal exercício, bem como os interesses a serem defendidos (greves atípicas);
➢TST se manifestou, nos casos dos Metroviários e Portuários em greve política
• 3ª Corrente – admite greve atípica, desde que haja um mínimo de vínculo com a
atividade
Abuso no Direito de Greve (art. 14) quando ocorrer:
• Desrespeito aos termos da lei
• Manutenção da greve após a celebração de acordo/convenção, ou mesmo da
OBS: não haverá abuso se, no curso de acordo/convenção/sentença normativa:
a greve objetivar o efetivo cumprimento dos termos destes instrumentos (ou seja, cumprimento de cláusula ou condição)
quando fato superveniente imprevisível ocasionar a mudança nas condições laborativas (materialização da cláusula “rebus sic stantibus”)
OBS: responsabilidade pelos atos praticados (art. 9°, §2°, CF/88; art. 15): será
apurada nos campos cível, penal, trabalhista (ocorrendo, também administrativa)
• Abusividade – é o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim, via o mau exercício do direito decorrente de lei ou de contrato; ela pode ser:
• Formal
• descumprimento de procedimentos (ex.: não realização de assembleia de categoria); • realização em desconformidade com o estatuto do sindicato;
• falta de aviso prévio ao empregador e à comunidade;
• Abusividade – é o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim, via o mau exercício do direito decorrente de lei ou de contrato; ela pode ser:
• Material
• seu exercício em atividades essenciais sem o atendimento das atividades inadiáveis da comunidade; • a prática de violência pelos trabalhadores contra coisas e pessoas;
• as omissões dos sindicatos e de trabalhadores (ex.: falta de acordo para estabelecimento de manutenção de maquinários da empresa que não possam sofrer solução de continuidade no seu funcionamento; a deflagração do movimento grevista na vigência de uma norma coletiva, salvo se for destinada a pressionar o empregador ao cumprimento de norma coletiva negociada, etc).
• Consequência sobre o contrato de trabalho:
• a greve é uma das hipóteses de suspensão do contrato de trabalho (art. 7°);
• caso seja decidido após, através do instrumento coletivo, pelo pagamento de salários neste período, o período em questão passa a ser de interrupção do contrato de trabalho
Direito de Greve x Direito Possessório
• no caso de violação à posse, caberá ao empregador o uso de ações possessórias, de competência da Justiça do Trabalho (art. 114, II, CF/88; Súm. Vinc. 23, STF)
• Há quem entenda que a garantia dos direitos possessórios acaba por prejudicar
o direito de greve (acaba por limitar piquetes, e atividades similares);
• ADPF 123 combate a possibilidade de utilização do interdito proibitório no caso
de greve, pois acaba por inviabilizar o exercício deste direito fundamental;
➢aproveita-se o empregador do prazo legal de comunicação, 48 horas, para buscar uma liminar, impedindo assim o pleno exercício reivindicatório;
➢crítica: não objetiva a greve a violação da posse, e por isso, não deveria haver a possibilidade de manejo de tal ação para limitar a greve
Direito de Greve x Direito Possessório • Aspectos Gerais do Interdito:
• possui caráter preventivo (ocorrida a turbação ou esbulho, não mais caberá este); • antes da EC45/2004, a competência era da Justiça Comum;
• possibilidade de litigância de má-fé se o objetivo for apenas obstar o direito de greve; • não há perda do objeto da ação pela simples cessação do movimento paredista;
• dados os direitos conflitantes, deve haver prova cabal da ameaça, e não simples receio; 104
Sétima Turma condena oito bancos por utilizar ações judiciais para inviabilizar greve – 04/06/2014
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou oito instituições financeiras a pagar indenização por dano moral coletivo por abuso de direito na utilização de ações judiciais (interditos proibitórios), com o objetivo de inviabilizar movimentos grevistas em Belo Horizonte (MG). No caso, os bancos impetraram 21 ações, tendo como base a defesa da posse dos estabelecimentos bancários durante as greves, garantindo, assim, a liberdade de ir e vir aos empregados e clientes. A indenização fixada é de R$ 50 mil por cada uma dessas ações, totalizando mais de R$ 1 milhão, em favor do sindicato.
Foram condenados os bancos ABN AMRO Real S.A., Santander Banespa S.A., Itaú S.A., União de Bancos Brasileiros S.A. - UNIBANCO, Mercantil do Brasil S.A., Bradesco S.A., HSBC Bank Brasil S.A. - Banco Múltiplo e Safra S.A.
O processo é uma ação civil pública ajuizada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região em 2006 e engloba ações impetradas pelas instituições financeiras em 2005 e 2006. Para o ministro Vieira de Mello, redator do acórdão, utilizar ações judicias, partindo-se da presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas, atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve e configura conduta antissindical.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) havia mantido a decisão da primeira instância que não acolheu o pedido de indenização do sindicato. De acordo com o TRT, embora seja o direito de greve um instrumento legítimo de pressão, garantido pela Constituição, os bancos, como todos, têm direito ao acesso à Justiça, inclusive de modo preventivo. "Na hipótese, buscou-se garantir o pleno exercício do direito de posse, o funcionamento do sistema financeiro, o resguardo ao direito de clientes e usuários e o direito dos trabalhadores que voluntariamente decidiram não aderir à greve", destacou o TRT. No entanto, para Vieira de Mello, ainda que os interditos proibitórios impetrados pelos réus tivessem aspecto de regular exercício do direito pela obtenção da concessão de liminares favoráveis, essas decisões não são capazes de transfigurar seu caráter antissindical. "A intenção por trás da propositura dos interditos era única e exclusivamente de fragilizar o movimento grevista e dificultar a legítima persuasão por meio de piquetes", assinala.
Para o ministro, o abuso de direito está configurado na pretensão de acionar "o aparato do Estado para coibir o exercício de um direito fundamental, o direito dos trabalhadores decidirem como, por que e onde realizar greve e persuadirem seus companheiros a aderirem o movimento".
Portanto, utilizar de ações judicias, na forma realizada pelos réus, em que se partiu da "presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas", requisito particular do instituto do interdito proibitório, atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve e configura ato antissindical. A ministra Delaíde