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Tribunal de Contas do Estado do Pará

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Tribunal de Contas do Estado do Pará

RESOLUÇÃO Nº 17.197

(Processo nº 2005/53872-4)

Assunto: Consulta formulada pelo Exmº Sr. FRANCISCO BARBOSA DE OLIVEIRA, Procurador Geral de Justiça do Ministério Pú-blico do Estado do Pará.

EMENTA: I- A contribuição previdenciária incide

sobre a parcela percebida e incorporada ao subsídio, ao vencimento e ao soldo.

II- A contribuição previdenciária não

incide sobre a parcela percebida em decorrência do exercício de cargo em comissão ou de função de confiança, exceto se a parcela percebida estiver incorporada ao subsídio, ao vencimento ou ao soldo.

III- Parcela sobre a qual não incida a

contribuição previdenciária não poderá integrar os proventos para efeito de aposentadoria.

IV- Contribuição previdenciária descontada indevidamente poderá ser compensada.

Relatório do Exmº Sr. Conselheiro ANTONIO ERLINDO BRAGA: Processo nº 2005/53872-4

Trata-se de consulta formulada pelo Ministério Público do Esta-do, subscrita pelo Procurador Geral de Justiça do EstaEsta-do, Francisco Barbosa de Oliveira, fls.1/4 dos autos.

Submetido o expediente à Consultoria Jurídica, esta emitiu pare-cer de fls. 5/13 dos autos, parepare-cer esse acatado pelo Presidente desta Corte de Contas e, em conseqüência, admitida a consulta.

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Voto:

A consulta está formulada com base nas normas legais vigentes e hospeda dúvidas sobre a aplicação e interpretação do art. 86, Parágrafo 1º, X e Parágrafo 2º da Lei Complementar nº 049, de 21.01.2005, que dispõe in verbis:

Art. 86 – Considera-se base de cálculo para fins de contri-buição ao Regime da Previdência Estadual a remuneração total ou subsídios totais assim entendidos como o vencimento, subsí-dios ou soldo.

Parágrafo 1º - Entende-se como base de contribuição o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniá-rias permanentes estabelecidas em lei, os adicionais de caráter individual e quaisquer outras vantagens, excluídas:

X – a parcela percebida em decorrência do exercício de cargo em comissão ou função de confiança.

Parágrafo 2º - O servidor ocupante de cargo efetivo poderá optar pela inclusão, na base de contribuição, da parcela remune-ratória percebida em decorrência do local de trabalho do exercí-cio do cargo em comissão ou de função de confiança, para efeito de cálculo do benefício a ser concedido com fundamento no art. 40 da Constituição Federal e art. 2º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, respeitada, em qualquer hipóte-se, a limitação estabelecida no Parágrafo 2º do art. 40 da Consti-tuição Federal.

Questionamentos formulados:

1 – Como ficará a incidência da contribuição previdenciária, para os membros e servidores efetivos que já possuem em seu patrimônio jurídico-financeiro, incorporação pelo exercício de cargo em comissão ou função gratificada ?

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Para os servidores efetivos que hoje desempenham cargo em comissão ou função gratificada, é sabido que ao deixarem de exercê-los, não poderão mais incorporar em seus vencimentos as gratificações correspon-dentes, isto porque a Lei Complementar nº 044, de 23.01.2003, publicada em 24.01.2003, alterou o art. 101 da Lei Complementar nº 039, de 09.01.2002, revogando o art. 130 e seus Parágrafos da Lei Estadual nº 5810/93, que concedia tal direito.

Resposta: Os Membros do Ministério Público percebem apenas subsídios, de acordo com o art. 37, XI da Constituição Federal, exceto os que tem incorporado em seu patrimônio jurídico vantagens pecuniárias as-seguradas pelo princípio constitucional da irredutibilidade de subsídios – art. 95, III da Constituição Federal - vantagens essas que ficam em extinção por absorção. Assim, a contribuição previdenciária incidirá sobre os subsí-dios e as vantagens pecuniárias incorporadas em extinção por absorção, vis-to que os provenvis-tos tem como fundamenvis-to o tempo de contribuição.

Os servidores efetivos que percebem vencimentos e tem incor-porado em seu patrimônio jurídico vantagens pecuniárias, decorrentes do exercício de cargo em comissão ou função de confiança a contribuição pre-videnciária incidirá sobre o vencimento do cargo efetivo e das vantagens incorporadas em seu patrimônio, acrescido das vantagens pecuniárias per-manentes estabelecidas em lei, os adicionais de caráter individual e quais-quer outras vantagens, exceto a parcela percebida em decorrência do exercí-cio de cargo em comissão ou função de confiança, caso não esteja incorpo-rada em seu patrimônio jurídico.

2 – No caso desses servidores, em não incidindo desconto previdenciário sobre a parcela percebida a título de exercício de cargo em comissão ou função gratificada, quais serão as conseqüências futuras lato sensu, mormente com relação à aposentadoria ? E incidindo, entende-se que o servidor poderá contar com tal contribuição para fins de aposenta-doria ?

Resposta: Se não houver incidência de contribuição previdenciá-ria sobre a parcela percebida por servidor em decorrência do exercício de cargo em comissão ou de função de confiança a parcela não poderá integrar

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os proventos do servidor em caso de aposentadoria, pois apenas a parcela sobre a qual incide a contribuição previdenciária poderá integrar os proven-tos do servidor.

3 – Quanto aos servidores efetivos que estejam exercendo atu-almente cargos em comissão ou função gratificada, mas que já possuam resguardado uma incorporação a esse título Caso optem pela não inclu-são prevista na lei, como constar o desconto previdenciário na incorpora-ção que no momento não percebe ?

Resposta: Os servidores efetivos no exercício de cargo em co-missão ou função de confiança, que tenham incorporado em seu patrimônio jurídico as vantagens pecuniárias decorrentes do exercício de cargo em co-missão ou de função de confiança, a contribuição previdenciária deverá in-cidir sobre os vencimentos e as vantagens incorporadas para que as vanta-gens possam integrar os proventos do servidor em caso de aposentadoria. Qualquer parcela percebida por servidor sobre a qual não incida contribui-ção previdenciária não poderá integrar seus proventos.

4 – Cabe a devolução da contribuição previdenciária descontada desde 24.01.2005, data da publicação da Lei Complementar nº 049/2005, considerando que já houve o repasse para a Previdência ? Em caso afir-mativo, como será realizado o ressarcimento ?

Resposta: Em princípio, a contribuição previdenciária desconta-da e recolhidesconta-da não poderá ser devolvidesconta-da, exceto se efetuadesconta-da indevidesconta-damente. Todavia, se o servidor não puder se beneficiar para efeito de aposentadoria da contribuição previdenciária descontada e recolhida, poderá haver com-pensação da contribuição previdenciária.

5 – Haverá incidência da contribuição previdenciária, sobre a gratificação de função percebida por membros desta Instituição, que de-sempenham cargos elegíveis, tais como, o de Procurador Geral, Correge-dor Geral, Secretário Geral e Membro do Conselho Superior, vez que es-ta parcela atualmente não mais se incorpora aos seus vencimentos ?

Resposta: Em princípio não haverá incidência de contribuição previdenciária sobre gratificação de função percebida por Membros do

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nistério Público que desempenhem cargos elegíveis, exceto se a gratificação de função percebida já estiver incorporada ao patrimônio jurídico dos res-pectivos titulares, pelo princípio constitucional da irredutibilidade de subsí-dios – art. 95, III da Constituição Federal – vantagem essa que ficará em extinção por absorção, e, em conseqüência, a contribuição previdenciária incidirá sobre a vantagem pecuniária incorporada.

R E S O L V E M os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Pará, responder a consulta solicitada, nos termos do voto do Exmº Sr. Conselheiro Relator, acima transcrito.

Auditório “Ministro Elmiro Nogueira”, em 22 de junho de 2006

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