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Despertando o olhar crítico estatístico no aluno da EJA
Marcílio Farias da Silva Mestrado Profissional em Educação Matemática pela PUC/SP. Prof. Universitário no Centro Universitário Teresa D’Ávila e Fundação Canção Nova. Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Web e FTO no UINIFATEA. Doutorando em Educação Matemática na PUC/SPAndreza Marcelino Diniz Graduando em Educação no UNIFATEA
Mariane Esther Rodrigues Antero Carmo Graduando em Educação no UNIFATEA
Resumo
A Estatística é um conhecimento que parte da Matemática, bastante utilizado no cotidiano, ela está exposta em jornais, revistas e na mídia. Para que tenhamos entendimento sobre o que esta ciência evidência, temos que ter uma boa fundamentação do mesmo, nos anos iniciais. Cabe aos professores criar métodos mais fáceis e usufruir de ferramentas simples, para que os alunos tenham uma maior compreensão sobre o assunto proposto, e saibam utilizá-los como ferramenta crítica no seu dia-a-dia. A partir disso, buscamos pesquisar nas classes da EJA, se esses alunos tiveram uma boa fundamentação desse conhecimento nos anos iniciais, e se os mesmos sabem como utilizar a Estatística na sua vivência em sociedade. Assim levantamos a seguinte questão, “O aluno da EJA sabe usar o conhecimento da Estatística como ferramenta crítica no seu dia-a-dia”? Os resultados foram notáveis e satisfatórios, pois mostraram que o entendimento dos alunos da EJA sobre a estatística é notório, assim houve-se uma discrepância entre resultados e referencial teórico, porem bastante construtiva para a pesquisa e assunto.
Palavras-chave
Estatística; Ferramenta Crítica; EJA.
Abstract
The Statistic is a knowledge that part of Mathematics, widely used in daily life, she is exposed in newspapers, magazines and in the media. For that we have understanding about what this science evidence, we must have a good reasoning of the same in the initial years. Teachers will create easiest methods and enjoy simple tools for the students to have a greater understanding on the matter proposed, and know how to use them as a critical tool in its day-to-day. From this, we seek to search in classes of YAE, if these students had a good reasoning of this knowledge in the initial years, and if they know how to use the statistic in his life in society. Thus we raise the following question, "the pupil of the EJA knows how to use the knowledge of the statistic as critical tool in its day-to-day"? The results were remarkable and satisfactory, because it showed that the students understanding of the EJA on the statistic is notorious, so there was a discrepancy between the results and the theoretical framework, but very constructive for the research and subject.
Keywords
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Introdução
Deparamo-nos com a estatística a todo momento, ela está exposta em jornais, revistas e noticiários. Além de nos proporcionar uma visão ampla com intuito de formular questões, compreender dados de gráficos e tabelas faz com que tenhamos uma visão crítica e reflexiva diante dos dados expostos pelo cotidiano.
Com esse conhecimento bem discutido e ensinado em sala de aula, os alunos/cidadãos saberão como se posicionar diante de diversos assuntos discutidos em sociedade, além de estarem preparados para entender e criticar o que a mídia expõe.
Diante disso podemos destacar o quão é importante o ensinamento da estatística na Educação básica, para que o aluno tenha entendimento e compreensão sobre este assunto, e para que ele esteja preparado para as tomadas de decisões no seu dia-a-dia, visando esses fatos, buscamos investigar na classe de alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) do 3° ano do ensino médio, se este conhecimento está bem esclarecido para esses alunos, e se o mesmo está sendo discutido em sala de aula, assim elaboramos a seguinte questão, “O aluno da EJA sabe usar o conhecimento da Estatística como ferramenta crítica no seu dia-a-dia”?
O trabalho teve como objetivo investigar o conhecimento dos alunos da EJA sobre a estatística, mas, além disso, despertar-nos mesmos, o seu olhar crítico diante desse assunto, para que eles possam refletir sobre suas ações em sociedade, e para que saibam como utilizar este conhecimento de maneira útil e proveitosa.
De acordo com Tamarozzi e Costa (2009, p.33), “... Os alunos da EJA representam uma grande parcela da população brasileira que não teve acesso ao direito básico constitucional de frequentar a escola no tempo previsto...” Daí a necessidade de investigar como está o conhecimento desses alunos nas questões voltadas a matemática, que é de suma importância para sua vivência em sociedade.
É necessário que o aluno da EJA compreenda e entenda que a Matemática contribui para seu desenvolvimento da aquisição e linguagem do pensamento estatístico, ou seja, constrói capacidades que possibilitem a resolução de tarefas simples, como compreender enunciados, discutir idéias, ler e interpretar gráficos.
“Em um mundo onde as necessidades sociais, culturais e profissionais ganham novos contornos, todas as áreas requerem alguma competência em Matemática e a possibilidade de compreender conceitos e procedimentos matemáticos é necessária tanto para tirar conclusões e fazer argumentações, quanto para o cidadão agir como consumidor prudente ou tomar decisões na sua vida pessoal e profissional”. PCN (1997, p.40).
A preocupação em criar atividades que proporcionam aos alunos uma visão crítica sobre a estatística é notório, buscamos evidenciar o que está acontecendo nas classes de discentes da EJA, com intuito de informar e esclarecer dúvidas sobre este assunto, propiciando a melhoria no entendimento e compreensão das informações de natureza estatística.
Referenciais teóricos
Educação de Jovens e Adultos
A EJA, Educação de Jovens e Adultos é um programa de alfabetização que visa o melhoramento do ensino e agrega uma grande parcela da população que por diversos motivos não tiveram acesso a escola.
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No Brasil a história da EJA se inicia na década de 1940, ganhando ênfase na era da Revolução Industrial, devido a um interesse político que visava qualificar a classe proletária para as indústrias, além de obterem-se mais eleitores.
Podemos enfatizar o quão esse programa foi importante na história educacional do Brasil, ele sofreu conversões, lutas e conquistas, que contribuíram para o reconhecimento dessa modalidade de ensino.
Devido a esses fatos a EJA conseguiu mudar o seu objetivo de ensino, além de qualificar, ela passou a alfabetizar a classe trabalhadora, com intuito de igualdade e democracia, essa idéia surgiu do educador Paulo Freire que propôs uma nova pedagogia, onde o aluno adulto era considerado como sujeito do próprio conhecimento e protagonista da própria história. Freire levou em conta a realidade do aluno, sua idéia revolucionou o ensino da EJA, dando assim sentido a esse ensinamento.
Após diversos conflitos educacionais e conquistas, a EJA ganhou seu reconhecimento e passou a ser intitulada como modalidade da Educação básica pela constituição, acontece assim à universalização do ensino.
Nos dias atuais esse programa enfrenta grandes problemas, talvez o preconceito seja o mais grave de todos. É necessário investimentos do governo, e que ele vislumbre essa classe como parte de uma sociedade capaz de aprender, independente da sua idade e contexto social.
É essencial investir na formação dos professores, no material didático e na expansão desse programa em regiões onde o percentual do analfabetismo adulto é alto, para que se tenha uma educação de qualidade a esse público.
De acordo com o INEP, até 2007 havia cerca de 4.985.338 alunos matriculados na EJA, porem esse valor caiu cerca de 20% em 2012, os motivos para essa calamidade são vários, a Revista Escola (2014), em uma matéria em seu blog, propõe algumas hipóteses que explique essa queda percentual o ensino, entre as idéias estão, “Escolas distantes demais do mundo dos alunos”, no quesito de não trabalharem contextos que envolvam a realidade dos alunos, e “Escolas nos lugares errados”, ou seja, escolas que ficam longe da população, ou em lugares que não há um grande porcentual de alunos da EJA.
Muitas vezes o fracasso escolar se deriva da falta de comprometimento dos professores, e da má relação dos mesmos com os alunos, é preciso que se conheça a realidade e o meio em que essa população está inserida para oferecermos um ensinamento significativo a eles.
Investir, investigar e melhorar esse programa, três metas que devem ser trabalhadas e alcançadas, a EJA deve ser reconhecida como legado ao qual deve ser trabalhado e cumprido, para que essa população por vezes excluída seja igualada e inserida na sociedade e tenha acesso aos bens materiais e culturais produzidos pelos mesmos.
Educação matemática com ênfase na formação do aluno
Aprender matemática contribui para a formação cidadã. É importante que os alunos tenham uma boa fundamentação neste assunto, para que estejam aptos ao resolver problemas e viver em sociedade.
Esse processo de ensino/aprendizagem deve partir dos anos iniciais, os professores devem criar atividades que envolvam a realidade do aluno, e que, além disso, desenvolvam, nos mesmos, habilidades voltadas ao raciocínio lógico-matematico.
De acordo com Pires e Gomes (2009, p.44), “Na concepção de Piaget, diferentemente dos outros conhecimentos, o conhecimento lógico-matematico consiste em relações criadas pelo sujeito”, ou seja, o desenvolvimento lógico-matematico se consiste nas
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ações/experiências que realizamos no meio em que vivemos.
Os professores devem assim proporcionar aos alunos situações problemas que se encaixam no seu dia-a-dia, para que os mesmos compreendam desde a fase inicial onde a matemática está inserida e como deve ser usada.
Ao ensinar matemática o docente estará formando um cidadão consciente e preparado, capaz de resolver problemas e criticar as informações que a mídia expõe no seu dia-a-dia.
Além de contribuir na compreensão de informações, a matemática também desenvolve no aluno seu senso crítico e reflexivo. Fonseca (2007, p.32) cita em seu livro:
O campo da Educação Matemática é também um campo possível de contestação, onde a subversão pode estar a serviço de uma Educação que se contraponha aos processos de exclusão. (KNIJNIK, 1998, p. 100)
Ensinar o verdadeiro sentido da matemática contribui para a inserção da classe proletária na sociedade, visando à igualdade e melhoramento desse problema social que abrange todo país, tal chamada exclusão.
Educação Estatística
No dia-a-dia são apresentados várias informações de estatística, elas estão estampadas em jornais, revistas e televisão, devido a isso os parâmetros curriculares têm reforçado a introdução da estatística no ensino da matemática desde os anos iniciais.
Esse conhecimento deve ser bem difundido em sala de aula, para que o aluno consiga desenvolver seu senso crítico, resolver problemas diários, além de entender as informações que a mídia expõe.
Na atualidade a Educação Estatística (EE) vem sido apresentado diariamente nos projetos pedagógicos escolares como parte da matéria de Matemática do ensino fundamental ciclo I, tendo assim como objetivo, ajudar e desenvolver habilidades e competências na inter-relação entre trabalhos em grupos o modo de compreender o conhecimento escolar para sua vida e o habito de desenvolver o senso crítico de valores, informações e dados.
Segundo Campos, Wodewotzki e Jacobini (2013, p.17) cita-se Perrenoud (2000) “Abordagem por competências é uma maneira de encarar seriamente desafio de transmitir conhecimento”. - Para ele competência é a capacidade de melhorar ou adquirir informações. Com isso a escola tem o dever de proporcionar e buscar competências para a boa vivencia e o conhecimento do aluno sendo que esse conhecimento não se adquire sozinho, cabe ao professor sempre trabalhar e criar aulas que envolvam a realidade de cada aluno e que o faça compreender onde a Estatística está inserida.
De Acordo com Campos, Wodewotzki e Jacobini (2013) a Educação Estatística aborda três importantes competências: Literácia estatística, Raciocínio Estatístico e o Pensamento estatístico, para melhor entendimento e compreensão dos conceitos da disciplina de EE.
“Literácia estatística pode ser vista como o entendimento e a interpretação da informação estatística apresentada. Raciocínio estatístico representa a habilidade para trabalhar com as ferramentas e os conceitos aprendidos. Pensamento estatístico leva a compreensão global da dimensão do problema permitindo ao aluno questionar espontaneamente a realidade observada por meio da Estatística”. Campos, Wodewotzki e
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Jacobini (2013, p. 19 e 20).
Diante disso a EE ajuda os alunos nas informações que são expostas pela sociedade. Sendo que através dessas informações o aluno desenvolve seu senso crítico diante os problemas do seu dia-a-dia além de contribuir nas tomadas de decisões do mesmo.
PCN Tratamento da Informação
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental I de Matemática, a estatística pode levar o aluno a entender e compreender o mundo que está a sua volta, assim ajudando resolver, interpretar situações do seu cotidiano e na sua autoconfiança, visando sempre na análise e na sua interpretação de dados.
A Matemática pode colaborar para o desenvolvimento de novos conhecimentos, como a comunicação e a linguagem. “Com relação à estatística, a finalidade é fazer com que o aluno venha a construir procedimentos para coletar, organizar, comunicar e interpretar dados, utilizando tabelas, gráficos e representações que aparecem frequentemente em seu dia-a-dia.” (Brasília: MEC/SEF, 1997, pag.40)
Os assuntos referentes ao Tratamento da Informação (estatísticas) serão trabalhados neste ciclo I de modo a estimularem os alunos a fazer perguntas, a estabelecer relações, a construir justificativas e a desenvolver o espírito de investigação.
Neste ciclo é importante que o professor estimule os alunos a desenvolver atitudes de organização, investigação, perseverança. (Brasília: MEC/SEF, 1997, pag.49).
Cabe ao professor criar situações para que o aluno tenha um melhor entendimento, podendo assim usar propostas inovadoras do cotidiano para o mesmo, além de ajudar a estabelecer suas próprias decisões de maneira proveitosa.
A matemática em si proporciona ao aluno o aumento de capacidade em resolver situações-problema do seu cotidiano, sendo assim, buscando seus próprios princípios e valores.
Nesse sentido o estudo da matemática/estatística auxilia no desenvolvimento intelectual fazendo com que o educando consiga atribuir medidas, se interessando a conhecer e produzir formas que possam ajudá-los a obter e a transmitir informações vivenciadas no cotidiano. Portanto podermos ressaltar, que a estatística vem ganhando abertura no ensino, e que há ainda uma necessidade visível de melhoramento na área, mais voltada a formação dos professores que devem criar meios atrativos e inovadores que visam despertar no aluno a curiosidade e entendimento sobre este assunto.
Educação matemática na EJA
Muitos perguntariam qual a importância de se ensinar matemática a alunos cujo fracasso e o insucesso escolar são frequentes, ou até mesmo cujo ainda se tenha a ideia preconceituosa que a “idade” e o contexto social que esses alunos estão inseridos atrapalhariam o seu desenvolvimento lógico-matemático que seja “impossível” de existir.
Essas ideias são constantes quando discutimos um assunto pouco conhecido e idealizado por seu fracasso pela sociedade.
Ensinar matemática para alunos da EJA requer comprometimento e inovação. Há muitos fracassos escolares nas classes de jovens e adultos, pela falta de comprometimento do professor, que por vezes não possuem um conhecimento apropriado para essa classe, e por estar submetido há posturas pedagógicas inadequadas aos mesmos.
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Muitas vezes devido à falta de materiais didáticos o ensino acaba sendo infantilizado, daí o desinteresse e a desistência dos alunos pela escola.
Quando o enfoque se trata da matemática ocorre o mesmo problema, o conhecimento acaba se tornando insignificante, somente símbolos e números sem sentidos, assim professores acabam ensinando a matemática sem seu sentido, além de não levar em consideração as experiências de quantificação dos sujeitos jovens e adultos.
O adulto ao pensar e falar sobre o que pensa desenvolve um exercício cognitivo individual que contribui para sua formação e ação social.
Fonseca (2007 p.25), diz, “É sob essa perspectiva que o caráter formativo do ensino da Matemática assume, na EJA, um especial sentido de atualidade, quando se dispõe a mobilizar ali, naquela noite, precisamente naquela aula, uma emoção que é presente, que co-move os sujeitos, jovens ou adultos aprendendo e ensinando Matemática, enquanto resgata (e atualiza) vivências, sentimentos, cultura, acrescentando, num processo de confronto e reorganização, mais um elo à história do conhecimento matemático”.
O ensino da Matemática contribui aos alunos jovens ou adultos da EJA, um conhecimento que os proporcionam a criticidade sobre o contexto que estão inseridos na sociedade, fazendo que os mesmos tenham a autonomia de mudança e melhoraria do seu contexto social.
A matemática se torna assim uma ferramenta eficaz contra as ideias generalizadas e alienadas sobre as classes da EJA, com o enfoque de cessar a exclusão.
Material e método
Nosso artigo se baseia em um estudo de caso onde investigamos se os alunos da EJA têm o conhecimento crítico da estatística e se sabem utilizar essa ferramenta no seu cotidiano. No local em que foi realizado o estudo, ocorreram-se observações e orientações para que os alunos da EJA entendessem quais os caminhos que a Estatística propõe, e oferece aos mesmos, propiciando e permitindo a melhoria das ações e a liberdade crítica de expressão que o estudo traz aos participantes. Vale ressaltar que a nossa análise de pesquisa é qualitativa, pois parte do conhecimento que o aluno já obtém, e qualifica os discentes.
O termo de Consentimento e Esclarecimento foi entregue a cada aluno, para que assinassem. Por se tratar de análise de dados os pesquisados tiveram certo receio, mas todos assinaram e se comprometeram.
A instituição assinou a solicitação em manter o anonimato, por isso, na pesquisa referimos sempre a uma instituição estadual, e não iremos utilizar imagem para apresentar o local da pesquisa, para preservar o mesmo. O mesmo cabe aos alunos, para preservar a identidade de cada discente iremos nos referir a estes somente pelo sexo e idade.
O presente projeto foi desenvolvido em uma escola Estadual de uma cidade do Vale do Paraíba, com os alunos do 3º ano do EM da especialidade EJA, para a realização foram requisitados seis alunos, apenas uma amostra da sala. Os educandos pesquisados se caracterizam-se entre jovens e adultos, de classe média e classe média baixa.
De início conversamos com os alunos para explicar qual o motivo da pesquisa. Após a explicação, foi justaposto o questionário onde se obteve questão abertas e fechadas.
Ao terminarem a abordagem fizemos uma roda da conversa onde explicamos para estes, o que haveria a ser a estatística e onde usaríamos a mesma como ferramenta crítica no
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cotidiano, assim iniciou uma discussão onde os discentes deram colocações da forma na qual a Estatística seria utilizada diariamente de acordo com o contexto e realidade de cada aluno.
Para a coleta de dados foi utilizado um questionário no qual haviam-se questões de múltiplas escolhas e dissertativas, para um maior entendimento do aluno. Todos se empenharam de forma gradativa.
Discussões dos e resultados
De acordo com o problema em estudo, seguiu-se uma metodologia qualitativa, baseada num estudo de caso constituído por um grupo de seis alunos da EJA, entre eles três alunos do sexo masculino e três alunos do sexo feminino que estão cursando o 3°ano do ensino médio. A pesquisa por vez teve como intuito inicial, investigar e analisar se os indivíduos da EJA possuíam uma fundamentação favorável sobre o conhecimento da Estatística, necessário no cotidiano para desenvolver-se um olhar crítico perante as informações expostas pela sociedade.
Os alunos em estudo possuem características diversas, porém algumas necessárias no processo de coleta de dados, por vez serão expostas com a intenção de reconhecê-lo como participante ativo da pesquisa, nelas se encontram idade e sexo, sem mais com intuito de prevenção da imagem de cada integrante. É importante ressaltar que todos os indivíduos apresentados na pesquisa participam ativamente das atividades diárias realizadas no processo educacional da instituição escolar que estão inseridos.
Para obtermos as informações necessárias da pesquisa, foi realizado um questionário, contendo cinco questões de múltiplas escolhas, e duas dissertativas. Visando um melhor entendimento as questões dissertativas foram evidenciadas individualmente, já as de múltiplas escolhas serão expostas em tabelas, ambas mostradas a seguir.
A primeira pergunta foi realizada da seguinte forma, “Você sabe o que é Estatística?”
O intuito da pergunta destacada, foi antes de qualquer investigação mais propicia, apurar se os indivíduos, sabiam do que se tratava essa palavra, por vezes desconhecida.
A questão foi simples, contendo elementos diretos como Sim ou Não. A seguir o gráfico representando as respostas.
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O resultado foi bastante favorável, de seis alunos pesquisados quatro responderam sim, entre eles, dois indivíduos do sexo masculino e dois do sexo feminino; somente dois disseram não saber do que se tratava o assunto, entre eles um indivíduo masculino e um feminino. A pergunta segue com outra questão dissertativa, “Caso não saiba, acha que se trata do que?” onde os alunos que disseram não, poderiam retratar do que achavam se tratar o assunto.
Somente o integrante da pesquisa do sexo feminino, respondeu da seguinte forma; “Acho que é educação,” o outro membro do sexo masculino deixou o espaço em branco.
É importante ressaltar que todos os alunos tiverem participação ativa no questionário, e que os mesmos se mostraram atentos e capazes das resoluções das questões.
A segunda parte do questionário se baseia em quatro questões de múltiplas escolhas, ocasionadas para identificar o nível de leitura de dados de cada alunos.
A leitura de dados é uma habilidade que deve ser trabalhada e desenvolvida desde os anos inicias além de ser importante para o desenvolvimento psico do raciocínio lógico, é bastante usada no cotidiano pelas pessoas, para identificarem e entenderem as informações e problemas que a mídia expõe, desenvolvendo assim o senso crítico através de fatos do dia-a-dia. Assim, as perguntas a seguir estão relacionadas a essa habilidade, encontrando-se em três níveis, o primeiro, “Leitura dos dados”, onde o indivíduo faz somente um levantamento das informações que se encontram evidentes no gráfico, não requer uma análise mais aprofundada.
O segundo se define como, “Leitura entre os dados”, nesse nível o aluno deve compreender e interpretar os dados, e possuir a habilidade de compará-los, e o terceiro nível, “Leitura além dos dados”, onde deve acontecer uma inferência do aluno, uma análise mais esquematizada.
A primeira atividade se baseia no primeiro nível de leitura de dados, nela foi posto um problema simples de “levantamento” de dados, onde era pedido o valor da inscrição de um campeonato, dado encontrado na tabela. Todos os indivíduos acertaram, e tiveram facilidade na resolução do problema.
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O segundo exercício se referia a uma campanha solidária na escola, onde o aluno deveria encontrar no gráfico qual a semana de mais arrecadação, nessa atividade o nível se refere a Leitura entre dados, pois o aluno deveria interpretar os dados. Todos os indivíduos acertaram, e tiveram facilidade no exercício.
Figura 3 (atividade 2, analise de dados).
O terceiro exercício houve um erro em sua digitação, onde havia falta de informações para a realização dos problemas, porém digamos ser um “Erro Construtivo”, pois os alunos que identificaram a falha no exercício, com isso podemos testemunhar como os mesmos estavam atentos a leitura e há as atividades.
É importante ressaltar que o terceiro exercício se baseava no nível dois, Leitura entre os dados.
O quarto exercício se baseia no nível três, Leitura além dos dados, onde havia a necessidade da inferência do aluno. Nesse exercício havia quatro questões, de nível de análise mais sistemática e relevante
A seguir a mostra do exercício 4.
A professora de uma determinada escola fez uma pesquisa com os alunos para saber como anda seu desempenho em Matemática. Abaixo o gráfico com os resultados:
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(A) O que o gráfico mostra/conta a você? (B) Quantos % de alunos foram ruins? (C) Qual o total em % dos alunos?
(D) Analisando o gráfico quantos % de alunos estão com um desempenho favorável? A questão A, somente dois alunos acertaram, os outros tiveram o mesmo padrão de ideia colocando que o gráfico mostrava somente os alunos bons.
A questão B, cinco alunos acertaram, somente um errou, pois no seu conceito o aluno “Regular” não era bom.
A questão C, cinco acertaram, somente um errou.
E na questão D, é importante ressaltar que o mesmo foi escrito de forma mais elaborada, para inquietar o aluno, com intuito de investigar qual seu nível de entendimento e inferência. É importante evidenciar que cada aluno possui seu ponto de vista no quesito de “Favorável”, como por exemplo, talvez o aluno regular, tenha um desempenho favorável a alguns, e para outro não. Assim levamos em conta, ambas as respostas.
O exercício quatro possui um erro devido à falta de atenção dos pesquisadores, porém podemos considerar que todo erro em uma pesquisa é considerável já que levantamos questões importantes, e analises por vezes encontrada pela falha. Se somarmos a porcentagem o gráfico não daria 100%, mas sim 80% devido a isso tabulamos as respostas através das porcentagens vistas. Os alunos não identificaram esse erro.
O questionário final constitui-se por duas questões dissertativas abertas e de opinião pessoal.
Nele foram inseridas as seguintes questões, “Por que a Estatística é importante no seu dia-a-dia?” e “Onde e quando você usaria essa ferramenta?”
As respostas foram surpreendentes, quatro alunos disseram para melhorar sua vivência e aprender a cada dia mais, e três disseram que usariam essa ferramenta, em casa, no trabalho, na escola e para controlar as contar. Um deixou em branco, e outro disse que não usaria em lugar algum. Houve também um indivíduo que respondeu para as perguntes de maneira muito consciente, assim quero registrar aqui suas palavras;
De sua opinião:
Por que a Estatística é importante no seu dia-a-dia?
Para sabermos qual a opinião da maioria, qual problemas, afirmações do dia-a-dia. Onde e quando você usaria essa ferramenta?
Para uma causa da qual eu quero defender, explicar, estudar.
Quero finalizar com essa resposta, para que fique evidente que assim como todo aluno em especial o da EJA, possui consciência sobre a Estatística, por vezes mesmo não sendo reconhecida pelo nome, a Estatística possui grande importância na vivência de cada pessoa, cada aluno. Os resultados foram satisfatórios e mostraram que boa parte dos alunos estão apitos, e estendem o contexto em que vivem, e as informações expostas diariamente.
E que cada indivíduo Jovem ou Adulto, possui um senso crítico individual, de opiniões e ideias diversas, diante os problemas da sociedade. E que os mesmo participam ativamente das tomadas de decisões na sua vivência comum, porém deve ficar bem claro que ainda há a necessidade de melhoria, em todo sistema educacional, e enfatizamos a importância do docente nesse grande processo de aprendizagem.
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Considerações finais
Em nossa formação acadêmica aprendemos que nem tudo é concreto, vale ressaltar que a nossa pesquisa contradiz com o referencial teórico, onde os autores citam que os alunos da EJA não teriam conhecimento sobre a ciência da Estatística além de não saberem como utilizar essa ferramenta no cotidiano.
Por meio da investigação, podemos analisar que os discentes tiveram facilidade e suma compreensão das questões, com isso podemos enfatizar que por vez os mesmos possuem conhecimentos notórios sobre este assunto necessários para sua vivência e criticidade em sociedade.
Os resultados foram satisfatórios e atingiu objetivamente o problema de pesquisa, alcançando os objetivos esperados, tais como evidenciar qual o grau de conhecimento sobre a educação Estatística dos alunos da EJA, e se os mesmos sabem utilizar a estatística como ferramenta crítica no seu dia-a-dia.
Acreditamos que esta pesquisa serviu para mostrar de forma explicita o quanto podemos ser críticos por meio de análise de dados e o quanto podemos questionar o mesmo sobre os fatores expostos pela mídia no cotidiano.
Diante disso, observamos que os alunos da EJA de uma forma coerente sabem como ser críticos em relações aos problemas cotidianos que envolvam a estatística e usam de maneira proveitosa essa ferramenta, mesmo não tendo completo conhecimento pelo assunto.
Destacamos que esse ensinamento requer melhoramento no quesito voltado no ensinamento dos anos iniciais, os professores são os principais responsáveis por esse processo que requer crescimento no ato de ensino-aprendizagem, porém podemos ressaltar com entusiasmo que os alunos pesquisados estão preparados para sua vivência crítica em sociedade.
Esperamos que nosso projeto/trabalho tenha de alguma forma contribuído para a formação e desenvolvimento crítico dos alunos da EJA e que essa complementação tenha se tornado uma ponte entre a cidadania e educação, visando a inserção e respeito do aluno da EJA na sociedade.
Assim finalizamos com a ideia de que os alunos da EJA fazem parte do processo educacional brasileiro. Um público que abrange quase metade da população necessita de empenho e de contribuição para sua construção crítica, assim a Estatística se torna uma importante ferramenta nesse processo de crescimento eficaz para minimizar a desigualdade e preconceito ético, social e moral.
Referências
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