Racioc´ınio em Situa¸c˜
oes Incertas
Abordagens:
L´ogica Fuzzy e Redes Bayesianas
Fl´avio Vin´ıcius Cruzeiro Martins
Universidade Federal de Ouro Preto
9 de abril de 2010
Sum´
ario
1 Breve Introdu¸c˜ao 2 L´ogica Fuzzy Defini¸c˜oes Exemplos 3 Redes Bayesianas Defini¸c˜oes ExemplosInteligˆ
encia Computacional
Parte I
L´
ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
Duas suposi¸c˜oes essenciais para o uso da l´ogica formal tradicional:
Pertinˆencia a conjuntos.
Um elemento pertence a um determinado conjunto ou ao seu complemento.
a lei do meio exclu´ıdo.
Um elemento n˜ao pode pertencer a um conjunto e ao seu complemento.
L´ogica Fuzzy
Desta maneira ´e f´acil descrever conjuntos para: n´umeros pares;
cidades que s˜ao capitais; carros esportes;
n´umeros ´ımpares; ...
L´ogica Fuzzy
Problemas da L´
ogica Cl´
assica
Como descrever os conjuntos:
grandes cidades da Am´erica do Sul;
baixatemperatura;
altataxa de infla¸c˜ao;
pequeno erro de aproxima¸c˜ao; ...
L´ogica Fuzzy
Problemas da L´
ogica Cl´
assica
Problema da Dicotomia:
“Uma semente n˜ao constitui uma pilha, nem duas sementes, nem trˆes... por outro lado, se eu agregar 100 milh˜oes de sementes, elas constituir˜ao uma pilha. Qual ´e o n´umero que determina este limite para ser uma pilha? Posso ent˜ao dizer que 325.647 sementes n˜ao constituem uma pilha, mas 325.648
constituem?” [Borel, 1950]
L´ogica Fuzzy
L´
ogica Fuzzy
Quebra os paradigmas da l´ogica tradicional.
Imita¸c˜ao do pensamento humano que ´e nebuloso por natureza. Teoria formulada em 1965, por Lofti Zadeh.
Figura: Conjunto Fuzzy
L´ogica Fuzzy
A L´ogica Fuzzy permite v´arios graus de verdadeiro e falso. Pensem em um controle de ar condicionado...
L´ogica Fuzzy
L´
ogica Fuzzy - Defini¸c˜
oes
Grau de pertinˆencia:
Um elemento pertence a um conjunto em uma escala que varia entre zero e um. [0, 1]
Fun¸c˜ao de pertinˆencia:
Fun¸c˜ao que informa o grau de pertinˆencia de um elemento em rela¸c˜ao a um conjunto.
L´ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
Vari´aveis lingu´ısticas:
Expressas em linguagem natural, por´em tratadas de forma num´erica. (temperatura, press˜ao, altura...)
Termos lingu´ısticos:
Caracterizam a vari´avel lingu´ıstica. (Muito alto, alto, m´edio, baixo, muito baixo)
L´ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
Conjunto fuzzy:
Modelam o comportamento das vari´aveis linguisticas e seus respectivos termos lingu´ısticos.
Formatos: triangular, trapezoidal, gaussiano, rampa...
L´ogica Fuzzy
Exemplos - Conjunto Fuzzy
Representa¸c˜ao por conjuntos Fuzzy para “inteiros pequenos”.
L´ogica Fuzzy
Exemplos - Conjunto Fuzzy
Representa¸c˜ao por conjuntos Fuzzy para “alturas de homens”.
L´ogica Fuzzy
Opera¸c˜
oes B´
asicas
L´ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
Processo B´
asico
L´ogica Fuzzy
Regras
se A ent˜ao B
A ´e chamado antecedente ou premissa. B ´e chamado consequente ou conclus˜ao.
Exemplos:
se Pedro e Tem muni¸c˜ao ent˜ao Atira se Longe ent˜ao Faz Nada
Diferente da l´ogica booleana, A ter´a valores no intervalo [0, 1]. As regras s˜ao disparadas com um certo grau!
Ap´os a aplica¸c˜ao de todas as regras, pode-se ter diferentes graus para as conclus˜oes.
L´ogica Fuzzy
Inferˆ
encia Nebulosa
Para cada regra:
Para cada Antecedente, calcular o seu grau. Calcular a Conclus˜ao.
Combinar os resultados para determinar o conjunto Fuzzy. (Fuzzy Association Matrix - FAM)
Desejada uma sa´ıda (num´erica) fazer a defuzzifica¸c˜ao.
L´ogica Fuzzy
Exemplo
Temos um lan¸cador de granadas, e queremos saber quando ele ´
e ´util, de forma a escolhˆe-lo e us´a-lo na hora certa. Vari´aveis:
Antecedentes:
Distˆancia para o alvo. Quantidade de muni¸c˜ao.
Conclus˜ao:
Utilidade.
L´ogica Fuzzy
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Regras:
Lan¸cador de granadas ´e mais ´util a m´edia distˆancia. Perto pode me matar.
se longe e carregada ent˜ao serve se longe e ok ent˜ao inutil se longe e baixa ent˜ao inutil se medio e carregada ent˜ao util se medio e ok ent˜ao util se medio e baixa ent˜ao serve se perto e carregada ent˜ao inutil se perto e ok ent˜ao inutil se perto e baixa ent˜ao inutil
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Inferˆ
encia:
200 pixels de distˆancia com 8 granadas... Uso o lan¸cador de granadas?
Inferˆencia:
Regra 1: se longe e carregada ent˜ao serve
longe = 0.33, carregada = 0 : (0.33 AND 0) = 0 Portanto, serve = 0
Regra 2: se longe e ok ent˜ao inutil
longe = 0.33, ok = 0.78 : (0.33 AND 0.78) = 0.33 Portanto, inutil = 0.33
...
L´ogica Fuzzy
FAM - Fuzzy Association Matrix
L´ogica Fuzzy
Considera-se apenas as regras “disparadas”.
O valor obtido pode ser considerado como um n´ıvel de confidˆencia daquele resultado
´
Util = 0.67 Serve = 0.2 In´util = 0.33
Max das duas que disparam. Pode usar m´ınimo, a soma ou alguma m´edia.
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Resultados Graficamente
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Combinando Conclus˜
oes
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Defuzzifica¸c˜
ao
Processo de obter um resultado “num´erico” partir do conjunto Fuzzy.
V´arios M´etodos:
MOM (Meam of Maximum) - M´edia dos M´aximos. Centr´oide.
MaxAv - Mediana. Centro das somas. Etc...
L´ogica Fuzzy
Exemplo (cont.) - Defuzzifica¸c˜
ao
Centr´oide
O m´etodo mais preciso mas tamb´em o mais complexo de calcular.
Computa-se o centr´oide (centro de massa) do conjunto.
Parte II
Redes Bayesianas
Introdu¸c˜
ao
Conhecimento com incerteza:
Exemplo: sistema de diagn´ostico odontol´ogico. Regra de diagn´ostico:
∀p sintoma (p,dor de dente) ⇒ doen¸ca (p,c´arie) A doen¸ca (causa do sintoma) pode ser outra.
Regra causal:
∀p doen¸ca (p,c´arie) ⇒ sintoma (p,dor de dente)
H´a circunstˆancias em que a doen¸ca n˜ao provoca o sintoma.
Teoria da Probabilidade
Associa `as senten¸cas um grau de cren¸ca num´erico entre 0 e 1
Contudo, cada senten¸ca ou ´e verdadeira ou ´e falsa.
Grau de cren¸ca(probabilidade):
a priori(incondicional): calculado antes do agente receber percep¸c˜oes
Ex. P(c´arie = true) = P(c´arie) = 0.5
condicional: calculado de acordo com as evidˆencias dispon´ıveis
evidˆencias: percep¸c˜oes que o agente recebeu at´e agora Ex: P(c´arie|dor de dente)= 0.8 P(c´arie|¬dor de dente)= 0.3
Probabilidade Condicional
Probabilidade condicional (a posteriori) de A dado que B ocorreu ´e definida por:
P(A|B) = P(A ∧ B) P(B) para P(B) > 0
Probabilidade condicional:
possibilita inferˆencia sobre uma proposi¸c˜ao desconhecida A dada a evidˆencia B.
Regra de Bayes
Equa¸c˜ao para o Teorema de Bayes:
P(A/B) = P(B/A)P(A) P(B)
Pode-se estender esta express˜ao para o caso em que a dependˆencia condicional est´a associada a mais de uma evidˆencia pr´evia:
P(A/B, E ) = P(B/A, E )P(A/E ) P(B/E )
Aplica¸c˜
ao da Regra de Bayes - Diagn´
ostico M´
edico
Seja M = doen¸ca meningite, S = rigidez no pesco¸co. Um Doutor sabe: P(S /M) = 0.5 P(M) = 1/50000 P(S ) = 1/20 P(M/S ) = P(S /M)P(M) P(S ) = 0.5(1/50000) 1/20 = 0.002 A probabilidade de uma pessoa ter meningite dado que ela est´a com rigidez no pesco¸co ´e 0,02% ou ainda 1 em 5000.
Representa¸c˜
ao do Conhecimento com Incerteza
Representa 3 tipos de conhecimento do dom´ınio:
Rela¸c˜oes de independˆencia entre vari´aveis aleat´orias. Probabilidades a priori de algumas vari´aveis.
Probabilidades condicionais entre vari´aveis dependentes.
Permite calcular eficientemente:
Probabilidades a posteriori de qualquer vari´avel aleat´oria (inferˆencia).
Conhecimento representado:
Pode ser aprendido a partir de exemplos.
Reutilizando parte dos mecanismos de racioc´ınio.
Estrutura das Redes Bayesianas
Uma Rede Bayesiana ´e um grafo ac´ıclico e dirigido onde:
Cada n´o da rede representa uma vari´avel aleat´oria
Um conjunto de liga¸c˜oes ou arcos dirigidos conectam pares de n´os
cada n´o recebe arcos dos n´os que tem influˆencia direta sobre ele (n´os pais).
Cada n´o possui uma tabela de probabilidade condicional associada que quantifica os efeitos que os pais tˆem sobre ele
Exemplo Alarme
Exemplo Alarme
Calcular a probabilidade do evento que o alarme toca mas n˜ao houve assalto nem terremoto e que Jo˜ao e Maria telefonaram.
P(J ∧ M ∧ A ∧ ¬R ∧ ¬T )
= P(J|A)P(M|A)P(A|¬R ∧ ¬T )P(¬R)P(¬T ) = 0.9x 0.7x 0.001x 0.999x 0.998
= 0.00062 ou 0.062%
Engenharia do conhecimento para Redes Bayesianas
Escolher um conjunto de vari´aveis relevantes que descrevam o dom´ınio.
Ordem de inclus˜ao dos n´os na rede:
causas como “ra´ızes” da rede vari´aveis que elas influenciam
folhas, que n˜ao influenciam diretamente nenhuma outra vari´avel.
Enquanto houver vari´aveis a representar:
escolher uma vari´avel Xi e adicionar um n´o para ela na rede estabelecer Pais(Xi) dentre os n´os que j´a est˜ao na rede, satisfazendo a propriedade de dependˆencia condicional definir a tabela de probabilidade condicional para Xi
Exemplo Alarme
Ordem: R T A J M
Tipos de Inferˆ
encia em Redes Bayesianas
Causal (da causa para o efeito)
P(JohnCalls/Roubo) = 0, 86
Diagn´ostico (do efeito para a causa)
P(Roubo/JohnCalls) = 0, 016
Tipos de Inferˆ
encia em Redes Bayesianas
Intercausal (entre causas com um efeito comum)
P(Roubo/Alarme) = 0, 376
P(Roubo/Alarme ∧ Terremoto) = 0, 373
Mista (combinando duas ou mais das de cima)
P(Alarme/JohnCalls ∧ ¬Terremoto) = 0, 03
Este ´e um uso simultˆaneo de inferˆencia causal e diagn´ostico.
Conclus˜
oes - Redes Bayesianas
Possibilidade de trabalhar com dom´ınios onde n˜ao h´a informa¸c˜ao suficiente.
Racioc´ınio probabil´ıstico trata o grau de incerteza associado `a maioria dos dom´ınios.
Combina conhecimento a priori com dados observados. O impacto do conhecimento a priori (quando correto) ´e a redu¸c˜ao da amostra de dados necess´arios.
Fim