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Laurindo Cisotto

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Academic year: 2021

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A REFORMA UNIVERSITÁRIA E PERSPSCTIVAS DO SINAES

CISOTTO, Laurindo OLIVEIRA, Patrícia Peres ABRAMOWICZ, Mere1 ALVES, Fábio Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da PUC - SP

Resumo

A Reforma Universitária no país diz respeito a um processo desencadeado há mais de uma década e perpassa os interesses e orientações que marcam a política de dois governos: Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. O SINAES aponta para uma dimensão ética e política da avaliação, que permite entender que o dever público se expressa no que se entende por uma avaliação que seja formativa – integrando a sociedade, as IES e os próprios destinatários do ensino, os alunos – e numa avaliação regulatória, comprometida com a qualidade, com a expansão do ensino, com a garantia de observância da diversidade das IES. A integração dessas duas naturezas da avaliação dá a medida adequada para que o ensino não se submeta aos ditames do mercado e nem se restrinja a uma mera normatização do poder público. O artigo que segue decorre de pesquisa realizada pelos pós-graduandos acima citados, sob a coordenação da Dra. Mere Abramowicz. Esses pesquisadores se valem de levantamento bibliográfico para a realização da pesquisa, fundamentada em documentos oficiais do Estado Brasileiro, revistas especializadas e estudiosos, dentre eles ROTHEN, José Carlos; SCHULZ, Almiro.

Palavras-chave: SINAES; Reforma universitária; Avaliação

1. Introdução

O mundo contemporâneo sofre alterações significativas que mudam substancialmente o modo de vida do ser humano e as condições sociais em que esse se reproduz como produtor de cultura. Os novos padrões tecnológicos de produção e a emergência de novas formas de consumo e comunicação, desencadeadas pela incorporação de

1 Dra. Mere Abramowicz coordena Projeto de Pesquisa Currículo: Questões Atuais, no qual os pesquisadores Fábio, Laurindo e Patrícia, dentre outros, são membros constituintes.

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novas concepções de ciência e de novos paradigmas ordenadores da sociabilidade, acentuaram a importância da educação como fator fundamental para a inserção de um país no cenário internacional, bem como as possibilidades de construção da cidadania de sua população.

Estamos diante de um cenário de rara complexidade, no mundo corporativo e na sociedade em geral. Fenômenos econômicos e sociais, de alcance mundial, são responsáveis pela reestruturação dos ambientes. A globalização da economia, impulsionada pela tecnologia da informação e pelas comunicações, é uma realidade da qual não se pode escapar.

Hoje vemos a mercantilização da educação. Analistas do mercado econômico informam aos investidores que educação superior é um ótimo “negócio” e que, pela primeira vez, ações de IES já podem ser negociadas na Bolsa de Valores, com ganhos em grande escala. Ao lado dos bancos e frigoríficos, surgem as IES.

Existem críticas às políticas públicas que estabelecem um sistema nacional de avaliação, em todos os níveis de educação, quer seja pelo pouco impacto no trabalho docente, ou pelo caráter controlador, o que exige coesão em termos de uma proposta curricular nacional. Para Apple (2000),

(...) o currículo oficial, atrelado a um sistema de avaliação nacional, é uma perigosíssima investida ideológica que pode configurar-se como um dispositivo de prestação de contas, que ajude a estabelecer marcos que permitam aos pais avaliar a escola

No ano de 1995 iniciava-se a implementação de um novo sistema de avaliação da educação superior que privilegiava a avaliação dos cursos de graduação e tinha por objetivo o controle da qualidade da oferta educacional privada e pública. A política do Ministério da Educação (MEC) realizava avaliações in loco, com enfoque na infra-estrutura, organização, corpo docente, didática e pedagógica. Quanto ao estudante, avaliava-se o conhecimento adquirido ao longo do curso, através de exame para concluintes. O controle de todo o processo de avaliação era de responsabilidade do INEP, agência ligada ao MEC, e da CAPES/ MEC.

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O ano 2004, como fruto do processo intenso de reforma da educação superior no Brasil, à promulgação da Lei nº 10.861 de 14 de abril de 2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), foi um marco na implementação dos instrumentos e procedimentos avaliativos como regulação do sistema. Nessa lei podemos perceber tensões entre controle e uma tendência formal de estimula a produção acadêmica. Ela representa um momento de reconstrução do controle com instituição de mecanismos de acreditação e credenciamento.

A acreditação é um dos processos para o desenvolvimento da qualidade. Para isso é necessário levarmos em conta alguns aspectos: não existe qualidade sem conhecimento dos seus beneficiários, sem objetivos a alcançar; sem verificação do desempenho e se os objetivos foram atingidos.

A qualidade, para uma instituição, é uma das formas de medir sua capacidade de responder a um conjunto de necessidades identificadas. Ela consiste em uma busca constante de adaptação para melhor responder a essas necessidades.

Naturalmente que acreditar ou avaliar a qualidade de uma instituição de ensino superior, ou dos seus programas, é uma tarefa complexa que exige o cruzamento de abordagens diversas.

2. O contexto da Reforma Universitária

A Reforma Universitária tem sua matriz no desenvolvimento do capitalismo mundial que impõe mudanças às diferentes organizações sociais, dentre elas a educação. Expressa um horizonte a ser perseguido, guardando possíveis, mas também difusas condições para o aperfeiçoamento da educação, e limites para se adequar às mudanças que vêm acontecendo nas diferentes áreas do conhecimento. Coloca-se como uma exigência dos nossos dias. Essas mudanças nas diversas áreas do conhecimento necessariamente não implicam em mudanças, no mesmo ritmo, ao ensino.

A Reforma Universitária no país diz respeito a um processo desencadeado há mais de uma década e perpassa os interesses e orientações que marcam a política de dois governos:

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Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva. O SINAES - se encontra permeado por essa política econômica denominada de neoliberalismo.

Certa análise desse processo faz evidenciar uma tensão existente entre a continuidade e a mudança, na qual se inscreve com maior força essa última, e aponta para novos desafios, oportunidades, entre outros elementos presentes no fenômeno denominado globalização. A despeito das posições desse embate, o fato é de que continuidade e permanência se fazem presentes nas questões que cercam o ensino. No contexto dessa tensão, coloca-se o desafio do nosso século, que é a concretização de uma educação para todos. A UNESCO entende isso como uma prioridade, um imperativo. Certamente a esse anseio se coloca a exigência de abordar educação no contexto do desenvolvimento e sua democratização.

A movimentação do público e do privado na reforma e sua realização permitem identificar duas dimensões presentes à forma de avaliar: um modelo emancipatório e um modelo regulatório, entendidos como confluentes e complementares, e, por vezes, um modelo se sobrepõe a outro. Essa dinâmica permite qualificar o quanto a reforma é impregnada de princípios democráticos ou de autoritarismo, por meio da articulação desses modelos.

Essas qualidades da avaliação se apresentam e se expressam, por vezes, no agente avaliador estatal, ou na força do braço do mercado. O que permite perguntar: que tipo de Estado se coloca como avaliador? Como se caracteriza sua ação? Certamente sua matriz é liberal, com sua configuração neoliberal, que concretiza um mercado que comercializa o ensino.

3. SINAES: do projeto a implementação

O atual presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva, desde a época de campanha o seu primeiro mandato, já apresentava como uma das principais preocupações com o ensino superior, a questão da avaliação. Um dos objetivos da sua proposta era a mudança da concepção neoliberal de educação, que balizava o sistema existente. Sob tal concepção, era estimulada a concorrência entre as instituições de ensino superior e a regulação pelo mercado

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consumidor (Barreyro; Rothen, 2006). Tal concorrência se tornava objetiva e acessível à população, através de um ranking, disponibilizado pelo MEC, o qual possuía como dados classificatórios, os resultados obtidos pelos alunos, no exame nacional de cursos (ENC), mais conhecido e popularmente difundido como Provão.

Após a vitória nas urnas do presidente Lula, o então ministro da Educação Cristovam Buarque, criou a Comissão Especial de Avaliação da Educação Superior (CEA), a qual deveria estabelecer as propostas e as normas que formariam a base para um novo sistema de avaliação do ensino superior (SINAES, 2004). Em 02 de setembro de 2003, a CEA apresentou a sua proposta, um novo sistema nacional de avaliação da educação superior (SINAES). A maior preocupação da concepção avaliativa da proposta, centra-se na apreensão de utilizar a avaliação, como instrumento para a tomada de consciência sobre a instituição. O sistema era composto por várias instâncias avaliativas e como resultado, seria formulado um relatório final, que, posteriormente seria remetido ao órgão encarregado da avaliação, o CONAES (Barreyro; Rothen, 2006).

Após a divulgação da proposta, houve um grande debate no âmbito educacional, político e ideológico sobre o assunto. Tal debate revelou que não havia sintonia entre a proposta apresentada pela CEA e a vontade do então ministro, Cristovam Buarque. Essa discrepância entre concepções desvelou-se tão dicotômica, a ponto do ministro, encaminhar uma nova proposta de avaliação, para a apreciação da câmara. Na proposta do ministro, intitulada de SINAPES, a lógica que a regia, balizava-se largamente na lógica neoliberal, que buscava a manutenção dos rankings comparativos entre as instituições de ensino superior (Barreyro; Rothen, 2006). É necessário lembrar, que uma das características que marcara fortemente e era mais criticado no sistema de avaliação que perdurava, – a qual essa nova proposta tinha por intuito substituir – era justamente a criação e a manutenção dos rankings, que apesar de oficialmente não ser o objetivo principal da aplicação do (ENC), realmente ela se prestava a esse papel, visto que, apesar da lei que o criou, prever punições no caso de resultados negativos na avaliação, na prática isso não ocorreu, desta forma, o exame nacional de cursos, só serviu para classificar as IES.

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Tal discussão resultou na edição de uma medida provisória, que estranhamente, destoava totalmente dos debates travados e das propostas realizadas. Após esses calorosos debates, em 14 de abril de 2004, foi sancionada pelo presidente da República, a lei nº 10.861, que instituía o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

Por ocasião da implementação do SINAES, foi criada a comissão nacional de avaliação da educação superior (CONAES) “cuja competência central será a de coordenar e supervisionar o SINAES” (SINAES, 2004, p. 99) e realizadas sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

O SINAES busca aprofundar os compromissos com a responsabilidade social da IES, respeitando os princípios da autonomia, da diversidade e da identidade. A concepção de avaliação busca vincular as dimensões formativas, à formação de uma sociedade mais justa e fraterna. Tal sistema busca articular um “sistema de avaliação com autonomia, que é própria dos processos educativo-emancipatórios, e as funções de regulação, que são inerentes à supervisão estatal” (SINAES, 2004, p. 83), buscando ter como certeza à integração as dimensões internas e externas, quantitativa e qualitativa, somativa e formativa e os diversos objetos e objetivos da avaliação. Todas as funções são conduzidas pela Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CONAES). A avaliação deve também ser entendida como estrutura de poder que age sobre os indivíduos, as instituições e os sistemas, é composta de três vertentes: um olhar sobre a instituição (auto-avaliação e a avaliação externa), um olhar sobre o curso (comissões pares, especialistas na área de conhecimento, o Projeto Pedagógico do Curso com indicadores e critérios definidos pelo instrumento de avaliação dos cursos de graduação), um olhar sobre o estudante (ENADE, desempenho dos alunos de cada curso com relação as Diretrizes Curriculares Nacionais). No final do processo, terão atribuição de conceitos classificatórios de 1 a 5, sendo que o conceito 3 é o mínimo aceitável.

Segundo Barreyro; Rothen (2006), o processo estaria centrado na auto-avaliação, realizada no interior das instituições, com a criação de subcomissões internas, que avaliariam os diferentes cursos. Tais comissões são formadas pela participação de todos os membros da comunidade educativa – professores, estudantes, funcionários, ex-alunos e outros grupos

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sociais representativos – na globalidade do processo. Tal aspecto lhe dá um caráter formativo e de aperfeiçoamento individual e institucional

Uma das características bem marcante desse sistema de avaliação – que entre outros fatores – o diferencia do sistema anterior de avaliação do ensino superior, é a questão de avaliar além das deficiências. Tal sistema busca apontar também, as qualidades e os aspectos nos quais as IES se destacam. Além disso, no relatório de avaliação, é necessário identificar e explicitar, quais são os possíveis fatores que tenham levado a instituição, a apresentar os problemas diagnosticados e projetar medidas, que a levem a superação real das deficiências verificadas.

4. A auto-avaliação institucional

A auto-avaliação, conforme já apresentado, é uma das instâncias avaliativas, que forma o conjunto de avaliações do SINAES.

Para a efetivação da auto-avaliação, a lei 10.861, de 14 de Abril de 2004, no seu artigo 11º, estabelece a obrigatoriedade de cada instituição de ensino superior, seja ela pública ou privada, a formar uma comissão própria de avaliação (CPA), que deverá conduzir os processos de avaliação interna nas instituições, ou seja, de auto-avaliação.

Tal lei foi regulamentada pela portaria Nº 2.051, de 9 de Julho de 2004.

Como é possível perceber a auto-avaliação será um instrumento obrigatório e essencial para todos os atos de regulação estatal. Além dessa função de regulação, a auto-avaliação, possibilitará que as instituições se conheçam melhor, que possam refletir sobre suas finalidades essenciais, que identifiquem as causalidades dos problemas e deficiências, que aumentem a consciência pedagógica e profissional do docente, que tornem mais estreita à vinculação com o entorno social, que julguem sobre a relevância científica e social de suas atividades e produtos, entre outras. Conforme já especificado, a auto-avaliação tem um caráter educativo, de melhora e de auto-regulação (SINAES, 2004, p. 98).

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A auto-avaliação se completa a cada três anos e cada instituição deve buscar meios para que haja uma ampla e efetiva participação da comunidade interna nas rotinas de trabalho, com a colaboração de membros da comunidade externa, como por exemplo, ex-alunos e representantes dos setores mais diretamente ligados à instituição. Mesmo a avaliação sendo permanente, se realiza por ciclos, contudo, anualmente as instituições de ensino superior devem tornar públicas, as informações resultantes do seu processo contínuo de avaliação. Os dados obtidos na auto-avaliação não devem servir de instrumento para a comparação, ou confecção de rankings e classificações pelas notas, menções, entre outros. Uma vez concluído o processo, o relatório de auto-avaliação deve ser encaminhado à CONAES, que irá encaminhá-los a comissão externa de avaliação.

Segundo o manual de orientações gerais para a auto-avaliação, escrito em conjunto pelo INEP e CONAES, a auto-avaliação se dá em três etapas: Na primeira etapa deve ser formada as CPAs. Esse momento é precedido pela sensibilização da comunidade acadêmica na construção da proposta avaliativa, terminando com a elaboração do projeto de avaliação. Na segunda fase – chamada de desenvolvimento – o foco principal, é a verificação da coerência entre as ações planejadas e as metodologias adotadas, a articulação entre os participantes e a observância aos prazos. Esta etapa consiste na concretização das atividades planejadas. E por fim, a terceira fase que se refere à elaboração, divulgação e análise do relatório final. Esta fase contempla também a realização de um balanço crítico do processo avaliativo e de seus resultados em termos da melhoria da qualidade da instituição (BRASIL, 2004b).

No roteiro de auto-avaliação institucional são sugeridos os assuntos para as instituições elaborarem suas propostas de auto-avaliação, as quais são organizadas em dez dimensões: a missão e o plano de desenvolvimento institucional; a política para o ensino, a pesquisa, a pós-graduação, a extensão; a responsabilidade social da instituição; a comunicação com a sociedade; as políticas de pessoal, as carreiras do corpo docente e do corpo técnico-administrativo; organização e gestão da instituição; Infra-estrutura física; planejamento e

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avaliação; políticas de atendimento aos estudantes; sustentabilidade financeira (BRASIL, 2004b).

Com o intuito de operacionalizar essas dimensões, foram criadas as orientações gerais para a auto-avaliação que estão organizadas em três núcleos centrais. Cada dimensão deve ser avaliada, levando em consideração o contexto dos núcleos. O primeiro núcleo é o núcleo básico e comum, que contempla os tópicos que devem integrar os processos de avaliação interna de todas as IES. O segundo núcleo é o núcleo de temas optativos, que contém tópicos que podem ou não ser escolhidos pelas Instituições para avaliação, de acordo com a realidade e adequados ao projeto de avaliação institucional. Eles devem ser entendidos como sugestões para as reflexões e discussões da comunidade acadêmica (corpo discente, docente e técnico administrativo). Neste núcleo, para auxiliar as IES na tarefa de ampliar a compreensão sobre a instituição, bem como emitir juízos de valor e estabelecer ações de melhoramento, são apresentados tópicos em forma de perguntas.

Já o terceiro e último núcleo é o de documentação, dados e indicadores. Neste núcleo são apresentados dados, indicadores e documentos, que podem contribuir para fundamentar e justificar as análises e interpretações. Assim, são listados dados, indicadores e documentos complementares, sendo esperado da instituição a seleção destas e/ ou de outras estratégias para a coleta das informações que se mostrarem adequadas para, em procedimentos quantitativos e qualitativos, a avaliação ser realizada com bases concretas (BRASIL, 2004b). 5. A avaliação externa das Instituições de Educação Superior (IES)

Os princípios que regem a avaliação proposta pelo SINAES, segundo as Diretrizes para a Avaliação das Instituições de Educação Superior (MEC/ CONAES, 2004:13) são: responsabilidade social com a qualidade da educação superior; reconhecimento à diversidade do sistema; respeito à identidade, à missão e à história das instituições; globalidade institucional, pela utilização de um conjunto significativo de indicadores considerados em sua relação orgânica; continuidade do processo avaliativo como instrumento de política educacional para cada instituição e para o sistema da educação superior em seu conjunto.

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Entre os objetivos da avaliação está o de conhecer as “fortalezas” e os problemas da instituição (SINAES, 2004 p.97), e se coloca a questão como conhecer as “fortalezas” e os problemas da instituição somente com visitas aos programas?

A Avaliação Externa constitui-se de bases de informações quantitativas e qualitativas. As bases quantitativas são constituídas por informações fornecidas pelas IES referentes às dimensões de infra-estrutura material e física, e seus recursos humanos (docentes, discentes e corpo técnico-administrativo). Também inclui os dados e informações coletadas pelo INEP através do Cadastro e o Censo da Educação Superior, assim como das avaliações anteriormente realizadas pelo MEC.

Índices de desempenho foram criados relativos a todas as dimensões de seu funcionamento, como missão e plano de desenvolvimento institucional; política para o ensino, a pesquisa, a pós-graduação, a extensão; a responsabilidade social da instituição, à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística e do patrimônio cultural; a comunicação com a sociedade; as políticas de pessoal, a organização e gestão da instituição, Infra-estrutura física, planejamento e avaliação, políticas de atendimento aos estudantes; sustentabilidade financeira.

Sendo que um indicador não é uma medida direta de qualidade. É uma chamada que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados dentro de uma organização que devem ser motivo de uma revisão.

Existem atributos necessários para a criação de indicadores: validade (grau no qual cumpre o propósito de identificação de situações na qual a qualidade deve ser melhorada); sensibilidade (grau no qual é capaz de identificar todos os casos nos quais existem problemas na atual qualidade); especificidade (grau no qual é capaz de identificar somente aqueles casos nos quais existem problemas na qualidade atual); a extensão na qual o indicador é identificável; simplicidade; objetividade e baixo custo (BITTAR, 2004).

Um bom sistema de indicadores é coerente com a visão e com a concepção que as organizações envolvidas têm sobre os objetivos centrais e as dimensões que um projeto deve considerar e resulta da negociação transparente e não impositiva dos diferentes interesses e

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expectativas; considera as particularidades do contexto e foi desenvolvido a partir de um bom conhecimento da realidade na qual se vai intervir.

Para AFONSO (1999), em vários contextos, os governos ou suas agências públicas de avaliação, esmiúçam resultados e indicadores que pretendem alcançar, os quais, em geral, não estão bem definidos ou não estão suficientemente claros para as instituições. Estes governos são caracterizados como “empreendedores” e costumam centrar as avaliações em resultados e

rankings, formulados com conceitos ou notas. Se, paralelamente, as instituições recebem

recompensas por sua avaliação, pelo sucesso em relação ao atingimento dos critérios de avaliação, elas podem se tornar “obsessivas” em relação ao seu desempenho.

Na proposta da Lei do SINAES vê-se claramente que a ênfase ocorre na avaliação das instituições e a avaliação de cursos é apenas um instrumento da avaliação que deve estar em consonância com o Projeto Pedagógico de Curso (PPC) com o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).

A consolidação dos relatórios de avaliação de cada universidade, em especial as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), ao expor suas dificuldades, também às torna vulneráveis, momento em que assumem o risco de ter seu quinhão do orçamento federal restringido, assim como seu perfil institucional redirigido, já que uma das sugestões do Banco Mundial é a competição das instituições pelos fundos federais (JOHNSTONE apud SIQUEIRA, 2006).

Segundo RISTOFF (apud Leite 2007), diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Ministério da Educação, a concepção global do SINAES envolve diferentes instrumentos e metodologias de avaliação que se diferenciam dos demais países, que é a integração. “Realizamos não só a avaliação de instituições e de cursos, mas também o exame nacional para os estudantes, além do sistema de informação, que é o censo da educação superior”. A integração da informação (como o curso da educação superior e os cadastros de instituições, cursos e docentes); integração dos diferentes Instrumentos de Avaliação; Integração dos momentos da avaliação; integração de espaços (como, por exemplo, todos os

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setores do MEC fazendo uso de instrumentos, indicadores e critérios produzidos a partir de uma mesma fonte).

Receios e preocupações colocam-se sobre o desafio do uso do Protocolo de Compromisso o qual marca o pacto das IES com MEC para assegurar que realizem mudanças apontadas pelas futuras avaliações. Espera-se que este pacto não seja impeditivo da auto-avaliação das IES ou que a auto-auto-avaliação não seja uma maquiagem de realidade, tendo em vista o medo das IES em serem punidas depois. Ou seja, os efeitos regulatórios que podem ser gerados pela avaliação, embora não caracterizem uma relação da avaliação voltada para o mercado, podem impedir que os objetivos inicialmente propostos sejam atingidos na medida em que muitas IES, que estão no mercado, não vão querer expor suas mazelas (LEITE, 2007).

6. O ENADE – a avaliação do desempenho do estudante

No Brasil, na segunda metade da década de 90, desenvolveu-se um processo gradual de implementação da avaliação do ensino superior com a Lei 9.131/95 que criou o Exame Nacional de Curso – o ENC. Essa avaliação atingiu todos os estudantes que estavam concluindo a graduação de determinada área de conhecimento e incluía, com a edição de outras leis, visitas externas às instituições.

A avaliação sofreu boicotes e críticas da parte da comunidade acadêmica e de especialistas em avaliação, mas foi sendo assimilada pelas IES. A globalização e a política-econômica neoliberal marcaram o ENC com a massificação e a diversificação do ensino, ao mesmo tempo em que possibilitava maior autonomia institucional. No contexto internacional, a partir da década de 80, são realizadas a auto-avaliação e a avaliação externa, que não foram maculadas pela obrigatoriedade, diferentemente do Brasil que foi aplicada de forma universal e obrigatória, e condicionada à emissão de diplomas. O sistema foi regulamentado pelo Decreto Nº 2.026/96. Ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais “Anísio Teixeira” – INEP – coube a avaliação das IES e o ENC; os cursos de Pós-graduação ficaram sob a responsabilidade da CAPES. O impacto desse sistema foi inexpressivo quanto ao controle das IES, tanto na divulgação dos resultados, bem como no descredenciamento

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aplicado somente em casos extremos. Nota-se que esses cursos não tinham sido aprovados, ficando a pergunta: como descredenciar o que não estava autorizado?

O novo governo, tendo como presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criou uma comissão que reformulou o sistema, criando, em 2003, o SINAES, com o Exame Nacional de Avaliação de Desempenho do Estudante – o ENADE; esse aprovado pela Lei 10.861/04, e especificado na Portaria 2051/2004, que substituiu o malfadado Provão.

O SINAES manteve características da abordagem avaliativa do governo anterior. Centrou foco na instituição e colocou o ENADE como uma das partes do sistema. Assegurou-se o respeito à diferença, à autonomia, à identidade, à missão pública e a responsabilidade das instituições de ensino superior. Ao ENADE se atribuiu o dever de fornecer indicadores de regulação e ser ferramenta de avaliação, “através do diagnóstico de competências e habilidades adquiridas ao longo de um ciclo de 3 anos de escolarização superior, cruzado com a visão de aluno sobre sua instituição e com seu conhecimento sobre aspectos mais gerais, não relacionados a conteúdos específicos” (Ensaio: aval. Pol. públic. Edu., 2006, p. 296).

7. Considerações Finais

O SINAES aponta para uma dimensão ética e política da avaliação, o que permite entender que, em se tratando do ENADE, o dever público se expressa no que se entende por uma avaliação que seja formativa – integrando a sociedade, a IES e os próprios destinatários do ensino, os alunos – e numa avaliação regulatória, comprometida com a qualidade, com a expansão do ensino, com a garantia de observância da diversidade das IES. A integração dessas duas naturezas da avaliação dá a medida adequada para que o ensino não se submeta aos ditames do mercado e nem se restrinja a uma mera normatização do poder público.

O SINAES é o resultado da cumulação e da metamorfose. Os três pilares que constituem o Sistema atualmente são derivados das experiências anteriores; cumulação dos mecanismos de avaliação foi realizada sem considerar que cada um deles é produto de valores e paradigmas divergentes: a visão formativa/emancipatória do PAIUB, fundada na

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participação e na autonomia institucional, a visão somativa da Avaliação das Condições de Ensino e o mecanismo de ranking do Provão (BARREYRO & ROTHEN, 2006).

É cabível pensar, então, não numa uniformização da educação superior, mas num modo de avaliar que permita certa sistematização do modo de se realizar esse ensino, o qual tenha a flexibilidade necessária para que a diversidade “de modo a respeitar a diversidade e as especificidades das diferentes organizações acadêmicas, devendo ser contemplada, no caso das universidades, de acordo com critérios estabelecidos em regulamento” § 1º, art. 3º, Lei 10.861/2004. Sabe-se que a fragilidade de regulação pública sobre o setor privado favorece a reivindicação desse setor à flexibilização irrestrita do sistema de ensino.

8. Referências bibliográficas

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Referências

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