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Academic year: 2021

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TÍTULO: CARACTERIZAÇÃO E PREVALÊNCIA DE BACTÉRIAS ISOLADAS DE ANIMAIS COM MASTITE BOVINA NA MICRORREGIÃO DE LEME, SÃO PAULO, BRASIL.

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: MEDICINA VETERINÁRIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO ANHANGÜERA INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): ANA PAULA SOUZA SILVA, LETHICIA SANTOS DE OLIVEIRA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): HEROS JOSÉ MÁXIMO ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): ISAC SILVEIRA BATISTA JUNIOR, JEAN FELIPE AMÂNCIO GONZALES RODRIGUES, JOSÉ RICARDO MATTOS VARZONE, LEANDRO SOUZA DO NASCIMENTO, SERGIO HENRIQUE ASSIS

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1.RESUMO

O leite é considerado um dos alimentos mais completos em termos nutricionais. A pecuária de leite brasileira é uma importante atividade, tanto do ponto de vista econômico, quanto social, tendo um papel relevante na geração de empregos e de renda para população. Um dos principais fatores que comprometem a qualidade e produtividade leiteira é a mastite. A mastite determina perdas elevadas por descarte do leite, gastos com medicamentos, perda funcional de glândulas e até por morte do animal. Neste sentido o objetivo desta pesquisa foi verificar a prevalência e a etiologia infecciosa da mastite bovina na microrregião de Leme, São Paulo, Brasil. Verificamos que o quarto mamário que mais apresentou bactérias Gram positivo foi o quarto mamário Posterior Direito (PD) com 38 bactérias isoladas, seguido dos quartos Anterior Esquerdo (AE) com 37 bactérias. Concluímos que o tipo de mastite predominante é por causas contagiosas com maior predomínio de Gram positivo, Staphylococcus aureus (32,91%).

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2.INTRODUÇÃO

O leite é considerado um dos alimentos mais completos em termos nutricionais, no entanto, também acaba sendo um excelente substrato para o desenvolvimento de possíveis microorganismos indesejáveis, inclusive patogênicos que podem veicular surtos de doenças (LEITE et al., 2003).

A pecuária de leite brasileira é uma importante atividade, tanto do ponto de vista econômico, quanto social, tendo um papel relevante na geração de empregos e de renda para população. O rebanho nacional de bovinos segundo Produção Pecuária Municipal (IBGE, 2015) é de 215,2 milhões de cabeças. A produção de leite no Brasil caiu 0,4% em relação ao ano de 2015 totalizando 9,1bilhões de litros de leite. Segundo Vilela (SEBRAE, 2004), o Brasil é um dos países mais competitivos do setor pecuário leiteiro mundial. No entanto, os ganhos de produtividade dos rebanhos devem ser acompanhados pela melhoria da qualidade do produto, atendendo às exigências dos padrões internacionais, além de oferecer ao mercado nacional um produto de melhor qualidade (OLIVEIRA, 2011).

Um dos principais fatores que comprometem a qualidade e produtividade leiteira é a mastite. A mastite determina perdas elevadas por descarte do leite, gastos com medicamentos, perda funcional de glândulas e até por morte do animal (FONSECA & SANTOS 2001).

A mastite, ou processo inflamatório da glândula mamária, caracteriza-se por acarretar queda na produção e alterações na composição do leite. Normalmente, resulta da ação de agentes infecciosos, podendo estar envolvidas diferentes espécies de vírus, fungos, micoplasmas e principalmente, bactérias. Epidemiologicamente, a mastite bovina divide-se em mastite contagiosa e ambiental. A mastite contagiosa é definida pela forma de transmissão de animal para animal, possui como reservatório o próprio animal e sua localização é intramamária. A mastite ambiental caracteriza-se pelo fato do reservatório do patógeno estar localizado no próprio ambiente das vacas leiteiras, sendo os patógenos primários mais frequentes bactérias gram-negativas como Escherichia coli, Klebsiella sp., Enterobacter sp., Pseudomonas sp. e Proteus sp. (MARGATHO et al., 1998). De acordo com a forma de manifestação da

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infecção, as mastites podem ser caracterizadas como clínicas ou subclínicas, sendo esta a forma mais prevalente da doença e a causadora da maioria das perdas econômicas, que variam de 5 a 25% da produção leiteira.

Os microrganismos que comumente causam mastite podem ser divididos em dois grupos, baseando-se na sua origem: patógenos contagiosos e patógenos ambientais. Os patógenos contagiosos são aqueles adaptados à sobrevivência no interior da glândula mamária. Em contraste, os patógenos ambientais são melhores descritos como invasores oportunistas do úbere, não adaptados a sobreviver no seu interior (WATTS, 1988).

Dentre os patógenos contagiosos mais importantes da mastite bovina estão Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Streptococcus

dysgalactiae. Já entre os patógenos ambientais, destacam-se a Escherichia coli

e o Streptococcus uberis (MENDONÇA et al., 1999).

Em vista disso, a transmissão dos patógenos da mastite e suas toxinas via leite e produtos lácteos refere-se a uma ameaça à saúde do consumidor. Além da sua relevância na saúde pública, fatores como perdas de produção leiteira, custos de tratamento dos casos clínicos, descarte e morte prematura dos bovinos, somados aos danos da indústria por atenuação na qualidade e rendimento na fabricação de derivados, são responsáveis pela consequência econômica das mastites.

Análises microbiológicas são complementares e fundamentais em um programa de controle desta enfermidade, por promover o isolamento e a identificação do seu agente etiológico.

3.OBJETIVOS

Verificar a prevalência e a etiologia infecciosa da mastite bovina na microrregião de Leme, São Paulo, Brasil.

4.METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO

Foram utilizadas neste estudo 24 vacas pertencentes ao rebanho de duas propriedades leiteiras, localizadas na microrregião de Leme, estado de São Paulo, Brasil. Nessa propriedade adota-se o sistema de ordenha manual e os

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rebanhos são compostos por vacas da raça girolando e em diferentes estágios de lactação. As vacas foram submetidas ao exame físico geral e da glândula mamária. Posteriormente, realizamos o teste da caneca de fundo preto para o diagnóstico dos casos de mastite clínica e o California Mastitis Test (CMT), para a detecção de mastites subclínicas. A interpretação desses testes foram realizadas de acordo com (SCHALM et al., 1971). As amostras de leite provenientes de quartos mamários foram coletadas e submetidas a provas microbiológicas. Para as análises microbiológicas, as amostras foram inoculadas em Agar sangue de carneiro a 5% e Agar MacConkey e incubadas por 24/48h em aerobiose à uma temperatura de ±37°C. As colônias puras isoladas foram semeadas em meios de cultivo contendo substratos específicos para isolar microrganismos particulares e submetidos a análises morfológicas, culturais e bioquímicas (KONEMAM et al., 2008).

5.RESULTADOS

Foram isolados 158 estirpes de bactérias das 94 amostras de leite de 24 vacas submetidas a análises microbiológicas. Encontramos 8 tipos de bactérias, sendo: 7 Bacillus spp (4,43%); 35 Streptococcus agalactiae (22,15%); 6 Streptococcus bovis (3,79%); 52 Staphylococcus aureus (32,91%); 20 Escherichia coli (12,65); 27 Corynebacterium bovis (17,08%); 1 Corynebacterium spp (0,63%); 2 Arcanobacterium spp (1,26%) e 8 bactérias não identificadas (5,06%).

Em relação ao Gram verificamos que a maioria das bactérias isoladas são Gram positivo num total de 137 (86,70%) e 21 (13,30%) são bactérias Gram negativo. O quarto mamário que mais apresentou bactérias Gram positivo foi o quarto mamário Posterior Direito (PD) com 38 bactérias isoladas, seguido dos quartos Anterior Esquerdo (AE) com 37 bactérias, 31 bactérias isoladas no Posterior Esquerdo (PE) e 31 bactérias isoladas no Anterior Direito (AD). Em relação ao grupo Gram negativo, o quartos mamários que mais apresentaram esse grupo de bactérias foram 7 bactérias no PD, 6 bactérias no PE, 6 bactérias no AD e 2 bactérias no AE, (Figura 1).

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Figura 1. O gráfico apresenta a quantidade dos grupos (Gram positivo em cinza escuro) e de bactérias isoladas dos quartos mamários AE, AD, PE e PD.

Em relação a quantidade e variedade de bactérias isoladas, verificamos que a bactéria predominante é Staphylococcus aureus 52 (32,91%), seguida de Streptococcus agalactiae 35 (22,15%) Corynebacterium bovis, 27 (17,08%) Escherichia coli 20 (12,65%), Bacillus spp 7 (4,43%), Streptococcus bovis 6 (3,79%), Arcanobacterium spp 2 (1,26%) e Corynebacterium spp 1 (0,63%), respectivamente (Figura 2).

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Figura 2. O gráfico apresenta a quantidade e variedade de bactérias isoladas.

As frequências absolutas e relativas de bactérias encontradas nos quartos mamários estão apresentadas na tabela 1.

Tabela 1 – Frequências relativas de grupos de bactérias isoladas e valores absolutos de bactérias isoladas encontrados nos quartos mamários

Quartos mamários Gram positivo Gram negativo Microrganismos Anterior direito 94,73% 5,27% 2 Bacillus spp; 10 Streptococcus agalactiae; 12 Staphylococcus aureus; 5

Escherichia coli; 5 Corynebacterium bovis; 2 não identificados. Anterior

esquerdo

84,21% 15,79% 4 Bacillus spp; 10 Streptococcus agalactiae ;1 Streptococcus bovis; 10 Staphylococcus aureus; 2 Escherichia

coli; 7 Corynebacterium bovis; 1 Corynebacterium spp; 1 Arcanobacterium spp; 2 não identificados. Posterior direito 84,21% 15,79% 1 Bacillus spp; 10 Streptococcus agalactiae; 1 Streptococcus bovis; 13 Staphylococcus aureus; 7 Escherichia

coli; 12 Corynebacterium bovis; 1 Arcanobacterium spp; 1 não

identificado. Posterior

esquerdo

84,78% 15,22% 5 Streptococcus agalactiae; 4 Streptococcus bovis; 17 Staphylococcus

aureus; 6 Escherichia coli; 3 Corynebacterium bovis; 3 não

identificados.

Foram realizadas analises microbiológicas de 158 amostras de leite provenientes de duas propriedades de produção leiteira onde 94,93% apresentaram resultado positivo. Este trabalho demonstrou valores superiores a RIBEIRO (2003), onde foram isolados 64,56% agentes bacterianos provenientes de 4.701 amostras de leite.

Segundo BARBALHO (2001), em seus resultados microbiológicos das 104 amostras de leite proveniente dos 43 animais estudados, demonstrou que

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as bactérias do gênero Staphylococcus spp, foram isoladas de 50 amostras, correspondente a 38,76% do total dos agentes isolados. Em nossos resultados encontramos valores aproximados 32,91% de isolados Staphylococcus aureus.

6.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há uma elevada predominância de mastite na microrregião de Leme, SP, o que pode refletir na qualidade dos produtos lácteos, e refletir em perdas econômicas nas indústrias de laticínios. O agente causador de mastite predominante indica origem contagiosa. Todas as propriedades visitadas apresentaram índices de animais com mastite, sendo essencial a aplicação de medidas higiênico-sanitários apropriado para o controle de infecções do úbere.

7.FONTES CONSULTADAS

BARBALHO, T.C.F.; MOTA, R. A. Isolamentos de agentes bacterianos

envolvidos em mastite subclínica bovina no Estado de Pernambuco. Rev. Bras. Saúde Prod. Na. 2(2), p. 31-36, 2001.

FONSECA, L. F. L.; SANTOS, M. V. Qualidade do leite e controle da mastite. São Paulo: Lemos, 2001. 175 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: <http://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia- de-noticias/releases/9802-ppm-rebanho-bovino-alcanca-a-marca-recorde-de-215-2-milhoes-de-cabecas-mas-producao-de-leite-cai-0-4.html>. Acesso em: 28 ago. 2017.

Konemam E.W, Allen S.D, Janda W.M, Procop G.W, Schreckenberger P.C, Woods G. L: Diagnóstico Microbiológico – Texto e Atlas Colorido. 6th edition. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008.

LEITE JR, A. F. S.; TORRANO, A. D. M.; GELLI, D. S. Qualidade microbiológica do leite tipo C pasteurizado, comercializado em João Pessoa, Paraíba. Revista Higiene Alimentar, São Paulo, v. 14, n. 74, p. 45-49, 2000.

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MARGATHO, L.F.F.; HIPOLITO, M.; KANETO, C.N. Métodos de prevenção, controle e tratamento da mastite bovina. Bol. Téc. Inst. Biol., São Paulo, n.9, p.5-35, 1938.

MARGATHO, L.F.F.; HIPOLITO, M.; KANETO, C.N. Métodos de prevenção, controle e tratamento da mastite bovina. Bol. Téc. Inst. Biol., São Paulo, n.9, p.5-35, 1938.

OLIVEIRA, A. A. Qualidade e segurança da produção de leite. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2011. 17 p.

RIBEIRO, Maria E. R. Relação Entre mastite clínica, subclínica infecciosa e não infecciosa em unidades de produção leiteiras na região sul do Rio Grande do Sul. CAST, v. 9, Nº3, p. 287-290, jul-set, 2003.

Schalm O.W. & Noorlander D.O. Experiments and observations lead- ing to development of California Mastitis Test. J. Am. Vet. Med. Assoc., l30:199-204, 1957.

SEBRAE. Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite em Aimorés – MG. 2004. WATTS, J. L. Etiological agents of bovine mastitis. Veterinary Microbiology, v. 16, p. 41-66, 1988.

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