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(1)

O Lazer e a recreação de pessoas com Deficiência Mental, na

percepção de profissionais de uma Unidade de Longa

Permanência.

Ione Sales

1

Orientador: Danilo Duarte Ramalho

RESUMO

: O presente artigo tem for finalidade conhecer melhor o universo do

lazer para os deficientes mentais e por isso foi escolhido uma Unidade de

Longa Permanência que é referência para esse público que é as Casas André

Luiz e assim, saber como são organizados os passeios, quais são os locais

visitados, suas preferências, e investigar se existem benefícios com a prática

do lazer e verificar se os conceitos de lazer dos Profissionais coincidem com os

teóricos. Para a realização desse trabalho, realizou-se pesquisa descritiva de

caráter exploratório, de natureza qualitativa com 11 profissionais de uma

Unidade de Longa Permanência. Esses profissionais trabalham há muitos anos

na Instituição e possuem vasta experiência no trato com as pessoas com

deficiência mental e as acompanham durante os momentos de entretenimento

e lazer.

PALAVRAS-CHAVE

: Lazer; Turismo; Deficiente Mental; Casas André Luiz.

ABSTRACT: The present article has will be purpose to know the universe of the

leisure for deficient the mental ones better, and was chosen a Unit of Long

Permanence for this public who is the Houses Andres Luiz to know how the

strolls arte organized, wich arte the visited places, its preferences, and to

investigate if benefits whit the pratical one of the leisure exist, and to verify if the

concepts of leisure of the professionais, coincide with the theoreticians

For the realize of this work descriptive research of explorers character, of

qualitative nature with 11 professionals of a long Permanence unit was become

fullfiled.

These professionals work of many years in this Institution and own vast

experience int the treatment with the people with mental deficiency, and they

follow them during the stroll and entertainment moments..

KEY-WORDS:

Leisure; Tourism; Deficient Mental; André Luiz’s House.

1

)graduada no curso de Tecnologia em Gestão de turismo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP. EMAIL: [email protected]

(2)

INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS

1

– 10% da população

em países em desenvolvimento são pessoas portadoras de algum tipo de

deficiência, sendo que a metade destes são pessoas com deficiência mental.

De acordo com CRUZ

1

87% dos acometidos têm limitações leves de

suas capacidades cognitivas e adaptativas e a maioria, ainda, pode chegar a

levar vida independente e perfeitamente integrada na sociedade.

Para Sassaki (2005, p.105) o surgimento do lazer para pessoas com

deficiência aconteceu mais ou menos entre as décadas de 1950 e 1960,

quando alguns hospitais e Centros de reabilitação física começaram a oferecer

programas de lazer e recreação para seus pacientes. Esses programas eram

coordenados por voluntários em conjunto com profissionais (enfermeiros,

assistentes sociais, terapeutas ocupacionais entre outros), em uma iniciativa

informal, intermitente, interna (dentro da instituição) e, principalmente, fechada

(somente para os seus pacientes).

Para Diniz (2007, p.11) esse campo de estudos ainda é pouco explorado

no Brasil não apenas porque a deficiência ainda não se libertou da autoridade

biomédica, mas, principalmente, porque a deficiência ainda é considerada uma

tragédia pessoal e não uma diferença que deva ser abordado como uma

questão de justiça social.

É necessário compreender o lazer como um fenômeno amplo, que tem

importante significado para o homem contemporâneo, e que as pessoas com

deficiência necessitam vivenciar momentos prazerosos com igual ou maior

intensidade do que os oferecidos pela sociedade a fim de desenvolver as

habilidades motoras, a auto-estima, a independência, e principalmente,

favorecer a inclusão social. (HUNGAR; SQUARCINI; PEREIRA, 2004, p.86).

1

Dados referentes no artigo: CRUZ, Luciana Riemer da.; BARRETO, Shirley de Jesus. A

importância do lazer na inclusão da pessoa portadora de deficiência mental na sociedade. São Paulo, 2003. Disponível em: <http://www.icpg.com.br/artigos/rev02-01.pdf.>.

(3)

Trabalhar com pessoas com deficiência mental pode parecer

“deprimente” para alguns e despertar sentimentos de pena em outros. No

entanto, quando se sonha com um mundo melhor para elas, o que permeia o

trabalho não são sentimentos de depressão ou pena, mas a certeza de que é

possível construir uma realidade digna. Um mundo melhor não apenas nos

sonhos, mas sim no dia-a-dia de cada um de nós. (BLASCOVI-ASSIS, 2001,

p.2).

Isto posto, é importante salientar que o presente artigo tem como

objetivo conhecer e descrever as atividades de lazer praticado pelas Casas

André Luiz (

2

) verificar quais são as dificuldades encontradas pelos

profissionais da instituição ao acompanhar as atividades de lazer e identificar

pontos que mostrem a necessidade de adequação dos atuais procedimentos e

sugerir ações para sua otimização, e assim contribuir para um melhor

entendimento do universo dos deficientes mentais buscando facilitar o acesso

dos mesmos ao lazer.

Para Blascovi-Assis (2001, p.16) há poucos trabalhos que relacionam

lazer e deficiência, pois, em geral, as preocupações ficam voltadas para

aspectos médicos e educacionais isoladamente, não considerando o lazer

como um meio para o desenvolvimento pessoal (ou ainda como necessidade

humana e direito do indivíduo).

Na Antiguidade clássica, bem como na Idade Média, já tinha surgido

alguma preocupação com as pessoas com deficiência, mas na verdade, foi

apenas nos tempos recentes que a questão passou a merecer efetiva atenção

do Estado e da sociedade. (GARCIA, 2006, p.15).

Esse mesmo autor informa que a Constituição Federal de 1988 foi marco

histórico para assegurar o direito à inclusão social do deficiente. A seguir em

seu art. 203, IV, relacionou entre os objetivos da assistência social, “a

habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua

integração à vida comunitária”. No seu art. 227, § 1º, ll, exigiu que o Estado

(2) É uma instituição religiosa, sem finalidades lucrativas e que há mais de 60 anos cuida de pessoas com deficiência mental. (MARSILI). No que se refere à entidade Casas André Luiz, será amplamente desenvolvida, neste trabalho, nas páginas 9 e 10.

(4)

mantivesse programas especiais de assistência, notadamente “programas de

prevenção e atendimento especializado para as pessoas com deficiência física,

sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente com

deficiência, mediante treinamento, e a facilitação do acesso aos bens e

serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos

arquitetônicos”.

Em seguida Garcia (2006, p.21-22)

enumera alguns dos principais

direitos da pessoa com deficiência, em destaque:

Direito à acessibilidade.

A acessibilidade é uma das principais bases de inclusão social das

pessoas com deficiência, compreendendo a retirada de barreiras e obstáculos

em vias e espaços privados ou públicos e nos meios de transportes, única

maneira de dar eficácia aos comandos constitucionais. Com efeito, sem o

respeito a essa garantia, não se pode falar em direito de ir e vir, nem aos

menos seria possível falar em direitos das pessoas com deficiência.

Direito ao esporte, turismo e lazer.

Todas as pessoas com deficiência devem ter o direito à prática

desportiva e à recreação. Estas são condições que dizem respeito à qualidade

de vida, sendo direito de todos. Naturalmente, deve-se atender às diferenças

e peculiaridades das pessoas, para que essas atividades sejam

desenvolvidas.

1. METODOLOGIA

Realizou-se pesquisa descritiva, de caráter exploratório, de natureza

qualitativa com os colaboradores que acompanham os assistidos durante as

atividades de recreação e lazer. Os dados da pesquisa foram coletados na

própria instituição através de entrevistas gravadas em formato MP3, com

roteiro pré-estruturado e com duração média de trinta minutos.

A análise proposta das entrevistas foi por interpretação simples e direta

das declarações dos entrevistados.

Buscou-se conhecer o universo dos deficientes mentais da Unidade de

Longa Permanência sob a percepção dos colaboradores da instituição em

(5)

questão e obter dados que favoreçam a adequação constante do acesso dos

mesmos ao lazer.

O número proposto de sujeitos que fizeram parte da amostragem foi de

onze funcionários, que fazem parte do grupo de profissionais que acompanham

os pacientes nas atividades de lazer e recreação

.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Recreação e lazer

Recreação vem do verbo latino recreare, que significa recrear, renovar,

reproduzir, A recreação é a atividade física que a pessoa faz compelida por

necessidades físicas, sociais e psicológicas que lhe dá prazer, e é escolhida

livremente sem esperar retorno, sem cobranças. (TRAVESSIN, 2007, p.17).

Segundo Weaver; Canning (1993, apud TRAVESSIN, 2007, p.25)

participar de atividades recreativas traz inúmeras vantagens, entre as quais

estão: senso de realização, consciência corporal, desafios físicos e mentais,

melhoria da auto-estima, participação na comunidade, oportunidade de

competir, expressão criativa, chance de fazer amizades, passatempo,

exercícios, sensação de pertencer a um grupo, oportunidade de encontrar

novos talentos, melhoria nas atividades esportivas, desenvolvimento do tônus

muscular e coordenação, meio de extravasar as emoções, relaxamento,

desenvolvimento de atividades sociais, e o mais importante: diversão.

A palavra lazer apareceu, etimologicamente, do termo latino licet, cujo

significado é o que é permitido, licença, porém foi substituída na língua

francesa, do século XIII, por loisir originária do latim licere, que tem a idéia de

“ser lícito, ser permitido, poder-se fazer”. Essa expressão, na linguagem de

senso comum, caracteriza-se como um tempo para fazer qualquer coisa de que

se goste. (DEFENDI, 2003, p.3)

Gaelzer (1979, p.54 apud DEFENDI, 2003, p.5) define o lazer como: “a

harmonia individual entre a atitude, o desenvolvimento integral e a

disponibilidade de si mesmo. É um estado mental ativo associado a uma

situação de liberdade, de habilidade e de prazer”.

(6)

De acordo com Defendi (2003, p.4), o tempo de lazer torna-se um tempo

de aprendizado, aquisição e integração de conhecimentos, modelos e valores

da cultura, assim, consequentemente, afasta os maus pensamentos que

ocupam a mente humana quando não está se realizando nenhuma atividade.

Para Marcellino (1995, p.19) ainda não existe um consenso sobre o que

seja o lazer entre os estudiosos do assunto, ou entre os técnicos que atuam

nessa área, e muito menos no nível da população em geral.

Segundo a definição do sociólogo Francês Joffre Dumazedier (1973,

p.34), o lazer é:

.[...]o conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Outra definição bastante próxima, segundo Marcellino(1995, p.25) é a do

sociólogo Renato Requixa, que entende o lazer [...] como uma ocupação não

obrigatória, de livre escolha do indivíduo que a vive, e cujos valores propiciam

condições de recuperação psicossomática e de desenvolvimento pessoal e

social.

Marcellino (1995, p.25) esclarece que a tendência dominante entre os

especialistas é no sentido de considerar a variável tempo e atitude na

conceituação do lazer, quase sempre enfatizando a qualidade das atividades

desenvolvidas. Ao definirem lazer, Dumazedier e Requixa colocam, ao mesmo

tempo, o que entendem por suas funções: o descanso, tanto físico quanto

mental; o divertimento, como superação da monotonia cotidiana verificada nas

tarefas obrigatórias; e o desenvolvimento da personalidade e da sociabilidade,

sendo essa definição adotada por esta pesquisa.

A questão do lazer envolvendo pessoas com deficiência tem sido tratada

frequentemente em conjunto com os seguintes temas, considerados afins:

recreação, turismo, esportes, atividades físicas, educação física, cultura e

artes. (SASSAKI, 2003, p.15).

Tanto o lazer quanto o turismo, são elementos inerente à natureza

humana, podendo ser encontrados em todas as culturas ao longo da história do

(7)

homem; porém, nunca atingiram tal grau de relevância como em nossa época.

(DEFENDI, 2003, p.6).

A esse respeito, Marcellino (1996, apud DEFENDI, 2003, p.6) diz que o

contato com as atividades turísticas é oportunidade para a satisfação de todas

as aspirações ligadas ao lazer. É a quebra da rotina, tendo como alternativas, o

cinema, o teatro, o passeio pelo shopping Center.

2.2 Deficiência mental

De acordo com a classificação Internacional de Deficiências,

Incapacidades e Desvantagens (CIDID-, 1989, apud MENDES; DE PAULA,

2007, p.3) a deficiência pode acarretar em incapacidade ou desvantagem,

sendo que as três análises devem ser feitas conjuntamente.

Para as autoras (apud OMS, 1989:15) a deficiência é toda perda ou

anormalidade de uma estrutura ou função psicológica ou anatômica, a

incapacidade como toda restrição ou falta

– devido a uma deficiência – da

capacidade de realizar uma atividade na forma ou na medida em que se

considera normal a um ser humano; e a desvantagem como uma situação

prejudicial para determinado indivíduo, em consequência de uma deficiência ou

uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de um papel que é

normal em seu caso (em função, da idade, sexo e fatores sociais e culturais).

Para a Associação Americana de Deficiência Intelectual e do

Desenvolvimento (AAIDD, apud GABRILLI, p.39), a deficiência mental refere-se

ao funcionamento mental significativamente abaixo da média, oriundo do

período de desenvolvimento, concomitante com limitações associadas a duas

ou mais área da conduta adaptativa, ou da sociedade, nos seguintes aspectos:

comunicação, cuidados especiais, habilidades sociais, desempenho na família

e comodidade, independência na locomoção, saúde e segurança, desempenho

escolar e principalmente lazer e trabalho.

Esta fundamentação teórica baseou explicitar os conceitos sobre

recreação, lazer, deficiência mental e propriedades do lazer, pois estes são

essenciais ao entendimento da proposta deste trabalho.

(8)

Vejamos agora, como esses conceitos fundamentam o olhar diagnóstico

sobre a entidade e público adotados como objeto de estudo deste trabalho de

conclusão de curso (TCC).

3. CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO

3.1 Identificação da deficiência mental

Existem vários tipos de classificação de pacientes com deficiência

mental. A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002, apud CRUZ e

BARRETO, 2003, p.3) diagnostica a deficiência mental em indivíduos com QIs

entre 70 e 75, porém que exibam déficits significativos no comportamento

adaptativo. Cautelosamente a OMS recomenda que a deficiência mental não

deve ser diagnosticado em um indivíduo com QI inferior a 70, se não existirem

déficits ou prejuízos significativos no funcionamento adaptativo.

A classificação da OMS está baseada na gravidade da deficiência

baseado na teoria Piagetiana(

3

) sobre o desenvolvimento cognitivo. Esta

classificação também é adotada pelas Casas André Luiz, que é a seguinte:

Profundo: São pessoas com uma incapacidade total de autonomia. Os

que têm um coeficiente intelectual inferior a 10, inclusive aquelas que

vivem num nível vegetativo.

Agudo grave: Fundamentalmente necessitam que se trabalhe para

instaurar alguns hábitos de autonomia, já que há probabilidade de

adquiri-los. Sua capacidade de comunicação é muito primária. Podem

(3) Piaget (Jean) – Psicólogo, pedagogo e filósofo Suíço. Embora formado em biologia, seu interesse pela lógica e pela epistemologia genética conduziu-o a pesquisas no campo da psicologia infantil e da educação. Através de uma psicologia do desenvolvimento da inteligência, Piaget estabeleceu uma teoria sobre as quatro fases através das quais o indivíduo – desde o nascimento até a idade adulta – adquire aptidões para o raciocínio lógico. O essencial nessa teoria consiste em que o pensamento não é resultado automático de reflexões ou da intuição, mas sim uma operação flexível, que se desenvolve através de tentativa e erro. (GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL, 1998).

(9)

aprender de uma forma linear, são crianças que necessitam revisões

constantes.

Moderado: O máximo que podem alcançar é o ponto de assumir um

nível pré-operatório. São pessoas que podem ser capazes de adquirir

hábitos de autonomia e, inclusive, podem realizar certas atitudes bem

elaboradas. Quando adultos podem frequentar lugares ocupacionais,

mesmo que sempre estejam necessitando de supervisão.

Leve: São casos perfeitamente educáveis. Podem chegar a realizar

tarefas mais complexas com supervisão.

3.2 A entidade Casas André Luiz

Foto: Fachada das Casas André Luiz

Fonte: A autora.

O Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz é uma instituição de

caráter religioso, filantrópico e sem finalidade lucrativa, que surgiu segundo a

instituição através de reuniões doutrinárias do grupo familiar de João

Castardelli,

João Castardelli viveu somente vinte e três anos, mas o seu ideal de

realizar uma obra social não cessou. Coube a Paulo Castardelli - irmão mais

novo de João – materializar todo o projeto idealizado por seu irmão, fundando

oficialmente, em 28 de Janeiro de 1949, o atual Centro Espírita Nosso Lar

Casas André Luiz, sendo ele seu primeiro presidente.

(10)

Em 5 de Agosto de 1953 foi criado o Departamento de Assistência

Social que passou a atender as necessidades materiais de pessoas carentes.

Passando-se a angariar alimentos, roupas e outros artigos.

No dia 28 de Agosto de 1955, celebrou-se o lançamento da pedra

fundamental da então chamada Casa da Criança André Luiz para crianças

portadoras se deficiência mental, com recursos advindos de contribuições do

povo paulista.

Segundo Osmar Marsili (que é o Diretor Superintendente da instituição)

os pedidos de internações foram tantos que eles tiveram que construir quatro

unidades: a unidade 1, em 1962, a unidade 2, em 1964: a unidade 3, em 1968:

e a unidade 4, em 1973. Ao todo, com cozinha, lavanderia, serviços de apoio

pessoal, garagem, oficina, manutenção, farmácia, área para shows,

play-grounds, piscina e quadra de esporte formando um complexo de 35 mil metros

quadrados de área construída.

Hoje, as Casas André Luiz atendem gratuitamente cerca de 1.400

pacientes com deficiência mental, sendo 610 internados permanentemente e

790 pessoas recebem tratamento ambulatorial.

Segundo a entidade, o trabalho assistencial é mantido através de verba

do Governo do Estado de São Paulo, que cobre parte das despesas, porém a

maior parte do custo é bancada por doações do público em geral.

Para fins didáticos procurou-se nomear neste trabalho a instituição

Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, apenas como Casas André Luiz.

4. ANÁLISES DE DADOS

4.1 Dados oferecidos pelas Casas André Luiz

56,56% dos atendidos são do sexo masculino e 43,44% feminino.

40,49% dos deficientes têm idade entre 26 e 35 anos.

39,34% dos pacientes têm deficiência mental grave e 43,61% profunda,

sendo que esse dois grupos totalizam 82,95% dos atendidos.

49,67% dos assistidos se locomovem (deambulam) enquanto 50,33%

não conseguem se deslocar (não deambulam).

(11)

Os dados foram fornecidos pela instituição através do site oficial e embora

não façam parte da metodologia de estudo, são fundamentais para elucidar o

universo pesquisado. Os gráficos deste perfil encontram-se em Anexo 2.

4.2 Análise dos resultados das entrevistas

As entrevistas estão em anexo 1 e os resultados foram organizados e

analisados buscando responder às questões que se encontram no roteiro de

entrevista em Apêndice 1.

4.2.1 Breve perfil dos colaboradores

Foram entrevistados 11 funcionários da instituição, sendo dois da área

da Educação Física, uma Pedagoga, uma Assistente Social, um Fisioterapeuta,

três Psicólogas, um Terapeuta Ocupacional e duas Fonoaudiólogas.

A análise dos resultados das entrevistas demonstrou que:

Dois terços da amostra são mulheres (72,72%), sendo do sexo

masculino 27,28%.

A média de idade dos entrevistados é de 40 anos.

67% dos entrevistados possuem pós-graduação e 33% tem nível

superior completo.

O tempo médio trabalhado na instituição é de nove anos.

4.2.2 A elaboração dos passeios

De acordo com os profissionais entrevistados, são realizados em média

3 a 4 passeios por mês e para a elaboração das atividades da instituição, todos

os meses são realizadas atividades com os profissionais do DAÍ (Departamento

de Atividades Interdisciplinares). Este departamento é composto por

especialistas de formações diversas que definem os passeios de cada Unidade

da casa, sendo avaliados três aspectos para critério e seleção de grupos, são:

(12)

o cognitivo (parte da inteligência), o motor (se é andante ou cadeirante) e

comportamental (que avalia o grau de agressividade e de auto-agressão). A

partir daí são definidos os locais a partir de sugestão dos pacientes ou da

equipe do DAÍ.

Definido os grupos e os locais esta equipe faz o agendamento e

gerenciamento do passeio, desde as questões de logística de transporte ao

acompanhamento e dos cuidados médicos.

4.2.3 Os principais locais visitados são:

Parques e áreas verdes: Hopi-hari, Play-Center, Aquário de São Paulo,

Parque do Piqueri, parques de Mairiporã, Zoológico de São Paulo, Horto

Florestal de SãoPaulo, Bosque Maia, Ibirapuera, Núcleo Engordador,

Zoológico de Guarulhos, Holambra, Lago dos Patos e o Pico do

Jaraguá.

Estádios de futebol: Estádio do Morumbi e do Pacaembu.

Museus: Museu do Ipiranga e Museu do futebol.

Centros culturais e arquitetônicos: Pinacoteca, Bienal do Livro em

Guarulhos, Feira de Ortopedia, Catedral da Sé, prédio do Banespa,

Terraço Itália, Mercado Municipal, Igrejas em geral, Faculdade Anália

Franco, teatro e cinema.

Locais para refeições: Pizzaria, churrascaria, lanchonete tipo Mc

Donald’s, Frans Café, feiras livres.

Visita a parente e amigos: Casa de familiares, festas de aniversário,

visita a colaboradores, baile de formatura, colação de grau.

Outros locais: Shoppings, competições esportivas, apresentações de

dança, praia, Aeroporto, passear de metrô, Planetário, Sesc Bertioga

circo e clubes.

Observou-se que os locais visitados não diferem daqueles visitados

pelas pessoas não deficientes, e com uma oferta de localidades relativamente

variada.

(13)

4.2.4 As principais dificuldades encontradas durante a prática do lazer

Para os entrevistados ainda faltam locais adaptados para os deficientes

com rampas de acesso, espaço para circulação, calçadas rebaixadas e

banheiros adaptados.

Além disso, existe a limitação do próprio paciente, o que vem a

corroborar com os dados já citados nos quais 39,34% dos seus pacientes têm

deficiência mental grave e 43,61% profunda; e 50,33% dos atendidos não se

locomovem (não deambulam).

De acordo com os entrevistados, dependendo da deficiência dos

pacientes, os profissionais já sabem o que podem oferecer e vão adequando

as atividades ao que o deficiente consegue fazer.

Os profissionais atestaram que durante a prática do lazer os pacientes

puderam participar junto com as pessoas em geral não havendo segregação.

Para Sassaki (2003, p.20) estão na sociedade os obstáculos que

impedem a participação ativa das pessoas com deficiência nos vários sistemas

sociais gerais. Cabe então à sociedade eliminar esses obstáculos para que

essas pessoas “possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens

necessários ao seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e

profissional”.

O mesmo autor acredita que o lazer e o turismo devem propiciar à

participação conjunta de todas as pessoas e acolhedores. Para isso devem ser

eliminadas todas as barreiras.

Sendo assim os locais citados que atendem o lazer ainda carecem de

estrutura para satisfação adequada das necessidades desse público.

4.2.5 Momento marcante-emocionante

Existem vários momentos marcantes, mas o que mais surpreende os

profissionais é a própria emoção dos pacientes, que demonstram alegria de

estar fora da instituição e de manter

contato com a sociedade. De acordo com

os profissionais a receptividade das pessoas sem deficiência é boa, elas vêm

conversar como os médicos e com os pacientes e procuram ajudar.

(14)

4.2.6 Lazer preferido pelos deficientes

Dentro das atividades que eles realizaram o destaque são as compras,

justamente porque eles desenvolvem e exercitam a sua autonomia. Embora e

sempre que se refere a qualquer atividade externa, os deficientes estão sempre

dispostos a ir.

4.2.7 Atividade que os deficientes não gostam de realizar

Geralmente os pacientes não gostam de atividades curtas, rápidas,

repetitivas e cansativas. Principalmente no que se refere aos pacientes com

cognitivos de grau mais profundo, uma vez que eles ficam agitados com tais

atividades.

4.2.8 Dificuldades encontradas pelas Casas André Luiz

Por se tratar de uma instituição Filantrópica, sem fins lucrativos a

entidade tem dificuldades financeiras; atualmente a Entidade possui apenas

uma Van adaptada com capacidade para quatro cadeirantes sendo

necessários desenvolver várias atividades em vários dias com poucos

pacientes e também depende da disponibilidade de horário dos profissionais e

de recursos para o pagamento das despesas dos passeios.

4.2.9 Benefícios do lazer

Pela avaliação dos profissionais participantes, observou-se que assim

como na definição de Weaver; Canning (1993, apud TRAVESSIN, 2007, p.25)

a prática da recreação e [do lazer] proporcionam muitos benefícios aos

pacientes que ficam mais afetivos, com mais expressividades, tendo mais

autonomia, eleva a auto-estima, a sensação de prazer, melhora a aceitação da

terapia, trocam experiências, ficam mais sociáveis, mais educados, respeitam

(15)

as regras, limites, obedecem, são solidários uns com os outros, tem mais

satisfação de estar conhecendo locais novos e tendo melhor qualidade de vida.

O que mais chamou a atenção dos entrevistados é a mudança no

comportamento dos pacientes que durante as atividades de lazer. Eles ficam

mais independentes, alegres, e com comportamento mais adequado

evidenciando mais tranqüilidade e felicidade.

Além disso, os profissionais observaram que a aceitação das pessoas

sem deficiência é tranquila. Elas se aproximam, conversam com os deficientes

é perguntam se podem ajudar

.

Segundo Sassaki (2003, p.14) é ponto pacífico o direito das pessoas

com deficiência as oportunidades de lazer, esporte e turismo como parte do

seu desenvolvimento ou bem-estar integral. Porém, não mais separadamente

da população geral. Priorizam-se hoje as atividades que juntem pessoas com

deficiência e pessoas sem deficiência no mesmo espaço de lazer e turismo.

Segundo os cuidadores o contato dos deficientes com a sociedade é

muito importante para melhorar a qualidade de vida e também para avaliar o

aprendizado e a evolução do paciente.

4.2.10 Conceituação do lazer

Os entrevistados entendem o lazer como tudo aquilo que deixa uma

pessoa descontraída, feliz, alegre, sendo uma atividade em que a pessoa se

sente livre para fazer ou não fazer ou apenas num momento de contemplação,

sem esperar resultado, esse conceito se aproxima da definição de Marcellino

(1995, p.25) que considera a variável tempo e atitude na conceituação do lazer.

(16)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse artigo pretende contribuir para um melhor entendimento das

necessidades das pessoas com deficiência durante as práticas de lazer, pois

existem poucas literaturas que abordam esse assunto e acreditamos que é a

partir da compreensão das diferenças que será possível viver numa sociedade

mais justa e humana.

Nota-se que as atividades de lazer praticadas pelo Deficiente Mental não

diferem das atividades praticadas por pessoas sem deficiência. Não há como

distinguir as atividades.

Ficou claro, que o lazer proporciona muitos benefícios a essa população

que vive Institucionalizada e que através da interação é possível a troca de

experiências de maneira alegre, afetuosa, carinhosa, desenvolvendo o

aprendizado, a cidadania, a autonomia e melhorando a qualidade de vida dos

deficientes.

Observou-se que ainda existem algumas dificuldades em proporcionar

momentos de lazer aos deficientes, mas fica evidente a necessidade da

retirada de todos os obstáculos, fundamentalmente a física já que não há

impedimento a não ser a falta conhecimento das pessoas para que todas as

pessoas com deficiências sejam incluídas na prática do lazer.

É preciso que os profissionais do turismo e lazer promovam mais e

melhores ofertas e serviços aos deficientes, pois como pudemos constatar

pelas informações obtidas, mesmo as pessoas com deficiência grave e severa

gostam e sabem brincar, se divertir, passear, fazer compras e estão sempre

dispostas a participar dos passeios e preferem locais e atividades variadas.

Com relação à questão da adaptação para a mobilidade posta pelos

profissionais entrevistados não está de acordo com os teóricos, a adaptação

deve vir dos locais e equipamentos do lazer e não o contrário. O deficiente se

adequando à atividade.

Espera-se que este olhar traga reflexões e auferições para novos

trabalhos.

(17)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BLASCOVI-ASSIS, Silvana Maria. Lazer e deficiência mental. 2. ed. Campinas: Papirus, 2001. CRUZ, Luciana Riemer da.; BARRETO, Shirley de Jesus. A importância do lazer na inclusão da

pessoa portadora de deficiência mental na sociedade. São Paulo, 2003. Disponível em:

<http://www.icpg.com.br/artigos/rev02-01.pdf.>. Acesso em: 04 mai. 2010. DEFENDI, Vani. Lazer e Turismo na Terceira idade. São Paulo, 2003. 69 p. DINIZ, Débora. O que é deficiência. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2007. DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspectiva, 1973.

GABRILLI, Mara. Manual de convivência: pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.

GARCIA, Frederico Antônio. Deficiência com eficiência: dos direitos da pessoa portadora de deficiência. São Paulo: Real Produções Gráficas, 2006.

GRANDE enciclopédia Larousse Cultural São Paulo: Nova Cultural, 1995.

HUNGER, Dagmar.; SQUARCINI, Camila Fabiana Rossi.; PEREIRA, Juliana Martins. A

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TRAVESSIM, Renata Lippert Amaral. Lazer e recreação para portadores de Síndrome de

(18)

APÊNDICE 01

ROTEIRO DE ENTREVISTA.

4.2.1 Breve perfil dos colaboradores.

1- Qual a sua idade?

2- Há quanto tempo você trabalha nas Casas André Luiz?

3-Até que ano da escola você estudou?

4.2.2 Elaboração dos passeios.

4- Qual é a sua participação na elaboração ou no acompanhamento dos

internos nas atividades de lazer proporcionadas pelas Casas André Luiz?

5- Em média quantos passeios são realizados pela instituição?

6- Quais critérios são utilizados para definir qual paciente vai realizar

determinado tipo de passeio?

4.2.3 Os principais locais visitados.

7- Quais foram os locais visitados?

4.2.4 As principais dificuldades encontradas durante a prática do lazer.

8- Houve algum fato que causou dificuldades? (Se sim) Qual foi a solução

sugerida?

9- Em sua opinião o que está faltando para poder incluir todas as pessoas com

deficiência mental na prática do lazer?

4.2.5 Momento marcante-emocionante

10- Teve algum momento marcante/emocionante durante esses passeios?

4.2.6 Lazer preferido pelos deficientes.

11- Quais foram às atividades que eles demonstraram que mais gostaram?

4.2.7 Atividade que os deficientes não gostam de realizar.

12- Quais foram às atividades que você observou que eles não gostaram?

4.2.8 Dificuldades encontradas pelas Casas André Luiz.

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13- Quais são em sua opinião, as maiores dificuldades encontradas pelas

Casas André Luiz para proporcionar momentos de lazer aos pacientes com

deficiência mental?

4.2.9 Benefícios proporcionados pelo lazer.

14- Você achou que o lazer proporcionou algum benefício aos participantes?

(Explique).

4.2.10 Conceituação do lazer.

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ANEXO 01 - ENTREVISTAS

1- Qual a sua idade?

R: A média de idade dos funcionários é de 40 anos.

2- Há quanto tempo você trabalha nas Casas André Luiz? R: O tempo médio trabalhado é de 9 anos.

3- Até que ano da escola você estudou?

R: 67% dos colaboradores possuem pós-graduação e 33% tem nível superior completo.

4- Qual é a sua participação na elaboração ou no acompanhamento dos internos nas atividades de lazer proporcionadas pelas Casas André Luiz?

R: A gente faz a listagem, seleciona os pacientes de acordo com as necessidades e com cognitivo que eles têm para selecionar atividade e os locais a serem visitados. Após a listagem a gente faz o acompanhamento durante a atividade e no retorno é trabalhado em terapia.

R: É um trabalho de equipe que envolve fisioterapia, TO, toda a equipe se reúne para fazer a avaliação para ver o tipo de comida que come, tem que analisar o local visitado, (se é shopping ou parque); o tipo de atividade que vai fazer se é parque se é shopping, exposição, tudo isso é analisado pela equipe, aí a gente vai selecionar o paciente que se encaixa nesse tipo de atividade. A equipe elabora um calendário anual e além de outras atividades como: Bienal do livro, cinema, Hopi-Hari, Play-Center, que seriam passeios extras.No passeio para a praia eu vou selecionar os pacientes que tem condição motora melhor para poderem fazer os exercícios.

R: Eu elaboro coreografia, os levo para sair nas Instituições, em empresas que convidam a Cia de dança que tem 11 assistidos sendo que são 3 andantes e restante são cadeirantes, todo evento que tem o grupo se apresenta.

R: A psicologia faz uma lista de paciente, a gente observa o tipo de passeio, as condições do passeio, outra coisa que a gente observa é o comportamento deles, se estão tranqüilo, calmos ou agitados e se estão em condição de ir e voltar sem nenhuma decorrência. É observada a estrutura do passeio e as condições do paciente, se eles estão em condição de estar em contato com a sociedade.

R: Acompanhamento terapêutico. Faço acompanhamento diário do comportamento dos pacientes, da rotina deles, enfim parte comportamental.

R: A gente se reúne com os técnicos, pagens, cuidadores e então a gente seleciona a localização do passeio e vê se o paciente está em condição respiratória para ir no passeio.

R: Acompanha o agendamento das atividades,( local, horário, data, grupos que se formaram para cada atividade de lazer), tudo isso a gente faz junto com a equipe, cada unidade tem uma equipe composta por todas as especialidades, essa equipe

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senta todos os meses e discuti questões referentes a unidade e em algumas datas a gente prepara os locais e os grupos que farão as atividades que nós chamamos de atividades externas, esses locais são escolhidos a partir da solicitação do próprio paciente ou por indicação da gente mesmo.

R: A gente organiza as saída, vê o local, define quais pacientes que vão, verifica o que o local oferece, se o local é acessível ou não, alimentação e que cada um pode comer, tudo fica baseado no local que é e de quem pode se beneficiar dessa atividade.

R: Aqui todos os profissionais do DAÍ que é o Departamento de Atividades interdisciplinares, todos nós estamos envolvidos, cada passeio tem um responsável e dentro desse cronograma sou eu que sou responsável em levar os assistidos até o local.

R: Desde a roupa com que está vestida, se está calor e vejo que não está adequada, eu mando tirar, a gente providência com hotelaria uma roupa mais leve, desde a roupa, alimentação, medicação se a enfermagem pegou a medicação, se sai com medicação certa, se o transporte está em ordem, tranqüilo, vê a cadeira que vai usar. Até o lazer em si como o transporte, a segurança dentro do transporte, procura fazer caminhos alternativos para evitar trânsito, para não perder muito tempo nisso até o lugar onde eles vão fazer o passeio, que lugar é esse, para quem vai servir? Qual o nosso risco em levar até o Planetário, Sesc, Praia para que? Porque vão certos pacientes e outros não? Qual a diferença entre ir um cadeirante e não ir um cadeirante?

A gente faz a lista, faz reunião de equipe, vê quantas vezes aquele paciente saiu, se é para ir novamente se ele gostou, se ele se deu bem. Tem paciente que não gosta de sair, fica muito tempo internalizado para ele é um sofrimento, ele acha que vai acontecer alguma coisa, é um desconhecido, não quer nem sair do carro, então tem que fazer um percurso aqui dentro para acostumar esse paciente com as rodas do automóvel, barulho, trânsito, para depois ir num lugar com muita gente, para não ficar agitado, e não aproveitar e nem deixar que os outros aproveitem.

5- Quantos passeios são realizados por mês? R: De 3 a 4 passeios por mês.

6- Quais são os critérios utilizados para definir qual paciente vai realizar determinado tipo de atividade?

R: O critério são aspectos cognitivos, comportamental e motor.

R: Se for um lugar que não tem acessibilidade, não dá para levar cadeirante.

R: Cognitivo e comportamental, a gente tem paciente que se bate, é agressivo, ai a gente tem que tomar muito cuidado com o lugar que a gente leva.

R: Cognitivo é a parte da inteligência, a gente não vai levar um paciente que não tem entendimento a uma peça de teatro para ir ao cinema.

R: Comportamental – É a questão de agressividade, de auto-agressão, a gente tem alguns pacientes que tem um distúrbio alimentar, são pacientes que comem tudo quilo que não é comestível, é suicídio você lavar num lugar muito amplo, que tenha muita

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coisa, muita planta, lixo porque eles comem e você tem que tomar muito cuidado com esse tipo de característica.

R: Toda atividade tem uma pré-seleção de quais pacientes vão fazer essas saídas. Depende da atividade que vai ter no dia, dependendo do cognitivo você vai selecionar o grupo para ir. Numa Bienal eu vou ter que levar os pacientes que entendem de leitura, vou ao circo tem que levar um grupo que vai interagir com a atividade que vai apresentar lá.

R: Na cia. de dança sempre vão todos.

R: Passeio é num parque? Tem acesso? Tem acesso para cadeirante? Se não, só vai andante.

R: Primeira coisa é a condição de saúde, condição clínica do paciente e psicológica, se ele está bem, outra coisa que a gente costuma avaliar também um a criança, se está agitada, bateu no colega, está nervoso, não quer fazer as atividade, não está se comportando aqui no contexto social, institucional, também é uma avaliação que a gente pesa, a gente leva em consideração. O aspecto psicológico se está cumprindo seu dever a gente leva para passear

R: Comportamento e saúde.

R: O paciente quando vai para atividade externa passa por avaliação médica, avaliação do profissional que participa da enfermagem, fono, às vezes pelo fisio-cárdio e depois é designado para onde vai e com que vai esse paciente.

R: Tem 4 pacientes que a gente não leva, porque eles ficam muito agitados, agressivos, são pacientes que não gostam de sair da rotina, sentem inseguras com medo, então fica muito difícil para elas e para o grupo que está com elas.

R: O critério é gostar de sair, se mostrar bem, não agitadas, tristes, irritadas, a gente procura avaliar isso.

R: Têm pacientes que gostam só de passear de carro, são chamados pacientes da Fernão Dias.Só curtem passear de carro aqui em Guarulhos mesmo, porque se você tirar ela do carro a gente coloca a vida deles em risco.

R: Geralmente é o cognitivo e deficiência física, se vai para o pico do Jaraguá damos preferência para os andantes e com compreensão boa.

R: Critérios médicos, os pacientes que não comem, usam gastro eles vão para passeios que não envolvem alimentação, vão ao shopping, ao cinema, vão ao Ibirapuera, no bosque, mas esses pacientes têm um roteiro, mas restrito, mas mesmo assim eles podem sair.

R: Esse passeio só acontece uma vez por ano porque mobiliza gastos. A dificuldade é ter um ônibus adaptado não tem condição financeira. A van adaptada foi dada pelo Gugu.

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R: Faz reunião com equipe multidisciplinar, faz lista de passeios, faz a sua lista de pacientes e faz programação anual de quem vai para onde, então a gente programa o passeio, se o paciente tiver alguma intercorrência, se tiver alguma restrição de saúde, a fono e o médico têm que ver todos os pacientes antes de sair.

R: Dependendo da necessidade do paciente, da solicitação, os que solicitam eles pedem quero ir ver minha mãe, quero minha casa, quero ir ao parque, quero andar de carro, aí você vai classificando, depois vão, a não ser que tenham pacientes que estejam muito tempo sem sair, você vai pela quantidade de vezes que esse paciente sai, ou por comportamento, de estresse porque a família não vem visitar, ou porque a família não tem carro e mora longe, os parentes dos assistidos são muito carentes então nós temos um programa junto com o serviço social que chama Projeto integrar que pega o paciente e tenta integrá-lo, se a família não pode vir nós levamos o paciente na casa da família para visitar o pai, mãe, o irmão. Essas visitas são marcadas com antecedência e os familiares e vizinhos que conhecem o pacientes se preparam para receber, então é uma grande festa.

7- Quais foram os locais visitados?

R: Aquário de São Paulo, cinema, Shopping, Pinacoteca, Zoológico de Guarulhos, zoológico de S.Paulo, Horto Florestal de S.Paulo, parques em geral, Bosque Maia, Ibirapuera, Frans Café, Casa de Familiares, Núcleo Engordador.

R: Holambra, Hopi-Hari, Play-Center, Bienal do Livro, Circo, Feiras de ortopedia, Ibirapuera, Bosque Maia.

R: Já fomos e fizemos apresentações na Faculdade Anália Franco e ESPA, Ericsson R: Parques, praia, shopping, clubes, Zoológicos, parque aquático, Play-center e acantonamento que é sair com eles por 3 dias . fui em feiras livres, casa de funcionários

R: Parques, shopping, residência de familiares, aeroporto, estádio de futebol (Morumbi). Centro de S.Paulo, no Prédio do banespa, terraço Itália a noite, Mercadão municipal, igrejas, catedral da Sé, Hopi-Hari.

R: No Ibirapuera

R: Pinacoteca, Shopping, Bosques, teatro, cinema, casa de familiares, visita a colaboradores (teve uma colaboradora que estava de licença maternidade e elas queriam ver o bebê, então fizemos uma atividade para conhecer o nenê), fomos andar de metrô e no centro de S.Paulo.

R: Fomos ao teatro, pizzaria, churrascaria, shopping, aqui perto no Bosque Maia, Lago dos Patos, cinema.

R: Cinema, festa de aniversário, Bosque Maia, Núcleo engordador, Horto Florestal. R: Só não fui à praia, Shopping, Sesc, Aeroporto, Ibirapuera, Planetário, museu do Ipiranga, zoológico de Guarulhos, Zoológico de S.Paulo, Lago dos Patos, Bosque

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Maia, teatro, cinema, lanchonete tipo Mc Donald’s para fazer uma refeição com eles e voltar, restaurante para comer pizza à noite, baile de formatura, colação de grau. R: Praia, shopping, parques, Pico do Jaraguá, Parque do Piqueri, Bosque Maia, Lago dos Patos, Mairiporã, clubes, Ibirapuera, Cinema, shopping, competições esportivas, estádio de futebol (Pacaembu), no museu do Futebol.

8- Houve algum fato que causou dificuldades?

R: Alguns lugares não têm rampa e o banheiro apertado que não cabe a cadeira, outro dia fui com alguns pacientes na S. Ifigênia a gente teve dificuldade em encontrar banheiro para cadeirante.

R: Teve um restaurante que não deu para entrar no restaurante, não conseguia entrar com o cadeirante se colocasse o acompanhante não entrava o cadeirante.

R: A nossa maior dificuldade que a gente tem é banheiro/ banheiro apertado que não cabe a cadeira.

R: Não, nenhum

R: Quando o banheiro não é adaptado, locais muito longe porque eles ficam muito exalto.

R: A maior dificuldade é o acesso ao local. R: Não, não teve nenhuma dificuldade. R: Nenhum

R: Nunca houve nada

R: Geralmente tem, se o carro é adaptado, se tem onde parar, mas não tem a ver com o lugar é uma questão nossa mesmo como Instituição, só temos um carro adaptado, e as vezes saem com Kombi ai fica mais difícil.

R: Agora o lugar em si, quando o evento é maior o pessoal já está preparado, para receber, indica onde passar com as cadeiras e como fazer para sair.

R: A única coisa é a falta de acessibilidade até para as pessoas que estão conduzindo as cadeiras.

R: As calçadas são horríveis, quando você leva, por exemplo, no centro numa 25 de março, as calçadas não são rebaixadas, pra você subir no Mc Donald’s tem degraus, tem que levantar a cadeira, um de um lado o outro do outro para botar o paciente lá em cima, agora de uns dois anos para cá com essa conscientização a Prefeitura rebaixou a maioria das calçadas no centro, tem banheiros adaptados, os elevadores são em braile, são mais acessíveis, o Mc Donald’s tem menu em braile na parede o cego entra e lê o cardápio mas não tem rampa, que acessibilidade é essa? O cego pode comer mais os cadeirantes não?

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R: A população que é separada, normalmente vãoi pessoas que conheçam o paciente para que se houver algum distúrbio de comportamento possam atuar e evitar qualquer problema.

R: O que aconteceu foi o seguinte, nos jogos um assistido participou dos jogos e de repente chegou a hora de ir embora e o paciente não queria voltar, ai você tem que usar de psicologia e do convencimento, falamos que vai ter outros jogos. Existem casos de paciente agitados que se você vai contrariá-los eles ficam mais agitados ainda, mas normalmente as pessoas que cuidam conhecem o paciente e já sabem como lidar, não existem casos graves.

9- Em sua opinião que está faltando para poder incluir todas as pessoas com deficiência mental na prática do lazer?

R: Mais acessibilidade nos locais, principalmente para cadeirantes. Infelizmente menos preconceito por conta das pessoas, alguns lugares, a gente vê pessoas que olham diferente que fazem comentários desagradáveis. Por exemplo, a gente passear no shopping Internacional as pessoas já estão acostumadas, vendedor, todo mundo já sabe quando a gente chega lá, é pessoal do André Luiz, o pessoal chega, conversa, pagam comida, pergunta se a gente está precisando de alguma coisa, dá brinde, mas a gente foi no shopping Paulista e a gente passou por uma situação muito desagradável, a gente estava num elevador com uma paciente e a forma dela se expressar de alegria era falando alto, aí uma senhora virou para a gente, e falou que aquele shopping já foi mais bem freqüentado, isso é chato, porque ainda existe muito preconceito.

R: Alguns pacientes entendem, é complicado porque se eu não sou aceito, sou rejeitado, temos uma parcela grande de pacientes que tem o cognitivo preservado, eles entendem tudo, se você faz um comentários desses, a auto-estima do atendido vai lá em baixo. A gente vai para uma atividade para ter ganhos e a gente tem perdas, tem que voltar e trabalhar isso.

Como é uma rotina da casa já tem e faz parte de terapia, isso por conta de alguns é tranqüilo, eles sabem, ficam chateados, mas não é uma coisa dessas que vai acabar com a atividade.

R: Dependendo do lugar ainda existe muito preconceito.

R: Aqui existem pacientes de enfermaria que precisam de oxigênio 24 horas, então é mais difícil, isso não quer dizer que seja inviável. A gente acaba levando, isso não impede a gente sair com ele. No Hopi-Hari a gente leva pacientes com bom equilíbrio de marcha, cadeirante a gente leva com quadro leve porque se não acaba não tendo proveito nenhum.

R: Todo momento que tem saída a gente tenta levar o maior número possível, aqueles que não saem à gente tenta levar pelo menos um paciente no shopping para dar volta, para todos estarem participando.

R: Além do transporte, tem pacientes que tem a deficiência muito grave, por exemplo, pacientes graves requer cuidados intensivos de enfermaria e precisam de ambulâncias

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totalmente equipadas e nós não temos muitas ambulâncias. Tem a dificuldade da pessoa.

R: Depende da condição de saúde, sim todos saem. Depende da condição de transporte, só tem uma van adaptada e a gente tem muitos pacientes cadeirantes, precisaria ter mais veículos adaptados para poder sair mais

R: A disponibilidade dos profissionais, tipo tenho que deixar de atender outro paciente, ou remanejar outro profissional para atender aquele paciente para eu poder ir naquele passeio.

R: Aqui são muita gente são 604 o que acontece, a gente não tem condição, estrutura para levar todo mundo, o que a gente tenta fazer é um rodízio, tem paciente que se beneficia de um local, outro de outro, já aconteceu de a gente levar paciente na praia. R: Teve uma paciente que foi para a Pinacoteca e ficou com medo das estatuas. Para muitos a saída está associada a comer algo diferente, se não tiver um lanche especial a atividade não é tão interessante.

R: Sempre, eles esperam ansiosamente por essas saídas pelo fato de quebrar a rotina já é importante para eles, indo para lugar interessante melhor ainda.

R: Aqui só não vão os que têm impedimento médico, por questão de saúde, às vezes não pode ir porque fez um cirurgia, ou está muito agitado, se sair vai piorar. Os demais saem todos, independente de ser cadeirante, saem, não tem impedimento nenhum. R: Nosso caso é atípico, aqui a gente é um hospital com múltiplas deficiências, aqui é difícil programar passeios.

R: A grande maioria é sondada e você precisa levar a alimentação atrás na sonda (não dá para levar para muitos lugares como Praia, piscina, eles tem uma resistência muito menor), Todas as sondas são gastrintestinais, os alimentos são introduzidos direto no estomago.

Têm outros pacientes que não tem sonda, mas tem outros tipos de comprometimento que não tem condição de levá-los a qualquer lugar porque não vão discernir uma coisa da outra, a gente não leva porque não vai ter nenhum aproveitamento.

R: Os que têm muito mais aproveitamento que são eles os Pc’s que tem a cabeça funcionando perfeitamente como a minha e a sua, são cadeirantes e sondados é muito difícil leva-los no cinema, planetário mas não pode ficar muito tempo fora, preciso de muito mais cuidados, porque a gente não pode premiar todas as crianças no passeio por causa da saúde. O que é mais impede é a saúde

R: Está faltando disposição das pessoas que estão envolvidas nesse trabalho, ela tem que se organizar e incluir os pacientes nas atividades de lazer para vários locais. R: Nossos pacientes aqui têm uma variedade grande de passeios, para qualquer saída tem que pedir autorização para a Diretoria, para setores tem que ver alimentação, para hotelaria para preparar a roupa, para enfermaria preparar a dieta, a logística envolve muitas áreas.

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R: A aceitação é tranquila das pessoas. Elas chegam, conversam com a gente, pergunta se pode ajudar em alguma coisa, a recepção é muito boa, e os pacientes estão sempre acompanhados e nunca ficam sozinhos.

R: É fácil gratuidade.

R: No Sesc nós pagamos algumas coisas, como alimentação, eles liberam com 50% de desconto, o cinema tem desconto.

10- Teve algum momento marcante/emocionante durante esses passeios?

R: Tem vários, a gente se surpreende com as reações dos pacientes, às vezes é um paciente que você acha que o cognitivo não é tão alto e ele te dá respostas que ele não te dá em terapia. Escolhe que produto que quer comprar e que realmente quer. Já fiz um teste com um paciente, ele escolheu uma blusa em uma determinada loja, fui a outras duas e dei para ele escolher e ele escolheu a mesma blusa, a que realmente ele queria. Por mais que a gente faça avaliações, a gente se surpreende com alguns casos.

R: Na praia as pessoas procuram ajudar, teve um grupo que fez questão de pagar o almoço na churrascaria.

R: Todas, todas as apresentações são emocionantes.

R: Mais emocionante é a própria emoção deles, a alegria de estar fora, em contato com a sociedade, lá fora, em contato com a sociedade, lá fora é muito difícil de ter uma intercorrência, muito difícil mesmo, porque eles ficam mais sociáveis, mais educados, respeitam as regras, limites, obedecem, são solidários, uns com os outros, eles cooperam, são carinhosos, afetuosos. Eu particularmente nunca tive nenhuma intercorrência com nenhum paciente, nem agitação, às vezes eles querem uma coisa que não pode mais quando você faz a intervenção que não pode, eles acatam, obedecem.

R: Levei o Janderson que é um paciente nosso que é S.Paulino Fanático, a gente conseguiu entrar no vestiário do Morumbi e conhecer os jogadores do S.Paulo, a alegria dele foi fantástica. É uma coisa que marcou muito, todas as saídas são emocionantes.

R: Eles estavam contentes de estar lá, tinha uma paciente que não falava e emitiu um som, representando que ela estava contente de estar lá.

R: O que chama a atenção é como o paciente fica mais independente, com comportamento mais adequado, mais tranqüilo, se mostrando mais alegre, às vezes aquele paciente que aqui é agitado, nervoso, não responde bem ao que a gente pede, nos passeios geralmente eles ficam muito bem.

R: Geralmente tem, é a satisfação deles, qualquer saída para eles já é uma alegria, ver aquele filme que eles queriam ver ou ir almoçar num lugar diferente, atividade geralmente é marcante.

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R: Quando a gente comemora o aniversário. No mês de abril teve uma paciente que quis comemorar o aniversário fora daqui, nós fomos ao Búfalo Bira na Emílio Ribas com um grupo com 12 pacientes, foi muito legal a alegria deles, o que para gente é uma coisa simples do dia-a-dia, tomar um suco, foi muito emocionante porque tinha o bolo e todo mundo do lugar começou a cantar parabéns, ela começou a chorar, foi muito marcante, uma alegria inexplicável, principalmente por estar saindo à noite, de voltar meia-noite, tinha música ao vivo, foi uma alegria.

R: Tem coisas engraçadas, às vezes passo muito nervoso, às vezes as pessoas não entendem, não compreendem e você tem que falar 200 vezes a mesma coisa, às vezes o paciente passa mal durante o passeio e você se estressa, preocupada com o paciente, mas tem coisas muito boas, quando eles vêem uma piscina, vão ao cinema e vêem o filme que eles gostam, eles voltam felizes da vida e contam o que viram, quando vão ao shopping as pessoas encontram e conversam com eles o contato com outras pessoas é muito bom.

R: Já aconteceu de levar no banheiro masculino e só ter eu de mulher e precisar levar o menino no banheiro.

R: Nós estivemos no Pico do Jaraguá, fizemos a escalada pela trilha, pela mata fechada, estávamos num grupo com 15 pacientes e 5 acompanhantes e fizemos a escalada e quando chegamos lá em cima no pé da antena foi um momento marcante, todos vibraram de alegria

11- Quais foram as atividade que eles demonstraram que mais gostaram?

R: Comer, ir para casa de familiares, eles adoram fazer comprar no shopping, na verdade se a gente for observar quem não gosta de ir ao shopping? A auto-estima vai lá em cima. (risos) e com eles é a mesma coisa

R: Falou para eles que vão sair daqui de dentro tudo para eles é bom, os que entendem mais, sim, vou levar no bosque Maia aqui de Guarulhos vão fazer caretas e não vão querer ir, porque o parque é pequeno, não oferece muita coisa, querem mais, é decepção.

R: São coreografias que envolvem músicas clássicas, são os momentos que eles mais desenvolvem, mais gostam.

R: Todas. Qualquer lugar que seja além dos muros, para eles é maravilhoso, até fazer uma caminhada aqui perto,

R: Conhecer coisas novas, o legal é se eles tiverem oportunidade de conhecer coisas novas, outro dia eu os levei no Centro de S.Paulo, no Prédio do Banespa, terraço Itália à noite, Mercadão Municipal, igrejas, catedral da Sé, eles gostam de variedade.

R: Não respondeu

R: Eles adoram shopping, andar de metrô, no Centro de S.Paulo, atividade na água, na semana passada a gente pegou um grupo de pacientes que no shopping não se beneficiariam, são pacientes com cognitivo mais rebaixado, eles foram à piscina e não

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tinha muita gente porque era meio de semana. A gente vê que os pacientes com cognitivo melhor, menos prejudicado eles gostam muito de shopping, Mac donad’s. R: Gostam muito de sair para comprar, ir ao Shopping comprar, nem que seja um desodorante para alguns, isso é muito válido. Têm outros que gostam de ir para coisas culturais, teatro, isso varia muito de acordo com o nível de compreensão de cada um, de acordo com o cognitivo.

R: Têm alguns que ficam felizes só de ir dar uma volta no shopping, só para ver gente, já que eles moram aqui e qualquer saída, só o fato de se arrumar para sair já é algo importante para eles.

R: Na realidade, saindo daqui, se for para passear eles gostam de praticamente tudo, de ir ao shopping (as meninas adoram passear no shopping), gostam do Horto, e do Ibirapuera Eles adoram sair para comer, Pizzaria, sair para comer fora, eles adoram. R: Gostam de tudo, praia, shopping, fazer compras.

R: A praia eles adoram, porque depois da água vai para a piscina. Nós sempre vamos ao Sesc Bertioga, lá tem um parque aquático muito bom e depois eles cobram que depois de qualquer saída no final tem o sorvete, eles já estão esperando a hora do sorvete.

12- Quais foram às atividades que você observou que eles não gostaram?

R: Não gostam de dar uma volta na Fernão Dias, esse passeio e particular até eu não gostaria. Esse passeio é dar um volta literalmente, é ir até um determinado lugar que tinha uma pracinha e ficar lá um pouco e depois voltar. Era uma atividade que não atendia grandes expectativas em vista de você ir ao shopping fazer comprar ou ir ao cinema assistir um filme.

R: Falou para eles que vão sair daqui de dentro tudo para eles é bom, os que entendem mais, sim, vou levar no bosque Maia aqui de Guarulhos vão fazer caretas e não vão querer ir, porque o parque é pequeno, não oferece muita coisa, querem mais, é decepção.

R: Lugares muito cansativos e que não tenha nada de mais (nenhuma novidade), a partir do momento que eles vão pro lugar e ficam parados para eles é exaustivo. R: Os que falam que tem uma deficiência bem leve têm suas preferência, mas não recusam as outras, se eles podem até falar que preferem ir ao Play-Center a ir ao Parque Aquático, mas se tiver o nome dele na lista do passeio no Parque aquático ele vai, eles não gostam de perder nada.

R: Ficar preso aqui.

R: Nenhum, sempre que se refere a atividade externa eles estão propostos a ir sempre. É a limitação do paciente.

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R: Já aconteceu da gente levar um paciente com cognitivo não muito bom para o cinema, aí eles ficam agitados, por isso antes de sair à gente tem alguns cuidado de saber para onde vai sair com quem vai e quais os outros pacientes que vão junto. R: Quando é passeio, eles estão sempre dispostos, mas às vezes cinema eles não tem muita tolerância, ficar sentadinhos, por causa da deficiência, principalmente os mais agitados que não gostam de ficar sentados.

R: Uma paciente não gosta do zoológico porque tem medo dos bichos, mas a maioria saindo ta bom.

R: Eles não gostam de atividades rápidas, curtas, aquelas que você vai, nem bem saiu do carro tem que voltar devido ao tempo, porque quando você sai tarde aqui da casa, você perde atividade em si, eles não gostam de atividades curtas, eles gostam de ficar bastante tempo.

13- Quais são em sua opinião, as maiores dificuldades encontradas pelas Casas André Luiz para proporcionar momentos de lazer aos pacientes com deficiência mental?

R: Dificuldade é o número de pacientes / a gente tem uma demanda muito grande e para atender todos. A gente tem que rebolar...

R: Acaba barrando no profissional, por exemplo, eu trabalho aqui 5 horas e se é um passeio que tem 8, 9 ou o dia inteiro eu tenho que deixar outros trabalhos de fora. R: A dificuldade que a casa encontra está no horário do profissional que precisa ficar livre para essas saída.

R: Tem também a dificuldade de dinheiro, às vezes teve passeios que deixaram de fazer, é difícil conseguir a gratuidade nos passeios. O Sesc está aberto para receber a gente lá, mas tem o ônibus que temos que ir atrás, precisamos de verba para comer, o Sesc oferece o espaço, mas temos que pagar a alimentação.

R: A dificuldade maior é o transporte, tem lugares que eles vão e é muito longe.

R: Transporte é um caso, se tem pouco carro é lógico que o número reduz, transporte envolve motorista que tem que ficar a disposição da casa não são só para atividades de lazer eles estão de plantão para cuidados de hospitais, de levar exames, ir para casa de família

R: A parte financeira está agregada, se estivesse uma parte financeira mais tranqüila, talvez tivesse mais transporte e não precisava ficar tentando doação.

R: A dificuldade é a falta de sensibilidade das pessoas (diretores de clubes, cinemas) nem sempre consegue doação de ônibus, a casa acaba arcando com as despesas. R: Além da limitação do paciente, a dificuldade de dinheiro, os passeios geram gastos, mas a casa procura se está dentro das possibilidades deles, eles procuram distribuir os passeios.

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