UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DCVID-DEPARTAMENTO CIÊNCIAS DA VIDA CURSO DE ENFERMAGEM
CAROLINE CLERICI DAL SANTO
QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES COM CÂNCER DE MAMA
IJUÍ 2012
CAROLINE CLERICI DAL SANTO
QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES COM CÂNCER DE MAMA
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Ciências da Vida, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ como requisito parcial para a obtenção do título de Enfermeiro
Orientadora: Profa Ms Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
IJUI 2012
RESUMO
Objetivo: Avaliar a Qualidade de Vida (QV) de mulheres com câncer de mama. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo. A coleta foi realizada no período de março de 2011 a abril de 2012, no Centro de Alta Complexidade em Tratamento de Câncer da Região Noroeste do Rio Grande do Sul, com uma amostra total de 138 mulheres. O instrument utilizado foi do grupo European Organization for Research and Treatment of Cancer – Quality of Life Core-30-Questionnaire (EORTC QLQ-C30. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul sob parecer consubstanciado 275/2010. Resultados:Prevaleceram adultas, casadas, com ensino fundamental incompleto e renda de 1 a 2 salários mínimos. A qualidade de vida geral foi considerada satisfatória, sendo que o tipo de tratamento predominante foi à quimioterapia, seguido pela radioterapia e o conjugado, respectivamente. Avaliando as pacientes pela escala de sintomas, observou-se que a QV é melhor no tratamento conjugado, depois no radioterápico e por ultimo o quimioterápico. Discussão:Observou-se em nosso estudo que as escalas de funcionamento físico, emocional, cognitivo e social, indicaram um nível satisfatório de QV, já a escala de desempenho de papel indicou um nível regular a satisfatório. Na escala de sintomas o estudo indicou a insônia como o mais afetado seguido de dor, e a diarréia foi o menos encontrado. Com relação à escala de sintomas e o tipo de tratamento,o tratamento conjugado apresentou melhor QV quando comparado com o tratamento QT e RT, mostrando assim que o tratamento conjugado apresenta uma melhor QV. Conclusão: Os tratamentos realizados pelas mulheres acometidas pelo câncer de mama afetam de algum modo as pacientes, alterando sua qualidade de vida. Porém, percebe-se que ainda assim elas mantêm uma QV satisfatória.
ABSTRACT
Objective: To evaluate the Quality of Life (QOL) of women with breast cancer. Method: This is an observational, cross-sectional and descriptive etude. Data collection was conducted from March 2011 to April 2012, at the Center for High Complexity in Treatment of Cancer in the Northwest region of Rio Grande do Sul (Centro de Alta Complexidade em Tratamento de Câncer da Região Noroeste do Rio Grande do Sul), with a total sample of 138 women. The instrument utilized was the Quality of Life-30-Core Questionnaire by European Organization for Research and Treatment of Cancer - (EORTC QLQ-C30). The research was approved by the Ethics Committee in Research of the Northwest Regional University of Rio Grande do Sul (Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul) in the consubstantiated 275/2010. Results: Prevailed adult women, married, with incomplete primary education and income of one to two minimum salaries. The overall Quality of Life was satisfactory. The predominant treatment type was chemotherapy followed by radiotherapy and combined, respectively. Evaluating patients for the symptom scale we found that QOL is better in the combined treatment, after the radiotherapy and at last chemotherapy. Discussion: It was observed in our study that the scales of physical, emotional, cognitive and social functioning indicated a satisfactory level of QOL, on the other hand, the scale of role performance indicated a satisfactory to regular level. On the scale of reported symptoms the research showed insomnia being the most occurred symptom, followed by pain and after diarrhea which was less found. Concerning to the symptom scale and type of treatment, the combined treatment showed a better QOL to the patient compared with chemotherapy and radiotherapy treatments, showing that combined treatment has a better QOL. Conclusion: The treatments experienced by women affected by breast cancer somehow affect the patients, altering their quality of life. However, it is clear that they still maintain a satisfactory QOL.
SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO...7 2MATERIAL E MÉTODO...9 3 RESULTADOS...11 4 DISCUSSÃO...15 5 CONCLUSÃO ...18 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...19
1INTRODUÇÃO
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo1.É considerado um problema de saúde pública tendo em vista a sua elevada incidência, prevalência, mortalidade, gastos hospitalares e conseqüências para os pacientes e familiares bem como demandas de cuidado para os profissionais de saúde2.
O câncer é a segunda principal causa de morte nos países desenvolvidos e a terceira nos países em desenvolvimento, estima-se que ele é responsável por 12,6% do total de mortes em todo o mundo. Esta estimativa é superior ao número de mortes causadas pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV / SIDA), tuberculose e malária juntos no mundo3.
O câncer de mama e o câncer de colo do útero estão entre as neoplasias mais incidentes no mundo. Com aproximadamente 500 mil casos novos por ano, estes tem apresentado incidência duas vezes maior em países menos desenvolvidos, verificando-se taxas mais altas em países da África, América Latina e Caribe4. Países desenvolvidos apresentam as maiores taxas de incidência de câncer de mama, com estimativa de ocorrência de mais de um milhão de casos anuais no mundo4.
A neoplasia mamária é o tumor invasivo que mais acomete e mata as mulheres por isso é o mais temido. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, no Brasil, em 2012, ocorrerão 52.680novos casos de câncer de mama, com risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres1.
O diagnóstico e o tratamento associam-se a repercussões psicológicas, como depressão, ansiedade e medo. A morte é o principal temor, e a busca pelo tratamento adequado e pela cura se torna constante.O diagnóstico de câncer de mama é um momento deangústia, sofrimento e ansiedade a quem o vivencia. Durante o tratamento a pessoa acometida passa por diversas mudanças físicas, emocionais e psíquicas, o que contribui para uma percepção negativa de qualidade de vida (QV).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a QV é definida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores dos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”2. Nesse sentido, entende-se que os valores que norteiam a vida da pessoa acometida pela doença e o contexto cultural onde vive influenciam significativamente na QV que terá durante a realização do tratamento e posterior a ele.
O adoecimento pelo câncer de mama e seu tratamento geram consequências que podem ser temporárias ou permanentes na vida da mulher5. A cirurgia mamária seja conservadora ou não, mesmo acompanhada da reconstrução mamária pode ser vivenciada de modo traumático pela mulher, dependendo da importância que a mulher dá à imagem corporal5. Além disso, a funcionalidade do membro superior pode ficar comprometida com o linfedema de braço que surge após a dissecação dos linfonodos axilares5. Ainda para o mesmo autor o aspecto a ser considerado é a mudança da sensação tátil do seio após sua reconstrução. Compreende-se que há outros aspectos que podem comprometer a QV de mulheres com câncer de mama, como a quimioterapia, radioterapia, que na maioria das vezes tem efeitos colaterais desagradáveis.
Os efeitos colaterais advindos desses tratamentos também interferem negativamente no cotidiano dessas mulheres, na elaboração da imagem corporal e na vida sexual5. As principais conseqüências desse tratamento são náuseas, vômitos, fadiga, disfunção cognitiva, alopecia, ganho de peso, palidez, menopausa reduzida, diminuição da lubrificação vaginal e excitação, redução do desejo sexual, dispareunia e anorgasmia5.
Diante do exposto, o objetivo geral deste estudo é: Avaliar a Qualidade de Vida de Mulheres com Câncer de Mama em tratamento. E como objetivos específicos: Avaliar a Qualidade de Vida de mulheres com câncer de mama segundo o tipo de tratamento e identificar o perfil sócio-demográfico das pacientes oncológicas em tratamento.
2MATERIAL E MÉTODO
Este estudo é parte do projeto de pesquisa institucional “Qualidade de vida de pacientes oncológicos assistidos em um centro de alta complexidade em tratamento de câncer” da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ e trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo.
A população do projeto de pesquisa institucional foram pacientes em tratamento oncológico, atendidas no Centro de Alta Complexidade de Tratamento para Câncer (CACON) na região Sul do Brasil,no período de abril a dezembro de 2011. O número total de pacientes em março de 2012 era 6.763 nas diferentes modalidades de tratamentos.
Para a composição da amostra considerou-se como critérios de inclusão: ser paciente oncológico, em tratamento quimioterápico e/ou radioterápico; no caso dos pacientes em tratamento quimioterápico considerou-se para a entrada no estudo pacientes a partir do terceiro ciclo de quimioterapia; no caso dos pacientes em tratamento radioterápico considerou-se a partir da primeira sessão. Foram excluídos do estudo os pacientes: em tratamento oncológico de doença em cabeça e pescoço; participantes de protocolos de pesquisa clínica; pacientes sem condições de responder aos instrumentos de coleta de dados.
O presente estudo limitou-se a análise de mulheres e considerando todos os demais critérios supracitados para compor a amostra. Neste caso, a amostra foi de 138 mulheres, representando 25,84% do tamanho da amostra do estudo maior.
A coleta de dados foi realizada no CACON no período março de 2011 a abril de 2012. Foi feita através da análise de prontuário (documental) e entrevista estruturada. As variáveis de interesse para este estudo foram: dados sócio-demográficos, tipos de câncer, tipo de tratamento.
Para a coleta de dados utilizamos o instrumento QLQ-C30 (versão 3.0), que é um questionário de QVRS devidamente validado para nossa população, para uso específico em pacientes com câncer. O QLQ-C30 contém 30 questões que compõe cinco escalas funcionais: funções física, cognitiva, emocional, social e funcional (desempenho de papel), três escalas de sintomas: fadiga, dor, náuseas e vômitos, uma escala de Estado de Saúde Global/ Qualidade de Vida (ESG/ QV) e seis outros itens que avaliam sintomas comumente relatados por doentes com câncer: dispnéia, perda de apetite, insônia, obstipação, diarréia e avaliação do impacto financeiro do tratamento e da doença7. Os resultados das questões geram escores nas escalas funcionais e de sintomas que são transformados em uma escala de 0 a 100, que de acordo com as diretrizes do European Organization for Research and Treatment of Cancer
(EORTC), o zero denota o pior funcionamento e 100, o melhor funcionamento; enquanto que nas escalas e itens de sintomas, o 100 indica mais sintomas presentes e o zero, nenhum sintoma7.
Para a análise dos dados, utilizamos o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 15.0. Calculamos a média e desvio padrão para análise descritiva dos dados; e o teste paramétrico Análise de Variância (ANOVA) para comparar os domínios do instrumento de QVRS com os dados sócio-demográficos, clínicos e terapêuticos.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), sob o parecer consubstanciado 275/2010, de acordo com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos do Conselho Nacional de Saúde (CNS)8.
3RESULTADOS
A média de idade das participantes do estudo foi de 54,21 anos, a idade mínima de 25 anos e a máxima de 86 anos. O intervalo de confiança mostrou que 95% das mulheres do estudo estão entre 52,29 a 56,13 anos. Com relação ao perfil sócio-demográfico verificou-se que a maioria são adultas, 91 (65,9%), estado civil prevaleceram as casadas com91 (65,9%), ensino fundamental incompleto70 (50,8%) e com renda de 1 a 2 salários mínimos 73 (55,7%), a tabela 1 mostra com detalhe estes dados.
Tabela 1. Perfil sócio-demográficos das mulheres com câncer de mama, 2011.
Variável N % Ciclo Adulto 91 65,9 Idoso 47 34,1 Situação Conjugal* Casado 91 65,9 Solteiro 11 8,0 Viúvo 18 13,0 Concubinato 3 2,2 Separado ou Divorciado 14 10,1 Escolaridade Ensino Superior 20 14,5 Ensino Fundamental Completo 14 10,1 Ensino Fundamental Incompleto 70 50,8
Ensino Médio Completo 26 18,8
Ensino Médio Incompleto 7 5,1
Analfabeto 1 0,7
Renda**
Abaixo de 1 Salário Mínimo 2 1,5
1 a 2 Salários Mínimos 73 55,7
5 a 8 Salários Mínimos 11 8,4 Acima de 8 Salários
Mínimos
5 3,8
Não Respondeu 7 5,1
*Respostas válidas: 137. **Respostas válidas: 131. Renda foi considerada a válida em março de 2011 R$: 545,00 (quinhentos e quarenta e cinco reais).
Já em relação ao tipo de tratamento realizado prevaleceu o tratamento quimioterápico com 111 (80,4%), seguido do tratamento radioterápico 15(10,9%) e tratamento conjugado que são o quimioterápico e radioterápico juntos, 12(8,7%) como pode ser vista na tabela 2.
Tabela 2. Tipo de tratamento de mulheres com câncer de mama
Tipo de tratamento N %
Quimioterápico 111 80,4
Radioterápico 15 10,9
Conjugado 12 8,7
Total 138 100,0
Os escores médios e desvio padrão das escalas funcionais, do EGS/QV, dos sintomas e itens do QLQ-C30 estão apresentados na Tabela 3. Nas escalas de funcionamento físico, emocional, cognitivo e social as médias variam de 71,66 a 78,91, indicando um nível satisfatório de QV. Já na escala de desempenho de papel a média foi inferior 67,98 o que indica um nível regular a satisfatório de QV. Nas escalas de sintomas a insônia foi a mais predominante, seguida de dor, obstipação, fadiga, dificuldades financeiras, falta de apetite, náuseas/vômito, dispnéia e diarréia.
Tabela 3.Média e Desvio Padrão das escalas do instrumento QLQ C-30, 2012.
Escalas e sintomas Média Desvio Padrão
Escalas funcionais Funcionamento físico 76,40 19,36 Desempenho de papel 67,98 32,99 Funcionamento emocional 71,66 26,45 Funcionamento cognitivo 78,91 21,43 Funcionamento social 76,94 26,34 Escalas de sintomas Fadiga 25,37 25,25 Náusea e vômito 10,29 19,43 Dor 28,25 31,98 Dispnéia 8,67 21,78 Insônia 30,41 35,03 Falta de apetite 15,42 27,07 Obstipação 27,50 32,99 Diarréia 4,33 14,39 Dificuldades financeiras 20,48 27,14
Quando avaliadas as médias conforme o tipo de tratamento, no tratamento QT os funcionamentos físico, emocional, cognitivo e social são satisfatórios, já o desempenho de papel é regular a satisfatório. Quando avaliamos no tratamento RT o funcionamento físico e o social são considerados excelentes, já o funcionamento cognitivo e o desempenho de papel considerado satisfatórios, e o funcionamento emocional regular a satisfatório.No tratamento conjugado o funcionamento cognitivo foi excelente, seguido do físico e social satisfatório, e o desempenho de papel e funcionamento emocional foi regular a satisfatório.Os domínios mais afetados forma o desempenho de papel e o funcionamento emocional.
Em relação às escalas de sintomas a QV é melhor das mulheres que fazem tratamento conjugado, seguido pelas mulheres que fazem tratamento RT e QT respectivamente.
A fadiga, náuseas e vômitos e dificuldades financeiras tiveram seus menores escores no tratamento RT. A dor e falta de apetite tiveram seus menores escores no tratamento QT, e dispnéia, insônia, obstipação e diarréia no tratamento conjugado.
Tabela 4. Média e Desvio Padrão das escalas do instrumento QLQ C-30, abril- dezembro 2011 conforme o tipo de tratamento.
Escalas e Sintomas Quimioterápico Radioterápico Conjugado
Média DP Média DP Média DP
Escalas funcionais Funcionamento físico 75,29 19,32 86,67 14,26 73,83 22,59 Desempenho de papel 67,98 34,13 73,40 29,28 61,17 26,95 Funcionamento emocional 72,29 25,13 69,40 36,34 68,67 26,36 Funcionamento cognitivo 78,61 20,97 77,73 25,76 83,17 21,39 Funcionamento social 75,68 27,21 86,67 23,77 76,50 19,32 Escalas desintomas Fadiga 26,54 25,53 20,00 22,80 21,25 26,20 Náusea e vômito 9,94 18,29 8,93 18,82 15,25 29,65 Dor 27,93 32,40 28,87 32,97 30,50 29,15 Dispnéia 8,98 21,98 8,87 26,60 5,50 12,84 Insônia 31,20 34,94 33,33 41,82 19,42 26,49 Falta de apetite 14,37 26,43 22,20 32,57 16,67 26,66 Obstipação 29,98 33,36 17,80 33,07 16,67 26,66 Diarréia 4,49 15,21 4,40 11,61 2,75 9,52 Dificuldades financeiras 21,88 27,93 11,00 16,10 19,33 29,95
4DISCUSSÃO
Neste estudo prevaleceram mulheres adultas, casadas, de baixa escolaridade com ensino fundamental incompleto e com renda de 1 a 2 salários mínimos. Em outro estudo realizado com 35 mulheres os resultados foram semelhantes que corroboram com o nosso9.
As características de baixo nível de escolaridade e sócio-econômico requer dos profissionais de saúde maior atenção e ação nos processos educativos, adequando a linguagem popular ou de forma que os pacientes entendam principalmente orientações de prevenção e detecção precoce9.
Um estudo realizado sobre a prevalência das doenças crônicas na população brasileira mostra que a desigualdade de condições de vida da população adulta brasileira, avaliada pelos anos de escolaridade associa-se a diferentes prevalências de condições crônicas sendo as mais elevadas constatadas, em geral, nos segmentos socialmente mais desfavorecidos10.
Em nosso estudo prevaleceram mulheres casadas, semelhante ocorreu em outra pesquisa com mulheres com diagnóstico ou suspeita de lesões mamárias11. Apesar das pesquisas terem mostrado maior índice de mulheres casadas com câncer de mama, o fato de nunca ter sido casada aumentou em quase três vezes o risco de apresentar doença em estádio avançado12.
Sabemos que se descobrir com câncer provoca incertezas na vida da mulher e seus familiares próximos. Principalmente os filhos e o marido são afetados diretamente pelo problema. Entendemos que esses parceiros, principalmente os maridos, terão maior capacidade de dar suporte emocional à sua esposa, à medida que desenvolverem uma sustentação moral, emocional e afetiva, o que implicará uma melhor adaptação da mulher à nova condição de saúde.
O homem deve ser incluído como objeto de cuidado, pois os mesmos sentimentos de medo, incerteza e ansiedade poderão ser vivenciados por ele. Essa condição de vivenciar o adoecimento da esposa pode torná-lo próximo da mesma ou afastá-lo, caso ele não tenha mecanismos de adaptação e enfrentamento potencializados13.
Observou-se que quanto ao tipo de tratamento realizado, predominou o quimioterápico seguido pelo radioterápico e o conjugado, respectivamente. O câncer de mama e seu tratamento podem levar a mulher a alterações na sua auto imagem, além de perda funcional e mudanças a nível psíquico, emocional e social. O tratamento do câncer de mama pode envolver intervenções locais ou sistêmicas, utilizadas de forma independente ou concomitante.
Atualmente o diagnóstico de câncer é percebido pela população como "uma sentença de morte", mesmo com o avanço tecnológico em relação ao tratamento e com o aumento de informações veiculadas pela mídia14. Durante todo o processo da doença são vividos, pela paciente e sua família, sentimentos de intenso sofrimento e ansiedade14. Entre as mulheres portadoras de câncer de mama é muito comum o temor à mutilação, os preconceitos sociais, o medo da morte e do surgimento de linfedemas, além de sentimentos depressivos e de desvalorização social14.
O câncer de mama e seu tratamento podem levar a mulher a alterações na sua auto imagem, além de perda funcional e mudanças a nível psíquico, emocional e social. O tratamento do câncer de mama pode envolver intervenções locais ou sistêmicas, utilizadas de forma independente ou concomitante.
A cirurgia e a radioterapia são utilizadas como formas de tratamento local e que visam à remoção ou à destruição do tumor em uma determinada área do corpo. A quimioterapia é utilizada para combater a doença de forma sistêmica, buscando controlar ou destruir o câncer na extensão de todo o organismo e causando inúmeros efeitos colaterais14.
Considerando a relevância da QV, sempre que possível são oferecidos tratamentos que preservem a mama e diminuam significativamente o sofrimento psicológico e social da mulher14. As modificações corporais são sentidas mesmo que a paciente não passe pelo processo de retirada das mamas, porque ela identifica que há algo estranho dentro de seu corpo.
Em nosso estudo as escalas de QV de funcionamento físico, emocional, cognitivo e social, indicaram um nível satisfatório de QV. Em outro estudo realizado com 22 pacientes com diagnóstico de câncer de mama e pacientes com câncer de intestino15, verificou-se que após três meses de algum tipo de tratamento a função cognitiva e função social mostraram diferença estatisticamente significante, com diminuição das médias, demonstrando que houve um decréscimo nessas funções. As funções físicas e emocionais também tiveram as médias diminuídas, porém não foram estatisticamente significantes15.
A doença muitas vezes proporciona perda de papéis relacionados ao trabalho, à família e à sexualidade14. Na escala de desempenho de papel o nosso estudo indicou um nível regular a satisfatório de QV, perfazendo uma média de 67,98. Em outra pesquisa16realizada com 30 pacientes em tratamento quimioterápico, a média alcançada foi de 72,93, demonstrando um nível mais satisfatório e nas escalas de sintomas esse estudo indicou a insônia como o mais afetado seguido de dor16, o que corrobora com o resultado do nosso. Em ambas pesquisas o
sintoma diarréia foi o menos encontrado, porém no estudo comparado16 a média foi de 0,0 e no nosso de 4,33.
Em nosso estudo verificamos que os participantes apresentaram pelo menos um sintoma predominante, o que vem de encontro com o estudo realizado na Tailândia17, com 260 pacientes em tratamento, com diagnóstico de colangiocarcinoma, onde predominaram homens, em 70% da amostragem, e o sintoma mais prevalente foi a fadiga e a ansiedade, seguido de dor abdominal e dispepsia.
No estudo que realizamos observou-se com relação à escala de sintomas que o tratamento conjugado apresentou melhor QV quando comparado com o tratamento QT e RT, pois foi o que apresentou menor quantidade de sintomas adversos, sendo o mais prevalente a dor seguido de náuseas/vômito.
Acreditamos que medidas quantitativas de QV possam guiar estratégias de intervenções terapêuticas e auxiliar na definição de ações que priorizem a promoção da saúde. Profissionais de saúde e pacientes tentam avaliar as influências do tratamento oncológico para a cura ou o controle da doença, visando compreender os desfechos do tratamento bem sucedido, na visão da própria paciente, já que a QV se dá a partir de uma avaliação subjetiva dos processos da doença e da recuperação.
A detecção precoce, envolvendo o rastreamento e o diagnóstico em fases incipientes, é considerada prioridade no enfrentamento do câncer de mama; e a reabilitação física, psíquica e social devem ser abordadas como problema de saúde pública, cuja efetividade repercute em melhores resultados no tratamento
5CONCLUSÃO
Fizeram parte deste estudo 138 mulheres que fazem tratamento QT, RT e conjugado em um CACON da região Sul do Brasil. A média de idade foi de 54,21 anos. Prevaleceram as mulheres adultas, casadas, com ensino fundamental incompleto e com renda de 1 a 2 salários mínimos.
O presente estudo proporcionou avaliar a QV relacionada à saúde de mulheres com câncer de mama. A média geral com base no instrumento QLQ C-30 foi considerada satisfatória, onde os domínios menos afetados foram o funcionamento cognitivo e social, e os mais afetados o desempenho de papel e o funcionamento emocional. Os sintomas menos prevalentes a diarréia e a dispnéia, e os mais incidentes a insônia e a dor.
Estes resultados evidenciaram que as mulheres com câncer de mama apresentam alterações a nível emocional, porém ainda com uma qualidade de vida preservada, e não tem seu funcionamento social gravemente afetado, conseguindo manter bom relacionamento com seus companheiros, familiares e amigos.
O tratamento mais predominante é o quimioterápico, e também o com menor QV. A fadiga, dispnéia, constipação, diarréia e dificuldades financeiras tiveram seus maiores escores nesse tratamento. A insônia e falta de apetite tiveram seus maiores escores no radioterápico, e a dor e náuseas e vômitos no tratamento conjugado.
É necessário que se dê maior atenção a essas mulheres, e cabe ao enfermeiro estar atento as alterações provenientes do diagnóstico, tratamento e da doença, ter conhecimento sobre a patologia e seu tratamento para ter condições de avaliar e tomar condutas frente ao paciente, família e equipe, e planejar uma assistência qualificada, visando a prevenção de riscos e diminuição de sintomas e conseqüentemente uma melhor QV.
Ao fim dessa pesquisa concluímos que a população de estudo mantém uma boa qualidade de vida quando comparada a outros estudos com a mesma finalidade, porém o estudo apresenta uma limitação importante por não apresentar as mulheres em tratamento cirúrgico.
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