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FONTES DE P ESQUI SA COMO ESTUDAMOS E ESCREVEMOS A HI STÓRI A DA MODA

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Academic year: 2021

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FONTES DE P ESQUI SA ­ COM O ESTUDAM OS 

E ESCREVEM OS A HI STÓRI A DA M ODA 

Objetivo 

Analisar  de que maneira  as fontes de pesquisa, como revistas e livros, podem ser úteis no estudo da  Moda. 

Tópicos 

1| Revistas de Moda: guias e modelos de uso 

1 | Revistas de Moda: guias e modelos de uso 

A história da Moda tem sido  escrita  através do estudo de fontes de pesquisa bastante conhecidas, como revistas  de moda, literatura, retratos e material iconográfico  (ilustrações, desenhos, fotografias, etc) de modo geral.  Estamos razoavelmente  bem familiarizados com essas fontes até mesmo porque, consumimos boa parte delas  não apenas com  a intenção de estudá­las, mas também com o propósito  de nos entretermos. 

Tiramos fotografias de nossos amigos e família, compramos revistas como a  Vogue, Simples, Marie Claire, The Face, entre muitas outras. Sabemos bem qual  conteúdo encontraremos ali, ou seja, editoriais de moda, dicas de compras e  viagens, os itens hype da estação, novos designers e uma gama de informações  variadas que formam todo um conjunto de estilo e atividades representantes de  certos modos de viver.  Revistas de Moda, ou revistas femininas como foram  conhecidas por um bom  tempo, nos acompanham desde  pelo menos o  século XVIII. Eram as pranchas de  modas, estampas ou fashion plates (Veja  no Glossário). 

Essa técnica de fashion plates, possibilitou a reprodução de ilustrações de moda  que poderiam  circular mais facilmente de uma região para outra e, assim, estilos  franceses alcançariam mais rapidamente  os Estados Unidos, o resto da Europa  e  até mesmo a Argentina e o  Brasil. Antes dessas pranchas, a forma mais usual de  representar a moda vigente e fazê­la chegar a lugares distantes era através da  criação de miniaturas de vestidos que eram  enviados por um sistema de  correspondência ainda precário e que se realizava através de longas viagens por  terra ou mar.

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Com a introdução das ilustrações de moda reproduzidas por este processo, cidades que ainda estavam fora dos  centros criadores de moda, como Nova York, Buenos Aires e Rio de Janeiro, poderiam  interpretar os desenhos e,  usando  matérias primas importadas ou locais, criar roupas e acessórios mais ou menos parecidos com o que  estava representado bidimensionalmente  em  papel. 

As pranchas de moda eram  artigos de luxo e normalmente representavam apenas modelos de roupas que eram  novidade  em Paris e Londres. Já  no século XIX, com o  aumento das classes médias (trabalhadoras), a 

popularização das mercadorias antes consumidas apenas por uma pequena parcela de aristocratas, e novas  técnicas de impressão  e reprodução em  papel começam  a surgir revistas que, além das ilustrações, publicavam  verdadeiros manuais  de comportamento e bom  gosto, com a introdução de colunas que tratavam do estilo  de vida das elites, cobertura de eventos importantes e passaram, inclusive, a serem inseridas propagandas de  tecelagens, pequenas confecções e lojas de departamentos como a pioneira Bon Marché de Paris. 

No  final daquele século, nasceria aquela  que seria  a maior revista de moda do século XX, a Vogue, cujo intento  era divulgar as novidades da alta costura  francesa e que, em  menos de 50 anos, já seria  publicada na França,  Estados Unidos, Inglaterra e Itália. 

As revistas femininas desses períodos, bem como as revistas de moda e comportamento do século XX, são  muito  usadas por historiadores e curadores de museus que pesquisam e escrevem sobre Moda. Outro tipo de fonte  bastante usada  por esses pesquisadores são  as pinturas  e retratos (Veja  no Glossário) da aristocracia e  burguesia que proliferaram a partir da Era  Moderna, especialmente a partir do século XVI. 

Tais pinturas foram  amplamente  usadas em  estudos sobre  a História da Arte e da moda e serviram para  identificarmos mudanças, rupturas e continuidades de estilos, técnicas e até mesmo comportamento social  representados ali. 

Sem dúvida, esses retratos foram e ainda têm sido de grande ajuda  na compreensão da mudança de valores  estéticos e culturais na moda, assim como acontece também com as revistas de moda e com  as fotografias. No  entanto, essas fontes são  bidimensionais e não podem carregar características únicas às roupas que são  sua

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tridimensionalidade, as técnicas ali embutidas e que só poderiam  ser vistas de perto, sua  articulação  e a forma  como interage com  nosso corpo. 

É verdade que alguns historiadores como François Boucher (Veja  no Glossário) e James Laver (ver  bibliografia) procuraram usar fontes tridimensionais como esculturas e até mesmo roupas de museus para  escrever sobre  a Moda. Essa tentativa de incluir objetos em  suas análises, no entanto, ficou frustrada  uma vez  que as roupas foram  empregadas ali de forma semelhante, se não igual, aos retratos e fontes bidimensionais,  reduzindo sua  contribuição para a história à sua  superfície, ou seja, a seus aspectos estéticos e ilustrativos.  A roupa pode  e deve  ser usada  como fonte para a pesquisa de Moda. Para tanto, é necessário  aprender a tratá­la  como um documento, assim como foi feito com  as revistas, retratos, fotografias e literatura. 

Na próxima  aula, veremos algumas propostas sobre como interpretar objetos de forma  a gerar novos caminhos  de compreensão das nossas relações com nossos queridos e preciosos objetos de moda. 

1.1 Glossário 

Fashion Plates 

James Laver (1989), cita a existência dos fashion plates (em  ingês), que trouxe  grande consequência  na  divulgação da moda, por volta de 1770. Os fashion plate, assim chamadas por serem feitas através de uma  matriz  de metal e estampadas ou impressas sobre  papel, uma técnica empregada desde o  século XVII para  reprodução de textos, eram  figurinos ilustrados das tendências de moda, e que tornaram o  trabalho de  costureiras mais fácil. Não era preciso viajar  pela Europa para obter informações sobre  as últimas tendências. 

Pinturas e Retratos  Pintura da Rainha Elizabeth I, em 1589. A Partir do século 16, crescia o acúmulo  de riqueza por algumas famílias européias que queriam perpetuar sua  história  recente encomendando a grandes pintores seus retratos, onde  apareceriam  luxuosamente vestidos e retratados em ambientes igualmente  luxuosos,  representando riqueza, poder e status social.  Boucher, François (1703­1770)  Boucher nasceu e morreu em  Paris. O artista se especializou em cenas  mitológicas e em decorações baseadas em  peças pastoris. Foi um artista muito  versátil  e seus trabalhos incluem  projetos colossais para o interior  de grandes  palácios, planejamento de cenários teatrais e até confecções de leques. Tornou­ 

se sócio  da tapeçaria  Beauvais e foi nomeado diretor da manufatura dos Gobelins. Madame Pompadour, amante  de Luís XV, transformou­o no pintor  favorito da corte, e os retratos que o  artista executou desta mulher, estão  entre os melhores de sua  carreira. Boucher foi o grande representante do Rococó francês. 

2 | Saiba Mais 

Para saber mais sobre  o assunto, visite o Moda Brasil e veja o artigo ‘A roupa como fonte de pesquisa’ pode  ser encontrado no Espaço Crítico.

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3 | Bibliografia 

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