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OGÉRIO
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ANCHES
C
UNHA
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ICARDO
D
IDIER
TOMO 1
5ª edição
revista, ampliada e atualizada
2017
Coleção ColeçãoRE
9
ISAÇO
MINISTÉRIO
PÚBLICO ESTADUAL
Promotor de Justiça
Direito
Constitucional
Paulo Lépore
QUESTÕES
1. CONSTITUIÇÃO. CONCEITO.
CLASSI-FICAÇÃO. APLICABILIDADE E
INTER-PRETAÇÃO DAS NORMAS
CONSTITU-CIONAIS. SUPREMACIA DA
CONSTI-TUIÇÃO.
01. (MPE – SC – Promotor de Justiça – MPE – SC/2016) Normas constitucionais de eficácia limitada são aque-las que apresentam aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque só incidem totalmente sobre esses interesses, após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade.
|COMENTÁRIOS|.`
Nota do Autor: No que tange à eficácia, segundo classificação de José Afonso da Silva, as normas consti-tucionais podem ser: plenas, contidas e limitadas. Nor-mas de eficácia plena são aquelas dotadas de aplicabi-lidade direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei infraconstitucional para torná-las aplicáveis e nem admitem lei infraconstitucional que lhes restrinja o con-teúdo. Normas de eficácia contida ou restringível são aquelas que têm aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, pois admitem que seus conteúdos sejam restringidos por normas infraconstitucionais. Normas de eficácia limitada ou reduzida são aquelas que pos-suem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois exigem norma infraconstitucional para que se materializem na prática.
Certo. Normas de eficácia limitada ou reduzida são aquelas que possuem aplicabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, não imediata e não integral), pois exigem norma infraconstitucional para que se materializem na prática. Entretanto, ape-sar de não se realizarem sozinhas na prática, elas são dotadas de eficácia jurídica, pois revogam as leis ante-riores com elas incompatíveis; vinculam o legislador, de forma permanente, à sua realização; condicionam a
atu-ação da administratu-ação pública e informam a interpreta-ção e aplicainterpreta-ção da lei pelo Poder Judiciário. Elas podem ser de princípio programático ou princípio institutivo. As normas de eficácia limitada de princípio progra-mático (também referidas apenas como normas pro-gramáticas) são aquelas que não regulam diretamente interesses ou direitos nelas consagrados, mas se limitam a traçar alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programas das respectivas atividades, pretendendo unicamente a consecução dos fins sociais pelo Estado. Podem-se citar como exemplos os objeti-vos da República Federativa do Brasil (art. 3°, da CF), a estruturação da política agrícola brasileira (art. 187 da CF), e a determinação de organização de um regime de colaboração dos sistemas de ensino dos Entes da Fede-ração (art. 211 da CF). Já as normas de eficácia limitada de princípio institutivo são aquelas responsáveis pela estruturação do Estado como, por exemplo, a norma segundo a qual os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei comple-mentar (art. 18, § 2°, da CF).
02. (CEFET – Promotor de Justiça – BA/2015) As
dife-rentes formas de se compreender o direito acabam por produzir diferentes concepções de constituição, con-forme o prisma de análise. (...). (NOVELINO, Marcelo.
Direito Constitucional, 3 ed., Editora Método, 2009, p.101).
Tendo como norte conceitual a doutrina do autor acima, observe a seguinte formulação, realizada pelo mesmo, acerca do fundamento de uma constituição:
“(...) surge a ideia de constituição total, com aspec-tos econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos, a fim de abranger o seu conceito em uma perspectiva unitária (...)”. Trata-se da: a) Concepção sociológica. b) Concepção jurídica. c) Concepção política. d) Concepção culturalista.
e) Estão incorretas todas as alternativas anteriores.
|COMENTÁRIOS|.`
Nota do Autor: a matéria relativa às concepções de Constituição é cobrada com muita frequência. Reco-mendamos estudo atento do candidato ao Ministério Público.
Alternativa correta: letra “d”: em complemento
à descrição do enunciado, concepção culturalista de
Constituição (Michele Ainis – 1986) é aquela que
repre-senta o fato cultural, ou seja, que disciplina as relações e direitos fundamentais pertinentes à cultura, tais como a educação, o desporto, e a cultura em sentido estrito. Somando-se todos esses elementos tem-se uma Cons-tituição Total.
Alternativa “a”: concepção sociológica
(Ferdi-nand Lassalle – 1862): é aquela que deve traduzir a soma dos fatores reais de poder que rege determinada nação, sob pena de se tornar mera folha de papel escrita, que não corresponda à Constituição real.
Alternativa “b”: concepção jurídica: (Hans Kelsen
– 1934): é aquela que se constitui em norma hipotética fundamental pura, que traz fundamento transcendental para sua própria existência (sentido lógico-jurídico), e que, por se constituir no conjunto de normas com mais alto grau de validade, deve servir de pressuposto para a criação das demais normas que compõem o ordena-mento jurídico (sentido jurídico-positivo).
Alternativa “c”: concepção política (Carl Schmitt
– 1928): é aquela que decorre de uma decisão política fundamental, e se traduz na estrutura do Estado e dos Poderes, e na presença de um rol de direitos fundamen-tais. As normas que não traduzirem a decisão política fundamental não serão constituição propriamente dita, mas meras leis constitucionais.
Alternativa “e”: a alternativa “d” é a correta. 03. (CEFET – Promotor de Justiça – BA/2015) A
rele-vância dos problemas envolvidos na interpretação da Constituição tem motivado a proposta de métodos a serem seguidos nesta tarefa. Todos eles tomam a Cons-tituição como um conjunto de normas jurídicas, como uma lei, que se destina a decidir casos concretos. Ocorre que nem todo o problema concreto acha um desate direto e imediato num claro dispositivo da Constitui-ção, exigindo que se descubra ou se crie uma soluConstitui-ção, segundo um método que norteie a tarefa. (...). (MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional, 9 ed., IDP, 2014, p.91)
Levando-se em consideração a doutrina dos auto-res acima, bem como a caracterização dos Métodos de Interpretação da Constituição, é possível AFIRMAR que o método jurídico-estruturante:
a) Toma a Constituição como um conjunto aberto de regras e princípios, dos quais o aplicador deve escolher aquele que seja mais adequado para a pro-moção de uma solução justa ao caso concreto que
analisa. O foco, para este método, é o problema, servindo as normas constitucionais de catálogo de múltiplos e variados princípios, em que se busca argumento para o desate adequado de uma ques-tão prática.
b) Enxerga a Constituição como um sistema cultural e de valores de um povo, cabendo à interpretação aproximar-se desses valores subjacentes à Carta Maior. Tais valores, contudo, estão sujeitos a flutu-ações, tornando a interpretação da Constituição fundamentalmente elástica e flexível, submetendo a força de decisões fundamentais às vicissitudes da realidade cambiante.
c) Enfatiza que a norma não se confunde com o seu texto (programa normativo), mas tem a sua estru-tura composta, também, pelo trecho da realidade social em que incide (o domínio normativo), sendo esse elemento indispensável para a extração do sig-nificado da norma.
d) Preconiza que a Constituição seja compreen-dida com os mesmos recursos interpretativos das demais leis, segundo as fórmulas desenvolvidas por Savigny: a interpretação sistemática, histórica, lógica e gramatical. A interpretação constitucional não fugiria a esses padrões hermenêuticos, não obstante a importância singular que lhe é reconhe-cida para a ordem jurídica.
e) Parte do pressuposto de que a interpretação cons-titucional é concretização, entendida como uma norma preexistente na qual o caso concreto é indi-vidualizado. Aqui, o primado não é do problema, mas do texto constitucional. A tarefa hermenêutica é suscitada por um problema, mas, para equacio-ná-lo, o aplicador está vinculado ao texto constitu-cional. Para obter o sentido da norma, o intérprete arranca da sua pré-compreensão o significado do enunciado, atuando sob a influência das suas cir-cunstâncias históricas concretas, mas sem perder de vista o problema prático que demanda a sua atenção.
|COMENTÁRIOS|.`
Alternativa correta: letra “c”: o Método Nor-mativo-estruturante (Friedrich Müller), concre-tista (Paulo Bonavides) ou jurídico estruturante é
aquele em que o intérprete parte do direito positivo para chegar à estruturação da norma, muito mais com-plexa que o texto legal. Nesse caminho, há influência da jurisprudência, da doutrina, da história, da cultura e das decisões políticas. Em outras palavras: o exegeta
colhe elementos da realidade social para estru-turar a norma que será aplicada. Assim é que, nos termos da alternativa, enfatiza que a norma não se
confunde com o seu texto (programa normativo), mas tem a sua estrutura composta, também, pelo trecho da realidade social em que incide (o domínio normativo), sendo esse elemento indispensável para a extração do significado da norma.
Direito Constitucional
475Alternativa “a”: o Método Tópico-problemático
(Theodor Viehweg) atua sobre as aporias (aporia: difi-culdade de escolher entre duas opiniões contrárias e igualmente racionais sobre um dado problema). Topos que no plural são os topoi representam formas de pen-samento, raciocínios, argumentações, pontos de vista ou lugares comuns. Os topoi são retirados da jurispru-dência, da doutrina, dos princípios gerais de direito e até mesmo do senso comum. Trata-se de uma teoria de argumentação jurídica em torno do problema. A partir do problema expõem-se os argumentos favoráveis e contrários e consagra-se como vencedor aquele capaz de convencer o maior número de interlocutores. Tem aplicabilidade nos casos de difícil solução, denomi-nados por hard cases. Segundo Uadi Lammêgo Bulos, “propõe a descoberta mais razoável para a solução de um caso jurídico concreto, considerando a constitui-ção um sistema aberto de regras e princípios. Parte do caso concreto para a norma” (Curso de Direito
Consti-tucional. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 458). O foco,
para este método, é o problema, servindo as normas constitucionais de catálogo de múltiplos e variados princípios, em que se busca argumento para o desate adequado de uma questão prática.
Alternativa “b”: Método Científico-espiritual, Valorativo ou Sociológico (Rudolf Smend): tem
como norte o espírito constitucional, ou seja, valores consagrados nas normas constitucionais. Além dos valores, levam-se em conta também outros fatores extraconstitucionais, como a realidade social e cul-tural do povo, exigindo-se uma interpretação elás-tica do texto constitucional, alçando a Constituição a instrumento de integração e solução de conflitos em busca da construção e da preservação da unidade social. Enxerga a Constituição como um sistema cul-tural e de valores de um povo, cabendo à interpreta-ção aproximar-se desses valores subjacentes à Carta Maior. Tais valores, contudo, estão sujeitos a flutua-ções, tornando a interpretação da Constituição funda-mentalmente elástica e flexível, submetendo a força de decisões fundamentais às vicissitudes da realidade cambiante.
Alternativa “d”: os métodos clássicos de intepretação constitucional foram desenvolvidos
por Savigny. Acerca deles, nos explica a doutrina que, “Embora criados para interpretar as normas de Direito Civil, os métodos clássicos ou tradicio-nais de exegese, definidos por Savigny (gramatical, lógico, histórico e sistemático), e aperfeiçoados com o tempo (teleológico, popular, doutrinário e evolu-tivo), afiguram-se úteis ainda hoje. Friederich Carl von Savigny, corifeu da Escola Histórica do Direito, surgida na Alemanha, no Século XIX, propôs investi-gar o fenômeno jurídico em sua perspectiva histórica (System des heutigen romisches Rechts, p. 5 e s.). Para ele, o Direito seria um fenômeno social, originando--se do espírito do povo, da convicção íntima e comum dos homens. Seu grande mérito reside no fato de ter relacionado, pela primeira vez, o dever-ser com o ser histórico, interligando a norma jurídica à realidade
social” (BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito
Cons-titucional. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 455).
Por-tanto, os métodos clássicos preconizam que a Cons-tituição seja compreendida com os mesmos recursos interpretativos das demais leis, segundo as fórmulas desenvolvidas por Savigny: a interpretação sistemá-tica, histórica, lógica e gramatical. A interpretação constitucional não fugiria a esses padrões hermenêu-ticos, não obstante a importância singular que lhe é reconhecida para a ordem jurídica.
Alternativa “e”: trata-se do Método Hermenêu-tico-concretizador (Konrad Hesse) que é aquele em
que o intérprete se vale de suas pré-compreensões valorativas para obter o sentido da norma e então aplicá-la à resolução de determinado problema. O conteúdo da norma somente é alcançado a partir de sua interpretação concretizadora, dotada do cará-ter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, o método de Hesse possibilita que a Constituição tenha força ativa para compreender e alterar a realidade. Mas, nesse mister, o texto constitucional apresenta--se como um limite intransponível para o intérprete, pois se o exegeta passar por cima do texto, ele estará modificando ou rompendo a Constituição, não a interpretando. Nesse sentido, o método em testilha parte do pressuposto de que a interpretação cons-titucional é concretização, entendida como uma norma preexistente na qual o caso concreto é indivi-dualizado. Aqui, o primado não é do problema, mas do texto constitucional. A tarefa hermenêutica é sus-citada por um problema, mas, para equacioná-lo, o aplicador está vinculado ao texto constitucional. Para obter o sentido da norma, o intérprete arranca da sua pré-compreensão o significado do enunciado, atu-ando sob a influência das suas circunstâncias histó-ricas concretas, mas sem perder de vista o problema prático que demanda a sua atenção.
04. (FCC – Promotor de Justiça – PE/2014) Possui
efi-cácia limitada a norma constitucional segundo a qual a) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
b) ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
c) o servidor público estável só perderá o cargo mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, asse-gurada ampla defesa.
d) a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurí-dico perfeito e a coisa julgada.
e) é assegurado à categoria dos trabalhadores domés-ticos o direito a décimo terceiro salário, com base na remuneração integral ou no valor da aposenta-doria.
|COMENTÁRIOS|.`
Nota do autor: a questão aborda a classifica-ção quanto à eficácia das normas constitucionais pro-posta por José Afonso da Silva. Segundo o eminente constitucionalista, as normas constitucionais podem ser: plenas, contidas e limitadas. Normas de eficácia plena são aquelas dotadas de aplicabilidade direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei infra-constitucional para torná-las aplicáveis e nem admi-tem lei infraconstitucional que lhes restrinja o conte-údo. Em outras palavras: elas trazem todo o conteúdo necessário para a sua materialização prática. São entendidas como de aplicabilidade direta, imediata e integral, pois não necessitam de lei infraconstitu-cional. Exemplo: Brasília é a Capital Federal (art. 18, § 1º, da CF). Normas de eficácia contida ou restringível são aquelas que têm aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, pois admitem que seu conteúdo seja restringido por norma infraconstitucional, o que ocorre, por exemplo, com o enunciado que garante o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profis-são, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, da CF). Para ilustrar: a função de advogado, somente pode ser exercida atendida a qualificação profissional de ser bacharel em direito, aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 8º, IV, da Lei 8.906/94). Normas de eficácia limitada são aquelas que possuem aplicabilidade indi-reta, mediata e reduzida (não diindi-reta, não imediata e não integral), pois exigem norma infraconstitucional para que se materializem na prática. Elas podem ser de princípio programático ou princípio institutivo. As normas de eficácia limitada de princípio programático (também referidas apenas como normas programáti-cas) são aquelas que não regulam diretamente inte-resses ou direitos nelas consagrados, mas se limitam a traçar alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programas das respectivas ativida-des, pretendendo unicamente a consecução dos fins sociais pelo Estado. Podem-se citar como exemplos os objetivos da República Federativa do Brasil (art. 3º, da CF), e a determinação de organização de um regime de colaboração dos sistemas de ensino dos Entes da Federação (art. 211, da CF). Já as normas de eficácia limitada de princípio institutivo são aquelas responsá-veis pela estruturação do Estado como, por exemplo, a norma segundo a qual os Territórios Federais inte-gram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar (art. 18, § 2º, da CF).
Alternativa correta: letra “c”: trata-se de norma
de eficácia limitada, pois exige a edição de lei com-plementar que delimite o procedimento de avaliação periódica de desempenho que possa levar o servidor público estável a perder o cargo, nos termos do art. 41, § 1°, III, da CF.
Alternativa “a”: a norma descrita no art. 5°, XIII, da
CF é de eficácia contida, conforme explicação na nota do autor.
Alternativa “b”: o princípio da legalidade, disposto
no art. 5°, II, da CF apresenta-se sob a forma de norma de eficácia plena.
Alternativa “d”: o art. 5°, XXXVI, da CF revela norma
de eficácia plena.
Alternativa “e”: o décimo terceiro salário está
ins-culpido no art. 7°, VIII, da CF como norma de eficácia
plena.
05. (Vunesp – Promotor de Justiça – SP/2013)
Assi-nale a alternativa CORRETA.
O Decreto Legislativo nº 186, de 09 de julho de 2008, aprovou o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007. O Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992, promulgou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969. Tais normas ingressaram no ordenamento jurídico bra-sileiro com o grau hierárquico de:
a) norma supralegal e norma constitucional, respecti-vamente.
b) norma constitucional e norma supralegal, respecti-vamente.
c) ambas com a natureza de norma constitucional. d) ambas com a natureza de norma supralegal. e) ambas com natureza de lei ordinária.
|COMENTÁRIOS|.`
Alternativa correta: letra “b” (responde a todas as alternativas): os tratados e convenções
internacio-nais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais (status de
norma constitucional), nos termos do art. 5°, § 3°, da CF, incluído pela EC 45/04. Essa nova sistemática de incor-poração de tratados (art. 5°, § 3°, da CF) foi aplicada pela primeira vez em 2008, na votação do Decreto
Legislativo 186, que acabou culminando na
promul-gação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência com força constitucional, segundo o Decreto 6.949/2009. Ademais, sem prejuízo da supre-macia da Constituição sobre os tratados e convenções internacionais, a norma convencional internacional em vigor e aplicável no Brasil e que disponha acerca de direitos humanos, não tendo sido objeto de pro-cesso legislativo que a equiparasse a emenda consti-tucional (art. 5°, § 3°, da CF, nos termos da EC 45/04), tem força jurídico-normativa suficiente para restringir a eficácia e indiretamente obstar a aplicabilidade da norma constitucional paradigma, gozando de status
supralegal. Tal posição foi firmada no RE 466.343,
jul-gado em 2008 e relatado pelo Ministro Cezar Peluso. Vale destacar trecho do voto do Ministro Gilmar Men-des: “Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva,
Direito Constitucional
477ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e à Convenção Americana sobre Direitos
Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (art. 7º,
7), ambos no ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário infiel, pois o caráter especial desses diplomas internacionais sobre direitos huma-nos lhes reserva lugar específico no ordenamento jurí-dico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscri-tos pelo Brasil, dessa forma, torna inaplicável a legis-lação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de adesão. Assim ocorreu com o art. 1.287 do CC de 1916 e com o DL 911/1969, assim como em relação ao art. 652 do Novo CC (Lei 10.406/2002).” (RE 466.343, julgado em 2008 e relatado pelo Ministro Cezar Peluso).
06. (Vunesp – Promotor de Justiça – SP/2013) A
repristinação é a possibilidade de uma norma revogada passar novamente a ter vigência pelo fato de a norma revogadora ser revogada. O efeito repristinatório pode ocorrer nos casos
I. de entrada em vigor de lei que revogue a lei revoga-dora expressar o restabelecimento da lei revogada. II. de entrada em vigor de lei que revogue a lei revo-gadora, ainda que não expresse o restabelecimento da lei revogada.
III. de concessão da medida cautelar em autos de ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, voltada contra a lei revogadora, salvo expressa manifestação em sentido contrário. IV. de concessão da medida cautelar em autos de ação
direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal voltada contra a lei revogadora, exceto nos casos em que a União for interessada. V. em que o Tribunal declarar a inconstitucionalidade
de lei e, por maioria simples de seus membros, determinar o efeito ex nunc da decisão.
Está CORRETO apenas o afirmado nos itens a) I e IV. b) II e IV. c) I e V. d) I e III. e) IV e V. |COMENTÁRIOS|.`
Alternativa correta: letra “d” (responde a todas as alternativas): repristinação é o fenômeno que se dá
pela recuperação da vigência de uma norma que tinha sido revogada, se, por acaso, a lei que a tinha revogado, por qualquer razão, perder a vigência (porque foi revo-gada, por exemplo). Simplificando: tomemos três leis “1”, “2” e ”3”. Se “2” revoga “1”, mas “3” revoga “2”, “1” volta a ter vigência. No plano legal, esse fenômeno só existe
de forma expressa (se a lei que entra em vigor revo-gando a lei revogadora expressar o restabelecimento da lei inicialmente revogada), não havendo
repristina-ção tácita. Mas, no plano constitucional, fala-se na exis-tência de um efeito repristinatório tácito, em que no
controle de constitucionalidade concentrado, a con-cessão da medida cautelar ou decisão de mérito torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário (art. 11, §
2°, da Lei 9.868/99). Vale ressaltar, com Pedro Lenza, que o STF vem utilizando a expressão “efeito repristinatório” da declaração de inconstitucionalidade (c.f. ADI 2.215-PE, medida cautelar, Rel. Ministro Celso de Mello, Informativo 224 do STF). Isso porque, se a lei é nula, ela nunca teve eficácia. Se nunca teve eficácia, nunca revogou nenhuma norma. Se nunca revogou nenhuma norma, aquela que teria sido supostamente “revogada” continua tendo efi-cácia (Direito Constitucional Esquematizado. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 342).
07. (MPE – MS – Promotor de Justiça – MS/2013)
Rela-tivamente aos princípios de interpretação especifica-mente constitucionais, é incorreto afirmar:
a) o princípio da interpretação conforme a Constitui-ção não atua no campo do controle de constitucio-nalidade das leis, porque, declarando o Judiciário que certas aplicações da lei não são compatíveis com a Constituição, está ele apenas conservando a lei no sistema jurídico, evitando a sua não conti-nuidade, ainda que com características diferentes, podendo-se, em razão disso, sustentar-se a atuação do julgador como legislador positivo.
b) o princípio da supremacia constitucional é resul-tado da rigidez normativa que ostentam os precei-tos de nossa Constituição, impondo ao Poder Judi-ciário, qualquer que seja a sede processual, que se recuse a aplicar leis ou atos estatais reputados em conflito com a Carta Federal.
c) o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público também sig-nifica que, não sendo evidente a inconstituciona-lidade, havendo dúvida ou possibilidade de razoa-velmente se considerar a norma como válida, deve o órgão competente abster-se da declaração de inconstitucionalidade.
d) o princípio da unidade da Constituição tem o efeito prático de harmonizar as normas constitucionais, na medida em que se tem de produzir um equilí-brio, sem negar por completo a eficácia de qual-quer delas.
e) o princípio da razoabilidade traduz limitação mate-rial também às atividades normativas do Estado, controlando o arbítrio do legislador.
|COMENTÁRIOS|.`
Nota do Autor: os princípios de interpretação constitucional são cobrados com grande frequência nos
concursos para Promotor de Justiça. Vale a pena estudá--los com afinco.
Alternativa certa: “a”: o princípio da interpretação
conforme consiste em conferir-se a um ato normativo polissêmico (que admite vários significados) a interpre-tação que mais se adéque ao que preceitua a Constitui-ção, sem que essa atividade se constitua em atentado ao próprio texto constitucional. Aplicável ao controle de constitucionalidade, a interpretação conforme per-mite que se mantenha um texto legal, conferindo-se a ele um sentido ou interpretação de acordo com os valores constitucionais. Não há que se sustentar que
a partir de sua aplicação o julgador estaria atuando
como legislador positivo. O julgador não está proibido de conferir às normas uma interpretação conforme a Constituição, aliás, essa é sua obrigação.
Alternativa “b”: a noção de supremacia da
Consti-tuição é oriunda de dois conceitos essenciais: 1. a ideia de superioridade do Poder Constituinte sobre as insti-tuições jurídicas vigentes e 2. A distinção entre Consti-tuições Rígidas e Flexíveis. Nesse sentido, a supremacia prega que as normas constitucionais representam o paradigma máximo de validade do ordenamento jurí-dico, de modo que todas as demais normas são hierar-quicamente inferiores a ela. Na pirâmide normativa de Hans Kelsen, a Constituição está no ápice, e as demais normas estão abaixo dela (relação de compatibilidade vertical). Assim, é correto dizer que princípio da supre-macia constitucional resulta da rigidez normativa que ostentam os preceitos de nossa Constituição, impondo ao Poder Judiciário, qualquer que seja a sede proces-sual, que se recuse a aplicar leis ou atos estatais reputa-dos em conflito com a Carta Federal.
Alternativa “c”: a alternativa reflete a doutrina de
Luís Roberto Barroso sobre o princípio da presunção de constitucionalidade das leis: “a) não sendo evidente a inconstitucionalidade, havendo dúvida ou a possibi-lidade de razoavelmente se considerar a norma como válida, deve o órgão competente abster-se da declara-ção de inconstitucionalidade; b) havendo alguma inter-pretação possível que permita afirmar-se a compatibi-lidade da norma com a Constituição, em meio a outras que carreavam para ela um juízo de invalidade, deve o intérprete optar pela interpretação legitimadora, man-tendo o preceito em vigor” (Interpretação e aplicação da
Constituição. 2. ed. São Paulo: Saraiva. 1998, p. 165).
Alternativa “d”: o princípio da unidade da
Cons-tituição preceitua que a interpretação constitucional deve ser realizada tomando-se as normas constitucio-nais em conjunto, como um sistema unitário de princí-pios e regras, de modo a se evitarem contradições (anti-nomias aparentes) entre elas. Assim, ele tem o efeito prático de harmonizar as normas constitucionais, na medida em que se tem de produzir um equilíbrio, sem negar por completo a eficácia de qualquer delas.
Alternativa “e”: o conteúdo da alternativa espelha
o voto do Ministro Celso de Mello, do STF, na relatoria do HC 94404 MC/SP, julgado em 2008, e que, pela absoluta pertinência, segue transcrito em parte: “Como se sabe,
a exigência de razoabilidade traduz limitação mate-rial à ação normativa do Poder Legislativo. O exame da adequação de determinado ato estatal ao prin-cípio da proporcionalidade, exatamente por viabilizar
o controle de sua razoabilidade, com fundamento no art. 5º, LV, da Carta Política, inclui-se, por isso mesmo, no âmbito da própria fiscalização de constitucionali-dade das prescrições normativas emanadas do Poder Público. Esse entendimento é prestigiado pela jurispru-dência do Supremo Tribunal Federal, que, por mais de uma vez, já advertiu que o Legislativo não pode atuar de maneira imoderada, nem formular regras legais cujo conteúdo revele deliberação absolutamente divorciada dos padrões de razoabilidade. Coloca-se em evidência, neste ponto, o tema concernente ao princípio da pro-porcionalidade, que se qualifica – enquanto coeficiente de aferição da razoabilidade dos atos estatais (CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, “Curso de Direito Admi-nistrativo”, p. 56/57, itens ns. 18/19, 4ª ed., 1993, Malhei-ros; LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, “Curso de Direito Admi-nistrativo”, p. 46, item nº 3.3, 2ª ed., 1995, Malheiros) – como postulado básico de contenção dos excessos do Poder Público. Essa é a razão pela qual a doutrina, após destacar a ampla incidência desse postulado sobre os múltiplos aspectos em que se desenvolve a atuação do Estado – inclusive sobre a atividade estatal de produção normativa – adverte que o princípio da
proporcionali-dade, essencial à racionalidade do Estado Democrá-tico de Direito e imprescindível à tutela mesma das liberdades fundamentais, proíbe o excesso e veda o arbítrio do Poder, extraindo a sua justificação
dogmá-tica de diversas cláusulas constitucionais, notadamente daquela que veicula, em sua dimensão substantiva ou material, a garantia do “due process of law” (RAQUEL DENIZE STUMM, “Princípio da Proporcionalidade no Direito Constitucional Brasileiro”, p. 159/170, 1995, Livraria do Advogado Editora; MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO, “Direitos Humanos Fundamentais”, p. 111/112, item nº 14, 1995, Saraiva; PAULO BONAVIDES, “Curso de Direito Constitucional”, p. 352/355, item nº 11, 4ª ed., 1993, Malheiros)”. (grifos nossos)
08. (Cespe – Promotor de Justiça – PI/2012) Assinale
a opção correta no que diz respeito à classificação das constituições.
a) A doutrina denomina constituição semântica as cartas políticas que apenas refletem as subjacentes relações de poder, correspondendo a meros simula-cros de constituição.
b) No que refere à forma, as constituições recebem a denominação de materiais, quando consolida-das em instrumento formal e solene, e não escri-tas, quando baseadas em usos, costumes e textos esparsos.
c) A Constituição da Inglaterra classifica-se como orto-doxa, por ser produto do tempo, ou seja, de vaga-roso processo de filtragem e absorção de ideias. d) Diz-se que uma constituição é prolixa quando,
Direito Constitucional
479do contexto social e político, deixa de refletir os anseios e a realidade de determinado povo.
e) Quanto à origem, as constituições se classificam em populares – deliberadas democraticamente – e pro-mulgadas – impostas pelos governantes.
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Nota do Autor: o amigo leitor deve estudar o tema da classificação das Constituições, que vem sendo cobrado com mais frequência nas provas.
Alternativa correta: “a”: quanto ao valor ou
onto-logia, segundo Karl Loewenstein, Constituição Semân-tica é aquela que tem importância jurídica, mas não valoração legítima, pois é criada apenas para justificar o exercício de um Poder não democrático Assim, é cor-reto dizer que são as cartas políticas que apenas refle-tem as subjacentes relações de poder, correspondendo a meros simulacros de constituição.
Alternativa “b”: no que se refere à forma, as
cons-tituições recebem a denominação de formais (não materiais), quando consolidadas em instrumento for-mal e solene, e não escritas quando identificada a partir dos costumes, da jurisprudência predominante e até
mesmo por documentos escritos (por mais
contra-ditório que possa parecer). Como esclarece Dirley da Cunha Júnior, “não existe Constituição inteiramente não – EScrita ou costumeira, pois sempre haverá nor-mas escritas compondo o seu conteúdo. A Constituição inglesa, por exemplo, compreende importantes textos escritos, mas esparsos no tempo e no espaço, como a Magna Carta (1251), o Petition of Rights (1628), o Habeas Corpus Act (1679), o Bill of Rights (1689), entre outros” (Direito Constitucional. 6 ed. Salvador: Juspodivm, 2012, p. 120).
Alternativa “c”: a Constituição da Inglaterra
classi-fica-se como histórica, por ser produto do tempo, ou seja, de vagaroso processo de filtragem e absorção de ideias. Constituição ortodoxa é aquela forjada sob a ótica de somente uma ideologia, a exemplo das Consti-tuições da União Soviética de 1923, 1936 e 1977.
Alternativa “d”: constituição prolixa é sinônima de analítica, e reflete aquela que vai além dos princípios básicos, detalhando outros assuntos.
Alternativa “e”: quanto à origem, as constituições
se classificam em populares, democráticas ou
promul-gadas – deliberadas democraticamente – e outorga-das – impostas pelos governantes.
09. (UFMT – Promotor de Justiça – MT/2012) Nos
termos da célebre classificação sobre a eficácia e aplica-bilidade das normas constitucionais de José Afonso da Silva, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) A norma “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio [...]” (art. 144, caput, CF/88)
b) A norma “A lei disporá sobre a organização admi-nistrativa e judiciária dos territórios” (art. 33, caput, CF/88) é de eficácia limitada de princípio institutivo. c) A norma “As taxas não poderão ter base de cálculo
própria de impostos” (art. 145, § 2º, CF/88) é de efi-cácia plena e aplicabilidade imediata.
d) A norma “Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar” (art. 143, § 1º, CF/88) é de eficácia limitada.
e) A norma “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] proteção do mercado de traba-lho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei” (art. 7º, XX, CF/88) é de eficácia limi-tada de princípio programático.
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Alternativa certa: “a”: a norma “A segurança
pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio [...]” (art. 144, caput, CF/88) é norma de eficácia limitada de
princípio programático pois não regula diretamente
interesses ou direitos nelas consagrados, mas se limita a traçar alguns preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programas das respectivas atividades, pretendendo unicamente a consecução dos fins sociais pelo Estado.
Alternativa “b”: a norma “A lei disporá sobre a
organização administrativa e judiciária dos territórios” (art. 33, caput, CF/88) é de eficácia limitada de
princí-pio institutivo.
Alternativa “c”: a norma “As taxas não poderão
ter base de cálculo própria de impostos” (art. 145, § 2º, CF/88) é de eficácia plena e aplicabilidade imediata.
Alternativa “d”: a norma “Às Forças Armadas
compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar” (art. 143, § 1º, CF/88) é de
eficá-cia limitada.
Alternativa “e”: a norma “São direitos dos
traba-lhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] proteção do mer-cado de trabalho da mulher, mediante incentivos espe-cíficos, nos termos da lei” (art. 7º, XX, CF/88) é de
eficá-cia limitada de princípio programático.
10. (MPE – GO – Promotor de Justiça – GO/2012) A
jurisdição constitucional e na práxis constitucional, assi-nale a alternativa correspondente à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:
a) dado o caráter normativo do preâmbulo da Cons-tituição da República, é correto invocá-lo como parâmetro de controle em sede de ação direta de inconstitucionalidade;
b) é juridicamente possível, dada a hierarquia axio-lógica existente entre normas constitucionais, que ação direta de inconstitucionalidade ostente pedido de declaração de inconstitucionalidade de norma constitucional originária;
c) quaisquer normas constitucionais contidas no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias sujei-tam-se ao poder de emenda, não se podendo, no entanto, cogitar, em relação a elas, de limites impostos por cláusulas pétreas, cuja proteção se volta, exclusivamente, a normas da parte perma-nente da Constituição;
d) o poder de emenda à Constituição encontra limites nas chamadas cláusulas pétreas, independente de a ação reformadora projetar-se sobre normas cons-tantes da parte permanente ou do Ato das Disposi-ções Constitucionais Transitórias.
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Alternativa correta: “d”: de fato, o poder de
emenda à Constituição encontra limites nas chamadas cláusulas pétreas, que se apresentam como limitações
materiais ou substanciais ao poder constituinte derivado reformador, e estão arroladas no art. 60, § 4º,
da CF. Sua imposição independe de a ação reformadora projetar-se sobre normas constantes da parte perma-nente ou do Ato das Disposições Constitucionais Tran-sitórias, pois se impõem a todas as normas dispostas em articulados que formalmente integram a Constituição.
Alternativa “a”: segundo posição exarada pelo STF
no bojo da ADI 2076, julgada em 2002, o Preâmbulo da
Constituição da República não tem força norma-tiva, figurando como mero vetor interpretativo. Em seu
voto, Celso de Mello sustentou que o Preâmbulo não se situa no âmbito do direito, mas no domínio da política, refletindo posição ideológica do constituinte. Ademais, ele conteria proclamação ou exortação no sentido dos princípios inscritos na Constituição Federal. Quanto à natureza jurídica do Preâmbulo, a posição do STF filia-se à Tese da Irrelevância Jurídica, afastando-se da Tese da Plena Eficácia (que defende ter o Preâmbulo a mesma eficácia das normas que consta da parte articulada da CF) e da Tese da Relevância Jurídica Indireta (para a qual o Preâmbulo é parte da Constituição, mas não é dotado das mesmas características normativas da parte articu-lada). Por essa razão, também não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade. Esse posicio-namento do STF serviu para definir que a invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Consti-tuição da República vigente somente denota inspiração
do constituinte, não violando a liberdade religiosa que permeia o Estado brasileiros.
Alternativa “b”: é juridicamente impossível que
ação direta de inconstitucionalidade ostente pedido de declaração de inconstitucionalidade de norma constitu-cional originária, pois estas gozam de presunção
abso-luta de constitucionalidade.
Alternativa “c”: é verdade que quaisquer normas
constitucionais contidas no Ato das Disposições Consti-tucionais Transitórias sujeitam-se ao poder de emenda, mas se pode cogitar em relação a elas, de limites impostos por cláusulas pétreas, pois estas protegem todas as normas articuladas da Constituição.
11. (MPE – SP – Promotor de Justiça – SP/2011) O livre
exercício de qualquer trabalho, o direito de greve no serviço público e a inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos no processo são, respectivamente, normas constitucionais de eficácia
a) plena, limitada e contida. b) limitada, contida e plena. c) plena, contida e limitada. d) contida, limitada e plena. e) contida, plena e limitada.
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Alternativa correta: “d” (responde a todas as alternativas): nos termos da classificação das normas
constitucionais proposta por José Afonso da Silva, o livre exercício de qualquer trabalho, nos termos do art. 5º, XIII, da CF (“é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profis-sionais que a lei estabelecer”) é uma norma de eficácia contida, pois tem aplicabilidade direta, imediata, mas não integral, pois admite que seu conteúdo seja restrin-gido por norma infraconstitucional. Já o direito de greve do servidor público, insculpido no art. 37, VII, da CF (“o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica”) é uma norma de eficácia limitada, uma vez que possui aplicabilidade indireta, mediata e reduzida (não direta, não imediata e não inte-gral), pois exige norma infraconstitucional para que se materialize na prática. Por fim, a inadmissibilidade de provas obtidas por meios ilícitos no processo, contida no art. 5º, LVI, da CF (“são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”) se traduz em norma de eficácia plena, que não necessita de lei infraconsti-tucional para torná-la aplicável e nem admite lei infra-constitucional que lhe restrinja o conteúdo.
12. (MPE – MS – Promotor de Justiça – MS/2011) A
atual Constituição da República Federativa do Brasil é considerada rígida em razão:
a) das suas alterações exigirem procedimento para alteração mais qualificado que o das leis ordinárias;
Direito Constitucional
481b) da possibilidade de ser alterada após determinado prazo de sua promulgação;
c) de não permitir emenda constitucional quando houver violação às denominadas cláusulas pétreas; d) da possibilidade de haver modificação da
Constitui-ção Federal mediante plebiscito; e) Nenhuma das alternativas anteriores.
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Alternativa correta: “a”: Constituição rígida é
aquela em que o processo para a alteração de qualquer de suas normas é mais difícil do que o utilizado para criar leis. Esse é o caso da Constituição de 1988, cujo processo para edição de emenda constitucional (art. 60 da CF) é bem mais complexo do que o utilizado para a criação de lei.
Alternativa “b”: a possibilidade de alteração de
uma constituição após determinado prazo de sua pro-mulgação apresenta-se como um limitação temporal, que não existiu ou existe na Constituição de 1988.
Alternativa “c”: a não permissão de emenda
cons-titucional quando houver violação às denominadas cláusulas pétreas refere-se a uma limitação material
ao poder de reforma que, apesar de estar presente na
Constituição de 1988 (art. 60, § 4º), não é o que caracte-riza uma Constituição como rígida.
Alternativa “d”: a Constituição Federal não admite
a sua modificação mediante plebiscito, pois segundo o art. 60, ela somente poderá ser emendada mediante proposta: I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II – do Presidente da República; e III – de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
Alternativa “e”: prejudicada pela correção da
alternativa “a”.
13. (MP – DFT – Promotor de Justiça – DFT/2011)
Ana-lise as afirmações abaixo e depois assinale a alternativa
correta:
I. O conceito de Estado de Direito moderno não era incompatível com práticas democráticas restritivas. II. As teorias mais aceitas contemporaneamente
defendem um conceito de Constituição que não seja mera forma nem conteúdo estritamente diri-gente.
III. Estado Democrático de Direito é zeteticamente um conceito com muitas concepções.
IV. A orientação constitucional sinepeica é formal – positivista, preocupando-se com a perfeição das normas em seu plano deôntico ou de “dever ser”. a) Estão corretos os itens I, II e III.
b) Apenas IV está correto.
c) Apenas os itens I e II estão corretos. d) Estão corretos os itens II e IV. e) Apenas I é falso.
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Nota do Autor: a questão tem alto nível de difi-culdade, pois exige aprofundamento teórico, o que é uma praxe nas provas para o MP – DFT.
Alternativa correta: “a”.
Item “I”. Correto. O conceito de Estado de Direito
moderno, cristalizado após as revoluções liberais do Século XVIII, não era incompatível com práticas demo-cráticas restritivas, ao contrário, por estar forjado em um ideal de direito positivo e legalista, permitia sua manipulação com o objetivo de se sustentar um regime totalitário.
Item “II”. Correto. as teorias mais aceitas
contem-poraneamente defendem um conceito de Constituição que não seja mera forma nem conteúdo estritamente dirigente, ou seja, que se extraia a máxima efetividade do Texto Constitucional por meio de uma atividade do intérprete que otimize a norma constitucional para dela extrair a maior efetividade possível, guardando estreita relação com o princípio da força normativa. Esse ideal também se relaciona ao método hermenêutico-concre-tizador de Konrad Hesse, segundo o qual o intérprete deve se valer de suas pré-compreensões valorativas para obter o sentido da norma em um determinado problema. O conteúdo da norma somente é alcançado a partir de sua interpretação concretizadora, dotada do caráter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, o método de Hesse possibilita que a Constituição tenha força ativa para compreender e alterar a realidade.
Item “III”. Correto. A zetética admite
questiona-mentos em relação aos conceitos que estruturam um saber, diferentemente do que ocorre com a dogmá-tica. Assim, é correto dizer que Estado Democrático de Direito é zeteticamente um conceito com muitas concepções, porque não há consenso sobre o seu sig-nificado, que varia conforme a concepção ideológica do intérprete.
Item “IV”. Falso. A orientação constitucional
sine-peica (que se traduz em uma consequência lógica) entende que o direito se aperfeiçoa metodicamente no tempo, figurando como instrumento de realização da justiça. Assim, não se preocupa com a perfeição das normas em seu plano deôntico ou de “dever ser”, pois seu objetivo é outro.
14. (MP – DFT – Promotor de Justiça – DFT/2011)
Assinale a alternativa incorreta:
a) Há uma onda de direitos básicos que reivindicam a superação do especismo e que já encontra, ainda que de modo limitado, expressão na Constituição brasileira.
b) Embora em fase de afirmação, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal identifica a proteção constitucional da vida humana a partir, pelo menos, da nidação do embrião no endométrio materno. c) O princípio da proporcionalidade deve ser
enten-dido como método objetivo, e não como critério argumentativo ou subjetivo, de interpretação cons-titucional para aferir a legitimidade de intervenções legislativas no âmbito dos direitos fundamentais. d) O princípio da razoabilidade tem sentido variado
(medida de justiça, natureza das coisas, senso comum, etc.), sendo mais empregado no âmbito dos direitos de igualdade como forma de identificar discriminações injustificadas.
e) A hermenêutica filosófica, base para entendimento da hermenêutica constitucional, realça a influência das pré-compreensões do intérprete nos processos de atribuição de sentidos e significados às normas constitucionais.
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Alternativa certa: “c”: no HC 82.959, julgado em
2006 e relatado pelo Ministro Gilmar Mendes, o STF traz há didática lição sobre o tema: “[...] propõe Hesse uma fórmula conciliadora, que reconhece no princípio da proporcionalidade uma proteção contra as limitações arbitrárias ou desarrazoadas (teoria relativa), mas tam-bém contra a lesão ao núcleo essencial dos direitos fun-damentais (...) a proporcionalidade não há de ser inter-pretada em sentido meramente econômico, de adequa-ção da medida limitadora ao fim perseguido, devendo também cuidar da harmonização dessa finalidade com o direito afetado pela medida”. Assim, o princípio da proporcionalidade deve ser entendido como um
cri-tério argumentativo ou subjetivo, de interpretação
constitucional para aferir a legitimidade de interven-ções legislativas no âmbito dos direitos fundamentais.
Alternativa “a”: há uma onda de direitos básicos
que reivindicam a superação do especismo, ou seja, da proteção exclusiva aos direitos dos seres humanos, e que já encontra, ainda que de modo limitado, expressão na Constituição brasileira, haja vista o art. 225, § 1º, VII, prever proteção a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecoló-gica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
Alternativa “b”: no bojo da ADI 3510, que versava
sobre a constitucionalidade da utilização de células--tronco embrionária, restou consolidado pelo STF que: “A decisão por uma descendência ou filiação exprime um tipo de autonomia de vontade individual que a pró-pria Constituição rotula como ‘direito ao planejamento familiar’, fundamentado este nos princípios igualmente constitucionais da ‘dignidade da pessoa humana’ e da ‘paternidade responsável’. (...) A opção do casal por um processo in vitro de fecundação artificial de óvulos é implícito direito de idêntica matriz constitucional, sem acarretar para esse casal o dever jurídico do
apro-veitamento reprodutivo de todos os embriões even-tualmente formados e que se revelem geneticamente viáveis. O princípio fundamental da dignidade da pes-soa humana opera por modo binário, o que propicia a base constitucional para um casal de adultos recorrer a técnicas de reprodução assistida que incluam a fertiliza-ção artificial ou in vitro. De uma parte, para aquinhoar o casal com o direito público subjetivo à ‘liberdade’ (preâmbulo da Constituição e seu art. 5º), aqui enten-dida como autonomia de vontade. De outra banda, para contemplar os porvindouros componentes da unidade familiar, se por eles optar o casal, com planejadas condi-ções de bem-estar e assistência físico-afetiva (art. 226 da CF). Mais exatamente, planejamento familiar que, ‘fruto da livre decisão do casal’, é ‘fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade respon-sável’ (§ 7º desse emblemático artigo constitucional de nº 226). O recurso a processos de fertilização artificial não implica o dever da tentativa de nidação no corpo da mulher de todos os óvulos afinal fecundados. Não existe tal dever (inciso II do art. 5º da CF), porque incom-patível com o próprio instituto do ‘planejamento fami-liar’ na citada perspectiva da ‘paternidade responsável’. Imposição, além do mais, que implicaria tratar o gênero feminino por modo desumano ou degradante, em con-trapasso ao direito fundamental que se lê no inciso II do art. 5º da Constituição. Para que ao embrião in vitro fosse reconhecido o pleno direito à vida, necessário seria reconhecer a ele o direito a um útero. Proposição não autorizada pela Constituição.” (ADI 3.510, julgada em 2008 e relatada pelo Ministro Ayres Britto).
Alternativa “d”: o princípio da razoabilidade, de
tradição estadunidense, tem sentido variado (medida de justiça, natureza das coisas, senso comum, etc.), sendo mais empregado no âmbito dos direitos de igualdade como forma de identificar discriminações injustificadas, a exemplo das ponderações sobre critérios discrimina-tórios utilizados em concursos públicos. Por exemplo, quanto a concurso público e o princípio da igualdade, ponderados com proporcionalidade, segundo entendi-mento do STF, é possível: a) fixação limites etários máxi-mos para a admissão de pessoal no serviço público em atenção à natureza das atribuições do cargo a ser preen-chido; b) estabelecimento de limites mínimos de altura para candidatos em concurso público e; c) distinção em razão da raça, pois em 2012, o STF afirmou a constitu-cionalidade da política de cotas que reserva vagas para negros em universidades públicas.
Alternativa “e”: a hermenêutica filosófica, base
para entendimento da hermenêutica constitucional, realça a influência das pré-compreensões do intérprete nos processos de atribuição de sentidos e significados às normas constitucionais, o que se reflete claramente no método hermêutico-concretizados de Konrad Hesse, segundo o qual o intérprete se vale de suas pré-com-preensões valorativas para obter o sentido da norma em um determinado problema. O conteúdo da norma somente é alcançado a partir de sua interpretação con-cretizadora, dotada do caráter criativo que emana do exegeta. Nesse sentido, o método de Hesse possibilita