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PROCESSO Nº TST-RR A C Ó R D Ã O 3ª Turma GMAAB/ajsn/lr/smf

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A C Ó R D Ã O 3ª Turma

GMAAB/ajsn/lr/smf

I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE

REVISTA. AUTO DE INFRAÇÃO.

RECONHECIMENTO DA CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO APÓS A CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. POSSIBILIDADE. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO OCORRÊNCIA. Provável violação dos

arts. 626 e 628 da CLT. Agravo de

instrumento conhecido e provido.

II - RECURSO DE REVISTA. AUTO DE

INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DA

CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO APÓS A CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE NA

CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES.

POSSIBILIDADE. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO OCORRÊNCIA.

Cinge-se a controvérsia a definir se configura invasão de competência o fato de o auditor-fiscal do trabalho ter aplicado multa em face do não cumprimento da legislação trabalhista, por ser da Justiça do Trabalho a

competência exclusiva para o

reconhecimento da relação de emprego. No caso concreto, o e. TRT manteve a sentença, que declarou a invalidade do Auto de Infração com fundamento na falta de competência dos auditores fiscais do trabalho em reconhecerem a existência de relação de emprego derivada da situação fática apresentada. Foi destacado, ainda, que essa competência é inerente à atividade jurisdicional, exclusiva do Poder Judiciário. A fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho (CLT, art. 626), cabe ao auditor-fiscal do trabalho ou às autoridades que exerçam

funções delegadas, sob pena de

responsabilidade administrativa (CLT,

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Firmado por assinatura digital em 09/04/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP

art. 628). Assim, esse servidor público, ao lavrar o auto de infração, nada mais fez do que agir em conformidade e dentro dos limites legais que lhe atribuem competência

quando verificada a infração à

legislação trabalhista. Precedentes desta Corte Superior.

Recurso de

revista conhecido por violação dos

arts. 626 e 628 da CLT e provido

. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-RR-1200-12.2009.5.02.0013, em que é Recorrente UNIÃO

(PGU) e são Recorridas SORIN BIOMÉDICA INDUSTRIAL LTDA. e CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF.

O e. TRT da 2ª Região negou provimento ao recurso ordinário da União, às fls. 499-503, para manter a sentença quanto à declaração de incompetência do fiscal do trabalho para determinar a natureza jurídica do vínculo estabelecido entre as partes.

Dessa decisão, a União interpõe recurso de revista objetivando a reforma da v. decisão recorrida, ao qual foi negado seguimento pelo despacho de admissibilidade às fls. 540-542.

A agravada (SORIN) apresentou contraminuta e contrarrazões, às fls. 566-574 e 576-582.

O Ministério Público do Trabalho, às fls. 593-594, opina pelo não provimento do recurso.

É o relatório.

V O T O

I – AGRAVO DE INSTRUMENTO

PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO ARGUIDA EM CONTRAMINUTA - FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA - SÚMULA Nº 422 DO TST

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A agravada (SORIN) argumenta preliminarmente, em contraminuta, às fls. 569-571, que não deve ser conhecido o agravo de instrumento, por falta de impugnação específica do despacho denegatório do recurso de revista, nos termos da Súmula 422 do TST.

No entanto, na minuta de agravo de instrumento, a União tenta demonstrar, de modo específico, que deve ser conhecido o recurso de revista com base em violações de dispositivos de lei e por divergência jurisprudencial, não incidindo, dessa forma, o disposto na Súmula nº 422 do TST.

Preliminar a que se rejeita.

1 - CONHECIMENTO

O agravo de instrumento é tempestivo (fls. 544 e 547), está subscrito por advogado devidamente habilitado (Súmula 436 do TST) e regularmente formado. CONHEÇO.

2 - MÉRITO

2.1 – AUTO DE INFRAÇÃO - RECONHECIMENTO DA CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO APÓS A CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES – POSSIBILIDADE - INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO - NÃO OCORRÊNCIA

A Presidência do egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região negou seguimento ao recurso de revista da União, sob os seguintes fundamentos:

JUSTIÇA DO TRABALHO - COMPETÊNCIA Alegação(ões):

- violação do(s) art(s). 41, 626 e 628 da CLT. - divergência jurisprudencial.

Consta do v. Acórdão: ‘...A atividade de inspeção e fiscalização do trabalho tem por finalidade assegurar a efetiva aplicação das normas legais e regulamentares disciplinadoras do trabalho, inclusive as decorrentes de convenções internacionais ratificadas pelo Brasil e de Convenções Coletivas do Trabalho, além dos atos e decisões das autoridades competentes em matéria de

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trabalho. É o que se lê no art. 1º do Decreto 55.841/65 – Regulamento da Inspeção do Trabalho: ‘O sistema federal de inspeção do trabalho, a cargo do Ministério do Trabalho e Previdência Social, sob a supervisão do Ministro de Estado, tem por finalidade assegurar, em todo o território nacional, a aplicação das disposições legais e regulamentares, incluindo as convenções internacionais ratificadas, dos atos e decisões das autoridades competentes e das convenções coletivas de trabalho, no que concerne à duração e às condições de trabalho bem como à proteção dos trabalhadores no exercício da profissão.’ Por outro lado, busca-se assegurar o cumprimento dessa finalidade, com a atribuição de competência não apenas preventiva, mas também punitiva aos agentes fiscalizadores, como se vê do art. 8º do mesmo Regulamento: ‘Para a fiel execução da ação fiscal, compete aos Inspetores do Trabalho: ... omissis ...

q) proceder à lavratura de autos e infração por inobservância de disposições legais; Importante relembrar aqui que os agentes fiscalizadores, agentes públicos que são, estão adstritos ao princípio da legalidade. A eles não se concede vontade própria, mas apenas a vontade da lei. Nessa moldura estrita é que se definem os limites de sua competência.

No caso que se examina, a autuação decorreu de falta de registro de 11 pessoas mantidos pela recorrida a seu serviço, reportada no Auto de Infração como ‘manter empregado sem o respectivo registro em ficha competente.’ (auto de infração 176451219, doc. 10) Como bem destacado na origem, ‘impossível, no ato da fiscalização, a constatação de que as pessoas indicadas em recibos de prestação de serviços ou tabelas de comissões trabalhem de forma não eventual e com subordinação’ A conclusão do Sr. Fiscal, portanto, demandou que se transmudasse a natureza do vínculo jurídico existente entre as partes envolvidas e, neste aspecto, envolveu evidente atividade jurisdicional, afeta exclusivamente ao Poder Judiciário, e, no caso específico, às Varas do Trabalho, mediante provocação dos próprios empregados ou de seu Sindicato, ou ainda, no caso dos autos, da Procuradoria Regional do Trabalho, mediante a instauração de inquérito civil público, instrumento apropriado à apuração dos fatos, e, se fosse o caso, da competente Ação Civil Pública.

Veja-se que mesmo o Inquérito Civil Público seria insuficiente à finalidade descrita no Auto de Infração aqui questionado, sendo necessária a sua confirmação por sentença judicial, admitida sempre, em ambas as esferas, a ampla defesa da Impetrante, que, no caso concreto, restou gravemente comprometida.

Da leitura do arrazoado do Sr. Fiscal, apreende-se que emitiu verdadeiro juízo de valor sobre a situação fática dos trabalhadores, o que refoge totalmente à sua competência, por configurar atividade jurisdicional, afeta exclusivamente ao Poder Judiciário.

Não se trata aqui de entrar no mérito das relações de trabalho questionadas, nem mesmo o acerto ou desacerto do Sr. Fiscal ao declarar serem elas trabalhistas, mas, apenas e unicamente, a sua competência para tanto, uma vez que tal conclusão implica a desconstituição de situações devidamente formalizadas.

Desta feita nego provimento ao recurso...’.

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O reexame extraordinário de matéria decidida a partir da exegese dos preceitos legais aplicáveis ao caso, como na espécie, depende de demonstração da existência de efetiva divergência jurisprudencial, e os paradigmas regionais, trazidos a cotejo, não autorizam a cognição intentada, no particular, pois, abordando hipótese fática diversa daquela delineada no duplo grau, não revelam a especificidade exigida pela Súmula nº 296 do colendo Tribunal Superior do Trabalho.

Por outro lado, não se viabilizam as violações apontadas porque não demonstradas de forma literal e inequívoca.

CONCLUSÃO

DENEGO seguimento ao Recurso de Revista.

Na minuta de agravo de instrumento, a União argumenta que deve ser conhecido e provido o seu recurso de revista por violação dos arts. 114 da CF/88; 41, caput, 626, e 628 da CLT. Sustenta que é dever legal do Poder Público proceder às devidas autuações sempre que as normas de proteção do trabalhador forem desrespeitadas. Destaca que os ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho têm por atribuições assegurar o cumprimento de disposições legais e regulamentares, inclusive as relacionadas à segurança e à medicina do trabalho, no âmbito das relações de trabalho e de emprego. Sustenta que a competência jurisdicional exercida pela Justiça do Trabalho não exclui a competência administrativa do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ao exame.

Cinge-se a controvérsia a definir se configura invasão de competência o fato de o auditor-fiscal do trabalho ter aplicado multa em face do não cumprimento da legislação trabalhista, por ser da Justiça do Trabalho a competência exclusiva para o reconhecimento da relação de emprego.

No caso concreto, o e. TRT manteve a sentença, que declarou a invalidade do Auto de Infração com fundamento na falta de competência dos auditores fiscais do trabalho em reconhecerem a existência de relação de emprego derivada da situação fática apresentada. Foi destacado, ainda, que essa competência é inerente à atividade jurisdicional, exclusiva do Poder Judiciário.

A fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho (CLT, art. 626), cabe ao auditor-fiscal do trabalho

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ou às autoridades que exerçam funções delegadas, sob pena de responsabilidade administrativa (CLT, art. 628).

Assim, o auditor-fiscal do trabalho, sob pena de responsabilidade administrativa, deve proceder à autuação de empresa, por falta de registro de empregado (art. 41 da CLT), independentemente dos motivos pelos quais os contratos de trabalho não foram formalizados. Dessa forma, ao manter a nulidade do auto de infração, o Colegiado de origem possivelmente violou o disposto nos arts. 626 e 628 da CLT.

Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista.

II - RECURSO DE REVISTA

O recurso de revista é tempestivo (fls. 506 e 508) e possui representação (Súmula 436 do TST) e preparo dispensado (art. 790-A da CLT), pelo que passo à análise dos pressupostos específicos.

1 – CONHECIMENTO

1.1 - AUTO DE INFRAÇÃO - RECONHECIMENTO DA CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO APÓS A CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES – POSSIBILIDADE - INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO - NÃO OCORRÊNCIA

O e. TRT negou provimento ao recurso ordinário da União, sob os seguintes fundamentos:

A atividade de inspeção e fiscalização do trabalho tem por finalidade assegurar a efetiva aplicação das normas legais e regulamentares disciplinadoras do trabalho, inclusive as decorrentes de convenções internacionais ratificadas pelo Brasil e de Convenções Coletivas do Trabalho, além dos atos e decisões das autoridades competentes em matéria de trabalho. É o que se lê no art. 1º do Decreto 55.841/65 – Regulamento da Inspeção do Trabalho: ‘O sistema federal de inspeção do trabalho, a cargo do Ministério do Trabalho e Previdência Social, sob a supervisão do Ministro de Estado, tem por finalidade assegurar, em todo o território nacional, a aplicação das disposições legais e regulamentares, incluindo as convenções internacionais ratificadas, dos atos e decisões das

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autoridades competentes e das convenções coletivas de trabalho, no que concerne à duração e às condições de trabalho bem como à proteção dos trabalhadores no exercício da profissão.’ Por outro lado, busca-se assegurar o cumprimento dessa finalidade, com a atribuição de competência não apenas preventiva, mas também punitiva aos agentes fiscalizadores, como se vê do art. 8º do mesmo Regulamento: ‘Para a fiel execução da ação fiscal, compete aos Inspetores do Trabalho: ... omissis ...

q) proceder à lavratura de autos e infração por inobservância de disposições legais; Importante relembrar aqui que os agentes fiscalizadores, agentes públicos que são, estão adstritos ao princípio da legalidade. A eles não se concede vontade própria, mas apenas a vontade da lei. Nessa moldura estrita é que se definem os limites de sua competência.

No caso que se examina, a autuação decorreu de falta de registro de 11 pessoas mantidos pela recorrida a seu serviço, reportada no Auto de Infração como ‘manter empregado sem o respectivo registro em ficha competente.’ (auto de infração 176451219, doc. 10) Como bem destacado na origem, ‘impossível, no ato da fiscalização, a constatação de que as pessoas indicadas em recibos de prestação de serviços ou tabelas de comissões trabalhem de forma não eventual e com subordinação’ A conclusão do Sr. Fiscal, portanto, demandou que se transmudasse a natureza do vínculo jurídico existente entre as partes envolvidas e, neste aspecto, envolveu evidente atividade jurisdicional, afeta exclusivamente ao Poder Judiciário, e, no caso específico, às Varas do Trabalho, mediante provocação dos próprios empregados ou de seu Sindicato, ou ainda, no caso dos autos, da Procuradoria Regional do Trabalho, mediante a instauração de inquérito civil público, instrumento apropriado à apuração dos fatos, e, se fosse o caso, da competente Ação Civil Pública.

Veja-se que mesmo o Inquérito Civil Público seria insuficiente à finalidade descrita no Auto de Infração aqui questionado, sendo necessária a sua confirmação por sentença judicial, admitida sempre, em ambas as esferas, a ampla defesa da Impetrante, que., no caso concreto, restou gravemente comprometida.

Da leitura do arrazoado do Sr. Fiscal, apreende-se que emitiu verdadeiro juízo de valor sobre a situação fática dos trabalhadores, o que refoge totalmente à sua competência, por configurar atividade jurisdicional, afeta exclusivamente ao Poder Judiciário.

Não se trata aqui de entrar no mérito das relações de trabalho questionadas, nem mesmo o acerto ou desacerto do Sr. Fiscal ao declarar serem elas trabalhistas, mas, apenas e unicamente, a sua competência para tanto, uma vez que tal conclusão implica a desconstituição de situações devidamente formalizadas.

Desta feita nego provimento ao recurso.

Nas razões de recurso de revista, a União argumenta que deve ser conhecido e provido o seu recurso de revista por violação dos arts. 114 da CF/88; 41, caput, 626, e 628 da CLT. Sustenta que é dever legal do Poder Público proceder às devidas autuações sempre que

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as normas de proteção do trabalhador forem desrespeitadas. Destaca que os ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho têm por atribuições assegurar o cumprimento de disposições legais e regulamentares, inclusive as relacionadas à segurança e à medicina do trabalho, no âmbito das relações de trabalho e de emprego. Sustenta que a competência jurisdicional exercida pela Justiça do Trabalho não exclui a competência administrativa do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ao exame.

A fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho (CLT, art. 626), cabe ao auditor-fiscal do trabalho ou às autoridades que exerçam funções delegadas, sob pena de responsabilidade administrativa (CLT, art. 628).

Assim, o auditor-fiscal do trabalho, sob pena de responsabilidade administrativa, deve proceder à autuação de empresa, por falta de registro de empregado (art. 41 da CLT), independentemente dos motivos pelos quais os contratos de trabalho não foram formalizados, sem que isso importe reconhecimento de vínculo empregatício.

Nesse contexto, ao manter a anulação do auto de infração, o Colegiado de origem violou o disposto nos arts. 626 e 628 da CLT, razão pela qual CONHEÇO do recurso de revista.

2 – MÉRITO

2.1 - AUTO DE INFRAÇÃO - RECONHECIMENTO DA CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PELO AUDITOR FISCAL DO TRABALHO APÓS A CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE NA CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES – POSSIBILIDADE - INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO - NÃO OCORRÊNCIA

Cinge-se a controvérsia a definir se configura invasão de competência o fato de o auditor-fiscal do trabalho ter aplicado multa em face do não cumprimento da legislação trabalhista, por ser da Justiça do Trabalho a competência exclusiva para o reconhecimento da relação de emprego.

No caso concreto, o e. TRT manteve a sentença, que declarou a invalidade do Auto de Infração com fundamento na falta de

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competência dos auditores fiscais do trabalho em reconhecerem a existência de relação de emprego derivada da situação fática apresentada. Foi destacado, ainda, que essa competência é inerente à atividade jurisdicional, exclusiva do Poder Judiciário.

A fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho (CLT, art. 626), cabe ao auditor-fiscal do trabalho ou às autoridades que exerçam funções delegadas, sob pena de responsabilidade administrativa (CLT, art. 628).

A ação fiscalizadora é exercida, exclusivamente, por agentes do Poder Público, aos quais cabe, dentre outras atribuições, verificar o fiel cumprimento da obrigação legal de formalização do vínculo empregatício, quando houver trabalho subordinado, oneroso, não eventual e prestado com pessoalidade (art. 7º, § 1º, da Lei nº 7.855/89; art. 11, II, da Lei nº 10.352/02).

Assim, o auditor-fiscal do trabalho, sob pena de responsabilidade administrativa, deve proceder à autuação de empresa, por falta de registro de empregado (art. 41 da CLT), independentemente dos motivos pelos quais os contratos de trabalho não foram formalizados. No caso, o auditor-fiscal do trabalho, ao lavrar o auto de infração, nada mais fez do que agir em conformidade e dentro dos limites legais que lhe atribuem competência para aplicar multa administrativa quando verificada a infração à legislação trabalhista.

Neste sentido, cito os seguintes precedentes desta Corte:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. AUTO DE INFRAÇÃO. AÇÃO ANULATÓRIA. O Poder Executivo tem a competência e o dever de assegurar a fiel execução das leis no País (art. 84, IV, CF), função que realiza, no âmbito jus laborativo, entre outras medidas e instituições, mediante a competência explícita da União para organizar, manter e executar a inspeção do trabalho (art. 21, XXIV, CF). O Auditor Fiscal do Trabalho, como qualquer autoridade de inspeção do Estado (inspeção do trabalho, inspeção fazendária, inspeção sanitária, etc.), tem o poder e o dever de examinar os dados da situação concreta posta à sua análise, durante a inspeção, verificando se ali há (ou não) cumprimento ou descumprimento das respectivas leis federais imperativas. Na hipótese da atuação do Auditor Fiscal do Trabalho, este pode (e deve) examinar a presença (ou não) de relações jurídicas enquadradas nas leis trabalhistas e se estas leis estão (ou não) sendo cumpridas no caso concreto, aplicando as sanções

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pertinentes, respeitado o critério da dupla visita. Se o empregador mantém trabalhador irregular, ofende o art. 41 da CLT, referente à obrigatoriedade de mantença dos livros de registros de empregados. Desse modo, não se pode concordar com a tese exposta pela Autora de não caber à Auditoria Fiscal Trabalhista decidir sobre a existência ou inexistência de relação de emprego e de questões dela decorrentes, por ser isso, supostamente, exclusivo do Judiciário Trabalhista, já que analisar a situação fática e realizar seu enquadramento no Direito é tarefa de qualquer órgão fiscalizador do Estado, em sua atribuição constitucional de fazer cumprir as leis do País. Não há qualquer restrição na ordem jurídica quanto à possibilidade de o órgão fiscalizador verificar a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego. No caso concreto, verifica-se que o Regional manteve a sentença, que declarou a validade do Auto de Infração, pois foi constatado o descumprimento do artigo 41 da CLT. O acórdão regional consignou que a fiscalização verificou a ilicitude na prestação de serviços de trabalhadores no estabelecimento. Nesse aspecto, constitui múnus público do Auditor Fiscal do Trabalho identificar a presença (ou não) de relações jurídicas enquadradas nas leis trabalhistas para, em caso de descumprimento, aplicar as sanções cabíveis, máxime porque o auto de infração lavrado ostenta presunção de legalidade e veracidade, cabendo, então, à Autora comprovar, cabalmente, que o desempenho das atividades pelos prestadores de serviço em seu estabelecimento era legal e regular. Em não havendo tal prova nos autos, e diante da ilicitude constatada, o Auto de Infração mencionado encontra-se respaldado legalmente. Agravo de instrumento desprovido. (TST- AIRR - 1985-94.2012.5.04.0018, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, DEJT 3/10/2014.)

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DE O FISCAL DO TRABALHO CONSIDERAR A EXISTÊNCIA DO VÍNCULO DE EMPREGO, A FIM DE EXERCER SUA ATIVIDADE. Agravo de instrumento provido, a fim de se determinar o processamento do recurso de revista para melhor análise de possível violação dos arts. 626 e 628 da CLT.

RECURSO DE REVISTA. POSSIBILIDADE DE O FISCAL DO TRABALHO CONSIDERAR A EXISTÊNCIA DO VÍNCULO DE EMPREGO, A FIM DE EXERCER SUA ATIVIDADE. Não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a consideração de existência de vínculo de emprego por parte do auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo eficácia somente quanto ao empregador, na área administrativa. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviços e o trabalhador, não há óbice à lavratura dos autos de infração, com a aplicação das respectivas multas, em razão do exercício do poder de polícia que lhe é inerente, nos termos do art. 628 da CLT. Recurso de revista conhecido e provido. (TST-RR - 1123-31.2011.5.02.0078, Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 8/8/2014).

RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO PELA EMPRESA AUTORA. RECURSO DE REVISTA. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE

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EMPREGO POR AUDITOR FISCAL. APLICAÇÃO DE MULTA. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A Constituição Federal, em seu art. 21, XXIV, disciplina que compete à União, -organizar, manter e executar a inspeção do trabalho-, e o art. 14, XIX, -c-, da Lei n° 9.649/1998 determina que compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização do trabalho, bem como a aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. 2. Por outro lado, conforme disciplinado pela Lei nº 10.593/2002, cabe ao auditor fiscal do trabalho assegurar a aplicação de dispositivos legais e regulamentares de natureza trabalhista. 3. Por conseguinte, conclui-se que o agente de fiscalização é competente para identificar a existência de relação de emprego irregular e, constatando-a, aplicar as sanções legalmente cabíveis. Recurso de embargos conhecido e não provido. (TST-E-RR - 18800-14.2007.5.15.0091, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT 21/2/2014)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. MULTA ADMINISTRATIVA. AUDITOR FISCAL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. POSSÍVEL VÍNCULO DE EMPREGO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. NÃO PROVIMENTO. A redação dos artigos 41 e 47 da CLT é clara no sentido de que incumbe às autoridades competentes do Ministério do Trabalho a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho, e que o Auditor Fiscal do Trabalho, ao constatar a existência de violação de preceito legal, sob pena de responsabilidade administrativa, deve lavrar o auto de infração. Assim, uma vez observada a possível relação de emprego entre as partes sem a observância dos preceitos legais pertinentes, cabe ao Ministério do Trabalho, em razão do exercício do poder de polícia que lhe é inerente, o dever de fiscalizar, autuar e aplicar a multa. Não há falar, de igual maneira, em invasão da competência da Justiça do Trabalho, tampouco em violação do artigo 114 da Constituição Federal, cumprindo observar, ainda, que a conclusão do agente público não impede o reexame da matéria na esfera judicial. Precedentes. Agravo de instrumento a que se nega provimento. (-) (TST-AIRR - 2632-06.2010.5.18.0201, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 5ª Turma, DEJT 28/3/2014)

RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007.AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO DE EMPREGO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ART. 41 DA CLT. RECONHECIMENTO PELO FISCAL DO TRABALHO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. 1. O Colegiado Turmário deu provimento ao recurso de revista da União, para ‘reconhecer a atribuição do fiscal do trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego’. Consignou que ‘não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a declaração de existência de vínculo de emprego feita pelo auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo essa declaração eficácia somente quanto ao empregador, não

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transcendendo os seu efeitos subjetivos para aproveitar, sob o ponto de vista processual, ao trabalhador. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviço e o trabalhador, não há óbice na cobrança do FGTS pela União, em razão de tal atribuição estar prevista no art. 23 da Lei 8.036/90’. 2. Decisão embargada em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, firme no sentido de que o reconhecimento de eventual terceirização ilícita - e da decorrente formação de vínculo de emprego com o tomador de serviços -, para fins de lavratura de auto de infração em decorrência da inobservância das disposições contidas no art. 41 da CLT, é atribuição do Auditor Fiscal do Trabalho, nos moldes dos arts. 626 e 628 da CLT e 11 da Lei 10.592/2002, não havendo falar em invasão da competência da Justiça do Trabalho. Recurso de embargos conhecido e não provido. (TST-E-ED-RR - 131140-48.2005.5.03.0011, Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT 27/2/2015)

Caracterizada, portanto, a violação dos dispositivos referidos, dou provimento ao recurso de revista, para declarar válida a autuação do auditor-fiscal do trabalho e o respectivo auto de infração lavrado.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal

Superior do Trabalho, por unanimidade: I – conhecer e dar provimento ao agravo de instrumento para determinar a conversão prevista nos §§ 5º e 7º do artigo 897 da CLT; II - conhecer do recurso de revista por violação dos arts. 626 e 628 da CLT e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar válida a autuação do auditor-fiscal do trabalho e o respectivo auto de infração lavrado.

Brasília, 8 de Abril de 2015.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001) ALEXANDRE AGRA BELMONTE

Ministro Relator

Referências

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