Londrina - Paraná
2020
Mestrado Profissional em Exercício Físico na Promoção da Saúde
DÉBORA NASCIMENTO BESSONE
EXERCÍCIOS PROPRIOCEPTIVOS PARA ATLETAS-JOVENS DE
GINÁSTICA RÍTMICA: PREVENÇÃO DE LESÕES
DÉBORA NASCIMENTO BESSONE
EXERCÍCIOS PROPRIOCEPTIVOS PARA ATLETAS-JOVENS DE
GINÁSTICA RÍTMICA: PREVENÇÃO DE LESÕES
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa em Ciências da Saúde, Universidade Norte do Paraná, Unidade Piza, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre Profissional em Exercício Físico na Promoção da Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes
Londrina - Paraná 2020
EXERCÍCIOS PROPRIOCEPTIVOS PARA ATLETAS-JOVENS
DE GINÁSTICA RÍTMICA: PREVENÇÃO DE LESÕES
DÉBORA NASCIMENTO BESSONE
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Pesquisa em Ciências da Saúde, Universidade Norte do Paraná, Unidade Piza, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre Profissional em Exercício Físico na Promoção da Saúde, conferido e aprovado pela Banca Examinadora:
___________________________________ Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes
Universidade Norte do Paraná
___________________________________ Prof. Dr. Ezequiel Moreira Gonçalves
Universidade Norte do Paraná
___________________________________ Profa. Dra. Ligia Andrea Pereira Gonçalves
(Membro Externo)
___________________________________ Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes
Coordenador do Curso
AUTORIZO A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.
Dados Internacionais de catalogação na publicação (CIP)
Universidade Pitágoras Unopar Biblioteca CCBS/CCECA PIZA Setor de Tratamento da Informação
Bessone, Débora Nascimento
B559e Exercícios proprioceptivos para atletas-jovens de ginástica rítmica: prevenção de lesões. / Débora Nascimento Bessone. Londrina: [s.n], 2020.
79 f.
Trabalho de conclusão (Mestrado Profissional em Exercício Físico na Promoção da Saúde).
Universidade Pitágoras Unopar.
Orientador: Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes.
1. Aptidão física – Trabalho de conclusão – UNOPAR. 2. Atuação profissional. 3. Formação continuada. 4. Exercícios Proprioceptivos. 5. Ginástica rítmica. 6. Prevenção de lesões. 7. Guia prático. I- Guedes, Dartagnan Pinto; orient. II. Universidade Pitágoras Unopar.
CDD 796.44
BESSONE, Débora Nascimento. Exercícios proprioceptivos para atletas-jovens de
ginástica rítmica: prevenção de lesões. Trabalho de Conclusão Final de Curso.
Mestrado Profissional em Exercício Físico na Promoção da Saúde. Centro de Pesquisa em Ciências da Saúde. Universidade Norte do Paraná, Londrina. 2020.
RESUMO
O Objetivo do produto técnico é delinear e produzir uma publicação técnica com informações relacionadas à prescrição e à orientação de exercícios proprioceptivos que possam repercutir especificamente na prevenção de lesões em atletas-jovens praticantes de ginástica rítmica. Foram compiladas informações disponibilizadas na literatura relacionadas aos princípios norteadores quanto aos exercícios proprioceptivos para prevenção de lesões prevalentes em atletas-jovens de ginástica rítmica, em publicação que possa servir de referência para profissionais que atuam, ou pretendem atuar, na dimensão preventiva do campo de promoção da saúde. O conteúdo do material aborda tópicos quanto à caracterização, origem e evolução da ginástica rítmica, aos riscos e às lesões mais prevalentes que as ginastas estão expostas, ao entendimento dos exercícios proprioceptivos, à proposição de rotinas dos mesmos para atletas-jovens de ginástica rítmica. Espera-se que a presente publicação técnica possa oferecer importantes subsídios para profissionais deste segmento da área de saúde, contribuindo de forma significativa para ampliação de novos conhecimentos vinculados à prática de exercício físico, tornando-se, por sua vez, importante ferramenta de consulta para atuação profissional.
PALAVRAS-CHAVE:
BESSONE, Débora Nascimento. Proprioceptive exercises for young athletes of
rhythmic gymnastics: injury prevention. Completion of Coursework. Professional
Master´s in Exercise in Health Promotion. Research Center on Health Sciences. Northern Parana University, Londrina. 2020.
ABSTRACT
The objective of the proposal was to design and produce technical publication with information regarding prescription and orientation of proprioceptive exercise that might have a specific impact on the injury prevention in young athletes practicing rhythmic gymnastics. In this publication, were compiled available literature information related to the guiding principles directed to the prescription and orientation of proprioceptive exercise for the prevention of injuries prevalent in young athletes of rhythmic gymnastics, which might be used as reference to the professionals who work, or who intend to work, in the preventive dimension of the field of health promotion. The content of the material is organized among topics on the characterization, origin and evolution of rhythmic gymnastics, the most prevalent risks and injuries that gymnasts are exposed, the understanding of proprioceptive exercises, the proposition of proprioceptive exercise routines for young athletes of rhythmic gymnastics. The expectation is that the technical publication may provide important subsidies for professionals in this segment of the health area, contributing significantly to the acquisition of new knowledge related to the practice of exercise, becoming it, in turn, an important consultation tool for professional performance.
KEY WORDS:
Sumário
Página
Apresentação ... 9
Ginástica rítmica: caracterização, origem e evolução ... Origem e evolução ... Movimentos ... Aparelhos ... 11 12 15 19
Tipos e prevalência de lesões ... Lesões em atletas-jovens de ginástica rítmica ... Lesões mais prevalentes ...
21 22 25
Exercícios proprioceptivos: fisiologia, benefícios e aplicação ... Conceito de propriocepção ... Receptores proprioceptivos ... Fisiologia do sistema proprioceptivos ... Exercícios proprioceptivos ... 27 27 28 29 32
Prescrição e orientação de exercícios proprioceptivos para
atletas-jovens de ginástica rítmica ... Categoria 1 – Estabilidade articular, equilíbrio e postura ... Categoria 2 – Fortalecimento muscular ... Categoria 3 – Controle motor ...
34 35 45 55 Considerações finais ... 60 Referências ... 62
Apresentação
Atletas-jovens que praticam ginástica rítmica frequentemente são submetidos a programas de treino intensos com execução repetitiva de movimentos, o que acarreta sobrecarga excessiva em segmentos específicos do corpo. Esta situação eleva as chances de aparecimento de fadiga crônica, gerando consequências mecânicas e fisiológicas em estruturas ósteo-músculo-articulares ainda em processo de desenvolvimento e maturação, por consequência, ocasiona comprometimentos importantes na infância e na adolescência, com repercussões na idade adulta. A prevalência de lesões musculares e articulares nesta população em particular é comprovadamente mais elevada que na população jovem em geral, repercutindo, assim, de modo negativo na saúde e na qualidade de vida das atletas-jovens.
Assumindo o pressuposto de que proporção elevada de atletas-jovens que praticam ginástica rítmica não avança na carreira atlética direcionada ao esporte de rendimento e tendem a abandonar sua prática antes do final da adolescência, torna-se evidente a preocupação com a saúde desses jovens, tendo em vista que as lesões não geram apenas limitações momentâneas e de curto prazo, como abandono temporário da rotina de treino e ausência em competições, mas também, possíveis sequelas que induzem ao afastamento permanente da prática de exercício físico e comprometimento da qualidade de vida presente e futura.
Devido a isso, é imprescindível a necessidade da implementação de ações que possam ser inseridas no planejamento do treino das ginastas, na tentativa de prevenir ou minimizar o risco de aparecimento e agravamento de lesões provenientes da prática de ginástica rítmica. Neste caso, os exercícios proprioceptivos constituem-se como uma importante opção, já que podem contribuir no controle postural, na estabilidade articular, nas respostas reflexas e no controle motor voluntário. Dessa maneira, além de auxiliar para o melhor desempenho atlético das ginastas, os exercícios proprioceptivos assumem função preventiva e recidiva de lesões típicas do esporte.
Desse modo, acredita-se que o presente guia prático possa disponibilizar importante material de consulta imediata para profissionais que atuam no esporte com ênfase na área de saúde, o que poderá contribuir de forma significativa para o
aprimoramento da prestação de serviços, além de tornar-se uma nova opção para formação inicial e continuada direcionada ao exercício físico em sua dimensão preventiva.
Ginástica Rítmica:
Caracterização, Origem e Evolução
A ginástica rítmica é um esporte que se baseia na união harmônica de elementos do balé, da dança e da ginástica com aparelhos específicos. Configura-se na execução de uma sequência de gestos ginásticos, acompanhada de música para assegurar ritmo em seus movimentos que requer um conjunto de capacidades físicas, incluindo flexibilidade, agilidade, destreza, resistência, força e potência muscular. Ainda, define-se fundamentalmente como um esporte de elevado grau de plasticidade e que se destaca pela elegância e estética na execução dos movimentos [1].
Sob outro ponto de vista, descreve-se como um esporte cuja categoria é mais conhecida e, portanto, mais representativa no sexo feminino. Isso não significa que não possa haver participação masculina. Pelo contrário, existe uma versão de ginástica rítmica masculina; no entanto, esta vem se desenvolvendo mais recentemente e ainda não foi regulamentada e reconhecida pela Federação Internacional de Ginástica. Nos dois casos, a ginástica rítmica tem como particularidade o dinamismo e o ritmo de rotinas combinando dança e movimentos ginásticos, geralmente acompanhadas por aparelhos específicos da modalidade que oferecem um toque, não apenas de ostentação, mas, sobretudo, de dificuldade na execução [2].
A música é um elemento fundamental na prática da ginástica rítmica, tornando-se a pauta que estabelece o ritmo de execução dos movimentos da rotina dos gestos ginásticos e o nível de competência de seu desempenho. A música é empregada na
“Ginástica rítmica tem como
particularidade o dinamismo e o
ritmo de rotinas combinando
dança e gestos ginásticos.”
“Ginástica rítmica é um esporte
influenciado por tendências
artísticas de música e dança.”
ginástica como um recurso para fazer com que os movimentos venham a fluir continuamente. Na atualidade, recorre-se a uma gama de ritmos musicais para orientar a execução da sequência de movimentos ginásticos.
Inicialmente, a sequência dos gestos desse esporte foi bastante influenciada pelo balé, o que tornou os acordes musicais orientados mais especificamente para a música clássica. Porém, com a evolução da modalidade e a diversificação dos gêneros musicais, a ginástica rítmica vem se transformando. Da mesma forma, mais recentemente, vem sendo promulgados códigos de pontuação e avaliação que promovem e convidam ao uso de novos gêneros musicais. Nesse sentido, a ginástica rítmica atual tende a empregar sequência de movimentos com apoio de ritmos tropicais, como merengue, reggaeton, bachata e outros. O importante é que os competidores apresentem suas coreografias e rotinas de movimentos ao ritmo de música [1].
Assim como na música, a indumentaria utilizada pelas competidoras tem evoluído com o tempo. A princípio, as ginastas competiam com vestimenta similares aos maillots atuais; contudo, similares aos trajes de banho da época com design e cores bastante discretas. Nos dias de hoje, os maillots usados nas competições têm a peculiaridade de torná-los mais vistosos, coloridos e ostensivos, muitas vezes com designs exclusivos da equipe de competição.
Origem e evolução
Há algum tempo a ginástica rítmica vem sendo considerada uma modalidade esportiva que oferece importantes benefícios físicos e socioafetivos para seus praticantes. Historicamente, vem evoluindo, passando unicamente de uma atividade complementar de formação educacional para um esporte de rendimento integrante dos Jogos Olímpicos. O processo de mudanças nesse esporte, no entanto, privilegiou uma visão mais estética à estrutura de suas competições. Por esse motivo, as competições se desenvolveram quase exclusivamente como um evento feminino [4].
A origem da ginástica rítmica remonta à década de 1700. Durante este século se contemplava de maneira isolada os movimentos esportivos e os elementos artísticos, como a dança. Por outro lado, a educação baseava sua estrutura apenas no entendimento teórico do conjunto de conhecimentos que se dispunha até então. Contudo, foi nesse período que Jean-Jacques Rousseau promoveu a integração de uma disciplina denominada ginástica natural como parte indispensável na educação da época, em que o
“Inicialmente, a ginástica rítmica
era considerada uma categoria de
aparelhos da ginástica artística.”
desenvolvimento corporal dos jovens não era levado em consideração como parte das teorias educacionais.Posteriormente, outros pedagogos, incluindo Guts Muths, considerado o criador da ginástica pedagógica, alcançaram a inclusão dessa disciplina como parte do processo educacional dos jovens. Em 1814, foi idealizada a ginástica sueca pelo médico Ling, constituindo-se a primeira expressão da ginástica propriamente dita; porém, suas rotinas careciam do caráter artístico ou estético. Este foi o impulso inicial que levou Catharine Beecher, no ano de 1837 nos Estados Unidos, a criar o primeiro instituto de ensino de ginástica. O instituto passou a disseminar a prática da ginástica alicerçada nos movimentos instituídos pelo médico sueco com a particularidade de introduzir a música como pano de fundo. Na sequência, outros professores e conhecedores da área incluíam, além da música, aparelhos que até os dias atuais moldam o que se conhece como ginástica rítmica.
Até o ano de 1952, a ginástica rítmica era considerada uma categoria de aparelhos da ginástica artística; sendo regida por seu conjunto de regras e normas vigentes. No entanto, nesta época duas escolas distintas de ginástica artística de grande repercussão estavam surgindo, uma pertencente à antiga
União Soviética e outra à Bulgária. Foi na União Soviética que se realizou os primeiros eventos de demonstração da ginástica
rítmica. Porém, somente uma década depois, em 1962, a Federação Internacional de Ginástica reconheceu a ginástica rítmica como um esporte que possui regras, normas e características próprias, distinguíveis da ginástica artística. Assim, a ginástica artística e a ginástica rítmica foram separadas e consideradas modalidades esportivas independentes. Contudo, naquela época, a segunda foi designada como ginástica moderna.
A partir de então, eventos competitivos nacionais e internacionais passaram a ser organizados como um esporte independente, denominado ginástica moderna. O primeiro campeonato mundial foi realizado em 1963 e os anos subsequentes constituíram um período de crescimento e expansão acentuado da modalidade. No ano de 1978 foi realizado pela primeira vez um evento de competição com a denominação de ginástica rítmica, e, alcançando a era dos anos 1980, identificou-se um aumento significativo na demanda de jovens que desejavam iniciar e se desenvolver na prática dessa modalidade.
Assume-se que a efetiva consolidação da ginástica rítmica iniciou em 1984 quando, devido à crescente quantidade de participantes nessa modalidade, sua popularidade vinha aumentando rapidamente e, com isso, os eventos de competição em pouco tempo passaram a ser o centro das atenções da mídia, indispensável para o crescimento das entidades de gestão e organização desse esporte.
“A ginástica rítmica teve sua
primeira aparição nas Olimpíadas
de 1986. Desde então, tornou-se
uma modalidade de destaque em
eventos esportivos de grande
repercussão.”
“A ginástica rítmica é um esporte que
reúne
um conjunto de movimentos
visualmente atrativo.”
Maior popularidade implica em um aumento nas oportunidades de patrocínios, bem como na comercialização de produtos e serviços, e isso gera estabilidade econômica para as entidades do esporte, o que garantiu que a ginástica rítmica permanecesse no grupo das modalidades esportivas estáveis até nossos dias. Neste período, as bases legais e regulamentares de competição adquiriram maior peso e caráter, para que o esporte não apenas se tornasse atraente e divertido, mas altamente competitivo e exigente.
A ginástica rítmica é uma das três modalidades dos esportes de ginástica. Juntamente com a ginástica artística e a ginástica de trampolim, as três modalidades fazem parte das disciplinas de esportes olímpicos. A ginástica rítmica teve sua primeira aparição nas Olimpíadas de 1986. Desde então, tornou-se uma modalidade de destaque em eventos esportivos de grande repercussão. As competições acontecem em duas categorias: individual, em que uma única representante da equipe realiza a intervenção; e conjunto, em que um grupo de cinco ginastas de uma mesma equipe realiza a intervenção.
Movimentos
Para executar com eficiência as rotinas de movimentos que integram a ginástica rítmica torna-se necessário que a ginasta apresente elevado nível de condicionamento de componentes específicos de aptidão física, com destaque para a força muscular e a flexibilidade, associado ao senso de ritmo bastante aprimorado. No campo psicológico, determinação, comprometimento e concentração são requisitos básicos que a ginasta precisa apresentar e cultivar constantemente. Ainda, a ginástica rítmica é um esporte que, além de reunir um conjunto de movimentos que deve parecer visualmente atrativo, implica em uma sintonia mental, emocional e corporal.
Estudos no ramo da ciência do esporte que se concentram na análise dos fundamentos técnico-científicos da ginástica rítmica mostram que a genética pode contribuir fortemente para o sucesso das ginastas. Isso significa que, aquelas que possuem antecessores ginastas ou pré-requisitos físicos e morfológicos adequados ao esporte, naturalmente se encontram em
melhores condições de alcançarem sucesso em sua prática. No entanto, deve-se destacar que a transmissibilidade genética não é o único fator que determina o sucesso das atletas nessa modalidade. Neste caso, treino e dedicação são fatores preponderantes para a excelência de prática das ginastas.
Como uma derivação da ginástica, a ginástica rítmica solicita intenso trabalho do sistema ósteo-músculo-articular em sua totalidade. Requer ações de grande elasticidade e resistência dos tecidos. Isso ocorre porque as ginastas devem ser capazes de realizar movimentos que exigem alongamento muscular e amplitudes articulares em limite máximo, assumindo posturas em que estruturas específicas do corpo se colocam sob elevada pressão. Desse modo, na eventualidade dos movimentos não serem executados com uma técnica mais apurada, o risco do aparecimento de lesões torna-se mais evidente, o que confirma a importância de adequada preparação para sua prática [3].
Observado de outro ponto de vista, os alongamentos pronunciados e as amplitudes articulares solicitadas em seus limites máximos executados pelas ginastas requerem treino específico para o aprimoramento da flexibilidade. No entanto, saltos, giros e outros elementos, são movimentos que se empregam na ginástica rítmica que também utilizam potência muscular e a capacidade de se mover de maneira estética e rítmica, tendo a música como guia dos movimentos. Uma boa sequência de movimentos de ginástica rítmica só poderá ser alcançada explorando todo o potencial do corpo da ginasta. Desse modo, deve haver uma grande ênfase no aperfeiçoamento de suas habilidades.
Elementos de equilíbrio são comuns nesse esporte. Estes, juntamente com a execução de movimentos para controlar ou exibir os aparelhos, geralmente asseguram um bom nível de dificuldade. Os movimentos que solicitam o equilíbrio das ginastas, via de regra, têm duração de alguns segundos. Durante esse tempo, a ginasta, de acordo com o ritmo, pode executar outros movimentos. Por exemplo, pode estender as pernas sutilmente com intuito de demonstrar o alcance de suas extensões e seu domínio do equilíbrio. Dependendo da posição do corpo e do desempenho, os elementos de equilíbrio possuem denominações específicas. Entre os mais comuns se encontram: o passé, o penché e o boucle [3].
Os saltos na ginástica rítmica consistem em movimentos em que a ginasta se desprende do solo a partir de um impulso, se eleva no ar e retorna o contato com o solo sem que haja rotação do eixo transversal do corpo. Os saltitos são movimentos semelhantes; porém, diferenciam-se dos saltos por apresentarem altura e amplitude de movimento menor. Os saltos são sempre acompanhados de movimentos de manejo dos aparelhos, com largadas, lançamentos e retomadas, e podem estar acompanhados de acrobacias que se executam durante o tempo de voo. Essas acrobacias são frequentemente consideradas elementos de dificuldade, pois requerem um elevado nível de preparação física e mental. As execuções de saltos mais comuns na ginástica rítmica são: ejambê, bichê boucle (corza), cossaco [3].
Exigências para execução de elementos de equilíbrio:
Forma definida e claramente fixada (posição estática), executada sob a ponta dos pés, com todo apoio plantar, ou com apoio de diferentes partes do corpo.
Capacidades físicas e habilidades solicitadas:
Flexibilidade para garantir amplitude de movimento e executar as formas corretamente; Equilíbrio para permanecer no movimento de forma estática por determinado tempo; Força para sustentar a massa corporal, sobretudo os membros inferiores elevados.
As rotações são elementos realizados pelas ginastas em torno do eixo transversal ou longitudinal do corpo, com ou sem apoio no solo. São muito comuns nas rotinas de ginástica rítmica e devem ser sempre combinadas com movimentos de manipulação do aparelho. Os pivots, giros realizados sobre o apoio na ponta de um dos pés, podem ser executados com a perna livre em diferentes alturas, posições e amplitudes. Os rolamentos são rotações em que a ginasta utiliza o solo como base para realizar o giro no eixo corporal. As ginastas devem estar preparadas para realizar as rotações continuamente. Para isso, utilizam a energia que gera as posições do corpo em deslocamento como impulso necessário para girar. As rotações, acompanhadas pelos aparelhos apropriados, proporcionam um espetáculo atraente que pode ser acompanhado de elementos de equilíbrio para alcançar um nível mais elevado de dificuldade [3].
Exigências para execução de saltos:
Forma definida e fixa durante a fase de voo, altura suficiente para demonstrar a forma correspondente.
Capacidades físicas e habilidades necessárias:
Flexibilidade para garantir amplitude de movimento e executar as formas corretamente; Força com destaque para os membros inferiores para atingir a altura necessária;
“São regulamentados cinco aparelhos específicos de
ginástica rítmica:
corda, arco, bola, maças e fita.”
Aparelhos
Assim como a ginástica artística, a ginástica rítmica é categorizada por meio de eventos que envolvem aparelhos específicos. Estes devem ser parte integrante das rotinas de movimentos preparadas para competição, considerando que é importante requisito para pontuação dos juízes. Os aparelhos de ginástica rítmica também são denominados especialidades, pois as competidoras se empenham em aprimorar os movimentos em função do seu manuseio. São regulamentados cinco aparelhos específicos de ginástica rítmica que devem ser empregados nos eventos de competição: corda, arco, bola, maças e fita. Em categorias de idade mais jovens, são organizadas também competições de mãos livres, que consistem na execução de rotina de
movimentos sem qualquer
tipo de
aparelho, marcando a ênfase exclusivamente na técnica e na expressão corporal [3]. Exigências para execução de giros:
Rotação básica mínima de 360º (exceto rotações que trocam de eixo), forma definida e fixada durante toda a rotação, executados sob a ponta dos pés (pivot), com toda a planta do pé apoiada no solo ou com apoio de diferentes partes do corpo.
Capacidades físicas e habilidades necessárias:
Flexibilidade para garantir amplitude dos movimentos e execução das formas corretamente. Força para sustentar os membros inferiores elevados.
Corda
Características do aparelho: deve ter aproximadamente o dobro da altura da ginasta. Seu diâmetro pode ser constante ou apresentar ligeiro espessamento nas extremidades. Em uma delas é realizado um nó para a ginasta segurar a corda.
Manejos fundamentais: passagem através da corda com um salto ou uma série de no mínimo três saltitos, girando a corda para frente, para trás ou para o lado; “echappê” (soltura e recuperação de uma das pontas da corda com ou sem rotação); recuperação das extremidades da corda com uma das mãos.
Arco
Característica do aparelho: material plástico, diâmetro variável entre 80 e 90 centímetros e peso próximo de 300 gramas.
Manejos fundamentais: passagem pelo arco com todo ou parte do corpo; rolamento do arco no mínimo sobre dois grandes segmentos do corpo; rotação ao redor da mão ou em torno de uma parte do corpo; rotações do arco em torno de seu próprio eixo (uma rotação livre entre os dedos ou em alguma parte do corpo)
Bola
Características: material de borracha ou plástico, diâmetro de 18 a 20 centímetros e peso de 400 gramas.
Manejos fundamentais: quicadas que podem variar entre séries de três movimentos abaixo do nível do joelho, uma quicada em alguma parte do corpo, no nível ou acima da altura do joelho; rolamento da bola em dois grandes segmentos do corpo; recuperação da bola com uma das mãos; figura oito com a bola e movimentos circulares dos braços.
Maças
Característica do aparelho: estrutura de madeira, borracha ou plástico, comprimento variável entre 50 e 80 cm de uma extremidade à outra e pelo menos 150 gramas de peso por cada maça, sendo que a ginasta deve manusear duas maças simultaneamente.
Manejos fundamentais: molinetes, pelo menos quatro pequenos círculos com as duas mãos, com atraso de tempo alternando com o pulso; movimentos assimétricos, as duas mãos devem realizar movimentos de eixo e forma diferente; pequenos lançamentos e recuperação das duas maças; pequenos círculos com ambas as maças simultânea ou alternadamente.
Fita
Características: O estilete deve ter de 50 a 60 cm de comprimento. Entre o estilete e a fita existe um ilhós (girador) e a fita deve ter entre 4 e 6 metros de comprimento e de 5 a 7 cm de largura.
Manejos fundamentais: passagem através ou sobre os desenhos da fita; espirais da fita de 4 a 5 círculos, com o mesmo tamanho, no ar ou no solo; serpentinas, de 4 a 5 ondas, de mesma altura no ar ou no solo; “echappé” rotação do estilete durante o voo.
Tipos e Prevalência de Lesões em
Atletas-Jovens de Ginástica Rítmica
A prática de esporte pode elevar o risco de lesões, sobretudo em atletas-jovens, em razão de crianças e adolescentes inserirem-se precocemente em rotinas intensas de treinos na busca de desempenhos comparáveis a atletas adultos com carreira esportiva já bem consolidada e incompatível com seu estágio de crescimento físico e maturação biológica, muitas vezes, influenciados por pais, técnicos, ou por ambos. Diretamente relacionadas a outros fatores que podem predispor o aparecimento e agravamento das lesões, destacam-se os chamados fatores internos do atleta, como biomecânica do movimento, condicionamento físico, estágio maturacional e características somáticas, e os fatores extrínsecos, definidos pelas condições do ambiente, em que temperaturas extremas podem elevar a exposição ao risco de lesões, ausência ou uso inadequado de equipamentos de segurança e a organização do evento esportivo [5].
Os riscos são potencializados em atletas-jovens que competem em eventos direcionados ao alto rendimento, uma vez que, neste estágio de competição, qualquer que seja a modalidade em questão, a busca por rendimento de excelência é a principal meta a ser alcançada. Outro fator importante que pode desencadear maior incidência de lesões na prática de esporte é a ausência de programas preventivos especificamente para atender as características das diferentes modalidades de esporte [6].
Para tentar minimizar a incidência de lesões é importante que o atleta-jovem venha apresentar um condicionamento físico compatível com as exigências da modalidade praticada e um estado psíquico que lhe permita assimilar os pressupostos técnicos e táticos. Além disso, chama-se a atenção para a necessidade de elaborar uma programação básica de treino adequada quanto à quantidade, duração e intensidade das seções de treino, ao repouso suficiente entre as seções e alimentação saudável [5].
Além de eventuais sequelas estruturais nos tecidos osteo-músculo-articular, as lesões prejudicam a rotina de treino por diversos motivos. Entre eles, destacam-se:
1. Supõe uma agressão às estruturas do organismo que produz dor, restringe as possibilidades de funcionamento e pode elevar o risco de disfunções adjacentes mais graves;
2. Induz à interrupção ou à limitação temporária ou permanente da prática do esporte;
3. Favorece a interrupção ou a limitação da prática de atividade física não-esportiva, como ocorre nas atividades de ocupação do tempo livre e de lazer ou atividades cotidianas que, devido à lesão, não poderão executá-las de nenhuma forma, ou da mesma forma que antes;
4. Implica em mudanças na vida pessoal e familiar como consequência das restrições que a lesão impõe sobre o atleta-jovem e as novas necessidades que derivam da própria lesão;
5. A reabilitação requer tempo, esforço, dedicação e, em alguns casos, resistência à dor e as frustrações;
6. Podem ser acompanhadas de experiências psicológicas que afetam o bem-estar do atleta-jovem lesionado e de todos que estão à sua volta.
Lesões na ginástica rítmica
A ginástica rítmica é um esporte que solicita beleza e harmonia, aliadas à força muscular e flexibilidade, envolvendo movimentos complexos de todo o corpo mediante o manuseio de aparelhos ritmados na música. Consequentemente, está associada à uma grande variedade de lesões, desde uma tendinite (tenosinovite) até lesões de grau mais elevado, como rupturas ligamentares e fraturas [7].
De maneira geral, na primeira década de carreira esportiva as atletas-jovens de ginástica rítmica já experimentaram algum tipo de lesão que, no mínimo, as impediram momentaneamente de competir, ou que persistiu e limitou a carreira atlética por toda a vida. A precocidade no esporte de rendimento pode se configurar como um dos fatores de risco para o aumento de lesões, principalmente aquelas que se configuram como crônicas, pois se justifica pela imaturidade psicológica e física [5].
As ginastas de idade mais precoce tendem a relatar taxas de lesões significativamente mais elevadas que praticantes de categorias adultas. Isso pode ocorrer em consequência de um condicionamento físico ainda não adequado associado à um menor domínio de habilidades motoras específicas para a prática da modalidade e, mesmo assim, tentar a execução de movimentos mais complexos para satisfazer requisitos técnicos mais evoluídos [8]. Além disso, diferentemente das equipes de elite, a
maioria das equipes de atletas-jovens não disponibilizam de acompanhamento fisioterapêutico direcionado à prevenção e reabilitação de lesões.
As lesões mais prevalentes na ginástica rítmica apresentam algumas características que podem ser classificadas em dois grupos. O primeiro é o grupo das lesões articulares, que acomete com maior incidência a coluna vertebral, os quadris, os joelhos, os tornozelos e os pés. O segundo grupo de lesões é o comprometimento dos tecidos moles, cápsulas, ligamentos e tendões.
A maioria das lesões tende a ocorrer durante as seções de treinos e em menor quantidade nas competições. Alguns estudos apontam que, quase a totalidade das lesões diagnosticadas ocorreu nas seções de treino [10, 11]. Justifica-se a maior ocorrência de lesões nesta ocasião pela elevada quantidade de horas em que as atletas-jovens permanecem repetindo os movimentos, em alguns casos, cerca de 48 horas/semana. Cargas de treino excessivas tendem a elevar o risco de lesões, já que as atletas-jovens, eventualmente, são levadas a fadiga física e psicológica mais acentuada.
Em outro estudo foi constatado que ¾ das atletas-jovens apresentaram lesões devido à quantidade de tempo dos treinos. Estima-se que o risco de fratura possa aumentar em mais de 60% para cada hora adicional de treino semanal. O estudo sugere também que, para ocorrer a possível redução nos riscos de lesões de fratura, o treino deverá ter uma duração máxima de 30 horas/semana, e para possível redução nas lesões da unidade músculo-tendão uma duração máxima de 20 horas/semana [12].
Outra atribuição como causa de lesões nas praticantes de ginástica rítmica é a preparação prévia inadequada para início dos treinos ou das competições. Muitas vezes, as atletas-jovens não realizam uma preparação prévia fisiologicamente adequada para todos os grupos musculares e articulações que serão solicitadas na execução dos movimentos. Outro fator que contribui para maior incidência de lesões é a escassez de material técnico e pedagógico especificamente elaborado para orientar a prevenção e a reabilitação de lesões em ginástica rítmica, em que a maioria dos integrantes da equipe técnica dessa modalidade é composta por ex-ginastas e, por sua vez, pelo desconhecimento no campo específico do treino, tendem a replicar os treinos em que foram submetidos quando ginastas.
Algumas atletas-jovens durante períodos de treino sentem dores, o que pode indicar o surgimento de lesões. Mas, mesmo assim, optam por não informar a comissão
técnica; sobretudo, o setor de fisioterapia, para não terem que interromper ou reduzir a carga de treino, desse modo, mascarando as lesões [13]. Por consequência, pelo agravamento da lesão, ao serem encaminhadas para as ações de reabilitação, muitas vezes, não respondem satisfatoriamente às intervenções medicamentosa e fisioterápica, devido ao menor tempo dedicado à reabilitação, em virtude da necessidade de retornar às seções de treino, podendo, neste caso, gerar até mesmo uma lesão crônica.
Necessariamente, deve-se dar atenção a toda lesão, até mesmo a um desconforto momentâneo ou a uma discreta dor de origem desconhecida, em razão de essas condições interferirem no desempenho da ginasta durante os treinos e competições [14]. Nesses casos, deve-se reduzir o nível de exigência dos treinos ou modificar sua rotina para que o estresse da região lesionada seja reduzido. Assim, os sintomas podem ser tratados e, gradualmente, a atleta-jovem deverá retornar às ações previamente programadas para os treinos com menores consequências prejudiciais para a vida atlética durante o tempo em que pratica ativamente o esporte e também após o término da carreira atlética.
O treino de ginástica rítmica tem uma natureza repetitiva, em que para alcançar pleno domínio de movimentos complexos com maestria, as ginastas são submetidas a elevadas quantidades de repetições do mesmo gesto. Pode-se afirmar que, o treino de ginástica rítmica é dividido em duas fases: a de preparação física, também denominada de global e a específica, que consiste basicamente em treinar e repetir exaustivamente os elementos de coreografias a serem apresentadas nas competições, o que também se torna um fator que predispõe as lesões, considerando que, de maneira geral, na fase de preparação física os exercícios são executados de forma bilateral, em que a mesma quantidade de exercícios são executados em cada lado do corpo; mas que, durante a fase específica, por se tratar de elementos complexos, os movimentos são executados predominantemente no lado dominante, causando, desse modo, assimetrias musculares e articulares. Avaliações periódicas apropriadas permitem o diagnóstico precoce desses ferimentos e modificações, como encurtamentos musculares, para que os programas de treino possam auxiliar no processo de recuperação.
A ginástica rítmica tem um potencial de lesões graves pela quantidade de saltos, giros e piruetas que a ginasta necessita executar e pela força extrema gerada durante essas manobras. Quanto mais elevado o nível de prática/competição da ginasta, mais
complexas e exigentes as habilidades se tornam, e maior é o risco de uma lesão emergente.
Programas preventivos de condicionamento físico direcionado às regiões anatômicas de elevado risco podem contribuir para minimização de ocorrência das lesões. Em estudo realizado sobre a percepção das causas das lesões, os achados apontaram que, na opinião das participantes, a maioria das lesões (83,7%) foi causada pelo inadequado programa de treino idealizado pelo treinador e sua equipe de trabalho [15]. Desse modo, torna-se necessário que haja um compromisso com a prevenção de lesões durante o treino de ginástica rítmica. É importante que se tenha uma visão global da atleta-jovem, atendendo suas limitações físicas, maturidade psicológica e limitações cronológicas. Programas de treinos delineados e executados por equipe multidisciplinar (treinadores, fisioterapeutas, psicológicos, nutricionistas) e com abordagem técnico-científica mais ampla é fundamental para que seja possível alcançar resultados mais efetivos com menor risco de lesões.
Lesões mais prevalentes
No que se refere aos membros inferiores, as estruturas de tornozelos e joelhos das ginastas são as mais expostas à ocorrência de lesões. Os tornozelos são acometidos por lesões desencadeadas principalmente por movimentos de giros e no pouso dos saltos, por entorses, extensões de ligamentos, inflamações do músculo tríceps sural e tendinite do tendão calcâneo (tendão de Aquiles) [5].
Entre as causas de lesões associadas às entorses, podem-se apontar superfícies inadequadas, falta de atenção por estresse, cansaço físico ou fadiga psicológica. Uma entorse pode gerar dificuldade ao caminhar, alterações da propriocepção e do equilíbrio e dificuldades em se manter no apoio unipodal. Sequelas de lesões ligamentares do tornozelo não adequadamente tratadas podem ocasionar sintomas crônicos, incluindo sinovite ou tendinite persistente, rigidez do tornozelo, edema e dor, fraqueza muscular e frequentes falseios (instabilidade). Em casos mais raros, a entorse pode culminar em lesão do nervo fibular, com alterações da força e da sensibilidade.
Movimentos, sobretudo as piruetas, geram desgastes importantes na articulação dos joelhos. O desgaste dessa articulação nos treinos pode tornar-se excessivamente elevado, pelos elementos em um exercício específico serem repetidos não somente isoladamente, mas também, em combinações, até que um estereótipo seja alcançado.
Outro movimento bastante lesivo para o joelho são os saltos, responsáveis por gerar especificamente tendinite infrapatelar, que é a inflamação do tendão do polo inferior da patela (rótula), causada pela solicitação exacerbada dos joelhos e torções que ocorrem devido ao alongamento excessivo dos ligamentos do local que, em alguns casos podem se romper, causando dor intensa e inchaço.
Com relação à região de tronco, as ginastas executam muitos movimentos que exigem exageradamente da coluna vertebral, principalmente movimentos de hiperextensão da coluna lombar (elementos dinâmicos com e sem rotação, piruetas, saltos, elementos de equilíbrio). Os fatores que podem elevar o risco de lesões nesta região anatômica são: preparação prévia insuficiente para realização do treino, carência de mobilidade suficiente para execução dos movimentos, sobrecarga pelo uso excessivo da articulação dos quadris e acentuada escoliose. A escoliose se torna presente devido às assimetrias ósseas ou musculares e pode ser considerada como um fator predisponente para outros tipos de lesões.
Lombalgias e dores na região torácica (toracolombar) podem surgir devido ao grau de envolvimento e exigência dessas regiões anatômicas na prática de ginástica rítmica em consequência da execução de movimentos balísticos repetidos de hiperextensão, que ocasiona encurtamento do músculo grande dorsal e de pequenos músculos inseridos entre os processos transversos da coluna. Ainda, embora menos incidente, fraturas por estresse da coluna vertebral ou lesões espondilolíticas precoces são desfechos provocados pela prática de ginástica rítmica. Outras lesões frequentemente identificadas na região torácica são as contraturas e tensões musculares [9].
Outras regiões anatômicas também estão vulneráveis a ocorrência de lesões; porém, em quantidade e intensidade mais reduzidas. São as lesões identificadas nos punhos e nas mãos, que geralmente tem como desfecho a fratura, ocasionada por traumas, em consequência de quedas durante a execução de movimentos pré-acrobáticos e de rotações. Lesões nos ombros são ocasionadas principalmente por traumas diretos sobre a região. Por exemplo, luxação de ombro, em que o úmero que se articula com a escapula é deslocado. Também, lesões nos ombros podem ocorrer por excesso de uso, particularmente devido a execução de movimentos que solicitam grande amplitude articular, ocasionando, além de fadiga, tendinites de grau elevado (inflamação de tendões que são estruturas fibrosas que unem o músculo ao osso).
Exercícios Proprioceptivos:
Fisiologia, Benefícios e Aplicação
O primeiro investigador que descreveu a sensação de movimento como um "senso de locomoção" foi Julius Caesar Scaliger em 1557. Em 1826, o fisiologista escocês Charles Bell hipotetizou que as informações sobre a posição dos músculos são enviadas dos músculos para o cérebro, identificou a base anatômica fundamental da percepção e do movimento e introduziu a percepção de posição e de movimento – além de outras percepções provocadas por contrações musculares – nas informações sensoriais fornecidas pelos músculos [16].
A proposta de Bell é digna de nota por explicar um dos primeiros mecanismos de feedback fisiológico. Em 1880, Henry Charlton Bastian sugeriu o termo cinestesia, ao invés de senso muscular, para apontar que informações aferentes são originárias não apenas dos músculos, mas também, de articulações, pele e tendões. Em 1889 Alfred Goldscheider, neurologista alemão classificou a cinestesia como sensibilidade muscular, tendão e articular. Finalmente, em 1906, Charles Scott Sherrington introduziu os termos propriocepção, interocepção e exterocepção. Exteroceptores são órgãos dos sentidos, como olhos, ouvidos, boca e pele que recebem informações de fora do corpo, enquanto interoceptores fornecem informações sobre órgãos internos. Já a propriocepção é definida como consciência do movimento e postura derivados dos músculos, tendões e articulações. Nos dias atuais, os conceitos de cinestesia, somatosensação e propriocepção são tratados como sinônimos por alguns estudiosos da área [17].
Conceito de propriocepção
A propriocepção refere-se a um conjunto de informações aferentes provenientes das articulações, músculos, tendões e outros tecidos, enviados ao sistema nervoso central para o processamento, influenciando as respostas reflexas e o controle motor voluntário, o que contribui para o controle postural, estabilidade articular e variadas sensações conscientes [18].
A propriocepção é um conceito que inclui equilíbrio e controle postural que ocorre em dois níveis: consciente (voluntária) e inconsciente (reflexa). O nível consciente habilita a articulação em atividades esportivas, tarefas profissionais e atividades da vida diária; enquanto o nível inconsciente modula a função dos músculos e inicia, por meio de receptores musculares, a estabilização reflexa das articulações que partem dos mecanorreceptores e atinge a medula espinhal, regulando, desse modo, a ação reflexa muscular utilizada pelo sistema nervoso central para modular a atividade muscular por meio do arco reflexo e de vários outros centros envolvidos na atividade motora, em especial o cerebelo [19].
O aumento da estabilidade articular funcional, em consequência dos exercícios proprioceptivos (ou neuromusculares) é importante, tanto na prevenção como na reabilitação de lesões atléticas. O comprometimento do sistema proprioceptivo acarreta déficits na estabilização articular neuromuscular que pode contribuir para a ocorrência de lesões, como distensão excessiva das cápsulas e ligamentos articulares e, consequentemente, para desestabilização postural [20].
Receptores proprioceptivos
Os principais receptores proprioceptivos são os fusos musculares, que estão presentes nos músculos esqueléticos e os órgãos tendinosos de Golgi, que se encontram presentes na região musculotendínea. Os fusos musculares são sensíveis ao estiramento de fibras musculares, respondendo tanto ao estiramento passivo quanto ao ativo. O fuso muscular não transmite sinais através do córtex motor; portanto, não é um loop de feedback. Por outro lado, os órgãos tendinosos de Golgi são ativados por geração de tensão contra forte resistência e também nas ações de estiramento passivo, tornando-se responsável por informar qualquer alteração em relação à posição e direção do movimento, sendo sensíveis às variações de angulação e velocidade angular. Os pontos de origem e inserção dos órgãos tendinosos de Golgi estão nas fibras musculares e nos tendões dos músculos esqueléticos, respectivamente. Estão presentes nos ligamentos e se encarregam de informar a posição do segmento e a tensão ligamentar.
Outros receptores proprioceptivos relacionados aos ligamentos, aos tecidos subcutâneo e aos ossos são também importantes, como: as terminações nervosas livres, que localizadas na pele e na cápsula articular têm como característica a sensibilidade à dor; os corpúsculos de Pacini, localizados na camada profunda do tecido conjuntivo, que
são responsáveis pela sensação de aceleração e desaceleração articular, além de detectar movimentos; e os receptores de Rufini, presentes nas cápsulas articulares que monitoram a direção e a velocidade do estiramento capsular e a amplitude da articulação [21].
Fisiologia do sistema proprioceptivo
O sistema proprioceptivo é de natureza neurológica e recebe informações provenientes de múltiplos sensores do corpo (planta dos pés, músculos, articulações, sistema visual e sistema auditivo do equilíbrio). Estes sistemas se integram e conciliam as informações, que enviam os comandos necessários para as fibras musculares realizarem determinada ação. Um conjunto de ações geram os movimentos das partes do corpo que são controlados pelas funções dos sistemas somatossensoriais e sensório-motores. O funcionamento coletivo desses sistemas é essencial para um sentido proprioceptivo eficiente. Um sistema somatossensorial consiste em receptores sensoriais, neurônios sensoriais nas estruturas periféricas e neurônios mais profundos nas estruturas corticais [22].
O sistema sensório-motor atua de maneira altamente ordenada, em que o córtex de associação executa comandos gerais em níveis mais baixos, considerando que os neurônios motores e os músculos estão interessados nos detalhes, o que permite que estruturas de nível superior se concentrem em funções complexas. O sistema sensório-motor também faz parte do sistema nervoso periférico, que é associado ao controle voluntário dos movimentos do corpo através dos músculos esqueléticos. Este sistema consiste de nervos eferentes que estimulam a contração muscular, incluindo todos os neurônios não sensoriais conectados aos músculos esqueléticos e à pele [23].
O sistema somatossensorial em uma condição estática proporciona orientação consciente do corpo, e em uma situação dinâmica informa o sistema nervoso central sobre a quantidade e a direção do movimento, enquanto os mecanorreceptores cutâneos fornecem informações originárias dos estímulos externos. Outra classe de receptores, os denominados proprioceptores, fornecem informações sobre forças mecânicas decorrentes do próprio corpo, particularmente do sistema musculoesquelético. Os proprioceptores encaminham principalmente informações detalhadas e contínuas sobre a posição dos membros e de outras partes do corpo no espaço. Este tipo de informação sensorial é essencial para o desempenho e a precisão de movimentos complexos.
Sinais aferentes dos receptores mecânicos e cutâneos são importantes para controlar o movimento articular (cinestesia) e a posição articular (sentido da posição articular). A entrada proprioceptiva de terminações nervosas especializadas originárias de músculos, fáscia, tendões, ligamentos, articulações e pele introduz-se no corno dorsal da medula espinhal e é transportada para as partes subcorticais e corticais do cérebro. Muitas vias neurais realizam a sinapse em vários níveis do sistema nervoso, integrando todas as informações de posição do corpo para fornecer um senso consciente e inconsciente de onde está e como se está se movendo. Sabe-se onde se posicionar e como mover-se com suavidade e precisão em diferentes posições de abertos ou fechados devido ao senso proprioceptivo [23].
Os mecanorreceptores recebem informações sensoriais e fornecem movimentos corporais complexos e precisos. Proprioceptores também são combinados com o sistema vestibular para transportar informações sobre a posição e os movimentos de cabeça. Os fusos musculares são compostos por aproximadamente quatro a oito fibras musculares intrafusais especializadas, dispostas paralelamente às fibras extrafusais. Os fusos musculares têm como função fornecer informações sobre o comprimento muscular. Os músculos que controlam movimentos finos contêm mais eixos do que os que controlam movimentos brutos.
As fibras musculares são classificadas em três grupos de acordo com seu diâmetro (I, II e III), em ordem decrescente de espessura. As do grupo I são subclassificadas em Ia, destinadas ao fuso muscular, e Ib, destinadas aos órgãos tendinosos de Golgi. As do grupo II são também destinadas às fibras do fuso. Por sua vez, as do grupo III tratam-se de terminações nervosas livres, responsáveis pela sensação de pressão muscular.
A inervação primária é realizada pelos axônios do grupo I e as terminações dos axônios são conhecidas como extremidade sensorial primária do fuso muscular. Já a inervação secundária é fornecida pelos axônios do grupo II que inervam as fibras da cadeia nuclear e liberam um ramo menor das fibras da bolsa nuclear. As fibras musculares intrafusais são inervadas por neurônios motores Y (também denominados de neurônio motor gama é um tipo inferior dos neurónios motores que toma parte no processo de contração do músculo), derivados de um conjunto de neurônios especializados na medula espinhal. O córtex motor inibe a contração muscular em caso de tensão excessiva dos órgãos tendinosos de Golgi. A fibra nervosa Ib parte do órgão tendinoso de Golgi e se dirige à medula, realizando conexão, sinapse com motoneurônios
através de interneurônios que estão dentro da medula espinhal que também se projetam para o cerebelo e o córtex cerebral. Assim, o aferente Ib é excitado a partir da deformação do órgão de Golgi (estiramento ou contração). Os órgãos tendinosos de Golgi estão envolvidos na regulação do movimento cerebelar através dos tratos espinocerebelares dorsal e ventral [7, 8].
No caso da presença de lesões ou traumas os proprioceptores podem ser danificados. A perda desse senso interno de tempo e precisão levará ao agravamento das lesões e, por consequência, movimentos simples deverão consumir quantidade mais elevada de energia cognitiva [5, 6]. Por meio do treino pode ocorrer o aprimoramento da capacidade de propriocepção; porém, a ocorrência de lesões ou traumas, imobilizações, fadiga, hemartrose e edema podem diminuí-la, visto que os proprioceptores podem ser danificados, além do que, as estruturas que a compõem, como os mecanorreceptores, podem ficar impossibilitadas de enviar informações para o sistema nervoso central, devido à compressão que estes sofrem por edema, hemartrose ou por falta de estímulo devido à imobilização prolongada. Também, devido à prática excessiva de esforço físico, o que causa elevada fadiga muscular, aumentando, desse modo, as chances de ocorrerem lesões ortopédicas, o que comprova a importância dos exercícios proprioceptivos na reabilitação [19].
Exercícios proprioceptivos
Os exercícios proprioceptivos desenvolvem maior economia no consumo de oxigênio e de energia para os músculos, maior estabilidade nas articulações e assim contribuem diretamente para um melhor desempenho nas atividades esportivas. Portanto, é um importante componente com objetivo fundamental de prevenir lesões e aprimorar o desempenho motor. São exercícios indispensáveis para o controle postural, estabilidade articular e diversas sensações conscientes [23].
Os exercícios proprioceptivos podem ser idealizados de diversas maneiras através de equipamentos, dentre eles: bozu, bola suíça, disco proprioceptivo e cama elástica. Esses equipamentos estimulam o aumento da percepção do centro de gravidade e, consequentemente, aumentam a estimulação do nível do fuso muscular. Nestes equipamentos são realizados exercícios que geram instabilidade e o desequilíbrio postural para que ocorra ativação dos proprioceptores, e, por sua vez, uma resposta muscular para reorganização e estabilização postural [24].
No que se refere ao volume semanal e duração dos exercícios proprioceptivos, é visto que devem ser realizadas pelo menos de duas a três seções/semana; contudo, preferencialmente, em todas as seções de treino específico da modalidade do esporte praticado [19]. Relativamente à duração de cada seção de exercícios proprioceptivos, são referidos períodos mínimos de 5 a 10 minutos, alcançando até 15 minutos, sendo mais curtos em situações de prevenção e mais longos nos casos de reabilitação [25].
Estudos têm mostrado que programas de exercícios que estimulam as vias sensoriais proprioceptivas podem aprimorar a estabilidade do equilíbrio e alterar o controle postural em ações estáticas e dinâmicas, reduzindo, por consequência, a incidência de lesões nos esportes [26]. Os exercícios proprioceptivos demonstram adequada ação preventiva e de reabilitação em lesões musculoesqueléticas, pois exigem do sistema sensorial maior precisão para obter informações referentes à sensação de movimento e posição articular, com base em elementos de outras fontes que não a visual, a auditiva ou a cutânea superficial [27].
Sendo assim, a realização de exercícios de propriocepção é importante, não só para aprimorar o equilíbrio e os movimentos precisos do corpo, mas também, para evitar as lesões esportivas, condicionando o corpo a mover-se protegendo a área estimulada. Programas de exercícios proprioceptivos aprimoram a propriocepção durante a fase de reabilitação e nos períodos de competição, treinando o cérebro a reconhecer a posição
dos segmentos do corpo a cada momento [28]. Um programa de exercícios de equilíbrio deverá treinar o caminho proprioceptivo mais eficazmente em circunstâncias competitivas, por isso deve ser colocado em uma rotina convencional de treino [29].
Além de importante protagonista na reabilitação de lesões musculoesqueléticas, os exercícios proprioceptivos apresentam ainda, destacada contribuição em ações preventivas, pois exigem da modalidade sensorial uma forma mais competente para obtenção de informações referentes à sensação de movimento e posição articular. Os efeitos crônicos dos exercícios proprioceptivos constituem em uma redução da instabilidade, aumentando simultaneamente a estabilidade postural e tônus muscular, reduzindo o risco de lesões provenientes da prática de esportes e de atividades do cotidiano. A informação proprioceptiva pode ser usada também, para aprimorar a velocidade e a resistência durante a execução de movimentos multiarticulares. Os programas de exercícios proprioceptivos induzem a diminuição no tempo de resposta muscular das atletas-jovens que se tornam mais hábeis para um desempenho rápido e inesperado nos movimentos utilizados no esporte [30].
Prescrição e Orientação de Exercícios
Proprioceptivos para Atletas-Jovens de
Ginástica Rítmica
Os exercícios proprioceptivos são idealizados com finalidade de induzir algum tipo de instabilidade articular na tentativa de gerar adaptações direcionadas às capacidades proprioceptivas, aprimorar o equilíbrio postural e as ações de resposta consciente e inconsciente. Neste sentido, nas seções de exercício físico, previamente ao início da rotina específica de exercícios proprioceptivos, sugere-se executar uma sequência de ações envolvendo a ativação de alongamento muscular, mediante o método estático.
Os exercícios proprioceptivos são propostos em três níveis de dificuldades: (a) nível 1 - iniciante; (b) nível 2- intermediário; e (c) nível 3- avançado. Neste caso, os exercícios devem ser disponibilizados para execução de maneira progressiva, de acordo com a evolução demonstrada individualmente por cada ginasta. Conforme as adaptações vão ocorrendo torna-se necessário realizar ajustes nos exercícios propostos, elevando o nível de dificuldade para que, desse modo, possam continuar os processos favoráveis de adaptações.
Em cada seção de exercícios proprioceptivos deve ser monitorado o grau de dificuldade demonstrado pelas ginastas na execução dos movimentos propostos. O grau de dificuldade dos exercícios proprioceptivos é identificado mediante inspeção visual realizada pelo profissional no que se refere à qualidade de execução dos movimentos, tempo que as atletas-jovem mantêm a posição/postura solicitadas pelos exercícios e autorrelato das executantes quanto à dificuldade na realização dos exercícios (exercício de difícil, moderada e fácil execução). Importante destacar que a inserção de exercícios proprioceptivos nas rotinas das seções de treino, ajustados às peculiaridades dos gestos técnicos da ginástica rítmica, simulando ações e movimentos típicos dessa modalidade de esporte.
Os exercícios proprioceptivos propostos na sequência estão ordenados em três categorias. Na primeira procurou-se reunir os exercícios que têm como fundamento aprimorar a estabilidade articular dos membros inferiores, o equilíbrio e a postura. Para a segunda categoria são sugeridos exercícios proprioceptivos especificamente direcionados
ao fortalecimento muscular das áreas com maior incidência de lesões (tornozelos, joelhos e ombros). A terceira trata-se de movimentos com finalidade de aprimorar o controle corporal. Neste caso, os exercícios podem ser selecionados conforme sua finalidade para serem utilizados de maneira isolada ou em conjunto. É importante enfatizar a preocupação para que as ginastas procurem manter uma postura adequada na execução dos exercícios.
Considerações Finais
A prática de esporte na infância e adolescência tem aumentado extraordinariamente nos últimos tempos. O crescente interesse pelo esporte infantojuvenil não surpreende, tendo em vista as convincentes evidências de seus benefícios para saúde física e psicossocial dos jovens. Neste contexto, a ginástica rítmica vem suscitando grande interesse e aceitação entre as moças, ganhando popularidade em todo o mundo. No entanto, essa maior procura pelo esporte, juntamente com a diminuição na idade de início e especialização, o dramático aumento no grau de dificuldade das habilidades específicas e as mais elevadas solicitações de intensidade/volume nos treinos, tendem a expor as jovens ginastas a riscos mais elevados de lesões, o que geram grandes preocupações pela sua gravidade e efeitos nocivos em médio e longo prazo.
A acentuada demanda das capacidades físicas de força, resistência, potência muscular, agilidade e flexibilidade extrema para executar as rotinas de movimentos que solicitam saltos, giros, lançamentos, rotações, piruetas com graça e elegância, acompanhada por uma reduzida quantidade de gordura corporal, considerando que a estética corporal se configura como elemento de fundamental importância neste esporte, caracteriza a ginástica rítmica como um esporte que resulta em espectro único de lesões. De fato, a ginástica rítmica requer impacto extremo nas extremidades, posicionamentos hiperlordóticos e deslocamentos altamente dinâmicos que podem ser agressivos e de difícil absorção pelo organismo jovem ainda em processo de maturação, desenvolvimento do aparelho locomotor e do sistema musculoesquelético. Esses fatores se combinam para diferenciar a jovem ginasta quanto aos potenciais riscos de lesões.
Considerando os custos com tratamento e reabilitação, o tempo de afastamento de treinos e competições, o risco de incapacidades temporárias ou permanentes e o consequente comprometimento na qualidade de vida, as lesões esportivas podem sobrecarregar a atleta-jovem e sua equipe, além de apresentar um amplo efeito psicossocial. Em vista disso, especialistas da área reconhecem a importância de programas específicos de exercícios proprioceptivos na prevenção de lesões provenientes da prática de ginástica rítmica, ou mesmo como procedimento auxiliar bastante útil no seu tratamento e reabilitação.
Com relação à efetividade dos programas específicos de exercícios proprioceptivos em ginastas, na tentativa de alcançar o máximo de benefícios preventivos e minimizar os riscos derivados de limitações ocasionadas por eventuais lesões, sugere-se que as orientações dos exercícios sejam acompanhadas por profissionais do esporte especificamente qualificados para esta finalidade. Exercícios incompatíveis com o estado maturacional e a estrutura osteo-músculo-articular da atleta-jovem podem gerar sobrecarga física excessiva, acarretando respostas e adaptações desfavoráveis à prevenção, ao tratamento e à reabilitação de lesões.
Por fim, devido aos exercícios proprioceptivos tradicionalmente serem identificados unicamente como uma opção de tratamento e reabilitação de lesões, possivelmente o principal desafio para implementar programas preventivos mediante os exercícios proprioceptivos nas rotinas de treino das ginastas seja a menor familiarização dos profissionais que atuam no esporte infantojuvenil com esse tipo de exercício físico. Sendo assim, a presente publicação técnica deve disponibilizar importantes subsídios, auxiliando para ampliar novos conhecimentos vinculados ao treino em idades jovens, tornando-se, por sua vez, importante ferramenta de consulta para atuação profissional.