AEGIRINA – NaFe
3+Si2O6
A aegirina é um inosilicato do Supergrupo dos Piroxênios. É um mineral pouco comum, cuja ocorrência está restrita a alguns tipos de rochas. Não possui importância econômica.
A aegirina forma uma solução sólida com augita. O termo intermediário é a aegirina-augita. “Acmita” era um termo usado tanto para aegirinas verdes como para aegirinas marrons com terminações pontiagudas; o nome foi desacreditado em 1988.
Como impurezas podem ocorrer na aegirina Mn, Mg, V, Ti, Al, Ca, K, Ce e Zr. Possui três variedades (alto Na, alto Ti e com V).
1. Características:
Sistema Cristalino Cor Hábitos Clivagem
Monoclínica prismática
Verde bem escuro a preto esverdeado, pode
ser marrom avermelhada até preta.
Prismática longa com terminações em ponta.
{110} boa
Estrias // ao eixo c Tenacidade
Quebradiça
Maclas Fratura Dureza Mohs Partição
Simples e lamelares por {100}
Irregular 6 Por {100}
Traço Brilho Diafaneidade Densidade (g/cm3)
Cinza amarelado Vítreo, algo resinoso. Transparente 3,5 – 3,6
2. Geologia e depósitos:
A aegirina é encontrada tipicamente em rochas ígneas alcalinas (ricas em Na e pobres em silica) como granitos alcalinos, sienitos, fonolitos, basanitos, clinopiroxenitos, carbonatitos e pegmatitos. Também em rochas raras como apatitolitos e eudialititos.
Também pode ocorrer em rochas metamórficas da facies xistos-azuis como riebeckita-xistos e glaucofano-xistos. Ocorre em rochas de metamorfismo regional como xistos, gnaisses e formações ferríferas bandadas (BIFs). Por metasomatismo sódico em granulitos.
É mineral autigênico em alguns folhelhos e calcários impuros.
3. Associações Minerais:
Associa-se a feldspatos (ortoclásio, microclínio, albita), feldspatóides (nefelina), riebeckita, astrophyllita, arfvedsonita, aenigmatita, apofilita, serandita, analcima, eudialita, rinkita, natrolita, quartzo, rhodocrosita, zircão e catapleiita.
4. MICROSCOPIA DE LUZ TRANSMITIDA:
Índices de refração: nα: 1,720 – 1,778 nβ: 1,740 – 1,819 nγ: 1,757 – 1,839
ND Cor / pleocroísmo: moderadamente a fortemente pleocróica: X = verde profundo; Y = verde grama;
Z = amarelo-marrom. Zonação de cor (zonação em ampulheta!) é comum, a borda normalmente é mais escura que o núcleo dos cristais.
Relevo: alta a muito alto
Clivagem: {110} perfeita: são duas clivagens que se cruzam em ângulos de 87º e 93º nas seções basais (como em todos os piroxênios!). Nas seções longitudinais observa-se apenas uma clivagem.
Hábitos: prismática curta a acicular. Hábitos granular, esqueletal e poiquiloblástica são possíveis. Grãos com margens pretas, textura de ampulheta possível. Seções basais com 8 lados são típicas.
NC Birrefringência e cores de interferência:
birrefringência de 0,037 a 0,061, resultando em cores intensas e fortes de 3ª e 4ª ordem, que frequentemente estão mascaradas pela intensa cor própria do mineral.
Extinção: oblíqua de baixo ângulo, de 0o a no máximo 12º .
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: simples e lamelares em {100}, comuns.
Zonação: frequentemente zonada.
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 60-70º, varia com a composição.
Alterações: não altera com facilidade. Alteração a arfvedsonita é possível.
Pode ser confundida com: anfibólios, que frequentemente tem um hábito alongado, mas pode ser
distinguida destes pelo ângulo de quase 90º que suas clivagens formam nas seções basais (anfibólios fazem ângulos de 124 e 56º). A birrefringência e o ângulo de extinção diminuem com o aumento do teor de ferro, até chegar em aegirina-augita. Augita e diopsídio podem ser semelhantes, mas possuem ângulos 2V maiores. Piroxênios ortorrômbicos apresentam extinção reta.
Esquerda: aegirinas em rocha vulcânica mostrando cores verdes intensas com pleocroísmo forte
(cristais verdes grandes). A seção basal (pequena, redonda, amarela) é menor, possui 8 lados e duas clivagens que se cruzam a quase 90º.
Direita: detalhe da imagem da esquerda, mostrando as cores de interferência fortes e a zonação de
Aegirinas a ND mostrando seu forte pleocroísmo entre verde-musgo profundo e amarelo-marrom. Trata-se do mesmo conjunto de cristais, girado 90º. É um pleocroísmo muito típico, raros são os minerais que apresentam um pleocroísmo semelhante. A presença de aegirina sinaliza a possibilidade da existência de minerais relativamente raros na lâmina, tais como nefelina, eudialita, rinkita e muitos outros.
Aegirinas a NC: como sempre acontece com minerais de cores fortes, as cores verdes intensas da aegirina mascaram as cores de interferência. Muito diagnóstica é a extinção quase paralela dos cristais!
Seções basais de aegirina a ND, mostrando as duas direções de clivagem que se cruzam a ~90º, típico dos piroxênios.
Aegirina (verde-amarela) a ND. O hábito prismático longo a acicular que a aegirina pode apresentar é um hábito muito mais típico de anfibólios do que de piroxênios.
Aegirina poiquiloblástica em fonolito a ND. São cristais esqueletais, com muitas inclusões, mostrando o pleocroísmo típico, extinção quase paralela e cores de interferência fortes.
5. MICROSCOPIA DE LUZ REFLETIDA:
A microscopia de Luz Refletida evidentemente não é o método analítico recomendado para a identificação da aegirina. Entretanto, é importante a confecção de uma lâmina ou seção polida para a identificação dos minerais opacos que ocorrem associados à aegirina, como a magnetita e a ilmenita.
Preparação da amostra: o polimento da aegirina é simples e fica de ótima qualidade, acompanhando os
feldspatos e feldspatóides que geralmente ocorrem associados. É uma situação similar à augita, que também é fácil de polir.
ND Cor de reflexão: Cinza claro, uma cor bem mais clara que a cor de feldspatos, feldspatóides (e quartzo, que não ocorre associado). É uma situação semelhar à augita, mas a cor é mais clara que aquela da augita.
Pleocroísmo: Não
Refletividade: Baixa (<10%) Birreflectância: Não
NC Isotropia / Anisotropia: Anisotropia nítida, um pouco difícil de visualizar em função das reflexões internas fortes e escuras.
Reflexões internas: Generalizadas em cores fortes, com tonalidades mais fortes onde os cristais são mais espessos e tonalidades mais claras com cristais mais finos na seção polida. A cor das reflexões é marrom amarelada, caramelo, com um toque de verde. Em grãos muito espessos ou que tenham ao seu redor e abaixo deles outros grãos, as reflexões podem chegar a quase pretas.
Pode ser confundida com: outros minerais transparentes de cores escuras, principalmente outros
piroxênios e anfibólios. Augita possui reflexões internas mais escuras. Turmalina pode apresentar reflexões internas de cores semelhantes, mas os hábitos e as paragêneses são outros.
Esquerda: a ND, aegirina poiquiloblástica em fonolito. Sua cor de reflexão é muito mais clara que
feldspatos e feldspatóides.
Direita: a NC a aegirina apresenta reflexões internas em marrom amarelado, pode ser caramelo, com um
Versão de abril de 2020
A aegirina pode apresentar um hábito prismático longo, quase acicular, mais típico de anfibólios que de piroxênios. Imagem a NC.
A cor das reflexões internas da aegirina, a NC, dependerá da espessura do grão no ponto considerado (quanto mais fino, mais claras as reflexões) e dos grãos situados ao redor e abaixo dele (quanto mais grãos ao seu redor e abaixo, mais escuras as cores das reflexões).
Cristais idiomórficos de aegirina em eudialyta-nefelina-sienito. A ND (esquerda) a aegirina é quase branca, contrastando com as nefelinas em cinza escuro ao seu redor. No alto, material de alteração muito mal polido. A NC (direita) as reflexões em vários tons de verde escuro são características da aegirina, enquanto nefelina apresenta reflexões leitosas e material de alteração é amarelado.