Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Trabalho de Conclusão de Curso de Historiografia da Tradução

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Texto

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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Trabalho de Conclusão de Curso de Historiografia da Tradução

Prof. Dr. Álvaro Faleiros

Prof. Dr. John Milton

Título: Tradutor Público como Agente de Tradução

Alessandra Cani Gonzalez Harmel

São Paulo

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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Trabalho de Conclusão de Curso de Historiografia da Tradução

Prof. Dr. Álvaro Faleiros

Prof. Dr. John Milton

Título: Tradutor Público como Agente de Tradução

Alessandra Cani Gonzalez Harmel

Trabalho apresentado ao Programa Pós-Graduação da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências

Humanas da USP como trabalho de conclusão para o crédito de Historiografia da Tradução ministrado pelo Pror. Dr. Álvaro Faleiros e pelo Prof. Dr. John Milton.

São Paulo

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Resumo

O objetivo deste trabalho é o de tecer algumas considerações e questionamentos com relação ao papel e ao trabalho do Tradutor Público e Intérprete Comercial à luz de teorias da Tradução. O estudo foi fundamentado em leitura de textos que se relacionassem à atuação do tradutor enquanto Agente de Tradução e sua função no processo de mudanças de paradigmas e de desenvolvimento de pesquisa nos estudos tradutórios em virtude dos diferentes gêneros textuais com os quais estes profissionais se deparam em sua prática e no seu envolvimento tanto de caráter oficial como intercultural.

Palavras-Chave: Historiografia da Tradução; Tradução Juramentada; Agentes de Tradução.

Abstract

The aim of this paper is to make some considerations and raise a few questions in relation to the role of Sworn Translators in light of Translation Theories. The study was based on the reading of texts concerning translators as Agents and their part in the process of changing paradigms and in the development of research in translation studies due to the variety of genres they encounter in their practice and also in their engagement in both official and intercultural environments.

Keywords: Translation Historiography; Sworn Translation; Agents of

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1. INTRODUÇÃO

“Ordenamos e mandamos que haja número de intérpretes e que antes de serem investidos, jurem na forma devida que usarão seu ofício bem e fielmente, declarando e interpretando o negócio e pleito em questão clara e abertamente, sem encobrir nem acrescentar coisa alguma, dizendo simplesmente o fato, delito, assunto ou testemunhos com imparcialidade a ambas as partes, sem favorecer ninguém” (Peñarroja Fa 2004).

1.1 – Breve Histórico

Por pesquisas como a de Peñarroja Fa (2004) se sabe que a expressão “tradutor juramentado” decorre da própria história da tradução na América colonial e do processo identificado por institucionalização do intérprete/tradutor (Wyler 2003:38). De fato, a primeira vez em que se fez menção à expressão “intérpretes que juram” foi em texto de lei espanhola de 4 de outubro de 1563, pela qual Felipe II ordena que haja intérpretes em audiência e que jurem conforme o que foi citado acima. Há notícia de que já nos primórdios do século seguinte (XVII) o juramento também era exigido pela autoridade colonial portuguesa em território brasileiro, especialmente para fins judiciais.

Serviu a tradução juramentada de marco histórico no processo brasileiro a partir do desembarque da família real na colônia em 1808, mormente com a abertura dos portos ao comércio estrangeiro – acompanhada pela criação dos cargos públicos de intérprete para o porto do Rio de Janeiro e para outras repartições – o “tradutor jurado da praça e intérprete da nação” (veja-se aqui, finalmente, a vinculação explícita entre tradutor e intérprete).

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O Decreto 863, de 17 de novembro de 1851, reorganizou a profissão – completamente vinculada ao poder público pelos Tribunais do Comércio – ao baixar Regulamento para os Intérpretes do Commercio da Praça do Rio de

Janeiro, o qual passou a valer para todos os ofícios em território nacional. Em

1875, os Tribunais do Comércio foram extintos e suas atribuições passadas às Juntas Comerciais, cuja atuação segue até os dias de hoje, regrando e supervisionando o ofício de tradutor juramentado.

1.2 – O que é Tradução Pública

O termo Tradução Pública - tradicionalmente conhecida como “Juramentada”- refere-se à tradução ou versão de documentos oficiais ou particulares, feita por tradutor público. A tradução/versão executada por este profissional possui fé pública. Isto significa que a mesma se reveste da condição de documento público, sendo aceita em todo o território nacional. Da mesma forma, as versões são reconhecidas em países estrangeiros.

Assim, as traduções e versões juramentadas são documentos destinados a produzir efeito em repartições da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, juízo ou tribunal ou ainda entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos (nos termos do artigo 157 do Código de Processo Civil e do Decreto Federal nº 13.609 de 21.10.1943).

1.3 – Quem é o Tradutor Público

A designação “Tradutor Público e Intérprete Comercial” é conferida ao profissional devidamente concursado e habilitado pela Junta Comercial do respectivo Estado em que exerce seu ofício, de acordo, principalmente e entre outros, com o Decreto Federal nº 13.609 de 21.10.1943. No Estado de São Paulo, obedece às deliberações (atualmente principalmente Deliberação

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4/2000) e às tabelas oficiais de emolumentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo. Além de efetuar traduções e versões de documentos, também é função exclusiva do Tradutor Público e Intérprete Comercial a atuação em juízo, junto a órgãos públicos e cartórios em geral, eventos e atos oficiais, quando uma das partes interessadas for de nacionalidade estrangeira. E ainda interessantemente, de acordo com o Artigo 6º. exposto no Capítulo I – da Deliberação JUCESP No. 04, de 1º. de Novembro de 2000, que regula sobre o Exercício do Ofício de Tradutor Público e Intérprete comercial, lê-se:

“O tradutor público e intérprete comercial não poderá recusar-se a fazer

tradução ou versão de texto no idioma em que esteja legalmente habilitado.” Diante desta miríade de circunstâncias e oportunidades que surgem para a execução do trabalho de tradução e versão per se, e de todas as regras que incidem sobre o tradutor juramentado, muitas vezes percebe-se este permanece “um grande desconhecido tanto para os leigos quanto para a grande maioria dos profissionais, sejam da área jurídica, sejam da área da tradução.” (FONTES, Márcio S., 2008). O objetivo deste trabalho visa explorar algumas teorias e justificativas que possam explicar ou ao menos enunciar o porquê desta ocorrência tão sui generis da profissão, sendo que a tradução nunca foi tão primordial nas relações como nos dias de hoje.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A Tradução Juramentada reconhecida com sendo uma “tradução feita em formato apropriado para ter validade oficial e legal perante órgão em instituições públicas” (Andrart, 2004 in Barros, Camargo e Aubert, 2005) é notadamente importante para as relações entre povos e países, mormente hoje na era da informação, quando o dinamismo e a rapidez caracterizam as relações internacionais. Assim sendo, bem cabe aqui a representação do Tradutor Juramentado como “tendo um papel social, uma vez que ele promove o bem comum, proporcionando o acesso a trabalhos estrangeiros” (Milton, 2010). Soma-se ainda a ação do Tradutor como intérprete, e da mesma forma, um agente que proporciona, de acordo com Buzelin, citando Ingilheri, “interações [...] entre advogados... pesquisadores... juízes.”.

Não obstante, qualquer que seja o caso, o Tradutor Juramentando, assim como qualquer outro colega que não tenha passado pelos procedimentos de concurso e de nomeação para o cargo, também enfrentará as mesmas questões relativas à língua e à linguagem estudadas pelas teorias de tradução. Comecemos pelo fato de que, a “tradução é um ato dual de comunicação. Pressupõe a existência [...] de dois códigos distintos, ‘a língua de partida’ e a ‘língua de chegada’” (Brisset, 1990. Tradução nossa). Isto se soma ao fato de que “os dois códigos não são isomórficos o que cria obstáculos para a operação” (idem). Ainda seguindo a linha de Brisset, sabe-se que por toda a história os tradutores por muitas vezes sabe-se debateram com o fato de que a língua de chegada possui “deficiências” durante o processo de tradução da língua de partida que podem ser definidas de várias formas. Na tradução juramentada, é fato que, muitas vezes, existem tipificações que são específicas dos outros países ou comunidades e uma referência ou mesmo uma adaptação ou adequação na língua de chegada acaba sendo praticamente impossível em alguns casos.

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Eis aqui, então, a dificuldade na tradução que não advém da falta de uma língua de tradução específica, mas sim da ausência de um “Subcódigo equivalente ao usado pelo texto de partida em sua reprodução”. (ibidem). Apesar da língua de chegada nem sempre prover equivalências para a língua de partida isto não pode ser citado como um problema de tradução e enquanto profissionais dessa área, também os Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais deverão encontrar soluções para este tipo de evento.

Desta feita, “o trabalho do tradutor não é um trabalho oculto, que desaparece atrás da figura do autor.” (Venutti, in Milton, 2010). Ele deverá procurar por seus meios encontrar formas de adequar, dar forma e explicar por meios diversos, a ideia, o conceito ou o tipo/tipificação do termo ou termos a serem traduzidos em seu trabalho. E como isto é ou pode ser feito no caso da Tradução Juramentada?

Tymoczko tão lucidamente propõe que a “tradução permeia nossa vida cotidiana” e que é “uma forma de uma cultura representar outra”, levando em consideração o tempo, e “por extensão, a ideologia, a política, a economia e a cultura”. Assim sendo, promove-se a tradução das “relações entre duas culturas” (Tymoczko, 2000) e é justamente este o campo de atuação do Tradutor Público. No seu trabalho cotidiano, em virtude dos textos que tem de traduzir ou verter, o profissional estará sempre em contato e envolvido com elementos estrangeiros a serem adaptados para a língua de chegada. E ele deverá contar com forças individuais ou coletivas de tradutores para que possa resolver os problemas de tradução quando surgirem tendo de se ater, até por força das circunstâncias, a um habitus. Eventualmente, isto não é de se estranhar uma vez que, em uma profissão tão regulamentada e permeada por normas tão distintas e por legislação tão específica e objetiva quanto às funções do tradutor com esta função pública, as normas fazem parte do

status quo do tradutor público que deve segui-las não só em sua conduta,

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habitus “enfatiza o quanto os próprios tradutores atuam na manutenção e,

talvez até, na criação das normas”.

De qualquer forma, mesmo tendo de se submeter ao habitus, os tradutores de hoje têm uma grande carga de responsabilidade e de tarefas a serem executadas a partir de agora para o futuro como adaptar os textos de acordo com as padronizações dos clientes, se ajustarem a novas terminologias e conceitos - além de reescrituras dos próprios conceitos existentes – e também a “dominar as sofisticadas habilidades de informática” (Simeoni, 1998). Com isto, certamente estarão “introduzindo novos elementos na cultura estrangeira” para que haja um melhor entendimento e para que “as novas ideias viagem sem distorções” passando por todas as fronteiras de forma perfeitamente inteligível (Bourdieu, 2001) atuando como “gate-keepers”, como descreve o próprio teórico.

No entanto, opostamente a esta teoria, temos Latour que construiu o conceito de Network, “mais especificamente, a ‘actor-network’, uma noção que é considerada mais flexível do que a de sistema, mais histórica do que a de estrutura, mais empírica do que a de complexidade” (Buzelin, 2005). Esta teoria vem obtendo mais suporte e exercido grande influência em pesquisa, apesar das críticas de Bourdieu e de decorrentes controvérsias, e tem se desenvolvido nas pesquisas e no desenvolvimento de marketing, finanças e no judiciário. Isto ocorre devido ao fato de um relacionamento entre os vários “atores” envolvidos estarem em constante cooperação e interação.

Em relação aos Tradutores Públicos: como caracterizá-los, então? Como “gate-keepers” ou como “Agentes de Tradução” na “Actor Network Theory”?

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3. ANÁLISE

Para tentar responder, ou ao menos opinar sobre a questão acima, comecemos nossa análise pelo tipo de textos nos quais os Tradutores Públicos trabalham.

3.1 – Tipologia Textual

Faremos aqui uma citação extraída de artigo de Barros, Camargo e Aubert para melhor representar o tópico:

“Sabe-se que, embora todo texto possa, em determinada situação, ser submetido a uma tradução juramentada (Aubert, 1996, p. 14), a maior parte dos documentos cuja tradução dessa natureza é solicitada pode ser dividida nos seguintes grandes grupos:

a) documentos pessoais: carteira de identidade, certidões de nascimento, casamento, divórcio ou óbito; documentos escolares, carteiras de habilitação de motoristas, passaportes, e outros;

b) documentos societários: termos de incorporação, deliberações de conselhos de empresas, atas de reuniões, contratos em geral etc.

c) documentos financeiro-comerciais: balanços de empresas, faturas, notas de débito, letras de câmbio, conhecimento de embarque, notas promissórias, correspondência comercial etc.

d) documentos legais: cartas rogatórias, atestados de antecedentes, procurações etc..

e) documentos de diferentes naturezas: patentes, transferência de tecnologia, correspondência eletrônica etc. Assim, verifica-se, de modo geral, diversidade e abrangência no que concerne aos tipos de textos que frequentemente são submetidos à tradução juramentada.”

Derrida: “considera o texto de partida como um objeto estável, receptáculo de significados permanentes.” Para Arrojo, traduzir o texto é “ler/proteger... Traduzir é transportar, é transferir de maneira ‘protetora’, os significados estáveis de um texto para o outro.” Isto poderia perfeitamente nos levar a pensar que os textos a serem trabalhados em Tradução Juramentada não teriam seu teor modificado ou interpretado de outra forma, ou por outras cores e considerações já que na sua maioria tratam de formatos e de textos com terminologia já esperada como no caso de certidões, carteiras de identidade ou de habilitação, ou mesmo contratos, balanços e notas promissórias. As informações e o vocabulário são, de certo

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modo, “padronizados” como muitos podem afirmar. Só que mesmo estes textos então chamados documentos podem causar alguns problemas de tradução pelo fato de países terem legislações e tipificações diferentes, com figuras, representantes ou instrumentos que não existem necessariamente no estrangeiro. Como processar esta adequação? Que escolhas fazer? Na prática o problema poderá ser sanado, por exemplo, com uma “nota de tradução” proporcionando a explicação da dita tipificação. Podemos dizer, então, que isto nos remete a uma eventual estrangeirização?

Levemos em consideração que, como lemos no corpo da própria citação, qualquer documento pode ser submetido à tradução juramentada. Dentro de nossa experiência podemos ainda elencar laudos periciais de áreas técnicas e/ou extremamente específicas como medicina, odontologia, engenharia, informática, física, química, enfim; qualquer texto que deva ser submetido a escrutínio de órgão público. Com isto, e também levando em consideração o artigo 6º. do Capítulo 1 da Deliberação da Junta Comercial mencionado anteriormente neste arrazoado, que o Tradutor Público não pode se negar a traduzir ou verter texto no idioma no qual esteja habilitado, como fazer no caso de pesquisa em áreas tão específicas e que exijam um eventual alto nível de conhecimento técnico?

Neste caso, ao longo do processo, muito provavelmente a comunicação com o cliente ou então com os profissionais especializados é que trarão ao tradutor juramentado a solução para problemas de tradução no corpo do texto.

Outro caso interessante vem a ser quando o Tradutor Público, a quem também foi atribuída, como previsto em lei, a função de perito. Neste caso ele será intimado em juízo a atuar em causas, por exemplo, entre clientes e tradutores ou entre agências, a fim de dar seu parecer técnico sobre a competência do trabalho de tradução objeto da lide. Percebemos que nesta atribuição, existe realmente um envolvimento oficial, jurídico, político e técnico-específico.

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3.2 - Visibilidade do Tradutor

Inicialmente, consideremos o aspecto da formalidade e o caráter oficial da produção do Tradutor Público. A tradução do texto que ele fará, ou do laudo que ele elaborará será um documento emitido como se fora em um cartório ou outro órgão público e possui fé pública. Isto está ilustrado em seu formulário que contém toda sua identificação, brasões e especificidades de um documento oficial de certa forma padronizado também, pois as instruções são todas normatizadas e regulamentadas pelas Juntas Comerciais. O Tradutor Público assina e dá fé ao documento. Emite duas cópias e uma delas fica em seu livro de registros. Isto simboliza a salvaguarda das informações. Somente estas características já pressupõem a total exposição e visibilidade do profissional em virtude de sua responsabilidade civil e penal.

Além destas características, de responsabilidade e de fé pública, existe a visibilidade do trabalho de tradução em si. Como pudemos experienciar anteriormente, ao considerarmos tantos tipos diferentes de documentos, em relação a gêneros textuais e em relação à linguagem de especialidades a Tradução Juramentada nos oferece um interessante questionamento no que tange à visibilidade do Tradutor. Num sentido mais estrito, logo pensaríamos que a transposição das informações dos textos deveria ocorrer de forma praticamente inequívoca, pois cada termo teria seu correspondente em outro idioma. Não obstante, inúmeras vezes isto não ocorre e o tradutor deverá lançar mão de notas e explicações que denotarão sua inferência e sua interpretação direta na tradução, deixando transparecer seu trabalho, sua pesquisa e seu conhecimento. E aí se lança um questionamento interessante: com este caráter de visibilidade no texto, o tradutor promove uma domesticação do texto de partida? E no caso de uma versão? Isto é: de um texto de partida no idioma do tradutor juramentado, sendo levado a outro país? Se não há correspondência, isto se caracterizaria por uma estrangeirização para o país que recebe o texto de chegada? Se for

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este o caso, o Tradutor Público poderia definitivamente ser responsável por uma quebra na subordinação dos textos traduzidos a outras culturas mais dominantes?

3.3 – Agentes de Tradução

Tomando por análise as questões sobre a visibilidade em detrimento da responsabilidade e também das estratégias para escolhas e adequações tradutórias assim como pela ocorrência destas escolhas, podemos observar que os Tradutores Públicos são autores de práticas que poderão ao longo do tempo operar contundentes e importantes mudanças entre os povos e os países. E já que mencionamos a questão do desafio imposto aos modelos de domesticação versus estrangeirização, estamos sugerindo que o papel do Tradutor Público como Agente de Tradução, em comparação ao de um “gate-keeper”, parece fazer mais sentido.

Bandia e Milton concordam que Agentes de Tradução são muito mais do que “guardiões do portal”. De alguma forma, eles podem tentar modificar certos elementos do habitus, pois estão expostos – se dispostos – a fazer escolhas de tal importância que poderão a qualquer tempo mudar o futuro de uma ou mais nações.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com Gurcaglar, (2008) “Textos traduzidos como produtos culturais podem ser (e têm sido) estudados a partir de uma variedade de perspectivas”. Tymoczo (2000) também afirma que não somente textos literários formam a base para os estudos de tradução no que tange a parcialidade e representação dos textos de partida. Afinal, para ela traduções

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são “veículos de envolvimento político, envolvimento este que não se restringe a contextos pós-coloniais”.

E ainda, Gurcaglar (2008) afirma que aparentemente os Estudos de Tradução estão sempre em busca de maiores perspectivas a fim de analisar os trabalhos dos mais diversos gêneros textuais para assim estimular a pesquisa e proporcionar uma maior rede de informações em conjunto com maiores forças socioculturais. Este conjunto propiciaria um embasamento para o estudo de Agentes de Tradução que é uma tendência que tem se desenvolvido sobremaneira. Agentes que podem, como a exemplo dos Tradutores Públicos, atuar no desenvolvimento e na pesquisa dos Estudos de Tradução de forma a operar mudanças significativas e evolução intercultural.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROS, Lidia Almeida; CAMARGO, Diva Cardoso de; AUBERT, Francis Henrik. Aspectos textuais e lexicais de um conjunto de traduções

juramentadas na direção inglês-português. In: 53º Seminuário do GEL,

2005, São Carlos. Revista Estudos Linguísticos, 2005. v. XXXIV. p. 474-479. Disponível em:

http://eventos.ibilce.unesp.br/geltra/publicacoes/periodicos/divalidiafrancis7.p df Acesso em: 27 Nov. 2012

BRISSET, A. The Search for a Native Language Translation and Cultural

Identity. In The Translation Studies Reader/edited by Lawrence Venuti, p.

343, 2000.

BUZELIN, H. Unexpected Allies*

How Latour’s Network Theory Could Complement

Bourdieusian Analyses in Translation Studies. In The Translator. Volume

11, Number 2, p 203, 2005.

FONTES, M.S., Aspectos Jurídicos da Tradução no Brasil. Dissertação, Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, págs. 7-52, 2008. Gurcağlar, Şehnaz Tahir- A cultural agent against the forces of culture

Hasan-Ali Yucel. In Agents of Translation, vol. 81, Edited by John Milton and

Paul Bandia, p 162-165, 2008.

Milton, J. Tradução, Teoria e Prática. Editora Martins Fontes, São Paulo. Págs. 17; 26, 2010.

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TYMOCZKO, M. Translation and Political Engagement

Activism, Social Change and the Role of Translation in

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