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O casamento é um direito fundamental que está,
inclusive, na Declaração Universal dos Direitos
Humanos, que traz no artigo 16:
I - os homens e mulheres a partir da idade núbil sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família, gozam de iguais direitos em relação ao casamento sua duração e dissolução.
II – o casamento não será válido senão por livre e pleno consentimento dos nubentes.
III – a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade tem direito à proteção da sociedade e do Estado.
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A lei, a doutrina e a jurisprudência estabelecem um
conjunto de direitos e obrigações recíprocas entre os
cônjuges e que somente com a dissolução do
casamento podem ser liberados.
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Estes direitos e obrigações nascem com a celebração
do casamento e se projetam no tempo, às vezes
mantendo-se até mesmo após a separação de fato ou
divórcio.
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É que os institutos jurídicos supervenientes podem
alterar a situação imediata, rompendo o vínculo
conjugal. Contudo, os efeitos advindos do matrimônio
em vários casos persistem. É o caso, por exemplo, do
dever de alimentar decorrente da dissolução da união
estável ou do casamento.
• Para a lei, o casamento não consiste apenas no ato formal,
cerimonioso e público, mas também na vontade e aceitação da união, pelo casal, de forma exclusiva e dedicada, com amor, participação e respeito recíprocos.
• Não basta haver fidelidade, embora este requisito seja
também essencial, mas existe um complexo de deveres e obrigações de um lado, que geram direitos e obrigações também para o outro lado, e somente esta harmonia de interesses e a manifestação de vontade é que sintetizam a completa relação conjugal legal e moral.
– Constituição Federal de 1988
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a
comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são
exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 66, de 2010)
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana
e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito. vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de
cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.
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O Código Civil anterior, criado em 1916, tratava dos
direitos e deveres do marido e da mulher em
capítulos distintos, porque havia algumas diferenças.
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Constava do Código Civil de 1916 uma série de
vedações ou restrições aos atos da mulher e alguns
diretos e deveres exclusivos do marido.
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Por exemplo, o art. 233 do Código anterior estabelecia
que o marido era o chefe da sociedade conjugal,
competindo-lhe a administração dos bens comuns e
particulares da mulher, o direito de fixar o domicílio
da família e o dever de prover à manutenção da
família.
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Entretanto, em virtude da isonomia estabelecia pelo
art. 226, §5º da Constituição Federal, o novo Código
Civil disciplinou os direitos de ambos os cônjuges em
um mesmo capítulo, afastando as referidas diferenças.
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Todos esses direitos citados anteriormente são
agora exercidos pelo casal, conforme pode-se
observar no art. 1.567 do novo Código.
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Código Civil
Art. 1.567 - A direção da sociedade conjugal será
exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos.
Parágrafo único - Havendo divergência, qualquer dos
cônjuges poderá recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração àqueles interesses.
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O dever de prover à manutenção deixou de ser
apenas um encargo do marido, incumbindo também à
mulher, de acordo com as possibilidades de cada qual.
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Código Civil
Art. 1.568. Os cônjuges são obrigados a concorrer, na
proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial.
Art. 1.570. Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto
ou não sabido, encarcerado por mais de 180 (cento e oitenta dias), interditado judicialmente ou privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou acidente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens.
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Fidelidade e Coabitação
– Um dos deveres mais conhecidos no casamento é a
fidelidade.
– A fidelidade deve ser entendida no sentido mais completo,
não se admitindo que a mera separação de fato possa autorizar a liberação de qualquer dos cônjuges para o relacionamento sexual com outrem.
– Esses direitos e deveres perduram até que haja a dissolução
do casamento pelo divórcio.
– Além da fidelidade, é requisito do casamento que os
cônjuges tenham um domicilio conjugal, embora não haja vedação para que eventualmente possam passar tempos à distância em razão do trabalho, interesses comuns ou familiares.
– O que não é possível é que um dos cônjuges, sem razão de
interesse comum, resolva viver em outra cidade ou país, sem a companhia do outro.
– Além do dever de fidelidade e coabitação, também há a
situação do abandono sexual em que um dos cônjuges possa impor ao outro.
– É claro que a manutenção do sexo entre os cônjuges é
componente da perfeita sociedade conjugal. Inexistindo sexo entre os cônjuges, mesmo havendo um relacionamento amistoso, respeitoso e até amoroso, não estaria satisfeita a plenitude da relação conjugal exigida para o casamento.
– É certo que muitos dos deveres do casamento, quando
desrespeitados, não são passíveis de comprovação perante o Juiz. Muitas são as formas de desrespeito que podem ser manifestadas por uma palavra, por um gesto, ou até pela inexistência de palavras, gestos ou participação.
– Não são raros os casos em que cônjuges são moralmente
abandonados pelo outro, embora, material e fisicamente, permaneçam aparentemente assistidos.
• Abandono Material
– A assistência mútua que é exigida de cada um dos cônjuges não trata
apenas da relação material. Implica ainda, mais fortemente, no carinho e atenção que os cônjuges têm obrigação de oferecer um ao outro.
– Contudo, no campo jurídico, o Abandono Material, que vem do
relacionamento dos cônjuges e vai até à responsabilidade de educação e sustento da prole, é especialmente grave.
– Esta responsabilidade também atinge ambos os cônjuges, cada um da
forma que lhe seja possível.
– O fato de deixar ao abandono o cônjuge ou os filhos, sem
oferecer-lhes condições de subsistência, além de ser uma razão jurídica para embasar eventual separação por descumprimento destes deveres, também implica em ilícito penal.
– É que às vezes, para se livrar dos compromissos com a pensão
alimentícia ou com a subsistência da família, o cônjuge abandona o emprego ou busca meios de frustrar a ordem judicial.
– Mas este gesto não o livra do compromisso. Pelo contrário, constatada
esta conduta, estará sujeito até a pena de prisão. E mais: a prisão não quita a dívida. Esta permanece e pode ser cobrada pela via executiva.
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Código Penal
– Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência
do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
– Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de
uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)
– Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo
solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)
– Importante registrar que o Abandono Material pode
ocorrer ainda que o cônjuge e filhos estejam sob o mesmo teto.
– Neste caso, basta que reste comprovado o
desatendimento das simples rotinas como deixar de exigir a matrícula do filho menor na escola de primeiro grau, ou deixar de levar a criança ao médico ou hospital quando é notória a doença ou ainda, não prover alimentação dele nos limites e condições de sua situação econômico-financeira.
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Domicílio do Casal
– O domicílio dos cônjuges deve ser estabelecido em
sintonia com os interesses do casal. Assim, a escolha do domicílio deverá ser fruto de acordo entre marido e mulher.
– Não há privilégios ou direitos especiais para qualquer
das partes quando se discute o interesse comum.
– Embora a legislação ordinária ainda defina deveres e
direitos diferentes para o homem ou para a mulher, tudo se modificou quando da promulgação da Constituição Federal de 1988.
– Naquele diploma maior, ficou registrado que os direitos
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Nome da Mulher
– Antes da Lei 6.515/77, Lei do Divórcio, a mulher
obrigatoriamente assumia o nome de família do marido, às vezes mantendo também o seu nome de família ou parte dele, mas, não raramente, abandonava inteiramente o nome de identificação de suas raízes para adotar apenas o nome de família do marido.
– Este costume veio de uma época em que a mulher era
apenas uma propriedade do marido, onde se anulava a sua personalidade para contemplá-la com o direito de ostentar a condição de mulher de alguém.
– Note-se que a partir da Lei do Divórcio não mais se
admitiu a obrigatoriedade de adotar os apelidos do marido, o que já constituía uma inovação salutar no direito de família naquela época
– Tendo em vista que, em face da isonomia
constitucional, hoje é completa a pretensa igualdade entre homens e mulheres perante a Lei, o homem também pode adotar o sobrenome da mulher no casamento.
– É importante ressaltar que a lei faculta apenas o
acréscimo de sobrenomes, e não mais a supressão.
– Se não constar no registro do casamento a adoção do
nome do outro cônjuge, a todo tempo é autorizado o acréscimo.
– Código Civil
Art.1565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.
§1º - Qualquer dos nubentes, querendo poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.
– Interessante registrar uma das mudanças que trazidas
pelo novo Código Civil: antes de 2002, as mulheres que tivessem optado pelo uso do sobrenome do cônjuge perdiam o direito de mantê-lo em caso de divórcio, ou seja, deveriam voltar a assinar o nome de solteira. A lei, é verdade, em raras exceções, permitia que as mulheres continuassem a assinar o nome do marido no caso de divórcio, mas eram apenas exceções que sequer podiam ser medidas em análise estatística.
– Com o Código Civil de 2002 não mais subsiste a aludida
proibição. Desse modo, havendo o divórcio, será facultado ao cônjuge manter o sobrenome de casado, salvo se, houver determinação em contrário na sentença de divórcio.