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Eficácia do Casamento

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Academic year: 2021

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O casamento é um direito fundamental que está,

inclusive, na Declaração Universal dos Direitos

Humanos, que traz no artigo 16:

I - os homens e mulheres a partir da idade núbil sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família, gozam de iguais direitos em relação ao casamento sua duração e dissolução.

II – o casamento não será válido senão por livre e pleno consentimento dos nubentes.

III – a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

(3)

A lei, a doutrina e a jurisprudência estabelecem um

conjunto de direitos e obrigações recíprocas entre os

cônjuges e que somente com a dissolução do

casamento podem ser liberados.

Estes direitos e obrigações nascem com a celebração

do casamento e se projetam no tempo, às vezes

mantendo-se até mesmo após a separação de fato ou

divórcio.

É que os institutos jurídicos supervenientes podem

alterar a situação imediata, rompendo o vínculo

conjugal. Contudo, os efeitos advindos do matrimônio

em vários casos persistem. É o caso, por exemplo, do

dever de alimentar decorrente da dissolução da união

estável ou do casamento.

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• Para a lei, o casamento não consiste apenas no ato formal,

cerimonioso e público, mas também na vontade e aceitação da união, pelo casal, de forma exclusiva e dedicada, com amor, participação e respeito recíprocos.

• Não basta haver fidelidade, embora este requisito seja

também essencial, mas existe um complexo de deveres e obrigações de um lado, que geram direitos e obrigações também para o outro lado, e somente esta harmonia de interesses e a manifestação de vontade é que sintetizam a completa relação conjugal legal e moral.

Constituição Federal de 1988

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em

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§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a

comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são

exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.

(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 66, de 2010)

§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana

e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito. vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de

cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

(6)

O Código Civil anterior, criado em 1916, tratava dos

direitos e deveres do marido e da mulher em

capítulos distintos, porque havia algumas diferenças.

Constava do Código Civil de 1916 uma série de

vedações ou restrições aos atos da mulher e alguns

diretos e deveres exclusivos do marido.

Por exemplo, o art. 233 do Código anterior estabelecia

que o marido era o chefe da sociedade conjugal,

competindo-lhe a administração dos bens comuns e

particulares da mulher, o direito de fixar o domicílio

da família e o dever de prover à manutenção da

família.

Entretanto, em virtude da isonomia estabelecia pelo

art. 226, §5º da Constituição Federal, o novo Código

Civil disciplinou os direitos de ambos os cônjuges em

um mesmo capítulo, afastando as referidas diferenças.

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Todos esses direitos citados anteriormente são

agora exercidos pelo casal, conforme pode-se

observar no art. 1.567 do novo Código.

Código Civil

Art. 1.567 - A direção da sociedade conjugal será

exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos.

Parágrafo único - Havendo divergência, qualquer dos

cônjuges poderá recorrer ao juiz, que decidirá tendo em consideração àqueles interesses.

(8)

O dever de prover à manutenção deixou de ser

apenas um encargo do marido, incumbindo também à

mulher, de acordo com as possibilidades de cada qual.

Código Civil

Art. 1.568. Os cônjuges são obrigados a concorrer, na

proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial.

Art. 1.570. Se qualquer dos cônjuges estiver em lugar remoto

ou não sabido, encarcerado por mais de 180 (cento e oitenta dias), interditado judicialmente ou privado, episodicamente, de consciência, em virtude de enfermidade ou acidente, o outro exercerá com exclusividade a direção da família, cabendo-lhe a administração dos bens.

(9)

Fidelidade e Coabitação

– Um dos deveres mais conhecidos no casamento é a

fidelidade.

– A fidelidade deve ser entendida no sentido mais completo,

não se admitindo que a mera separação de fato possa autorizar a liberação de qualquer dos cônjuges para o relacionamento sexual com outrem.

– Esses direitos e deveres perduram até que haja a dissolução

do casamento pelo divórcio.

– Além da fidelidade, é requisito do casamento que os

cônjuges tenham um domicilio conjugal, embora não haja vedação para que eventualmente possam passar tempos à distância em razão do trabalho, interesses comuns ou familiares.

– O que não é possível é que um dos cônjuges, sem razão de

interesse comum, resolva viver em outra cidade ou país, sem a companhia do outro.

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– Além do dever de fidelidade e coabitação, também há a

situação do abandono sexual em que um dos cônjuges possa impor ao outro.

– É claro que a manutenção do sexo entre os cônjuges é

componente da perfeita sociedade conjugal. Inexistindo sexo entre os cônjuges, mesmo havendo um relacionamento amistoso, respeitoso e até amoroso, não estaria satisfeita a plenitude da relação conjugal exigida para o casamento.

– É certo que muitos dos deveres do casamento, quando

desrespeitados, não são passíveis de comprovação perante o Juiz. Muitas são as formas de desrespeito que podem ser manifestadas por uma palavra, por um gesto, ou até pela inexistência de palavras, gestos ou participação.

– Não são raros os casos em que cônjuges são moralmente

abandonados pelo outro, embora, material e fisicamente, permaneçam aparentemente assistidos.

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Abandono Material

– A assistência mútua que é exigida de cada um dos cônjuges não trata

apenas da relação material. Implica ainda, mais fortemente, no carinho e atenção que os cônjuges têm obrigação de oferecer um ao outro.

– Contudo, no campo jurídico, o Abandono Material, que vem do

relacionamento dos cônjuges e vai até à responsabilidade de educação e sustento da prole, é especialmente grave.

– Esta responsabilidade também atinge ambos os cônjuges, cada um da

forma que lhe seja possível.

– O fato de deixar ao abandono o cônjuge ou os filhos, sem

oferecer-lhes condições de subsistência, além de ser uma razão jurídica para embasar eventual separação por descumprimento destes deveres, também implica em ilícito penal.

– É que às vezes, para se livrar dos compromissos com a pensão

alimentícia ou com a subsistência da família, o cônjuge abandona o emprego ou busca meios de frustrar a ordem judicial.

– Mas este gesto não o livra do compromisso. Pelo contrário, constatada

esta conduta, estará sujeito até a pena de prisão. E mais: a prisão não quita a dívida. Esta permanece e pode ser cobrada pela via executiva.

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Código Penal

– Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência

do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

– Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de

uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País. (Redação dada pela Lei nº 5.478, de 1968)

– Parágrafo único - Nas mesmas penas incide quem, sendo

solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo, inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada. (Incluído pela Lei nº 5.478, de 1968)

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– Importante registrar que o Abandono Material pode

ocorrer ainda que o cônjuge e filhos estejam sob o mesmo teto.

– Neste caso, basta que reste comprovado o

desatendimento das simples rotinas como deixar de exigir a matrícula do filho menor na escola de primeiro grau, ou deixar de levar a criança ao médico ou hospital quando é notória a doença ou ainda, não prover alimentação dele nos limites e condições de sua situação econômico-financeira.

(14)

Domicílio do Casal

– O domicílio dos cônjuges deve ser estabelecido em

sintonia com os interesses do casal. Assim, a escolha do domicílio deverá ser fruto de acordo entre marido e mulher.

– Não há privilégios ou direitos especiais para qualquer

das partes quando se discute o interesse comum.

– Embora a legislação ordinária ainda defina deveres e

direitos diferentes para o homem ou para a mulher, tudo se modificou quando da promulgação da Constituição Federal de 1988.

– Naquele diploma maior, ficou registrado que os direitos

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Nome da Mulher

– Antes da Lei 6.515/77, Lei do Divórcio, a mulher

obrigatoriamente assumia o nome de família do marido, às vezes mantendo também o seu nome de família ou parte dele, mas, não raramente, abandonava inteiramente o nome de identificação de suas raízes para adotar apenas o nome de família do marido.

– Este costume veio de uma época em que a mulher era

apenas uma propriedade do marido, onde se anulava a sua personalidade para contemplá-la com o direito de ostentar a condição de mulher de alguém.

– Note-se que a partir da Lei do Divórcio não mais se

admitiu a obrigatoriedade de adotar os apelidos do marido, o que já constituía uma inovação salutar no direito de família naquela época

(16)

– Tendo em vista que, em face da isonomia

constitucional, hoje é completa a pretensa igualdade entre homens e mulheres perante a Lei, o homem também pode adotar o sobrenome da mulher no casamento.

– É importante ressaltar que a lei faculta apenas o

acréscimo de sobrenomes, e não mais a supressão.

– Se não constar no registro do casamento a adoção do

nome do outro cônjuge, a todo tempo é autorizado o acréscimo.

Código Civil

Art.1565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.

§1º - Qualquer dos nubentes, querendo poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.

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– Interessante registrar uma das mudanças que trazidas

pelo novo Código Civil: antes de 2002, as mulheres que tivessem optado pelo uso do sobrenome do cônjuge perdiam o direito de mantê-lo em caso de divórcio, ou seja, deveriam voltar a assinar o nome de solteira. A lei, é verdade, em raras exceções, permitia que as mulheres continuassem a assinar o nome do marido no caso de divórcio, mas eram apenas exceções que sequer podiam ser medidas em análise estatística.

– Com o Código Civil de 2002 não mais subsiste a aludida

proibição. Desse modo, havendo o divórcio, será facultado ao cônjuge manter o sobrenome de casado, salvo se, houver determinação em contrário na sentença de divórcio.

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