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PADRES EM AUXÍLIO DA PRELAZIA DIOCESE

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Academic year: 2021

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PADRES EM AUXÍLIO DA PRELAZIA – DIOCESE

Já nos tempos de Dom Giocondo alguns padres de outras Dioceses vieram dar sua ajuda à Igreja necessitada do Acre, pois os Servos de Maria se sentiam incapazes de acompanhar todos os trabalhos que a Prelazia necessitava, dado o aumento de população e das paróquias.

Foram experiências positivas, de abertura a outras Igrejas e de relações fraternas de solidariedade.

Inicialmente foram casos isolados, como Pe. Júlio Vitte, Pe. Júlio M. Gorian, Pe. Afonso de Caro, Pe. José M. Cavalcante, Pe. Nilo Zanini, Pe. Giancarlo Pacchin... Só depois, já na década de 70 é que se concretizaram diferentes formas de ajuda institucional.

Diocese de Lucca (Itália)

No ano de 1974 a Arquidiocese de Lucca, na Itália, como fruto de diferentes encontros entre Dom Moacyr e Dom Giuliano Agresti (Arcebispo de Lucca), e sensível às necessidades da missão do Acre, mandou os primeiros sacerdotes “fidei donum”, como ajuda missionária em favor da Igreja de Rio Branco.

Os primeiros Padres a chegar, foram: Pe. Mássimo Lombardi, Pe. João Stéfani e Pe. Natalino Pucci, os “três mosqueteiros”, segundo palavras de Dom Agresti.

Outros chegariam mais tarde, substituindo algum deles, que por doença ou por outras circunstâncias tiveram que abandonar a missão. Uns permaneceram só alguns anos, deixando sua contribuição missionária, outros

permaneceram mais anos, assumindo diferentes

responsabilidades pastorais, e outros ficaram, e chegaram a ser acreanos de adoção.

A paróquia Santa Inês, segundo testemunho do Pe. Mássimo, que tinha sido entregue ao seu ministério, era grande como a Arquidiocese de Lucca, sua Igreja de origem. E, ficando sozinho, pela transferência do Pe. Stéfani e o abandono por doença do Pe. Natalino, o Pe. Mássimo pediu socorro ao Pe. Sírio Valoriani: “Sírio, nem os meus apelos, nem a visita de Dom Moacyr, nem as cartas ou telefonemas, nada adiantou e isso será para a nossa missão no Acre uma grande decepção, pois todos esperávamos a disponibilidade de um sacerdote para vir e trabalhar aqui, mas de trezentos padres que trabalham em Lucca nem um sequer se motivou para vir e assumir esta missão tão urgente. Precisamos de uma presença sua, porque não podemos perder o costume de

Padres de Lucca com Dom Bruno e Dom

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rezar juntos, porque não podemos trabalhar na Igreja sem um acompanhamento espiritual”.

No dia seguinte de receber o grito de auxílio, preparou as malas e pediu o envio do Arcebispo Dom Giuliano Agresti. Era o dia 17 de junho do ano de 1983 e o Padre Sírio Valoriani, monsenhor, professor, pároco da Basílica de São Paulino em Lucca e coordenador das paróquias da cidade, com sessenta anos de idade, acolheu o apelo para partir como missionário para Rio Branco.

Pe. Mássimo e Pe. Sírio moraram juntos, ainda acampados no salão paroquial da Santa Inês, que servia de reunião dos Monitores, Catequese, Alcoólicos Anônimos e sacristia. Umas folhas de compensado serviam como cortina dividindo os quartos, mas não era suficiente para impedir a comunicação de sons, zumbidos, roncos e sussurros noturnos. Padre Sírio não reclamava de nada, aliás, achava tudo isso uma surpresa agradável naquela fase de vida aventurosa.

Pe. Sírio, visitava as comunidades, às vezes caminhando descalço na lama que, em seguida, se lhe secava sobre a pele das canelas. Conseguia falar bem o português e gostava demais de se comunicar com os seringueiros e colonos que consideravam a casa paroquial o ponto de referência para se hospedar durante sua estadia na cidade. Passava longas horas

confortando e dando esperança às mães aflitas, casais em crise e, sobretudo, na cabeceira dos doentes com quem tanto se identificava. Começou a ser chamado de “Pai Abraão”, um apelido que lhe agradava demais, como se fosse a maior recompensa de seu testemunho.

Mas a doença, que iria terminar com sua vida, não o deixou muito tempo na missão do Acre. Terminou seus dias, e sua missão neste

mundo, agradecendo ao Arcebispo por tê-lo enviado a Rio Branco.

A Dom Giuliano sucedeu Dom Bruno Tommasi, que continuou com o compromisso assumido por aquele. Visitou várias vezes a Diocese de Rio Branco, demonstrando grande amor pela missão. “Esses dias passados em Plácido de Castro, deram para mim a possibilidade de conhecer a vivacidade da Comunidade de Plácido de Castro e das outras que visitei. Tudo isso me deu grande alegria e satisfação por haver constatado que Pe. Luis e Pe. Gabriel vivem com grande entusiasmo seu ministério e amam profundamente todas as pessoas das comunidades. Espero que os leigos, líderes, monitores, catequistas e coordenadores possam aumentar de número em plena disponibilidade ao serviço recebido, Agradeço pela acolhida e gentileza, vos lembro ao Senhor Bom Jesus do Abunã e invoco para todos a sua bênção. Dom Bruno Tommasi. Arcebispo de Lucca”.1

1 Livro de Tombo de Plácido de Castro. 1991-1993. Pág. 54.

Pe. Sírio batizando nas comunidades.

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A Arquidiocese de Lucca, ao longo desses anos, sempre permaneceu firme no seu compromisso de ajuda à missão do Acre, enviando padres e recursos, como Igreja Irmã de Rio Branco.

Para um Conselho presbiteral, “Foi convidado o Pe. Giuseppe, da Diocese de Lucca, na Itália. Na oportunidade fez um esclarecimento ao Conselho e a todos os amigos pelo apoio prestado ao Pe. Sírio, durante a sua doença. Pe. Sírio foi um grande amigo da Diocese de Rio Branco, e agora está junto de Deus. Pe. Giuseppe disse que o apoio e a amizade continuam, porque os padres de Lucca que estão aqui, na Diocese, não estão e não vieram por decisão própria, pessoal, mas em nome daquela Diocese, presença de Igrejas-Irmãs”.2

Com motivo dos 25 anos de sacerdócio do Pe. Mássimo, celebrado com todas as homenagens dos paroquianos, ele disse: “Pelo trabalho aqui no Acre, já recebi cem vezes mais e ninguém me deve nada. Agora eu só peço ao Senhor de podermos continuar juntos com renovado ardor missionário, testemunhando Jesus Cristo, em comunhão fraterna: enfim, como o Espírito Santo nos orienta e nos conduz”.

Assim, a Igreja de Lucca continuou, como missionária, muito unida em tudo à Diocese de Rio Branco. Uns iam e outros vinham. “No mês de agosto produziu-se a volta do Pe. Graciano Raschioni para a Itália, depois de nove anos de serviço e dedicação aqui na nossa Diocese. Pe. Graciano, Obrigado..., por tudo o que você é e fez aqui em nossa Igreja!”.3

“A Arquidiocese de Lucca, da Itália, sempre muito generosa e com grande espírito missionário, enviou mais padres. Precisamente os Pe. Mário e André. Eles irão trabalhar nas paróquias de Plácido de Castro e na Paróquia

Divino Espírito Santo, juntamente com o Pe. Mássimo Lombardi”.4

Os Padres da Diocese de Lucca, que trabalharam na Diocese, durante todos esses anos, foram os seguintes:

Pe. João Stéfani: 1974-1978 (Santa Inês e Brasiléia)

Pe. Mássimo Lombardi: 1974-2000 (Santa Inês e Divino Espírito Santo) Pe. Natalino Pucci: 1974 -1975 (Santa Inês)

Pe. Luigi Pieretti: 1979 - 1997; 1999-2000 (Plácido de Castro) Pe. Sírio Valoriani: 1983 - 1989 (Santa Inês)

Pe. Gabriel Camagni: 1985 - 1999 (Plácido de Castro)

Pe. Graciano Raschioni: 1986 -1996 (Santa Inês, Seminário e Santa Cruz) Pe. Giuseppe Andreozzi: em apoio de Agosto-Outubro 1987 (Santa Inês) Pe. Mário Visibelli: 1996-2000 (Divino Espírito Santo)

2 III Livro de Tombo da Diocese de Rio :Branco. Pág. 158v. 3 III Livro de Tombo da Diocese de Rio Branco. Pág. 168v. 4 III Livro de Tombo da Diocese de Rio Branco. Pág. 173v.

Visita de Dom Giuliano a Rio Branco.

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Pe. André Ramacciotti: 1996 - 1998 (Divino Espírito Santo)

Pe. Luigino Paolinelli: (em apoio durante suas férias anuais, em diversas paróquias de Rio Branco).

Sociedade Sacerdotes de São Tiago

A Sociedade Sacerdotes de São Tiago de origem francês, assumiu o compromisso da missão “ad gentes” faz muitos anos.

A Sociedade nasceu em 1864, exclusivamente para enviar missionários ao Haiti. Em 1884 já tinham enviado 250 missionários... Depois, por diferentes circunstâncias, chegaram também ao Brasil.

Durante uma Assembleia da CNBB, celebrada no Rio de Janeiro, em conversa informal entre Dom Moacyr e o Pe. Ivo Cochard, na época Superior da Sociedade dos Sacerdotes de São Tiago, surgiu a proposta de irem trabalhar no Acre, na então Prelazia do Acre e Purus.

Pouco tempo depois chegaram os primeiros: Pe. José M. Mingan (Imaculada), Pe. João Daniel (Plácido de Castro), Pe. Emanuel Gicquello e Pe. Roberto Le Goff (Boca do Acre). Posteriormente chegariam também Pe. Ivo Cochard e Pe. Jean Pierre Mingan.

As paróquias de São Pedro, em Boca do Acre, e da Imaculada Conceição, em Rio Branco, principalmente, foram testemunhas durante muitos anos do trabalho abnegado e generoso desses padres missionários que vieram e se doaram em favor do povo acreano e amazonense.

Posteriormente foram também as

paróquias de Bom Jesus do Abunã, em Plácido

de Castro, São José, na Extrema e Nova Califórnia, Cristo Libertador, em Rio Branco, Nossa Senhora das Graças, em Senador Guiomard, que receberam o testemunho e os frutos do trabalho missionário dos padres franceses, como eram conhecidos pelo povo.

“Todos os padres de Saint-Jacques vieram para cá numa atitude missionária admirável que se manifestava, de modo especial, na aceitação das condições pobres e precárias de habitação e manutenção, no amor incondicional ao povo, na total sintonia com as orientações e opções pastorais de nossa Igreja. Além do trabalho paroquial dedicado e exemplar, os padres de S. Jacques, prestaram e prestam sua colaboração valiosa em setores da Diocese como Curso de Teologia, Pastoral Familiar, CPT, Cimi, etc. Foram sempre de grande ajuda e de total solidariedade nesta nossa caminhada de Igreja, caminhada às vezes, por suas opções, não isenta de sérias dificuldades. (...) Foram realmente, irmãos e colaboradores sensíveis e eficazes. Espero que o grupo, reforçado pela volta do Pe. Roberto, com a chegada do Pe. Luis e do Pe.

Sociedade dos Sacerdotes de São Tiago.

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Ives e, quem sabe, até de outros, tenha condições de viver ainda mais plenamente sua bela vocação missionária e, consequentemente, seja sempre mais fermento de libertação integral de nosso povo e ajuda eficaz na caminhada de nossa Igreja rumo à sua necessária autonomia. Creio que, neste ponto também, os padres de S. Jacques poderão dar uma colaboração especialmente válida pois, ao contrário de outros Institutos e Ordens, não visam suscitar vocações próprias e sim favorecer o nascimento e solidificação de um clero nativo local”.5

Com o decorrer dos anos, o clero francês foi deixando passo ao novo clero haitiano. A velha Europa foi deixando seu lugar ao novo continente americano. Assim, os haitianos, sentido também o apelo da missão, saíram em missão

“dando de sua pobreza”.

Assim, em 1995, “Chegaram a Rio Branco o Superior Geral dos Sacerdotes de São Tiago e três seminaristas haitianos que vão passar seis meses no Acre. Fresnel Bellune ficará na Paróquia da Imaculada Conceição, Louiders Jean Pierre irá à Paróquia de Boca do Acre e Saint Martin na Cristo Libertador. São seminaristas (dois teólogos e um filósofo) que deverão trabalhar como Padres no Acre. São os

primeiros seminaristas haitianos da Sociedade dos Sacerdotes de São Tiago”.6

“No último 26 de novembro de 1995, chegaram mais dois, que vão ficar por seis meses trocando experiências. Paul está na Paróquia Imaculada Conceição, acompanhando o Pe. Roberto, e Jean na Cristo Libertador, com Pe. Manoel”.7

“É louvável a presença destes seminaristas da Sociedade de São Tiago entre nós para um período de estágio. Os jovens dizem que depois de ordenados

presbíteros, voltarão para trabalhar em nossa Igreja. Sejam bem-vindos!”.8

“No dia 27 de novembro de 1995, o Pe. Benjamin, padre haitiano, volta

conosco do retiro, para um estágio de seis meses em Boca do Acre”.9

E, aquilo que começou por um estágio, traduziu-se em pouco tempo em novos reforços para trabalhar na Diocese de Rio Branco. “No 30 de outubro de 1997, é a chegada do Pe. Fresnel e Pe. Saint Martin, ambos haitianos, membros da Sociedade dos Padres de São Tiago. O Pe. Fresnel vai trabalhar na

Paróquia da Imaculada e o Pe. Saint Martin na Paróquia de Boca do Acre”.10

“No 31 de julho de 1997, na chegada a Rio Branco, fomos acolher o Pe.

5 Carta de dom Moacyr ao Pe. João. 05 de abril de 1987. Arquivo Cúria Diocesana. 6 III Livro de Tombo da Imaculada. Pág. 107v.

7 Boletim “Nós Irmãos”. Diocese de Rio Branco. Nov-Dez. 1995. Pág. 6. 8 III Livro de Tombo da Diocese, ano 1995. Pág. 167v.

9 II Livro de Tombo da Paróquia São Pedro de Boca do Acre. Pág. 13. 10 III Livro de Tombo da Imaculada. Pág. 150v.

Pe. José, Pe. Manoel e Irmãs em Boca do Acre.

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Benjamin Exantus, haitiano, ex-estagiário de Boca do Acre, de volta para ficar conosco”.11

Os Padres da Sociedade de São Tiago que trabalharam, durante esses anos na Diocese de Rio Branco, foram os seguintes:

Pe. Roberto Le Goff: 1978 - 1999 (Boca do Acre, Imaculada)

Pe. José Marie Mingan: 1978 - 2000 (Imaculada, Boca do Acre, Extrema) Pe. Emanuel Gicquello: 1978 - 2000 (Boca do Acre, Cristo Libertador) Pe. João Daniel: 1978 (Plácido de Castro, Imaculada)

Pe. Jean Pierre Mingan: 1978 – 1982 (Imaculada) Pe. Ivo Cochard: 1988 - 1989 (Boca do Acre)

Pe. Luis Tanguy: 1987 – 1998 (Boca do Acre, Senador Guiomard) Pe. Benjamin Exantus: 1997 - 2000 (Boca do Acre)

Pe. Fresnel Bellune: 1997 - 2000 (Imaculada)

11 II Livro de Tombo da Paróquia São Pedro de Boca do Acre. Pág. 21.

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