NOTA DE APRESENTAÇÃO
A rede de equipamentos colectivos constitui uma componente fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e integrado nas suas diversas dimensões, sendo simultaneamente instrumento de qualificação e valorização de centros urbanos e instrumento de fomento da equidade e qualidade de vida das populações.
De entre os equipamentos colectivos, os equipamentos de ensino constituem um conjunto fundamental, dada a sua importância na prossecução de um objectivo essencial no processo de desenvolvimento regional (acesso da população ao ensino) e na qualificação dos recursos humanos, factor de sucesso importante na competitividade de cidades e regiões.
Neste contexto, o reordenamento da rede de equipamentos de ensino constitui um factor fundamental na estratégia de desenvolvimento de um município, pelo que a realização da Carta Educativa para os municípios da Lezíria do Tejo, em geral, e para o município de Benavente, em particular, surge como uma oportunidade única para adequar a rede de infra-estruturas de ensino à procura previsível nos próximos anos.
O Decreto-Lei n.º 7 de 2003, ao criar o Conselho Municipal de Educação e o conceito e objectivos da Carta Educativa, introduz um conjunto de oportunidades e desafios que importa potenciar, numa lógica de concertação e partenariado de base territorial.
O facto de o concelho de Benavente não possuir uma Carta Educativa introduz dificuldades acrescidas face ao processo de programação de equipamentos educativos, tendo em consideração as novas exigências do sistema educativo e face às novas dinâmicas territoriais existentes e emergentes. Por conseguinte, considera-se essencial a elaboração da Carta Educativa do município de Benavente, dando cumprimento ao DL n.º 7/2003.
O documento que agora se apresenta corresponde ao Relatório Final da Carta Educativa do concelho de Benavente. Este relatório integra as três partes que constituem a Carta Educativa: Partes I (Enquadramento Regional), II (Diagnóstico Estratégico da Rede Educativa) e III (Propostas de Intervenção na Rede Educativa).
Para a elaboração deste documento (que decorreu simultaneamente para os restantes dez municípios da Lezíria do Tejo), a Equipa efectuou diversas reuniões com a autarquia, com a Direcção Regional de Educação de Lisboa e com os agrupamentos e os estabelecimentos de ensino do concelho. Estas mesmas entidades foram, de resto, imprescindíveis no fornecimento de informação diversa sobre a oferta e procura de ensino no concelho.
De destacar ainda a importância das sugestões e recomendações do Conselho Municipal de Educação quando da apresentação do Relatórios de Progresso e Intercalar, bem como da reunião efectuada com os responsáveis da autarquia e da DREL a respeito das principais propostas de reconfiguração da rede educativa concelhia.
Para além das opiniões e informações que nos foram apresentadas no decurso das reuniões anteriormente referidas, a elaboração do presente relatório fundamentou-se simultaneamente em diversos documentos e fontes publicadas.
O presente documento constitui uma ferramenta, de cariz prospectivo, capaz de ajudar a tomar decisões no presente e de conduzir com eficácia as mudanças de fundo e circunstanciais, de forma a consolidar-se uma rede eficaz de edifícios e equipamentos educativos.
A Carta Educativa do município de Benavente é, por princípio, um exercício de cariz voluntarista que tenta através da participação alargada obter consensos quanto ao planeamento e ordenamento da rede de equipamentos educativos do concelho.
Equipa
José Luís Avelino (Coordenação Geral)
Gentil Duarte (Coordenador Adjunto)
Luís Carvalho
Inês Andrade
Sónia Vieira
Carla Figueiredo
José Manuel Simões (Consultor)
Sérgio Barroso (Consultor)
ÍNDICE GERAL
PARTE I – ENQUADRAMENTO TERRITORIAL
1. INSERÇÃO REGIONAL ... 8
2. DEMOGRAFIA ... 12
3. POVOAMENTO E REDE URBANA... 19
4. BASE ECONÓMICA E SOCIAL ... 23
PARTE II – DIAGNÓSTICO ESTRATÉGICO DA REDE EDUCATIVA
1. A OFERTA DE ENSINO ... 29
1.1 – Considerações Gerais ... 30
1.2 – Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico ... 33
1.3 – 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário ... 41
2. A PROCURA DE ENSINO... 45
2.1 – Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Secundário Público... 46
2.2 – Ensino Recorrente ... 60
2.3 – Educação Pré-Escolar Particular ... 61
2.4 – Educação Extra-Escolar ... 62
3. ACÇÃO SOCIAL ESCOLAR E TRANSPORTES... 63
3.1 – Acção Social Escolar ... 64
3.2 – Transportes e Movimentos Casa-Escola ... 66
4. PROJECCÇÕES DA POPULAÇÃO ESCOLAR ... 70
4.1 – Nota Introdutória ... 71
4.2 – Metodologia adoptada: Modelo Cohort -Survival ... 72
4.3 – Estimativas da População Estudantil... 77
PARTE III – PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO NA REDE EDUCATIVA
1. PRINCÍPIOS ORIENTADORES... 81
2. QUADRO LEGISLATIVO ... 86
3. RECONFIGURAÇÃO E REORGANIZAÇÃO DA REDE EDUCATIVA... 95
3.1 – Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico ... 96
3.2 – 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário ... 106
4. PROGRAMA DE INTERVENÇÃO ...109
4.1 – Projectos Estruturantes... 110
4.2 – Projectos Complementares... 122
4.3 – Síntese das Propostas... 128
5. MONITORIZAÇÃO DO PROCESSO ...131
5.1 – Considerações Gerais ... 132
5.2 – Faseamento do Processo de Monitorização... 133
5.3 – Organização do Processo de Monitorização...134
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 1 – Indicadores de Contextualização do Concelho de Benavente ... 10
Quadro 2 – Evolução da População no Concelho de Benavente e Densidade Populacional... 14
Quadro 3 – Componentes do Crescimento Demográfico (1991-2001) ... 15
Quadro 4 – Evolução da Estrutura da População Residente (%)... 15
Quadro 5 – Evolução dos Índices Demográficos (%) ... 16
Quadro 6 – Evolução dos Níveis de Instrução da População Residente (%) ... 18
Quadro 7 – Evolução da População Residente Segundo a Dimensão dos Lugares (%) ... 20
Quadro 8 – Evolução das Taxas de Actividade e Desemprego (%) ... 24
Quadro 9 – Evolução da População Desempregada (%)... 24
Quadro 10 – Estrutura da População Activa no Concelho de Benavente (1991 e 2001)... 26
Quadro 11 – Estrutura da População Activa nas Freguesias por Sectores em 2001 ... 26
Quadro 12 – Tipologia dos Estabelecimentos de Ensino no Concelho de Benavente ... 31
Quadro 13 – Número de Estabelecimentos e Níveis de Ensino no Concelho de Benavente ... 31
Quadro 14 – Recursos Humanos na Educação Pré-Escolar no Concelho de Benavente (2003/04) .... 36
Quadro 15 – Recursos Humanos no 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente (2003/04) 36 Quadro 16 – Caracterização dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar no Concelho de Benavente... 38
Quadro 17 – Caracterização dos Estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente... 39
Quadro 18 – Caracterização dos Estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente (continuação)... 40
Quadro 19 – Recursos Humanos nos 2º Ciclo e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário no Concelho de Benavente (2003/04) ... 43
Quadro 20 – Caracterização dos Estabelecimentos com 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário do Concelho de Benavente ... 44
Quadro 21 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Nível de Ensino no Concelho de Benavente ... 47
Quadro 22 – Taxa Bruta de Escolarização por Ciclo e Nível de Ensino no Concelho de Benavente (2003-04) ... 48
Quadro 23 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Freguesia na Educação Pré-Escolar Pública e no 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente ... 49
Quadro 24 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Agrupamento de Escolas na Educação Pré-Escolar Pública no Concelho de Benavente ... 50
Quadro 25 – Evolução do Número de Alunos por Agrupamento de Escolas no 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente ... 50
Quadro 26 - Taxa de Ocupação dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar no Concelho de Benavente (2003-04) ... 51
Quadro 27 - Taxa de Ocupação dos Estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente (2003-04) ... 52
Quadro 28 - Número de Crianças/Alunos com Necessidades Educativas Especiais na Educação Pré-Escolar Pública e no 1º ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente ... 53
Quadro 29 - Evolução do Número de Alunos por Estabelecimento nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e
do Ensino Secundário no Concelho de Benavente... 54
Quadro 30 - Evolução do Número de Alunos por Curso na Escola Secundária de Benavente ... 55
Quadro 31 - Taxa de Ocupação dos Estabelecimentos do 2º, 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário no Concelho de Benavente (2003-04) ... 56
Quadro 32 - Número de Alunos com Necessidades Educativas Especiais nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário no Concelho de Benavente ... 57
Quadro 33 - Alunos com NEE, 2,3 Ciclo do Ensino Básico e Secundário... 57
Quadro 34 - Taxas de Abandono no Concelho de Benavente (%)... 58
Quadro 35 - Taxas de Repetência no Concelho de Benavente (%) ... 58
Quadro 36 - Evolução do número de alunos no ensino recorrente no concelho de Benavente ... 60
Quadro 37 - Capacidade e Frequência das Creches e Jardins de Infância da Rede de Instituições Particulares de Solidariedade Social no concelho de Benavente... 61
Quadro 38 - Acção Social nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário no Concelho de Benavente (2003/04)... 64
Quadro 39 - Local de Estudo dos Residentes com 15 ou mais anos do Concelho de Benavente (%).. 66
Quadro 40 - Meios de Transporte Utilizados nos Movimentos Casa/Escola no Concelho de Benavente (%) ... 67
Quadro 41 - Transportes escolares no Concelho de Benavente (%) ... 68
Quadro 42 - População Residente, Segundo Dois Cenários (Tendencial e Alternativo), em 2011... 77
Quadro 43 - População em Idade Escolar Projectada (Cenário Tendencial) ... 78
Quadro 44 - População em Idade Escolar Projectada (Cenário Alternativo - Expansionista)... 78
Quadro 45 - População Projectada em Idade Escolar... 79
Quadro 46 – Matriz-Síntese de Propostas para o Agrupamento Horizontal Jardins e Escolas de Benavente... 98
Quadro 47 – Matriz-Síntese de Propostas para o Agrupamento Vertical de Duarte Lopes ... 100
Quadro 48 – Matriz-Síntese de Propostas para o Agrupamento Vertical de Samora Correia ... 103
Quadro 49 – Matriz-Síntese de Propostas para o Agrupamento Vertical de Porto Alto... 104
Quadro 50 – Matriz-Síntese de Propostas para os 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e para o Ensino Secundário no Concelho de Benavente ... 108
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 - Enquadramento do Concelho de Benavente 9
Figura 2 - Sistema de Acessibilidades do Concelho de Benavente 11
Figura 3 - Evolução da População no Concelho de Benavente e na Lezíria do Tejo 13
Figura 4 - Pirâmide Etária do Concelho de Benavente 17
Figura 5 - População em Lugares com mais de 300 Habitantes no Concelho de Benavente e 21
Figura 6 - Sub-Sistema Urbano da Lezíria do Tejo 22
Figura 7 - População Residente Empregada, por Sector de Actividade, no Concelho de Benavente 25 Figura 8 – Localização dos Estabelecimentos de Ensino, por Freguesia, no Concelho de Benavente
(2003/04) 32
Figura 9 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Nível de Ensino no Concelho de Benavente 47
PARTE I –
ENQUADRAMENTO TERRITORIAL
Estrategicamente situado na periferia imediata da Área Metropolitana de Lisboa e nos eixos de ligação aos pólos de Lisboa, Setúbal e Évora, o concelho de Benavente situa-se na margem esquerda do Tejo, entre este rio e o Alentejo, integrando em termos mais vastos, a sub-região da Lezíria do Tejo. É ainda percorrido pelas zonas ribeirinhas do Sorraia e Almansor.
Confina a norte com o Rio Tejo e o concelho de Salvaterra de Magos, a sul com os concelhos do Montijo, Alcochete e Palmela, a nascente com o concelho de Coruche e a poente, para além do rio Tejo em toda a sua longitude, com Vila Franca de Xira.
Figura 1 - Enquadramento do Concelho de Benavente
Dotado de elevada acessibilidade à Área Metropolitana de Lisboa, o concelho apresenta-se com elevadas potencialidades em termos de centralidade dado que constituirá a curto prazo um nó fundamental resultante do cruzamento de duas vias de elevada importância ao nível regional e nacional: A10 - Auto-estrada Bucelas/Carregado/IC3 que constitui uma verdadeira coroa externa à AML e a A13/IC3, que ligará o sul desta AML e a A2 a Santarém e Alto Alentejo, através da margem sul do Tejo.
O concelho é grande com 525 Km2 mas tem apenas 4 freguesias que têm das maiores dimensões médias da Lezíria (cerca de 130 Km2); o povoamento é pouco disperso e agrupa-se em apenas 11 lugares, sendo portanto a concentração populacional elevada. Faz parte de um numeroso grupo intermédio de concelhos existente na Lezíria (mais de metade do total) com população entre os 20.000 e 25.000 habitantes. A sua densidade populacional (quase 44 habitantes/ Km2) é das mais reduzidas da Lezíria, sendo inferior à média nacional e mesmo à média regional. Tem em Samora Correia uma das maiores freguesias em termos de superfície e população da Lezíria do Tejo mas, em contraste, tem igualmente uma das freguesias mais pequenas e menos povoadas, Barrosa.
Quadro 1 – Indicadores de Contextualização do Concelho de Benavente
Indicadores Ano Benavente Lezíria Tejo Continente
Superfície (Km2.) 2001 525,2 4.272 89.045 População (nº hab.) 2001 23.257 240.832 9.869.343 Densidade (hab./Km2) 2001 44,3 56,4 111,2 Variação da População 1991/2001 26,8 3,4 5,3 Taxa de Natalidade 2001 13,6 10,0 10,8 Taxa de Mortalidade 2001 8,4 12,4 10,2 Nº de Freguesias 2001 4 91 4.047
Índ. Poder de Compra per capita 2002 95,3 75,0 101,3
Ind. Desenvolvimento Social (IDS) 2003 0,88 0,86 0,91
Taxa de analfabetismo (%) 2001 10,2 12,7 8,9
Sociedades Sediadas 2001 747 7.020 297.476
Sociedades do Sector Primário (%) 2001 9,4 12,2 2,8
Sociedades do Sector Secundário (%) 2001 24,1 23,4 26,8
Sociedades do Sector Terciário (%) 2001 66,5 64,4 70,4
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001; Poder de Compra Concelhio, 2002); A.N.M.P.(IDS, 2003)
O concelho de Benavente embora mantendo ainda uma vocação agrícola e florestal sofreu nos últimos anos uma transformação rápida da sua base económica por influência dum processo crescente de integração metropolitana. O eixo Benavente/Samora Correia/Porto Alto apresenta um crescente protagonismo associado ao sector industrial e à logística. O concelho tem uma dinâmica demográfica forte e um desenvolvimento económico e social assinalável, apresentando por isso valores de poder de compra e de desenvolvimento social superiores à média regional e já próximos da média nacional.
O território do concelho de Benavente situa-se no domínio ecológico sub-mediterrânico, numa zona de mosaico de montado e charneca; próximo do Tejo surge a Lezíria, uma planície aluvionar do Rio Tejo com natureza hidromórfica, que apresenta ainda características naturais de pauis e sapais, em parte empregues na orizicultura ou noutras culturas de regadio mediterrânico.
Figura 2 - Sistema de Acessibilidades do Concelho de Benavente
Actualmente o concelho de Benavente é atravessado pela EN 118 e pela EN 10, que lhe permite o acesso à ponte sobre o Tejo em Vila Franca de Xira e ao Alentejo e sul do País, mas que é a sua grande limitação pois o congestionamento da ligação a Vila Franca reduz pouco o efeito de barreira do Tejo. A ligação a Alcochete reduziu um pouco estas limitações sobretudo para as freguesias situadas mais a Sul. No entanto, o concelho de Benavente irá melhorar substancialmente as suas acessibilidades aquando da conclusão das vias que a ligarão quer ao pólo urbano de Santarém, quer ao nó sul do Montijo inserido no acesso à ponte sobre o Tejo, quer ainda ao Carregado e à A2.
Ao longo da segunda metade do século XX o concelho de Benavente viu os seus quantitativos populacionais aumentarem consideravelmente, tendo mesmo duplicado os seus valores entre 1950 e 2001 (passou de 11.726 para 23.257 habitantes). Por conseguinte, o seu peso demográfico na sub-região da Lezíria do Tejo aumentou bastante, passando de 5,3% em 1950 para 9,7% em 2001.
De resto, à excepção dos anos 50 em que a sua população estagnou, nas quatro décadas seguintes a sua população registou sempre incrementos significativos (acima dos 10%), colocando sempre o concelho como o de maior dinâmica demográfica em toda a sub-região da Lezíria do Tejo.
A este fenómeno não será alheia a proximidade da Área Metropolitana de Lisboa, que no seu processo de crescimento acaba por integrar na sua lógica de modelação territorial espaços adjacentes, como é o caso do concelho de Benavente.
Figura 3 - Evolução da População no Concelho de Benavente e na Lezíria do Tejo
11.726 11.631 12.778 16.306 18.335 23.257 0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 1950 1960 1970 1981 1991 2001
Lezíria do Tejo Beanavente
Não obstante, a análise da evolução demográfica recente permite identificar diferenciações inter-freguesias relevantes. Com efeito, confirmando a lógica de metropolização do concelho, a freguesia que tem apresentado uma maior taxa de crescimento é a de Samora Correia (35% durante a última década), cujos quantitativos ultrapassam já a da freguesia de Benavente, que apesar, de tudo, apresentou também um ritmo de crescimento considerável (22%). Já a freguesia da Barrosa apresentou um crescimento moderado, enquanto a de Santo Estevão estabilizou os seus quantitativos, conseguindo contrariar a tendência evolutiva de períodos anteriores.
Quadro 2 – Evolução da População no Concelho de Benavente e Densidade Populacional Unidade Territorial População (1991) População (2001) Variação 1991-2001 (%) Área Km2 (2001) Densidade Populacional (2001) Benavente 6.789 8.311 22,4 129,3 64,3 Barrosa 681 739 8,5 7,2 102,6 Samora Correia 9.470 12.826 35,4 327,0 39,2 Santo Estevão 1.395 1.381 -1,0 61,7 22,4 Concelho Benavente 18.335 23.257 26,84 525.2 44.3 Lezíria do Tejo 232.969 240.832 3,4 4.272 56,4 Continente 9.371.319 9.869.343 5,3 89.045 111,2
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
Outro indicador pertinente para a análise da evolução da população no concelho de Benavente prende-se com a densidade populacional. Deste modo, verifica-prende-se que os níveis de densidade populacional do concelho (cerca de 44 habitantes por km2) são inferiores à média nacional e regional, o que se justifica pela sua elevada extensão. De registar a maior densidade populacional da freguesia da Barrosa (dada a sua reduzida extensão) e o facto da maior freguesia do concelho – Samora Correia – ser também a mais populosa.
Os factores que têm estado subjacentes à dinâmica populacional do território nacional têm vindo a sofrer alterações consideráveis. De facto, se nos anos 60 e 70 a evolução demográfica era, em grande medida, determinada pelas migrações internas e externas, já em períodos mais recentes são as componentes do saldo fisiológico e a entrada de imigrantes as principais responsáveis pelas alterações populacionais das regiões portuguesas.
Na última década, as diferenças entre o saldo fisiológico e o saldo migratório no concelho de Benavente acentuaram-se por duas ordens de razão. Em primeiro lugar, manteve-se a tendência para a quebra dos níveis de fecundidade, gerando saldos fisiológicos muito baixos. Concomitantemente, ocorreu uma alteração no sentido dos fluxos migratórios em Portugal, passando o nosso país a ser o destino de muitos emigrantes provenientes dos países do leste da Europa.
Quadro 3 – Componentes do Crescimento Demográfico (1991-2001)
Saldo Natural Saldo Migratório
Unidade Territorial Valor Absoluto (milhares) % Valor Absoluto (milhares) % Benavente 0,3 1,5 4,5 24,6 Lezíria do Tejo -7,4 -3,2 14,8 6,3 Portugal 89,8 0,9 361,2 3,7
Fonte: INE (Recenseamentos da População, Resultados Preliminares)
Um dos fenómenos demográficos mais marcantes da sociedade portuguesa - a quebra dos índices de fecundidade – afectou também o concelho de Benavente, gerando alterações consideráveis na sua estrutura etária.
Com efeito, reforçou-se a tendência, já anteriormente esboçada, para o envelhecimento da população. Constata-se, pois, que a percentagem de jovens com menos de 15 anos diminuiu no concelho de Benavente de 19,0% em 1991 para 16,9% em 2001, enquanto o peso dos idosos com mais de 65 anos aumentou de 12,4% para 14,7% no mesmo período de tempo.
Contudo, consta-se que a incidência do fenómeno do envelhecimento no concelho de Benavente é menos significativo do que na sub-região da Lezíria do Tejo e do que no Continente, sendo pois maior a percentagem de jovens neste concelho localizado próximo da AML.
Quadro 4 – Evolução da Estrutura da População Residente (%)
1991 2001 Unidade Territorial 0-14 15-64 +65 0-14 15-64 +65 Benavente 18,7 67,5 13,8 16,4 67,6 16,0 Barrosa 15,6 69,2 15,3 15,2 64,4 20,4 Samora Correia 19,9 69,8 10,3 17,4 69,6 12,9 Santo Estevão 16,1 65,2 18,8 16,0 63,0 21,0 Concelho de Benavente 19,0 68,6 12,4 16,9 68,4 14,7 Lezíria do Tejo 17,6 65,8 16,7 14,1 66,1 19,8 Continente 19,7 66,6 13,7 15,8 67,7 16,5
Ainda assim, em consequência do aumento do peso da população idosa em relação à jovem vai assistir-se a um progressivo incremento do índice de envelhecimento que, no concelho de Benavente, passou de 65% em 1991 para 87% em 2001, valor inferior às médias regional e nacional (140% e 105%, respectivamente).
Contudo, existem grandes assimetrias na distribuição do índice de envelhecimento entre as quatro freguesias. De facto, constata-se que as freguesias de Benavente e, fundamentalmente, de Samora Correia apresentam um menor índice de envelhecimento, enquanto as freguesias com uma localização mais excêntrica apresentam um maior índice de envelhecimento, semelhante ao valor da sub-região da Lezíria do Tejo, mas bastante acima da média nacional.
O rápido envelhecimento populacional levou a que o índice de dependência dos idosos relativamente aos activos aumentasse de 1991 para 2001. Já o índice de dependência total não tem registado grandes alterações, embora seja de prever a sua tendência para aumentar, caso não ocorra um processo de rejuvenescimento demográfico.
Quadro 5 – Evolução dos Índices Demográficos (%)
1991 2001
Unidade Territorial
I.E. I.D.T I.D.J. I.D.I. I.E. I.D.T I.D.J. I.D.I.
Benavente 73,8 48,1 27,7 20,4 97,4 47,9 24,3 23,6 Barrosa 98,1 44,6 22,5 22,1 134,8 55,3 23,5 31,7 Samora Correia 51,9 43,2 28,5 14,8 74,2 43,6 25,0 18,6 Santo Estevão 117,0 53,5 24,6 28,8 131,2 58,7 25,4 33,3 Concelho Benavente 65,5 45,8 27,7 18,1 87,2 46,3 24,7 21,6 Lezíria do Tejo 94,7 52,1 26,7 25,3 139,8 51,3 21,4 29,9 Continente 69,5 50,1 29,6 20,6 104,5 47,7 23,3 24,4
I.E. – Índice de Envelhecimento I.D.T. – Índice de Dependência Total I.D.J. – Índice de Dependência de Jovens I.D.I. – Índice de Dependência de Idosos
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
O envelhecimento demográfico é também traduzido pela Pirâmide Etária do concelho de Benavente no ano de 2001. Com efeito, é notório o fenómeno de duplo envelhecimento, quer na base (devido à quebra da taxa de natalidade) quer no topo da pirâmide (devido ao aumento da proporção de idosos
reflexo, em parte, do aumento da esperança média de vida). Ainda assim, parece esboçar-se um processo de rejuvenescimento expresso num ligeiro aumento da percentagem dos dois primeiros grupos quinquenais, reflexo de uma ligeira subida da taxa de natalidade.
Figura 4 - Pirâmide Etária do Concelho de Benavente
Uma outra componente relevante para a caracterização dos recursos demográficos (humanos) no concelho do Benavente prende-se com os seus níveis de qualificação. Apesar do concelho em análise apresentar carências consideráveis neste domínio, têm ocorrido algumas transformações positivas. Com efeito, a percentagem de população com o ensino médio e superior aumentou, contrariamente à população sem qualquer nível de ensino. Não obstante, permanece muito elevada a percentagem de população com baixos níveis de instrução (cerca de metade da população residente apresenta como nível de instrução máxima o 1º ciclo do ensino básico).
Quadro 6 – Evolução dos Níveis de Instrução da População Residente (%)
Benavente Lezíria do Tejo Continente
Níveis de Ensino
1991 2001 1991 2001 1991 2001
Taxa de Analfabetismo 14,9 10,2 16,4 13,0 10,9 8,9
Sem nível de ensino 19,4 14,6 20,5 15,8 16,1 12,4
Frequentar Pré-Escolar 0,0 1,7 0,0 1,6 1,6 1,8 Completo 27,5 22,5 27,5 24,3 26,9 23,0 Incompleto 9,8 6,2 12,2 8,3 10,3 7,2 1º ciclo Ensino Básico Frequenta 6,5 5,2 6,0 4,2 6,6 4,8 Completo 6,9 7,1 6,2 6,8 7,0 7,7 Incompleto 2,5 3,0 2,0 2,3 2,1 2,1 2º ciclo Ensino Básico Frequenta 3,3 2,8 3,2 2,3 3,6 2,6 Completo 3,2 5,3 2,9 4,5 3,1 4,8 Incompleto 4,0 3,6 3,2 2,9 3,2 2,7 3º ciclo Ensino Básico Frequenta 4,3 3,2 4,3 3,1 4,5 3,3 Completo 2,7 8,0 3,0 6,4 3,6 6,9 Incompleto 2,5 6,5 1,9 5,4 2,0 5,2 Ensino secundário Frequenta 2,7 3,1 3,0 3,4 3,0 3,7 Completo 0,7 0,4 0,8 0,5 1,0 0,7 Ensino Médio Incompleto 0,3 0,1 0,3 0,1 0,4 0,1 Completo 1,4 4,0 1,6 4,3 2,8 6,1 Incompleto 0,2 0,6 0,3 0,7 0,5 1,0 Ensino superior Frequenta 0,7 2,5 1,2 3,0 1,7 3,8
As transformações económicas, sociais e culturais ocorridas nos últimos anos em Portugal introduziram, também, modificações relevantes na forma como as populações se distribuem pelo território. As linhas gerais do povoamento apontam para a concentração da população nos aglomerados de maior dimensão, em desfavor das áreas rurais de menor expressão demográfica.
Analisando a situação específica do concelho de Benavente constata-se que ao longo da última década não se registaram alterações significativas na estrutura de povoamento concelhia. Assim, verifica-se que aproximadamente 70% da população no concelho reside nos dois maiores núcleos urbanos (a sede de concelho e Samora Correia), enquanto 15% reside no núcleo do Porto Alto. De resto, a percentagem de população a residir em pequenos núcleos é bastante baixa quando comparamos com a realidade regional e nacional, o que constitui um ponto forte do sistema de povoamento concelhio.
Quadro 7 – Evolução da População Residente Segundo a Dimensão dos Lugares (%)
Ano Unidade Territorial Isolados <1.999 2.000-4.999 5.000-9.999 >10.000 Benavente 1,6 15,1 15,6 67,7 0,0 Lezíria Tejo 4,0 47,9 19,2 14,4 14,5 1991 Continente 3,4 48,1 8,8 6,3 33,4 Benavente 1,9 14,2 15,2 68,7 0,0 Lezíria Tejo 3,4 42,0 17,6 20,6 16,3 2001 Continente 2,8 41,9 9,2 7,8 38,2
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
A análise da variação demográfica dos lugares com mais de 300 habitantes no concelho de Benavente permite evidenciar algumas características fundamentais do sistema de povoamento:
• A estrutura de povoamento é concentrada, verificando-se que apenas 16% da população reside em aglomerados com menos de 2 mil habitantes;
• O sistema urbano é binucleado, uma vez que os centros urbanos de Benavente e Samora Correia estão dentro do mesmo escalão demográfico;
• Nos anos mais recentes tem vindo a consolidar-se uma pequena conurbação urbana entre Samora Correia e o Porto Alto com uma forte dinâmica demográfica, reflexo da sua proximidade da AML.
Em face do exposto, pode hierarquizar-se a rede urbana do concelho de Benavente do seguinte modo:
• Pólos Urbanos Principais – As vilas de Benavente (pelo seu estatuto de sede de concelho) e de Samora Correia (pela sua dimensão demográfica e localização estratégica face à AML) constituem os principais núcleos urbanos concelhios, desempenhando funções urbanas de nível superior;
• Núcleo Urbano Complementar – Porto Alto constitui o segundo nível hierárquico no concelho, formando com a vila de Samora Correia uma pequena conurbação urbana (com aproximadamente 13 mil habitantes), com uma lógica de crescente integração territorial na AML;
• Pólos Complementares – Engloba as restantes sedes de freguesia (Barrosa e Santo Estevão) e os Foros da Charneca na freguesia de Benavente, com capacidades mais limitadas de polarizar os espaços limítrofes.
Figura 5 - População em Lugares com mais de 300 Habitantes no Concelho de Benavente e Variação 1991-2001
No contexto da Lezíria do Tejo, a vila de Benavente em conjugação com o eixo Samora Correia – Porto Alto apresenta potencialidade de desenvolver algumas funções de âmbito supra-local, polarizando parte do território do Sorraia.
Com efeito, durante os anos mais recentes tem vindo a consolidar-se um eixo entre o Porto Alto e Benavente, com potencial de extensão à vila de Salvaterra de Magos, em que a componente industrial e logística desempenham um papel fulcral.
Figura 6 - Sub-Sistema Urbano da Lezíria do Tejo
Durante a década de 90 registou-se no país uma evolução globalmente positiva do mercado de trabalho que se manifestou num acréscimo na criação de emprego. Benavente, onde a taxa de actividade em 1991, já era superior à média regional e nacional teve um crescimento muito idêntico ao do país, pelo que em 2001 os seus valores continuaram mais elevados que a média regional e nacional, cifrando-se aquele indicador em mais de 52%, um dos mais altos do país.
Quadro 8 – Evolução das Taxas de Actividade e Desemprego (%)
Taxa de Actividade Taxa de Desemprego Unidade Territorial
1991 2001 1991 2001
Benavente 48,7 52,4 7,3 7,4
Lezíria do Tejo 44,3 48,1 7,1 8,1
Continente 44,9 48,4 6,1 6,9
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001).
O concelho de Benavente mercê do dinamismo económico registado na década de 90 (o 24º do país segundo cálculos do DPP do Ministério das Finanças) manteve praticamente inalterada a taxa de desemprego entre 1991 e 2001 situando-se abaixo da média regional, ao contrário do que sucedia no início da década de 90.
Quadro 9 – Evolução da População Desempregada (%)
População Desempregada
Total Procura do 1º Emprego
(%) Procura de Novo Emprego (%) Unidade Territorial 1991 2001 1991 2001 1991 2001 Benavente 648 904 13,1 16,2 86,9 83,8 Lezíria do Tejo 7.356 9.418 17,2 15,7 82,8 84,3 Continente 257.220 327.404 25,9 21,0 74,1 79,0
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
Concomitantemente, não se registaram alterações significativas em termos da natureza dos desempregados. A maioria, à imagem da região em que o concelho se insere, continuaram a ser activos eventualmente pouco qualificados oriundos dum sector agrícola cada vez mais modernizado, à procura de novo emprego nos sectores secundário e terciário. O pequeno crescimento dos jovens à
procura de primeiro emprego dever-se-á sobretudo às consequências da dinâmica demográfica concelhia.
Figura 7 - População Residente Empregada, por Sector de Actividade, no Concelho de Benavente
20% 34% 46% 8% 34% 58%
Nos últimos anos alterou-se profundamente a estrutura do emprego nacional, regional e local. Efectivamente, acelerou-se o processo de terciarização, tendo no concelho de Benavente aumentado fortemente o peso do sector de serviços. Esta mudança fez-se sobretudo à custa da redução do sector agrícola para o sector terciário dado que o sector industrial se manteve percentualmente inalterado num contexto de crescimento demográfico.
Esta evolução colocou Benavente com um peso do terciário que é equivalente ao valor do conjunto da Lezíria do Tejo e do país, mas em que o sector agrícola regista já valores que estão abaixo dos registados na região, contrariamente ao que sucede na indústria.
1991
2001
Primário
Secundário
Quadro 10 – Estrutura da População Activa no Concelho de Benavente (1991 e 2001)
1991 2001
Unidade Territorial
Primário Secundário Terciário Primário Secundário Terciário
Benavente 20,4 33,8 45,8 8,3 33,5 58,2
Lezíria do Tejo 21,8 32,7 45,4 10,0 31,8 58,2
Continente 10,5 38,5 51,1 4,8 35,5 59,7
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
Em Benavente, à imagem de outros concelhos limítrofes da Lezíria verificou-se uma expansão do terciário de natureza social. Contudo, o valor percentual dos activos no terciário de natureza económica é ainda dominante (quase dois terços dos activos), reflectindo-se ao nível do emprego a importância da logística e do comércio por grosso nas actividades económicas do concelho.
Quadro 11 – Estrutura da População Activa nas Freguesias por Sectores em 2001
Sectores de Actividade Unidade Territorial
Primário Secundário Terciário
Benavente 10,2 32,6 57,2 Barrosa 17,6 33,1 49,3 Samora Correia 5,9 34,0 60,1 Santo Estevão 14,9 34,4 50,7 Concelho de Benavente 8,3 33,5 58,2 Lezíria do Tejo 10,0 31,8 58,2 Continente 4,8 35,5 59,7
Fonte: INE (Recenseamentos da População, 1991 e 2001)
Contudo, uma análise mais fina permite concluir que nem todas as freguesias do concelho se comportam da mesma maneira, sendo possível distinguir dois grupos no concelho. Embora todas as freguesias tenham um peso dos activos na indústria ao nível da média nacional e semelhante entre si, nas freguesias de Barrosa e Santo Estevão a actividade agrícola ainda é importante enquanto que Samora Correia e Benavente são as mais terciarizadas.
Os factos acima referidos parecem estar associados não só à maior concentração de equipamentos sociais e actividades comerciais nas duas freguesias mais populosas do concelho, como igualmente à concentração de residentes (por exemplo, Samora Correia) que desenvolvem as suas actividades em Lisboa e outras localidades da A.M.L..
Em termos de distribuição dos activos por ramo de actividade económica o concelho da Benavente destaca-se essencialmente face ao Continente pelo peso que o sector agrícola ainda tem apesar da quebra verificada nos últimos anos. Empresas agrícolas modernizadas e de grande dimensão como a Companhia das Lezírias têm ainda uma influência decisiva no emprego concelhio. Igualmente importantes os ramos Comércio por Grosso e a Retalho e dos Transportes, Armazenagem e Comunicações dada a relevância de algumas unidades de comércio grossista e a presença de unidades de logística, visíveis sobretudo na área de Porto Alto.
PARTE II –
DIAGNÓSTICO ESTRATÉGICO
1.1 – Considerações Gerais
Os equipamentos colectivos de âmbito social e cultural, em geral, e os equipamentos de ensino, em particular, devem ser perspectivados quer na óptica da equidade e da qualidade de vida das populações quer como instrumentos de qualificação e valorização de centros urbanos e, consequentemente, como factores de atracção e retenção populacional.
Os equipamentos de ensino têm vindo a registar os efeitos de um processo de reestruturação e de reforma do sistema educativo. A expansão do ensino obrigatório para 9 anos de escolaridade em meados dos anos 80 (previsivelmente para 12 anos com a nova Lei de Bases da Educação) e a crescente difusão da rede da educação pré-escolar constituem as duas alavancas deste processo no município de Benavente.
No concelho de Benavente, a oferta de ensino abarca os seguintes níveis:
• Pré-escolar: abrange as crianças dos 3 anos de idade até ao primeiro ano de ingresso no ensino básico (sendo a frequência deste nível facultativa), estando presente em todas as freguesias, num total de nove estabelecimentos.
• 1º Ciclo do Ensino Básico: engloba quatro anos de escolaridade, estando a oferta assegurada em dez estabelecimentos localizados em todas as freguesias
• 2º Ciclo do Ensino Básico: é leccionado em três escolas, do tipo EB2,3, localizadas respectivamente, uma na sede de concelho e as outras duas na freguesia de Samora Correia (uma na sede de freguesia e outra na localidade de Porto Alto)
• 3º Ciclo do Ensino Básico: esta valência é leccionada nos três estabelecimentos anteriormente referidos;
• Ensino Secundário: os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade são leccionados na escola secundária localizada na vila de Benavente.
A distribuição territorial dos estabelecimentos de ensino no município de Benavente realça a importância da sede de concelho, uma vez que é aí que são ministrados todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar ao secundário, passando pelos três níveis do ensino básico.
Quadro 12 – Tipologia dos Estabelecimentos de Ensino no Concelho de Benavente
Freguesia J.I. EB 1 EB 1/2/3 EB 2/3 ES + 3ºC ES Ensino
Especial E.P. Ensino Superior Benavente 3+1* 3 - 1 - 1 1 - - Barrosa 1 1 - - - - S. Correia 2+1* 4 - 2 - - - - - S. Estevão 1 2 - - - - Total 7+2* 10 - 3 - 1 1 - -
* Estabelecimentos da Rede de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)
Fonte: Câmara Municipal de Benavente
Quadro 13 – Número de Estabelecimentos e Níveis de Ensino no Concelho de Benavente
Freguesia Pré-Escolar 1º Ciclo (E.Básico) 2º Ciclo (E.Básico) 3º Ciclo (E.Básico) Ensino Secund. Ensino Especial Ensino Profis. Ensino Superior Benavente 3+1* 3 1 1 1 1 - - Barrosa 1 1 - - - - S. Correia 2+1* 4 2 2 - - - - S. Estevão 1 2 - - - - Total 7+2* 10 3 3 1 1 0 0
* Estabelecimentos da Rede de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)
Fonte: Câmara Municipal de Benavente
Os centros urbanos de Samora Correia e Porto Alto apresentam também uma importância relevante, uma vez que constituem os únicos centros (além da sede de concelho) onde os 2º e 3º ciclos do ensino básico são ministrados. Todavia Samora Correia apresenta um maior número de estabelecimentos de educação pré-escolar e 1º ciclo.
Simultaneamente, importa destacar o número elevado de estabelecimentos de ensino no concelho (vinte e quatro), para o qual muito contribuem os estabelecimentos de tipologia EB1 e Pré-Escolar e, neste particular, as freguesias de Benavente e Samora Correia.
No concelho de Benavente existem quatro agrupamentos:
• Agrupamento horizontal Escolas de Benavente, integrando as EB1 e Jardins-de-Infância da rede pública localizados na área urbana da freguesia de Benavente (tem sede na EB1 nº1 de Benavente);
• Agrupamento vertical Escolas Duarte Lopes, integrando a EB 2,3 de Benavente (sede do agrupamento), as EB1 e os Jardins de Infância da rede pública de Foros da Charneca, e das
• Agrupamento vertical de Samora Correia, englobando EB 2/3 de Samora Correia, onde funciona a sede, e integrando ainda as EB1 e o Jardim-de-infância da rede pública localizado na freguesia de Samora Correia;
• Agrupamento vertical de Porto Alto, englobando EB 2/3 de Porto Alto (sede), e integrando ainda as duas EB1 e o Jardim-de-Infância da rede pública localizado na localidade;
Figura 8 – Localização dos Estabelecimentos de Ensino, por Freguesia, no Concelho de Benavente (2003/04)
1.2 – Educação Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico
No concelho de Benavente, a rede de educação pré-escolar é constituída por 9 estabelecimentos, dos quais apenas dois não são da rede pública. Os dois estabelecimentos restantes correspondem a instituições particulares de solidariedade social que complementam a oferta de pré-escolar nas duas principais localidades: Benavente e Samora Correia. Além disso são as únicas que oferecem a valência de creche.
Tratam-se de instituições com dimensão relevante, uma vez que a que se situa em Benavente apresenta cerca de 7 salas, estando ocupadas pelo pré-escolar 3 salas. A de Samora Correia apresenta também um elevado número de salas (11), dando resposta a um maior número de crianças dos 3 meses aos 6 anos de idade nas valências Creche e Jardim-de-infância. Estão ocupadas por crianças que frequentam o pré-escolar, 4 salas.
No que diz respeito aos estabelecimentos públicos, disponibilizam no total 18 salas. Destaca-se, pelo maior número, o de Samora Correia, com seis salas. Um dos Jardins-de-infância localizados em Benavente disponibiliza 4 salas para as crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos de idade, enquanto que o segundo (localizado nas Areias) tem duas salas. O Jardim-de-infância de Porto Alto tem três salas para crianças entre os três e os seis anos. Os estabelecimentos das localidades de menor dimensão (Barrosa, Santo Estêvão e Foros da Charneca) são também os mais pequenos (disponibilizam uma sala). Em Santo Estêvão encontra-se em conclusão mais uma sala.
Todos os estabelecimentos possuem refeitório com a excepção do estabelecimento localizado em Santo Estêvão, mas cuja instalação estará disponível a breve prazo. Entretanto, as refeições para as crianças são servidas por uma IPSS localizada nas proximidades. Todos os estabelecimentos da rede pública oferecem o prolongamento de horário ( que inclui actividades de expressão motora e expressão musical) e apoio à família.
Apenas o Jardim-de-Infância de Foros da Charneca, que funciona em edifício relativamente antigo e adaptado, regista problemas ao nível de dimensão da sala e degradação ou insuficiência de espaços de apoio. Por isso, encontra-se em processo de remodelação – fecho de alpendre, ampliação da sala de actividades e renovação do mobiliário - visando a melhoria das suas condições. Todos os restantes apresentam um bom estado de conservação, a que não será estranho o facto de todos terem menos
Contudo, de acordo com a informação disponibilizada por alguns agrupamentos existem alguns espaços de apoio em estado de conservação deficiente, como é o caso do recreio descoberto do Jardim-de-infância da Barrosa e dos sanitários no Jardim de Foros da Charneca.
A rede de estabelecimentos com oferta do 1º ciclo do ensino básico é assegurada por 10 estabelecimentos de tipologia EB1 distribuídos pelas quatro freguesias do concelho e instaladas em sete localidades. Todos os estabelecimentos pertencem à rede pública.
No concelho de Benavente são disponibilizadas cerca de 43 de salas de aula para o 1º ciclo do ensino básico, estando ocupadas com aulas, 42. Embora existam estabelecimentos de pequena dimensão, nas duas principais localidades existem alguns albergando um elevado número de alunos. Os primeiros correspondem a escolas edificadas durante o período do Estado Novo - edificações do Plano Centenário Rural (edifícios de piso térreo com uma ou duas salas) sendo, contudo, o seu estado de conservação, maioritariamente avaliado como Bom. Contudo a Escola EB1 nº 1 de Benavente, a de maior dimensão e distribuída por vários edifícios, foi avaliada como registando alguma degradação.
De acordo com os responsáveis dos agrupamentos, existem alguns espaços de apoio em deficiente estado de conservação. É o caso dos recreios cobertos (EB1 nº 1 e 2 de Benavente e EB1 da Barrosa) e das instalações sanitárias na escola do 1º ciclo de Foros de Almada e na escola do 1º ciclo de Foros da Charneca. Estas últimas encontram-se em fase final de remodelação.
Em nenhuma das escolas do 1º ciclo do concelho de Benavente são disponibilizadas Actividades de Tempo Livre (ATL), o que pode contribuir para restringir o desenvolvimento sócio-cognitivo dos alunos. A maioria dos estabelecimentos e turmas funcionam em horário normal, mas as Escolas das áreas mais urbanizadas (EB1 nº 1 de Benavente e Escolas EB1 nº 1 e nº 2 de Samora Correia) funcionam em horário duplo, dada a procura mais elevada que se regista nestas freguesias.
A dimensão dos estabelecimentos do 1º ciclo apresenta grandes disparidades territoriais, detectando-se quatro tipos de situações fundamentais:
• Na vila de Benavente existe uma oferta de dois edifícios, com um total de 12 salas de aula, mas destas, dez estão integradas num edifício em mau estado de conservação, mas com obras previstas a breve prazo segundo indicação da responsável do agrupamento. Samora
Correia tem 14 salas de aula, em bom estado de conservação, apesar de um estabelecimento ser mais antigo e outro mais recente;
• No Porto Alto a oferta também é razoável (8 salas, incluindo a Escola dos Arados), distribuída por duas escolas, uma das quais com dois edifícios, um mais recente e outro mais antigo. Mas o estado de conservação é bom em ambos;
• Um terceiro grupo corresponde a diversas escolas com duas ou três salas, mas cuja importância é fundamental na ancoragem de espaços rurais, designadamente nos casos localizados em sedes de freguesia (casos de Barrosa e Santo Estêvão) ou em lugares com algum dinamismo demográfico (caso de Foros de Almada);
• Finalmente, existem os estabelecimentos que são de pequena dimensão, com apenas uma sala a funcionar, como é o caso de Foros da Charneca e a Escola dos Arados.
No respeitante a espaços de apoio, existem campos de jogos em Foros da Charneca e Porto Alto. Na Barrosa e na EB1 nº 2 de Benavente existem espaços desportivos muito próximos. Embora não exista pavilhão gimnodesportivo ou mesmo uma sala de Educação Física no interior dos espaços escolares, em Samora e Porto Alto eles estão muito próximos da escola e ao seu serviço. Nas restantes escolas não existem campos de jogos, mas apenas recreios descobertos.
As escolas dos dois centros urbanos e sedes de freguesia mais importantes, Benavente e Samora Correia estão relativamente melhor equipadas, já que dispõem de biblioteca/centro de recursos e de sala de informática. Contudo, nas restantes freguesias e lugares tais equipamentos estão ausentes.
Os alunos de todos os estabelecimentos de ensino têm acesso a diversas actividades oferecidas pelos agrupamentos de escolas existentes no concelho, designadamente a aulas de ginástica ou música. A Educação Física e a Educação Musical apenas não são oferecidas nas Escolas Básicas 1 e 2 de Benavente e na n.º 2 de Samora Correia. Os estabelecimentos do 1º ciclo de Benavente disponibilizam também as aulas de Inglês e de Expressão Dramática.
Os quatro agrupamentos do concelho têm ao seu serviço cerca de 23 educadores para as 18 salas disponíveis, o que dá um valor próximo de 1,3 por sala. O número de auxiliares de acção educativa é de 25. O maior número de educadores e auxiliares concentram-se naturalmente nas duas maiores localidades do concelho, Samora Correia e Benavente. O valor médio de 17 crianças por educador é aqui ligeiramente superior à média nacional que é de apenas 16,5 crianças por educador.
Quadro 14 – Recursos Humanos na Educação Pré-Escolar no Concelho de Benavente (2003/04)
Agrupamento Educadores Auxiliares3 Outros4 Crianças Crianças/
Educador
Crianças/ Auxiliar
Vertical Escolas Duarte Lopes 3 5 3 73 24 15
Horizontal Escolas de Benavente 9 9 4 150 17 17
Escolas de Samora Correia 7 8 2 138 20 17
Escolas de Porto Alto 4 1 3 2 1 70 18 23
Total 23 25 10 431 19 17
Observações:
1 – Tratam-se de 3 educadoras titulares e 1 educadora de apoio.
2 – Estas auxiliares apoiam na componente lectiva, apoiam as crianças na totalidade da componente social de apoio à família (almoço e
prolongamento de horário) e efectuam a limpeza das salas de actividade.
3 – Incluem quer auxiliares de acção educativa do M.E. quer auxiliares e assistentes de acção educativa das Autarquias. 4 – Incluem cozinheiras, auxiliares de serviços gerais e assalariados a tempo parcial.
Fonte: Agrupamentos de Escolas de Benavente
A distribuição mais equilibrada encontra-se no Agrupamento Vertical de Duarte Lopes com 24 crianças por educador e por auxiliar, um valor próximo do máximo recomendável (25 crianças). Nos restantes agrupamentos, verificamos que no Porto Alto e no Horizontal de Benavente, existe uma maior disponibilidade de educadores (17 a 18 crianças por cada um). Relativamente aos Auxiliares de Acção Educativa que incluem profissionais em diferentes situações (quadros do Ministério da Educação, da autarquia, entre outros) o seu valor médio é de cerca de um por 17 crianças, sendo o pré-escolar do agrupamento de Porto Alto aquele que se afasta mais da média (23 crianças por auxiliar). De referir que o número de auxiliares deverá ser sempre superior ao dos educadores dada a necessidade de garantir prolongamentos, refeições e outros actividades extra-educativas dos Jardins-de-infância. Por isso, encontramos ainda mais 10 profissionais ao serviço dos Jardins de Infância do concelho.
Quadro 15 – Recursos Humanos no 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente (2003/04)
Agrupamento Professores Auxiliares2 Outros3 Alunos Alunos/ Professor Alunos/ Auxiliar
Vertical Escolas Duarte Lopes 8 3 24 112 14 37
Horizontal Escolas de Benavente 35 8 1 433 12 54
Escolas de Samora Correia 30 9 2 502 17 56
Escolas de Porto Alto 121 3 2 181 15 60
Total 85 23 7 1.228 14 54
Observações:
1 – Destes 3 são de apoio.
2 – Incluem quer auxiliares de acção educativa do M.E. quer auxiliares e assistentes de acção educativa das Autarquias 3 – Incluem cozinheiras, auxiliares de serviços gerais e assalariados a tempo parcial
4 – Neste agrupamento a maioria dos funcionários de apoio são assalariadas a tempo parcial.
Nas 45 salas do 1º ciclo com aula do concelho de Benavente estão ao serviço cerca de 85 docentes, o que corresponde a um valor aproximado de 2 docentes por sala. O número de auxiliares é de 23, o que corresponde a cerca de 1 auxiliar por cada duas salas com aulas. Existem ainda cerca de outras 7 pessoas ao serviço, entre assalariadas, administrativas e pessoal indiferenciado, que realizam actividades diversas, desde apoio às salas, limpeza e vigilância. O número médio de alunos por professor é de 14, valor este próximo da média nacional que em 2003/04 era de 13,4 alunos por professor. O agrupamento de Samora era aquele em que o valor era ligeiramente mais elevado (17 alunos por professor). O número de alunos por auxiliar é bastante maior no concelho, ascendendo a 54. O agrupamento Vertical de Duarte Lopes parece ser aquele em que a distribuição é mais favorável, pois existem cerca de 37 alunos por auxiliar de acção educativa do quadro.
No concelho de Benavente existe ainda uma que IPSS (CRIB) que está dirigida a crianças e jovens com necessidades educativas especiais, com idade superior a 6 anos.
Quadro 16 – Caracterização dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar no Concelho de Benavente
Espaços de Apoio
Estabelecimentos Freguesia Localidade Ano de
Construção Construção de Raiz Estado de Conservação Geral N.º de Salas N.º de Salas Ocupadas Prolongamento de Horário Serviço de Almoço Refeitório Sala Polivalente Recreio Coberto Recreio Descoberto Sanitários Jardim de Infância de Barrosa Barrosa Barrosa 1988 Sim B 1* 1 Sim Sim B N N D R Jardim de Infância de Benavente Benavente Benavente 1984 Sim B 4 4 Sim Sim B B R B R Jardim de Infância nº2 de Benavente –Areias Benavente Benavente 2001 Sim B 2 2 Sim Sim B B N R B Jardim de Infância de Foros da Charneca Benavente Foros da Charneca Ed. anos 60 Não R 1 1 Sim Sim R N N R R Jardim de Infância de Porto Alto Samora Correia Porto Alto 1985 Sim B 3 3 Sim Sim B B N R R Jardim de Infância de Samora Correia Samora Correia Samora Correia 1984 Sim B 6 6 Sim Sim B B N B B Jardim de Infância de Santo Estevão Santo Estevão Santo Estevão 1985 Sim B 1 1 Sim Sim N N N R B
Estado de Conservação: B – Bom; R – Razoável; D - Deficiente
Fonte: Câmara Municipal de Benavente / Agrupamentos de Escolas do concelho de Benavente
Quadro 17 – Caracterização dos Estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente
Salas Actividades
Estabelecimento Freguesia Localidade Ano de
Construção Construção de Raiz N.º de Edifícios Estado de Conservação Geral Regime
Total Ocupadas Informática Educação Física Estado de Conservação Serviço de ATL Educação
Física Natação Música Inglês
Escola Básica do 1.º Ciclo de Barrosa Barrosa Barrosa Centenários anos 50 Sim 1 R Normal 2 2 Não Não R N S S S N
Escola Básica do 1.º Ciclo de Benavente Benavente Benavente Centenários
anos 60 Sim 3 D
Normal/
Duplo 10 8 Sim Não R N N S N S
Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 2 de
Benavente (Areias) Benavente Benavente Anos 80 Sim 2 B Normal 4 4 Não Não B N N S N S
Escola Básica do 1.º Ciclo de
Foros de Almada Benavente Foros de Almada
Centenários
anos 60 Sim 1 R Normal 2 2 Não Não R N S S S N
Escola Básica do 1.º Ciclo de
Foros da Charneca Benavente
Foros da
Charneca Centenários Sim 1 R Normal 2 1 Não Não R N S S S N
Escola Básica do 1.º Ciclo dos Arados Samora Correia Arados Centenários 1960 Sim 1 B Normal 1 1 Não Não R N S S S N
Escola Básica do 1.º Ciclo de Porto Alto Samora Correia Porto Alto Centenários
1956 +1983 Sim 2 B Normal 7 7 Não Não R N S S S
S - 4º ano Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 1 de
Samora Correia Samora Correia Samora Correia Centenários Sim 2 B
Normal/
Duplo 6 6 Sim Não B N S S S N
Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 2 de
Samora Correia Samora Correia Samora Correia 1980 Sim 1 B
Normal/
Duplo 8 8 Sim Não B N N S N N
Escola Básica do 1.º Ciclo de Santo
Estevão Santo Estevão Santo Estevão Anos 80 Sim 1 B Normal 3 3 Não Não B N S S S N
Estado de Conservação: B – Bom; R – Razoável; D - Deficiente
Quadro 18 – Caracterização dos Estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico no Concelho de Benavente (continuação) Espaços de Apoio
Estabelecimentos Serviço de
Almoço
Refeitório Sala Polivalente
Centro de Recursos / Biblioteca Mediateca Recreio Coberto Recreio
Descoberto Sanitários Balneários
Campo de Jogos
Escola Básica do 1.º Ciclo de Barrosa Sim N N N N D B R N R
Escola Básica do 1.º Ciclo de Benavente Sim N N B N D R R N R
Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 2 de
Benavente Sim N N N N D R B N N
Escola Básica do 1.º Ciclo de
Foros de Almada Sim B N N N N R D N N
Escola Básica do 1.º Ciclo de
Foros da Charneca Sim R N N N N B D N R
Escola Básica do 1.º Ciclo dos Arados Não N N N N N B R N N
Escola Básica do 1.º Ciclo de Porto Alto Sim N N N N N B B N R
Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 1 de Samora
Correia Sim B N R N N R R R R
Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 2 de Samora
Correia Sim N B R N N R R N N
Escola Básica do 1.º Ciclo de Santo Estevão Sim N N N N N R B N N
Estado de Conservação: B – Bom; R – Razoável; D - Deficiente Existência: S – Sim; N - Não
1.3 – 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário
Dado constituírem uma oferta de ensino de nível superior, os 2º e 3º ciclos do ensino básico estão apenas presentes na sede de concelho e nos centros urbanos de Samora Correia (o mais populoso do concelho) e de Porto Alto. Os estabelecimentos dos 2º e 3º ciclo do ensino básico fazem parte da rede pública, incluindo tipologias de escolas distintas mas relativamente actuais.
A Escola EB2,3 de Duarte Lopes, em Benavente e a Escola EB2,3 de Prof. João Fernandes Pratas, em Samora Correia foram construídas no mesmo ano (1989) pelo que são bastante idênticas.
Tratam-se de estabelecimentos de tipologia T24 (com capacidade para 24 turmas), possuindo 16 e 17 salas normais, respectivamente. Quanto aos Laboratórios temos 2 na primeira escola e 3 na segunda. Existe 1 sala de informática, em cada uma das Escolas. As salas de Educação Visual e Tecnológica são 2, em Benavente e 3 na Escola de Samora Correia. Apenas as oficinas, são em menor número, duas apenas, na Escola Duarte Lopes (2) enquanto que, na Escola João Fernandes Pratas são cinco. Ambas possuem refeitório e centro de recursos, mas nenhuma tem mediateca ou pavilhão gimnodesportivo. Usam contudo pavilhões localizados próximo do estabelecimento de ensino. Têm ambas campo de jogos exterior. A Escola EB2,3 de Duarte Lopes tem balneários, o que não acontece com a sua homóloga de Samora Correia. Dada a relativa juventude das duas Escolas os diversos espaços estão geralmente em regular ou mesmo bom estado de conservação.
Por sua vez, a EB 2,3 localizada em Porto Alto é um estabelecimento ainda mais recente (datado de 1998), também em bom estado de conservação, possuindo refeitório e centro de recursos. Utiliza o pavilhão desportiva municipal situado junto à escola: No que diz respeito ao seu campo de jogos descoberto, este encontra-se a necessitar de melhorias, segundo indicação dos seus responsáveis.
Constitui uma T18, com 9 salas normais, 2 laboratórios, 1 sala de informática, 1 salas de educação visual e tecnológica e 2 oficinas, sendo sede do agrupamento de escolas do 1º ciclo e da educação pré-escolar público da área sul da freguesia de Samora Correia.
O ensino secundário é integralmente ministrado na Escola Secundária de Benavente, estabelecimento que tem vindo a funcionar como uma secundária pura, uma vez que deixou de oferecer o 3º ciclo do ensino básico. É uma escola antiga (data de 1958), resultante da aquisição de um antigo colégio
de conservação que é considerado deficiente, necessitando de obras de conservação. Nesta escola, uma parte significativa das salas de aula localiza-se num edifício pré-fabricado.
A Escola Secundária de Benavente possui 18 salas normais, 2 laboratórios (que deverão ser objecto de um maior apetrechamento) e 3 salas de informática. A Escola Secundária também não tem campo de jogos exterior, o que limita a prática desportiva quando não é possível recorrer às instalações exteriores às instalações da escola. Contudo, tem pavilhão e balneários. Não dispõe igualmente de refeitório, mas tão somente de bar, onde são servidas refeições ligeiras.
De acordo com o Conselho Executivo deste estabelecimento, são essencialmente as salas de aula que por se localizaram em pré-fabricado apresentam pior estado de conservação, pois os restantes serviços de apoio funcionam no edifício principal do antigo colégio.
Actualmente, a oferta do ensino secundário na vila de Benavente é efectuada através de dois cursos gerais (também designados por Cursos Predominantemente Orientados para o Prosseguimento de Estudos), incluindo turmas do Agrupamento 1 (Científico - Natural), Agrupamento 3 (Económico-Social) e do Agrupamento 4 (Humanidades) e pelos Cursos Tecnológicos (também designados por Cursos Predominantemente Orientados para Vida Activa) de Informática, Administração e Comunicação e Difusão.
Existe ainda oferta de ensino recorrente diurno do 3º ciclo, ensino recorrente nocturno do mesmo nível e do ensino secundário recorrente nocturno.
No concelho de Benavente encontram-se ao serviço nas quatro escolas que ministram o 2º e 3º ciclo e Secundário, cerca de 275 docentes, a maioria (quase 80 por cento) dos quais são docentes do quadro. A Escola Secundária de Benavente e a Escola EB2,3 de Duarte Lopes são as que apresentam uma maior percentagem de docentes efectivos, enquanto que nas Escolas EB2,3 de Porto Alto e de Samora Correia o peso dos docentes extra-quadro é superior à média concelhia.
A Escola Secundária de Benavente é também aquela que tem maior estabilidade ao nível do quadro de auxiliares, ao contrário da Escola EB2,3 de Porto Alto, em que os auxiliares contratados são a maioria face aos efectivos.
O número de alunos por professor é idêntico em todas as Escolas situando-se em termos médios nos 7 discentes por docente. Este valor é ligeiramente inferior à média nacional para o 2º, 3º ciclo e Secundário, que se situava em 2003/2004 em 8,4 alunos por docente.
Quadro 19 – Recursos Humanos nos 2º Ciclo e 3º Ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário no Concelho de Benavente (2003/04)
Professores Auxiliares Estabelecimentos de Ensino
Quadro Outros Quadro Outros
Administr. (Total) Outros (Total) Alunos (Total) Alunos/ Professor Alunos/ Auxiliar EB 2/3 Duarte Lopes 60 9 9 9 9 3 1 623 9 35 EB 2/3 de Porto Alto 45 14 9 11 7 0 227 4 11
EB 2/3 Prof. João Fernandes
Pratas 49 23 13 11 10 0 602 8 25
Escola Secundária de Benavente 60 15 16 2 8 4 490 7 27
Total 214 61 47 33 34 7 1.942 7 24
Observações:
1 – O psicólogo só está presente na escola uma vez por semana, à segunda-feira.
Fonte: Agrupamentos de Escolas de Benavente/Escola Secundária de Benavente
A relação alunos/auxiliar de acção educativa tem um valor médio de 24 para 1, isto é, em termos gerais, um auxiliar por turma. A Escola Duarte Lopes é aquela em que aquele valor é mais ultrapassado (35 alunos por auxiliar), ao contrário da EB2,3 de Porto Alto em que existem apenas 11 alunos por cada auxiliar.
Quadro 20 – Caracterização dos Estabelecimentos com 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário do Concelho de Benavente
Salas Normais Salas de Informática Salas de Educação
Visual e Tecnológica Laboratórios Oficinas
Estabelecimento Freguesia Localidade Ano de
Construção Tipologia Construção de Raiz N.º de Edifícios de Raiz N.º de Edifícios Pré-Fabricados Estado de Conservação Geral N.º Estado de Conservação N.º Estado de Conservação N.º Estado de Conservação N.º Estado de Conservação N.º
Escola Básica dos 2.º e 3.º
Ciclos de Duarte Lopes Benavente Benavente 1989 T24 Sim
1 com 3 blocos
unidos 0 B 16 SI 1 S 3 SI 2 SI 2
Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Porto Alto
Samora
Correia Porto Alto 1998 T18 Sim 1 0 B 9 B 1 N 1 R 2 B 2
Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Prof. João Fernandes
Pratas Samora Correia Samora Correia 1989 T24 Sim 1 0 B 16 R 1 N 2 R 3 R 5 Escola Secundária de
Benavente Benavente Benavente Década 50 ______ Sim 1 1 D 18 D 1 3 R 0 _ 2 R 0
Quadro 9 - Caracterização dos Estabelecimentos com 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário do Concelho de Benavente (Continuação)
Estabelecimentos Refeitório Sala de Convívio Polivalente Sala Recreio
Centro de Recursos / Biblioteca
Mediateca Pavilhão Campo de Jogos Balneários Sanitários
Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Duarte Lopes B S B B B N N R B B
Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Porto Alto B S R R R N B R B B
Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Prof. João Fernandes
Pratas R N N B B N N R N D
Escola Secundária de Benavente N S R R R R B 2 N B R
Estado de Conservação: B – Bom; R – Razoável; D - Deficiente Existência: S – Sim; N - Não
SI – Sem Informação Observações:
1 – As dos pavilhões pré-fabricados encontram-se degradadas, devido à idade do edifício
2 - Considera-se aqui o Pavilhão Gimnodesportivo, que é novo.
2.1 – Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Secundário Público
Neste ponto do documento procurar-se-á efectuar uma análise da evolução da procura de ensino nos estabelecimentos públicos do concelho de Benavente desde o pré-escolar ao ensino secundário, passando pelos três ciclos do ensino básico. Considera-se apenas a oferta pública, na medida em que a rede de educação pré-escolar particular e cooperativa será contemplada num outro ponto deste trabalho.
O número de crianças/alunos nos diferentes estabelecimentos de educação pré-escolar, básica (do 1º ao 3º ciclo) e secundária, no concelho de Benavente, durante os últimos seis anos lectivos tem vindo a aumentar progressivamente, passando de 3.100 no ano lectivo de 1998/99 para 3600 no ano lectivo de 2003/2004. Entre as duas datas limite de referência registou-se um acréscimo global de mais de 16%.
Contudo, estes valores escondem diferenciações consideráveis entre os diversos níveis e ciclos de ensino:
• Na educação pré-escolar público o número de crianças inscritas aumentou de forma considerável (cerca de 47%);
• Nos 1º e 2º ciclos do ensino básico o número de alunos inscritos conheceu alterações de sinal positivo ao longo dos últimos seis anos lectivos; o crescimento do 1º ciclo foi mais evidente (cerca de 16%) quase triplicando o crescimento registado no 2º ciclo. O crescimento das matrículas no 3º ciclo foi igualmente importante e mesmo ligeiramente superior à média de crescimento do Ensino Básico que, no período, considerado se situou próximo dos 11%;
• No ensino secundário ocorreu também um acréscimo considerável no número de alunos inscritos (nesse nível de escolaridade o número de alunos no último ano lectivo era superior em quase de 20 por cento relativamente ao que se verificava em 1998/99).
Quadro 21 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Nível de Ensino no Concelho de Benavente Nível de Ensino 1998-1999 1999-2000 2000-2001 2001-2002 2002-2003 2003-2004 Variação (%) 1998-1999 / 2003-2004 Pré-Escolar Público 293 301 312 326 430 431 47,1 1º Ciclo 1.062 1.104 1.155 1.130 1.212 1.232 16,0 2º Ciclo 623 639 639 636 654 661 6,1 3º Ciclo 712 724 743 777 772 791 11,1
Sub-total do Ensino Básico 2.397 2.467 2.537 2.543 2.638 2.684 12,0
Secundário 410 506 428 461 407 490 19,5
Total 3.100 3.274 3.277 3.330 3.475 3.605 16,3
Fonte: Direcção Regional de Educação de Lisboa
Figura 9 – Evolução do Número de Crianças/Alunos por Nível de Ensino no Concelho de Benavente
Outro indicador relevante é a taxa bruta de escolarização, que reflecte a relação entre o número de alunos matriculados num determinado ano/ciclo de escolaridade e a população residente com a idade própria para a frequência desse ano/ciclo de escolaridade.
Assim constata-se que apenas para o ensino público a taxa de pré-escolarização é baixa, com um valor de cerca de 51,8%, abaixo do registado (56,4%) na região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2001, e igualmente inferior à média nacional (58,4%). Todavia na educação pré-escolar do concelho de Benavente o elevado número de crianças inscritas nos estabelecimentos da rede de
0 20 0 40 0 60 0 80 0 1 .00 0 1 .20 0 1 .40 0
P ré-E sco la r 1 º C iclo 2º C iclo 3 º C ic lo S e cu nd á rio